Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 12 de 28

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Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 11

— Você não fez isso — relembrou ele.

Meu Deus, eu ainda gostava tanto de Blake que meu coração doía para encostar nele. Porém, eu sabia que nunca teria um relacionamento sério com ele. Poderia roubar cada momento que pudesse enquanto estivéssemos juntos ou poderia fugir, o que não era uma opção. Meus dias de fuga tinham acabado.

Eu não queria sentir a dor de perdê-lo de novo, mas sabia que não resistiria a aproveitar cada momento de prazer que pudesse na companhia dele.

Incapaz de me conter, enterrei os dedos nos cabelos dele e puxei sua cabeça para baixo para beijá-lo. Meu corpo queria algo que não vivera em muito tempo.

Blake imediatamente assumiu o controle do abraço, pressionando o corpo forte contra o meu até que eu estivesse sob ele. Sua persuasão dominante predominou quando ele prendeu meu corpo sob si enquanto me beijava como se não conseguisse ter o suficiente.

Suspirei dentro da boca dele, mordendo de leve seu lábio inferior quando ele ergueu a cabeça para respirar. Eu queria que ele sentisse cada pedacinho da mesma paixão consumidora que causava em mim.

Em um momento, só o que eu conseguia sentir era Blake, e, no seguinte... ele não estava mais lá.

Blake

Afastar-me de uma Harper cheia de desejo foi provavelmente a coisa mais difícil que eu jamais fizera.

Ainda assim, forcei-me a me afastar da mulher que eu queria mais do que jamais quisera alguma coisa ou alguém na vida e fui para o outro lado do aposento. Sentei-me no canto da mesa, com os punhos cerrados. Desviei o olhar da figura tentadora dela deitada no pequeno sofá do meu escritório.

Não pode acontecer assim. Não posso trepar com ela enquanto está vulnerável. E, merda, eu queria tirar a roupa dela e tomá-la sobre a mesa, no chão, contra a parede... não importava onde nem como. Desde que fosse algo quente, rápido e intenso.

Eu precisava reclamar a mulher com quem esperara doze anos para estar junto novamente.

Talvez não tivesse admitido conscientemente para mim mesmo, mas alguma coisa bem no fundo sabia que ninguém, exceto Harper, seria a mulher que eu queria.

Eu chegara perto de trepar com outras mulheres? Claro que sim. Fora adiante? Claro que não.

Usar outra mulher não teria sido nada diferente de me masturbar, o que eu fazia com bastante frequência.

Mas Harper me arruinara naquela noite de Natal tanto tempo antes. O

que eu sentira com ela era diferente de tudo o que já vivera. E eu nunca mais me sentira daquele jeito de novo.

Claro, eu tivera paixões inflamadas por garotas antes de Harper. Ela não fora a minha primeira, mas certamente fora a última.

Eu nunca realmente examinara o motivo de não ter vontade de ir para a cama com outras mulheres. Ele só estava... lá. Harper entrara na minha alma de uma forma que eu não conseguia explicar. E era algo que parecia tão ridículo que eu nunca contara como me sentia nem mesmo para Marcus.

Eu afastava o problema quando racionalizava meu comportamento para mim mesmo. Estava ocupado demais.

Eu estava cansado demais.

Viajava demais.

Meu estilo de vida não comportava um relacionamento. Mentira... tudo aquilo.

A verdade nua e crua era que... nenhuma outra mulher me fazia sentir como ela fazia. E, se eu não pudesse ter aquilo, não queria mais nada.

Sim, eu percebia que alguns homens não precisavam sentir nada, exceto desejo de trepar com outra mulher. Eu costumava pensar o mesmo.

Até que conheci Harper. Até que tive Harper.

Ela era minha e eu estava convencido de que o destino sempre quisera assim.

— Não consigo fazer isto, Harper — expliquei, com a voz ainda rouca de desejo.

— Por quê?

Observei enquanto ela se sentava no sofá e corria as mãos nervosas pelas pernas. Eu a vira fazer isso antes. Era algum tipo de reação ansiosa que me deixava louco. Talvez porque eu quisesse passar aquelas pernas longas em volta da minha cintura para que pudesse sentir como era mergulhar no êxtase de novo.

— Você está preocupada com Dani. Está emocional e fisicamente exausta. — Eu conseguia ver as olheiras fundas em seu rosto e o medo dela me deixava muito tenso. Eu não conseguia nem pensar em como sobreviveria ao luto dela se Danica não voltasse sã e salva para casa.

— Sim, todas essas coisas são verdade — admitiu ela baixinho. — Mas eu quero você, Blake.

Talvez eu fosse ganancioso. Talvez quisesse toda a atenção dela. Talvez eu a quisesse totalmente concentrada em mim e em nós. Não importava o motivo, o momento não era certo.

— Sempre escolhemos o momento errado — resmunguei. Harper sorriu. — Há um momento que seja certo?

— Tem que haver — respondi em tom sombrio. — Mas, neste momento, você está dominada pelas emoções e pela adrenalina. Não vou tirar vantagem disso. — Eu deveria ter atendido o telefone anos atrás —

disse ela pensativa.

— Eu deveria ter ido atrás de seu belo traseiro quando não atendeu —

respondi cheio de arrependimento.

Subconscientemente, eu esperara Harper por doze malditos anos. E, agora, estávamos juntos por necessidade. Não era o que eu queria e certamente não era do que precisava.

Transar com ela agora nunca a tiraria da minha cabeça. Não depois de ela ter silenciosamente me assombrado por tantos anos.

Sim, meu pênis podia discordar no momento, mas eu não era mais um garoto de vinte e dois anos.

— Está com fome? — perguntou ela com a voz mais composta.

A única coisa que eu realmente queria era ela, mas respondi: — Sim.

Mas, pelo amor de Deus, não me peça para cozinhar. Nada que eu faça seria comestível. Por que acha que ataco o bufê da mamãe todas as manhãs?

— Achei que você fosse Marcus tomando café da manhã no bufê. —

Faço a mesma coisa. Também não sei cozinhar — resmunguei.

A risada divertida dela invadiu meus sentidos como um jato de água quente depois de um passeio no frio. Foi uma sensação boa demais.

Ela se levantou e observei-a à distância, percebendo como mudara pouco. Harper amadurecera, mas ainda era linda como fora aos dezoito anos. Ela não precisava estar perfeitamente arrumada nem usar roupas de grife com muita maquiagem.

Os cabelos dela estavam soltando-se da presilha. Os olhos estavam inchados de tanto chorar.

E ela não estava vestida para impressionar. Vestia uma calça jeans, um suéter roxo e botas.

E, droga, ela era mais atraente para mim do qualquer uma das mulheres que eu conhecera que levavam horas para se arrumar de forma perfeita.

Talvez eu estivesse acostumado demais com as pessoas de Washington e a falta total de artifícios de Harper me atraía tanto que estava desesperado para mantê-la perto de mim.

Havia mais do que apenas um desejo simples ou lascívia, mas eu não podia nem queria pensar nisso no momento. Tinha certeza de que minha cabeça explodiria.

— Eu cozinharei se você tiver os ingredientes — ofereceu ela.

— Não faço a menor ideia do que há na despensa. Tenho uma governanta, mas eu supostamente estou de férias. Também não sei o que há no freezer.

Ela atravessou o aposento na minha direção. — E exatamente quando deveria voltar de... onde era mesmo? Havaí? Caribe? Suponho que seria algum lugar quente.

Ela estava brincando, o que deixou meu humor mais leve. — Não me lembro de ter inventado um lugar desta vez, portanto, pode escolher qualquer um. Marcus e eu não tivemos tempo suficiente para um disfarce completo.

— Então, um resort de cinco estrelas no Caribe — decidiu ela.

— Não me lembro de ter definido uma data para voltar — disse eu com um sorriso leve.

O joguinho de Harper era contagiante.

— Então, acho melhor ver o que há em estoque para um cara que talvez volte... em algum momento.

Ela se virou e começou a andar em direção à cozinha. Sorri quando ela fez uma curva errada. — Por aqui — chamei. — Droga. Por que tem uma casa tão grande? — resmungou ela ao passar por mim.

Subitamente, lembrei-me do que ela dissera, sobre meu pênis ser grande demais, anos antes. — Você tem algum problema com coisas grandes?

Ela me lançou um olhar malicioso por sobre o ombro. Ela sabia exatamente o que eu estava pensando. — Algumas vezes sim, no começo.

Mas dá certo depois de algum tempo.

Eu ri ao segui-la, ainda sentindo-me hipnotizado pelo perfume floral que ela deixou em seu rastro ao passar por mim.

Eu a segui porque não consegui me segurar. — Então, você não tem uma casa grande na Califórnia?

Ela balançou a cabeça negativamente ao andar pela cozinha e abrir a geladeira. — Tenho um apartamento em um condomínio. Não havia motivo para ter uma casa grande. Nunca estou em casa.

Eu sabia muito bem que Harper era rica. Os pais dela tinham sido ricos como os meus. — O que aconteceu com a garota rica que gastava os cartões de crédito dos pais sem pensar no amanhã?

— A maior parte do egoísmo dela foi curada depois de passar um pouco de tempo com os sem-teto — respondeu Harper em tom direto. —

Agora, compro para suprir minhas necessidades, não para impressionar outras pessoas.

Eu sabia que todas as coisas que ela aprendera em seu breve período no abrigo tinham permanecido. Harper fazia mais bem pelas pessoas que precisavam de ajuda do que quase todos que eu conhecia. — No que está trabalhando agora?

Eu estava curioso para saber quais eram os projetos mais recentes dela.

— Tenho um trabalho comissionado perto de Boston. Portanto, também estou trabalhando em um abrigo lá.

— Por quanto tempo você vai construir abrigos? — perguntei curioso.

Harper tirou alguns itens da geladeira e inspecionou o freezer. —

Enquanto houver mais de meio milhão de pessoas neste país sem um teto sobre a cabeça — respondeu ela em tom firme enquanto avaliava meu estoque de comida. — Sua cunhada mencionou que muitas das mulheres em sua família apoiam uma instituição de caridade para vítimas de violência doméstica. Eu gostaria de trabalhar com elas no futuro, se puder.

— Precisa de dinheiro para isso? — Ora, eu daria toda a minha fortuna para ela se isso a deixasse feliz.

Ela balançou a cabeça negativamente. — Na verdade, não. Meus irmãos e eu temos muito dinheiro, mas não acho que possamos depender só dele para sempre.

— Ajudarei você a estabelecer uma instituição de caridade que pode ser continuamente custeada. Ela me lançou um sorriso feliz. — Eu gostaria disso. Talvez eu consiga fazer mais. Meu Deus! Eu adorava quando ela olhava para mim como se fosse seu super-herói pessoal apenas por sugerir ajudá-la em uma coisa pequena. — Você já faz bastante. Fez dois locais na Califórnia, certo?

Ok, sim, talvez eu tivesse percebido algumas das coisas que Harper fizera.

— Sim. Uma no norte e outra no sul da Califórnia.

— Não vá enlouquecer. Você não pode solucionar todos os problemas sozinha. Acredite, o governo tem tentado melhorar a situação há anos.

Ela se aproximou ao colocar um pedaço de carne sobre o balcão entre nós. — Não o suficiente — disse ela com decepção na voz. — Muitas daquelas pessoas não têm a capacidade mental de cuidarem de si mesmas.

Alguns são nossos veteranos de guerra, que merecem coisa melhor. E odeio saber que há mães e crianças nas ruas. O governo precisa trabalhar mais.

— Você tem razão. Mas convencer alguns daqueles ricaços metidos a besta no congresso a admitir que temos um problema bem real de pessoas sem-teto pode ser algo desafiador.

Os olhos cor de esmeralda dela estavam com uma expressão divertida quando ela perguntou: — Você é um desses ricaços metidos a besta, senador Colter?

— Não. Posso ser rico, mas não estou alheio aos problemas no nosso país.

— Ótimo, continue assim — sugeriu ela. — Quando eles perdem o contato com o senso de humanidade, esses representantes são inúteis.

— Nem me fale — respondi secamente. — Algumas vezes, meus deveres de senador parecem inúteis. Mas então eu me lembro do motivo de estar lá, por que me candidatei e continuo tentando.

Harper encheu uma panela de água e colocou-a para ferver. Olhando para os ingredientes, supus que ela estava fazendo algum tipo de massa.

Ela fez uma pausa e olhou para mim ao perguntar com sinceridade. —

E por que você se candidatou?

Sorri para ela. — Porque havia um ricaço metido a besta que precisava ser expulso de sua cadeira.

— Estou falando sério.

Dei de ombros. — Eu também. Ele foi político por tempo demais. Nada estava sendo feito a respeito dos problemas que tínhamos neste estado. Ele não conversava com os fazendeiros, os rancheiros nem nenhuma das outras pessoas que importavam. Ele estava tão mergulhado em Washington que esqueceu para quem trabalhava e quem o elegeu.

Ela inclinou a cabeça ao me observar. — Algo me diz que você nunca esquecerá.

Meu coração flutuou quando ela olhou para mim como se eu fosse alguém especial só por fazer o trabalho que deveria fazer. — Se isso

acontecer, sairei de Washington com tanta pressa que deixarei um rastro de fumaça — jurei. Eu estava em Washington pelo povo. Se alguma vez me envolvesse com os lobistas como alguns dos membros do congresso estavam, de tal forma que não se importavam com o que era certo e o que era errado, eu me demitiria.

— E quais eram seus planos quando nos conhecemos? Nunca perguntei. — Eu estava prestes a me formar na faculdade. Eu achei que queria ser veterinário, mas acabei mudando para genética animal. Tinha acabado o doutorado quando decidi me candidatar para o congresso.

Ela riu ao colocar o macarrão na água fervente. — Então você é, na verdade, o dr. senador Colter?

Fiz uma careta. — Tecnicamente, acho que sim. Prefiro ser Blake na maior parte do tempo.

— Então seu estudo em genética está parado.