Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 8 de 28

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Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 7

Blake se levantou e sentou-se ao meu lado, pegando-me nos braços como se fosse algo perfeitamente natural. — Espero que não esteja.

O tom reconfortante na voz dele finalmente fez com que eu desmoronasse. Eu me preocupara durante semanas, imaginando se Danica ainda estava viva. A ferida no meu coração finalmente abriu e eu chorei.

 

Blake

Eu me senti impotente, pois só o que podia fazer era segurar Harper nos braços enquanto ela botava para fora com as lágrimas todo o medo que sentia pela segurança da irmã.

Ora, eu não podia prometer a ela que Danica ainda estava viva. A correspondente internacional estava em um mundo em que ninguém se importava se ela tivesse a cabeça cortada e derramasse todo o sangue na terra. A irmã de Harper convivia com aquele tipo de brutalidade e aquela realidade todos os dias enquanto enviava informações de alguns dos destinos mais hostis da Terra.

A única esperança que eu podia dar à mulher nos meus braços era algo pequeno. — Não há notícia oficial da morte dela. Se os rebeldes a tivessem matado, acho que já seria de conhecimento público. Telefonei para todos os agentes governamentais que conheço para ver se descobria alguma coisa.

Não há nada, Harper. Nem uma única palavra sobre o destino dela. No momento, isso é, na verdade, algo bom.

Os soluços desesperados dela pararam e ela deitou contra meu peito ao perguntar tremulamente: — Você telefonou?

— É claro — respondi calmamente.

— Obrigada por ajudar. Você não precisava se envolver. Nem seus irmãos.

— Eu queria que tivéssemos recebido alguma coisa dos imbecis que a levaram — respondi irritado.

Para minha decepção, ela endireitou o corpo e limpou as lágrimas do rosto. — Não ouvi dizer nada desde que interromperam as comunicações.

Isso me preocupa.

Isso também me deixava com muito medo, mas eu não pretendia dizer isso a Harper. Aquele sequestro não viera a público e eu esperava que continuasse assim. Eu queria que Marcus e Tate conseguissem entrar e sair de lá bem depressa. A melhor chance de Dani era uma missão clandestina que não atraísse atenção nenhuma para o incidente. — Vou ter notícias de Marcus em breve — disse eu, mantendo o braço em volta do corpo trêmulo dela.

Eu odiava aquela situação. Odiava ver Harper preocupada e triste. — E

se ele não conseguir entrar em contato? Pode ser uma área remota. — Ele tem um dos melhores telefones via satélite que existem.

Meu irmão tinha um telefone via satélite que funcionava praticamente em qualquer lugar.

Além de sempre correr atrás de adrenalina, Marcus adorava seus brinquedos de espião.

Senti o corpo de Harper relaxar. — Ok. Então vamos esperar.

Sinceramente, eu preferia estar lá, com a equipe, em vez de esperar, mas tinha um papel a desempenhar no resgate de Dani. — Toda a minha família sabe o que Marcus está fazendo. Sabem desde o momento em que trocamos de lugar. Podemos ser idênticos, mas nossa mãe e nossos irmãos sabem nos diferenciar. Fora da família, seria melhor se ninguém soubesse que não sou meu irmão gêmeo.

— Não direi uma palavra, prometo — disse ela com a voz forte e determinada. — Eu faria qualquer coisa para salvar Dani.

— Incluindo vender seu corpo? — perguntei, mais do que apenas um pouco irritado por ela sequer ter considerado isso como possibilidade. Mas obviamente considerara, já que mencionara o assunto de forma sarcástica.

— Sim, se necessário — respondeu ela firmemente. — E, para minha defesa, achei que você fosse Marcus. Eu não sabia o que você queria.

Suponho que nunca mais encontrou outra virgem detestável?

— Ninguém mais me ofereceu a virgindade desde que você me usou —

brinquei, tentando fazer com que ela sorrisse. Ela estava tão triste que eu queria distraí-la.

— Não usei você — respondeu ela indignada.

Eu ri, um som alto que não saíra da minha boca por um longo tempo.

— Achou mesmo que eu conseguiria resistir quando você praticamente se enrolou em mim seminua? Eu tinha vinte e dois anos.

— Eu estava vestindo uma das suas camisas — retrucou ela na defensiva. — Sim. E praticamente mais nada — relembrei.

— Ok, talvez eu fosse um pouco inexperiente — admitiu ela relutantemente.

— Tem certeza de que não se arrepende? — Merda! Eu não perguntara isso antes porque não tinha certeza se queria ouvir caso a resposta dela mudasse. Mas, por algum motivo estranho, era importante ouvi-la dizer mais uma vez que não se arrependia.

— Não.

A voz dela era firme e certa. Soltei um suspiro longo que não percebi que estivera segurando.

— Ótimo. — Eu estava muito feliz por ela não ter mudado a resposta.

— E você? — perguntou ela em tom hesitante.

— Não, Harper. Na época, eu me considerei o idiota mais feliz do planeta.

— E agora?

Sorri para ela. — Ainda me considero o idiota mais feliz do planeta por ter sido seu primeiro.

— Fico feliz por ter sido você — disse ela em tom solene.

Obviamente eu não poderia dizer que Harper fora a única mulher que eu tivera. Eu fora um tarado antes de conhecê-la. Mas poderia dizer que estar com ela me mudara profundamente. Depois de Harper, e da forma como eu me sentira com ela, nenhuma outra mulher conseguiria tocar minha alma da mesma forma.

Emoções diversas invadiram meu coração, apertando-o como se estivesse em um torno, quando pensei em Harper com outro homem. Não importava se tinham se passado doze anos sem que eu a visse.

O que diabos me fazia sentir como se ela pertencesse a mim só porque uma vez eu a fizera gritar e tremer em um clímax violento?

Vê-la novamente estava fazendo com que eu perdesse o juízo.

Eu me levantei subitamente, preocupado de não conseguir controlar meus instintos de homem das cavernas e arrastar Harper como um prêmio.

Puta merda! Eu era um servidor público respeitado e a única coisa em que conseguia pensar era deixar Harper nua e mantê-la só para mim.

— Preciso voltar para minha casa. Tenho algumas coisas com que preciso lidar. — Na verdade, eu não tinha absolutamente nada a fazer naquele momento, exceto agir como Marcus. Mas ficar perto de Harper era perigoso para mim.

Eu me sentia um homem completamente diferente quando estava perto dela, mesmo não sendo uma pessoa possessiva. Ora, eu nem achara que um dia a veria de novo. Agora, eu lutava contra emoções que nem sabia que existiam dentro de mim.

Era algo muito assustador perceber que eu tinha traços de personalidade que nunca vira antes.

Harper estava emocionalmente exausta e preocupada com Danica.

Aquele não era o momento de pensar em transar com ela até que gritasse meu nome. E merda... eu queria muito ouvir isso. Eu precisava dela como se fosse uma droga e tudo dentro de mim queria ouvir meu nome enquanto transássemos até estarmos saciados e exaustos demais para fazer qualquer movimento.

Ela saltou do sofá. — Blake?

Meu peito doeu quando ela disse meu nome em voz alta. — Sim? —

Obrigada — disse ela em tom suave.

Eu não queria que ela me agradecesse. — Você não precisa me agradecer por eu fazer a coisa certa.

— Acho que preciso — murmurou ela, chegando mais perto e dando um beijo leve na minha bochecha.

Cerrei os punhos, mantendo-os ao lado do corpo, quando tudo o que eu queria era prendê-la contra a parede e fazer sexo selvagem. Harper me fazia sentir um pouco insano e eu não sabia se conseguiria controlar meus instintos primitivos.

— Ficarei em contato — respondi quando me afastei abruptamente.

— Pode deixar que não vou entregar sua identidade. — Ela hesitou por um momento antes de perguntar: — Você está bem?

Virei-me para olhar para ela. — Sim. Por quê? — Você parece... desconfortável.

Talvez seja porque quero transar com você mais do que quero respirar!

Eu certamente não diria isso a ela naquele momento. — Estou bem.

Acho que só queria que você... me conhecesse.

Pelo menos, aquilo era verdade. Ela sempre me vira como Marcus. Eu amava meu irmão, mas não queria ser ele. Muito menos para Harper.

— Eu sempre conheci você — respondeu ela. — Só não sabia o seu nome. Talvez aquilo soasse estranho, mas eu sabia exatamente o que ela queria dizer. E isso fez com que eu me sentisse um pouco mais leve. — Não gosto muito de ser Marcus.

— Aposto que não. Manter sua identidade é um problema quando você tem um irmão gêmeo idêntico?

— Somos diferentes, apesar de parecermos iguais. — Eu sei. Consegui sentir a diferença.

— Então você é uma das poucas que consegue. Todos os outros olham para nós apenas superficialmente e supõem que somos iguais.

Não que houvesse algo de errado com o meu irmão. Na verdade, ele fazia o possível para ajudar o governo sendo um informante da CIA porque achava que era a coisa certa a fazer. De uma forma própria, Marcus fazia um serviço público.

Eu só não gostava quando ninguém nos via como indivíduos separados só porque parecíamos exatamente iguais.

— Vocês são diferentes — comentou Harper. — Mas fico grata a vocês dois e a Tate pelo que estão fazendo.

Eu não queria a gratidão dela. Queria algo completamente diferente.