Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 5
Talvez ainda mais do que queria anos atrás.
— Não quero isto. Não quero você — gritou ela, soando desesperada.
Finalmente encostei meus lábios nos dela, mas bem de leve. — Ainda estou esperando. — Merda! — Ela enterrou os dedos nos meus cabelos e puxou minha cabeça para baixo. — Por algum motivo, quero você agora, mas não queria quando o vi pela primeira vez. E eu me odeio por isso —
disse ela sem fôlego.
Meu coração batia com força no peito depois de finalmente ouvi-la dizer que me queria, mesmo que não fosse exatamente de forma elogiosa.
Ora, eu aceitaria o que pudesse conseguir e não esperaria mais um instante para tomar aquela boca maravilhosa.
Harper
Ele parou a poucos milímetros dos meus lábios trêmulos, recusando minha persuasão por apenas um instante. Senti a respiração pesada dele sobre minha boca ansiosa quando ele resmungou: — Esperei doze malditos anos por isso.
Apesar de provavelmente nem perceber, eu também esperara e não conseguiria aguentar mais um segundo. Cada centímetro da minha pele estava arrepiada quando Marcus tomou minha boca, com o corpo rígido pressionando o meu com um abraço insistente.
Ele exigiu. Ele tomou. Sem misericórdia.
Não que eu quisesse exatamente alguma coisa, exceto o beijo selvagem que ele me dava no momento. Eu me abri para ele, passando os braços em volta de seu pescoço e agarrando-me ao seu corpo grande como se fosse um salva-vidas... o que era exatamente o que ele era no momento. O objeto grande que me mantinha flutuando.
Eu não conseguia pensar.
Não conseguia nem mesmo ficar de pé sem ele. Coloquei as mãos nos ombros dele para me equilibrar.
Um gemido escapou da minha boca e vibrou contra a dele quando ele passou os braços em volta de mim, apoiando-me com mais segurança. Em seguida, explorou minhas costas e finalmente deixou as mãos repousarem no meu traseiro.
Deixei que meus dedos invadissem novamente os cabelos densos dele.
A razão partiu do meu cérebro quando o calor ardente entre nós explodiu.
Nossas línguas duelaram para ter controle e não me importei com quem ganharia. Eu só... o queria. Como não conseguia chegar perto o suficiente, eu me contorci contra ele, sem acreditar que era real.
Eu sentira falta de me sentir assim. Sentira falta das chamas que ele acendera no meu corpo e na minha alma.
Somente Marcus conseguia me fazer esquecer que eu o odiava e transformar-me em uma poça derretida sem cérebro.
Esforcei-me para respirar quando ele afastou a boca da minha para explorar a pele sensível do meu pescoço. Inclinei a cabeça, implorando silenciosamente por mais, como uma viciada que não conseguia se satisfazer.
Não posso fazer isto! Não posso deixar meu corpo superar o bom senso, merda!
Nós dois nos assustamos quando as portas do elevador se abriram e exclamações altas encheram o ar.
Empurrei o peito dele com força e, relutantemente, ele deu um passo atrás. Mortificada, vi o casal idoso do meu andar esperando o elevador. O
homem e a mulher grisalhos nos encaravam horrorizados. — Ai, meu Deus.
Desculpe. — Abaixei a cabeça, dei a volta no casal obviamente chocado e andei rapidamente em direção ao meu quarto. Eu precisava me afastar para pensar. Não conseguiria ficar perto de Marcus sem perder a cabeça. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas precisava de espaço para descobrir.
— Harper! Espere! Harper — gritou Marcus ao sair correndo subitamente do elevador e seguir-me, finalmente segurando meu braço quando botei a mão no bolso para pegar o cartão para abrir a porta do meu quarto.
— Pare! — respondi, odiando a nota de súplica na minha voz.
Apesar da minha satisfação depois do nosso primeiro encontro porque eu não sentia nada, percebi que ainda era vulnerável a Marcus. Eu odiava a perda de controle que sentia quando ele chegava perto demais.
Eu estava confusa, espantada pelo fato de minha atração ter surgido de forma tão intensa naquela manhã, apesar de não ter sentido absolutamente nada quando conversara com ele pela primeira vez.
O que estava acontecendo comigo?
— Não vou pedir desculpas — disse ele, tirando o cartão da minha mão e segurando-o. — Eu precisava daquilo havia anos.
— Então não peça. Só me deixe em paz, caralho. — Ele não tinha motivos para brincar comigo agora. — Vá se divertir em outro lugar. Tenho certeza de que há muitas mulheres que cairiam aos seus pés.
Como eu tinha acabado de fazer! E eu estava odiando-me com todas as forças. Mas, agora que a razão voltara, jurei não ficar vulnerável àquele homem de novo. Talvez fossem apenas lembranças antigas que estavam mexendo com a minha cabeça. Não podia ser ele. Não havia nada que eu odiasse mais do que um cara que não conseguia manter o pênis dentro das calças. Marcus era a epítome de um jogador e um triste erro que eu cometera quando saíra da adolescência.
Ele era tudo o que eu não gostava em um homem: um traidor frio e implacável que só queria fazer sexo.
— Você não é qualquer mulher. Acho que sabe disso — comentou ele em tom gutural.
Peguei de volta minha chave. — Não sou mais nada para você, Marcus.
Nunca fui.
Abri a porta, pretendendo batê-la na cara dele, mas ele me seguiu de perto.
— Saia — exigi, sentindo lágrimas de frustração surgindo nos olhos.
Eu o odiava, mas não conseguia ignorar a atração que ainda sentia.
A última coisa que eu queria era querê-lo. Quando eu dissera a ele que me odiava por isso, fora totalmente sincera.
Que mulher não se odiaria por cair duas vezes na mesma armadilha?
Eu demorara anos para parar de pensar nele todos os dias. Não pretendia que isso acontecesse de novo.
— Ainda não. Só me escute, por favor — disse ele em tom calmo, como se estivesse tentando falar com uma criança.
— Não tenho nada a dizer. E nada que você tenha a me dizer mudará o fato de que eu o odeio.
— Você me quer. — Ele cruzou os braços sobre o peito e ergueu a sobrancelha, como se estivesse desafiando-me a negar o que dizia.
Recostei-me na porta, forçando-a a fechar enquanto o encarava. — E daí? Você é um cara atraente. Isso o deixa feliz? Não significa que eu goste de você.
— Mas me deixaria trepar com você.
Eu me encolhi. Ele tinha razão. Eu estava tão afetada pela forma como ele avançara sobre mim mais cedo que provavelmente teria implorado, momentos antes, para que me satisfizesse. — É só o que quer? Como na última vez? Uma mulher com quem trepar só porque pode?
Marcus soltou um suspiro frustrado e correu a mão pelos cabelos. —
Não, porra. Não é só o que eu quero.
— A essas alturas, achei que você já estaria fora do país tentando resgatar minha irmã. Não espere que eu venda meu corpo em troca da sua ajuda. — Foi isso que ele pensou? Que eu treparia com ele para salvar Dani? Se ele achara que conseguiria dar uma rapidinha antes de partir em busca da minha irmã, estava louco.
Com Marcus, era difícil dizer o que ele estava pensando. Mas eu não conseguia pensar em nenhum motivo racional para ele estar forçando a atração que tínhamos.
De forma realista, não havia nada que eu não faria para salvar minha irmã. Se isso significasse me envolver em um mundo de dor novamente, eu provavelmente iria em frente. Mas nunca que deixaria Marcus saber que estava disposta a fazer o que ele quisesse se trouxesse minha irmã de volta.
— Não é o que estou pedindo — resmungou ele. Em seguida, ele andou até o bar na pequena sala de estar da suíte e serviu um drinque para si mesmo.
Suspirei e coloquei a chave e a minha bolsa sobre uma mesinha ao lado do sofá. Com medo das emoções que Marcus parecia fazer brotar em mim sempre que chegava perto dele, sentei-me em uma cadeira o mais longe possível do bar.
— Quer uma bebida? — perguntou ele baixinho, virando-se por um momento para olhar para mim. Balancei a cabeça negativamente, sem confiar na minha voz.
Infelizmente, o quarto era pequeno demais. Observei-o cuidadosamente enquanto ele sentava no sofá à minha frente, com apenas uma mesinha entre nós.
Esfreguei as palmas suadas na calça jeans ao perguntar nervosamente:
— Então o que está fazendo? O que quer? Onde está minha irmã?
Ele balançou a cabeça negativamente e tomou um gole do uísque que segurava. — Não sei. Sinceramente, não sei.
— Achei que conseguiria localizá-la. Você tem os contatos e sua equipe já está montada, certo? — Eu não conseguia entender a falta de urgência dele. Dani podia estar, e provavelmente estava, em perigo.
Ele assentiu. — A equipe já está lá, Harper. Podem estar resgatando Dani agora mesmo. Não recebi nenhum relatório do andamento.
Balancei a cabeça, confusa. Como o resgate podia estar acontecendo quando Marcus não estava lá para liderar a equipe? — Não entendi. Você é o líder da equipe. Tive a impressão de que iria com os outros.
O pânico subiu para minha garganta, dificultando a fala.
— Não há motivo para eu estar lá. Na verdade, eu provavelmente estragaria toda a missão.
— Você precisa estar lá — disse eu, com a respiração rápida devido à ansiedade. — Eles precisam de você. Minha irmã precisa de você.
— Eles precisam de Marcus — respondeu ele calmamente.
Eu o encarei, perguntando-me por que ele se referia a si mesmo na terceira pessoa. — Sim... eles precisam de você.