Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 4
Perguntei-me se ele se sentia tão tenso quanto eu, mas descartei a ideia.
Ele não me conhecia e eu realmente não o conhecia. Claro, eu dormira com o gêmeo idêntico dele mais de uma década antes, mas não tinha sido a aparência de Marcus que me atraíra. Ele era bonito, mas houvera muito mais em seu rosto atraente na época que me fizera querer ficar mais perto dele.
A atração fora quase inexplicável, mas já desaparecera muito tempo antes.
Soltei um suspiro de alívio quando todos nos levantamos para cuidar da louça, apesar da ordem de Chloe de que seria uma tarefa para os homens.
Evitei Marcus e Blake enquanto ajudava rapidamente a tirar os pratos e limpar a mesa.
Depois disso, dei uma desculpa a Aileen e saí pela porta da frente, duvidando que alguém perceberia que eu tinha ido embora.
Blake
Todos na minha família já sabiam que eu estava personificando Marcus, portanto, não havia problema em sair da casa dele e ir para o hotel.
Eu não ficara nada contente quando voltara de uma conversa particular com Gabe e Chloe para descobrir que Harper escapara cedo do jantar em família. Puta merda! Vê-la novamente me deixara quase mudo e eu mal consegui falar com ela sem contar toda a verdade sobre o que realmente acontecera doze anos antes. Acabei concentrando a atenção em Gabe para manter a boca fechada, mas ficar sentado ao lado de Harper depois de tantos anos não fora fácil. Especialmente porque eu sabia que ela estava muito mal informada.
Talvez ela não tivesse me odiado. Talvez estivesse apenas com raiva.
Aquelas eram perguntas que eu estava louco para fazer a ela, mas isso não aconteceria no meio de uma reunião familiar.
Entrei no saguão do resort de minha mãe, que tinha fontes termais, pronto para tomar o café da manhã. Como a maioria dos meus outros irmãos, eu era um péssimo cozinheiro e comia fora sempre que possível.
Era algo que Marcus faria, pois, até onde eu sabia, ele não sabia nem mesmo ferver água. Sempre que estava em casa, ele aproveitava o bufê de café da manhã praticamente todos os dias.
Ainda bem... porque eu assumira o lugar do meu irmão gêmeo vários dias antes e odiava essa situação. Não era a primeira vez que eu fizera isso
por ele, mas estava determinado que fosse a última. Ninguém da minha família sabia sobre a Organização Privada de Resgate, exceto eu. Minha família, obviamente, sabia exatamente quem eu era, se estava agindo como Marcus ou não. Não que eu pudesse ser um escroto tão grande como ele, mas a família simplesmente... sabia quem eu era, apesar de sermos idênticos. Especialmente minha mãe. Nem uma única vez ela deixara de reconhecer o gêmeo com quem estava falando. No entanto, minha família sabia sobre o envolvimento de Marcus com a CIA e atribuímos nossas trocas aos deveres dele com o governo.
Eu odiava ser alguém que não era e preferiria estar na minha casa.
Como eu precisava ficar em Washington boa parte do tempo, gostava muito do tempo que passava em Rocky Springs. O clima ficaria mais quente em breve e minhas novilhas logo teriam suas crias. Eu queria muito estar com meu gerente geral e meu pesquisador no rancho naquele momento, preparando os partos.
Resgatar Danica é muito mais importante do que meu gado no momento.
Harper parecera estar aguentando bem, mas devia estar frenética sobre o sequestro da irmã. Eu ficara aliviado por ela não ter mencionado a situação para minha mãe. Pelo jeito, minha família não dissera nada que entregasse o fato de que fora eu, e não Marcus, que fora procurá-la em Denver doze anos antes. Pensei novamente na minha conversa com Dani naquela época.
Eu só queria que Danica tivesse dito por que Harper não quisera falar comigo.
Era evidente que eu magoara Harper Lawson sem nem saber.
Ficar sentado ao lado dela durante o jantar fora uma tortura, especialmente porque eu não pudera falar sobre o que acontecera. Comecei a me servir no longo bufê de café da manhã na sala de jantar do hotel, tentando não ser incrivelmente amigável como normalmente seria. Ora, diferentemente de Marcus, eu gostava das pessoas.
E eu amava o Colorado. Como senador, era natural que eu iniciasse uma conversa praticamente em todos os lugares aonde ia.
Mas Marcus não era uma pessoa de falar, a não ser que achasse necessário.
Meu irmão evitava relacionamentos próximos e era tão cheio de segredos como um homem poderia ser.
Portanto, apesar de me doer, ignorei a senhora de idade que sorriu para mim enquanto colocava ovos no meu prato nem disse uma palavra ao senhor que se servia de linguiça.
Pois era exatamente o que Marcus faria.
Eu não sabia bem onde meu irmão gêmeo estava naquele momento, mas torcia para que ele trouxesse Danica de volta muito em breve. Ser Marcus era ir contra a minha natureza e eu tinha que estar ciente de quem fingia ser em todos os momentos em que me disfarçava. Agora que eu entendera o que acontecera doze anos antes, era difícil não esclarecer tudo com Harper. O jantar em família fora constrangedor e eu mal conseguira chegar ao fim dele sem arrastá-la para longe para que pudesse explicar tudo o que acontecera. De alguma forma, eu precisava fechar aquele capítulo miserável da minha vida. Mas eu decidira que provavelmente seria melhor esperar até que Dani estivesse sã e salva em casa. Seria sábio evitar Harper até lá. Como Marcus dissera que Harper superara a experiência, talvez não fosse mais importante o suficiente para justificar procurá-la naquele momento. Sentar ao lado dela no jantar de mamãe, sem dizer uma palavra, fora uma das coisas mais difíceis que eu já fizera. Mas não fora a hora nem o lugar para explicar e eu não tinha ideia de como ela reagiria. O melhor que eu conseguira fazer fora fingir que não me importava.
Infelizmente, Harper ainda me afetara tanto quanto doze anos antes e eu precisara de todas as forças para não falar com ela. Talvez, para ela, o incidente estivesse esquecido e no passado. Mas eu nunca a esquecera nem superara o fato de que ela me dispensara sem pensar duas vezes.
Claro, eu entendia agora, mas muitos anos tinham se passado em que me sentira ressentido por ela ter simplesmente me ignorado de forma fria depois que eu deixara claro que queria notícias dela. Frequentemente, eu me perguntara por que ela se recusara a falar comigo. Agora que eu sabia que a magoara, de forma não intencional, isso estava matando-me. Eu deveria ter seguido meus instintos naquela época e ido atrás dela para exigir uma resposta. Porém, a rejeição dela me magoara e fora dolorosa o suficiente para me manter afastado.
Agora que eu sabia a verdade, tinha muitas coisas que queria dizer a ela. Eu queria saber exatamente como ela chegara onde estava na carreira.
Queria dizer como lamentava que ela tivesse perdido os pais antes mesmo de terminar a escola.
Eu não precisava perguntar a ela por que estava envolvida em ajudar os sem-teto. Eu sabia o motivo.
Principalmente, eu queria poder esquecê-la completamente, pois nunca conseguira fazer isso.
Eu ainda pensava nela. Mas não fantasiava sobre ela como fizera antes.
Ora, ok, talvez eu fantasiasse, mas não com tanta frequência. Se de vez em quando eu lia histórias sobre os abrigos que ela construíra para os sem-teto e via a fotografia dela, era apenas curiosidade... pelo menos, era o que dizia a mim mesmo.
Os primeiros anos tinham sido infernais. Eu dissera a Marcus a verdade quando confessara que telefonara para ela. O que eu não dissera a ele era que estivera obcecado com a ideia de falar com ela e que telefonara várias vezes por dia.
Sem parar.
Torcendo para que ela finalmente atendesse... nem que fosse para se livrar de mim. Quando o número do telefone dela finalmente fora cancelado, eu quase perdera o juízo. Mas, depois de algum tempo, consegui me recuperar. Se havia uma coisa que eu aprendera na política fora de lutar as lutas que podia ganhar. Não que eu não tentasse mudar as coisas que achava que estavam erradas, mas tinha que ter prioridades. Harper Lawson fora uma situação de derrota na época. Mesmo se ela tivesse atendido meus telefonemas, o que eu teria a dizer se Harper não estivesse interessada? Era algo que eu tinha que aceitar.
— Marcus? — Ouvi a voz feminina confusa atrás de mim e senti o corpo ficar tenso.
Era uma voz que eu não ouvira em anos, exceto pelas poucas palavras que trocáramos durante o jantar, e subitamente senti a tentação de ignorá-la Harper. O que diabos ela está fazendo aqui? Não me ocorrera que ela provavelmente ficaria ali, pois não tinha mais família nem uma casa na região. Mas era algo lógico. Ela obviamente encontrara minha mãe e fazia sentido que estivesse hospedada ali.
No fim, tive que me virar e encará-la. Mas, quando fiz isso, foi como ser atropelado por um caminhão.
Jesus! Ela realmente não mudara muito. Estava tão linda como sempre fora, algo que me afetara tão violentamente quando a vira na casa de minha mãe que fora preciso me concentrar em outra coisa, a não ser que quisesse parecer um idiota.
— Sim? — Ergui a sobrancelha de forma arrogante, como Marcus faria. — Por que ainda está aqui? Achei que já tinha ido embora para procurar Dani — disse ela com voz ofegante que me deixou com uma ereção instantaneamente.
— Ainda não — respondi. — Mas vamos encontrá-la. — Virei-me em busca de uma mesa.
Eu não podia falar com ela. Não ali.
Não naquele momento.
Infelizmente, ela não pretendia me dar um momento de paz.
Harper largou a xícara de café e pegou um pão. Em seguida, aproximou-se e sentou-se à minha frente, arruinando completamente o meu apetite. Minhas entranhas pareciam um nó quando encontrei o olhar interrogativo dela. — O que descobriu? Você sabe onde está Dani?
Encontrou novos membros para a equipe?
O tom dela era urgente e eu queria dizer tudo o que sabia, incluindo minha identidade, quase imediatamente.
Mas ainda não era a hora nem o lugar para que eu dissesse a verdade.
— Não muito. Ainda não. E sim, consegui montar a equipe.
Harper revirou os olhos ao dar uma mordida no pão. — Então, não deveria estar pensando em um plano de ataque?
Ela tomou um gole do café. Percebi que ela ainda gostava do café preto. — Estamos trabalhando o mais depressa possível — respondi em tom direto. — Ainda não a localizamos. Não podemos invadir uma área como aquela sem saber o que estamos fazendo.
Sinceramente, eu não fazia a menor ideia se Marcus localizara Dani, mas esperava que sim.
Harper soltou um suspiro de frustração. — Desculpe. Só quero minha irmã de volta.
— Eu sei — respondi em tom neutro. — Está hospedada aqui? — Sim.
Vendemos a casa dos meus pais depois que eles morreram.
Assenti. — Eu sei. Lamento pela sua perda. Seus pais eram boas pessoas. Minha mãe ficou arrasada quando eles morreram. — Hesitei antes
de perguntar: — Onde você mora agora?
— Na Califórnia — respondeu ela — Mas passo muito tempo viajando a trabalho.
— Arquiteta, certo? — Eu sabia muito bem qual era o trabalho dela, mas estava tão tenso que precisava jogar conversa fora.
Na verdade, só o que eu queria era consolá-la, estar ao lado dela, que precisava de alguém. E, sob aquele comportamento exigente, mas preocupado, eu sabia que ela se sentia perdida e sozinha. Mas eu não queria arriscar o meu disfarce em público.
Não aqui. Não agora.
Ela parou de comer para me encarar cuidadosamente. Senti-me encolher sob o exame dela. — Sim, sou arquiteta — respondeu ela devagar.
— Mas você já falou isso. Quando o encontrei pela primeira vez, lembra? Ora, claro que eu não me lembrava. Afinal, ela conversara com Marcus, não comigo. — Desculpe — murmurei de forma constrangida. Para um político, eu certamente não estava pensando depressa o suficiente para me desviar de perguntas desconfortáveis. Eu normalmente tinha respostas rápidas e um sorriso charmoso, mas meu cérebro parecia estar desconectado quando Harper estava por perto.
Olhei diretamente para ela, que retribuiu o olhar com os belos olhos verdes. Por um momento, o tempo parou e lembrei-me de como ela parecera para mim doze anos antes.
Mesmo naquele estado desesperado, ela ainda parecia a mesma Harper, com as emoções exibidas na expressão e na profundidade dos olhos. Ela amadurecera bem e agora era certamente uma mulher, em vez de uma garota, mas eu ainda conseguia ver traços da Harper de dezoito anos de quem eu gostara tanto.
Os belos cabelos loiros estavam presos na nuca, mas alguns cachos já tinham escapado e emolduravam seu rosto. Os olhos cor de esmeralda de que eu me lembrava estavam vívidos como nunca, especialmente naquele momento com as emoções tão perto da superfície. Percebi que ela estava assustada, mas não histérica. — Você está com uma aparência ótima. Está feliz? — perguntei com voz rouca, incapaz de parar de encará-la.
Duvidei que aquela fosse uma pergunta que Marcus faria, mas não me importei. Eu precisava saber.
Ela piscou várias vezes e voltou o olhar para o que sobrara do pão. —
Sim, em grande parte. Sinto saudades da minha família e comecei a me preocupar com Dani desde o momento em que ela decidiu voar em direção ao perigo, em vez de para longe dele. Mas amo o que faço.
— Os projetos de arquitetura ou a parte da caridade? — perguntei com curiosidade. — Os dois — admitiu ela, arrancando pedacinhos do pão e colocando-os na boca. — E você, está feliz? Parece que viaja tanto quanto minha irmã.
Dei de ombros. — Acho que eu poderia lhe dar a mesma resposta... em grande parte. Viajar cansa depois de um tempo.
Eu viajava principalmente entre Colorado e Washington, mas não ter um lar permanente era uma coisa monótona.
— Não me importo tanto assim — comentou Harper, pensativa. —
Acho que gosto de ver lugares diferentes.
Comi enquanto a observava, espantado ao perceber como ela mudara pouco fisicamente. — Por que nunca atendeu minhas ligações? — perguntei sem filtrar as palavras, mas eu estava morrendo de vontade de saber.
Ela me olhou com surpresa. — Achei que você não se lembrava direito do que aconteceu.
— Eu menti — retruquei imediatamente. — Lembro de todos os detalhes e não houve um dia em que não tenha pensado em você, Harper.
Ela ergueu a sobrancelha, furiosa. — Estava pensando em mim quando beijou sua namorada um dia depois de trepar comigo? — perguntou ela em tom direto.
— Sim — respondi, sabendo que não soara bem. Mas não me importei.
Eu nunca mais mentiria para Harper nem tentaria evitar a verdade se ela perguntasse.
Nós dois tínhamos passado por doze anos de mentiras e desentendimentos. Talvez fosse melhor se tudo tivesse sido esquecido, mas isso me torturara mais do que eu queria admitir, e teria que terminar.
O fato de não poder dizer a ela que eu não era Marcus estava me matando e ter que mantê-la achando que era meu irmão me contorcia as entranhas. Mas não ousei dizer nada naquele momento sobre o fato de que não fora Marcus quem tocara nela. Não fora o meu irmão que tivera o privilégio de ser o primeiro homem dela.
Apenas uma vez, eu queria ouvi-la dizer meu nome em voz alta e reconhecer quem exatamente a fizera gozar de forma tão intensa naquela noite doze anos antes.
Mas eu não podia. Não com a vida da irmã dela em risco. Marcus precisava encontrar Dani sem que ninguém soubesse que ele não estava ali.
Sem dúvida, ele já estava no Oriente Médio e provavelmente seria seguro confessar, mas eu precisava fazer isso em um ambiente seguro. Odiei a enganação e não pude culpar Harper por me odiar. Doze anos antes, se tivesse visto Harper com outro homem logo depois de termos ficado juntos, provavelmente teria tido um ataque histérico.
Harper obviamente não confrontara Marcus na época nem dissera nada.
Ela simplesmente desaparecera em silêncio, como fizera quando eu a vira no jantar de mamãe. Eu não a vira ir embora, mas tivera que usar todas as minhas forças para não tentar descobrir onde ela estava para ir atrás.
— Onde está sua namorada agora? — perguntou Harper. — Não sei.
Nem me lembro do nome dela. — Era verdade. Marcus tivera tantas namoradas que eu não conhecera a grande maioria delas.
Manter mulheres não era o forte dele. Nenhuma mulher, para ele, fora mais importante do que os negócios. E não demorava muito para que as mulheres dele percebessem que os outros interesses de Marcus vinham em primeiro lugar.
Harper deu de ombros. — Não importa. Foi há muito tempo e não há mais nada entre nós.
— Mentira — desafiei com voz rouca. Havia faíscas por todo lado e eu me perguntei se uma delas acenderia a chama entre nós que explodiria o hotel inteiro. — Está saindo com alguém?
Observei enquanto ela brincava com o que restara do pão até que finalmente o colocou no prato. — Não sei se isso é da sua conta. Vim aqui pedir a sua ajuda para encontrar a minha irmã.
— Diga-me mesmo assim.
— Não que seja da sua conta, mas não, não estou saindo com ninguém.
Meu corpo relaxou. — Obrigado. Se significa alguma coisa, também não estou em nenhum relacionamento.
— Não significa — retrucou ela em tom direto. — Não importa mais.
Só quero me concentrar em encontrar Danica.
— Importa, sim — respondi.
— Marcus, não dou a mínima para nada do que você faz ou tem além da capacitação para resgatar minha irmã — disse Harper em tom gelado. —
Você ainda se sente atraída por mim. Não importa quanto tempo se passou
— disse eu em tom confiante. Eu quase conseguiria cortar a tensão entre nós com uma faca e certamente não era devido ao fato de ela me odiar.
Vi quando ela engoliu em seco, tentando esconder esse fato. Mas eu sabia muito bem que não sentia aquela atração sozinho, como soubera disso doze anos antes.
Eu só queria que ela admitisse. Precisava ouvi-la dizer.
— Eu lhe disse, quando conversamos sobre Dani, que não sentia mais nada por você. Não podemos só deixar isso no passado?
— Não — respondi em tom de teimosia.
Ela vira Marcus daquela vez. Ela falara com Marcus. Agora que estava falando comigo pela primeira vez em mais de uma década, eu sabia que ela sentia que era diferente. Eu conseguia sentir isso. Eu não tivera certeza quando a vira no jantar algumas noites antes porque estivera ocupado demais tentando esconder minhas emoções, mas conseguia sentir agora a conexão. Eu aprendera bem a ler a linguagem corporal na minha carreira política. Ela estava... nervosa. O tipo de nervosismo que uma pessoa sentia quando se sentia atraída por outra pessoa, mas não queria reconhecer.
— Acabei. — Ela se levantou e virou-se em direção aos elevadores que levavam aos quartos.
Eu estava logo atrás dela quando ela entrou no único elevador aberto.
Harper bateu com força no botão de seu andar, encarando-me friamente quando me recostei na parede do elevador e cruzei os braços.
— Saia — exigiu ela.
Sorri para ela quando as portas começaram a fechar. — Não até que me diga a verdade.
— Já disse.
O perfume sedutor dela me deixou louco e encurralei-a em um canto quando as portas se fecharam.
Minha paciência estava no fim e prendi-a, colocando um braço em cada lado de seu corpo. — Não me diga que não me quer mais. Não acredito, caralho. — Minha respiração estava pesada quando acariciei o lado do rosto dela, inalando um perfume que nunca conseguira esquecer. — Diga —
rosnei, com o pênis lutando para se livrar dos confins da calça jeans que eu vestia.
— Não.
Beijei a têmpora dela e deixei que meus lábios passeassem pela curva de sua mandíbula, praticamente afogando-me na essência irresistível dela.
— Vá embora. — Ela empurrou meu peito, mas não saí do lugar.
As bochechas dela estavam vermelhas e eu tinha certeza de que era por uma mistura saudável de raiva e desejo. — Ainda quero você, Harper.