Bilionário Desconhecido: Blake
Prólogo
Blake
Véspera de Natal, Doze Anos Antes
O que diabos eu estava fazendo?
Basicamente, eu estava congelando, procurando uma fugitiva no meio de uma tempestade de neve na véspera de Natal. O que realmente me deixava furioso era o fato de que ela era uma garota mimada de dezoito anos de quem eu nunca gostara, para começo de conversa.
O apelido que eu lhe dera quando éramos crianças fora Cruela Cruel desde que conseguia me lembrar. E eu a chamara por aquele nome tantas vezes que quase não me lembrava de que seu nome real era Harper Lawson.
Ela era a segunda filha mais velha da família Lawson, amigos de longa data da família Colter.
É por isso que estou aqui fora congelando em plena véspera de Natal.
Havia muito pouco que eu não faria pela minha mãe. Mas, naquele momento, desejei não amá-la tanto. Eu nunca conseguira tolerar ver minha mãe chateada. E, como a mãe da garota mimada era a melhor amiga da minha, obviamente que mamãe estava preocupada.
Podem me chamar de idiota, mas eu me ofereci para aquela tortura só para não ver o estresse no rosto da minha mãe.
Eu não vira Harper Lawson em anos, apesar de ela morar em outra cidadezinha relativamente próxima de Rocky Springs, Colorado, onde nós morávamos. Eu estava nas férias da universidade e Harper acabara de terminar o ensino médio. Por sorte, mamãe parara de tentar forçar um
relacionamento entre eu e as garotas Lawson mais novas na época do ensino médio quando finalmente contei a ela como detestava Harper por ser má. A irmã mais nova dela, Danica, era muito mais simpática, mas eu não tinha muito contato com ela. Eu encontrara os irmãos Lawson algumas vezes, mas, como frequentávamos escolas diferentes, mal os conhecia.
Somente Harper me irritara profundamente. Ela sempre fizera de tudo para ser uma criança ditadora e ostentara a riqueza dos pais como se isso a tornasse melhor que os outros. Não importara o fato de os Colters também serem ricos. Ela fora igualmente antipática com todas as pessoas com quem entrara em contato durante a infância.
A julgar pela minha aventura gelada pela neve, ela não mudara absolutamente nada.
Fiz uma careta quando minhas botas de borracha abriram caminho pela neve profunda na calçada, achando difícil acreditar que Harper talvez estivesse no abrigo para desabrigados de Denver que eu procurava durante uma das piores nevascas que víramos em muito tempo.
Pelo jeito, Harper fugira depois que seus pais finalmente tinham colocado um freio nos gastos sem fim de dinheiro que não fora ela quem ganhara. Eles tinham tirado dela os cartões de crédito, o carro novo que ganhara ao terminar a escola e a maior parte das compras extravagantes que fizera porque ela não tinha desejo nenhum de ir para a universidade.
Obviamente, ela achara que, como os pais eram ricos, não precisava de educação. Os planos dela provavelmente se concentravam em se tornar uma socialite rica para o resto da vida.
Merda! Eu odiava garotas ricas que pensavam assim. Eu me esforçara muito na universidade e nenhum dos filhos da família Colter tivera esse tipo de atitude. Todos nós trabalhávamos na carreira escolhida ou planejávamos nosso futuro. Tínhamos muito dinheiro, mas nenhum de nós sequer considerara a ideia de não trabalhar.
Eu ouvira dizer que todos os irmãos Lawson estavam frequentando a universidade. Mas, pelo jeito, Harper não queria trabalhar duro assim.
Eu estava meio surpreso pelo fato de os pais dela nunca terem reconhecido como a filha era egocêntrica.
Quando os Lawsons perceberam como Harper era incrivelmente mimada e que ela nunca planejara ir para a universidade, finalmente decidiram cortar o dinheiro. Harper imediatamente fugira de casa. Bem,
tecnicamente, ela não era fugitiva. Tinha dezoito anos, portanto, não era mais criança. Mas certamente agia como uma.
Quem diabos fugiria de casa só porque a mamãe e o papai tinham tirado dela o carro e os cartões de crédito?
— Ela ainda é uma garota mimada — resmunguei irritado enquanto continuava a andar com dificuldade na neve. O frio começava a penetrar o casaco de inverno e a calça jeans. — Se mamãe não estivesse tão preocupada, eu teria ficado em casa, aquecido e confortável, celebrando o Natal com a minha família, em vez de me preocupar com os problemas de outra pessoa. — Infelizmente, Aileen Colter se preocupava com todo mundo. Minha mãe era uma das pessoas mais atenciosas que eu conhecia e era o elo que mantinha a família unida desde a morte do meu pai anos antes.
Ela era tão amiga da mãe de Harper que ficou horrorizada ao pensar na jovem sozinha, perdida na nevasca. Eu era muito mole e o olhar triste no rosto da minha mãe me fizera entrar em um helicóptero de Rocky Springs para Denver com uma tempestade aproximando-se só para encontrar uma garota irritante que não sabia viver sem seu veículo de luxo e seus cartões de crédito.
Finalmente encontrei o abrigo improvisado, grato pelo calor ao entrar pela porta.
Havia corpos por toda parte, a maioria dormindo em colchões no chão com um cobertor. Por causa do tempo, eu sabia que a maioria dos abrigos estava sobrecarregada.
Observei as pessoas no chão. Algumas dormiam, mas muitas estavam sentadas com o cobertor enrolado no corpo.
Meu coração ficou apertado quando vi aquelas pessoas com roupas esfarrapadas e senti o cheiro de corpos sem banho.
Isto é o melhor que poderiam esperar na véspera de Natal? Só o fato de entrar naquele lugar me relembrou de como eu tivera sorte. Os Colters eram absurdamente ricos e, como meu pai já falecera, essa riqueza fora distribuída para os filhos dele e para a minha mãe.
Aos vinte e dois anos de idade, eu já era rico, mas nunca, nem por um momento, considerara não trabalhar ou não obter um diploma universitário.
Meu pai fora um homem com excelente educação e eu sabia que ele queria o mesmo para todos os filhos. Meu irmão gêmeo, Marcus, assumira o legado de meu pai, enquanto os demais estavam ocupados planejando o
próprio destino e frequentando a universidade. Marcus tinha a situação mais complicada, tentando assistir às aulas e acompanhar o que acontecia com os negócios internacionais de nosso pai. Eu sabia que, assim que meu irmão gêmeo se formasse, ele viajaria o mundo.
E droga... eu sentiria falta dele.
— Posso ajudar? Receio não termos mais vagas. — A voz feminina era baixa e cheia de compaixão.
A mulher de meia idade sorriu para mim, um sorriso empático que eu não merecia.
— Não, senhora — respondi em tom reconfortante, querendo que ela soubesse que não teria que me alojar para passar a noite. — Estou procurando uma pessoa. Não preciso ocupar uma de suas camas.
Colocando a mão no bolso do casaco, peguei a fotografia mais recente de Harper, da formatura ela. — Você a viu?
A mulher pegou a fotografia e examinou-a com atenção. — Parece um pouco familiar, mas não consigo lembrar dela. Recebemos muitas pessoas jovens. — Peguei a fotografia e guardei-a novamente no bolso. — Você se importa se eu der uma olhada? — Jesus! Torci para que a dica que recebera sobre Harper estar ali não estivesse errada.
A mulher deu de ombros. — Pode procurar sua amiga à vontade. Seria bom ver uma pessoa a menos ficar sozinha no Natal.
Assenti e comecei a andar pela sala grande, com os olhos varrendo todos os rostos desesperados que ocupavam o espaço. Finalmente, cheguei a uma garota solitária e tive que olhar para ela duas vezes, quase descartando a noção de que talvez estivesse olhando para Harper.
A jovem tinha os mesmos cabelos loiros e provavelmente tinha a mesma idade. Mas tudo o mais nela parecia... errado. Cheguei mais perto dela e de sua posição, sentada no chão e apoiada na parede de concreto, com os braços enrolados em volta do corpo como se estivesse com frio.
Quando me aproximei, percebi que ela estivera chorando. — Harper?
— Eu disse o nome dela em voz alta a alguns metros de distância. Ela imediatamente virou a cabeça para olhar para mim.
Ela franziu a testa e limpou as lágrimas ao responder: — Colter?
Assenti, incapaz de afastar o olhar da expressão torturada nos olhos verdes dela e do desespero que vi neles.
Jesus! Era realmente Harper, mas ela não parecia em nada com a fotografia sofisticada. Ela vestia uma calça jeans maltrapilha e um suéter, em vez de roupas de grife. Ela não usava joias, nem mesmo o pingente e os anéis de diamante que eu sabia que seus pais não tinham tirado dela. E o rosto angelical estava completamente sem maquiagem. Os cabelos loiros caíam sobre os ombros com ondas naturais muito mais atraentes do que o penteado sofisticado da fotografia.
Eu me ajoelhei ao lado dela. — Estou aqui para levar você para casa.
Sua família está muito preocupada.
Ela balançou a cabeça negativamente. — Não posso voltar para lá.
— Você pode — disse eu firmemente. — O problema é que talvez tenhamos que ficar em Denver esta noite. Não sei se conseguiremos voltar para Rocky Springs com este tempo. Mas, pelo menos, podemos liberar esta cama para que alguém mais possa usá-la.
Ela assentiu lentamente e ficou de pé. — Isso seria bom. Há tantas pessoas precisando de um lugar quente onde ficar agora. Irei com você.
Peguei a mão dela simplesmente porque ela parecia muito perdida.
Levei-a em direção à porta do abrigo, dando à mulher que cuidava do lugar uma doação grande. Depois que Harper pegou um casaco que não seria quente o suficiente para o clima do lado de fora, empurrei-a porta afora.
Eu a levei por alguns quarteirões até o quarto de hotel que meu irmão Marcus reservara antes do começo da minha procura por Harper.
Subitamente lembrei-me de que fora o único quarto disponível em Denver.
Por causa da tempestade de neve e dos feriados, todos os hotéis estavam lotados.
Ao entrarmos no quarto do hotel um tanto decadente, informei a ela: —
Teremos que dividir o quarto. Foi o único disponível que conseguimos encontrar.
Ela deu de ombros. — Não faz mal.
— Harper, vai ficar tudo bem. Assim que o helicóptero puder decolar, levarei você de volta para casa. — Eu não gostava dela, mas sua expressão derrotada começou a me fazer sentir pena.
— Mamãe, papai e meus irmãos mais velhos vão me dar uma bronca enorme — disse ela em tom direto. — Queriam que eu fosse embora.
Apesar de o quarto estar quente o suficiente, ela estremeceu.
Comecei a fazer café ao responder: — Eles não queriam que você fosse embora. Queriam que crescesse.
A cafeteira emitiu um barulho antes de começar a passar o café. Não havia muita coisa no espaço pequeno. Uma TV pequena e a cafeteira com os apetrechos estavam sob um balcão marrom barato. Havia também uma cama tamanho king com a colcha mais horrorosa que eu já vira. Além de duas mesinhas de cabeceira, não havia outros móveis no quarto, exceto uma mesinha minúscula com duas cadeiras de madeira muito velhas.
Fiquei um pouco preocupado em verificar o banheiro. Eu fizera o check-in, deixara a mochila no quarto e saíra quase imediatamente para procurar Harper. Espiei com cuidado. Não era um banheiro de hotel sofisticado, mas tinha um chuveiro e um vaso sanitário. Fiquei aliviado ao perceber que parecia razoavelmente limpo.
Quando o café ficou pronto, servi duas canecas e entreguei uma a Harper. — Tome. Não sei como gosta do café.
— Obrigada — respondeu ela baixinho. Em seguida, começou a beber o café preto ao se sentar em uma das cadeiras de madeira. — Como você acabou sendo convencido a me procurar? Quase não o reconheci. Não o vejo desde que éramos crianças.
Sentei-me à frente dela, coloquei a caneca sobre a mesa, tirei o casaco e removi o chapéu. — Quase todo mundo na cidade estava procurando você.
Seus pais estavam com receio de que você tivesse sido sequestrada ou tivesse se perdido na tempestade.
— Fico surpresa por eles se importarem — respondeu ela devagar.
Abri a boca para perguntar se ela achava que eles teriam parado de se importar porque tinham tirado seus cartões de crédito e dado uma bronca sobre ser uma garota mimada. Fechei-a novamente ao perceber lágrimas escorrendo dos belos olhos cor de esmeralda.
— Eles se importam — respondi simplesmente. Subitamente, senti vontade de reconfortá-la, o que era algo altamente incomum em mim em se tratando de Harper. Eu queria principalmente... evitá-la.
— Acho que entendo isso agora. Sinceramente, depois de ver como outras pessoas sofrem horrivelmente, senti-me uma grande escrota por deixar meu lar quente e confortável — admitiu ela abertamente. — Mereci tudo o que meus pais e meus irmãos me disseram.
— Você ficou no abrigo o tempo todo? — Eu sabia que ela desaparecera alguns dias antes.
— Sim. Peguei um ônibus para Denver, mas só tinha um pouco de dinheiro. Depois, começou a tempestade e eu não tinha para onde ir.
A tristeza na voz dela fez meu coração ficar apertado. — Sua mãe disse que você ainda usava suas joias. E que foi vista pela última vez vestindo um terninho de grife.
— Dei minhas joias para uma família que foi recusada no abrigo —
confessou ela em um sussurro. — Eles não tinham nada e precisavam de um lugar para ficar. A garotinha estava com frio e dei a ela o meu cobertor.
Era a última coisa que eu esperava ouvir de Harper e encarei-a atônito.
Recuperando-me rapidamente, perguntei: — E suas roupas? — Seda —
respondeu ela com desgosto. — Eu estava com tanto frio que vasculhei as doações no abrigo e encontrei algo mais quente para vestir.
Franzi a testa. — Harper, você está bem?
Ela olhou para mim e balançou a cabeça devagar. — Eu nunca tinha visto quantas pessoas sem-teto há por aí, tantas famílias que não conseguem nem manter a própria casa. Eu nunca tinha nem pisado nesta parte de Denver. É tão... triste.
— Então você deu tudo o que tinha para ajudar uma família grande a sobreviver? Você mesma poderia ter penhorado suas joias — sugeri, surpreso por ela não ter feito isso.
— Eu não podia fazer isso. Elas foram presentes dos meus pais.
Portanto, decidi ficar aqui até que decidisse alguma coisa. Mas, quando conheci aquela família, vendo o quanto estavam desesperados, não podia dizer a eles que fossem de volta para o frio. Torço para que tenham encontrado um lugar para dormir.
Ela soou tão triste que respondi rapidamente: — Tenho certeza de que encontraram. Só ontem à noite que tudo lotou.
Eu não sabia se isso era verdade, mas como poderia deixar que ela se preocupasse se o sacrifício que fizera ajudara aquela família a encontrar um lugar? A julgar pelo que a mãe dela me dissera sobre as joias de Harper, poderiam ter conseguido dinheiro suficiente para suas necessidades por um bom tempo. Eu mal conseguia acreditar que Harper, a garota egoísta, má e mimada com quem fora forçado a socializar na infância era a mesma pessoa para quem olhava naquele momento.
Ela suspirou ao segurar a caneca de café com as duas mãos. — Espero que estejam bem. — Você está diferente — disse eu de repente, sem censurar as palavras.
Harper me lançou um sorriso triste antes de beber um gole do café. Em seguida, colocou a caneca de volta sobre a mesa. — Talvez eu tenha crescido. Neste momento, eu me odeio.
— Por quê?
— Porque, antes de chegar àquele abrigo, nunca me dei ao trabalho de olhar em volta e ver o restante das pessoas ao meu redor. Cresci em um mundo privilegiado e fiquei nele. Acho que meus pais me fizeram um favor.
Quando vejo todas as pessoas que realmente se importam com famílias sem-teto e as outras que desabaram em tempos difíceis, percebo como sempre fui escrota.
A explicação sincera e a autodepreciação dela me afetaram de uma forma que fez com que meu coração ficasse apertado pela forma como Harper fora subitamente jogada na realidade. Claro, talvez ela tivesse precisado crescer. Mas tinha apenas dezoito anos e, depois de ser abrigada pelos pais por tanto tempo, o desespero que testemunhara tinha que ser algo traumático. De certa forma, era também culpa dos pais dela. Meu pai falecera anos antes, mas minha mãe sempre mantivera nós, os Colters, muito cientes de nossa obrigação de nos importarmos com os menos favorecidos. Isso fora gravado em cada um dos Colters desde que éramos crianças.
Fôramos voluntários em cozinhas de sopa.
Todos nós tínhamos várias instituições de caridade que apoiávamos com entusiasmo. Doávamos brinquedos de Natal.
E nenhum de nós deixara de ter ciência do sofrimento no mundo. O que diabos os pais de Harper tinham na cabeça? Claro, eram ricos, mas proteger os filhos das partes mais difíceis da vida não ajudara Harper em nada.
— Se você sabe que o que fez era errado, não é escrota — garanti em voz rouca. De verdade, admirei o fato de ela ter aberto os olhos e o coração para as pessoas necessitadas.
Também fiquei muito chocado ao saber que ela se importava.
Eu não encontrara Harper desde que éramos crianças, mas ela crescera e tornara-se uma bela mulher. E ela era muito mais atraente quando era sincera... como acabara de acontecer.
— Obrigada — disse ela pensativa. — Mas não acho que eu mereça seu esforço de me fazer sentir melhor sobre mim mesma.
Ao beber meu café, achei que ela realmente precisava de um pouco de animação. Parecia bastante chocada e deprimida.
— Preciso telefonar para a sua família. Quer falar com eles?
Uma expressão de pânico invadiu os olhos dela. — Ainda não. Por favor. Sei que preciso encará-los e assumir o que fiz. Mas só preciso de um pouco de tempo.
Assenti, entendendo a confusão dela. — Sem problemas. Avisarei a eles que está segura e levarei você para casa assim que puder.
Levantei-me, tirei o celular do bolso e dei alguns telefonemas.
Mais tarde naquela noite...
Eu estava deitado na cama com Harper, perguntando-me se ela estava dormindo. Durante a noite, ficara cada vez mais difícil ignorar a atração que sentia pela nova mulher que eu conhecera naquele dia.
Como era véspera de Natal, eu a convenci a ir a um bar local, um dos poucos que estava aberto, e ficar comigo por algum tempo depois de jantarmos. Ela me contou mais sobre sua experiência com os sem-teto e como se sentira assustada ao se ver sozinha, sem nada além do abrigo para mantê-la aquecida e segura.
Eu me vi falando muito sobre o meu passado, dividindo com ela coisas sobre as quais não falara em muito tempo.
Eu não tinha dúvidas: Harper tinha mudado. Eu contara aos pais dela o que achava pelo telefone e eles se culparam por alguns dos problemas que tinham com a filha. Eu também telefonara para a minha mãe só para lhe dizer que a amava e que esperava estar de volta ao seio da família no dia seguinte.
Sinceramente, eu gostara tanto do tempo com Harper naquela noite que não me importava muito com a volta para casa. Todos os meus irmãos estariam lá até depois do Ano Novo e vi-me querendo ficar na companhia de Harper mais do que deveria.
Em cada momento, cada segundo que passei com ela, meu pênis estivera duro como pedra, recusando-se a ignorar a química que começava a explodir entre eu e Harper. A atração era cada vez mais forte. Quando a vi
vestindo uma das camisetas extras que eu levara para Denver, quase perdi o controle.
Ela precisara de algo com que dormir. Eu lhe dera a minha camiseta.
E isso fora um erro imenso. Pele demais.
Fantasias demais.
Vezes demais pensei naquelas pernas esguias nuas em volta da minha cintura enquanto ela estremecia com o clímax.
Eu precisava trepar com Harper, mas estava determinado a ignorar essa vontade. No entanto, meu cérebro se recusava a deixar a atração de lado e meu pênis foi um fracasso total. Ele estava duro como pedra, mesmo com os membros nus dela agora sob as cobertas. Mas, que merda, eu ainda conseguia vê-los na mente. Ela estava pensando em mim? Até onde eu sabia, ela estava dormindo.
— Está acordado? — sussurrou ela.
Ignore, Colter. Não responda. Faça de conta que está dormindo.
— Sim — respondeu ele de forma irresponsável.
— Posso ficar mais perto de você? — perguntou ela em tom suplicante.
Ela ainda estava com medo e ainda estava presa em Denver. Estava vulnerável e eu sabia que deveria apenas conversar com ela. Mas algo dentro de mim não deixaria que terminasse por aí.
— Venha cá — disse eu firmemente, abrindo os braços para acolhê-la.
Ela chegou mais perto e, para minha surpresa, passou uma das pernas sobre meus quadris, agarrando-se a mim como seu eu fosse um abrigo na tempestade. Ela repousou a cabeça no meu peito e passou os braços em volta dos meus ombros. Seu corpo estava totalmente contra o meu.
A perna dela estava logo acima de um pênis muito rígido. Ao passar os braços em volta do corpo trêmulo de Harper, só o que eu queria era fazê-la feliz de novo.
Bem... eu também queria trepar com ela. Mas meu instinto de protegê-la também era muito forte.
— Obrigada — disse ela em uma voz baixa e contente. — Você está tão quente. — Sem dúvida, eu estava em chamas. Conseguia sentir os mamilos dela sob o algodão fino da minha camiseta e aquela perna sobre os meus quadris alimentava fantasias sexuais que eu não tinha como controlar.
— Melhorou? — perguntei, com a voz quase estalando de desejo.
— Muito — disse ela com voz feliz ao se aconchegar contra mim. —
Não se mexa! — Minha voz foi dura e odiei-me por isso. Ela ergueu a cabeça. — Qual é o problema?
Era possível que Harper fosse tão ingênua? Fui sincero com ela. —
Quero ficar aqui com você. Quero abraçar você. Mas, caralho! Quero tanto trepar com você que mal consigo me controlar. Se começar a se aconchegar a mim, vou acabar perdendo o controle. Você é uma bela mulher, Harper.
— Também sinto atração por você — admitiu ela em um sussurro. Ela falou como se tivesse acabado de reconhecer o desejo e a inocência dela me deixou meio louco.
— Já esteve com um homem? — Encontros. Beijos. Nada muito além disso.
— Por quê?
— Nunca senti esse frio na barriga estranho como acontece quando estou com você. Nunca quis nada mais com nenhum dos caras com quem saí. Engoli em seco ao perceber que ela era virgem.
Minha!
Eu queria que aquela mulher pertencesse a mim de uma forma que nunca tivera com outros homens antes.
— Espere até encontrar o homem certo — aconselhei, querendo desesperadamente dizer que eu era esse homem.
Mas provavelmente era apenas uma questão de hormônios. Eu tinha vinte e dois anos e queria trepar com a maior frequência possível. Fazia meses. Eu não tinha uma namorada, mas havia muitas mulheres com quem trepar no campus. Recentemente, eu estivera ocupado estudando para as provas finais. Talvez meu pênis estivesse reclamando apenas porque eu não o usara muito nos últimos dias.
Hesitantemente, Harper entrelaçou as mãos nos meus cabelos e esticou-se para dar um beijo muito doce nos meus lábios. — É só isso. Esta foi a única vez em que me senti assim. Eu quero você.
Eu a rolei para baixo do meu corpo em um movimento ágil. — Pelo amor de Deus, não diga isso – resmunguei, com o coração batendo com força ao sentir as curvas suaves sob mim. — Meu controle não está muito bom no momento, Harper.
Essa declaração estava um pouco longe da realidade. Eu estava respirando com tanta força que meu peito doía.
— Então deixe o controle para lá. Tenho dezoito anos. Quero saber como é estar com um homem — disse ela em tom insinuante, enterrando novamente os dedos nos meus cabelos e puxando minha cabeça para baixo.
E, de forma simples assim... perdi o controle.
Eu conseguia ver o rosto dela no quarto iluminado apenas pelo luar e concentrei-me em seus lábios, aproximando-me para devorá-la como desejara fazer a noite inteira.
Beijei-a como se precisasse disso para continuar a viver, que era exatamente como eu me sentia.
Harper pareceu derreter sob mim, gemendo suavemente contra meus lábios, um som de prazer que só me deixou mais desesperado para ser o primeiro cara – o único – a possuí-la.
Ergui-me do abraço carnal e apaixonado, apoiando o peso nos braços e ofegando como um cão cansado. Jesus! Que merda estava acontecendo comigo?
— Eu. Não. Consigo. Fazer. Isto! — Cada palavra era dolorosa, dilacerando minhas entranhas.
— O quê? Por quê? — Harper soou confusa.
Ela também soou muito excitada, o que quase me matou.
— Você é virgem. Não consigo fazer isto.
— Sou virgem porque eu nunca quis ficar com um cara. Eu não estou me guardando para o casamento nem nada disso. É só que... nenhum cara até hoje me deixou excitada o suficiente para querer ir adiante.
Resmunguei. — Não me diga uma coisa dessas.
— É verdade — argumentou ela. — Por favor. Continue a fazer com que eu me sinta bem. Gostei disso.
Eu queria que ela se sentisse tão bem que nunca mais desejaria outro cara. Nunca mais!
Rolei para o lado dela e lentamente corri a mão por sua coxa, reprimindo um som feroz ao chegar à calcinha de seda delicada que estava encharcada com os fluidos de Harper. — Você está tão molhada.
— Sinto dor — gemeu Harper suavemente.
— Eu sei, querida, está tudo bem — Deslizei o dedo sob o elástico e desci-o pela fenda dela. O calor sedoso de Harper quase me deixou louco.
— Vou fazer com que a dor vá embora — prometi ao tirar a calcinha dela, jogando-a ao lado da cama.
— Promete? — perguntou ela em tom hesitante.
Sentei-me e segurei a bainha da minha camiseta. — Prometo. Mas preciso que fique nua.
Ela ergueu os braços em uma demonstração de confiança, deixando que eu tirasse a camiseta de seu corpo. Quando a camiseta se juntou à calcinha descartada, eu a observei sob o luar.
As curvas suaves e os seios generosos me deixaram com a boca seca e meu pênis pressionou o zíper da calça jeans. Eu estava nu da cintura para cima, mas resolvera ficar de calça ao me deitar para não assustá-la.
— Você não vai tirar a roupa? — questionou ela.
Ah, não, claro que não. Não agora. Eu estaria dentro de você em um piscar de olhos. — Ainda não. — Então o que está fazendo?
— Olhando para você — respondi com sinceridade. — Eu nunca quis uma mulher deste jeito antes. É meio que uma primeira vez também para mim.
— Você não é virgem — retrucou ela.
— Certamente não — concordei com um sorriso. — Mas você... é diferente, Harper.
— Porque nunca estive com um homem antes? Balancei a cabeça negativamente. — Não. Porque você é você.
Eu não consegui explicar como me sentia. Ora, nem mesmo eu compreendia completamente.
Minhas mãos estavam um pouco trêmulas quando segurei os seios dela, provocando os mamilos com os polegares. Os mamilos já estavam rígidos, mas ficaram ainda mais quando abaixei a cabeça e chupei cada um deles, tentando ir devagar com Harper.
Ela arqueou as costas e agarrou minha nuca para me puxar para mais perto. — Isso — disse ela em tom suave.
A pele dela era quente e sedosa, e eu não conseguia parar de tocar nela.
Ouvi quando ela prendeu a respiração no momento em que desci com a língua pelo seu abdômen, provocando-a o máximo possível.
Lembre-se de que ela é virgem, Blake. Lembre-se!
Meu pênis pulsava de desejo quando finalmente consegui colocar a cabeça entre as pernas dela, exatamente onde eu queria estar. O cheiro dela
me deixou intoxicado quando deslizei a língua entre suas dobras, abrindo ainda mais suas coxas quando encontrei o clitóris inchado.
— Ai, meu Deus. O que você está fazendo? — perguntou Harper.
A voz dela soou excitada, não incomodada. Portanto, ignorei a pergunta, enfiando a língua mais fundo para que pudesse fazer mais pressão sobre o minúsculo feixe de nervos que eu sabia que a faria gozar.
Lambi ferozmente a boceta dela, ouvindo gemidos de prazer enquanto consumia a excitação dela, ficando inebriado com o gosto e os sons de Harper.
Enfiando o dedo médio em sua boceta, fiquei chocado ao perceber como ela era apertada, mas isso não me impediu de imaginá-la em volta do meu pênis. Ela começou a balançar os quadris quando enfiei mais um dedo, tentando expandir um pouco a boceta apertada que me receberia em breve.
Para dentro e para fora. Para dentro e para fora. Minha língua continuava a provocar o clitóris sensível enquanto meus dedos a penetravam gentilmente. Eu me senti triunfante quando ela agarrou meus cabelos e puxou minha cabeça com mais força entre suas coxas. Os gemidos dela ficaram cada vez mais altos.
— Por favor, quero gozar — disse ela ofegante.
Adorei ouvi-la implorar, mas eu também queria muito atender ao pedido dela.
Ela esfregou a boceta no meu rosto e continuei a usar intensamente os dedos e a língua, dando-lhe a pressão de que precisava para gozar.
— Isssso! — gritou ela quando seu corpo estremeceu. Ela agarrou meus cabelos de forma dolorosa ao gozar, com seu canal apertando meus dedos com força.
Continuei a lamber a pele trêmula enquanto ela desfrutava do clímax.
Quando percebi que as ondas de prazer tinham parado, deitei ao lado dela.
Ela passou os braços em volta de mim e apertou-os ligeiramente. —
Não acredito que você fez isso. Achei que a maioria dos homens odiava.
Não respondi. Eu a beijei, deixando que sentisse o próprio gosto nos meus lábios. — Como alguém pode odiar algo que tem o gosto tão bom? —
provoquei.
— Foi incrível — disse ela, sem fôlego. — Nunca gozei assim. —
Então alguém já fez você gozar — disse eu em tom brincalhão, apesar de
não gostar muito da ideia de outro homem tocando nela.
— Não, mas eu me masturbo — disse ela em tom direto. — Todo mundo se masturba. — Sorri, adorando muito a ideia de Harper dando prazer a si mesma. — Eu também — comentei com voz rouca. — Mas não substitui.
— Eu não saberia — disse ela em tom sugestivo.
— Mas saberá — disse eu ao me ajoelhar na cama para abrir o zíper da calça jeans.
— Não, deixe que eu faça isso — comentou Harper ao se sentar e afastar minhas mãos. — Deixe-me tocar em você.
Era óbvio que eu queria que ela explorasse o quanto quisesse.
Entretanto, eu não conseguiria aguentar aquelas mãos macias no meu pau por muito tempo. Coloquei a mão no bolso e tirei uma camisinha que estivera carregando na carteira havia meses. Talvez tivesse sido algo subconsciente ou apenas uma esperança, mas eu a colocara no bolso da frente antes de sairmos para comer.
Harper colocou as mãos nos meus ombros e desceu-as suavemente pelo meu peito. — Você é tão lindo — disse ela com voz maravilhada.
Ai, caralho, é o meu fim. O som da inocência na voz dela ia me fazer gozar.
— Adorei como você está em boa forma, mas sem o tipo de músculo de fisiculturistas — continuou Harper ao terminar de abrir o zíper da minha calça. — Artes marciais — disse eu, com a mente completamente concentrada no que ela fazia com as mãos. — Pratico desde que era criança.
— Ela desceu minha calça até o meio das coxas sem muita dificuldade e meu pênis foi finalmente libertado.
— Ai, meu Deus — disse ela com a mesma voz maravilhada. — Ele é... grande. — Sou todo grande — expliquei, quase me sentindo mal por ter um pênis maior do que a maioria.
Ela tentou passar os dedos em volta de mim, mas não conseguiu dar a volta. Depois disso, ela acariciou a pele macia do meu pau e correu o polegar sobre a cabeça sensível, espalhando uma gota de umidade.
Tive que morder o lábio para me impedir de detê-la. — Se continuar tocando em mim, não vou sobreviver, querida — disse eu com voz rouca. Começando pela base, Harper correu os dedos até a cabeça do pênis e de volta até embaixo. Eu sabia que era algo deliberado. Ela estava tentando
me provocar. E, meu Deus, estava funcionando.
— Chega — resmunguei a prendê-la sob mim e segurar seus pulsos sobre a cabeça. — Sua provocadora — acusei.
— Nunca provoquei nada — respondeu ela com curiosidade e humor na voz.
— Não consigo esperar mais, Harper. Agora. — Sim, por favor.
Rapidamente coloquei a camisinha e voltei para Harper, saboreando a sensação da pele macia e quente sob mim.
Acariciei a pele na parte de dentro das coxas dela, fazendo-a se contorcer. — Não há maneira fácil de fazer isto. Você provavelmente sentirá um pouco de dor.
Minhas entranhas doíam de desejo e meu pênis implorava para ser enterrado fundo dentro dela, mas a última coisa que eu queria era machucá-la. — Não me importo — respondeu ela firmemente. — Trepe comigo.
Agora.
Sorri ao ouvir a exigência dela e abaixei a boca até a dela. O abraço ficou inflamado em questão de segundos, com a língua de Harper exigente ao duelar com a minha. Interrompi o beijo, mordi de leve o pescoço dela e corri a língua sobre a pele sensível.
Eu me posicionei e penetrei-a com uma investida forte. Todos os músculos do meu corpo estavam tensos enquanto eu me forçava a ficar imóvel, aguardando que os músculos dela lentamente se estendessem para acomodar meu tamanho. Eu nunca estivera com uma virgem, mas achei que era melhor acabar logo com a dor inicial.
Eu senti a resistência e a carne cedendo quando penetrei o local que nenhum outro penetrara.
Foi a coisa mais incrivelmente maravilhosa que eu já sentira. Até ouvir o grito de dor dela.
— Harper! Fale comigo. Você está bem? — perguntei ansioso, esfregando de leve meu rosto no pescoço dela.
— Seu pau é grande demais — reclamou ela ofegante.
Eu não consegui me segurar e ri. — Nunca ouvi essa reclamação antes, querida.
— Então serei a primeira a reclamar — respondeu ela com expressão altiva. — É grande demais.
Parte da vitalidade de Harper retornara e eu não podia dizer que não estava feliz com isso. Movi os quadris só um pouco. — Você não dirá mais isso de agora em diante.
— Direi — argumentou ela, mas o tom de sua voz mudara de dor para incerteza.
Continuei a morder de leve o pescoço dela ao recuar o corpo e gentilmente me enterrar nela novamente. — Não dirá — disse eu com um gemido profundo, adorando quando os músculos internos dela se fecharam sobre meu pau.
Harper passou os braços em volta do meu pescoço ao responder: —
Então me mostre.
— Está bem agora? — Caralho! Tomara que ela esteja bem agora.
— Acho que sim.
Ela apertou os braços um pouco mais em volta do meu pescoço. Entrei em um ritmo fácil, tentando muito ser gentil quando tudo o que queria era trepar com ela até que nós dois estivéssemos exaustos e saciados.
— Que gostoso — murmurou ela ao erguer instintivamente as pernas e passá-las em volta da minha cintura.
Minha fantasia transformada em realidade!
O desejo devorou minhas entranhas à medida que eu entrava e saía dela, ignorando a vontade de me mover depressa e com força, garantindo que ela soubesse que era minha. Pois, após aquela noite, com certeza nunca mais conseguiria deixar que ela fosse embora.
— Mais depressa — disse ela com urgência na voz. — Não se segure.
Por favor. — Não quero machucar você — resmunguei com o maxilar cerrado.
— Você vai me machucar se não trepar comigo mais depressa. Preciso de você. — Só o que eu precisava era ouvir aquelas três palavras: Preciso de você.
Segurei as nádegas dela e dei exatamente o que ela queria, exatamente do que eu precisava desde o momento em que começara a ter fantasias sobre Harper.
Investi nela até que minha cabeça começou a girar, com o desespero carnal superando a razão. Harper Lawson era minha e ninguém nunca mais a tiraria de mim.
Nossos corpos se moveram em sincronia. Ela se esfregou contra mim à medida que meu pau entrava no canal apertado e escorregadio. Nossos corpos suados deslizaram juntos eroticamente até que ela estremeceu sob mim, perto do orgasmo.
Colocando um braço entre os dois corpos, acariciei o clitóris com pressão suficiente para que ela gozasse. — Goze para mim, Harper. Quero que goze.
Senti a pressão acumulando, meu corpo pronto para explodir. Ela jogou a cabeça de um lado para o outro e gritou incoerentemente.
O alívio invadiu meu corpo quando senti o clímax começar, com as unhas dela enterradas nas minhas costas, marcando-me. A ferocidade e a paixão de Harper fluíram de volta para mim e continuei a investir sem parar, deixando que o orgasmo dela provocasse o meu enquanto a boceta apertava meu pau.
Ela enterrou as unhas nas minhas costas quando um orgasmo feroz sacudiu meu corpo. Agarrei os cabelos dela para que parasse de sacudir a cabeça e beijei-a com uma intensidade primitiva que não consegui controlar, desesperado para marcá-la como minha de alguma forma.
Ficamos deitados em uma confusão de braços e pernas, tentando recuperar o fôlego. Rolei para o lado, mas mantive-a perto de mim, com os braços apertados em volta do corpo trêmulo enquanto tentava acalmar a respiração.
Depois de algum tempo, tive que me afastar dela para ir ao banheiro e retirar a camisinha. Franzi a testa ao perceber o sangue, sangue de Harper, na superfície de borracha.
Joguei a camisinha no lixo, sentindo vergonha e orgulho de ela ter me dado algo tão absolutamente precioso.
Eu? Blake Colter?
Ninguém nunca desistira de algo por mim e isso me fazia querer manter Harper perto ainda mais.
Limpando-me rapidamente, voltei para a cama, encontrando Harper adormecida, com a respiração profunda e regular. Subi na cama com cuidado e deitei ao lado dela, tentando não acordá-la.
Ergui a cabeça, apoiando-a na mão, e observei-a enquanto dormia. Seus cabelos cobriam parte do rosto, mas ela pegara no sono com um sorriso doce no rosto angelical.
E, meu Deus, como ela era linda. Ela parecia... ser minha.
Entrei sob a coberta e Harper instintivamente me procurou, deslizando uma perna entre as minhas e repousando a cabeça no meu peito.
Passei os braços em volta dela, segurando-a de forma protetora enquanto ela dormia. Logo depois, peguei no sono, sem me mexer enquanto meu corpo exausto cedia à escuridão do sono.
— Tem certeza de que não quer que eu vá com você? — perguntei a Harper ansiosamente quando paramos em frente à casa dela.
A tempestade passara durante a noite e conseguimos voltar para casa de helicóptero. Ela morava na cidade mais próxima de Rocky Springs, portanto, fomos da pista de pouso na propriedade dos Colters para a casa dela.
Ela balançou a cabeça negativamente bem devagar. — Não.
Certamente será emotivo e é algo que preciso fazer com meus pais.
— Então me telefone — disse eu insistentemente, já tendo anotado meu número e colocado no bolso dela. Eu também gravara o número do meu celular no telefone dela, meio que brincando ao dar o nome “Meu Novo Namorado”.
— Sim. Obrigado por ontem e pela noite passada. — Ela desafivelou o cinto de segurança e inclinou-se para a frente para me dar um beijo doce. —
Nunca me esquecerei.
— Não é suficiente — resmunguei, puxando-a para um abraço mais longo e mais sensual.
— Telefonarei em breve — disse ela sem fôlego. — Espero que sim —
respondi em um tom intenso.
Observei enquanto ela saía do carro, vestindo mais uma das minhas camisetas sob o casaco e uma calça jeans.
— Ei — chamei no momento em que ela se preparava para fechar a porta do passageiro.
— O que foi? — perguntou ela curiosa. — Feliz Natal, Harper.
Ela abriu um sorriso trêmulo antes de responder: — Feliz Natal, Marcus.
Demorei um momento para absorver o comentário dela. Quando consegui, ela já correra para a porta e entrara em casa. — Marcus? Ela
achou que estava trepando com meu irmão gêmeo? — perguntei em voz alta.
Furioso e magoado, comecei a andar em direção à casa dela, mas parei, pois sabia que ela estaria ocupada com os pais. Era uma situação que poderíamos resolver com facilidade. Mas fiquei incomodado com o fato de que, na primeira vez em que ela usou o meu nome, fora o nome errado. Não que fosse culpa dela. Talvez, por eu ter sido o primeiro homem dela, estivesse sentindo-me possessivo. Muito possessivo.
Meu irmão, que nascera poucos minutos antes de mim, era exatamente igual a mim, mas eu certamente não queria que Harper me chamasse pelo nome dele.
Merda! Eu realmente preciso dizer isso a ela. Não quero que continue achando que esteve com o meu irmão.
Engatei a marcha e acelerei, sabendo que teria que resolver a situação rapidamente e torcendo para que ela me telefonasse logo.
Harper
— Adoro as liquidações depois do Natal — disse eu à minha irmã, Danica, enquanto andávamos pela Rua Principal no dia seguinte.
Eu tivera uma longa conversa com meus pais e termináramos com muitas lágrimas de cura. Eles confiaram em mim ao devolverem meu carro e meus cartões de crédito. E eu estava determinada a valorizar o que tinha.
Eu iria para a faculdade e sabia agora exatamente o que queria fazer com o meu futuro.
— Você não parece muito interessada nas compras — acusou Dani. —
Há algum problema?
Antes que conseguisse me conter, contei tudo o que acontecera entre eu e Marcus Colter.
— Telefone para ele — insistiu Dani. — Ele provavelmente está doido para ouvir sua voz. — Eu vou, só preciso organizar as ideias.
— Harper? Danica?
Minha irmã e eu nos viramos para ver quem nos chamara. Sorri ao perceber que fora Aileen Colter, a mãe de Marcus. — Olá. Que bom ver você de novo — disse eu enquanto estávamos paradas em frente à loja de artigos de couro da qual ela acabara de sair.
Depois de um abraço breve, Aileen olhou em volta e finalmente suspirou. — Eu queria que cumprimentassem meu filho, Marcus, mas parece que ele está... ocupado.
Meu olhar seguiu o dela e caiu diretamente em Marcus Colter. Vestindo terno e gravata, ele não se parecia em nada com o dia anterior. Demorei um momento para perceber que ele flertava e beijava uma bela morena.
— Obviamente — resmunguei baixinho. — Ele parece extremamente...
ocupado.
— A nova namorada que ele conheceu na universidade — explicou Aileen. — Que ótimo — respondi sem entusiasmo algum.
Eu me senti enjoada e a única coisa que queria era me enfiar em um buraco e não sair mais dele.
— Ele tem namorada? — perguntou Dani.
— Sim. Ela é simpática. Espero que ele fique com ela por algum tempo. Marcus troca de namorada com muita frequência. Não acho que ele tenha tempo suficiente para conhecê-las.
Eu não conseguia afastar o olhar do casal, lembrando de como ele fora doce comigo no dia anterior.
— Não vamos nos preocupar com eles. Tenho certeza de que o verei em outro momento. — Virei-me para a minha irmã. — Dani, precisamos ir embora. — Eu sabia que havia pânico na minha voz, mas não consegui reprimi-lo.
Dani me lançou um olhar de compreensão. — Estou pronta. — Foi bom ver você, Aileen.
Minha irmã e eu fomos para o meu carro e entramos rapidamente. Não olhei para trás, com medo de que acabaria vendo Marcus beijando outra mulher de novo um dia depois de ter tirado a minha virgindade.
Eu estava ofegante ao agarrar o volante, mal ouvindo Dani quando ela disse furiosa: — Ele é um imbecil. Não consigo acreditar que ele tenha ficado íntimo de você quando já tinha namorada.
— Está tudo bem — disse eu ao ligar o carro. — Afinal de contas, ele não me fez promessa nenhuma.
— Não está tudo bem e você sabe disso — respondeu ela insistentemente.
Fiquei parada por um momento, olhando para o carro estacionado à minha frente, com as mãos ainda trêmulas do choque de ver Marcus com outra pessoa. Meus sentimentos por ele eram novos demais, frágeis demais... importantes demais. — Você tem razão — respondi com a voz trêmula. — Não estou bem.
Comecei a chorar, com soluços por causa da traição sacudindo o corpo ao apoiar a testa no volante. Minha irmã tentou me reconfortar enquanto eu liberava toda a minha dor.
Blake
Esperei oito dias para que Harper me telefonasse.
Nenhum telefonema. Nenhuma visita.
Nenhuma notícia. Nada.
Nem uma única palavra da mulher que sacudira meu mundo na véspera de Natal.
Eu tinha que voltar para o campus. Mas, primeiro, queria descobrir o que acontecera. Eu precisava saber se ela estava bem.
Eu dera a ela o espaço que me pedira. Mas não pretendia mais manter distância.
Eu sabia que estava mentindo para mim mesmo sobre só querer saber como ela estava. A verdade era que eu precisava ver seu belo rosto de novo.
Eu queria lhe dar um beijo de adeus e dizer que tinha o meu apoio se precisasse da minha ajuda.
O macho primitivo dentro de mim queria tomá-la de alguma forma...
antes que eu fosse embora do Colorado. Eu queria garantir que ficaríamos juntos, mesmo que houvesse uma distância entre nós por algum tempo.
Toquei a campainha da casa dela, um pouco nervoso sobre como ela agiria ao me vir ali.
Sim, eu sabia que ela precisava de tempo para resolver as coisas com os pais. Mas, sinceramente, eu não esperava que ela demorasse tanto tempo para me telefonar. Isso me deixava um tanto nervoso.
A porta abriu e olhei com esperança para a mulher que atendeu a campainha. Meu entusiasmo morreu quando reconheci a irmã dela, Dani.
Eu sempre considerara Danica como a irmã “simpática”. Quando nos encontrávamos na infância, ela sempre era mais simpática e bondosa que Harper.
Porém, o desdém no rosto dela ao me olhar de cima abaixo me deixou preocupado.
— O que você quer? — perguntou ela em tom hostil, como se eu fosse seu maior inimigo.
— Vou voltar para o campus. Eu queria ver Harper antes de ir embora.
— Ela não está aqui. E, acredite, a última pessoa que ela gostaria de ver é você — respondeu ela com raiva.
Franzi a testa. — Por quê?
— Você partiu o coração dela, seu idiota — respondeu Dani com a voz gelada. — Mentiu para ela. Deveria ter contado a ela. Encontramos sua mãe na cidade. Ela nos contou a verdade.
Ai, merda.
Minhas entranhas se contorceram quando percebi que minha mãe provavelmente dissera a Harper que não fora Marcus quem se oferecera para ir até Denver para tentar encontrá-la. Não fora Marcus quem trepara com ela. Não era Marcus que estava louco por ela.
— Eu queria dizer a ela...
— Guarde para si mesmo — respondeu Dani com um rosnado protetor.
— Ela não quer ver você de novo. Ela superará você e encontrará alguém honesto. Ela mudou e precisa de um cara que a aprecie.
— Eu me importo...
— Mentira! Não se mente para uma mulher com quem você se importa.
— Eu não menti. Só que ela não perguntou — disse eu na defensiva, imaginando como pudera considerar Dani como a irmã Lawson mais gentil.
— Ela não deveria ter que perguntar — retrucou Dani furiosa. — Ela merece alguém melhor do que você. Volte para o campus e trepe com todas as mulheres lá. Mas deixe minha irmã em paz.
Tive que recuar quando Dani bateu a porta na minha cara.
Considerei bater na madeira até que ela voltasse e dissesse onde Harper estava naquele momento. Porém, considerei o fato de que eu não tinha verificado se ela sabia exatamente quem estava tirando sua virgindade. Eu sabia que Marcus e eu éramos idênticos. Só não me ocorrera que talvez ela não soubesse que eu era... eu.
— Merda! — xinguei em voz alta ao andar de volta para o carro, furioso comigo mesmo por não ter entrado em contato com ela antes. Eu
deveria saber que alguma coisa estava errada e que cada dia que passava aumentava ainda mais o problema.
Entrei depressa no carro para evitar os ventos congelantes e dei a partida.
Ela fora virgem e talvez tivesse sido um choque descobrir que o cara que achara ser seu primeiro era, na verdade, um cara totalmente diferente.
Ela superaria?
Em algum momento, ela me telefonaria, entendendo que o que fiz não fora intencional?