Hábitos Atômicos
Como Descobrir e Corrigir as Causas de Seus Maus Hábitos
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Como Descobrir e Corrigir as Causas de Seus
Maus Hábitos
N o FINAL DE 2012, eu estava em um antigo apartamento a poucos quarteirões da rua mais famosa de Istambul, Istiklal Caddesi. Estava
no meio de uma viagem de quatro dias pela Turquia, e meu guia, Mike,
estava relaxando em uma poltrona desgastada a poucos metros de distância.
Mike não era exatamente um guia. Era apenas um cara do Maine que
vivia na Turquia há cinco anos, mas se ofereceu para me mostrar o país
durante minha estada. Nessa noite em particular, fui convidado para jantar
com ele e um punhado de amigos turcos.
Éramos sete, e eu era o único que não tinha, em algum momento da vida,
fumado pelo menos um maço de cigarros por dia. Perguntei a um dos turcos
como ele começou a fumar. “Amigos”, disse ele. “Sempre começa com os
amigos. Um amigo fuma, depois você experimenta.”
O que foi verdadeiramente fascinante foi que metade das pessoas na sala
tinha conseguido parar de fumar. Mike estava longe do cigarro há alguns
anos naquele momento, e jurou solenemente que abandonou o hábito por
causa de um livro chamado O Método Fácil para Parar de Fumar, de Allen
Carr.
“Ele o liberta do fardo mental de fumar”, disse ele. “Ele diz: ‘Pare de
mentir para si mesmo. Você sabe que na verdade não quer fumar. Você sabe
que de fato não gosta muito.’ Ele o ajuda a parar de se sentir uma vítima.
Começa a perceber que você não precisa fumar.”
Eu nunca havia experimentado um cigarro, mas dei uma olhada no livro
depois por curiosidade. O autor emprega uma estratégia interessante para
ajudar os fumantes a eliminar o desejo de fumar. Ele sistematicamente
reformula cada estímulo associado ao tabagismo e lhe dá um novo
significado.
Ele diz coisas como:
Você acha que está abandonando algo, mas não está, porque o
cigarro não faz nada por você.
Você acha que fumar é algo que precisa fazer para se socializar,
mas não é verdade. É possível se socializar sem fumar.
Você acha que fumar significa aliviar o estresse, mas não é
verdade. Fumar não acalma os nervos, os destrói.
Ele repete incansavelmente essas frases e outras do tipo. “Esclareça tudo
isso em sua mente”, diz ele. “Você não está perdendo nada e está obtendo
ganhos positivos maravilhosos não apenas em saúde, energia e dinheiro,
mas também em confiança, respeito próprio, liberdade, e, o mais importante
de tudo, na duração e qualidade de sua vida futura.”
Quando você chega ao fim do livro, fumar parece a coisa mais ridícula do
mundo para se fazer. E se você não espera mais que o fumo traga
benefícios, não tem motivo para fumar. É uma inversão da 2ª Lei da
Mudança de Comportamento: torná-lo desinteressante. Agora, eu sei que
essa ideia pode parecer excessivamente simplista. Basta mudar de opinião e
você pode parar de fumar. Mas espere mais um pouco.
DE ONDE VÊM OS DESEJOS
Todo comportamento tem um desejo aparente e um motivo subjacente mais
profundo. Muitas vezes tenho um desejo que é algo como: “Quero comer
tacos”. Se você me perguntasse por que quero comer tacos, eu não diria:
“Porque preciso de comida para sobreviver”. Mas a verdade é que, em
algum lugar de meu íntimo, estou motivado a comer tacos porque tenho que
comer para sobreviver. O motivo subjacente é obter comida e água, mesmo
que meu desejo específico seja por um taco.
Alguns de nossos motivos subjacentes incluem:1
Economizar energia
Obter comida e água
Encontrar o amor e se reproduzir
Conectar e relacionar-se com os outros
Obter aceitação social e aprovação
Reduzir a incerteza
Alcançar status e prestígio
Um desejo é apenas uma manifestação específica de um motivo
subjacente mais profundo. Seu cérebro não evoluiu com o desejo de fumar
cigarros, verificar o Instagram ou jogar videogames. Em um nível profundo,
você simplesmente quer reduzir a incerteza e aliviar a ansiedade, para
ganhar aceitação e aprovação social, ou para alcançar um determinado
status.
Ao analisar quase qualquer produto formador de hábito, verá que ele não
cria uma nova motivação, mas se agarra aos motivos subjacentes da
natureza humana.
Encontre o amor e se reproduza = usando o Tinder
Conecte-se e relacione-se com os outros = navegando no Facebook
Ganhe aceitação social e aprovação = postando no Instagram
Reduza a incerteza = pesquisando no Google
Alcance status e prestígio = jogando videogames
Seus hábitos são soluções modernas para antigos desejos. Novas versões
de antigos vícios. Os motivos subjacentes permanecem os mesmos. Os
hábitos específicos que realizamos diferem com base no período da história.
Aqui está a parte poderosa: há muitas maneiras diferentes de abordar o
mesmo motivo subjacente. Uma pessoa pode aprender a reduzir o estresse
fumando. Outra, praticando corrida. Seus hábitos atuais não são
necessariamente a melhor maneira de resolver os problemas que enfrenta;
são apenas os métodos que você aprendeu a usar. Depois de associar uma
solução ao problema que precisa resolver, você a utiliza sempre.
Hábitos se resumem a associações. Essas associações determinam se
podemos prever um hábito que vale a pena repetir ou não. Como abordamos
em nossa discussão da 1ª Lei, seu cérebro está continuamente absorvendo
informações e captando sinais no ambiente. Toda vez que você percebe um
estímulo, seu cérebro executa uma simulação e faz uma previsão sobre o
que fazer no momento seguinte.
Estímulo: Você percebe que o fogão está quente.
Previsão: Se eu o tocar, vou me queimar, então devo evitar tocá-lo.
Estímulo: Você vê que o semáforo ficou verde.
Previsão: Se eu pisar no acelerador, vou fazê-lo com segurança pela
interseção e chegar mais perto do meu destino, então devo pisar no
acelerador.
Você vê um estímulo, classifica-o com base na experiência passada e
determina a resposta apropriada.
Tudo isso acontece em um instante, mas desempenha um papel crucial em
seus hábitos, porque toda ação é precedida por uma previsão. A vida parece
reativa, mas é preditiva. Durante todo o dia, você faz seu melhor palpite de
como agir, dado o que acabou de ver e o que funcionou no passado. Você
está infinitamente prevendo o que vai acontecer no próximo momento.
Nosso comportamento é altamente dependente dessas previsões. Em
outras palavras, é dependente de como interpretamos os eventos que
acontecem conosco, não necessariamente a realidade objetiva dos próprios
eventos. Duas pessoas podem olhar para o mesmo cigarro, e uma sentir
desejo de fumar enquanto a outra, repulsa pelo cheiro. A mesma sugestão
pode desencadear um bom ou um mau hábito, dependendo da sua previsão.
A causa de seus hábitos é, na verdade, a previsão que os precede.
Essas previsões levam a sentimentos, que é como tipicamente
descrevemos um desejo — um sentimento, um desejo, uma compulsão.
Sentimentos e emoções transformam os estímulos percebidos e as previsões
feitas em um sinal que podemos aplicar. Eles ajudam a explicar o que
estamos sentindo atualmente. Por exemplo, conscientemente ou não, você
está percebendo o quanto está calor ou frio. Se a temperatura cair um grau,
provavelmente você não fará nada. Se a temperatura cair dez graus, sentirá
frio e vestirá outra camada de roupa. Sentir frio foi o sinal que o levou a
agir. Você percebe os estímulos o tempo todo, mas é apenas quando prevê
que seria melhor estar em um estado diferente que age.
Um desejo é a sensação de que algo está faltando. É o desejo de mudar
seu estado interno. Quando a temperatura cai, há uma lacuna entre o que
seu corpo está sentindo no momento e o que deseja sentir. Essa lacuna entre
seu estado atual e o desejado fornece uma razão para agir.
Desejo é a diferença entre onde você está agora e onde quer estar no
futuro. Até mesmo a menor ação é contaminada pela motivação para se
sentir diferente de seu estado atual. Quando você come compulsivamente,
acende um cigarro ou navega nas mídias sociais, o que realmente quer não
é uma batata frita, um cigarro ou um monte de likes. O que realmente quer é
se sentir diferente de sua condição atual.
Nossos sentimentos e emoções nos dizem se devemos nos manter estáveis
em nosso estado atual ou fazer uma mudança. Eles nos ajudam a decidir o
melhor curso de ação. Neurologistas descobriram que, quando emoções e
sentimentos estão prejudicados, perdemos a capacidade de tomar decisões.
Não recebemos sinais do que buscar e do que evitar. Como o neurocientista
Antonio Damasio explica: “É a emoção que permite que você classifique as
coisas como boas, más ou indiferentes.”
Para resumir, os desejos específicos que sente e os hábitos que realiza são
realmente uma tentativa de abordar seus motivos subjacentes fundamentais.
Sempre que um hábito resolve com sucesso um motivo, você desenvolve
um desejo de fazê-lo novamente. Com o tempo, você aprende a prever que
checar as mídias sociais vai ajudá-lo a se sentir amado ou que assistir ao
YouTube permitirá que esqueça seus medos. Os hábitos são atraentes
quando os associamos a sentimentos positivos, e podemos usar essa
percepção em nosso benefício e não o contrário.
COMO REPROGRAMAR SEU CÉREBRO PARA GOSTAR DE
HÁBITOS DIFÍCEIS
Você pode tornar os hábitos difíceis mais atraentes se puder aprender a
associá-los a uma experiência positiva. Às vezes, tudo que precisa é uma
pequena mudança de atitude mental. Por exemplo, muitas vezes falamos
sobre tudo o que temos que fazer em um determinado dia. Você tem que acordar cedo para o trabalho. Você tem que fazer outra ligação de vendas
para o seu negócio. Você tem que cozinhar o jantar para sua família.
Agora, imagine mudar apenas uma palavra: você não “tem que”. Você
“consegue”.
Você consegue acordar cedo para o trabalho. Você consegue fazer outra
chamada de vendas para o seu negócio. Você consegue preparar o jantar
para sua família. Simplesmente mudando uma palavra, você muda a
maneira de encarar cada evento. Você faz a transição de ver esses
comportamentos como encargos e os transforma em oportunidades.
O ponto-chave é que ambas as versões da realidade são verdadeiras. Você
tem que fazer essas coisas, e também consegue fazê-las. Podemos encontrar
evidências para qualquer atitude mental que escolhermos.
Certa vez ouvi uma história sobre um homem que usa uma cadeira de
rodas. Quando lhe perguntaram se era difícil ficar confinado, ele respondeu:
“Não estou confinado à cadeira de rodas — ela me liberta. Se não fosse pela
cadeira de rodas, eu estaria preso a uma cama e nunca seria capaz de sair de
casa.” Essa mudança de perspectiva transformou completamente como ele
vivia cada dia.
Reformular seus hábitos para destacar seus benefícios em vez de seus
inconvenientes é uma maneira rápida e leve de reprogramar sua mente e
tornar um hábito mais atraente.
Exercícios. Muitas pessoas associam o exercício a uma tarefa desafiadora,
que drena a energia e a desgasta. Você pode facilmente vê-lo como uma
maneira de desenvolver habilidades e fortalecer o corpo. Em vez de dizer a
si mesmo “preciso correr de manhã”, diga “é hora de ganhar resistência e
velocidade”.
Finanças. Poupar dinheiro é frequentemente associado ao sacrifício. No
entanto, você pode associá-lo à liberdade, em vez de a limitação, se perceber uma verdade simples: viver aquém de suas possibilidades atuais
aumenta suas possibilidades futuras. O dinheiro que economiza este mês
aumenta seu poder de compra no próximo.
Meditação. Qualquer pessoa que tenha tentado meditar por mais de três
segundos sabe como isso pode ser frustrante quando a próxima distração
inevitavelmente surge na mente. Você pode transformar a frustração em
prazer quando percebe que cada interrupção lhe dá a chance de praticar a
retomada de sua respiração. As distrações são benéficas, porque você
precisa delas para praticar meditação.
Nervosismo. Muitas pessoas se sentem ansiosas antes de fazer uma
grande apresentação ou competir em um evento importante. Elas
experimentam um ritmo respiratório aumentado, batimento cardíaco
acelerado, elevação da excitação. Se interpretarmos esses sentimentos
negativamente, então nos sentiremos ameaçados e tensos. Se interpretarmos
positivamente, poderemos responder com fluidez e graça. Você pode
reformular “Estou nervoso” para “Estou animado e estou recebendo uma
descarga de adrenalina para me ajudar a me concentrar.”
Essas pequenas mudanças de atitudes mentais não são mágicas, mas
ajudam a mudar os sentimentos que você associa a um determinado hábito
ou situação.
Se quiser dar um passo adiante, você pode criar um ritual de motivação.
Você simplesmente pratica a associação de seus hábitos com algo de que
gosta, então pode usar esse estímulo sempre que precisar de um pouco de
motivação. Por exemplo, se sempre tocar a mesma música antes de fazer
sexo, começará a vincular a música ao ato. Sempre que quiser entrar no
clima, basta pressionar o play.
Ed Latimore, boxeador e escritor de Pittsburgh, se beneficiou de uma
estratégia similar sem saber. “Uma estranha percepção”, escreveu ele. “Meu foco e concentração aumentam simplesmente colocando meus fones de
ouvido enquanto escrevo. Nem preciso ouvir música alguma.” Sem
perceber, ele se condicionou. No começo, colocou os fones, tocou algumas
músicas de que gostava e fez um trabalho focado. Depois de fazer isso 5,
10, 20 vezes, colocar os fones tornou-se um estímulo que ele
automaticamente associou ao aumento do foco. O desejo se seguiu
naturalmente.
Atletas usam estratégias semelhantes para mergulharem na atitude mental
de desempenho. Durante minha carreira no beisebol, desenvolvi um ritual
específico de alongamento e arremesso antes de cada jogo. Toda a
sequência levava cerca de dez minutos, e eu a realizava da mesma maneira
todas as vezes. Ao mesmo tempo que me aquecia fisicamente para o jogo, o
mais importante, ela me colocava no estado mental certo. Comecei a
associar o meu ritual pré-jogo a um sentimento competitivo e focado.
Mesmo que eu não estivesse motivado de antemão, no momento em que
terminava meu ritual, eu estava em “modo de jogo”.
Você pode adaptar essa estratégia para praticamente qualquer finalidade.
Digamos que queira se sentir mais feliz em geral. Encontre algo que o faça
verdadeiramente feliz — como acariciar seu cão ou tomar um banho de
espuma — e crie uma rotina curta que execute sempre antes de fazer a coisa
que você ama. Talvez seja apenas respirar profundamente três vezes e sorrir.
Três respirações profundas. Sorria. Acaricie o cachorro. Repita.
No devido tempo, você começará a associar essa rotina de “respirar e
sorrir” com estar de bom humor. Torna-se um estímulo que significa sentir-
se feliz. Uma vez estabelecido, você pode executá-la sempre que precisar
mudar seu estado emocional. Estressado no trabalho? Respire
profundamente três vezes e sorria. Triste com a vida? Respire
profundamente três vezes e sorria. Uma vez que um hábito tenha sido construído, o estímulo pode provocar um desejo, mesmo que tenha pouco a
ver com a situação original.
A chave para encontrar e corrigir as causas de seus maus hábitos é
reformular suas associações a eles. Não é fácil, mas, se puder reprogramar
suas previsões, poderá transformar um hábito difícil em atraente.
Resumo do Capítulo
A inversão da 2ª Lei da Mudança de Comportamento é torná-lo
desinteressante.
Todo comportamento tem um desejo aparente e um motivo
subjacente mais profundo.
Seus hábitos são modernos — soluções modernas para desejos
antigos.
A causa de seus hábitos é, na verdade, a previsão que os precede. A
previsão leva a um sentimento.
Destaque os benefícios de evitar um mau hábito para que ele se
torne pouco atraente.
Os hábitos são atraentes quando os associamos a sentimentos
positivos, e desinteressantes quando os associamos a negativos.
Crie um ritual de motivação fazendo algo de que goste
imediatamente antes de um hábito difícil.
1 Essa é apenas uma lista parcial dos motivos subjacentes. Ofereço uma lista mais completa e mais exemplos de como aplicá-los aos negócios no Capítulo Bônus “Como Aplicar Essas Ideias aos Negócios”, disponível em www.altabooks.com — procure pelo nome do livro ou ISBN.
OceanofPDF.com
COMO CRIAR UM BOM HÁBITO
A 1ª Torne-o Claro
Lei
1.1 Preencha a Avaliação dos Hábitos. Anote seus hábitos atuais para se conscientizar
deles.
1.2 Use as intenções de implementação: “Eu irei [COMPORTAMENTO] às [HORA] em
[LOCAL].”
1.3 Use o empilhamento de hábitos: “Depois de [HÁBITO ATUAL], eu irei [NOVO
HÁBITO].”
1.4 Redesenhe seu ambiente. Torne os estímulos dos bons hábitos claros e visíveis.
A 2ª Torne-o Atraente
Lei
2.1 Use o empacotamento de tentações. Pareie uma ação que quer fazer com uma que
precisa ser feita.
2.2 Junte-se a uma cultura em que seu comportamento desejado seja o padrão.
2.3 Crie um ritual de motivação. Faça algo de que goste imediatamente antes de um hábito
difícil.
A 3ª Torne-o Fácil
Lei
A 4ª Torne-o Satisfatório
Lei
COMO SE LIVRAR DE UM MAU HÁBITO
Inversão da 1ª Torne-o Invisível
Lei
1.5 Reduza a exposição. Remova os estímulos de seus maus hábitos do
ambiente.
Inversão da 2ª Torne-o Desinteressante
Lei
2.4 Reestruture sua atitude mental. Ressalte os benefícios de evitar seus maus
hábitos.
Inversão da 3ª Torne-o Difícil
Lei
Inversão da 4ª Torne-o Insatisfatório
Lei
Você pode imprimir uma versão completa deste roteiro de hábitos
em www.altabooks.com.br — procure pelo nome do livro ou ISBN.
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