Hábitos Atômicos
O Lado Negativo de Criar Bons Hábitos
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O Lado Negativo de Criar Bons Hábitos
O S HÁBITOS CRIAM A BASE PARA A MAESTRIA. No xadrez, somente depois que os movimentos básicos das peças se tornam automáticos é que
um jogador pode se concentrar no próximo nível do jogo. Cada informação
que é memorizada abre o espaço mental para um raciocínio mais intenso.
Isso se aplica a qualquer empreendimento. Quando conhece os movimentos
simples tão bem que é capaz de realizá-los sem pensar, você fica livre para
prestar atenção aos detalhes mais avançados. Dessa forma, os hábitos são a
espinha dorsal de qualquer busca pela excelência.
No entanto, os benefícios dos hábitos têm um custo. No início, cada
repetição desenvolve fluência, velocidade e habilidade. Mas então, quando
um hábito se torna automático, você fica menos sensível ao feedback. Entra
em modo de repetição irracional. Torna-se mais fácil deixar erros passarem.
Quando você consegue fazer “bem o suficiente” no piloto automático, para
de pensar em como fazer melhor.
A vantagem dos hábitos é que podemos fazer coisas sem pensar. A
desvantagem dos hábitos é que nos acostumamos a fazer as coisas de uma
determinada maneira e paramos de prestar atenção a pequenos erros. Você
presume que está melhorando porque está ganhando experiência. Na
realidade, está apenas reforçando a que já tem — não as aprimorando. Na
verdade, algumas pesquisas mostraram que uma vez que uma habilidade tenha sido dominada normalmente ocorre um ligeiro declínio no
desempenho ao longo do tempo.
Normalmente, esse pequeno declínio de desempenho não é motivo de
preocupação. Você não precisa de um sistema para melhorar continuamente
a maneira de escovar os dentes, amarrar os sapatos ou fazer sua xícara de
chá pela manhã. Com hábitos como esses, bom o bastante costuma ser
suficiente. Quanto menos energia você gasta em escolhas triviais, mais
poderá gastá-la naquilo que realmente importa.
No entanto, quando deseja maximizar seu potencial e atingir níveis de
desempenho de alto nível, precisa de uma abordagem com mais nuances.
Você não pode repetir as mesmas coisas cegamente e esperar se tornar
excepcional. Hábitos são necessários, mas não são suficientes para a
maestria. É preciso uma combinação de hábitos automáticos e prática
deliberada.
Hábitos + Prática Deliberada = Maestria
Para se tornar excepcional, certas habilidades precisam se tornar
automáticas. Os jogadores de basquete precisam ser capazes de driblar sem
pensar antes de conseguir avançar para arremessos com a mão não
dominante. Os cirurgiões precisam repetir a primeira incisão tantas vezes
que possam fazê-la com os olhos fechados, para que se concentrem nas
centenas de variáveis que surgem durante a cirurgia. Mas, depois de um
hábito ser dominado, é preciso retomar a parte penosa da tarefa e começar a
construir o próximo.
Maestria é o processo de estreitar seu foco em um pequeno elemento de
sucesso, repetindo-o até que você interiorize a habilidade e, então, usar o
novo hábito como base para avançar para a próxima fronteira de seu desenvolvimento. As tarefas antigas ficam mais fáceis na segunda vez, mas
não ficam mais fáceis no geral, porque agora você concentra sua energia no
próximo desafio. Cada hábito desbloqueia o próximo nível de desempenho.
É um ciclo sem fim.
DOMINANDO UM HÁBITO
DOMINANDO UMA ÁREA
FIGURA 20: O processo de maestria requer que você progressivamente acumule as melhorias, cada hábito sendo construído sobre o último até que um novo nível de desempenho seja atingido e uma gama maior de habilidades, internalizada.
Embora os hábitos sejam poderosos, você precisa de uma maneira de
permanecer consciente de seu desempenho ao longo do tempo, para que
continue a se aperfeiçoar e melhorar. É precisamente no momento em que
começa a sentir que dominou uma habilidade — bem quando as coisas
começam a parecer automáticas e você fica confortável — que precisa
evitar cair na armadilha do convencimento. A solução? Estabelecer um
sistema de reflexão e revisão.
COMO REVER SEUS HÁBITOS E FAZER AJUSTES
Em 1986, o Los Angeles Lakers tinha um dos times de basquete mais
talentosos já reunidos, mas raramente é lembrado dessa maneira. A equipe
começou a temporada da NBA de 1985–1986 com um impressionante
recorde de 29–5. “Os especialistas diziam que poderíamos ser o melhor
time na história do basquete”, disse o técnico Pat Riley após a temporada.
Surpreendentemente, o Lakers tropeçou nos playoffs de 1986 e sofreu uma
derrota que encerrou sua temporada nas West Conference Finals. O “melhor
time da história do basquete” nem jogou o campeonato da NBA.
Depois desse golpe, Riley estava cansado de ouvir sobre quanto talento
seus jogadores tinham e quanto a equipe era promissora. Ele não queria ver
flashes de brilho seguidos por um gradual desvanecimento no desempenho.
Queria que os Lakers jogassem com todo seu potencial, noite após noite.
No verão de 1986, ele criou um plano para fazer exatamente isso, um
sistema que chamou de programa Career Best Effort [Melhor Esforço da
Carreira, em tradução livre], ou CBE.
“Quando os jogadores ingressaram no Lakers”, explicou Riley,
“rastreamos suas estatísticas de basquete até o ensino médio. Chamo isso de
Pegar Seus Números. Procuramos um indicador preciso do que um jogador
é capaz de fazer e, em seguida, o incluímos em nosso plano para a equipe,
com base na noção de que ele manterá e, depois, melhorará suas médias.”
Depois de determinar o nível de desempenho de um jogador, Riley
adicionou um passo fundamental. Ele pediu a cada jogador para “melhorar
seu desempenho em pelo menos 1% ao longo da temporada. Se
conseguisse, seria um CBE, ou melhor esforço da carreira”. Semelhantes à
equipe britânica de ciclismo, mencionada no Capítulo 1, os Lakers
buscaram o desempenho máximo melhorando um pouco a cada dia.
Riley teve o cuidado de salientar que CBE não envolvia apenas pontos ou
estatísticas, mas empregar seu “melhor esforço espiritual, mental e físico”.
Os jogadores recebem crédito por “permitir que um oponente trombe com
você quando sabe que uma falta será marcada contra ele, mergulhar atrás de
bolas perdidas, ir atrás de rebotes, recuperando ou não a bola, ajudar um
colega de time quando o jogador que ele está marcando passar por ele e
outros atos de ‘herói anônimo’”.
Como exemplo, digamos que Magic Johnson — a estrela do Lakers na
época — fez 11 pontos, 8 rebotes, 12 assistências, 2 roubadas de bola e 5
erros de passe em um jogo. Magic também recebeu crédito por uma ação de
“herói anônimo” por mergulhar em bolas perdidas (+1). Finalmente, ele
jogou um total de 33 minutos nesse jogo hipotético.
Os números positivos (11 + 8 + 12 + 2 + 1) somam 34. Então, subtraímos
os 5 erros de passe (34–5) para obter 29. Finalmente, dividimos 29 por 33
minutos jogados.
29/33 = 0,879
O número de CBE da Magic aqui seria 879. Esse número era calculado
para todos os jogos de um jogador, e o CBE médio era o número que
deveria ser melhorado em 1% durante a temporada. Riley comparou o CBE
atual de cada jogador não apenas com suas performances passadas, mas
também com os outros jogadores da liga. Como disse Riley: “Classificamos
os membros do time junto com oponentes da liga que ocupam a mesma
posição e têm definições de função semelhantes.”
O jornalista esportivo Jackie MacMullan observou: “Riley anunciava os
melhores jogadores da liga em letras garrafais no quadro-negro a cada
semana e os comparava com os jogadores correspondentes na própria escalação. Jogadores sólidos e confiáveis geralmente tinham nota na casa
dos 600, enquanto os de elite marcavam pelo menos 800. Magic Johnson,
que obteve 138 Dobro Triplos em sua carreira, muitas vezes marcou mais
de mil.”
O Lakers também enfatizava o progresso ano a ano, realizando
comparações históricas dos dados do CBE. Segundo Riley: “Comparamos o
mês de novembro de 1986 e o de novembro de 1985, e mostramos aos
jogadores se eles estavam indo melhor ou pior do que no mesmo ponto da
temporada anterior. Depois mostramos a eles como foram os números de
desempenho de dezembro de 1986, contra os de novembro daquele ano.”
O time implementou o CBE em outubro de 1986. Oito meses depois, foi
campeão da NBA. No ano seguinte, Pat Riley liderou sua equipe para outro
título quando o Lakers se tornou o primeiro time em 20 anos a vencer
campeonatos consecutivos da NBA. Depois da proeza, Pat declarou:
“Sustentar um esforço é a coisa mais importante para qualquer
empreendimento. A melhor maneira de ser bem-sucedido é aprender a fazer
as coisas do jeito certo e depois fazê-las da mesma maneira todas as vezes.”
O programa CBE é um excelente exemplo do poder de reflexão e revisão.
Os jogadores do Lakers já eram talentosos. O CBE os ajudou a tirar o
máximo proveito do que tinham e garantiu que seus hábitos melhorassem.
A reflexão e a revisão possibilitam o aprimoramento de longo prazo de
todos os hábitos, porque os tornam conscientes de seus erros e ajudam a
considerar possíveis caminhos para a melhoria. Sem reflexão, podemos dar
desculpas, criar racionalizações e mentir para nós mesmos. Não temos
nenhum processo para determinar se estamos tendo um desempenho melhor
ou pior em comparação a ontem.
Os profissionais com os melhores desempenhos em todos os campos
praticam vários tipos de reflexão e revisão, e o processo não precisa ser complexo. O corredor queniano Eliud Kipchoge é um dos maiores
maratonistas de todos os tempos e medalhista de ouro olímpico. Ele ainda
toma notas após cada treino, nas quais revisa seu treinamento para o dia e
procura por áreas que devam ser melhoradas. Da mesma forma, a nadadora
e medalhista de ouro Katie Ledecky registra seu bem-estar em uma escala
de 1 a 10 e inclui notas sobre sua nutrição e qualidade do sono. Ela também
registra os tempos obtidos por outros nadadores. No final de cada semana, o
treinador repassa suas anotações e acrescenta seus comentários.
E não são apenas os atletas. Quando o comediante Chris Rock está
preparando material novo, ele primeiro se apresenta em pequenas casas
noturnas dezenas de vezes e testa centenas de piadas. Leva consigo um
bloco de anotações para o palco e registra as partes que foram bem e as que
precisa fazer ajustes. As melhores piadas formarão a espinha dorsal de seu
novo show.
Conheço executivos e investidores que mantêm um “diário de decisão” no
qual registram as principais decisões que tomam a cada semana, por que as
fizeram e qual é o resultado esperado. Eles revisam suas escolhas no final
de cada mês ou ano para ver onde acertaram e onde erraram.1
O aprimoramento não envolve apenas aprender hábitos, também exige
ajustes constantes. A reflexão e a revisão garantem que você gaste seu
tempo com as coisas certas e faça as correções de curso sempre que
necessário — como fez Pat Riley ao ajustar o esforço de seus jogadores
todas as noites. Você não quer continuar praticando um hábito se ele se
tornar ineficaz. Pessoalmente, utilizo dois modos primários de reflexão e
revisão.
Todo mês de dezembro, faço uma Revisão Anual, em que reflito sobre o
ano anterior. Avalio meus hábitos para o ano contando quantos artigos
publiquei, quanto de exercícios pratiquei, quantos novos lugares visitei e
muito mais.2 Então, reflito sobre o meu progresso (ou falta dele)
respondendo a três perguntas:
1. O que correu bem este ano?
2. O que não correu tão bem?
3. O que aprendi?
Seis meses depois, faço um Relatório de Integridade. Como todo mundo,
cometo muitos erros. Meu Relatório de Integridade me ajuda a perceber
onde errei e me motiva a retomar meu curso. Esse tempo é meu momento
de revisitar meus valores fundamentais e avaliar se tenho vivido de acordo
com eles. É quando reflito sobre minha identidade e como posso trabalhar
para ser o tipo de pessoa que desejo me tornar.3
Meu Relatório de Integridade anual responde a três perguntas:
1. Quais são os valores fundamentais que impulsionam minha vida e
meu trabalho?
2. Como estou vivendo e trabalhando com integridade agora?
3. Como posso definir um padrão mais alto no futuro?
Esses dois relatórios não tomam muito tempo — apenas algumas horas
por ano —, mas são períodos cruciais de refinamento. Eles impedem o
declínio gradual que acontece quando não presto muita atenção. Fornecem
um lembrete anual para revisitar minha identidade desejada e considerar
como meus hábitos estão me ajudando a ser o tipo de pessoa que gostaria de
ser. Indicam quando devo melhorar meus hábitos e assumir novos desafios,
e quando devo focar meus esforços e me concentrar nos fundamentos.
A reflexão também gera um senso de perspectiva. Os hábitos diários são
poderosos por causa da forma como se acumulam, mas se preocupar demais com todas as escolhas diárias é como se olhar em um espelho bem de
frente. Verá cada imperfeição e perderá a visão geral. Há muito feedback.
Por outro lado, nunca revisar seus hábitos é como nunca se olhar no
espelho. Você não está ciente das falhas facilmente corrigíveis — manchas
em sua camisa, restos de comida em seus dentes. Há pouco feedback. A
reflexão e a revisão periódicas são como se ver no espelho de uma distância
normal. Você vê as mudanças importantes que devem ser feitas sem perder
de vista o todo. O objetivo é ver toda a cordilheira e não ficar obcecado
com cada pico e vale.
Finalmente, a reflexão e a revisão são o momento ideal para revisitar um
dos aspectos mais importantes da mudança de comportamento: a
identidade.
COMO ABANDONAR AS CRENÇAS QUE O AMARRAM
No começo, repetir um hábito é essencial para criar evidências de sua
identidade desejada. Entretanto, à medida que você se apega a essa nova
identidade, essas mesmas crenças podem impedi-lo de atingir o próximo
nível de crescimento. Ao trabalhar contra você, sua identidade cria um tipo
de “orgulho” que o incentiva a negar seus pontos fracos e o impede de
crescer de verdade. Essa é uma das maiores desvantagens de criar hábitos.
Quanto mais sagrada uma ideia for para nós — isto é, quanto mais
profundamente estiver ligada à nossa identidade — mais fortemente a
defenderemos contra a crítica. Isso se aplica a todos os setores. A
professora que ignora os métodos de ensino inovadores e se atém a seus
planos de aulas “testados e aprovados”. O gerente veterano que está
empenhado em fazer as coisas “à sua maneira”. O cirurgião que rejeita as
ideias dos colegas mais jovens. A banda que produz um primeiro álbum de arrasar e depois fica presa em um padrão. Quanto mais nos apegamos a uma
identidade, mais difícil se torna crescer além dela.
Uma solução é evitar que um único aspecto de sua identidade seja uma
parte esmagadora de quem você é. Nas palavras do investidor Paul Graham:
“Mantenha sua identidade pequena.” Quanto mais você deixar uma única
crença o definir, menos será capaz de se adaptar quando a vida o desafiar.
Se vincular toda sua identidade a ser o armador do time, o sócio de uma
empresa ou qualquer outra coisa, a perda dessa faceta irá arruiná-lo. Se
você é vegano e depois desenvolve uma condição de saúde que o obriga a
mudar a dieta, terá que lidar com uma crise de identidade. Quando se apega
muito fortemente a uma identidade, você se torna frágil. Se perdê-la, se
perde junto.
Durante quase toda minha juventude, ser atleta era uma parte importante
da minha identidade. Depois que minha carreira de beisebol terminou, tive
dificuldades de me encontrar. Quando você passa a vida inteira se definindo
de um jeito e isso desaparece, quem você se torna?
Veteranos militares e ex-empresários relatam sentimentos semelhantes. Se
a sua identidade está envolvida em uma crença como “Sou um grande
soldado”, o que acontece quando seu período de serviço termina? Para
muitos donos de empresas, sua identidade é algo como “sou o CEO” ou
“sou o fundador”. Se passou o tempo todo trabalhando em seu negócio,
como se sentirá depois de vender a empresa?
A chave para atenuar essas perdas de identidade é redefinir a si mesmo de
tal forma que consiga manter aspectos importantes de sua identidade,
mesmo que seu papel específico mude.
“Sou atleta” se torna “Sou o tipo de pessoa que é mentalmente
resistente e ama um desafio físico”
“Sou um ótimo soldado” se transforma em “Sou o tipo de pessoa
que é disciplinada, confiável e ótima trabalhando em equipe”
“Sou o CEO” se traduz em “Sou o tipo de pessoa que constrói e
cria coisas”
Quando escolhida de forma eficaz, uma identidade é flexível e não frágil.
Como a água fluindo por um obstáculo, sua identidade trabalha junto com
as circunstâncias em transformação, e não contra elas.
A seguinte citação do Tao Te Ching condensa perfeitamente essas ideias:
Os homens nascem macios e elásticos;
mortos, eles são rígidos e duros.
As plantas nascem tenras e flexíveis;
mortas, são secas e frágeis.
Assim, quem for rígido e inflexível,
é um discípulo da morte.
Quem for gentil e flexível,
é um discípulo da vida.
O duro e rígido será quebrado.
O suave e flexível irá prevalecer.
— Lao Tzu
Os hábitos trazem inúmeros benefícios, mas a desvantagem é que podem
nos prender em nossos padrões anteriores de pensamento e ação — mesmo
quando o mundo estiver mudando ao nosso redor. Tudo é impermanente. A
vida está em constante mudança, então é preciso avaliar periodicamente se
os seus velhos hábitos e crenças ainda o servem a contento.
A falta de autoconsciência é um veneno. A reflexão e a revisão são o
antídoto.
Resumo do Capítulo
A vantagem dos hábitos é que podemos fazer coisas sem pensar. A
desvantagem é que deixamos de prestar atenção aos pequenos
erros.
Hábitos + Prática Deliberada = Maestria
A reflexão e a revisão são processos que permitem a você
permanecer consciente de seu desempenho ao longo do tempo.
Quanto mais nos apegamos a uma identidade, mais difícil se torna
crescer além dela.
1 Criei um modelo para os leitores interessados em manter um diário de decisão. Ele integra o diário de hábitos, está em atomichabits.com/journal [conteúdo em inglês].
2 Você pode ver minhas Revisões Anuais em jamesclear.com/annual-review [conteúdo em inglês].
3 Veja meus Relatórios de Integridade em jamesclear.com/integrity [conteúdo em inglês].
OceanofPDF.com