Hábitos Atômicos

James Clear · Capítulo 3 de 26

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Hábitos Atômicos

Por que Seus Hábitos Moldam Sua Identidade (e Vice-versa)

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Por que Seus Hábitos Moldam Sua

 

Identidade (e Vice-versa)

 

P OR QUE É tão fácil repetir maus hábitos e tão difícil criar bons? Poucas coisas podem ter um impacto mais poderoso em sua vida do que

melhorar seus hábitos diários. No entanto, é provável que no ano que vem

você faça a mesma coisa de sempre em vez de algo melhor.

Muitas vezes parece difícil manter bons hábitos por mais de alguns dias,

mesmo com esforço sincero e com a ocasional explosão de motivação.

Hábitos como exercício, meditação, registros no diário e culinária são

razoáveis por um dia ou dois, mas depois se tornam um aborrecimento.

No entanto, uma vez que os hábitos são arraigados, eles permanecem para

sempre — especialmente os indesejados. Apesar de nossas melhores

intenções, hábitos nocivos como má alimentação, assistir à televisão

demais, procrastinar e fumar podem parecer impossíveis de abandonar.

Mudar nossos hábitos é um desafio por duas razões: (1) tentamos mudar a

coisa errada e (2) tentamos mudar nossos hábitos de maneira errada. Neste

capítulo, abordo o primeiro ponto. Nos capítulos seguintes, respondo o

segundo.

Nosso primeiro erro é que tentamos mudar a coisa errada. Para entender o

que quero dizer, considere que existem três níveis em que a mudança pode ocorrer. Pense neles como as camadas de uma cebola.

 

TRÊS CAMADAS DE MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

 

FIGURA 3: Existem três camadas de mudança de comportamento: a mudança em seus resultados, a mudança em seus processos e a mudança em sua identidade.

 

A primeira camada é a mudança de seus resultados. Esse nível está

preocupado em mudar seus resultados: perder peso, publicar um livro,

vencer um campeonato. A maioria das metas que você definiu está

associada a esse nível de mudança.

A segunda camada é a mudança de seus processos. Esse nível está

preocupado com a mudança de seus hábitos e sistemas: implementar uma

nova rotina na academia, organizar sua mesa para ter um melhor fluxo de

trabalho, desenvolver uma prática de meditação. A maioria dos hábitos que

você cria está associada a esse nível.

A terceira e mais profunda camada é a mudança de sua identidade.

Esse nível está relacionado com a mudança de suas crenças: sua visão de

mundo, sua autoimagem, seus julgamentos sobre você e os outros. A

maioria das crenças, suposições e preconceitos está associada a esse nível.

Os resultados referem-se ao que você obtém. Processos, ao que você faz.

Identidade, ao que acredita. Quando se trata de construir hábitos duradouros

— um sistema de melhorias de 1% — o problema não é que um nível seja

“melhor” ou “pior” que o outro. Todos os níveis de mudança são úteis à sua

maneira. O problema é a direção de mudança.

Muitas pessoas começam o processo de mudança de hábitos

concentrando-se no que querem alcançar. Isso nos leva aos hábitos baseados

em resultados. A alternativa é criar hábitos baseados em identidade. Com

essa abordagem, começamos nos concentrando em quem desejamos nos

tornar.

Imagine duas pessoas resistindo a um cigarro. Quando lhe oferecem um

cigarro, a primeira pessoa diz: “Não, obrigado. Estou tentando parar.”

Parece uma resposta razoável, mas essa pessoa ainda acredita que é um

fumante tentando ser outra coisa. Ela espera que seu comportamento mude,

mas ao mesmo tempo continua carregando as mesmas crenças.

A segunda pessoa recusa dizendo: “Não, obrigado. Não fumo.” É uma

pequena diferença, mas essa afirmação sinaliza uma mudança na

identidade. Fumar fazia parte de sua vida anterior, não da atual. Ela não se

identifica mais como alguém que fuma.

A maioria das pessoas nem sequer considera a mudança de identidade

quando quer aperfeiçoar algum aspecto. Elas apenas pensam: “Quero ser

magro (resultado) e, se eu adotar esta dieta, serei magro (processo).” Elas

estabelecem metas e determinam as ações que devem tomar para atingir

esses objetivos sem considerar as crenças que impulsionam suas ações. Não

mudam a maneira como olham para si mesmas nem percebem que sua

antiga identidade é capaz de sabotar seus novos planos de mudança.

 

HÁBITOS BASEADOS EM RESULTADOS

 

RESULTADOS BASEADOS EM IDENTIDADE

FIGURA 4: Nos hábitos baseados em resultados, o foco é o que você obtém. Nos baseados em identidade, quem você deseja se tornar.

 

 

Por trás de todo sistema de ações, há um sistema de crenças. O sistema de

uma democracia baseia-se em crenças como liberdade, governo da maioria

e igualdade social. Já o de uma ditadura tem um conjunto muito diferente

de crenças, como autoridade absoluta e obediência estrita. Você pode

imaginar muitas maneiras de fazer com que mais pessoas votem em uma

democracia, mas essa mudança de comportamento nunca sairia do papel em

uma ditadura. Essa não é a identidade do sistema. Votar é um

comportamento impossível sob um certo conjunto de crenças.

Um padrão similar acontece seja quando envolve indivíduos, organizações

ou sociedades. Há um conjunto de crenças e suposições que moldam o

sistema, uma identidade por trás dos hábitos.

O comportamento incoerente com o “eu” não durará. Você pode desejar

mais dinheiro, mas se sua identidade for de alguém que consome em vez de

produzir, você continuará a ser atraído por gastar em vez de ganhar. Pode

querer ser mais saudável, mas se continuar a priorizar o conforto à

realização, será atraído para atividades relaxantes em vez de para o

treinamento. É difícil mudar seus hábitos se não mudar as crenças

subjacentes que levaram a seu comportamento passado. Você tem um novo

objetivo e um novo plano, mas não mudou quem é.

A história de Brian Clark, um empresário de Boulder, Colorado, é um

bom exemplo. “Desde que consigo me lembrar, eu roo minhas unhas”, me contou Clark. “Começou como um hábito nervoso quando eu era jovem e

depois se transformou em um ritual indesejado de preparação. Um dia,

resolvi parar de roer minhas unhas até que crescessem um pouco. Apenas

com a força de vontade consciente, eu consegui.”

Então, Clark fez algo surpreendente.

“Eu pedi a minha esposa para agendar minha primeira sessão de

manicure”, disse ele. “Meu pensamento era que, se começasse a pagar para

cuidar de minhas unhas, não as roeria. E funcionou, mas não pela questão

financeira. O que aconteceu foi que a manicure deixou minhas unhas

realmente bonitas pela primeira vez. Ela até disse que — apesar do péssimo

hábito — eu tinha unhas muito saudáveis e bonitas. De repente, fiquei

orgulhoso de minhas unhas. E mesmo que seja algo a que nunca tenha

aspirado, isso fez toda a diferença. Nunca mais roí minhas unhas desde

então; nem sequer cheguei perto de fazê-lo. E o motivo é que agora tenho

orgulho de cuidar bem delas.”

A forma definitiva de motivação intrínseca é quando um hábito se torna

parte de sua identidade. Uma coisa é dizer que sou o tipo de pessoa que

quer algo. O que é muito diferente de dizer que sou o tipo de pessoa que é

algo.

Quanto mais orgulho você tiver em um aspecto particular de sua

identidade, mais motivado estará para manter os hábitos associados a ele.

Se sentir orgulho de como seus cabelos são bonitos, você desenvolverá

todos os tipos de hábitos para cuidar e mantê-lo. Se estiver orgulhoso do

tamanho do seu bíceps, não faltará nos treinos de braços. Se estiver

orgulhoso dos cachecóis que tricota, estará mais propenso a gastar horas por

semana tricotando. Sempre que algo envolver seu orgulho, você lutará com

unhas e dentes para manter seus hábitos.

A verdadeira mudança de comportamento é a mudança de identidade.

Você pode começar um hábito por causa da motivação, mas a única razão

que o fará cultivá-lo é ele se tornar parte de sua identidade. Qualquer um

pode se convencer a ir à academia ou adotar uma alimentação saudável uma

ou duas vezes, mas se não mudar a crença por trás do comportamento, é

difícil manter as mudanças em longo prazo. As melhorias são apenas

temporárias até se tornarem parte de quem você é.

 

O objetivo não é ler um livro, o objetivo é se tornar leitor.

O objetivo não é correr uma maratona, o objetivo é se tornar

corredor.

O objetivo não é aprender a tocar um instrumento, o objetivo é se

tornar músico.

 

Seus comportamentos são geralmente um reflexo de sua identidade. O que

você faz é uma indicação do tipo de pessoa que acredita ser — seja

consciente ou não.1 Pesquisas mostram que, uma vez que uma pessoa

acredite em um aspecto particular de sua identidade, é mais provável que

aja alinhada a essa crença. Por exemplo, as pessoas que se identificaram

como “eleitoras” eram mais propensas a votar do que aquelas que

simplesmente afirmavam que “votar” era uma ação que gostariam de

realizar. Da mesma forma, a pessoa que incorpora os exercícios em sua

identidade não precisa se convencer a treinar. Fazer a coisa certa é fácil.

Afinal, quando seu comportamento e sua identidade estão totalmente

alinhados, você não está mais buscando uma mudança de comportamento.

Está simplesmente agindo como o tipo de pessoa que já acredita ser.

Como todos os aspectos da formação de hábitos, isso também é uma faca

de dois gumes. Ao trabalhar para você, a mudança de identidade é uma

força poderosa para o autoaperfeiçoamento. Porém, ao trabalhar contra você, a mudança de identidade é uma maldição. Depois de ter adotado uma

identidade, é fácil deixar que sua lealdade a ela influencie sua capacidade

de mudança. Muitas pessoas passam pela vida em um torpor cognitivo,

seguindo cegamente as normas associadas à sua identidade.

 

“Não tenho boa orientação espacial.”

“Não sou uma pessoa diurna.”

“Sou péssimo em lembrar o nome das pessoas.”

“Estou sempre atrasado.”

“Não sou bom com tecnologia.”

“Sou horrível em matemática.”

 

… e mil variações.

Quando você repete a mesma história para si mesmo há anos, é fácil

deslizar para essas “calhas” mentais e aceitá-las como fatos. Com o tempo,

você começa a resistir a certas ações porque “isso não é quem eu sou”.

Existe uma pressão interna para manter sua autoimagem e se comportar de

uma maneira consistente com suas crenças. Você encontra uma maneira de

evitar se contradizer.

Quanto mais profundamente um pensamento ou ação está vinculado à sua

identidade, mais difícil é mudá-lo. Pode ser reconfortante acreditar no que

sua cultura acredita (identidade de grupo) ou fazer aquilo que sustenta sua

autoimagem (identidade pessoal), mesmo que seja errado. A maior barreira

para a mudança positiva em qualquer nível — indivíduo, equipe, sociedade

— é o conflito de identidade. Bons hábitos podem fazer sentido

racionalmente, mas se entrarem em conflito com sua identidade você não

conseguirá colocá-los em prática.

Em qualquer momento, você pode ter dificuldades em manter seus hábitos

porque está muito ocupado, cansado demais, sobrecarregado ou centenas de

outras razões. No entanto, em longo prazo a verdadeira razão de não

conseguir cultivá-los é porque sua autoimagem fica no caminho. É por isso

que você não pode se apegar demais a uma versão de sua identidade. O

progresso requer desapego. Tornar-se a melhor versão de si mesmo exige

que você reveja continuamente suas crenças e atualize e expanda sua

identidade.

Isso nos leva a uma questão importante: se suas crenças e visão de mundo

desempenham um papel tão importante em seu comportamento, afinal, de

onde elas vêm? Como, exatamente, sua identidade é formada? E como você

pode enfatizar novos aspectos benéficos de sua identidade e, gradualmente,

apagar as partes que o impedem de fazê-lo?

 

O PROCESSO DE DUAS ETAPAS PARA MUDAR SUA

IDENTIDADE

 

Sua identidade emerge de seus hábitos. Você não nasceu com crenças

predefinidas. Toda crença, incluindo aquelas sobre si mesmo, é aprendida e

condicionada através da experiência.2

Mais precisamente, seus hábitos são a incorporação de sua identidade.

Quando você faz sua cama todos os dias, incorpora a identidade da

organização. Quando escreve todos os dias, incorpora a identidade da

criatividade. Quando treina todos os dias, incorpora a identidade de uma

pessoa atlética.

Quanto mais você repete um comportamento, mais reforça a identidade

associada a ele. Na verdade, a palavra identidade é originalmente derivada

das palavras latinas essentitas, que significa ser, e identidem, que significa

repetidamente. Sua identidade é literalmente seu “ser que se repete”.

Seja qual for a sua identidade, você só acredita nela porque tem uma

prova. Se vai à igreja todos os domingos há 20 anos, tem provas de que é

religioso. Se estuda biologia por uma hora toda noite, tem evidências de que

é estudioso. Se vai à academia mesmo quando está frio e chovendo, tem

provas de que está comprometido com a boa forma. Quanto mais evidências

tiver de uma crença, mais fortemente acreditará nela.

Durante a maior parte da minha vida, não me considerava escritor. Se

você perguntasse a qualquer um de meus professores da escola ou

faculdade, ele diria que eu era um escritor mediano, na melhor das

hipóteses: certamente nada extraordinário. Quando comecei minha carreira

como escritor, publicava um artigo toda segunda e quinta-feira nos

primeiros anos. À medida que as evidências aumentavam, minha identidade

de escritor se consolidava. Não comecei como escritor. Passei a ser por

meio de meus hábitos.

Claro, seus hábitos não são as únicas ações que influenciam sua

identidade, mas, em virtude da frequência, são geralmente as mais

relevantes. Cada experiência na vida modifica sua autoimagem, mas é

improvável que você se considere jogador de futebol só porque chutou uma

bola uma vez ou artista porque fez um desenho. Ao repetir essas ações, no

entanto, a evidência se acumula, e sua autoimagem começa a mudar. O

efeito de uma experiência única tende a desaparecer enquanto o efeito dos

hábitos é reforçado com o tempo, o que significa que seus hábitos

contribuem com a maior parte das evidências que moldam sua identidade.

Dessa forma, o processo de criação de hábitos é, na verdade, o processo de

se tornar você mesmo.

É uma evolução gradual. Não mudamos apenas estalando os dedos e

decidindo ser alguém inteiramente novo. Mudamos pouco a pouco, dia a dia, hábito por hábito. Estamos continuamente passando por

microevoluções do eu.

Cada hábito é uma sugestão: “Ei, talvez isto seja quem sou.” Se você

termina de ler um livro, talvez seja o tipo de pessoa que gosta de ler. Se vai

à academia, talvez goste de se exercitar. Se pratica guitarra, talvez goste de

música.

Cada atitude que você toma é um voto para o tipo de pessoa que deseja se

tornar. Um único voto não transformará suas crenças; mas, à medida que se

acumulam, o mesmo acontece com as evidências de sua nova identidade.

Essa é uma das razões pelas quais mudanças significativas não exigem

mudanças radicais. Os pequenos hábitos fazem uma grande diferença ao

fornecer evidências de uma nova identidade. E, se uma mudança é

significativa, na verdade é grande. Esse é o paradoxo de fazer pequenas

melhorias.

Juntando tudo isso, vemos que os hábitos são o caminho para mudar sua

identidade. Mudar o que você faz é a maneira mais prática de mudar quem

você é.

 

Toda vez que escreve uma página, você é escritor.

Toda vez que pratica violino, você é músico.

Toda vez que começa um treino, você é atleta.

Toda vez que incentiva seus funcionários, você é líder.

 

Cada hábito não só obtém resultados, mas também lhe ensina algo muito

mais importante: confiar em si mesmo. Você começa a acreditar que

realmente é capaz de realizar essas coisas. Quando os votos aumentam e as

evidências começam a mudar, a história que conta a si mesmo também

começa a mudar.

Naturalmente, também funciona de forma inversa. Toda vez que você

escolhe realizar um mau hábito, é um voto para essa identidade. A boa

notícia é que você não precisa ser perfeito. Em qualquer eleição, haverá

votos para ambos os lados. Não é necessária uma votação unânime para

vencer uma eleição; a maioria dos votos é suficiente. Não importa se você

deposita alguns votos para um mau comportamento ou um hábito

improdutivo. Seu objetivo é simplesmente vencer pela maioria.

Novas identidades exigem novas evidências. Se continuar lançando os

mesmos votos de sempre, obterá os mesmos resultados. Se nada mudar,

nada vai mudar.

É um processo simples de duas etapas:

 

1. Decida o tipo de pessoa que quer ser.

2. Prove isso para si mesmo com pequenas vitórias.

 

Primeiro, decida quem quer ser. Isso vale em qualquer nível — indivíduo,

equipe, comunidade e nação. O que você quer representar? Quais são seus

princípios e valores? Quem deseja se tornar?

Essas são grandes questões, e muitas pessoas não sabem ao certo por onde

começar — mas sabem que tipo de resultados querem: conquistar um

abdômen sarado, se sentir menos ansioso ou dobrar de salário. Sem

problemas. Comece por aí e trabalhe em retrospectiva dos resultados que

deseja até o tipo de pessoa que obteria esses resultados. Pergunte a si

mesmo: “Quem é o tipo de pessoa que conseguiria obter o resultado que

desejo?” Quem é o tipo de pessoa capaz de perder 20kg? Quem é o tipo de

pessoa que aprenderia um novo idioma? Quem é o tipo de pessoa capaz de

administrar uma startup de sucesso?

Por exemplo: “Quem é o tipo de pessoa que escreve um livro?”

Provavelmente é alguém coerente e confiável. Agora seu foco muda de escrever um livro (baseado em resultado) para ser uma pessoa coerente e

confiável (baseado em identidade).

Esse processo leva a crenças como:

 

“Sou o tipo de professor que apoia seus alunos.”

“Sou o tipo de médico que dedica a todos os pacientes o tempo e a

empatia de que precisam.”

“Sou o tipo de gerente que defende seus funcionários.”

 

Uma vez que tenha uma ideia do tipo de pessoa que deseja ser, comece a

dar pequenos passos para reforçar a identidade desejada. Tenho uma amiga

que perdeu mais de 50kg somente se perguntando: “O que uma pessoa

saudável faria?” Durante todo o dia, ela usava essa pergunta como guia.

Uma pessoa saudável caminharia ou pegaria um táxi? Uma pessoa saudável

pediria um burrito ou uma salada? Ela imaginou que se agisse como uma

pessoa saudável por tempo suficiente, eventualmente se tornaria essa

pessoa. Ela estava certa.

O conceito de hábitos baseados em identidade é a primeira introdução a

outro tema central do livro: ciclo de feedback. Seus hábitos moldam sua

identidade, sua identidade molda seus hábitos. É uma via de mão dupla. A

formação de todo hábito é um ciclo de feedback (um conceito que

aprofundamos no próximo capítulo), mas é importante deixar que seus

valores, princípios e identidade, e não seus resultados, orientem o ciclo. O

foco deve ser sempre se tornar um tipo de pessoa e não obter um resultado

particular.

 

O REAL MOTIVO DE OS HÁBITOS SEREM IMPORTANTES

A mudança de identidade é a estrela-guia da mudança de hábitos. O restante

deste livro lhe oferece instruções passo a passo sobre como criar hábitos

melhores para você, sua família, equipe, empresa e para qualquer situação

que desejar. Mas a verdadeira questão é: “Você está se tornando o tipo de

pessoa que deseja?” O primeiro passo não é o que ou como, mas quem.

Você precisa saber quem quer ser. Caso contrário, sua busca pela mudança é

um barco sem leme. E é por isso que estamos começando neste ponto.

O poder de mudar suas crenças sobre si mesmo é seu. Sua identidade não

é algo gravado em pedra. A todo momento você tem uma escolha. Pode

escolher a identidade que deseja reforçar hoje com os hábitos que escolhe

hoje. E isso nos leva ao propósito mais profundo deste livro e à verdadeira

razão de os hábitos serem importantes.

Construir hábitos melhores não é preencher seu dia com truques de vida.

Não se trata de passar fio dental nos dentes toda noite, tomar banho frio

toda manhã ou usar a mesma roupa todos os dias. Não se trata de alcançar

medidas externas de sucesso, como ganhar mais dinheiro, perder peso ou

reduzir o estresse. Hábitos o ajudam a alcançar todas essas coisas, mas

fundamentalmente não se referem a ter alguma coisa. Eles tratam de se

tornar alguém.

Em última análise, seus hábitos são importantes porque ajudam você a se

tornar o tipo de pessoa que deseja ser. Eles são o canal através do qual você

desenvolve suas crenças mais profundas sobre si mesmo. De fato, você se

torna seus hábitos.

 

Resumo do Capítulo

 

Existem três camadas de mudança: em seus resultados, em seus

processos e em sua identidade.

A maneira mais eficaz de mudar seus hábitos é se concentrar não

no que você quer alcançar, mas em quem você deseja se tornar.

Sua identidade emerge de seus hábitos. Cada ação é um voto para o

tipo de pessoa que deseja se tornar.

Tornar-se a melhor versão de si mesmo exige que reveja

continuamente suas crenças e atualize e expanda sua identidade.

A verdadeira razão pela qual os hábitos importam não é porque

acarretam melhores resultados (embora possam fazer isso), mas

porque são capazes de mudar suas crenças sobre si mesmo.

 

1 Os termos inconsciente, não consciente e subconsciente são usados para descrever a ausência de consciência ou pensamento. Mesmo nos círculos acadêmicos, essas palavras são frequentemente usadas de forma intercambiável, sem muito detalhamento (para variar). Não consciente é o termo que vou usar porque é amplo o suficiente para abranger tanto os processos da mente que jamais poderíamos acessar conscientemente quanto os momentos em que simplesmente não prestamos atenção ao que nos cerca. Não consciente é uma descrição de qualquer coisa em que você não esteja pensando conscientemente.

2 Certamente, há alguns aspectos de sua identidade que tendem a permanecer inalterados com o tempo — como se identificar como alguém alto ou baixo. Mas mesmo para qualidades e características mais fixas, o fato de as enxergar sob uma ótica positiva ou negativa é determinado por suas experiências ao longo da vida.

 

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