Hábitos Atômicos
Pequenas Lições das Quatro Leis
N ESTE LIVRO, apresentei um modelo para o comportamento humano com quatro estágios: estímulo, desejo, resposta e recompensa. Essa
estrutura não apenas nos ensina a criar hábitos, mas também revela algumas
percepções interessantes sobre o comportamento humano.
Fase do Problema Fase da Solução
1. Estímulo 2. Desejo 3. Resposta 4. Recompensa
Nesta seção, compilei algumas lições (e um pouco de bom senso) que são
confirmadas pelo modelo. O propósito destes exemplos é esclarecer o
quanto é útil e abrangente esse quadro ao descrever o comportamento
humano. Depois de entender o modelo, você verá exemplos dele em todos
os lugares.
A consciência vem antes do desejo. Um desejo é criado quando você
atribui significado a um estímulo. Seu cérebro constrói uma emoção ou
sentimento para descrever sua situação atual, e isso significa que um desejo
só pode ocorrer depois que você perceba uma oportunidade.
Felicidade é simplesmente a ausência de desejo. Quando você observa
um estímulo, mas não deseja mudar seu estado, fica satisfeito com a
situação atual. Felicidade não é a realização do prazer (que é alegria ou
satisfação), mas a falta de desejo. Ela chega quando você não tem vontade de se sentir diferente. É o estado que você alcança quando não quer mais
mudar seu estado.
No entanto, a felicidade é fugaz porque sempre surge um novo desejo.
Como diz Caed Budris: “Felicidade é o espaço entre um desejo sendo
realizado e um novo se formando.” Da mesma forma, o sofrimento é o
espaço entre o desejo de uma mudança de estado e sua satisfação.
É a ideia de prazer que perseguimos. Buscamos a imagem de prazer que
criamos em nossas mentes. No momento da ação, não sabemos como será
atingir essa imagem (ou mesmo se ela nos satisfará). O sentimento de
satisfação só vem depois. É isso que o neurologista austríaco Victor Frankl
quis dizer quando declarou que a felicidade não pode ser perseguida, deve
acontecer. O desejo deve ser perseguido. O prazer decorre da ação.
A paz ocorre quando você não transforma suas observações em
problemas. O primeiro passo em qualquer comportamento é a observação.
Você percebe um estímulo, uma informação, um evento. Se não deseja agir
de acordo com o que observa, então está em paz.
O desejo é querer consertar tudo. Observação sem desejo é a percepção de
que você não precisa consertar nada. Seus desejos não estão descontrolados.
Você não almeja uma mudança no estado. Sua mente não gera um problema
para você resolver. Você está simplesmente observando e existindo.
Com um por que grande o bastantevocê pode superar qualquer como.
De acordo com a famosa frase de Friedrich Nietzsche, o filósofo e poeta
alemão: “Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase todos
os comos.” Essa frase abriga uma importante verdade sobre o
comportamento humano. Se a sua motivação e desejo forem grandes o
bastante (isto é, o porquê estiver agindo), você vai agir mesmo quando for
muito difícil. Um grande desejo potencializa uma grande ação — mesmo
quando há muita resistência.
Ser curioso é melhor do que ser inteligente. Ser motivado e curioso
conta mais do que ser inteligente porque leva à ação. Ser inteligente nunca
fornecerá resultados por si só, porque não o faz agir. É o desejo, não a
inteligência, que instiga o comportamento. Como diz Naval Ravikant: “O
segredo para fazer qualquer coisa é primeiro cultivar um desejo por ela.”
Emoções impulsionam o comportamento. Toda decisão é emocional em
algum nível. Quaisquer que sejam suas razões lógicas, você só se sente
obrigado a agir pela emoção. De fato, pessoas com danos nos centros
emocionais do cérebro conseguem listar muitas razões para agir, mas ainda
assim não agirão, porque falta a emoção para impulsioná-las. É por isso que
o desejo vem antes da resposta. O sentimento vem primeiro, depois, o
comportamento.
Só podemos ser racionais e lógicos depois determos sido emocionais.
O modo de ação principal do cérebro é sentir; o secundário é pensar. Nossa
primeira resposta — a parte rápida e não consciente do cérebro — é
otimizada para sentir e prever. Nossa segunda resposta — a porção lenta e
consciente do cérebro — é a parte que “pensa”.
Os psicólogos se referem a isso como Sistema 1 (sentimentos e
julgamentos rápidos) versus Sistema 2 (análise racional). Primeiro vem o
sentimento (Sistema 1); a racionalidade só intervém depois (Sistema 2).
Isso funciona muito bem quando os dois estão alinhados, mas resulta em
um pensamento ilógico e emocional quando não estão.
Sua resposta tende a seguir suas emoções. Nossos pensamentos e ações
estão enraizados no que achamos atraente, não necessariamente no que é
lógico. Duas pessoas podem perceber o mesmo conjunto de fatos e
responder de maneira muito diferente, porque executam esses fatos por
meio de seu filtro emocional único. Essa é uma razão pela qual apelar à
emoção é tipicamente mais poderoso do que à razão. Se um tópico desperta o lado emocional de uma pessoa, ela dificilmente se interessará pelos dados.
É por isso que as emoções são uma ameaça para a tomada de decisões
sábias.
Dito de outra forma: a maioria das pessoas acredita que a resposta
razoável é aquela que as beneficia, aquela que satisfaz seus desejos.
Abordar uma situação a partir de uma posição emocional mais neutra
permite basear sua resposta nos dados e não na emoção.
O sofrimento impulsiona o progresso. A fonte de todo sofrimento é o
desejo de uma mudança de estado. Essa é também a fonte de todo
progresso. O desejo de mudar seu estado é o que lhe dá poderes para agir. É
desejar mais que impulsiona a humanidade a buscar melhorias, desenvolver
novas tecnologias e alcançar um nível mais alto. Com o desejo, estamos
insatisfeitos, mas motivados. Sem desejo, estamos satisfeitos, mas sem
ambição.
Suas ações revelam o quanto você quer alguma coisa. Se continuar
dizendo que algo é uma prioridade, mas nunca age sobre isso, então você
não o quer realmente. É hora de ter uma conversa honesta consigo mesmo.
Suas ações revelam suas verdadeiras motivações.
A recompensa está do outro lado do sacrifício. A resposta (sacrifício de
energia) sempre precede a recompensa (a coleção de recursos). O “barato
do corredor” só vem depois de uma corrida difícil. A recompensa só vem
depois que a energia é gasta.
O autocontrole é difícil porque não é satisfatório. Uma recompensa é
um resultado que satisfaz seu desejo. Ela torna o autocontrole ineficaz
porque inibir nossos desejos não costuma resolvê-los. Resistir à tentação
não satisfaz seu desejo; apenas o ignora. Isso cria espaço para o desejo
passar. O autocontrole exige que você abandone o desejo em vez de
satisfazê-lo.
Nossas expectativas determinam nossa satisfação. A diferença entre
nossos desejos e nossas recompensas determina nosso grau de satisfação
depois de agirmos. Se o desequilíbrio entre expectativas e resultados for
positivo (surpresa e deleite), então é mais provável repetirmos um
comportamento no futuro. Se o desequilíbrio for negativo (decepção e
frustração), é menos provável que o façamos.
Por exemplo, se espera receber $10 e ganha $100, você se sente ótimo. Se
espera receber $100 e ganha $10, fica desapontado. Sua expectativa muda
sua satisfação. Uma experiência mediana precedida por altas expectativas é
uma decepção. Uma experiência mediana precedida por baixas expectativas
é um prazer. Quando o gosto e o desejo são aproximadamente iguais, você
se sente satisfeito.
Satisfação = Gostar – Desejar
Essa é a sabedoria por trás da famosa frase de Seneca: “Ser pobre não é
ter muito pouco, é querer mais.” Se seus desejos forem superiores ao que
gosta, você sempre ficará insatisfeito. Estará perpetuamente atribuindo mais
peso ao problema do que à solução.
A felicidade é relativa. Quando comecei a compartilhar minha escrita
publicamente, demorei três meses para conseguir mil inscritos. Quando
atingi esse marco, contei para meus pais e minha namorada. Nós
celebramos. Eu me senti animado e motivado. Alguns anos depois, notei
que mil pessoas se inscreviam por dia. E mesmo assim nem pensei em
contar a ninguém. Parecia normal. Meus resultados eram 90 vezes mais
rápidos do que antes, mas sentia pouco prazer com isso. Somente alguns dias depois percebi como era absurdo não estar comemorando algo que teria
parecido um sonho apenas alguns anos antes.
A dor do fracasso se correlaciona com o nível da expectativa. Quando
o desejo é grande, dói não gostar do resultado. Não conseguir algo que quer
dói mais do que não conseguir algo que não esperava. É por isso que as
pessoas dizem: “Não quero criar muitas expectativas.”
Sentimentos vêm antes e depois do comportamento. Antes de agir, há
um sentimento que o motiva a agir — o desejo. Depois de agir, há um
sentimento que o ensina a repetir a ação no futuro — a recompensa.
Estímulo > Desejo (Sentimento) > Resposta > Recompensa (Sentimento)
Como nos sentimos influencia o modo como agimos, que por sua vez
influencia como nos sentimos.
O desejo desperta. O prazer sustenta. Desejar e gostar são dois
impulsionadores do comportamento. Se algo não for desejável, você não
tem razão para fazê-lo. Anseio e desejo são o que iniciam um
comportamento. Mas se algo não for agradável, você não tem motivo para
repeti-lo. Prazer e satisfação são o que sustentam um comportamento.
Sentir-se motivado faz com que você aja. Sentir-se bem-sucedido faz com
que você repita a ação.
A esperança declina com a experiência e é substituída pela aceitação.
Na primeira vez que surge uma oportunidade, há esperança do que pode se
realizar. Sua expectativa (desejos) é baseada exclusivamente na promessa.
Na segunda vez, sua expectativa é fundamentada na realidade. Você começa
a entender como o processo funciona e sua esperança é gradualmente substituída por uma previsão mais precisa e pela aceitação do resultado
provável.
Essa é uma das razões pelas quais continuamos a nos agarrar à última
novidade para perder peso ou ficar rico rápido. Novos planos oferecem
esperança porque não temos experiências para fundamentar nossas
expectativas. Novas estratégias parecem mais atraentes do que as antigas,
porque elas podem ter esperanças ilimitadas. Como Aristóteles observou:
“A juventude é facilmente enganada porque é rápida em ter esperança.”
Talvez isso possa ser adaptado para: “A juventude é facilmente enganada
porque só tem esperança.” Não há experiência para fundamentar a
expectativa. No começo, a esperança é tudo que você tem.
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