Hábitos Atômicos

James Clear · Capítulo 16 de 26

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Hábitos Atômicos

A Regra Essencial da Mudança de Comportamento

A 4ª LEI

 

Torne-o Satisfatório

 

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A Regra Essencial da Mudança de

 

Comportamento

 

N O FINAL DOS ANOS 1990, um funcionário de saúde pública chamado Stephen Luby deixou sua cidade natal de Omaha, Nebraska, e

comprou uma passagem só de ida para Karachi, Paquistão.

Karachi era uma das cidades mais populosas do mundo. Em 1998, mais de

9 milhões de pessoas a chamavam de lar. Era o centro econômico do

Paquistão e um eixo de transporte, com alguns dos aeroportos e portos

marítimos mais ativos da região. Nas áreas comerciais da cidade, você

encontra todas as comodidades urbanas padrão e movimentadas ruas

centrais. Mas Karachi também era uma das cidades menos habitáveis do

mundo.

Mais de 60% dos moradores de Karachi viviam em loteamentos

clandestinos e favelas. Esses bairros densamente povoados eram repletos de

casas improvisadas feitas de tábuas velhas, blocos de concreto e outros

materiais descartados. Não havia sistema de coleta de lixo, rede elétrica

nem abastecimento de água potável. Quando secas, as ruas eram uma

combinação de poeira e lixo. Quando molhadas, se tornavam um poço

lamacento de esgoto. Colônias de mosquitos prosperaram em poças de água

estagnada e crianças brincavam em meio ao lixo.

As condições insalubres levavam à disseminação de enfermidades e

doenças. Fontes de água contaminada causavam epidemias de diarreia,

vômitos e dor abdominal. Quase um terço das crianças que viviam lá eram

desnutridas. Com tantas pessoas espremidas em um espaço tão pequeno,

vírus e infecções bacterianas se espalhavam rapidamente. Foi essa crise de

saúde pública que levou Stephen Luby ao Paquistão.

Luby e sua equipe perceberam que, em um ambiente com saneamento

deficiente, o simples hábito de lavar as mãos poderia fazer uma diferença

real na saúde dos moradores. Mas logo descobriram que muitas pessoas já

sabiam que lavar as mãos era importante.

No entanto, apesar desse conhecimento, muitos moradores lavavam as

mãos de maneira descuidada. Algumas pessoas simplesmente passavam as

mãos na água rapidamente. Outros só lavavam uma das mãos. Muitos

simplesmente se esqueciam de lavar as mãos antes de preparar a comida.

Todos disseram que lavar as mãos era importante, mas poucas pessoas

criaram um hábito. O problema não era conhecimento. O problema era

consistência.

Foi quando Luby e sua equipe fizeram uma parceria com a Procter &

Gamble para abastecer o bairro com o sabão Safeguard. Comparado com

sua barra de sabão padrão, usar o Safeguard era uma experiência mais

agradável.

“No Paquistão, o Safeguard era um sabonete premium”, disse-me Luby.

“Os participantes do estudo costumavam mencionar o quanto gostavam da

experiência.” O sabonete espumava facilmente, e as pessoas conseguiam

espalhar a espuma por toda a mão. Ele cheirava muito bem.

Instantaneamente, a lavagem das mãos tornou-se um pouco mais prazerosa.

“Eu vejo o objetivo da promoção da lavagem correta das mãos não como

mudança de comportamento, mas como adoção de hábitos”, disse Luby. “É muito mais fácil para as pessoas adotarem um produto que forneça um forte

sinal sensorial positivo, por exemplo, o creme dental com sabor de menta,

do que adotar um hábito que não forneça feedback sensorial agradável,

como o uso do fio dental. A equipe de marketing da Procter & Gamble

discutiu a necessidade de criar uma experiência positiva de lavagem das

mãos.”

Em poucos meses, os pesquisadores viram uma mudança rápida na saúde

das crianças na vizinhança. A taxa de diarreia caiu 52%; a de pneumonia,

48%; e impetigo, uma infecção bacteriana de pele, em 35%.

Os efeitos de longo prazo foram ainda melhores. “Voltamos a algumas das

famílias em Karachi seis anos depois”, disse-me Luby. “Mais de 95% dos

lares que receberam gratuitamente o sabonete e foram incentivados a lavar

as mãos tinham um local para lavar as mãos com água e sabão disponível

quando a equipe de estudo retornou… Não havíamos fornecido sabonetes

ao grupo de intervenção por mais de cinco anos, mas durante o experimento

eles se tornaram tão habituados a lavar as mãos, que mantiveram a prática.”

Foi um exemplo poderoso da quarta e última Lei da Mudança de

Comportamento: torne-o satisfatório.

É mais provável repetirmos um comportamento quando a experiência é

satisfatória. É perfeitamente lógico. Sentimentos de prazer — até mesmo os

menores, como lavar as mãos com um sabão que cheira bem e têm muita

espuma — são sinais que dizem ao cérebro: “Isso é bom. Faça isso

novamente da próxima vez.” O prazer ensina a seu cérebro que vale a pena

lembrar e repetir um comportamento.

Vejamos a história da goma de mascar. O chiclete foi vendido

comercialmente ao longo dos anos 1800, mas só se tornou um hábito

mundial depois que a Wrigley o lançou, em 1891. As primeiras versões

eram feitas de resinas relativamente insossas — mastigáveis, mas não saborosas. A Wrigley revolucionou a indústria ao adicionar sabores como

menta e frutas, o que tornou o produto saboroso e agradável de usar. Então

eles deram um passo adiante e começaram a promover a goma de mascar

como uma forma de manter a boca limpa. Os anúncios diziam aos leitores

para “Refrescar o paladar”.

Sabores gostosos e uma sensação de boca fresca forneciam pequenos

pedaços de reforço imediato e tornavam o produto satisfatório para uso. O

consumo disparou, e a Wrigley tornou-se a maior fabricante de chicletes do

mundo.

O creme dental teve uma trajetória semelhante. Os fabricantes

conseguiram um enorme sucesso quando adicionaram sabores como

hortelã, menta e canela a seus produtos. Esses sabores não melhoram a

eficácia do creme dental. Simplesmente criam uma sensação de “boca

limpa” e tornam a experiência de escovar os dentes mais prazerosa. Minha

esposa parou de usar Sensodyne porque não gostava do sabor. Ela mudou

para uma marca com um sabor de menta mais forte, que provou ser mais

satisfatório.

Por outro lado, se uma experiência não é satisfatória, temos poucas razões

para repeti-la. Em minha pesquisa, me deparei com a história de uma

mulher que tinha um parente narcisista que a deixava louca. Em uma

tentativa de passar menos tempo com esse egomaníaco, ela agia da forma

mais chata e tola possível sempre que ele estava por perto. Depois de alguns

encontros, ele começou a evitá-la porque a achava desinteressante demais.

Histórias como essas são evidências da Regra Essencial de Mudança de

Comportamento: o que é recompensado é repetido. O que é punido é

evitado. Você aprende o que fazer no futuro com base no que foi

recompensado (ou punido) por fazer no passado. Emoções positivas

cultivam hábitos. Emoções negativas os destroem.

As três primeiras Leis da Mudança de Comportamento — torne-o claro,

torne-o atraente e torne-o fácil — aumentam as chances de que um

comportamento seja executado desta vez. A 4a Lei da Mudança de

Comportamento — torne-o satisfatório — aumenta as chances de que um

comportamento se repita da próxima. Isso completa o ciclo de hábitos.

Mas há um segredo. Nós não estamos procurando por qualquer tipo de

satisfação. Estamos à procura de satisfação imediata.

 

O DESCOMPASSO ENTRE A RECOMPENSA IMEDIATA E A

TARDIA

 

Imagine que você é um animal que vaga pelas planícies da África — uma

girafa, um elefante ou um leão. Em qualquer dia, a maioria de suas decisões

tem um impacto imediato. Você está sempre pensando no que comer, onde

dormir ou como evitar um predador. Está constantemente focado no

presente ou no futuro muito próximo. Vive no que os cientistas chamam de

ambiente de recompensa imediata porque suas ações proporcionam

instantaneamente resultados claros e imediatos.

Agora volte para seu eu humano. Na sociedade moderna, muitas das

escolhas que você faz hoje não o beneficiam imediatamente. Se fizer um

bom trabalho, receberá um cheque de pagamento em algumas semanas. Se

você se exercitar hoje, talvez não esteja acima do peso no ano que vem. Se

economizar dinheiro agora, talvez tenha o suficiente para a aposentadoria

daqui a décadas. Você vive no que os cientistas chamam de ambiente de

recompensa tardia porque pode ter que trabalhar por anos antes de que suas

ações proporcionem a recompensa pretendida.

O cérebro humano não evoluiu para a vida em um ambiente de

recompensa tardia. Os primeiros fósseis de humanos modernos, conhecidos

como Homo sapiens sapiens, têm aproximadamente 200 mil anos de idade. Esses foram os primeiros humanos a ter um cérebro relativamente

semelhante ao nosso. Em particular, o neocórtex — a parte mais nova do

cérebro e da região responsável por funções superiores, como a linguagem

— tem mais ou menos o mesmo tamanho há 200 mil anos. Você dispõe do

mesmo hardware que seus ancestrais paleolíticos.

Apenas recentemente — nos últimos 500 anos — a sociedade mudou para

um ambiente predominantemente de recompensa tardia.1 Em comparação

com a idade do cérebro, a sociedade moderna é nova em folha. Nos últimos

100 anos, vimos o surgimento dos automóveis, do avião, da televisão, do

computador pessoal, da internet, do smartphone e da Beyoncé. O mundo se

transformou muito nos últimos anos, mas a natureza humana, pouco.

Semelhantes a outros animais da savana africana, nossos ancestrais

passavam seus dias respondendo a graves ameaças, garantindo a próxima

refeição e refugiando-se de uma tempestade. Faz sentido atribuir um valor

alto na gratificação instantânea. O futuro distante era menos importante. E

depois de milhares de gerações em um ambiente de recompensa imediata,

nosso cérebro evoluiu para preferir retornos rápidos aos de longo prazo.

Economistas comportamentais referem-se a essa tendência como

inconsistência de tempo. Isto é, a forma como o cérebro avalia as

recompensas é inconsistente ao longo do tempo.2 Você valoriza o presente

mais que o futuro. Normalmente, essa tendência nos serve bem. Uma

recompensa certa agora normalmente vale mais do que uma meramente

possível no futuro. Mas, ocasionalmente, nosso viés em relação à

gratificação instantânea causa problemas.

Por que alguém fuma se sabe que aumenta o risco de câncer de pulmão?

Por que alguém come demais quando sabe que aumenta o risco de

obesidade? Por que alguém faz sexo desprotegido se sabe que pode resultar

em infecção sexualmente transmissível? Depois de entender como o cérebro prioriza as recompensas, as respostas se tornam claras: as consequências

dos maus hábitos são tardias, enquanto as recompensas são imediatas.

Fumar pode matá-lo em dez anos, mas reduz o estresse e alivia seus desejos

de nicotina agora. Comer demais é prejudicial em longo prazo, mas

apetitoso no momento. Sexo — seguro ou não — proporciona prazer

imediato. Doenças e infecções não se manifestam por dias, semanas ou

mesmo anos.

Todo hábito produz múltiplos resultados ao longo do tempo. Infelizmente,

esses resultados costumam estar desalinhados. Com nossos maus hábitos, o

resultado imediato geralmente parece bom, mas o resultado final é ruim.

Com bons hábitos, é o inverso: o resultado imediato é desagradável, mas o

resultado final é bom. O economista francês Frédéric Bastiat explicou

claramente o problema quando escreveu: “Quase sempre acontece que,

quando a consequência imediata é favorável, as tardias são desastrosas e

vice-versa… Muitas vezes, quanto mais doce é o primeiro fruto de um

hábito, mais amargos são seus frutos posteriores.”

Em outras palavras, os custos de seus bons hábitos estão no presente. Os

de seus maus hábitos, no futuro.

A tendência do cérebro de priorizar o momento presente significa que

você não pode confiar em boas intenções. Quando faz um plano — para

perder peso, escrever um livro ou aprender um idioma — você está

realmente fazendo planos para o seu futuro. E quando imagina como quer

que sua vida seja, é fácil ver o valor em tomar ações com benefícios em

longo prazo. Todos queremos vidas melhores para nossos futuros eus. No

entanto, quando chega o momento da decisão, a gratificação instantânea

geralmente ganha. Você não está mais fazendo uma escolha para o Você

Futuro que sonha em ser mais capaz, mais rico ou mais feliz. Você está

escolhendo o Você Presente, que quer ser satisfeito, mimado e entretido. Como regra geral, quanto mais imediato for o prazer que recebe de uma

ação, mais fortemente deve questionar se ela se alinha com seus objetivos

de longo prazo.3

Com uma compreensão mais completa do que faz com que nosso cérebro

repita alguns comportamentos e evite outros, vamos atualizar a Regra

Essencial da Mudança de Comportamento: o que é imediatamente

recompensado é repetido. O que é imediatamente punido é evitado.

Nossa preferência pela gratificação instantânea revela uma verdade

importante sobre o sucesso: por causa da maneira como somos

programados, a maioria das pessoas passa o dia inteiro correndo atrás de

pequenos episódios de rápida satisfação. A estrada menos percorrida é a da

gratificação tardia. Se estiver disposto a esperar pelas recompensas,

enfrentará menos concorrência e, frequentemente, obterá uma recompensa

maior. Como diz o ditado, o último quilômetro é sempre o menos

percorrido.

A pesquisa mostrou exatamente isso. Pessoas que são melhores em

retardar a gratificação têm maiores notas em provas de conhecimento,

menores níveis de abuso de substâncias, menor probabilidade de obesidade,

melhores respostas ao estresse e habilidades sociais superiores. Todos nós já

vimos isso em ação em nossas próprias vidas. Se adiar assistir à televisão e

fazer primeiro o dever de casa, geralmente aprenderá mais e obterá notas

melhores. Se não comprar sobremesas e batatas fritas, normalmente vai

comer alimentos mais saudáveis quando chegar em casa. Em algum

momento, o sucesso em quase todos os campos exige que você ignore uma

recompensa imediata em favor de uma tardia.

Aqui está o problema: a maioria das pessoas sabe que adiar a gratificação

é a abordagem sábia. Elas querem os benefícios dos bons hábitos: ser

saudáveis, produtivos, estar em paz. Mas esses resultados raramente são a principal preocupação no momento decisivo. Felizmente, é possível treinar-

se para adiar a gratificação — mas você precisa trabalhar em consonância

com a natureza humana, não contra ela. A melhor maneira de fazer isso é

adicionar um pouco de prazer imediato aos hábitos que valem a pena em

longo prazo e um pouco de dor imediata para aqueles que não trazem

recompensas tardias.

 

COMO USAR A GRATIFICAÇÃO INSTANTÂNEA A SEU FAVOR

 

O mais importante em adquirir um hábito duradouro é se sentir bem-

sucedido — mesmo que seja uma pequena vitória. O sentimento de sucesso

é um sinal de que seu hábito e o trabalho valeram a pena.

Em um mundo perfeito, a recompensa por um bom hábito é o próprio

hábito. No mundo real, bons hábitos tendem a valer a pena apenas depois de

terem lhe proporcionado alguma coisa. No começo, tudo é sacrifício. Você

já foi à academia algumas vezes, mas não está mais forte, mais capaz ou

mais rápido — pelo menos, não de modo perceptível. Apenas alguns meses

depois, quando perder alguns quilos ou seus braços ganharem um pouco de

definição, torna-se mais fácil se exercitar por si mesmo. No começo, você

precisa de um motivo para permanecer no caminho certo. É por isso que as

recompensas imediatas são essenciais. Elas o deixam animado enquanto as

tardias vão se acumulando no plano de fundo.

O que estamos realmente falando — ao tratar das recompensas imediatas

— é do fim de um comportamento. O término de qualquer experiência é

essencial, porque tendemos a nos lembrar mais dela do que de outras fases.

Você quer que o final do seu hábito seja satisfatório. A melhor abordagem é

usar o reforço, que se refere ao processo de usar uma recompensa imediata

para aumentar a taxa de um comportamento. O empilhamento de hábitos,

que abordamos no Capítulo 5, vincula seu hábito a um estímulo imediato, tornando-o claro no início. O reforço vincula seu hábito a uma recompensa

imediata, o que o torna satisfatório no final.

O reforço imediato pode ser especialmente útil ao lidar com hábitos de

evitação, que são os comportamentos que você quer parar de fazer. Pode ser

um desafio manter hábitos como “não fazer compras frívolas” ou “não

beber álcool este mês”, porque nada acontece quando se deixa de beber no

happy hour ou não se compra aquele par de sapatos. Pode ser difícil sentir-

se satisfeito quando não há ação em primeiro lugar. Tudo o que está fazendo

é resistir à tentação, e não há muita satisfação nisso.

Uma solução é inverter a situação. Você precisa tornar a evitação visível.

Abra uma conta poupança e a nomeie com algo que deseja comprar, talvez

“Jaqueta de Couro”. Sempre que conseguir evitar gastar em alguma coisa,

coloque a mesma quantia de dinheiro na conta. Não tomou café da manhã?

Transfira R$20,00. Deixou de assinar a Netflix por um mês? Transfira mais

R$30,00. É como criar um programa de fidelidade para você. A recompensa

imediata de se ver poupando dinheiro para a jaqueta de couro parece muito

melhor do que a privação. Você está fazendo com que seja gratificante não

fazer nada.

Um dos meus leitores e sua esposa usaram uma configuração semelhante.

Eles queriam parar de comer fora e começar a cozinhar mais juntos. Eles

nomearam sua conta poupança como “Viagem à Europa”. Sempre que

deixavam de ir a um restaurante, transferiam US$50 para essa conta. No

final do ano, eles tinham juntado o dinheiro para as férias.

Vale a pena notar que é importante selecionar recompensas de curto prazo

que reforcem seu senso de identidade e não aquelas que o contrariam.

Comprar uma jaqueta nova é bom se você está tentando perder peso ou ler

mais livros, mas não funciona se está tentando equilibrar o orçamento e

economizar dinheiro. Em vez disso, tomar um banho de espuma ou passear tranquilamente é um bom exemplo de se recompensar com o tempo livre,

que se alinha com seu objetivo final de maior liberdade e independência

financeira. Da mesma forma, se sua recompensa por se exercitar for comer

uma tigela de sorvete, você está depositando votos para identidades

conflitantes, o que é perda de tempo. Em vez disso, talvez sua recompensa

seja uma massagem, que é tanto um luxo quanto um voto para cuidar do seu

corpo. Agora a recompensa de curto prazo está alinhada com sua visão de

longo prazo de ser uma pessoa saudável.

Em certo ponto, conforme as recompensas intrínsecas como melhor

humor, mais energia e estresse reduzido produzirem efeito, você se tornará

menos preocupado em buscar a recompensa secundária. A identidade em si

se tornará o reforço. Você repete a ação porque está em consonância com

sua identidade, e é bom ser você. Quanto mais um hábito se torna parte de

sua vida, menos você precisa de incentivo externo para seguir adiante.

Incentivos podem criar um hábito. Mas é a identidade que o sustenta.

Com isso em mente, leva tempo para as evidências se acumularem e uma

nova identidade surgir. O reforço imediato ajuda a manter a motivação em

curto prazo enquanto você espera pela recompensa de longo prazo.

Em resumo, um hábito precisa ser agradável para durar. Pequenos

reforços — um sabonete cheiroso, uma pasta de dentes refrescante ou juntar

R$500,00 na sua conta poupança — podem oferecer o prazer imediato de

que você precisa para desfrutar de um hábito. E a mudança é fácil quando é

agradável.

 

Resumo do Capítulo

 

A 4ª Lei da Mudança de Comportamento é torne-o satisfatório.

 

É mais provável repetirmos um comportamento quando a

experiência é satisfatória.

O cérebro humano evoluiu para priorizar recompensas imediatas

em detrimento das tardias.

A regra essencial da mudança do comportamento é: o que é

imediatamente recompensado é repetido. O que é imediatamente

punido é evitado.

Para criar um hábito, você precisa se sentir imediatamente bem-

sucedido — mesmo que seja uma pequena vitória.

As três primeiras Leis da Mudança de Comportamento — torne-o

claro, torne-o atraente e torne-o fácil — aumentam as chances de

que um comportamento seja executado desta vez. A 4ª Lei da

Mudança de Comportamento — torne-o satisfatório — aumenta as

chances de que um comportamento seja repetido na próxima.

 

1 A mudança para um ambiente de recompensa tardia provavelmente começou em torno do advento da agricultura, há 10 mil anos, quando agricultores começaram a plantar prevendo uma colheita meses depois. No entanto, somente nos últimos séculos nossas vidas se tornaram repletas de opções de recompensa tardia: planejamento de carreira, de aposentadoria, de férias e tudo mais que ocupe nossos calendários.

2 A inconsistência de tempo é também referida como desconto hiperbólico.

3 Isso pode inviabilizar nossa tomada de decisão também. O cérebro superestima o perigo de qualquer coisa que pareça uma ameaça imediata, mas quase não tem probabilidade de ocorrer: seu avião cair durante um pouco de turbulência, um ladrão invadir a casa enquanto você está sozinho, um terrorista explodir o ônibus. Enquanto isso, subestima o que parece ser uma ameaça distante, mas muito provável: o acúmulo constante de gordura por comer alimentos não saudáveis, a gradual decadência de seus músculos de ficar sentado o tempo todo, a lenta instalação da desordem quando não consegue arrumar as coisas.

 

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