Lágrimas Abençoadas
Capítulo V
Alvaro escutára o longo discurso do padre, sem quebrar-lhe a successão de palavras qual d'ellas mais tocante.
Frei Antonio por fim, abraçando-o com carinhosa effusão, perguntou:
--Vae, sr. Alvaro?
--Irei, se assim o quizer.
As muitas lagrimas de Maria, as de sua familia, as orações religiosas que pediam a Jesus Misericordioso a regeneração de Alvaro, começaram a florir, para fructos abençoados.
V
O padre separára-se no caminho, por suppor que a sua assistencia constrangeria Alvaro na presença de Maria dos Prazeres. Alvaro, porém, desde que se viu só, e á porta do mosteiro, desanimou.
Não foi o receio de ser accusado de ingrato e cruel que o susteve. Essas accusações já o frade lhe tinha dito que as não ouviria. O que lhe esfriou o alvoroço com que ia, foi um sentimento de vergonha de si proprio. Acostumado a deixar-se sempre guiar, sem combate, pelas primeiras impressões, boas ou más, Alvaro, depressa annuira a procurar sua mulher, e mais depressa foi vencido pelo orgulho que lhe dizia quanto elle ia ser pequeno diante de sua mulher.