Lágrimas Abençoadas

Camilo Castelo Branco · Capítulo 88 de 89

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Lágrimas Abençoadas

Capítulo XIX

--Deus permitta que as suas forças o deixem ir para a nossa companhia!--exclamou a sobrinha do padre.

--Poucas forças tenho; mas transportar-me-hei n'uma cadeira, e o sr. padre Antonio tomará conta das chaves d'esta casa. O meu commercio acabou; não devo, e os que me devem fôram riscados dos meus livros. Os meus negocios da vida estão fechados. Agora queria morrer vendo duas pessoas felizes ao pé de mim, e tendo á minha cabeceira um santo homem que me ajude a pedir a Deus o perdão das minhas culpas. Se eu vencer a doença, viveremos todos, ponto é que o sr. Alvaro tenha a bondade de sentar á sua mesa um homem do povo que foi escudeiro de seu pae.

Alvaro apertou-lhe, commovido, a mão. Maria, do outro lado do leito, limpava-lhe com o seu lenço o suor que lhe inundava a fronte e fr. Antonio, com palavras de jubilo, annunciava ao enfermo que não morreria ainda para testemunhar e ter quinhão na felicidade de seus sobrinhos.

 

XIX

Joaquim Nunes passou para a residencia de frei Antonio.

Nos primeiros dias a sua doença recrudesceu, consequencia do abalo physico e moral da mudança.

Depois, um ar de melhora fez crear esperanças aos facultativos. Esperanças não mentidas fôram essas, porque ao cabo de um mez de alternativas, o enfermo entrou em convalescença, e veiu a restabelecer-se.