Lágrimas Abençoadas
Capítulo X
Entraram na grade.
X
Alvaro estava em pé, com os olhos fitos na porta por onde Maria devia entrar. A prioreza, apenas entrou com a secular pela mão, disse mui affavelmente:
--Eu não esperei que me apresentassem o sr. Alvaro para ter o prazer de cumprimenta'-lo. Conheci n'esta casa suas tias-avós, conheci sua mãe, e seu pae e toda a sua familia. Até conheci um anjinho do céo, que me disseram ser esposa de v. ex.a Tratei de averiguar se era verdade. O mundo dizia que sim, o anjinho tambem dizia que sim, e eu disse sempre que não, porque não acho natural que o possuidor de um thesouro, vindo do céo, o lançasse de si. Teima a minha Maria em dizer que é sua, e eu digo que não póde ser senão de quem eu quizer. Agora é minha filha e não póde ser sua esposa, sem que v. ex. a m'a venha pedir com todas as formalidades de noivo.
--E dar-m'a-ha v. ex.a?--perguntou Alvaro correspondendo com jovialidade á graça risonha da prelada.
--Dou-lh'a--replicou a prelada--com uma condição. Há de vir viver ao pé de nós.
--Como, minha senhora?!
--Ha-de vir viver comnosco. Aposto que está lá fazendo seus entes de razão contra a violação do claustro? Eu lhe digo, meu genro, uma freira, que tem uma filha como esta, dá um testemunho de que se deixou arrastar por alguma d'essas paixões feias que são a origem d'estes anjos tão lindos! V. ex. a está-se rindo?! Então ouça-me agora seriamente, e esta Maria, que está chorando e rindo ao mesmo tempo, escute tambem. O sr. Alvaro vem viver comnosco, não é bem comnosco, porque entre a nossa casa e a sua ha uma parede. Então já sabe para onde vae?