O Canto da Sereia
Capítulo 9 Valentina Lemes
Capítulo 9
Valentina Lemes
Eu não conseguia parar de pensar em Thales. Droga! Eu não podia ter esse tipo de pensamento sobre ele, eu estava grávida do Phillip, não podia pensar em outro homem assim, e também não podia pensar em Phillip assim já que não estamos juntos. Ai meu Deus!
Eu ia saindo do meu apartamento quando encontrei Jean no hall esmurrando a porta de Thales.
— Está tudo bem? — Eu perguntei.
— Não sei, você tem visto o Thales? — Ele estava notoriamente preocupado.
— Eu o vi na segunda-feira quando jantamos juntos.
— Segunda. — Ele disse mais para si do que para mim, então parou curioso e me olhou. — Vocês jantaram juntos? — Sorriu malicioso.
— Para de infantilidade Jean, foi só um jantar mesmo, e bem peculiar para falar a verdade.
Jean me olhou desconfiado, depois olhou para a porta fechada novamente.
— Você não o envenenou não é mesmo?
— Espero que isso seja brincadeira!
— Claro que sim, desculpe por isso, não resisti. Mas estou preocupado com o Thales, liguei várias vezes mas ele não atendeu, no começo pensei que era porque eu estava meio ranzinza esses dias e nem vim jantar na segunda. Depois vim aqui e bati várias vezes também mas ninguém atende, e agora a Susan me ligou preocupada porque o restaurante avisou a ela que Thales não apareceu nem terça e nem quarta.
— Ah minha nossa! — Eu disse levando a mão à boca.
— Preciso entrar e Susan disse que ela tem uma cópia da chave dele, mas está no ap dela, e também disse que deixou com você uma cópia da chave dela para qualquer emergência, então...
— Ah sim, claro, eu vou pegar.
Mais do que depressa eu entrei em meu apartamento e alcancei o molho de chaves que estava em cima da geladeira. e corri para a porta em frente a minha.
— Você sabe onde estão as chaves? — Eu perguntei.
— Sim!
Rapidamente ele pegou as chaves e se dirigiu à porta de Thales, abriu a porta e entramos. Um barulho de algo caindo veio do quarto que devia ser do meu vizinho e em seguida outros som vieram de lá, inclusive o voz de Thales:
— Sai de cima de mim sua maluca!
Jean me olhou em dúvida e eu dei de ombros, então Thales falou novamente:
— Eu sabia que você era uma bruxa! — Ele ofegou. — Eu avisei todo mundo!
Jean franziu as sobrancelhas, olhou para a porta do quarto que estava entreaberta, em seguida olhou para mim, e novamente para a porta, e por fim para mim novamente e disse:
— Se você está aqui, qual bruxa está lá?
— Engraçadinho! Eu não faço ideia.
Ele caminhou em direção a porta do quarto e eu o segui. A cena era a mais bizarra possível, Thales rolava pelo chão em uma luta corpo a corpo com alguém que ele imaginava estar ali, porém ele estava sozinho. Jean me olhou como se me perguntasse se eu via o mesmo que ele, eu assenti e ele perguntou em alto e bom som:
— Mas o que está acontecendo aqui Thales?
O homem que enfrentava uma briga imaginária parou no mesmo momento, como se estivesse em vantagem, segurando seu oponente em baixo de si.
— Não se preocupe Jean, eu dou conta dessa bruxa maldita!
— Do que você está falando Thales? Está maluco? — Seu amigo quis saber.
— Não se engane Jean! Eu sei ela parece o Baby mas não é, na verdade ela é a Valentina.
— Não, não sou eu! — Eu disse com um tom de sarcasmo e Jean me olhou com uma sobrancelha erguida.
— Como?... Como foi que você fugiu tão rápido? Se afasta dela cara.
Thales me olhava em choque, como se eu realmente tivesse feito aquilo. Foi aí que reparei o quanto seu rosto estava vermelho e os olhos super brilhantes.
Me aproximei dele e me ajoelhei bem perto dele e coloquei minhas mãos em seu rosto.
— Ah minha nossa Thales, você está ardendo em febre! — eu afirmei e ele me olhava intrigado.
— Por que o seu cabelo está pegando fogo? — Ele perguntou sem mais nem menos.
— Ele deve estar delirando Jean, a febre deve estar muito alta, precisamos levá-lo ao hospital agora mesmo! — Eu disse.
— Ok, vamos então.
Levar Thales até a garagem e colocá-lo no carro foi um sacrifício, ele era grande e pesado demais e delirava sem parar. Já dentro do carro a caminho do hospital, ele estava apoiado em mim no banco de traz enquanto Jean dirigia.
Thales olhou bem nos meus olhos e de repente me lançou um sorriso sacana. Minha nossa! Para que isso homem? Qual a necessidade de um sorriso desses? Perfeito! Ele estava muito quente e suando, seu cabelo não estava em um coque samurai como sempre, estava solto, então eu os afastei de seu rosto para sentir melhor a sua temperatura, e ele disse em um tom que parecia que ele queria que fosse sexy:
— Ah sua diabinha, eu adorei a sua fantasia de ontem a noite. Você me deixou maluco!
Jean olhou sugestivamente pelo retrovisor, eu o ignorei e respondi ao Thales:
— Do que você está falando Thales?
— Não precisamos esconder isso do Jean, o cara é o meu melhor amigo.
— Com certeza, conta ai Thales. — Jean replicou.
— Cara, Betty Boop! Ontem a noite ela estava toda sexy vestida de Betty Boop, só para mim no meu quarto.
— Thales você está delirando, nós não nos vimos ontem. — Eu ralhei com Thales e Jean riu. — Você não está acreditando nisso não é?
— Relaxa Betty.. ops quer dizer, Valentina. — Ele disse e eu estreitei os olhos para ele.
Quando me dei conta Thales havia deitado em meu colo e estava quase dormindo. Bati em seu rosto, chamei seu nome e ele respondeu:
— Diga minha sereia, o que você quer? Cante para mim sereia dos cabelos de fogo!
— Era só o que me faltava!
— Chegamos! — Anunciou Jean ao estacionar o carro.
Levamos Thales para dentro da recepção da emergência do hospital e Jean sentou com ele em um dos bancos enquanto eu ia até o balcão preencher sua ficha. Minhas mãos tremiam segurando a caneta e os documentos do meu vizinho delirante, e depois de tudo preenchido a enfermeira nos encaminhou até o consultório médico nos avisando que o doutor já havia sido avisado e se dirigia para cá.
Eu estava em pé e quando me virei Thales estava com as mãos no rosto de Jean e o olhava de maneira estranha, Jean riu e disse.
— Isso está ficando estranho cara!
Thales o ignorou e se aproximou mais do amigo, então ele pronunciou meu nome e tentou beijar Jean na boca. Eu cobri o rosto com as mãos mas não consegui segurar o riso.
— Ah, pára com isso cara! Está louco irmão? — Jean dizia se desviando do amigo e deitando-o na maca.
O médico entrou na sala, um senhor na faixa dos 50 anos, e se apresentou como Sr. Medeiros. Ele examinou Thales e disse que era somente uma gripe, muito forte, porém gripe. A febre era o mais preocupante, estava alta demais, esse era realmente o motivo dos delírios e disse que assim que conseguissem baixar a febre, Thales poderia voltar para casa, mas precisaria que alguém ficasse com ele para controlar a febre.
Thales tomou um antitérmico e também um belo soro na veia para hidrata-lo. Agora ele dormia serenamente e a febre começava a ceder quando Jean retornou ao quarto do hospital trazendo dois copos de café.
— A febre está cedendo. — Eu o informei e ele suspirou aliviado.
— Ainda bem. Vou ficar essa noite com ele, mas amanhã eu tenho que viajar, não queria ter que cancelar esse compromisso, é muito importante para mim. — Ele disse meio desanimado.
— Tudo bem, pode ir, eu fico com ele. Aliás se ele tomar os remédios certinho serão apenas um dia ou dois não é mesmo? — Eu me ofereci para ajudar.
— Sim, um dia ou dois, mas você tem certeza? Quer dizer... está tudo bem? — Ele quis saber.
— Ah tudo bem! Como eu trabalho em casa não vai haver problemas, posso ir de hora em hora lá para vê-lo durante o dia e passo a noite lá.
— Legal! Obrigado. — Ele foi sincero no agradecimento e eu assenti.
Algumas hora se passaram e Thales acordou, sua temperatura estava normalizada. O médico o liberou mas instruiu para que fizesse o uso correto dos medicamentos, pois a febre voltaria com certeza, então seguimos para casa.
Thales ficou o caminho todo calado, e quando chegamos em casa ele parou na porta e disse:
— Obrigado e desculpe qualquer inconveniente.
— Tudo bem! Boa noite, e qualquer coisa me chamem. — Eu disse e Jean concordou eu entrei em meu apartamento e eles entraram no de Thales.