O Canto da Sereia

Fran NaNii · Capítulo 12 de 28

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O Canto da Sereia

Capítulo 12 Valentina Lemes

Capítulo 12

 

Valentina Lemes

 

Thales resmungou em frustração e se afastou virando de costas para mim e tocando com a cabeça na parede. Eu me aprumei para abrir a porta mas antes que eu chegasse lá a maçaneta girou e Susan com toda a sua super animação invadiu meu apartamento e me abraçou e começou a falar sem me soltar de seu aperto.

— Tina! Senti tanto a sua falta, como você está? — Ela não me deixou responder, só ela falava por nós duas. — Você tem tido muito trabalho com Thales? Mas pensa pelo lado bom, aposto que você viu ele sem camisa e isso já compensa não é? — Ela não tinha notado Thales do lado oposto do cômodo. — Eu sei que homem doente dá trabalho ainda mais sendo Thales, ele deve estar sendo muito mole, é mesmo um bebê chorão.

Ela falava mas meus olhos estavam em Thales que agora estava com as costas apoiadas na parede e os braços fortes cruzados na frente do peito,e o vi erguer uma sobrancelha, então ele perguntou:

— Este bebê chorão?

Susan me soltou no susto e se virou para Thales, eu segurava para não rir da expressão de culpa dela, mas Thales estava sério, não acho que ele tenha se chateado com o que Susan havia dito, mas que algo o incomodava era óbvio.

— Thales, não sabia que você estava aqui, você está bem? Se sente melhor? Você parece bem, muito bem! — Ela tagarelava.

— O que você está fazendo aqui Susan? Não estava viajando? — Perguntou Thales já de mal humor.

— Também senti a sua falta Thales querido! — Ela disse e ele estreitou os olhos.

— Você não ia ficar até não sei que dia curtindo as suas férias? — Ele inquiriu.

— Sim, no litoral mas tive um imprevisto e voltei antes!

— Sei!

— Quanto mal humor! Sabe isso não me incomoda nem um pouco, aliás o que você está fazendo aqui?

— Estávamos jantando. — Eu informei a Susan.

— Ótimo estou morrendo de fome, o que tem para comer? — Susan se animou mais.

Thales gemeu e eu lhe lancei um olhar de advertência.

— Pasta ao pesto.

— Ótimo!

 

Aquela noite fui dormir com um sorriso no rosto, eu não conseguia controlar, sei que o beijo não chegou de fato rolar mas fiquei imaginando o que teria acontecido se caso minha amiga não tivesse chegado.

Meu domingo foi tranquilo, acordei cedo e fui visitar o túmulo dos meus pais, depois almocei com a Susan e passamos a tarde no parque.

— Você está tão bronzeada, esse dourado ficou lindo em você! — Eu disse a Susan.

— Ah o sol estava demais lá, deu para pegar uma cor bem legal não é?!

— Com certeza!

— E então me conta qual foi a das alucinações? Quer dizer... Betty Boop? — Ela perguntou sem esconder o divertimento.

— Você pode me culpar? — Eu perguntei me deitando na grama.

— Não sei, ele estava tendo alucinações suas, me diz você. — Ela respondeu se deitando ao meu lado. — Por que ele estava tendo alucinações com você?

— Será que é porque ele estava com uma febre absurda?

— Engraçadinha!

— Eu quero sorvete! — Falei para desviar do assunto, mesmo eu não tendo culpa nisso.

— Hum é eu também.

Então consegui escapar do assunto, tomamos nosso sorvete de chocolate e caminhamos de volta para casa, estávamos do outro lado da rua quando vi o carro de Phillip parado na porta do edifício.

— Droga!

— O que foi? — Perguntou Susan.

— Phillip!

— O lutador gostosão pai do seu filho? Onde? — Ela perguntou procurando ele por todos os lados.

Eu não a respondi, fiquei cega de raiva, o que ele queria? Me levar para fazer um aborto? Nem em um milhão de anos ele conseguiria isso.

Sai da calçada para a rua com o olhar fixo na portaria do prédio, nem ao menos olhei para os lados para poder atravessar a rua, tudo pareceu acontecer em câmera lenta, ouvi o grito de Susan atrás de mim, os freios do carro tentando fazê-lo parar, então eu fui puxada para trás.

Susan e eu caímos no asfalto, quero dizer, Susan caiu no asfalto e eu caí em cima dela. O carro parou à alguns metros de nós e o motorista veio correndo até onde ainda estávamos no chão.

— Moça está tudo bem com você? — O motorista perguntou preocupado.

— Sim estou bem, está tudo bem Susan?

— Sim, foi só o susto. — Ela respondeu.

— Tem certeza moça? Eu posso chamar a emergência! — Ele insistiu.

— Tenho certeza senhor, pode seguir seu caminho. — Eu o dispensei e segui para o prédio.

Entrei no elevador e por pouco Susan não fica para trás. Ela não disse nada, apenas entendeu e quando as portas do elevador se abriram fiquei surpresa com o que vi.

Thales estava encostado em minha porta com as mãos nos bolsos da calça da maneira mais casual e relaxada possível, ele vestia uma regata branca colada em seu peitoral e um boné virado para trás. Ele estava muito sexy daquele jeito! Deus como eu queria aquele homem para mim!

Já Phillip parecia tenso mexendo incessantemente em seus cabelos, então tirou a carteira do bolso e perguntou:

— Quanto você quer? Vamos lá, me diga, não seja tímido. Eu tenho muito dinheiro, pode me dizer seu preço e eu pagarei sem reclamar.

— Não quero a porcaria do seu dinheiro! — Thales dizia. — Suma daqui e...

A frase que ele pronunciava morreu assim que seu olhar se desviou de Phillip para mim e um sorriso convencido surgiu em seus lábios.

— Então nem me diga, te darei um cheque em branco e você... — Phillip dizia mas Thales o interrompeu.

— Amor até que enfim você chegou! — Ele disse e eu o olhei confusa, quando Phill se virou para mim Thales fez sinal para que eu entrasse na onda dele.

Susan também entendeu o recado e disse primeiro:

— Desculpe chefinho, fui eu quem a atrasou, mas ela já está entregue sã e salva!

— Sem problemas, só fiquei preocupado com meu docinho. — Ele disse vindo em minha direção e passando seu braço possessivamente por meus ombros e cheirou meu cabelo.

Os olhos de Phillip queimaram feito fogo, ele estava espumando de ciúmes, e eu podia ver que ele estava quase perdendo o pouco de calma que tinha. Eu passei meu braço pela cintura de Thales, entrando em seu jogo e disse:

— O que você quer aqui Phillip?

Ele não respondeu apenas encarava Thales, que por sua vez respondeu por ele.

— Ele não quer nada demais, veio apenas te pedir desculpas pelo outro dia, mas eu disse que está tudo certo, então ele já está de saída. Bom se não se importa, — Agora ele se dirigia a Phillip. — Quero aproveitar a noite de domingo com minha namorada.

Thales olhou para mim e sorriu docemente, e então fez a última coisa que eu esperava naquele momento. Ele me beijou, começou com suavidade e depois foi tomando um ritmo diferente.

Eu sabia que aquilo era atuação, bom pelo menos no início eu sabia, mas depois se tornou algo mais intenso, sei que eu não deveria mas em certo momento, durante o beijo, eu deixei de pensar na atuação, esqueci que não estávamos sozinhos e me entreguei inteiramente ao beijo que me deixou de pernas bambas.

Thales foi arrancado a força de nosso beijo, Phillip o puxou com brutalidade, o encostou na parede e esbravejou:

— Eu te avisei para ficar longe da minha mulher!!

Thales o empurrou com força e brutalidade e respondeu:

— Ela não é sua mulher, entenda de uma vez por todas! Você a abandonou no momento mais difícil, momento esse que era para você enfrentar ao lado dela, então não seria nem um pouco difícil.

Eu me espremi em meio aos dois para tentar acalmar as coisas.

— Se acalmem por favor! — Eu pedi e os dois homens grandes se encaravam duramente, eu me virei de frente para Thales. — Meu bem a gente pode entrar por favor?

Thales abaixou o olhar para meus olhos e respirou pesadamente. Eu peguei em sua mão e o puxei em direção ao meu apartamento, mas é claro que Phillip não ia aceitar tão facilmente.

— Eu te amei! — Ele riu amargamente e o som reverberou no fundo dos meus ossos. — Eu realmente te amei e acreditei que você me amava também e na primeira oportunidade você arrumou outro. Eu estava muito enganado sobre seu caráter Valentina Lemes, você não é nem a metade da mulher que eu achei que você era.

— Foi você quem me deixou Phillip! — Eu disse e continuei o caminho levando Thales comigo.

— Você não quis nem mesmo tentar resolver o problema, eu precisava te dar um espaço para você poder colocar as idéias no lugar, essa coisa que está dentro de você nem mesmo estava te deixando pensar. — Ele despejou tudo de uma vez e eu parei de andar na mesma hora.

— BEBÊ! — Eu gritei. — Fala direito, ele não é uma coisa, é um bebezinho.

Thales me segurou e falou:

— Calma, isso pode fazer mal para o bebê. — Então ele se virou para Phillip. — O único problema que ela tinha era você, mas agora você já não faz mais parte da vida dela e isso é culpa só sua. Saia ou vou chamar a segurança. Aliás já vou deixar avisado lá embaixo que a sua entrada no edifício está proibida.

Phillip olhou para mim e eu apenas disse:

— Saia! — E virei as costas para ele.

Ele entrou no elevador mas antes que o elevador fechasse ele falou:

— Você está bem enganada sobre tudo Tina, principalmente sobre esse cara e eu vou começar te provando que ele não é tudo o que aparenta ser. — Então as portas do elevador se fecharam.

Soltei todo o ar que eu segurava por algum motivo e me senti cansada, muito cansada, agora eu começava a notar uma dor no braço e em uma das pernas, provavelmente provocadas pelo quase acidente ocorrido pouco tempo antes, eu abri a porta do apartamento.

— Ah, você está bem Tina? — Perguntou Susan que eu até já tinha esquecido que estava ali também.

— Sim! — Respondi simplesmente.

— E o acidente lá embaixo, você acha que precisa ir a sua médica? — Ela fez outra pergunta, estava realmente preocupada.

— Que acidente? — Thales, confuso, quis saber.

— Não foi nada, eu estou bem, só preciso descansar.

Thales fez um sinal nada discreto para que Susan entrasse e nos deixasse a sós e foi o que ela fez mais que depressa.

— Será que podemos conversar por alguns minutos por favor? — Ele me pediu.

— Não! Eu estou cansada, essa conversa vai ter que ficar para outro dia, mas mesmo assim obrigado pelo que fez hoje.

Ele assentiu e eu entrei fechando a porta atrás de mim.