O Canto da Sereia
Capítulo 22 Thales Boldrini
Capítulo 22
Thales Boldrini
— Desembucha Thales. — Pediu Jean depois de abrir sua cerveja.
Eu respirei fundo e comecei:
— Eu queria pedi-la em casamento para podermos ser uma família de papel passado e tudo, mas certa vez ela havia me dito que quando chegasse a hora queria que fosse tudo dentro dos conformes, namorar, noivar e depois casar. — Ele assentiu confirmando que estava me ouvindo. — Então eu quis fazer da maneira dela, arrumei tudo para uma surpresa e a pediria em namoro, quando eu estava chegando em nosso prédio eu a vi mais adiante com o cara, estavam abraçados, ele beijou sua testa e a colocou dentro do carro. Ele deu a volta no carro e antes de entrar me viu e debochou de mim, eu fiquei possesso Jean, por isso você pode me culpar? — Ele olhou para mim estreitando os olhos e negou com a cabeça. — O carro partiu e eu fiquei lá feito um idiota vendo minha mulher se mandar com outro cara. Então eu fiz o que tinha que fazer para machucá-la assim como ela me machucou. Eu só fiz o mesmo que ela, a diferença é que não a enganei, no momento em que fiz isso eu assumir para todos e liberei ela imediatamente.
Meu amigo bebeu um gole de sua cerveja, em seguida arquejou e passou as mãos pelo rosto em sinal de descrença.
— Foi tudo uma porcaria de um mal entendido! — Ele constatou. — Ao menos de sua parte, mas onde Celeste entra nisso?
— Eu a procurei quando vi os dois juntos. — Respondi.
— Thales corta a conversa fiada, eu sei que você andava se encontrando com ela. — Ele acusou.
— Ela tinha uma oportunidade de especialização em Paris, eu não queria perder a oportunidade mas também não queria deixar a Valentina e a Catarina aqui, mas não teve outro jeito então recusei o convite. Celeste vivia no meu pé para me fazer mudar de idéia, ela vivia me cercando mas não tínhamos nada, não até eu ver aquela cena e procurá-la.
— E as conversas no celular? — Meu amigo inquiriu.
— Eu já disse, nossas conversas não passavam disso, ela tentava me convencer a ir para Paris e eu declinava. Aliás como você sabe disso tudo?
— Sei porque armaram para você meu amigo, e mais do que a armação ter dado certo você ainda foi e fez uma bela porcaria por cima, anulando toda e qualquer chance de futuro com a Valentina.
— Como é que é? — Perguntei
— Phillip Caleb enviou fotos suas com Celeste para o celular da Tina, depois a encurralou perto de casa e mostrou a ela suas conversas do whatsapp impressas em um papel, o que me leva a crer que Celeste tinha algum tipo de contato com ele ou ele não saberia onde e quando encontrar vocês para tirar as fotos e as conversas pelo que a Tina disse era prints de tela do celular de Celeste.
Minha mente trabalhava a mil por hora agora.
— Mas eu a vi entrar no carro e ele debochou de mim! — Eu argumentei.
— A pressão foi muito grande para a Tina, ela acabou passando mal de tão nervosa que ficou, então ele a socorreu. Você ter presenciado a cena foi só um golpe de sorte, um bônus para ele. — Jean esclareceu.
— Merda! — Eu xinguei.
— Exato! Tina passou muito mal, teve muitas dores, ficou com medo de que você a abandonasse, ela perdeu bastante líquido, ficou horas no hospital.
— E foi exatamente o que eu fiz! — Eu sentia culpa agora.
— E sabe do que mas? Quando Tina nos contou o que havia acontecido a Su queria te enforcar mas Tina disse que não poderia tomar nenhuma decisão precipitada, ela precisava ouvir de você, te dar uma chance de explicar, e ela te daria mesmo essa chance sabe? Mas aí o que houve é que você não atendeu o telefone, o cara lá se tornou o herói salvador que tanto a socorreu, quanto permaneceu ao lado dela até que Su chegasse e o mandasse embora, ele ainda pagou todas as despesas médicas da Tina que não ficaram baratas. E você fez o que meu amigo? Você fez merda! — Jean jogou na minha cara.
— Mesmo com provas, ainda que vagas, ela ainda pensava em me dar uma chance de explicar e eu ao invés de fazer o mesmo, de dar um voto de confiança à ela eu a magoei mais ainda! Como eu sou idiota!
— Você não é um idiota, mas agiu como um. E agora como vai ser?
— Vou pegar minha mulher e minha filha de volta! — Eu disse decidido.
— Não acho que vai ser tão fácil assim.
— Não, nem eu acho. Mas eu fiz merda e preciso consertar. Se eu tiver que viver até os meus ùltimos dias lutando por ela, eu o farei! — Eu prometi e meu amigo sorriu bebendo sua cerveja.
Voltamos ao hospital e assim que entramos na recepção Phillip saiu do elevador e seguia em direção a outra saída, então sem dizer nada a Jean eu fui atrás dele.
Quando já estávamos no estacionamento eu disse:
— Olha se não é o lutador babaca! — Eu provoquei e ele se virou em minha direção.
— Cozinheiro não sabia que tinha voltado! Onde está a sua namorada? — Ele perguntou com um sorriso no rosto, mas eu podia ver a impaciência que ele tentava esconder.
— Está lá dentro, no quarto com a minha filha! — Eu provoquei e ele estreitou os olhos, então me ignorou para se dirigir ao meu amigo.
— Jean tudo bem cara? Acabei de falar com a Susan lá dentro.
Então agora Jean e Susan eram amigos dele? Olhei para Jean que por sua vez evitava olhar para mim. Então olhei novamente para Phillip que sorria por ter atingido seu objetivo de me desestabilizar com a menção da suposta amizade entre ele e meus amigos.
— Então eu já vi minha filha agora preciso ir para casa. — Phillip se pronunciou novamente.
— Catarina não é sua filha! — Eu vociferei.
— Thales vamos voltar lá para dentro. — Jean pediu.
— Não! — Eu esbravejei.
— Tudo bem Jean, deixa ele. Ao que parece ele não sabe que é necessário fazer sexo para engravidar uma mulher. Porque até onde sei, mesmo que você estivesse com ela antes mesmo de eu deixá-la você não poderia engravidá-la já que nunca fizeram sexo!
Meu sangue estava fervendo!
— Já chega Phillip! — Ralhou Jean.
— Você não transou com ela né Thales? Olha você não sabe o que está perdendo.
— Cale a boca maldito!
— Ela é insaciável, uma loucura de mulher na cama. É claro que você não sabe disso, mas eu sei! E como sei!
— Eu já mandei calar a boca, não fale assim dela.
Eu comecei a caminhar na direção dele e Jean tentava me segurar.
— Thales! Thales calma cara! Thales você vai perder a razão.
Eu não queria saber de ter razão. Eu queria que ele calasse a boca.
— Afinal fui eu quem colocou a pirralha na barriga dela. E isso esclarece bem o fato de quem é o pai da menina.
Já chega eu não podia aguentar, então parti para cima dele.
Desferi uma série de socos em seu rosto, o imoral somente ria, o que incitava cada vez mais a minha raiva me fazendo bater e bater e bater sem parar. Ele em nenhum momento reagiu só ria e me provocava mais. Jean tentava me segurar mas eu estava incontrolável.
— Eu não (soco) tenho culpa (soco) se ela gosta das (soco) safadezas que eu (soco) faço com ela (soco). — Ele provocava.
Jean junto com um segurança do hospital me tiraram de cima do lutador que por algum motivo não tinha reagido aos meus golpes nem tentado se defender.
— Calma cara ou você vai piorar as coisas. — Jean pediu. — É melhor você ir para casa.
— Enquanto minha filha não sair daqui eu não vou embora! — Eu ralhei com meu amigo.
O lutador ria debochado e eu virei as costas e fui para a recepção da maternidade.