O Canto da Sereia

Fran NaNii · Capítulo 25 de 28

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O Canto da Sereia

Capítulo 25 Valentina Lemes

Capítulo 25

 

 

Valentina Lemes

 

— Shii... Calma pequenina, você está com fome não está? Vamos acordar a sua mãe. — Thales dizia a Catarina tentando acalmá-la enquanto se sentava.

— Tudo bem já estou acordada! — Eu entrei na sala.

Eu segui na direção de Thales, peguei minha filha e ela já procurava meu peito. Sentei-me no sofá mesmo e amamentei ela. Thales levantou do chão e sentou-se no sofá oposto ao que eu estava.

— Oi papaizinho! — Susan o cumprimentou.

— Bom dia Susan! — Ele respondeu.

— E então Thales hein... Me diz você, já que ela correu da conversa, você foi o papaizinho da Tina enquanto Catarina dormia?

Thales teve um ataque de tosse, mesmo ele que era amigo de Susan a bem mais tempo que eu as vezes fica em apuros nas mãos dela.

— Susana!

— Ai gente desculpa, eu só estou curiosa. Eu sei que rolou toda aquela confusão e eu sou completamente a favor de Tina te fazer sofrer bastante Thales, mas Jean também me contou o que aconteceu aquele dia com você, o que ameniza um pouco a sua culpa, mas não te faz menos idiota. Aliás te faz burro pra caramba. — Susan disparou a falar. — Você sabia Tina que ele tinha comprado alianças e flores para você naquele dia?

Eu ri sem humor, ao que parece realmente iríamos ter aquela conversa.

— Então você me comprou uma aliança e flores, e de repente decidiu que Celeste era melhor? Aliás onde ela está?

— Ah Celeste está em Paris, ela deu um puta esporro nele porque todas as noites que ele sonhava com você e ficava chamando seu nome, tipo “Valentina minha sereia eu te amo” eu sei porque Jean me contou tudo. — Susan disse a frase que Thales supostamente pronunciava durante o sono imitando a voz dele e ele gemeu de irritação.

— Eu vou matar o seu namorado Susana. — Thales falou e eu olhei para ele.

— Isso é verdade? — Eu perguntei.

— Parece que sim. — Ele respondeu fazendo cara de desgosto por ter sido descoberto.

— Bom Tina já que você ouviu essa parte de tudo o que Thales tem a te dizer então você pode ouvir todo o resto, mas olha não perdoa ele logo de cara não viu?! Faz ele sofrer um pouco mais, esses quilos que ele perdeu nesse último mês, as bolsas embaixo dos olhos que o deixou com cara de mendigo arrumadinho e todas as vezes que eu o peguei chorando quando entrei no apartamento dele sem bater não é sofrimento suficiente não.

Susan havia “armado a casinha” direitinho e Thales sorriu para ela agradecido, ela piscou para ele e disse:

— De nada! — Ela se levantou e começou a caminhar em direção a saída. — Bom agora eu vou deixar vocês dois conversarem porque tenho coisas muito importantes para fazer, vocês sabem né o de sempre, escorar barranco, chupar pregos, pentear macacos, plantar batatas e todas outras coisas interessantes desse tipo. — Dito isso ela fechou a porta atrás de si.

Eu olhei para o Thales e ele deu de ombros como se essa loucura da Susan fosse absolutamente normal então rimos dela. Logo um silêncio constrangedor surgiu. Catarina ainda mamava.

— Você também acha mesmo que estou parecendo um mendigo arrumadinho? — Ele perguntou.

— Acho. — Eu respondi simplesmente e ele riu.

O silêncio constrangedor surgiu novamente. Ele abaixou a cabeça e eu olhei bem para ele, que realmente tinha perdido alguns quilos, eu não havia notado isso antes, todos os dias ele bateu em minha porta me implorando perdão ou ao menos uma chance de falar mas eu nunca cedi, acho que minha mágoa era tão grande que nem me permitiu reparar nele além do dia que cheguei do hospital e o vi de toalha. Me levantei e coloquei Catarina em seu bercinho moisés e fiz um café.

Com duas xícaras de café nas mãos me sentei ao lado dele, lhe ofereci uma das xícara.

— Um dia você me disse que quando encontrasse o homem com quem passaria o resto da sua vida, você queria fazer tudo certo, sem pular nenhuma etapa, namorar, noivar e casar... — Ele começou a falar e só parou quando já tinha explicado tudo que tinha acontecido e que ele só soube sobre eu ter passado mal quando voltou de Paris.

Minha garganta se fechou e eu pensei um pouco tentando digerir tudo o que ouvi, depois de alguns minutos eu disse:

— Nossa! foi uma bela confusão. — Ele olhava nos meus olhos. — Mas isso não muda o fato de que você pediu tanto que eu confiasse em você e na única vez que precisei que me desse um voto de confiança ao menos para me ouvir, você fez uma merda das grandes Thales. — Ele arquejou e eu continuei. — Quando eu pensei que você estava me enganando com a Celeste eu senti raiva de você e usei essa raiva para conseguir seguir em frente, — meus olhos estavam

marejados. — mas agora é diferente, porque agora eu sei que tudo isso aconteceu porque você não confiou nem mesmo por um segundo nos meus sentimentos por você, o que fez morrer uma minúscula esperança que eu tinha guardada no fundo do meu coração de que algum dia, em um futuro distante, eu talvez pudesse voltar a confiar em você.

Ele limpou uma lágrima que desceu por seu rosto, ele estava mesmo chorando? Ah meu Deus, sim ele estava, meu coração não ia aguentar isso, eu me levantei e fiquei de costas para ele, e ergui o olhar para o teto na esperança de conter as minhas lágrimas.

— Você está dizendo que tenho que esquecer toda e qualquer esperança que eu tenho de um dia poder ter você de volta? — A voz dele estava embargada. — Que não há mais a mais remota chance de eu ter a minha família de volta? — Eu podia senti-lo no limite. — Porque sim, você e Catarina são a minha família. A família que eu fui burro o suficiente para jogar fora. — Agora eu já não conseguia conter as lágrimas silenciosas que escorriam pelo meu rosto. — Ah Deus! E a culpa é só minha.

Eu virei meu rosto levemente na direção dele e o vi ainda sentado no sofá com os cotovelos apoiados apoiados nos joelhos e suas mãos cobriam seu rosto agora. Eu limpei minhas lagrimas e me recompus da melhor maneira possível.

— Sim é exatamente isso que sou dizendo Thales, eu sinto muito.

— Se você sente me da uma chance Tina, — ele caiu de joelhos. — só uma chance... — Ele começou a implorar mas eu o interrompi.

— Eu já te dei uma chance Thales, no dia em que nos beijamos pela primeira vez, foi isso que você me pediu e foi o que eu te dei. A sua chance acabou, respeite isso.

Ele assentiu, limpou o rosto, juntou toda a dignidade que lhe restava e se levantou. Olhou para onde Catarina estava e depois voltou seu olhar para o meu.

— Você... você não vai... ( ele tinha dificuldade para articular as palavras que queria dizer) me manter afastado dela vai? — Ele olhou para ela de novo e arquejou. — Por favor me deixa continuar na vida dela... a gente se deu tão bem essa noite, eu... eu...eu posso te ajudar a ficar com ela quando estiver... cansada.

Eu neguei com a cabeça, aquilo estava me destruindo mais, mas eu precisava ser forte.

— Pode ver ela quando quiser, sua ajuda será bem vinda, só não ultrapasse os limites. — Ele assentiu rapidamente com a cabeça. — Por falar nisso obrigado por essa noite, eu realmente precisava.

— Tudo bem, — Ele limpou os olhos novamente. — estarei aqui sempre que precisar, só não poderá contar comigo esta noite!

Ele foi até o bercinho de Catarina e lhe deu um beijo, então dirigiu seu olhar novamente para mim e disse:

— Obrigado por me dar a chance de esclarecer o que aconteceu.

Ele virou as costas e foi embora.

 

Naquele mesmo dia Phillip veio nos visitar, já era meio tarde mas ele havia acabado de chegar de uma de suas lutas e quis passar em casa para ver Catarina, mas ela dormia agora. No momento em que ele se sentou em meu sofá eu comecei:

— Phillip por que não me disse que Thales nos viu naquele dia?

Ele ficou vermelho no mesmo instante.

— Do que está falando Tina? — Ele se fez de desentendido.

— Phillip não siga por esse caminho, sejamos sinceros um com o outro.

— Por que te diria Tina, aquela era a chance perfeita de tirar ele do meu caminho, depois ele ainda fez aquela cagada toda, eu não podia estar mais feliz, ganhei a chance de poder te reconquistar. — Ele disse e eu fiquei pasma.

— Não Phill, você não ganhou essa chance, eu deixei bem claro que isso nunca ia acontecer.

— Isso é só questão de tempo Tina, nós temos nos aproximado cada vez mais. — Ele falou e me pareceu meio louco.

— Não Phillip, nós nunca nos reaproximamos, ficamos amigos, e se quer saber bem a verdade, eu só permiti isso porque achei que você tinha me ajudado quando eu mais precisei, mas agora eu sei que o que você fez foi me empurrar mais para o fundo do buraco em que eu estava caindo.

— Fiz porque te amo Valentina, e nada disso seria necessário se aquela pirralha não tivesse se metido do meio da gente. — Ele explodiu.

— O que?

— Qual é Valentina você acha mesmo que eu venho aqui porque gosto de cheiro de vômito e fralda suja?

— Saia! Saia daqui agora. — Eu gritei e Catarina acordou.

Ele riu de um modo sombrio e naquele momento eu senti medo dele. De repente Jean irrompeu meu apartamento com Susan logo atrás, ela correu para o quarto de Catarina e trancou a porta.

— Da o fora Phillip, você ouviu a Valentina, ela quer que você saia. — Jean disse com autoridade.

— Vai arriscar levar uma surra Jean? Eu vou sair se eu quiser. — Phillip debochou.

Jean ia avançar quando o segurei.

— Phillip por favor saia! — Pedi e ele olhou para mim com uma expressão estranha.

— Eu vou Tina, desculpe! Mas ainda quero conversar com você sobre isso, ainda temos uma chance, mas teremos essa conversa quando você estiver mais calma. — Ele disse e saiu pela porta.