O Canto da Sereia

Fran NaNii · Capítulo 21 de 28

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O Canto da Sereia

Capítulo 21 Thales Boldrini

Capítulo 21

 

 

Thales Boldrini

 

— O que você pensa que está fazendo? — Ela perguntou.

— Eu acabei de chegar de Paris e meus pais me disseram que Catarina tinha nascido, então eu vim o mais rápido que pude. - Eu disse a verdade.

— Então você veio? — Ela perguntou com hostilidade. — Simplesmente veio?

Eu fiquei sem reação, sem palavra, então olhei na direção de Susan em busca de algum tipo de ajuda ela deu de ombros como se dissesse “se vira”, então eu tentei me explicar:

— Eu pensei que...

— Pensou errado! Me dê minha filha, vamos ande! — Ela me interrompeu e eu não soube o que dizer.

Entreguei Catarina à ela e respirei fundo, ali eu soube que isso não seria fácil, Valentina não iria facilitar as coisas e eu nem poderia exigir isso dela já que eu não era o pai biológico de Catarina.

O bebê começou a chorar assim que Valentina a pegou, então ela começou a balançar de leve a bebezinha tentando acalmá-la.

— Calma meu amor, está tudo bem! O homem mau já vai sair e a mamãe vai te dar de mamar. — Tina dizia a Catarina que gritava. — Dê o fora cara e não volte mais! — Ela se virou para mim e ordenou.

Homem mau? Eu era o homem mau? Valentina caminhava pelo quarto, de costas para mim, com Catarina nos braços e eu busquei o olhar de Susan. Ela segurava um riso e olhava para mim, eu devia estar com uma expressão estranha no rosto pois ela achava algo em mim muito engraçado naquele momento. Então se levantou e disse:

— Vamos lá homem mau, saia! — Ela dizia mas seu tom não era repreensivo. — Catarina fica muito brava quando está com fome.

— Tudo bem! — Eu olhei para a sereia de pelúcia em minhas mãos. — Eu comprei isso para ela...

— Leve isso com você, não queremos ou precisamos disso ou mesmo de você. — Valentina me interrompeu e aquelas palavras foram como um soco no meu estômago.

Eu abaixei a cabeça e olhei novamente para o brinquedo em minhas mãos, então senti a mão de Susan em meu ombro, olhei para ela.

— Deixe comigo! — Ela disse e me estendeu uma das mãos para que eu entregasse o brinquedo à ela. — Vá para casa Thales e não volte, ela não vai ceder e você não pode culpá-la.

— Não mesmo? — Perguntei, Susan não devia saber sobre o que eu vi naquele dia. — Acho que você não conhece todos os fatos Su, não me deu a chance de falar.

— Não dei e você não merece isso, mas ainda sim o farei algum dia, mas isso provavelmente não mudará o fato de que você é um babaca. — Ela disse.

— Não, provavelmente não! — Eu disse e sai do quarto.

Eu permaneci na recepção da maternidade, eu não incomodaria Valentina em seu quarto de hospital mas também não sairia daquele lugar até que Catarina estivesse indo para casa.

 

Algumas horas depois avistei Jean entrando na recepção.

— Jean! — Chamei.

— Thales? — Ele parecia confuso. — Quando foi que você chegou?

— Faz algumas horas, passei na casa dos meus pais e estou aqui desde então.

— Sei, então... eu acho que as meninas não vão querer te ver ou mesmo te deixar ver Catarina. — Ele disse cauteloso e eu ri sem humor algum.

— Não, com certeza não. Mas com um pouco de sorte eu consegui ver elas e até pegar Catarina no colo por alguns minutinhos. — Eu disse e ele levantou as sobrancelhas.

— Posso saber como você conseguiu fazer essa proeza? — Meu amigo perguntou.

— Quando cheguei falei que eu era o pai de Catarina, a enfermeira me levou até ela que estava no banho e pude aproveitar a caminhada do berçário até o quarto de Valentina com a minha pequena no colo, mas quando entrei no quarto Valentina a tomou de mim e me expulsou de lá.

Jean riu e perguntou:

— Ela te expulsou mesmo?

— Sim! Ela fez isso logo depois de esclarecer a Catarina quem era eu, e aparentemente eu sou o homem mau. Mas ela não pode me afastar assim da minha filha.

Jean riu mais ainda.

— Thales ,Catarina não é... — Eu dirigi um olhar feroz à ele e ele interrompeu a fala de que Catarina não era minha filha. — Olha boa sorte se vai mesmo insistir nisso, Valentina não vai facilitar e você não pode culpá-la.

— Porque vocês ficam me dizendo isso?

— Isso o que cara?

— Que não posso culpá-la!

— Qual é cara? Você é meu amigo mas vacilou feio! Aliás o que foi que te deu?

— Claro que ela não contou tudo o que aconteceu naquele dia não foi? — Eu perguntei.

— Na verdade sim, ela contou e isso me deixa querendo ainda mais dar um soco na sua cara. — Jean disse.

— Se ela te contou mesmo tudo ela deve ter dito que horas antes de eu chegar lá com Celeste, ela estava com o lutador babaca.

— Sim, é óbvio que sei que ele estava com

ela, Susan chegou a vê-los juntos, aliás foi o lutador

babaca que pagou toda a conta do hospital

enquanto você estava com Celeste e com o celular

desligado.

Ele sabia? Susan os viu juntos e

ainda sim estava do lado dela? Espera!

— Hospital?! Acho que não

estamos falando da mesma coisa. —

Eu disse.

— Tenho certeza de que estamos!

— Meu amigo afirmou.

— Phillip precisou levar a

Valentina ao hospital? — Agora eu já não entendia mais nada.

— Ela estava com Phillip porque

precisou ir ao hospital! Mas a sua falta

de conhecimento sobre isso me leva a

crer que tem algo de muito mais errado

escondido nisso tudo. Aliás como você

sabe que ela esteve com Phillip naquele

dia e o que te deu para fazer aquilo

tudo? — Meu amigo quis saber.

— A história é longa! — Eu disse

apenas.

— Estou com tempo, vamos tomar

uma e você me explica.

— Não sei se quero falar sobre isso.

— Se você não me falar não vou

ter como te ajudar parceiro. — Ele

disse e tinha razão, então tinha chegado

a hora de falar dessa merda toda.