O Canto da Sereia
Capítulo 16 Valentina Lemes
Capítulo 16
Valentina Lemes
Estar com Thales tem sido a melhor coisa da minha vida! Ele está sempre por perto me ajudando, protegendo, me animando nos dias ruins. Eu sabia que estava apaixonada por ele mas a cada dia que passa eu me apaixono mais, é lógico que o amo, e sei que ele gosta de mim também. Ele me acompanha nas consultas de pré-natal e vive comprando presentes para o que , que segundo ele, é uma menina.
As vezes eu me deito no sofá e Thales se senta no chão, apoia a cabeça em meu peito e começa a conversar com o bebê e depois pede para que eu cante para eles, então eu canto.
Eu já estava com 19 semanas de gestação quando um dia de sábado a tarde Thales conversava com o bebê, com a cabeça apoiada em minha barriga, ele falava de como ele levaria o bebê para passear no parque e todas as coisas que eles fariam de divertido lá, quando o bebê chutou bem onde Thales apoiava a cabeça.
Este foi o primeiro movimento do bebê que Thales conseguiu sentir, então o homem endoidou, ele beijava minha barriga sem para dizendo o quanto estava feliz. Foi a coisa mais engraçada e fofa do mundo, e naquele momento o amor que eu sentia por Thales aumentou ainda mais, o que achei que não seria possível. Eu sou completamente dele.
Duas semanas depois fomos a uma clínica de ultrassonografia para ver se enfim vamos conseguir descobrir o sexo do bebê, ele sempre estava com as perninhas fechadas e voltávamos para casa sem saber. Mas se tudo der certo hoje saberemos o sexo do nosso bebê.
Sim, nosso! Thales assumiu o papel de pai e não admite que qualquer um diga o contrário. Inclusive quando me levou para conhecer seus pais ele deixou isso bem claro para eles, que aliás são uns amores e tem nos visitado bastante, assumindo também o papel de avós.
Thales estava uma pilha de nervos quando entramos na sala de exames, suas mãos suavam e eu achava engraçado isso. Eu me deitei e ele sentou-se ao meu lado segurando minha mão. A médica esguichou o gel em minha barriga e começou o exame, imediatamente os batimentos cardíacos do bebê ressoavam na sala e a mão de Thales apertou a minha e a levou até seus lábios, ele olhava fixamente para a tela que exibia a ultrassom.
— Olha só! Temos alguém de perninhas abertas hoje! — disse a médica animada sabendo o quanto estávamos ansiosos para saber.
Thales se levantou da cadeira e se aproximou do monitor.
— Diga doutora, diga e me mostre por favor. — Ele disse e eu sorri.
— Muito bem aqui está! Consegue ver aqui? — A doutora apontava para a tela do monitor. — Isso é o sexo dessa pequena menininha.
— Eu sabia! — Ele deu um soco no ar em comemoração, e eu podia ver a emoção em seus olhos marejados.
Em uma sexta feira eu havia saído com Susan, passamos o dia todo fora e quando retornei ouvi barulho em meu apartamento, quando entrei ouvi as vozes de Thales e Jean então segui o som até o cômodo onde eu iria montar o quarto da bebê.
Eles haviam pintado o quartinho de um cor de rosa bem suave e em uma das paredes havia um trabalhado em dourado que parecia a cauda de uma sereia. Alguns nichos estavam na parede , guarda roupas e cômoda já estavam ali também e eles montavam um berço, tudo em madeira rústica, assim como eu certa vez havia dito a Thales que gostaria de poder fazer. Na parede onde ficaria o berço estavam as letras que formavam o nome Catarina, o nome que escolhemos para ela e várias pelúcias e bonecas de pano estavam espalhadas pelo carpete marfim do chão.
— Thales o que é isso? — Perguntei ao ser pega de surpresa.
— Ora, este é o quarto de Catarina, do jeito que você queria, não mudei quase nada das suas especificações. Você não gostou? Não é como você imaginava? — Ele parecia confuso e culpado.
— Claro que é Thales, exatamente como imaginei, mas eu lhe disse que apesar de ser assim que eu imaginava eu não tinha o dinheiro para fazer o quarto desta maneira. — Aquilo era
maravilhoso, e apesar de minha filha com certeza merecer ter aquilo tudo, eu não poderia pagar.
— Você não tem que pagar, eu já paguei por tudo. — Ele respondeu naturalmente.
— Você não pode fazer isso Thales, que loucura é essa?
— Loucura porque? — Ele perguntou e Jean e Susan somente observavam.
— Por que você não tem que fazer isso Thales, não é sua responsabilidade.
— Claro que é Tina! Catarina também é minha filha e se eu não puder fazer isso por ela farei por quem? — Thales parecia ofendido, então soltou a parafusadeira e se levantou olhando em meus olhos. — Eu sou o pai dela, então sim, essa é minha responsabilidade. Eu pensei que você fosse gostar!
— Eu adorei Thales, é um sonho, só fiquei surpresa e isso tudo deve ter ficado muito caro e não quero que gaste seu dinheiro comigo e com Catarina. Uma coisa é você trazer presentinhos e outra é .. ISSO. Você não pode fazer esse tipo de coisa sem me consultar, olhe.. só não faça de novo sem conversarmos antes ok?!
Ele sorriu abertamente e chegou mais perto de mim, me deu um beijo rápido nos lábios e se ajoelhou em minha frente dando um beijo em minha já bem grande barriga de grávida.
Eu já entrava na trigésima semana de gestação e estava achando Thales meio distante, às vezes parecia querer dizer algo mas em seguida desistia, eu o questionei algumas vezes e ele alegou ser somente cansaço. Mas era visível que não era isso que o afligia, então comecei a ficar insegura, e os hormônios da gestação não estavam ajudando, eu estava uma pilha de nervos e quando tudo se juntava parecia que eu ia enlouquecer.
Eu estava embalando algumas encomendas e Susan me ajudava.
— O que está acontecendo Tina? — Susan me perguntou.
— Sobre o que você quer saber? Seja direta. — Respondi
— Você e o Thales viviam vomitando arco íris e agora estão estranhos.
— Eu já não sei Susan, ele anda sempre ocupado e passa muito tempo no celular.
— Ele disse ao Jean que você o tem afastado um pouco.
— Eu não o afasto! Bom talvez e eu tenha feito isso algumas vezes, mas a culpa não é minha, é desses malditos hormônios que estão me deixando maluca! De uns tempos para cá me me sinto insegura em relação ao Thales.
— Será que não tem haver com o fato de ele não ter dito as palavrinhas mágicas ainda? — Ela perguntou.
— Palavrinhas mágicas? Tipo por favor e com licença?
— Claro que não Valentina! As palavrinhas mágicas que rimam com “Eu Amo Pavê”!
Eu ri.
— Lógico que não! Sabe do que eu preciso agora?
— Do quê?
— Daquele bolo de chocolate que está lá na sua cozinha.
— Ótimo, isso está fácil! Vamos lá!
Estávamos saindo do meu apartamento e demos de cara com uma loira de cabelo extremamente liso, magra e alta, olhos azuis, ela parecia um anjo. Com um sorriso perfeito de dentes perfeitamente alinhados e brancos em uma boca rosada, ela nos olhou e deixou escapar seu desagrado por ver Susan.
— Cozinheira! O que está fazendo aqui? Você não deveria estar cortando algum legume? — Ela perguntou com desdém.
— Celeste! — Susan pronunciou e eu congelei. — Desculpe desapontá-la mas eu só corto legumes quando estou com Thales. — Susan devolveu.
— Você não respondeu o que está fazendo aqui! — A loira disse.
— Eu moro aqui queridinha! — Susan replicou e a loira resolveu ignorar.
— Thales está em casa? — Celeste perguntou e o nome dele na boca dela me pareceu um palavrão.
— Não! — Fui eu quem respondi desta vez.
Ela prestou mais atenção em mim, olhou para minha barriga e arregalou os olhos.
— Ah meu Deus! Você está grávida!
— Nossa obrigado por me avisar, se você não me dissesse eu jamais teria percebido esse fato. — Eu respondi na hora do ciúmes e Susan riu debochadamente.
— E quem é você? — Ela perguntou ignorando o deboche.
— Ela é a namorada do Thales! — Susan foi mais rápida que eu.
A loira pareceu sem ação, então se recompôs, me olhou de cima a baixo, passou o dedo do meio nos próprios lábios como se estivesse limpando o batom borrado e disse:
— Duvido muito que Thales tenha descido tanto o nível assim!
E com isso ela nos deu as costas e entrou no elevador. Eu estava furiosa e comi o bolo todo de Susan.
Como o restaurante estava aberto hoje, Thales chegaria tarde. Eu estava deitada no sofá olhando para a minha barriga enquanto Catarina passava com força seu pezinho de um lado a outro de minha barriga, o pequeno pé formava uma marca visível, e quando Thales chegou, ouvi a porta do apartamento bater.
A porta do apartamento dele e não do meu. Aguardei alguns minutos e então ouvi o barulho da lata de cerveja em sua sacada, eu segui até a minha sacada e o chamei:
— Thales?
— Você ainda está acordada! — Ele disse.
— Sim! Por que não veio aqui para casa?
— Estou cansado!
— Sei! — Eu podia sentir que ele estava estranho. — O que está acontecendo de verdade Thales?
— Só estou um pouco confuso em relação a algumas coisas Valentina, não se preocupe.
— Em relação à nós?
— Não! Não tem nada haver com a gente Valentina. Eu só preciso pensar um pouco.
Eu ia deixá-lo em paz e ir para minha cama, eu já estava me virando para entrar mas não me contive.
— Isso tem haver com Celeste? — Eu perguntei e ele pareceu acuado.
— Por que teria?
— Não sei! Será que é porque por algum motivo ela anda te procurando?
— Quem te disse isso? — Agora ele estava exaltado.
— Ninguém me disse, eu a vi
batendo em seu apartamento.
— Você falou com ela?
— Sim!
— E o que foi que ela te disse.
— Que não acreditava que você
estava comigo pois isso seria descer
demais o seu nível. — Eu disse com
mágoa, já sentindo as lágrimas
brotarem. Malditos hormônios!
— Droga! Desculpe por isso!
— Desculpe por isso? Isso é o que você tem a me dizer?
Ele não respondeu somente
arquejou, então virei as costas e entrei
trancando a porta. Ele não veio atrás de
mim.
Uma semana depois, Thales havia se desculpado comigo e estávamos nos reaproximando. Graças a Deus tudo estava voltando ao normal. Eu estava arrumando os sabonetes que seriam entregues quando meu celular apitou e era uma mensagem de Phillip, eu pensei muito se deveria abrir ou não, então resolvi abri-la e fiquei em choque com o que vi.
Phillip havia me enviado algumas fotos, Thales e Celeste estavam juntos, não havia um contato extremamente íntimo entre os dois, embora eles estivessem bem próximos. As fotos eram de dias diferentes, o que sugeria que eles estavam se vendo frequentemente, senti minhas pernas bambas então me sentei no chão da cozinha, eu respirava com dificuldade, sei que não tinha nada demais nas fotos mas se não tinham nada porque estavam se encontrando? E porque Thales estava escondendo esses encontros de mim? Acho que eu já sabia porque ele andava tão estranho.