O Canto da Sereia

Fran NaNii · Capítulo 28 de 28

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O Canto da Sereia

Epílogo Valentina Lemes

Epílogo

 

Valentina Lemes

 

Eu caminhava pelo cemitério em direção ao túmulo, em uma das minhas mãos estava o arranjo de flores e na outra eu segurava a mãozinha de Catarina.

Hoje está fazendo um ano desde que Phillip enlouqueceu e invadiu meu apartamento, eu já havia passado no restaurante, que agora era eu quem administrava, para conferir se tudo ia correr como esperado já que hoje é um dia o qual eu não poderia de maneira alguma permanecer lá.

Quando cheguei ao túmulo certo suspirei e recolhi uma lágrima teimosa que mesmo depois de todo esse tempo insistia em cair sempre que eu vinha aqui. Desde o sepultamento eu tenho vindo aqui toda semana mas nunca havia trazido Catarina, porém hoje era um dia especial.

Me abaixei e falei para Catarina:

— Querida eu sei que você não entende isso ainda, mas a mamãe precisava vir aqui hoje, você está vendo este homem aqui na foto? — Apontei para a foto dele, a barba no rosto, o cabelo, o sorriso, eu lembrava tudo exatamente como era, se eu fechasse os olhos podia ouvir sua voz e sentir o mínimo da sensação que eu sentia quando ele me abraçava. — Este foi um homem muito

importante para nós.

Minha filha olhou para a foto e depois para mim e sorriu, claro que ela não estava entendendo nada, nem poderia.

— Este homem era o seu vovô, o meu pai. E aquela ali na foto do lado era a sua vovó. Eles não chegaram a conhecer você mas sei que se estivessem aqui eles te amariam tanto quanto o vovô Rubem e a vovó Nice.

Ela somente sorriu e eu sorri de volta para ela. Me levantei e falei em pensamento com meus pais, eu não podia deixar de vir aqui hoje, com certeza seria um dia muito corrido mas eles sempre teriam um espacinho. Eu gostaria que eles pudessem estar fisicamente comigo neste dia, isso obviamente não era possível mas eu podia senti-los comigo. Me despedi deles e segui em direção a saída.

Susan me esperava no carro:

— Thales acabou de ligar perguntando se estava tudo certo no restaurante. — Susan me informou.

Já fazia dois meses que Thales tinha aberto um novo restaurante do outro lado da cidade, então ele cuidava de lá e eu cuidava do restaurante que ficava perto de casa

— Pronta? — Ela perguntou.

— Mais do que pronta! — Eu disse sorrindo.

 

As portas de madeira espessa, altas e largas se abriram lentamente enquanto o som da marcha nupcial ecoava por toda a igreja e meu coração parecia que ia sair pela boca.

A igreja estava lotada mas eu não conseguia identificar ninguém, eu não via seus rostos, suas emoções, eu apenas sabia que a massa de pessoas estava ali enchendo a igreja. Eu não queria, não conseguia ver ninguém porque meus olhos estavam cravados nos olhos do homem da minha vida.

Ele estava no altar me esperando, meu sorriso se alargou quando eu vi o dele crescer, e eu li seus lábios dizerem sem som algum: “Eu te amo minha sereia!”.

Então eu caminhei em direção ao meu “Feliz para Sempre”.

 

Fim

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