O Canto da Sereia

Fran NaNii · Capítulo 15 de 28

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O Canto da Sereia

Capítulo 15 Thales Boldrini

Capítulo 15

 

Thales Boldrini

 

Quando saímos do elevador eu entrei em sua frente e a segurei pelos ombros.

— Valentina sei que estamos deixando rolar e não vamos rotular isso que temos, ao menos não agora, mas eu gostaria de não precisar esconder isso, pelo menos não deles. — Eu disse e fiz sinal com a cabeça em direção a porta de Jean. Ela apertou os lábios. — Mas olha, devagar ou rápido, escondido ou não, eu estou do seu lado ok? Só quero saber como me comportar na frente deles e não fazer nada que possa te deixar chateada comigo.

Ela apoiou as mãos em meu peito, sorriu, ficou na ponta dos pés e tocou de leve sua boca na minha e então disse:

— Será que ao menos por hoje podemos não dizer nada? Eu vou contar a Susan, mas não hoje ok?

— Ok! Vamos lá então?

Ela colou nossos lábios novamente e depois me abraçou, eu inalei o cheiro doce que tinham seus cabelos.

— Vou guardar minhas mãos nos bolsos então para não correr o risco de ficar te agarrando. — Eu disse e ela sorriu.

Alcançamos a porta de Jean e eu a abri, quando entrei ele me saudou:

— E aí via... — Ele parou de falar quando viu minha sereia comigo. — Ah Valentina, minha Betty Boop preferida, eu sabia que você vinha, mas não que você vinha com seu vizinho delirante. — Ele disse radiante com a provocação a minha sereia com a menção de meu delírio.

— Nossa como você está engraçadinho! — Eu ralhei com ele.

Minha sereia se acomodou no sofá e ficou observando meu melhor amigo de maneira curiosa, ela franzia o cenho e de repente um sorriso malicioso tomou seus doces lábios, e não tenho como dizer o quanto aquele sorriso a deixou sexy.

— Jean por que você está vermelho feito um camarão?

Então eu soube o que ela havia constatado, minha sereia é esperta, nem precisou do par de sapatos exclusivos para identificar o tal Jenipapo.

v Eu tomei um solzinho na piscina do hotel onde eu tinha aquela reunião. — Ele disse claramente se sentindo acuado.

— Sei. — A sereia disse mas seus olhos estavam cerrados.

Incomodado Jean disse:

— Melhor eu pedir as pizzas!

Ele se virou e seguiu para a sacada para fazer o pedido. No momento em que ele passou pela porta Valentina se virou bruscamente para mim e então perguntou baixinho:

— Você não acha estranho que ele tenha ficado chateado assim que Susan viajou para o litoral? Depois se mandou em uma viagem a negócios mas voltou todo vermelho de sol igual a Susan e eles coincidentemente chegaram no mesmo dia?

Eu assenti lentamente e respondi:

— Sim eu acho!

— Ele é o Jenipapo não é? — Ela quis ter certeza.

— Sim ele é.

— Por que não me contou ontem a noite se ele já abriu o jogo com você?

— Porque ele não abriu o jogo comigo, nem ela. — Eu disse e ela levantou uma sobrancelha. — Eu descobri por conta própria, os sapatos que ele está usando são exclusivos e eu sei disso porque fui eu que dei o sapato para ele, — Ela assentiu. — e ontem a noite aqueles sapatos estavam na porta de Susan, foi quando ela inventou aquela história de jenipapo.

Valentina riu de leve levando uma mão a boca.

— Bom eles já estão se vendo a tempos e estão escondendo isso de nós, então vamos brincar um pouquinho com eles. — Ela sorriu com malicia de novo e eu ri com vontade.

— Somos os sujos falando dos mal lavados? — Eu perguntei brincando.

— Sim, com certeza somos! A única diferença é que nós temos uma vantagem.

— E qual seria? Ter sacadas lado a lado para poder dar uns beijinhos escondido na calada da noite? — Eu brinquei novamente e ela fingiu ponderar algo.

— Hum isso também, mas eu estava falando de outra coisa.

— Que seria...

— Nós sabemos deles e eles não sabem de nós, então podemos curtir com a cara deles.

Agora eu sei porque estou me apaixonando por essa mulher, cada dia eu conhecia um fato novo sobre ela, e o de hoje é que ela é extremamente espirituosa.

— E o que sugere? — Animado eu quis saber.

— Susan vive falando que você é forte e bonito, então vamos deixá-la constrangida com isso e ao mesmo tempo fazer o Jean ter um ataque de ciúmes. Você vai fingir que está afim dela e vai cair matando em cima dela e eu vou ficar provocando, então a gente vê qual deles dois cede primeiro.

— Você é uma sereia muito malvadinha!

— Eu sou uma sereia malvadinha! Espera, sereia? — Ela arqueou uma sobrancelha.

— História longa, te conto quando estivermos só nós dois.

— Estamos só nós...

Ela foi interrompida por uma batida na porta e Jean entrou feito um vendaval para abrir a porta. Quando Susan entrou e seu sorriso estava com o sorriso de orelha a orelha, era engraçado ver Susan se derretendo para Jean, eles sempre se desentendiam e ele pegava muito no pé dela, e ver aquela cena me fez querer entrar no jogo de minha sereia.

— Susan que sorriso lindo, você está radiante! — Eu elogiei minha amiga.

— Sorriso lindo mesmo, parece que passou o dia com um cabide na boca. — Valentina atacou.

— Ah obrigado pela parte que me toca. — Retrucou Susan.

— A noite passada deve ter sido muito boa para você estar com esse sorriso até agora, esse tal de Jenipapo deve ser ótimo! — Valentina jogou e Susan olhou na direção de Jean e passou a mão pelos cabelos.

— Ah.. é.. ele é legal. — Ela respondeu sem jeito.

— Legal? Qual é Su? Você merece alguém melhor do que legal. — Eu entrei no jogo e Jean olhou para mim. — Senta aqui do meu lado gata, vamos bater um papo.

Ela se sentou ao meu lado no sofá tranquilamente e me estendeu a mão fechada para um toque que respondi e ela perguntou:

— O que você manda chefinho?

— Nada disso de chefe, eu só queria te ver assim mais de pertinho, você está tão bonita! — Eu falei colocando uma mecha de cabelo dela atrás de sua orelha e ela franziu o cenho e perguntou com descrença:

— Estou?

— Com certeza! — Eu acariciei sua bochecha. — Esses últimos dias tenho me perguntando como nunca notei o espetáculo de mulher que você é.

— Sério? — Ela indagou confusa e Jean pigarreou.

— A luta já vai começar, deixa de conversa fiada Thales.

— Qual é Jean, quem quer ver homens suados se socando quando se ter uma mulher linda assim sentada tão perto? — Eu disse e me inclinei um pouco para ela.

Susan parecia se perguntar o que havia acontecido ao mundo para isso estar acontecendo, já que sempre fomos só amigos e nunca rolou nenhuma faísca entre nós, desde que nos conhecemos tudo o que tivemos foi uma amizade pura e sincera, apesar de agora ela esconder o lance com o Jean.

Jean me fuzilava com o olhar, parecendo que teria um ataque epilético a qualquer momento, e Valentina observava tudo fascinada. Então a luta começou e de tempos em tempos eu elogiava Susan e acariciava seu rosto, ou o ombro, até cheguei a beijar sua mão.

O interfone de Jean tocou e o porteiro nos avisou que as pizzas haviam chegado. Meu amigo me chamou para descermos até a portaria e eu o acompanhei.

Jean estava inquieto e assim que entramos no elevador ele começou:

— Que porra é essa Thales?

— Do que você está falando?

— Susan!

— Cara eu sei que você tem aversão à ela, mas eu estou afim dela, estou mesmo!

— Você está louco? Você não pode ficar com ela, você tem que parar com isso agora mesmo!

— Qual é Jean?

— Achei que você estivesse afim da Valentina!

— Sim eu até estava, mas isso é complicado, eu precisava ocupar a cabeça com outra coisa, então por que não ocupar minha cama com a Susan? — Eu provoquei e essa foi forte. Jean estava mais vermelho do que o já vi ficar.

— Já chega desse assunto, só para com essa merda, coloca a sua cabeça no lugar.

— Relaxa parceiro. — Eu disse rindo um pouco e dei tapinhas em suas costas.

 

Quando já retornávamos ao apartamento do meu amigo, dava para vê-lo fora de si então achei que fosse o momento perfeito para acabar com isso e fazê-los confessar. Sentei-me novamente ao lado de minha amiga, Jean abria as caixas de pizza e parou no meio do ato quando me viu passar os braços ao redor do pescoço de Susan, ela me olhou assustada e quando a puxei em minha direção ela se forçou para trás olhando para Jean.

Meu amigo não aguentou e a puxou do meu braço.

— Já chega dessa palhaçada! Qual é a sua Thales?

— Qual é a SUA Jean? Me cortar assim, Susan estava gostando.

— Você estava? — Ele perguntou à ela.

— Não neném. Claro que não! — Ela respondeu olhando para ele.

— Neném? — Minha sereia perguntou.

— Ah querem saber? Susana e eu estamos juntos e ponto final!

Valentina e eu rimos descontroladamente e os dois ficaram só nos observando.

— Nós sabemos!

— Sabem? — Susan perguntou perplexa.

— Sim, vocês não sabem disfarçar nem um pouco. — Eu respondi agora.

— Muito óbvios! — Valentina afirmou.

— Então está tudo bem? — Jean quis saber.

— Claro que sim cara, que bobeira.

O novo casal ficou aliviado por não terem que se esconder mais. Nós rimos muito de toda a situação, eles contaram como tudo aconteceu, comemos e nos divertimos muito.

 

Quando fomos para casa, esperei Susan entrar e então entrei com minha sereia no apartamento dela. Eu estava feliz e aquela noite não exigi nada dela, como eu havia prometido, mas dormimos na mesma cama.

No meio da noite o calor estava demais então Valentina tirou sua camiseta, não vou dizer que foi fácil abraçá-la, ainda mais ela estando só de sutiã, eu não tentar nada. Mas ela valia a pena.

Quando acordei no outro dia cedo a luz do sol invadia o quarto de minha sereia, eu beijei seu ombro e ali notei algo que eu não tinha visto antes. Minha sereia tinha asas! Belas e grandes! A tatuagem de asas ocupava suas costas inteira e era linda.