O Canto da Sereia

Fran NaNii · Capítulo 19 de 28

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O Canto da Sereia

Capítulo 19 Thales Boldrini

Capítulo 19

 

 

Thales Boldrini

 

Eu me sentia horrível pelo que fiz, mas a culpa foi toda de Valentina, estava com raiva dela e do que ela me fez sentir.

E como se não bastasse eu passar o dia todo pensando nela, a sereia ainda habitava meus sonhos todas as noites.

Semanas antes...

 

A lembrança daquele dia sempre voltava, Celeste havia me procurado com uma oferta de especialização em Paris, eu queria muito ir mas não podia deixar a minha sereia e minha filha que estava a caminho. Inicialmente eu declinei, mas depois comecei a ponderar, eu poderia esperar Catarina nascer e então eu as levaria comigo. Não comentei nada com Valentina para não deixá-la ansiosa, ela andava muito estressada e às vezes distante.

Então Celeste me colocou em contato com o chef francês que ministraria a especialização mas ele me disse que se eu não fosse no prazo indicado eu não poderia mais ingressar no curso. Fiquei frustrado pois a oportunidade era realmente excelente, mas eu não podia deixar as duas mulheres da minha vida.

Eu não queria descontar minha frustração em minha sereia então naquela noite fui para meu apartamento ao invés do dela, ela já devia estar dormindo então provavelmente não perceberia. Amanhã eu estaria mais calmo então eu faria um belo café da manhã e levaria para ela e a tratá-la como ela merece, mas ela apareceu na sacada puxando assunto e eu não consegui não descontar nela. Ela também me contou do encontro com Celeste aqui no prédio.

Depois de me acertar com minha sereia, eu dei um basta em Celeste pelas palavras rudes que ela havia dirigido a Valentina. Então tudo estava bem novamente, eu estava preparando uma surpresa para ela, já estávamos juntos já a algum tempo mas não rotulamos a relação mas vivíamos como um casal normal, eu a amava, mas eu queria fazer tudo certinho como ela sempre imaginou, namorar, noivar e depois casar. Isso significava que eu devia a ela primeiramente um pedido de namoro oficial com direito a alianças de compromisso.

Sai cedo e fui arrumar tudo, liguei para o Marcos que é Maître do meu restaurante e pedi para ele arrumar um lugar reservado para um jantar íntimo, como era segunda-feira o restaurante estaria fechado, podíamos ter privacidade.

Eu não poderia pedir a Susan, se eu pedisse aquela boca de caçapa iria acabar deixando escapar a surpresa nos ouvidos de Tina. Comprei as alianças, as flores e deixei tudo no restaurante.

Eu já estava em frente ao prédio quando avistei Valentina um pouco mais adiante, foi muito rápido, ela estava abraçada a um homem que eu não conseguia ver quem era, ele abriu a porta do carro e ela estava entrando quando ele lhe beijou a testa e disse alguma coisa, ela assentiu. Quando ele deu a volta no carro pude visualizar perfeitamente seu rosto, era o lutador babaca, seus olhos encontraram os meus e ele me deu um sorriso zombeteiro junto com um sinal de até mais.

Eu achei que fosse literalmente entrar em combustão, minha cabeça rodava e eu nunca me senti tão idiota.

Eu a amava de todas as maneiras e ela estava com ele.

Eu queria dar o mundo a ela e ela estava com ele.

Eu havia comprado alianças e arrumado aquela parafernalha toda e ela estava com ele.

Me enganando.

Senti como se meu peito estivesse rasgando, eu estava deixando passar uma grande oportunidade profissional por ela e ela estava com ele.

O lutador não era o babaca, eu era.

Então sem pensar fui até a casa de Celeste e aceitei a proposta, assim como reatei o namoro com ela. Eu queria que Valentina se sentisse como eu me senti então levei Celeste comigo para casa para arrumar minhas malas, eu partiria imediatamente, não poderia ficar ali com ela no apartamento ao lado, eu queria feri-la tão profundamente como ela me feriu.

Eu só não contava que me sentiria um lixo, um monte de merda, quando visse a expressão dela ao me ver com Celeste. Não sei ao certo se aquele momento feriu mais ela ou a mim mesmo, eu era tão trouxa que ainda sentia remorso mesmo sendo eu que fui verdadeiramente enganado.

Então eu parti!

 

Dias atuais...

 

O sentimento insistia em ocupar meu peito e doía muito, eu queria ouvi-la cantar para mim, ouvi-la provocar Susan e Jean, ver cada tipo de sorriso que ela tem. Sim ela tem 10 sorrisos maravilhosos!

Ela tem um sorriso bem leve que mal mostra seus dentes, muito singelo, que é o sorriso que ela dá quando termina de cantar uma música.

Ela tem um sorriso cheio de malícia, este ela sempre abaixa muito levemente o queixo, arqueia uma sobrancelha e curva os lábios, um lado mais que o outro mas não chega a ser um sorriso de lado. Esse a deixa muito sexy!

Ela tem o sorriso de quando está nervosa. Ela tenta segurar a risada espremendo os lábios que involuntariamente formar um sorriso estranho mais adorável.

Ela tem o sorriso radiante que usa quando consegue criar um novo aroma para seus sabonetes.

Ela tem o sorriso largo que chega aos olhos quando ouve uma piada verdadeiramente engraçada e depois ri abertamente.

Ela tem o sorriso de quando EU conto uma piada, e este ela usa mesmo quando a piada não tem nem um pingo de graça.

Ela também tem o sorriso que usa toda vez que come a primeira garfada da comida que eu preparo para ela. Este sorriso me faz pensar que meu sonho desde criança de ser um chef de cozinha era um plano do destino para que eu pudesse aprender a fazer isso somente para cozinhar para ela e vê-la sorrir dessa maneira.

Tem também o sorriso que ela usa quando me vê chegar, esse aquece meu coração, onde quer que eu chegasse e eu soubesse que ela estava lá eu procurava vê-la primeiro para não perder esse sorriso.

Ela também tem o sorriso de quando nos beijamos, ela sorri de leve e depois morde o lábio inferior ainda com a boca colada a minha, este é sensacional, então eu nunca me aguento e sinto a necessidade de beijá-la novamente.

E ela tem um sorriso que é impossível de descrever, o que me faz ferver, querer morrer de amor, é o sorriso que ela usa para dizer que me ama mesmo sem dizer propriamente as três palavras. Ela me ganha na manha quando me da este sorriso.

Mas que droga! Se eu queria esquecê-la precisava dar prioridade a Celeste.

Celeste era a mesma de sempre, porém eu a via com outros olhos. Como eu nunca notei esse comportamento mesquinho e fútil nela?

Ainda tinha também Catarina, minha menininha que nem chegara ao mundo ainda, mas eu a amava e sentia a sua falta, sentia falta de conversar com ela, de senti-la mexer dentro da barriga de Valentina. Posso não ser o pai biológico dela mas isso não importa, eu a amo como se fosse, então sim, Catarina é minha filha. Será que minha escolha fazia de mim semelhante ao lutador babaca? Isso estava me corroendo.

Eu falava uma vez por semana com Susan e ela se limitava a falar profissionalmente comigo, minha amiga havia desaparecido, lá só estava a minha funcionária. Com Jean eu podia conversar um pouco mais, ele ficou muito irritado e me chamou de vacilão, provavelmente não sabia de todos os fatos mas também não entrei em detalhes.

Conforme as semana foram se passando eu ficava pior, se ela é quem tinha errado comigo porque eu me sentia assim? Liguei para Jean mas ele não me atendeu, então liguei uma segunda e terceira vez e não obtive resposta.

Eu me sentia muito perdido, então resolvi conversar com Celeste.

— Celeste podemos conversar? — Eu perguntei e ela me olhou estranho.

— Conversar? Tipo sobre o que?

— Tem algo me incomodando e eu gostaria de dividir com você, saber a sua opinião. — Eu esclareci e ela riu. Aquilo me deixou irritado.

— Ah Thales querido é para isso que pagamos uma terapeuta, não precisamos nos aborrecer com isso.

— Ouvir meus problemas te aborrece? — Eu perguntei mas já sabia a resposta.

— Amorzinho eu tenho milhares de problemas extremamente sérios e não fico te incomodando com eles.

— Sério Celeste? Tipo o que? Me diz um dos seus problemas por favor.

— Tem certeza?

— Claro amor, vamos tentar, você me conta um dos seus problemas e eu te conto um dos meus, pode ser? — Eu propus.

— Ok! Então vamos lá! Já que é para falar vou extravasar e te contar meu maior problema no momento, isso tem me afligido muito, em algumas noites chego a perder o sono. — Ela confessou.

— Pois me diga, vamos ver se conseguimos resolver isso juntos certo?!

— Certo! Bom você sabe que na semana que vem tem aquele evento de caridade que precisamos comparecer, — Ela começou e eu assenti. — e quase tudo já está pronto, sabe eu tenho tudo, mas falta alguma coisa, e eu sinto isso tão intensamente, eu tenho vestido, uma cabeleireira e maquiadora competentes, manicure fabulosa, tenho jóias e tudo mais, mas não estou feliz porque algo falta entende?

— Sim, eu entendo. Também estou me sentindo assim Celeste, então acho que podemos chegar a um acordo.

— Você também precisa de sapatos? — Ela perguntou.