O Canto da Sereia

Fran NaNii · Capítulo 13 de 28

Páginas do PDF

O Canto da Sereia

Capítulo 13 Thales Boldrini

Capítulo 13

 

Thales Boldrini

 

Eu estava frustrado, completamente frustrado! Tive a chance perfeita para beijá-la, não foi nada planejado é claro, eu já havia decidido que iria ajudá-la mas sem me envolver dessa forma, eu iria ser seu amigo e ponto. Mas quando minha boca foi mais rápida que o filtro cérebro/boca e verbalizei meus pensamentos acabei abrindo caminho para aquela situação e ela me dizer para não me segurar derrubou todas as forças que eu tinha para não beijá-la, mas é claro que Susan tinha que aparecer, não me leve a mal, eu gosto muito da Susan mas naquele momento eu queria enforcá-la.

Passei o domingo todo pensando na boca dela, eu estava desesperado para beijá-la mas a mesma chance não volta, e eu não queria só beijá-la, queria cuidar dela, fazê-la sorrir, fazê-la esquecer daquele babaca, ter ela para mim e nunca mais vê-la derramar uma lágrima de tristeza sequer.. Em meio aos meus pensamentos algo me atingiu em cheio.

Eu estava me apaixonando por minha vizinha!

Droga! Celeste acabou de me zoar todo, não posso me envolver emocionalmente com ninguém, mas Valentina insiste em ficar na minha mente. Eu estava confuso demais! Precisava espairecer um pouco, dar uma volta mas quando abri a porta dei de cara com o lutador babaca batendo na porta ao lado. Mas o que esse cara quer aqui? Eu não ia deixar ele maltratar a Valentina como fez no outro dia, e quando ele olhou para mim o reconhecimento de quem eu era tomou seu rosto, ele achava que Valentina e eu tínhamos realmente algum tipo de relacionamento amoroso engatado.

Seu comportamento foi prepotente e ele tentou me persuadir a deixar Valentina. Deixa ele saber que nem temos nada, pelo menos não ainda. Mas eu não ia deixar ele saber disso por duas razões, a primeira é que eu precisava de alguma forma proteger ela dele e a condição em que ele acreditava que ela tinha comigo ajudava. A segunda é que.. a quem eu estou tentando enganar? A segunda é que eu só quero irritá-lo mesmo.

Ele tentava manter a calma, mas deixava transparecer o nervosismo em seus gestos, foi aí que Valentina chegou, ela entrou em meu jogo, assim como Susan e eu aproveitei o momento para abrir o caminho para mim mesmo.

Como se fosse para que o ex de Valentina acreditasse eu a beijei, era um beijo leve, somente para esfregar na cara dele e para saciar um pouco da frustração por não conseguir beija-la no dia anterior. E para a minha surpresa ela correspondeu igualmente, o beijo tomou outro ritmo e eu me perdi nela, apagando tudo em volta.

O maluco me separou dela e me prensou na parede, foi ali que eu pensei que entraríamos nas vias de fato. Começou o “empurra empurra” e eu já estava pronto para dar o primeiro soco, seria uma das poucas vezes que eu o acertaria, se é que eu conseguiria acertá-lo além da primeira já que o cara é um lutador profissional, eu provavelmente levaria uma surra mas isso não me ocorreu na hora. Valentina docemente me tirou de lá e eu a segui feliz da vida até que o cara despejou um monte de merda em cima dela. Ela não precisava ouvir aquilo, era só o orgulho ferido do cara falando por ele mas enfim ele foi embora.

Susan mencionou algo sobre um acidente, eu não entendi do que se tratava mas como Valentina disse que estava bem fiz um sinal para que Susan nos deixasse a sós, eu precisava conversar com ela porém mais do que depressa ela me dispensou. Senti que sua raiva não era dirigida a mim mas com certeza ao lutador e a todas as coisas que ele disse com intenção de magoá-la. Ele não sabia mas esta noite ele tinha vencido só por deixá-la assim.

Imediatamente bati na porta da Susan, eu nem havia terminado a batida quando ela abriu.

— Estava ouvindo atrás da porta? — Eu perguntei.

— Lógico que eu estava ouvindo atrás da porta! Você me pediu para entrar, como é que eu ia conseguir ouvir a conversa se não ficasse atrás porta gênio?

— Por que isso não me surpreender? — Eu perguntei e ela sorriu

— Porque você me conhece. Agora desembucha logo, vocês estão se pegando? Ah minha nossa! Vocês estão fazendo sexo com o bebê.. você sabe.. com o bebê lá dentro?

— O que? Não! Será que a gente pode conversar ai dentro?

— NÃO! - Ela praticamente gritou.

— O que está havendo com os mulheres deste andar? Ninguém quer me deixar entrar e conversar hoje.

— Desculpe querido!

— Não desculpo! — Eu falei e coloquei o pé na porta para impedi-la de fechar. — Susan o que está havendo?

— Não é nada, preciso entrar. — Ela forçou a porta e eu franzi a testa, tinha algo de errado ali.

— Você está sozinha? — Perguntei.

— Sim!

— Sim? Então me deixe entrar!

— Não! — Ela disse e eu ergui uma sobrancelha para ela. - Quer dizer eu estou sozinha agora, mas vou ter um encontro daqui a pouco, sabe estou aproveitando esses dias de férias, então vou me arrumar e encontrar um cara.

— Ah é? E quem é o sortudo?

Ela demorou demais para responder.

— Ah um cara aí, você não conhece, eu o conheci na viagem e como ele também é daqui combinamos de nos encontrar, é pois é! — Ela mentia muito mal.

— Na viagem? Você quer dizer que você saiu daqui, viajou quase mil e trezentos quilômetros, para uma das praias mais badaladas do país e lá conheceu um cara que coincidentemente também mora aqui na cidade?

— Dá pra acreditar?

— Não, não dá mesmo.

Ela soltou o ar em sinal de descrença e disse:

— Isso é muito louco cara!

— Mentindo logo para mim Su?

— Não é mentira! Qualquer dia te apresento ele, prometo!

— Sério? E esse cara é gente boa? Ele te trata bem?

— A sim o Je... — Ela pareceu perceber que tinha dado bobeira e vacilou, eu estreitei os olhos e então ela emendou a pior resposta possível. — ...nipapo é ótimo, estamos nos dando muito bem, mas pode deixar que qualquer coisa eu te aviso para você dar um jeito nele.

— Jenipapo? Susan isso nem é nome de gente, é nome de fruta.

— Ora Thales, não me amole! Muita gente por aí tem nome de fruta.

— Sério? Eu nunca vi ninguém que se chama mexerica, pêssego, coco verde ou seriguela. O que está acontecendo de verdade?

Ela soltou o ar em descrença novamente.

— Cada mãe dá o nome que quiser pro filho Thales, agora vá embora e não se meta na minha vida.

Eu balancei a cabeça e ri, quando já estava me curvando de tanto rir enquanto ela estava sem reação, eu vi...

Perto da porta do apartamento estava um par de sapatos e eu sabia a quem eles pertenciam, tinha certeza pois eu mesmo comprei aquela edição exclusiva de presente para o cara que só não ia se encontrar com Susan mais tarde porque ele já estava lá com ela.

Olhei para ela que nem havia notado que eu vi os sapatos e só disse:

— Ok! O jantar amanhã é na casa do Jean, nos vemos lá?

— Claro!

— Então boa noite!

— Boa noite! — Ela respondeu e fechou a porta.