O Canto da Sereia
Capítulo 17 Valentina Lemes
Capítulo 17
Valentina Lemes
Eu precisava sair e clarear as idéias, as fotos poderiam não ser o que pareciam, Thales devia ter um motivo para ver Celeste, eu tinha que deixar para pirar só depois que conversasse com ele. Resolvi ir logo ao supermercado, eu precisava comprar algumas coisas pois o jantar de segunda a noite seria aqui hoje. Então tirei o avental, peguei a bolsa e desci.
Assim que saí da portaria do prédio fui abordada por Phillip.
— Tina. — Ele me chamou.
Eu não o respondi então ele me pegou pelo braço e entrou em minha frente me fazendo parar.
— O que você quer Phillip?
— Você não me respondeu, eu fiquei preocupado que tivesse acontecido algo, quando enviei as fotos me esqueci completamente do bebê, na hora eu só quis te mostrar, para você não fazer mais papel de boba e quando você não respondeu me dei conta de que você não podia passar por grandes emoções.
— Não finja que se importa Phill!
— Mas eu me importo com você Tina, eu
errei, eu sei e estou arrependido, quero consertar as
coisas.
— Não me venha com essa! Acha que pode acabar com meu relacionamento com Thales me mandando aquelas fotos que podem não ser nada, e que fazendo isso voltarei para você?
— Não com aquelas fotos não, mas com isso penso sim que você pode cair em si. Você sabe que ele está querendo ir para Paris com a ex dele?
Eu fiquei surpresa com a pergunta dele e ele retirava do bolso um papel com a cópia de uma conversa do aplicativo de mensagem instantânea. Era uma conversa entre Thales e Celeste, o número novo do celular dele estava no alto da tela e nas mensagens que ele enviou estava o nome de Celeste. E ela o chamava de amorzinho. Eles falavam sobre uma viagem para Paris, Celeste tentava convencê-lo a ir mas ele dizia que ainda tinha que pensar mais apesar de não dizer que não em nenhum momento. Então ele estava mesmo cogitando a possibilidade de me deixar e seguir com a sua ex para fora do país?
Meus nervos estavam à flor da pele, minhas vistas embaçaram e senti as pernas bambearem, Phillip me amparou.
— Droga! Valentina você precisa que eu te leve ao hospital? — Ele perguntou, e eu neguei com a cabeça. Então senti uma pontada muito forte na barriga e gemi.
Phillip abriu a porta de seu carro que estava ao nosso lado e eu entrei, ele deu a volta no carro e me levou para o hospital. Chegando lá fui atendida imediatamente, minha médica me examinou e medicou.
— Valentina sei que você se sente melhor agora mas será necessário você permanecer aqui mais um pouco em observação. Também será necessário o repouso absoluto nessas últimas semanas por causa da sua perda de líquido. Onde Thales está? — A doutora disse.
— Não consegui falar com ele quando passei mal, então Phillip me trouxe. — Menti.
— Tudo bem, mas como ele é seu companheiro eu gostaria de falar com ele sobre isso.
— Ela virá assim que puder. — Phillip respondeu me poupando.
A doutora assentiu e saiu da sala, Phillip suspirou e passou as mãos pelos cabelos e em seguida pelo rosto.
— Desculpe Tina eu não queria que você passasse por isso, te deixar mal ou mesmo fazer mal ao bebê com a gestação já tão avançada nunca foi minha intenção. — Ele disse e eu somente assenti.
— Você poderia por favor ligar para o Thales? Eu não trouxe meu celular. — Pedi.
— Claro, tudo o que você precisar. Diga o número.
Eu passei o numero, ele ligou mas o celular de Thales estava desligado, então passei o de Susan que atendeu e disse que estava vindo.
Quando minha amiga chegou parecia que um furacão havia invadido o hospital, eu conseguia ouvi-la antes de ela chegar ao quarto onde eu estava. Então ela entrou no quarto:
— Tina você está bem? E Catarina? — Ela perguntou.
— Sim estamos bem agora, só precisarei ficar em observação por mais algumas horas.
— O que houve? Cadê o Thales?
A pergunta sobre Thales me acertou em cheio, onde ele estaria? Com ela?
— O celular dele está desligado, não conseguimos contatá-lo. — Phillip respondeu por mim e minha amiga virou-se bruscamente na direção dele e depois se voltou para mim.
— O que esse babaca está fazendo aqui? — Ela perguntou ríspida.
— Esse babaca foi quem socorreu ela porque o seu amigo estava ocupado demais com outra coisa. — Ele replicou no mesmo tom.
— O que ele quer dizer Tina? — Minha amiga se dirigiu à mim.
— Não é nada Susan, é só que Thales está com o telefone desligado.
— Bom agora que sua amiga/cão de guarda do seu namorado está aqui acho que já vou. — Phillip disse e Susan literalmente rosnou para ele.
— Obrigado Phillip, por tudo! — Eu agradeci dando ênfase nas duas últimas palavras para que ele entendesse que eu o agradecia por me mostrar as mensagens também .
Ele assentiu e saiu. Susan fez um interrogatório completo e eu contei tudo a ela, que por sua vez ficou chocada, mas entendeu que aquele momento não era o mais propício para ela expressar sua opinião.
Ela foi buscar um café e eu fiquei no quarto pensando no que tinha acontecido, eu fiquei tão nervosa com tudo e nem dei a chance de Thales se explicar ainda, ele nem mesmo sabia de tudo o que havia acontecido. Então prometi a mim mesma que conversaria com ele primeiramente sem acusá-lo, daria a chance de ele se explicar para podermos enfim resolver essa questão.
Susan havia ligado e avisado Jean e ele prontamente correu para o hospital, e algumas horas depois Jean, Susan e eu saímos do quarto de hospital e seguimos para a tesouraria onde eu realizaria o pagamento do meu atendimento médico. Jean se ofereceu para pagar mas eu neguei e quando informei meus dados a atendente ela disse:
— Senhorita Lemes não há despesas pendentes em seu nome, o senhor Phillip Caleb já acertou todas as custas do atendimento.
— O que? Não, deve haver algum engano, eu quero pagar minhas próprias despesas. — Eu disse.
— Desculpe senhorita, não posso receber a mesma receita duas vezes.
Não era para Phillip ter feito isso, mas agora já que ele tinha feito só me restava ir para casa e cumprir as ordens de repouso absoluto até que Catarina resolvesse vir ao mundo.
Jean me ajudou durante todo o caminho, já que eu me neguei a ser carregada no colo por ele. Entramos em meu apartamento e me sentei no sofá.
— Se você não se incomodar Jean e eu ficaremos aqui com você até Thales chegar e explicaremos tudo a ele. — Susan disse.
— Tudo bem. — Eu concordei.
— Estou com fome, vou em casa pegar alguns ingredientes para lhe fazer uma bela sopa para te deixar mais fortinha, já volto! — Susan informou.
Ela abriu a porta do meu apartamento e quando já estava fora dele ela disse, mas não antes que a porta se fechasse.
— Mas que merda é essa?
Jean também ouviu e franziu o cenho, ele me olhou e disse:
— Fica aqui quietinha tá, eu já volto, só vou ver se há algo errado com a Su. — Ele pediu e eu assenti, então ele se encaminhou para a porta e quando saiu eu pude ouvi-lo. — Mas que droga Thales! A Valentina está lá dentro e.. — o som do restante da frase foi abafado pela porta que foi fechada.
Havia algo de errado, algo que eles não queria que eu visse e Thales estava ali, então me levantei e com calma caminhei até a porta e a abri lentamente. No mesmo momento em que abri a porta ouvi a voz de Thales:
— Vou dizer só mais uma vez, vocês são meus amigos mas não se metam mais na minha vida! — Seu tom era severo e então ouvi a risada de Celeste.
Minhas pernas tremeram novamente e tive medo de sair e ver a cena que se desenrolava ali. Respirei fundo e sai, a primeira que me viu foi a loira, que por sua vez abriu um sorriso diabólico, ela estava agarrada a Thales que me notou logo em seguida.
Ele engoliu em seco e Celeste se pronunciou:
— Vai amorzinho acaba com isso de uma vez, você queria falar para ela você mesmo então o faça logo e vamos fazer as malas ou perderemos o avião. — Sua voz agora me causava náusea e eu sabia exatamente o que vinha a seguir.
Susan e Jean se viraram para mim neste momento, surpresos por eu estar ali.
— Tina espera... — Susan ia dizendo mas eu a cortei.
— Não! Ao que parece Thales tem algo a me dizer. — Eu disse olhando para ele.
— Eu... — Ele vacilou. — Eu estou indo
para Paris, vou fazer uma especialização lá, Celeste
está indo comigo...
— Nós reatamos! — Ela o interrompeu com uma animação desnecessária e irritante e ele abaixou a cabeça e meus dois amigos que estavam ao meu lado ficaram sem graça. Thales continuou a falar.
— Sim, nós reatamos e estamos indo embora, como nunca rotulamos o que tínhamos, então quer dizer que não tínhamos nada , acho que não tem problema para você então.
— Não tem problema para ela? — Susan quase gritou e Thales arquejou.
— Calma Su! — Pediu Jean e Celeste estava com o risinho irritante no rosto.
— Eu vou tirar esse risinho idiota da cara dessa ordinária. — Susan disse e avançou na loira irritante.
Thales protegeu Celeste, ele não deveria estar protegendo a mim? Não foi isso que ele me prometeu quando me pediu a chance de ficarmos juntos? Como posso ter sido tão burra?
Jean segurou Susan e se dirigiu a Thales:
— Acho que você está cometendo um grande erro companheiro!
— Erro nenhum, eu sou bonita, bem educada e tenho influência, e ela “ o que? Uma mulher grávida de um homem que não quis saber nem dela nem do bastardo que ela carrega? Com certe...
— Cala a boca Celeste! - Susan esbravejou.
Thales somente abaixou a cabeça e entrou em seu apartamento com a loira em seu encalço. Para meu mérito eu não chorei, ao menos não na frente deles.