O Canto da Sereia
Capítulo 24 Valentina Lemes
Capítulo 24
Valentina Lemes
Catarina é meu maior amor, mas ela tem trocado o dia pela noite e isso tem acabado comigo. Seis dias depois de termos voltado do hospital eu já estava chorando de desespero e cansaço. Um mês depois ela continuava na mesma vibe de troca.
O calor estava absurdo e eu estava na sacada com Catarina tentando fazê-la dormir por volta de 01:45 horas da manhã, mas ela não dava nem sinal de que iria dormir. Ela resmungava e eu estava completamente esgotada, então Thales perguntou de sua sacada:
— Noite difícil?
— Ultimamente todas tem sido. — Eu admiti derrotada.
— Posso ajudar?
— Não!
— Não seja orgulhosa Tina, você visivelmente precisa descansar, e Catarina não parece estar nem um pouquinho se quer com sono, você vai acabar dormindo e deixando ela cair.
— Eu nunca faria isso!
— Duas noites atrás você estava sentada na cadeira de balanço e cochilou, eu vi por aqui, foi bem rápido, coisa de segundos, então você despertou assustada, e ficou uma boa meia hora chorando e pedindo perdão à Catarina, eu vi e ouvi tudo daqui.
Deus! Isso era verdade, foi a maior culpa que eu senti em toda a minha vida. Eu gemi em frustração e ele continuou falando.
— Vamos lá Valentina, isso não vai fazer de você menos mãe ou uma mãe ruim, você só precisa de uma noite de descanso e amanhã estará muito mais disposta para cuidar dela.
Nisso ele tinha razão, mas eu não podia entregar Catarina à ele.
— Não posso deixa-la ai com você, e ela pode querer mamar antes do amanhecer.
— Se você se sentir mais segura posso ir até aí. — Ele disse e eu considerei se era uma boa ideia.
Eu estava realmente tentada a aceitar a oferta dele, bom ele não faria mal a Catarina, ele com certeza errou comigo mas sei que ele ama minha filha como se fosse dele.
— Tudo bem, venha! — Eu autorizei.
Em menos de um minuto ele estava dentro do meu apartamento.
— Você realmente devia manter essa porta trancada Valentina, nunca se sabe quem pode entrar.
— Sei, veja bem vou deitar e deixar a porta do quarto aberta e qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, você vai me acordar entendido?
— Sim senhora! — Ele brincou.
— Você tem certeza de que realmente quer fazer isso?
— Valentina vá tomar um banho decente e descansar, eu sei o que tenho que fazer. — Ele disse.
— Ok! — Eu ainda estava insegura com isso, olhei para a porta então caminhei até ela tranquei com a chave e levei a chave comigo. Ele me observava. — Vou seguir seu conselho e trancar a porta, afinal nunca se sabe quem pode entrar ou sair não é?!
Ele sorriu e caminhou em minha direção, quando estava perto o suficiente ele estendeu os braços para que eu entregasse Catarina à ele e foi o que eu fiz, mesmo que relutante.
— Tina relaxa eu vou cuidar bem dela. — Ele me garantiu. — Só tenta descansar um pouco.
Eu assenti e fui para o banheiro, tomei um banho bem tranquila, e Catarina parecia estar bem já que não estava nem ao menos resmungando. Saí do banho e os encontrei no quartinho dela, Thales acariciava delicadamente seu pequeno rostinho e conversava com ela, falando de sereias. Ele falava de uma sereia que canta uma bela canção, sentada em uma grande pedra na praia, a sereia havia atraído um homem que tentava a qualquer custo chegar até ela.
Catarina estava quietinha em seu colo e olhava diretamente para ele. Quando ele percebeu minha presença, olhou para mim e sorriu.
— Só com o banho já me sinto outra pessoa. — Eu disse e sorri sem jeito. — Obrigada por isso.
Ele somente assentiu e Catarina resmungou atraindo sua atenção novamente, então, ele continuou sua história e eu segui para meu quarto. Só me lembro de ter saído do quarto de minha filha, nem sei como cheguei à minha cama.
Senti alguém tentando me acordar, abri os olhos e Susan estava com o rosto bem perto o meu, então me assustei.
— Susan! Quer me matar? — Perguntei.
— Você não acordava, fiquei assustada, desculpe!
Eu afundei novamente no colchão.
— Que horas são? — Perguntei
— Quase meio dia, e porque Thales está dormindo no seu tapete?
— Meio dia, como foi que dormi tanto? Thales! Catarina! — Eu me levantei em um pulo.
— Calma Tina ou você vai acordá-los. — Pediu Susan.
Caminhei apressadamente para a sala e parei de repente ou ver aquela cena.
Thales estava dormindo deitado de costas em meu tapete fofinho do chão da sala e Catarina dormia tranquilamente em seu peito, as mãos de Thales estavam protetoramente nas costinhas da minha filha. A cena era linda, parecia que tinham adormecido um olhando para o outro. Susan me fez um sinal com a cabeça indicando o quarto, fomos para lá e ela perguntou:
— Você tem algo para me contar?
— Não aconteceu nada, eu estava exausta e Thales se ofereceu para ajudar.
— Sei! E ele te ajudou de quantas maneiras? — Ela perguntou com um tom de malicia e mexendo as sobrancelhas.
— O que? — Eu sei que não se responde uma pergunta com outra mas não consegui evitar.
— Bom, ele claramente fez o papel de pai da Catarina essa noite. — Ela dizia e um sorriso malicioso surgiu em sua boca. — Ele foi o seu papaizinho também? — Ela piscou e fez cara de safada mordendo o lábio inferior e tudo mais.
— Não! Ai que absurdo Susan, não sei da onde você tira essas coisas. — Eu disse, embora sentisse meu corpo todo esquentar. — Nossa ta calor aqui né?
Ela arqueou uma sobrancelha e eu ouvi Catarina chorar.