Ordem imperial e aldeamento indígena: Camacãns, Gueréns e Pataxós do Sul da Bahia

Capítulo V - A “Extinção” do aldeamento São Pedro de Alcântara: nação, política indigenista e invisibilização dos índios na ordem imperial

Capítulo V - A “extinção” do

 

aldeamento São Pedro de

 

Alcântara: nação, política

 

indigenista e invisibilização dos

 

índios na ordem imperial

 

No último capítulo deste estudo, pretendemos refletir sobre a política indigenista do século XIX, especialmente a paulatina extinção dos aldeamentos com fins de inserir os índios em a nação brasileira, concomitantemente à ideia de sua extinção social e cultural. A produção historiográfica que discute a legislação indigenista oitocentista afirma a transitoriedade da utilização da mão de obra indígena, a exemplo de Carneiro da Cunha, com quem já dialogamos neste estudo. Além disso, a historiografia indígena tem discutido a transitoriedade dos aldeamentos oitocentistas, a exemplo de Celestino de Almeida. Os aspectos suscitados por Cunha e Almeida permitem pensar como podemos situar Ferradas no processo da colonização sul baiana, durante o século XIX.

Finalizando o estudo, nos ocuparemos em observar a política e o discurso indigenistas de “extinção” do Aldeamento São Pedro de Alcântara. Os índios de Ferradas, tão atuantes no processo de ocupação e exploração territorial na região sul da Bahia, de repente desaparecem da documentação e isso merece ser abordado com mais cautela, pois os indícios documentais nos levam a perceber a criação da Colônia Nacional Agrícola Cachoeira sobre o aldeamento de Ferradas. Tudo leva a crer que os índios permaneceram no novo estabelecimento de colonização e, neste capítulo, ensaiaremos algumas aproximações entre os distintos projetos de aldeamento de catequese e de colônias nacionais agrícolas. Ao que tudo indica, houve um premeditado esforço de invisibilização da presença indígena na região do “antigo” estabelecimento de catequese, no momento em que começou a implantação da colônia agrícola.