Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 11 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 10

 

Brad foi em bora de Nova York na tarde de sexta-feira, no dia seguinte. Ligou para ela de m anhã para dizer o quanto estava quebrado e dolorido por causa da patinação, e com o m al conseguiu sair da cam a do hotel. Mas nunca se divertira tanto. Queria passar na casa dela para se despedir, porém acabou não dando tem po, e ele teve de correr para não perder o avião. Mas ligou para ela do aeroporto.

— Queria lhe dar um abraço e desej ar Feliz Natal, Fred — disse ele triste. Estava decepcionado por não vê-la um a últim a vez. — Ontem à noite, m e diverti tanto. Mais que nunca. Terem os de fazer isso de novo na próxim a vez que eu vier à cidade. — Mas ele não tinha planos. Quase não vinha a Nova York, exceto para conferências, com o esta da qual participou. Quando trabalhava na firm a no sogro, costum ava vir toda hora.

— Tam bém m e diverti m uito — confirm ou ela, sentindo-se nostálgica. Fora tão m aravilhoso vê-lo, e agora que ele estava voltando para a Califórnia, era com o se despedir de novo de um a parte de Jack. — Fiquei feliz por term os ido à Catedral de St. Patrick.

— Eu tam bém . Talvez um dia desses, eu acenda um a vela para ele em San Francisco. Acredito nisso. Ainda parece especial.

— Eu sei — concordou ela. — Vou acender um a para você na Missa do Galo. Geralm ente consigo levar Zoe com igo. — Isso fez com que ele pensasse que deveria fazer isso em vez de ir à Ceia de Natal de Pam . Mas na Véspera de Natal não costum avam fazer m uita coisa. Jantavam na casa do pai dela, voltavam para casa e iam para cam a. Com o os m eninos estavam longe, decidiram não m ontar a árvore de Natal naquele ano.

— Quando Zoe chegará em casa? — Ele se esquecera, m as sabia que era nos próxim os dias. E Alex deveria chegar no dia seguinte. Brad entrara na casa dela por alguns m inutos na noite anterior, quando foi levá-la. E Faith m ostrara o escritório onde ficava seu com putador e de onde escrevia seus e-m ails. Era um côm odo pequeno e aconchegante, cheio de fotografias e o que ela cham ava de ruínas sentim entais. Mas ele gostou de ver o lugar de onde ela escrevia para ele. Poderia visualizá-la assim .

— Zoe chegará em casa hoj e à noite — respondeu ela quando ele ligou do aeroporto. — As coisas vão ficar um a loucura depois disso. Jovens entrando e saindo de casa o tem po todo, roupas por todo lado, entregas de pizzas no m eio da noite...

— Sinto m uita falta disso hoj e em dia — com entou ele, soando triste. Gostaria de vê-la de novo. — Ligarei no final de sem ana. Estarei no escritório. Cuide-se, Fred.

— Você tam bém . E obrigada pelas duas noites m aravilhosas. Eu am ei.

— Eu tam bém . — Anunciaram o voo dele então, e ele teve de ir. — Acenda um a vela para m im na próxim a vez em que for à igrej a. Um a aj uda extra é sem pre bom .

— Pode deixar. Boa viagem — exclam ou ela enquanto ele desligava o telefone, e então ela sentou-se, pensando nele.

Era tão estranho tê-lo de volta em sua vida, e tão m aravilhoso. Era um verdadeiro presente. Vê-lo fora o m elhor presente de Natal possível, exceto se Ellie viesse para casa. Ainda tinha de contar a Zoe que a irm ã ia passar as festas na Suíça. Mas agora só conseguia pensar no tem po em que passou com Brad e o quanto tinha sido significativo. As conversas que tiveram nos dois j antares foram expressivas, e ela am ara patinar com ele. Era incrível a facilidade com que ainda se abriam um com o outro, com o nos velhos tem pos, m as era m elhor, porque eram m ais sábios agora. Era tão agradável conversar com ele. Em alguns aspectos, até m ais fácil do que conversar com Jack. Eles sem pre discordaram de coisas com o o casam ento da m ãe deles, Faith a vira por toda a vida com o solitária e infeliz, enquanto Jack achava que Charles era um hom em decente e a irm ã era m uito crítica em relação a ele. E nunca tiveram um a conversa olhos nos olhos sobre seus respectivos cônj uges. Ela não gostava de Debbie, e ele odiava Alex. Mas não havia nenhum a lealdade ao conversar sobre isso com Brad, e eles viam a m aioria das coisas da m esm a form a, pelo m esm o ângulo. Ela ficava triste ao perceber quanta coisa ele havia com prom etido por causa do casam ento. Sentia m uito por ele. Pam parecia a m ulher errada para Brad, m as era óbvio que ele estava preso para o resto da vida. Era nobre da parte dele, m as, pelo m enos para ela, parecia perdido de algum a form a. Mas ele teria dito a m esm a coisa sobre Alex. Nenhum deles tinha um casam ento ou um cônj uge fácil, m as eram quem eles tinham escolhido e a quem tinham decidido ser leais. Ela o respeitava por isso, e ao m esm o tem po, tinha pena.

Mandou um e-m ail para ele naquela noite, agradecendo pelos j antares e pela patinação. E assim que enviou, Zoe entrou, com quatro m alas, raquete de tênis, a bolsa da câm era e seu laptop em baixo do braço. Jogou tudo no vestíbulo de entrada e foi para a cozinha. Estava enchendo um copo de leite quando a m ãe entrou.

— Sej a bem -vinda. — Faith envolveu-a em seus braços e deu-lhe um abraço carinhoso, depois ofereceu-se para preparar algum a coisa para ela com er, m as ela disse que j á com era um sanduíche no aeroporto antes de vir para casa.

Serviu-se de sorvete e sentou-se na m esa da cozinha com um sorriso, enquanto Faith ria para ela.

— Você é colírio para os m eus olhos. É tão bom tê-la em casa. — Ela ficaria por três sem anas, e Faith estava anim ada.

— Tam bém fico feliz. — Zoe sorriu, raspando o pote de sorvete de crem e. — Quando Ellie chega? — perguntou ela, e o rosto de Faith entristeceu-se na hora.

— Ela não vem . Vai para Saint Moritz, na Suíça, para esquiar com Geoff e a fam ília.

— Está falando sério? — Zoe parecia perplexa. — Ela vai casar com ele? — Era a única razão que podia pensar para Eloise não vir para casa: conhecer os sogros e perm anecer na Europa para ficar noiva.

— Não que eu saiba. Mas ela quis ir para se divertir.

— E você deixou, m ãe? — Zoe não podia acreditar. As festas eram im portantes para Faith, e Zoe não conseguia im aginar a m ãe deixando a irm ã m ais velha escapar com tanta facilidade, m as Faith não teria deixado se Alex não tivesse dito que ela podia.

— Parece que ela ligou para o pai prim eiro e ele disse que não tinha problem a. Então acabei deixando ela escapar desta vez, m as disse que no ano que vem é obrigatório. Então não vá tendo nenhum a idéia. — Faith apontou um dedo para Zoe, que sorriu.

— Não se preocupe, m ãe. Não vou a lugar nenhum . Mas vai ser estranho não tê-la aqui. — De repente, Zoe pareceu triste. Era difícil im aginar o Natal sem a irm ã, m esm o que nem sem pre concordassem um a com a outra. Seria estranho e um pouco triste.

— Eu sei que vai — concordou Faith. — Você será filha única por três sem anas. — O rosto de Zoe se ilum inou com isso.

— Na verdade, isso parece m uito bom . Por falar nisso, cadê o papai?

— Voltando da Califórnia. Estará em casa em poucas horas. — Ele ligara do aeroporto para dizer que estava vindo para casa um dia antes e que estava exausto.

— Só para saber — disse Zoe ao pegar o telefone. Meia hora depois, estava em seu quarto desarrum ando a m ala e espalhando roupas por todo o chão. O com putador j á estava ligado quando a cam painha da frente tocou três vezes e suas m elhores am igas do colégio chegaram . Um a pizza chegou um a hora depois, e quando Alex chegou em casa, a m úsica estava alta e as m eninas estavam rindo, e Zoe disse que iam sair. Um caos absoluto reinava, e Faith parecia extasiada quando Alex entrou no quarto reclam ando.

— Nossa casa foi invadida pelos m arcianos — reclam ou ele. — O entregador de pizza estava saindo quando eu estava chegando. Tam bém estavam entregando com ida chinesa. Zoe j á pegou cem dólares em prestado e tem um as duzentas m eninas no quarto dela. Eu quase tinha esquecido com o era quando ela estava em casa. Por quanto tem po ela ficará? — Ele parecia exausto e desesperado, e Faith acabara de desligar a banheira de Zoe antes que transbordasse. Mas ela am ava a vida que Zoe trazia à casa. Só sua presença j á fazia Faith sentir-se viva de novo.

— Ela ficará por três sem anas. Com o foi a viagem ?

— Exaustiva. Mas sossegada em com paração a isso aqui. Você acha que podem os pedir para ela abaixar o som ou eu devo usar tam pões de ouvido nas próxim as três sem anas? Sem pre foi assim ? — Ele parecia acabado.

— Sem pre. É por isso que fico tão entediada quando elas não estão aqui. — E então ela olhou para Alex, enquanto ele colocava a pasta na m esa e se j ogava em um a cadeira. — Você não m e contou que conversou com Eloise sobre ela não vir para casa no Natal. — Ela tentou não usar um tom acusador, m as m esm o assim era óbvio que não gostara. E não conversara com ele a sem ana toda enquanto ele estava em Los Angeles. Ele não ligou, nem ela.

— Devo ter esquecido de com entar — disse ele, parecendo vago.

— Você poderia ter conversado com igo antes de concordar. Você m e deixou em um a situação difícil.

— Ela vem para casa? — Ele parecia m ais preocupado do que culpado. Outro corpo na casa a esta altura o deixaria louco. Ele se esquecera de com o era quando as m eninas estavam em casa.

— Não, ela não vem . Ela m e disse que você concordou que ela ficasse lá. Isso não m e deixou m uito espaço para dizer que não podia ir para Saint Moritz sem parecer um a verdadeira chata. Então disse que ela podia.

— Ela vai se divertir — ponderou ele, tirando os sapatos.

— Disse para ela que não poderá fazer isso de novo. Quero que as m eninas estej am em casa no Natal todos os anos, e se abrirm os um precedente agora, elas nunca virão. Sem pre vai haver algum a coisa m ais tentadora do que vir para casa.

— Ela vai ficar bem — ele tentou apaziguar.

— Sei que vai. Mas m esm o assim sinto saudade dela — respondeu Faith, quando a m úsica no quarto de Zoe aum entou vários decibéis, e eles escutaram um a porta batendo.

— Eu não sinto — desabafou Alex. — Além disso, elas brigaram no Dia de Ação de Graças. Achei que faria bem elas ficarem separadas por um tem po.

— Seria m elhor se elas se vissem e fizessem as pazes — observou Faith de form a determ inada. Acreditava na proxim idade das fam ílias e tudo que isso acarretava. E, ao escutar Alex, lem brou-se de tudo que ela e Brad conversaram nos últim os dois dias. Algum as vezes ela e Alex estavam em polos opostos. Na verdade, a m aioria das vezes.

— Você acha que pode pedir para Zoe abaixar a m úsica? Vou enlouquecer se ficar alto assim por três sem anas — queixou-se ele, parecendo infeliz ao ir para o banho.

— Quer j antar? — perguntou Faith m ais alto do que o som , e ele parou na porta do banheiro com um a expressão angustiada.

— Com i no avião. Só quero ir para a cam a. Essas m eninas provavelm ente vão ficar acordadas a noite toda.

— Zoe disse que vão sair. Vou pedir para fazerem m enos barulho.

— Obrigado — disse ele e fechou a porta.

Sem beij o, sem abraço, nenhum cum prim ento carinhoso.

Ele sim plesm ente entrou no quarto e com eçou a reclam ar sobre o barulho. Ela não podia culpá-lo por reagir assim à bagunça, m as teria sido bom se tivesse algo a dizer para ela depois de passar três dias fora.

Alguns m inutos depois, ela entrou no quarto para ver Zoe e as am igas e pediu para que tentassem controlar o barulho.

Havia duas caixas de pizza abertas em cim a da cam a dela, enquanto duas m eninas com iam pizza e assistiam à TV e Zoe secava o cabelo. E havia ainda com ida chinesa esperando na cozinha. Zoe chegara em casa com força total.

— Seu pai vai dorm ir daqui a pouco, Zoe — disse Faith com calm a. — Talvez vocês pudessem falar m ais baixo, m eninas.

— Já vam os sair, m ãe — gritou Zoe sobre o barulho do secador de cabelo. — Mais três am igas m inhas vão chegar para com erm os aqui antes de sair.

— Não se esqueça de desligar a televisão e o som quando descer.

— Prom eto. — Ela fez o que prom eteu, m as quando finalm ente correram para baixo, Faith encontrou o m odelador de cabelo e os rolos quentes queim ando em cim a da pia do banheiro, e ela esquecera de esvaziar a banheira. Não adiantava falar com ela. Sem pre esquecia algum a coisa.

Tam bém deixara duas velas acesas no quarto, o que preocupava Faith. Sem pre ficava com m edo que elas virassem e colocassem fogo na casa. Velas eram um a constante batalha entre elas, e Zoe sem pre a acusava de ser paranóica.

— Elas saíram ? — perguntou Alex cheio de esperança, quando Faith voltou para o quarto. Ele estava deitado na cam a com um livro, pij am a e cabelo recém -lavado.

— Não, m as j á vão sair. — Ela não contou sobre as velas e o m odelador de cabelo. Sabia que ele tam bém ficaria exaltado. Nesta idade, Zoe às vezes parecia ter o corpo de um a m ulher e a cabeça de um a criança.

Quando Faith desceu para vê-las, estavam com endo com ida chinesa direto das caixas e rindo com o histéricas. Agora j á havia sete m eninas. E por um instante, quase ficou aliviada por Ellie não ter vindo para casa para aum entar o caos, em bora tivesse gostado de qualquer form a. Mas Alex não.

— Pensei que iríam os com prar a árvore de Natal am anhã — com entou Faith por cim a da cabeça das outras.

— Não posso, m ãe. Vou cortar o cabelo am anhã e visitar um as am igas. — Era um a tradição que Faith adorava com partilhar com ela. Mas hoj e em dia as coisas estavam diferentes. Suas tradições pareciam estar desaparecendo. — Desculpe. Podem os com prar na sem ana que vem ? — Faltavam apenas nove dias para o Natal.

— Pode ser no dom ingo? — perguntou Faith com esperança.

— Não posso. Vou a um a festa em Connecticut.

— Se eu com prar, você m e aj uda a decorar?

— Prom eto — disse Zoe ao abraçá-la, e a cam painha tocou de novo. Mais quatro m eninas chegaram , e levou m ais m eia hora até que elas saíssem . Zoe prom eteu chegar em casa em um a hora decente, m as não disse qual.

E Faith ficou na cozinha para arrum ar a bagunça. Não queria reclam ar sobre a prim eira noite de Zoe em casa. Era m ais fácil ela m esm a fazer, e nem dem orou m uito. E quando subiu para ver Alex, ele estava em um sono profundo.

Apagou a luz e desceu para o escritório. A casa de repente parecia quieta e sossegada, e ela sorriu para si m esm a. Apesar do barulho e da bagunça, adorava ter Zoe em casa. Esta era a vida com a qual divertira-se por 24 anos, e era bom ter isso de volta, m esm o que por poucas sem anas.

Mandou um e-m ail para Brad, em bora soubesse que ele ainda estava no avião. Já devia estar quase chegando em San Francisco. Era o segundo e-m ail que m andava para ele naquele dia.

Ela com eçou:

"Querido Brad, o caos reina. Música para os m eus ouvidos. Secadores e m odeladores de cabelo, pizzas chegando, com ida chinesa, risos, m eninas, rap, som , televisão, sorvete escorrendo pelo balcão até o chão da cozinha. Zoe está em casa. E j á saiu com as am igas. Alex voltou da Califórnia no m eio de tudo isso e foi para a cam a. Está dorm indo. Ela saiu.

Estou curtindo o ataque, e quando ela for em bora, tam bém estarei indo para a faculdade. Com o você está? Espero que tenha feito um a boa viagem . Foi m aravilhoso ver você de novo. Adorei nossa patinação, os dois j antares e ir à Catedral de St. Patrick com você. Volte logo. Já sinto sua falta.

Tam bém gostei de com partilhar nossos pontos de vista sobre casam entos e relacionam entos, com prom issos e o m odo com o as coisas acabam ficando no final. Não costum ávam os conversar sobre esse tipo de coisa quando éram os j ovens.

Não consigo lem brar sobre o que conversávam os. Acho que só ríam os m uito. Eu costum ava conversar m uito sobre essas coisas com Jack. Engraçado com o term inam os, não é? Não com o deveria ser, m as sim plesm ente com o é. Contanto que as m eninas estej am perto, não m e im porto. É m ais difícil quando não estão aqui. Aí fico m ais consciente do que tenho e do que não tenho.

Queria com prar a árvore de Natal com a Zoe am anhã. Ela não tem um a hora para passar com igo em três sem anas. Acho que m ontarem os a árvore este ano para a Páscoa.

Parece que vou com prar sozinha, tudo bem . Contanto que ela estej a aqui. Esta casa parece um túm ulo quando ela vai em bora.

Não trabalhe m uito neste fim de sem ana. Em breve nos falam os.

Com am or, Fred."

Depois disso, ela ficou em sua m esa um as duas horas, respondendo correspondências. E à m eia-noite em Nova York recebeu um e-m ail de Brad.

"Oi... Acabei de chegar em casa. Liguei m eu com putador para escrever para você e lá estava você. Mande um pouco desse barulho para m im . Aqui, seriam bom bas de bicicleta e skates na entrada, tênis voando pela casa. Algazarra inacreditável da disputa entre som e TV, e m inhas cuecas sem pre desaparecem . Com o eles conseguem usar todas as m inhas cuecas e m eias? Carros parados na calçada em frente à casa. Um bando de j ovens devorando tudo da geladeira.

Sinto falta de tudo isso. Gostaria que m eus filhos tam bém estivessem em casa. Curta cada m inuto disso! Curti cada m inuto com você, Fred. Que presente reencontrá-la depois de todos esses anos. Sinto tê-la perdido três anos atrás.

Prom eto que isso não vai acontecer de novo. Você é boa dem ais para ser verdade. Por que não agarrei você e segurei quando tinha 14 anos? Eu estava procurando garotas com peitos grandes e sem neurônios naquela época. Quanto m aiores, m elhor. De qualquer form a, Jack teria m e m atado.

Melhor assim . Am o você com o am iga, irm ãzinha. Obrigado por trazer tanto brilho à m inha vida. Se sua m ãe ainda estivesse viva, eu agradeceria a ela por tudo que você é.

Provavelm ente não tenho de agradecer a ela. Você é quem você é. Vou cair na cam a. Adoraria estar aí para aj udá-la a decorar a árvore. Dê a Zoe um abraço do am igo m ais antigo da m ãe dela. Não dê um beij o em Alex por m im , ele não entenderia. E cuide-se, Fred. Só m ais nove dias até o Natal.

E oito para as m inhas com pras. Com am or, Brad."

Faith sorriu para si m esm a ao ler, e então finalm ente subiu para ler na cam a. Queria esperar acordada até Zoe chegar em casa, o que aconteceu às duas da m anhã. E Faith foi dar um beij o de boa noite na filha, que parecia feliz e anim ada por rever as am igas, e a m elhor am iga da época de colégio veio dorm ir em casa com ela, o que não tinha problem as para Faith.

— Vej o vocês pela m anhã, m eninas — disse Faith ao fechar a porta e abrir de novo. — Nada de velas, por favor. Gostaria de tentar não colocar fogo na casa antes do Natal, se conseguirm os. Tudo bem por vocês?

— Tudo bem , m ãe. — Zoe parecia divertida. — Boa noite.

Alex estava roncando quando ela deitou na cam a ao lado dele e virou-se para olhar para ele enquanto apagava a luz. Nunca poderia ter tido com Alex as discussões que tivera naquela sem ana com Brad, ele não veria razão para isso. E ele nunca teria conseguido ser poético sobre o caos adorável de suas filhas em casa.

Não teria patinado com ela, nem ido à Catedral de St. Patrick para acender um a vela para Jack. Por que um a pessoa pode fazer coisas com um am igo que nunca faria com o hom em da sua vida? Alex era estável, sério e confiável, e estavam casados há um a eternidade. Mas ele a teria dispensado com um aceno se ela tentasse conversar sobre os sacrifícios que um a pessoa faz no casam ento, ou os com prom issos que tem de assum ir. Ele nunca teria com preendido, e nem ia querer com preender. Ela e Alex conversavam sobre outras coisas, com o filhas e negócios, a últim a viagem dele, ou algo que ela vira no j ornal. Mas não poderia ter com partilhado com ele suas filosofias ou sonhos do coração. Era sim plesm ente assim . Não havia por que rem oer isso ou lam entar-se pelo que não teve. E agora podia conversar com Brad. Assim com o ele dissera sobre Faith, ele era um presente na vida dela.

Apagou a luz então, e cinco m inutos depois pegou no sono.

Quando acordou na m anhã seguinte, Alex j á saíra. Fora procurar refúgio no escritório e colocar o trabalho em dia.

Faith estava saindo da banheira e pegando um a toalha quando Zoe entrou.

— Nossa, m ãe! Onde conseguiu esse hem atom a? — Zoe parecia chocada, e Faith olhou para baixo surpresa. Nem notara. Havia um grande hem atom a roxo em seu quadril.

— O quê?... Ah... isso... deve ter sido patinando um a noite dessas — respondeu ela, secando-se. Em bora o hem atom a fosse im pressionante, m al doía.

— Você foi patinar? Desde quando você patina? — Zoe parecia surpresa.

— Desde quando tinha uns 5 anos. Mas há m uitos anos não patinava. Você não se lem bra? Eu levava vocês para patinarem no parque quando eram pequenas. — Jack até fora j unto um a ou duas vezes. Mas Zoe provavelm ente era m uito nova para se lem brar.

— Acho que lem bro — disse Zoe, parecendo vaga. Ela se interessara m ais por balé e cavalos depois disso. — Então, com quem você foi patinar? — Não conseguia im aginar a m ãe patinando sozinha. Parecia estranho.

— Um velho am igo do tio Jack. Nós crescem os j untos. Ele ficou uns dois dias em Nova York e fom os patinar em hom enagem aos velhos tem pos. Foi divertido.

— Com o ele é? — Zoe parecia interessada, enquanto sua m ãe se vestia e elas conversavam . Era parte do que Faith adorava quando ela estava em casa. Era um a com panhia para ela.

— Ele é um hom em bacana, m e faz lem brar m uito do tio Jack. Há dois m eses que trocam os e-m ails, nos reencontram os no funeral de Charles. Ele m ora em San Francisco e é defensor público de crianças. Coisa pesada. Delitos graves, esse tipo de coisa. Você o conheceu no funeral do Tio Jack, m as não deve se lem brar. — As m eninas conheceram tanta gente naquele dia, e estavam tão tristes. Zoe parecia estar gostando da descrição.

— Você tem um a queda por ele, m ãe? Você fala dele de um a form a tão doce.

— Não sej a boba. Nós nos conhecem os a vida toda.

— Coisas estranhas acontecem . Ele tem um a queda por você?

— Não. Som os apenas bons am igos. Com o irm ãos. Conversam os sobre um m onte de coisas e tem os pensam entos bem parecidos. Provavelm ente porque crescem os j untos. Acho que isso aj uda.

— Ele é casado?— Zoe estava intrigada. Parecia exótico. Não conseguia se lem brar de sua m ãe ter um am igo hom em chegado, em bora conhecesse algum as m ulheres casadas que tinham . Tam bém não achava que sua m ãe tinha casos, apesar de achar que o pai não era legal com ela. Zoe achava que ele m erecia e que teria sido bom para Faith. Estava aberta a todas as possibilidades, m uito m ais que Faith.

— Ele é casado sim . Tem dois filhos gêm eos. Estão trabalhando na África por um ano. Eles têm m ais ou m enos a idade de Ellie.

— Talvez ela gostasse de conhecê-los um dia desses. Eles são bonitos?

Brad lhe m ostrara um a fotografia, e eles pareciam o pai.

— Acho que são.

— Então não devem ser — resolveu Zoe, e voltou para seu quarto.

Faith achou estranho Zoe ficar tão intrigada com Brad. E um pouco depois, a filha saiu para cortar o cabelo e a m ãe para com prar a árvore. Com prou um a árvore alta e larga que ficaria ótim a na sala de estar, e entregaram à tarde. Ela estava decorando-a quando Alex chegou, e parou para observá-la por um m om ento, depois sentou-se, com o se o proj eto não o envolvesse. Ela estava em cim a da escada, pendurando bolas coloridas e brilhantes nos galhos m ais altos. Travara um a batalha com as lâm padas um a hora antes.

— Quer aj udar? — perguntou ela com esperança. Zoe não estava por perto e não chegara em casa ainda.

— Parece que está tudo sob controle — respondeu ele, e então desapareceu. Ele detestava decorar a árvore. Ela sem pre fazia isso com as m eninas, m as parecia que aqueles dias tinham acabado. As m eninas não tinham m ais tem po nem interesse de fazer isso. Levou m ais um a hora até que ela desse um passo para trás e olhasse com prazer para seu trabalho. A árvore estava linda e festiva. Colocou um CD de corais natalinos e foi procurar algo em sua m esa. E quando chegou lá, viu que tinha e-m ail. Não verificara o com putador o dia todo.

"Oi, Fred. Dia deprim ente. Tinha de dividir com alguém . Recebi o telefonem a de um casal e os encontrei há pouco. A filha deles de 15 anos está sendo acusada de m atar o filho de 6. Pelo que pude deduzir, ela tem problem as m entais, em bora não sej am claros, ela certam ente os tem . Ela deve ir a j ulgam ento por isso, m as acho que posso conseguir um exam e de sanidade m ental. Ela provavelm ente vai para um m anicôm io j udiciário. Um a tragédia para eles. Estão destruídos. Presente de Natal. As fotos do m enino acabaram com igo. Vou ver a m enina hoj e à noite. Está sendo avaliada agora. Alguns dias não am o m eu trabalho. Não posso fazer m uito para resolver esse caso ou aj udá-los, exceto com a parte técnica. Desculpe por aborrecê-la. Espero que estej a tendo um bom dia. Melhor que o m eu. Com prou a árvore? Aposto que está linda. E você tam bém . Gostei do seu casaco verm elho. Eu disse isso? Você fica linda de verm elho. E de patins. Até breve. Com am or, Brad."

Ele parecia tão para baixo que ela respondeu na m esm a hora.

"Sinto m uito pelo caso. Parece terrível. O pior pesadelo é que parece que vão perder os dois filhos. Que horrível. Sinto m uito por ter caído em seu colo. Aqui está tudo bem . A árvore está pronta. Está linda. Zoe sum iu o dia todo. Um corte de cabelo de seis horas poupou-a de sua tarefa de decorar a árvore. Ela deve chegar em casa a qualquer m inuto, tenho certeza. Tenho de com eçar a preparar o j antar. Só queria dizer oi. Fiquei tão bem de patins, que agora tenho um hem atom a que vai do m eu quadril até o j oelho. Zoe ficou horrorizada. Contei a ela onde fui e com quem . Ela ficou im pressionada. Espero que a encontre da próxim a vez. Cuide-se. Tente se anim ar. Com am or, Fred."

Zoe entrou na hora que ela estava enviando. O cabelo estava ótim o, e ela tam bém fizera m aquiagem e as unhas.

— Nossa, você está linda! — Faith sorriu para ela, ainda sentada à sua m esa.

— Para quem você está escrevendo? — Zoe parecia curiosa.

Estava linda. Maquiada, parecia-se m uito com Faith quando j ovem .

— Brad. O am igo de quem lhe falei — respondeu Faith de form a tranquila, e Zoe sorriu.

— Mãe, você está apaixonada por ele? — Zoe parecia séria, e Faith balançou a cabeça.

— Claro que não. Som os apenas am igos.

— Está tendo um caso com ele? — Ela estava determ inada a fazer disso m ais do que realm ente era, e estava intrigada.

— Claro que não. Ele é um am igo. Só isso.

— Acho que você está apaixonada por ele, m ãe — provocou Zoe com um olhar teim oso. — Devia ver seus olhos quando fala dele. Saem estrelas.

— Anda fum ando crack de novo, Zoe Madison — im plicou a m ãe.

— Não. Mas acho que estou certa. Você está apaixonada.

— E você é a pessoa m ais boba que conheço. — Faith riu.

— O papai sabe? Quero dizer, sobre ele.

— Acho que j á falei dele para o seu pai. Mas não ficou interessado. Ele não tem a im aginação criativa que você tem , graças a Deus. Nem o Brad, felizm ente. Eu era apaixonada por ele na adolescência, e superei quando tinha 14 anos. Isso foi cem anos atrás. Então, não, eu não estou apaixonada.

— Talvez devesse — insistiu Zoe séria. — Você é infeliz com o papai. — Zoe o dissera de form a trivial, e Faith ficou horrorizada.

— Não sou não! Que coisa terrível de se dizer!

— Bem , é a verdade. Ele nunca conversa com você. Não é legal com você. Nunca a beij a, nem dá um abraço.

— Seu pai não gosta de dem onstrar essas coisas na frente das pessoas — defendeu Faith.

— Então o que você faz? Acorda-o quando ele está dorm indo três horas antes de você ir para a cam a todas as noites? Mãe, não sou burra. E olha com o ele fala com você. Você m erece m ais que isso.

Zoe estava sendo sincera, e Faith estava chocada. Estava horrorizada pelo fato de sua filha ter percebido todas essas coisas e ter chegado a essas conclusões aos 18 anos. Mas nada disso fazia com que estivesse apaixonada por Brad. Mas ficou aflita com o fato de Zoe ter um ponto de vista tão desolador de seu casam ento, e pior ainda, estava perto da verdade. Mas doía ouvir tudo resum ido dessa form a. Fazia o casam ento deles parecer um lixo. Era óbvio que do ponto de vista de Zoe, e às vezes da própria Faith, o casam ento deles não era bem -sucedido. Mas Faith tinha form as de olhar que faziam com que seu casam ento parecesse tolerável e m elhor do que realm ente era.

— O que você está dizendo não é verdade, Zoe. Seu pai e eu som os felizes j untos. Nós nos com preendem os. Isso é confortável para nós.

— Não — Zoe negou o que a m ãe falara. Ela sabia tanto quanto Faith, m as a m ãe não estava disposta a adm itir a verdade, nem para Zoe nem para ela m esm a, exceto talvez para Brad. — Ele está confortável. Você não. Com o você pode estar confortável com um a pessoa que a coloca para baixo o tem po todo e nunca a escuta? Você é m elhor do que isso, m ãe. Tudo que você faz é fazer com que tudo dê certo para ele. Talvez um dia desses você encontre alguém que sej a legal com você e o deixe. Gostaria que você encontrasse. Para o seu bem . Ellie teria um ataque, m as ia acabar superando. E eu ficaria feliz por você. — Ela tinha tudo resolvido, todas as pontas soltas am arradas, para consternação da m ãe.

— Zoe! — Faith abraçou-a forte. — Com o você pode dizer todas essas coisas sobre seu pai? — Ela estava horrorizada, pelo m enos com as percepções de Zoe.

— Porque eu am o você e quero que sej a feliz, m ãe. E você não é. Estou feliz que vá para a faculdade. Talvez conheça alguém lá. — Ela parecia propensa a encontrar um novo hom em para Faith.

— Zoe, não quero conhecer ninguém . Sou casada. Am o seu pai. Não vou a lugar nenhum .

— Então deveria. Talvez esse cara, Brad. — Estava determ inada a unir sua m ãe com alguém , e Faith estava abalada com a idéia.

— Não, Brad não — corrigiu ela logo. — Ele é com o um irm ão para m im .

— Então sobre o que vocês falam nos e-m ails! — Ela ainda estava curiosa sobre ele.

— Coisas. Você e Ellie, os filhos e o trabalho dele, m inha ida para a faculdade. A esposa dele, seu pai.

— Parece legal. Com o ele é? Quantos anos tem ?

— Ele é alto, tem olhos verdes, covinha no queixo. Tem 49.

— Ele é bonito?

— Acho que sim . Não penso nele dessa m aneira, ele é com o fam ília. — Mas isso não era inteiram ente verdade. Desta vez e no funeral de Charles, notara o quanto ele estava bonito. Mas não queria adm itir isso para Zoe, senão ela ficaria frenética e chegaria a conclusões erradas.

— Tem um a foto dele?

— Não.

— Viu, você acabou de fazer de novo! — De repente, Zoe parecia vitoriosa.

— Fiz o quê?

— Seus olhos brilharam quando falou dele. Eu estava certa. Você está apaixonada.

— Zoe Madison, pare de se com portar com o um a louca.

— Você vai ver. Estou certa. Talvez você nem saiba ainda. Mas está.

— Eu o conheço há 39 anos. É um pouco tarde dem ais para m e apaixonar.

— Nunca é tarde dem ais. Talvez ele deixe a esposa.

— Talvez você deva parar de ter idéias m alucas e relaxar.

E com isso, Alex desceu e colocou a cabeça para dentro com um olhar desagradável.

— Ainda não com eçou o j antar, Faith? Estou m orrendo de fom e. Já são quase sete horas.

— Desculpe, Alex. Vou com eçar agora. Farei algo rápido. — Ele assentiu e foi para o próprio escritório fechando a porta, enquanto Zoe olhava para a m ãe. Ela odiava a form a com que ele falava com a m ãe.

— Por que não diz para ele arranj ar um a escrava?

— Zoe!

— Por que ele não prepara o j antar ou leva você para j antar fora? Ele podia levar você a algum lugar.

— Ele trabalha duro. Está cansado. Esteve fora a sem ana toda. Passou o dia no escritório hoj e.

— E você arrum ou a árvore. Arrum ou m eu quarto, falando nisso, obrigada. Preparou m eu café da m anhã, vai preparar o j antar dele. Você não ficou exatam ente sentada com endo bom bons e assistindo à TV. — Faith riu da im agem , e Zoe seguiu-a até a cozinha com um olhar irritado.

— Vai com er em casa? — perguntou Faith ao olhar a geladeira. Tinha bifes para todos eles.

— Não, vou sair. Acho que você tam bém deveria. — Alex não parecia estar com hum or para levá-la a lugar nenhum , e Faith não se im portava em cozinhar para ele. Fazia isso há 26 anos, não tinha im portância se era inj usto. Zoe achava que era. Faith não via problem as nisso. — Por que ele não leva você ao cinem a? — Ela estava certa, não iam ao cinem a há m eses, e quase nunca iam , não m ais do que poucas vezes por ano. Alex não gostava de ir ao cinem a e estava cansado a m aior parte do tem po quando chegava em casa.

— Está se preocupando m uito, Zoe. Prim eiro acha que eu estou tendo um caso, depois diz que seu pai não m e leva para sair. Por que não pensa em outra coisa? — Estava preparando o j antar enquanto falava.

— Acho que você deveria ter um caso com Brad — sussurrou Zoe para m ãe, e então abraçou-a e subiu. Faith balançou a cabeça ao colocar os bifes no grill e sorriu para si m esm a, achando engraçado. Zoe era um a ótim a m enina. E era um a idéia com pletam ente m aluca.