Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 23 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 22

 

Tudo estava bem na vida de Faith em m aio, quando Zoe veio passar o verão em casa. Conseguira um em prego de verão em um a galeria de arte, e Faith estava feliz por ter férias antes de com eçar na faculdade de Direito. Suas aulas acabaram j unto com as de Zoe. E Eloise estava falando sobre um dia desses vir de Londres. Estava com eçando a sentir saudade de Zoe e da m ãe, principalm ente depois do últim o fim de sem ana j untas. E as duas m eninas estavam de m al com o pai por enquanto.

As coisas pioraram m uito quando ele disse que estava planej ando se casar com Leslie em outubro, depois que o divórcio saísse. E Faith odiou adm itir, m as isso atingiu-a com o outro golpe. Sentou-se em seu quarto e chorou por horas quando ficou sabendo. Contou a Brad em um e-m ail no dia seguinte, m as ficara deprim ida dem ais para ligar. Alex ainda estava tentando forçá-la a sair da casa, e agora era fácil entender por quê. Ele ia com prar um apartam ento na Fifth Avenue para m orar com Leslie e a filha. As m eninas estavam furiosas com o pai.

Na sem ana seguinte, Faith estava em seu escritório tentando decidir para onde ir com as filhas em agosto. Estava pensando em Cape Cod ou talvez alugar um chalé nos Ham ptons. Ellie prom etera passar algum as sem anas em casa, e Faith queria passar bastante tem po com elas antes de com eçar na faculdade de Direito no outono. Estava tendo um a m anhã preguiçosa, vendo alguns panfletos e tentando se decidir sobre as férias, quando Brad ligou. Ela nunca o escutara assim , e então percebeu na m esm a hora que ele estava chorando.

— Você está bem ? O que houve? — Não podia nem im aginar um a situação que o deixasse tão perturbado. Ele parecia tenso e aterrorizado quando respondeu.

— É o Jason. Ainda não sei dos detalhes. Recebem os um recado de Dy lan um a hora atrás. Houve um acidente. Eles estavam trabalhando na aldeia e um a estrutura caiu. Ele ficou preso em baixo dos escom bros por sete horas. — E então Brad com eçou a chorar de novo. — Fred, você não sabe o quanto o atendim ento m édico é ruim lá. Só tem um m édico que passa algum as horas por m ês lá. Não sei nem se podem rem ovê-lo. Não sabem os m ais nada. Mandam os um recado para Dy lan nos ligar. Mas ele tem de ir para a agência do correios para ligar, e m esm o se conseguisse um a linha, não deve poder deixar o irm ão. — Ele soava com o se o m undo tivesse acabado, e os olhos de Faith se encheram de lágrim as ao escutá-lo.

— O que você vai fazer?

— Vou para lá. Vou sair em um a hora. Meu voo sai ao m eio-dia para Nova York. Daí vou para Londres. É tão difícil chegar lá. Vou levar m ais de 24 horas para chegar aonde ele está. Só Deus sabe se ele ainda vai estar vivo. — Ele estava em pânico, o que era j ustificável.

— Quando chega aqui? — Era só no que ela conseguia pensar. Queria vê-lo. Mesm o se Pam estivesse j unto.

— Chegarei em Nova York às oito da noite. O voo para Londres sai às dez. Tenho duas horas entre os vôos.

— Encontrarei você no aeroporto. Quer algum a coisa?

— Já tenho tudo. Pam está arrum ando m inha m ala. Ela não pode ir agora. Tem j ulgam ento am anhã. Vai logo depois — contou ele, e não m encionou com Faith, m as estava furioso por ela não ir agora.

Brad deu a Faith o núm ero do voo e desligou, e ela ficou sentada em seu escritório, olhando para o nada, im aginando o pior, assim com o ele. Gostaria de poder ir com ele, m as sabia que não podia. Principalm ente se Pam iria encontrá-lo.

E, em San Francisco, o assunto estava sendo discutido de form a calorosa.

— Pelo am or de Deus, ligue para o j uiz e conte o que aconteceu. Ele pode esperar até você chegar. Isso é m ais im portante. — Ele estava frenético e com raiva de Pam .

— Não posso fazer isso com m eu cliente — argum entou ela, fechando a m ala. Parecia tão preocupada quanto ele, m as sentia com o se sua responsabilidade fosse com seu cliente, o que para Brad parecia loucura, e soava com o um a indireta.

Mesm o se Jason estivesse bem , Brad queria que ela estivesse com ele. Era a prim eira vez em anos que ele pedia algo para Pam , e isso era im portante para todos eles. Os m eninos precisavam do apoio dela, e ele tam bém .

— Suas prioridades m e ofendem — rebateu ele de form a abrupta. — Estam os falando de seu filho, não de seu cliente.

— Dy lan não disse que ele estava m orrendo — gritou ela.

Am bos estavam nervosos, e Brad estava se vestindo enquanto um gritava com o outro.

— Ele tem de m orrer para você fazer algum a coisa e adiar esse j ulgam ento? Pelo am or de Deus, você não entende?

— Entendo. Estarei lá em dois dias. É o m elhor que posso fazer.

— Não, não é. — Ela era com o um a m ontanha que ele não conseguia rem over, e ainda estavam brigando quando o táxi chegou para levá-lo ao aeroporto. Mas ele sabia que nunca esqueceria o fato de ela não ter partido com ele, nem a perdoaria se algo acontecesse com Jason. E sabia que ela tam bém não se perdoaria se algo terrível acontecesse, m as ela parecia não entender isso tam bém . Estava em total negação. — Mandarei um recado assim que estiver com ele — prom eteu e saiu com sua m ala na m ão. Não fazia nem idéia do que ela colocara ali dentro.

O voo foi um sofrim ento para ele. Estava incom unicável no avião, e ligou várias vezes para Pam , m as ela não sabia de m ais nada.

Quando saiu do avião em Nova York, parecia m eio louco.

Passara a m ão no cabelo um as m il vezes e parecia assustado e am arrotado. E, com o prom etera, Faith estava lá esperando por ele. Estava usando j eans, um a cam isa branca e m ocassim . Parecia j ovem , lim pa e bonita. Mas ele só conseguia pensar em abraçá-la bem apertado, e am bos choraram ao cam inharem até a lanchonete para tom ar um a xícara de café. Ele contou o que sabia m ais um a vez, m as ainda não sabia nada de substancial.

Eles conversaram e se deram as m ãos por cim a da m esa, e discutiram as interm ináveis possibilidades. Mas sem m ais detalhes, ela não podia fazer sugestões, e ele, m uito m enos, podia tom ar decisões. Ele só esperava que Dy lan fizesse as escolhas certas e, se precisasse, que conseguisse um avião para transportar o irm ão para um hospital.

— Você não faz idéia de com o é prim itivo, rem oto, com o é im possível chegar a qualquer lugar. Ele teria de viaj ar em um cam inhão por um a estrada cheia de buracos de duas a quatro horas. Isso poderia m atá-lo. — O avião era a única esperança, se estivesse disponível e eles conseguissem encontrá-lo. Faith sentia-se im potente ao escutar, assim com o ele.

Foram duas horas interm ináveis enquanto ele esperava para em barcar, e estava grato por Faith ter ficado j unto. Ligou para Pam de novo e ela não tivera m ais notícias, e ele ficou louco de raiva quando ela disse que ia sair para j antar.

— Você está louca? Seu filho sofreu um acidente. Fique perto do telefone no caso de alguém ligar. — Ela insistiu que levaria o telefone celular e que Dy lan tinha o núm ero. Ele desligou e olhou para Faith em desespero. — Sabe, nessas horas a gente percebe o que não tem e vê com o foi burro por achar que seria diferente. É a m esm a porcaria que tem sido nos últim os vinte anos. — Pam sim plesm ente não conseguia ficar ao lado dele, nem dos filhos. E Faith, com sabedoria, preferiu não com entar. — Gostaria que você pudesse vir com igo — acrescentou ele. Sabia quanto apoio ela daria e precisava dela desesperadam ente. O que quer que tenha acontecido a Jason, Brad estava aterrorizado que ele não sobrevivesse. Queria estar lá ao lado dele e de Dy lan, independente da estupidez da m ãe deles, ou talvez ainda m ais por causa disso.

— Tam bém gostaria de poder ir — disse Faith com calm a. Mas am bos sabiam que ela não podia. Tudo que poderia fazer era estar em espírito lá, e eles sabiam , depois da viagem dele em m arço, que ele não conseguiria ligar para ela, apenas m andar um recado via pessoas e rotas tortuosas. — Mande notícias quando puder. — Enquanto isso ela ficaria sofrendo por ele.

— Prom eto. — Anunciaram o voo, e Brad pegou o passaporte e o cartão de em barque, e ela teve de deixá-lo no portão de em barque j á que não viaj aria com ele.

— Cuide-se, Brad. Tente relaxar. Não pode fazer nada até chegar lá. — Isso era o pior de tudo, e am bos sabiam que Jason poderia estar m orto quando chegasse. Não podia nem pensar nisso. — Vou à igrej a rezar por ele assim que você partir.

— Acenda um a vela para ele... por favor, Fred... — disse ele com lágrim as nos olhos enquanto se olhavam . O coração de Faith era dele, e não tinha com o dizer isso.

— Pode deixar. Vou à igrej a todos os dias. Apenas acredite que ele ficará bom ... tente acreditar...

— Gostaria de poder. Ah, m eu Deus... se algo acontecer com ele... — Tanto para silenciá-lo quanto para confortá-lo, ela se j ogou em sua direção, e ele teve o m esm o instinto no m esm o instante dela. Sem hesitar, ele puxou-a para seus braços e beij ou-a nos lábios. E por um instante, eles se esqueceram do m undo inteiro enquanto se abraçavam e beij avam . Ela parecia assustada quando ele a soltou, ele tam bém , m as não se desculpou. Ela estava convencida de que tinha sido culpa sua, e então, sem dizer nenhum a palavra, ele a beij ou de novo. — Eu am o você, Fred. — Era o desabafo de quase quarenta anos a am ando e dos últim os sete m eses de reaproxim ação. Ela tam bém o am ava, m as m esm o agora sabia que era algo que nunca poderiam ter.

— Não diga isso... Eu am o você tam bém ... m as não podem os dizer isso... não tenho direito de... — Ele a silenciou com outro beij o, e ela com eçou a chorar. — Vam os nos arrepender disso. Você vai m e odiar quando tudo term inar. Não podem os m ais fazer isso.

— Não ligo. Eu preciso de você, Fred. Mesm o. E te am o. Quero estar ao seu lado tam bém . — Ele parecia o m enino que era quando quebrou o braço aos 12 anos. Faith segurara sua m ão enquanto a m ãe o levava para o pronto-socorro, e ele fez com que ela j urasse que não contaria a ninguém que o vira chorando.

— Estou aqui do seu lado... Sem pre vou estar... m as não posso roubá-lo de outra pessoa, Brad. É errado.

— Conversarem os sobre isso depois. — Ele não queria perder o voo, não podia. Mas de repente tinham tanta coisa para resolver e para pensar, ele não fazia idéia de quando voltaria a vê-la. Poderia ficar lá m eses, e agora isso ficaria em suspenso até que ele voltasse para casa, e só Deus sabia que horrores teriam acontecido então. — Só quero que saiba que posso estar um pouco fora de m im , Fred. Mas não estou louco. Queria fazer isso há m uito tem po. Mas achava que não seria j usto com você. — Não era com nenhum dos dois. Era o fruto proibido, para am bos.

— Rezei para que isso não acontecesse. É culpa m inha. Eu não deveria ter... — E com isso, ele a beij ou um a últim a vez e correu. Olhou para trás por cim a do om bro um a vez e viu que ela estava chorando. Acenou e então se foi. E Faith chorou todo o cam inho até a cidade no táxi. Eles tinham feito algo terrível, ela sabia. Ela perm itira que ele cruzasse a barreira da am izade, não só perm itira com o provocara. Não tinha dúvidas de que o que acontecera era culpa sua. E ela sabia que, quando ele voltasse, eles teriam de retirar tudo que falaram e fizeram e prom eter não fazer de novo, ou então nunca m ais poderiam se ver. Era m ais um desgosto para acrescentar às preocupações que j á tinham com Jason. Tudo que podia fazer por ele agora era rezar.

Saiu do táxi na Catedral de St. Patrick. Eram quase onze da noite e ainda havia pessoas vagando, a m aioria turistas, quando Faith entrou. Foi direto para o altar de São Judas, acendeu um a vela, aj oelhou, abaixou a cabeça e chorou. Tinha nas m ãos o terço que Brad lhe dera no Natal. Parecia um sacrilégio estar com ele agora, depois do pecado que acabara de com eter. Ele era um hom em casado e am bos sabiam que continuaria assim .

Ela ficou aj oelhada por um a hora, rezando por Jason, e por sabedoria e coragem para Dy lan, e paz para Brad enquanto estivesse a cam inho de lá. Saiu da igrej a depois da m eia-noite e foi para casa de táxi. Entrou em casa e subiu para seu quarto, sentia-se com o se alguém tivesse m orrido. Estava arrasada por tudo que acontecera, a notícia terrível, a preocupação, o choque que viu nos olhos de Brad, e a besteira que ela fizera, que sabia que era tão errado.

Independente do quanto o am ava, tinha de sum ir da vida dele. Soube disso depois de rezar. São Judas era o patrono das causas im possíveis. Ela não tinha escolha. Era perigosa para Brad. Ficou parada na escuridão de seu quarto por um instante e depois acendeu um a única luz, enquanto Zoe saía do próprio quarto, parava do outro lado do corredor e a observava. Não via sua m ãe assim desde que Alex saíra de casa m eses antes.

— Você está bem , m ãe? — perguntou ela preocupada.

— Não — respondeu Faith triste, com um olhar de devastação total. E, sem nenhum a outra palavra, fechou a porta.