Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 7 de 25

Páginas do PDF

Preces Atendidas

Capítulo 6

 

BRAD FICOU NO ESCRITÓRIO até as cinco horas no Dia de Ação de Graças. Os m eninos estavam na África, e Pam disse que estava j ogando golfe com as am igas. Seus am igos chegariam às seis, e não j antariam antes de sete ou oito horas. Ela convidara um as quarenta pessoas, pelo m enos m etade ele não conhecia. Mas nem se incom odou em reclam ar. Não havia por quê. Pam fazia o que queria. A única diferença que suas reclam ações faziam era que ela preparava desculpas m elhores para convencê-lo. Mas no final, talvez por falta de energia da parte dele, a vontade de Pam prevalecia. Ele preferia poupar suas energias para coisas m aiores, com o seu trabalho.

Fizera vários trabalhos burocráticos e se atualizara sobre diversos assuntos. E, em um m om ento sentim ental, escrevera um a longa carta para seus filhos, dizendo o quanto estava orgulhoso deles e que era m uito agradecido por tê-los.

Am bos eram m eninos ótim os. Adm irava a coragem deles em ir para a África e ficar lá um ano. Eles estavam trabalhando em um a reserva de caça, atendendo anim ais feridos e socorrendo anim ais que de algum a form a correram perigo na selva. E nas horas livres eram voluntários em um a igrej a no povoado. Dy lan estava ensinando crianças e seus pais a ler, e Jason estava cavando valas para um a nova rede de esgotos. Até agora, as cartas deles eram cheias de entusiasm o e anim ação por tudo que viram e fizeram . Era um a experiência inesquecível. Ficariam lá até j ulho, e Brad prom etera a si m esm o e a Pam que tiraria um a folga do trabalho e passaria um as duas sem anas com eles. Mas até agora ainda não tivera tem po. Nem Pam . Ela estava m uito m enos entusiasm ada que Brad com a idéia de ir para a África. Ficava aterrorizada com a possibilidade de doenças, acidentes em um a viagem com o essa, e insetos. A idéia dela de viagem de aventura era voar para Los Angeles e ficar com os am igos no Bel-Air.

Ela e Brad fizeram algum as viagens ao longo dos anos, m as nunca para lugares exóticos, geralm ente Europa ou algum lugar nos próprios Estados Unidos. Ficavam em hotéis luxuosos e com iam em restaurantes de três ou quatro estrelas. Pam adorava ir para spas quando tinha tem po e j ogar golfe com sócios ou clientes que estava tentando atrair para a firm a. Quase tudo que fazia tinha com o obj etivo se proj etar de algum a form a, tanto social quanto profissionalm ente. Ela não costum ava fazer nada apenas pelo prazer de fazer. Sem pre tinha um plano. E era com pletam ente diferente de Brad. Ele não tinha am bições sociais, não desej ava ser o dono do m undo, não necessitava de enorm es quantias de dinheiro, e a única paixão que tinha era por seu trabalho. O resto não lhe interessava. Pam às vezes im plicava com ele sobre isso e tentava m ostrar o cam inho da am bição e do sucesso. Essas eram lições que, para dissabor dela, ele se recusava a aprender. E, desde que saíra da firm a para seguir sozinho, ela desistira. A m aior parte do tem po, na verdade quase sem pre, cada um deles fazia suas coisas, o que era um alívio para Brad. A dedicação dela à vida social e aos negócios deixavam -no exausto. Ele não ligava para se exibir, aparecer nos j ornais ou im pressionar as pessoas do m undo dela.

Brad selou a carta para os filhos e disse que estava m andando todo seu am or. Eles ligaram apenas poucas vezes nos últim os m eses. Não havia telefone na reserva de caça, só rádios que se conectavam com fazendas das redondezas e com a cidade m ais perto. Para ligarem para casa, tinham de ir até a cidade e esperar durante horas na agência dos correios por um telefone e um a linha externa. Para ele, soava com o estar em outro planeta. Mas pelo m enos eles escreviam às vezes. Pam continuava m andando pacotes com vitam inas e repelentes contra insetos, com prados pela secretária. E, até agora, apenas dois pacotes não tinham sido roubados nem perdidos. Em algum lugar na Zâm bia, havia carteiros ou atendentes das agências dos correios tom ando as vitam inas e que não precisavam m ais se im portunar com os insetos. Mas Brad achava que os m eninos estavam bem .

Pensou em ligar para Faith antes de sair do escritório, m as, quando olhou para o relógio, percebeu que eles provavelm ente estariam com endo. Era um verdadeiro prêm io para ele tê-la reencontrado. Ela era um pedaço de sua infância, de sua história, um a lem brança de um a época feliz. As coisas se com plicaram depois que ele saiu da faculdade. Seus pais se divorciaram , e Brad sem pre teve a im pressão de que a am argura do divórcio m atara am bos. Sua m ãe m orrera de câncer de m am a aos 43 anos, depois de ficar obcecada pelas coisas que o pai de Brad fizera para ela; e o pai tivera um ataque cardíaco dois anos depois. Eles se tornaram pessoas am argas e irritadas, cuj o único interesse era m achucar o outro. Seu pai se recusara a ir ao funeral da ex-esposa, com o um a últim a desfeita a ela, e no final a única pessoa que saiu ferida foi Brad. Prom etera para si m esm o que nunca se casaria. E, quando conheceu e nam orou Pam , ela dem orou até convencê-lo a se casar. Quando finalm ente conseguiu, depois de dar um ultim ato, ele ficou igualm ente determ inado a nunca se separar. Não queria que seus filhos sentissem a m esm a angústia que ele sentira, vendo os pais travando um a batalha para se destruírem . Quando disse "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença" ao se casar com Pam , quis dizer cada palavra. Já sabia que, independente do que acontecesse depois, estava se casando pela vida toda.

Ele ficou filosófico quando seus cam inhos com eçaram lentam ente a seguir direções opostas, e ela passou a decepcioná-lo repetidas vezes. Ele sabia que tam bém a decepcionava. No ponto de vista dela, ele não era am bicioso o suficiente nem com partilhava seus interesses. Na época em que os m eninos term inaram a faculdade, m esm o quando com eçaram , Pam e Brad j á não tinham nenhum interesse em com um e poucos am igos que am bos gostavam . Os valores de Brad eram com pletam ente diferentes dos dela, e a única alegria que ainda com partilhavam eram os filhos.

Brad apagou as luzes do escritório e entrou no j ipe que usava para trabalhar. Tinha um a Mercedes parada na garagem de casa, m as raram ente a usava. Era um a idéia errada para se passar de um defensor público ou de um advogado que não cobrava para defender garotos indigentes acusados de crim es violentos. A Mercedes o constrangia, e vinha pensando em vendê-la, em bora Pam tivesse acabado de com prar um Rolls para ela. A diferença nos carros parecia sim bólica, para ele pelo m enos, ou talvez a diferença entre eles em tudo o m ais.

Ele não se iludia de que era feliz com ela. Não tinha m ais ilusões a respeito de seu casam ento há m uito tem po, m as tinha claro em sua cabeça que nunca faria nada para m udar isso. Assim tam bém era confortável para Pam . Ele suspeitava que de tem pos em tem pos ela tinha casos passageiros, e ele se envolvera com um a secretária casada por dois anos. Mas ela acabou se separando e querendo um envolvim ento m ais sério. Ele nunca a enganara sobre seus planos; eles se separaram e ela se dem itiu, casando-se com outra pessoa.

Desde então, Brad não se envolvera com m ais ninguém , e isso fora três anos atrás. Teria se sentido solitário se tivesse pensado a respeito, m as não se perm itia. Sim plesm ente aceitava as coisas com o eram e m ergulhava no trabalho.

Mas conversar com Faith acrescentara outra dim ensão à sua vida nos últim os dois m eses. Não tinha ilusões rom ânticas com ela, pelo contrário, ela era sagrada para ele, que alim entava a am izade que tinham . Ela parecia entendê-lo perfeitam ente, com partilhar vários pontos de vistas, e a solidão dela perm itia que o procurasse de form as que outros não ousariam . E em sua cabeça, ela ainda era com o sua irm ã m ais nova, e isso fazia com que interagissem de um a form a totalm ente casta. Ele adorava o que sentia por ela e o que conversavam . Adorava aj udá-la e estar ao seu lado quando precisava. Estava determ inado a fazer tudo que pudesse para encoraj á-la a voltar para a faculdade, e esperava que ela voltasse. Sentia-se útil para ela, e isso fazia com que se sentisse bem . Ela era, em todos os sentidos da palavra, sua am iga.

Brad estava na estrada logo depois das seis. Tivera a intenção de chegar em casa às cinco e m udar de roupa, m as levou m ais tem po do que esperava para colocar o trabalho em dia. Sabia que não levaria m ais de alguns m inutos para tom ar banho e se vestir, e ficou assustado ao ver, quando chegou em casa, que j á tinham convidados. Eles estavam no hall de entrada, vestidos em black tie, e ficaram surpresos quando ele entrou de j eans e suéter.

Pam apresentou-o a um a dúzia de pessoas que não conhecia, e ele foi para o quarto. Ainda dividiam o m esm o quarto e a m esm a cam a, em bora não fizessem am or há cinco anos. Isso não o incom odava m ais, sublim ara seus desej os sexuais em outras coisas. O que realm ente o surpreendera nas pessoas que acabara de conhecer era que estavam usando black tie.

Esquecera-se com pletam ente que Pam transform ara o Dia de Ação de Graças em um evento form al este ano, o que lhe parecia ridículo. Ação de Graças para Brad eram fam ílias e pessoas que se gostam profundam ente sentadas em volta de um a m esa ou perto de um a lareira. Só tinha algum significado se fosse com partilhado com pessoas que se am am ou bons am igos, não estranhos em sm okings e vestidos de festa, circulando e bebendo cham panhe. Mas prom etera a Pam que participaria, e sentia com o se devesse a ela pelo m enos tentar. Evitava a m aioria dos eventos sociais que ela frequentava, intencionalm ente ou porque não podia abandonar o trabalho. Então havia certos eventos em que com parecia religiosam ente, Ação de Graças, Natal, estréia da ópera e do balé todos os anos, e a sinfonia, se ela não conseguisse encontrar outra pessoa para acom panhá-la. Ele sem pre a encoraj ava a tentar.

Ele entrou na sala de estar m eia hora m ais tarde, de sm oking, bonito e bem -vestido, e para qualquer pessoa que o conhecesse bem , entediado. Estava conversando com o pai dela sobre dois novos clientes que conseguiram . Eram grandes corporações e representavam um a verdadeira conquista para Pam , com o disse seu pai. Ele estava orgulhoso dela de um a form a fora do com um . Ela aprendera tudo com ele, a perspicácia nos negócios, as habilidades com o advogada, os valores, as am bições e a capacidade de conseguir o que queria em praticam ente qualquer circunstância, estando certa ou errada. Pam não era um a m ulher para quem se podia dizer não com facilidade, ou que aceitasse ser deixada de lado. Com certeza, ela era a m ulher m ais determ inada que Brad j á conhecera. Aprendera a não m edir forças com ela, sem pre que possível, e quando era necessário evitar ser m assacrado, ele se afastava. Funcionava m elhor para ele assim , o que perm itiu que seu casam ento sobrevivesse. O am or dele por ela fora um acidente pela m aneira com o ela o tratava, m as m esm o depois da m orte de seus sentim entos ele se esforçava para m anter intacta a aparência de seu casam ento. O interior, a alm a do casam ento, j á m orrera há m uito tem po.

— Quer que eu apresente você às pessoas que não conhece? — perguntou Pam generosam ente ao se aproxim ar de Brad e colocar a m ão no braço do pai. Brad virou-se para ela e sorriu.

— Estou bem . Seu pai e eu estávam os cantando suas vitórias. Você teve algum as conquistas im portantes recentem ente pelo que ele está m e dizendo. Está fazendo um trabalho incrível. — Ela pareceu feliz com o elogio dele. Brad tentava reconhecer o m érito dela sem pre que achava que ela m erecia, apesar de não ter m uito respeito pela arena em que ela com petia. Pam raram ente fazia o m esm o, e na m aior parte do tem po repudiava o que ele fazia, independente da im portância que parecia ter para ele ou para o resto do m undo. Tam bém se incom odava com a influência de Brad sobre os filhos. Considerava as tendências altruísticas deles sem im portância e há anos vinha tentando convencê-los a ingressarem na faculdade de Direito e j untarem -se a ela na firm a do avô. Teria sido um a vitória enorm e para ela. Mas até agora nenhum dos m eninos ficara interessado, para alívio de Brad.

Ela era um a m ulher bonita, em bora não de um a form a fem inina. Era alta, atlética, com um a aparência forte e vigorosa. Jogava m uito tênis e golfe e estava em ótim a form a. Tinha olhos castanhos e cabelo tão escuro quanto o de Brad. Parecia m ais irm ã dele do que esposa. E as pessoas costum avam dizer que eles se pareciam .

Pam então afastou-se de onde o pai e Brad estavam . E Brad esforçou-se um pouco antes de sentarem -se. Apresentou-se para várias pessoas e tom ou duas taças de vinho para tornar a noite m ais tolerável. Conversou com um a m ulher que j ogava tênis com Pam . Ela dirigia um a agência de propaganda de que j á ouvira falar, m as enquanto a escutava, sua cabeça com eçou a divagar, e ele finalm ente deixou-a e j untou-se a um círculo de advogados que estava perto do bar. Conhecia praticam ente todos e trabalhara com dois na firm a. Eram pessoas legais e a conversa estava agradável e fam iliar, diferente das duas m ulheres ao lado de quem se sentara quando finalm ente foram para a m esa. Am bas eram extrem am ente sociais e casadas com hom ens de que Brad j á escutara a respeito, m as não conhecia. Era exaustivo tentar m anter a conversa fluindo. E depois do j antar ficou aliviado por escapar. A sala de estar estava cheia de pessoas saciadas e felizes, tom ando brandy. E a m aioria parecia estar planej ando ficar a noite toda. Pam estava ocupada em um debate acalorado a esta altura, sobre algum a nova lei de im postos que não o interessava. E o tipo de advocacia que praticava era ainda m enos interessante para eles.

Brad sentiu um a onda de exaustão invadir seu corpo, escapuliu para seu escritório, acendeu a luz e fechou a porta.

Tirou a gravata-borboleta de seda preta e j ogou-a na m esa, depois sentou-se na cadeira e suspirou. Fora um a noite interm inável, e só conseguia pensar em com o sentia saudades dos m eninos. Desej ava o tipo de feriados que tinham quando eles eram pequenos, quando Ação de Graças ainda tinha significado para ele, e não era um a desculpa para convidar estranhos para sua casa. Pam usava todas as oportunidades para encher a sala com pessoas que eram úteis para ela, em vez daquelas que realm ente tinham significado na vida deles. Apesar de haver poucas preciosidades dessas e de ele e Pam não m ais com partilharem os m esm os am igos.

Os dele eram defensores e prom otores públicos, os dela eram socialites, alpinistas sociais e executivos de em presas que ela queria atrair para a firm a. Brad sabia que nenhum a noite era com pleta para ela, a não ser que conquistasse o que cham ava um a "vitória".

Olhou para o com putador e desej ou poder m andar um e-m ail para Jason e Dy lan para desej ar um feliz Dia de Ação de Graças. Em vez disso, digitou o e-m ail de Faith em Nova York. Para ela j á eram quase duas horas da m adrugada.

"Oi... ainda está acordada? Com o foi seu Dia de Ação de Graças? Você provavelm ente não vai ver este e-m ail até am anhã de m anhã. Finalm ente, escapei. Um j ardim zoológico com pleto. Quarenta pessoas usando black tie para j antar. Não dá para evitar ficar im pressionado com o absurdo e com a solidão de passar o Dia de Ação de Graças usando black tie.

Senti saudades dos m eninos. É para isso que servem os feriados. E você? Paz e tranquilidade? Deve estar feliz por estar com as m eninas em casa. Sinto invej a de você. Vou trabalhar am anhã. Mais dois garotos presos e um terceiro que acho que o tribunal vai designar para m im . A princípio, o que acontece com o cam inho desses garotos? Seria bom se não precisassem de m im e tivessem um a vida com um e feliz, de algum a m aneira. Senti-m e tão estúpido passando a noite de Ação de Graças com um bando de estranhos, todos vestidos com o garçons. Pam adorou. Gostaria de poder dizer o m esm o. Desculpe por reclam ar. Creio que só estej a cansado. Falo com você em breve. E a propósito, feliz Dia de Ação de Graças. Com am or, Brad."

Mexeu em alguns papéis em sua m esa, não querendo voltar para a festa e ficar entre os convidados. Estava planej ando sair sorrateiram ente pelas escadas dos fundos e ir para a cam a. O dia seguinte seria longo. E Pam estava acostum ada a suas saídas precoces das festas. Sem pre fazia isso com discrição, para não interrom per a festa ou fazer os convidados acharem que tinham de ir em bora. Tinha certeza de que Pam e vários outros ficariam lá até depois da m eia-noite. Mas estava feliz de não estar entre eles.

Já estava apagando as luzes de seu escritório quando o com putador avisou-lhe que tinha e-m ail. Clicou no botão e viu que era de Faith. Sorriu e sentou-se.

"Oi... que surpresa boa... ainda estou acordada. Seu Dia de Ação de Graças pareceu m uito elegante. Ficam os só nós quatro, m as não foi agradável. Com eçou bem , o clim a estava bom , todos gostaram da com ida. E então, no final, com eçam os um a briga feia sobre a m inha volta para a faculdade. Zoe gritou com o pai, Alex teve um ataque, as m eninas discutiram . Cada um foi para seu canto, e depois as m eninas saíram com am igos, e Alex foi para a cam a. Zoe j á chegou em casa, Ellie ainda não voltou. As m eninas estão com raiva um a da outra, ou estavam , e Alex não queria falar com igo depois do j antar. Realm ente é m inha culpa. Ele foi debochado sobre a m inha ida para a faculdade, e perdi o controle e respondi. Isso o enfureceu e o fez falar coisas bem duras, e Zoe veio em m inha defesa. Eu não devia ter reagido, em prim eiro lugar, e aí tudo teria ficado bem . Não deveria ter caído nessa. Sou um a m ulher adulta. Acho que ele só se irritou. No final, ele disse que devo fazer o que quiser, m as deixou subentendido que, se der errado, estarei encrencada. É um tipo de vitória, m as não às custas das m eninas brigando. Elas passam tão pouco tem po j untas, e o j antar acabou sendo um desastre. Espero que elas se acertem antes de irem em bora. Por que as coisas sem pre se com plicam tanto? O que aconteceu com o Dia de Ação de Graças pacífico em fam ília, entre as pessoas que se am am , que não se enfurecem com as outras e dizem coisas agradáveis? Pelo m enos as m eninas estavam aqui. Fico grata por isso. Desculpe por reclam ar. Estava tentando ficar acordada até Ellie chegar para pedir desculpas a ela, m as j á são duas da m adrugada e vou para cam a. Feliz Dia de Ação de Graças para você tam bém , irm ão. Com am or, Fred."

Brad ficou feliz ao ler o e-m ail, m as triste por ela. Soou com o um a tarde tensa. Pelo m enos, ele e Pam não discutiram desta vez. Não caíra nessa e fizera o possível para evitar fazer cenas.

Foi rápido em m andar um a resposta para Faith, no caso de ela ainda não ter ido dorm ir. Mas sabendo que ele costum ava responder rapidam ente, ela decidira esperar m ais uns m inutos para ver se receberia outro e-m ail dele. E, claro, recebeu. Seus e-m ails eram com o um pote de balas, nenhum deles conseguia resistir a responder na m esm a hora, se possível, quando recebiam um e-m ail do outro.

"Querida Fred, parece que teve um dia difícil. Sinto m uito. Mas tam bém conseguiu um a vitória, se Alex lhe deu um a perm issão im plícita (detesto adm itir ou endossar que ele tenha tal poder sobre você) para voltar para a faculdade. Isso é realm ente um a boa notícia. O lado bom de um dia tão duro. Sinto pelas m eninas. Tam bém é difícil para elas, se Alex as coloca nessa posição. Se você ainda é com o costum ava ser quando tentava apaziguar as m inhas brigas com Jack, é um a pacificadora de prim eira, e suspeito de que ainda sej a. Você não pode consertar tudo para todo m undo, Fred. É norm al que elas discordem às vezes, ou até m esm o para defender você dele. O im portante foi que estavam todos j untos e você se defendeu. É bom que elas vej am isso, m esm o se causou algum as discordâncias entre elas. Elas vão superar. Mais im portante, estou im pressionado por ele ter lhe dado carta branca para a faculdade, para pelo m enos você se sentir m enos culpada e realm ente fazer isso. Acho que deve ir para faculdade de Direito da Universidade de Nova York no ano que vem .

A propósito, sem pre esqueço de lhe falar. Terei de ir a Nova York daqui a algum as sem anas. Um pouco antes do Natal. Será um congresso nacional de defensores públicos da área crim inal, e acho que devo aprender algum as coisas interessantes. Só ficarei aí por dois dias e estarei bem ocupado. Espero que possa j antar ou alm oçar com igo."

Ele estava satisfeito por terem m antido contato desta vez. Na verdade, form aram um vínculo m ais estreito do que o que tinham há anos. Estava determ inado a não perdê-la de vista agora, pelos velhos tem pos, por Jack e por si m esm o. E ela tam bém estava agradecida por isso.

"Quando estiver no escritório, passarei as datas e os horários. Será divertido revê-la. Espero que o tem po não estej a m uito ruim na época. Não posso m e dar ao luxo de ficar preso pela neve. Já é difícil fugir dois dias. Boa noite, Fred, feliz volta às aulas para você!"

Ela sorriu ao ler o e-m ail, e escreveu m ais algum as palavras para ele.

"Obrigada pela força. Você faz o dia parecer m enos trágico. Passei a noite toda chateada. Mal posso esperar para vê-lo quando vier para cá. Tentarei encaixá-lo na m inha agenda cheia." Ela im plicou com ele. "Pedirei para m inha secretária inform á-lo de que dia é bom para m im . Sério, estou inteiram ente ao seu dispor. É só m e dizer quando. Boa noite, tenha um bom dia am anhã. Com am or, Fred."

Ele leu, sorriu e desligou o com putador. Fora um longo dia, um a noite entediante e triste. Mas pelo m enos tinham um ao outro. Já era algum a coisa. O querido dom da am izade e am or fraternal entre dois velhos am igos. Para Brad, Ação de Graças era isso, e estava grato pela presença dela em sua vida.