Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 20 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 19

 

As preocupações de Faith sobre a casa provaram ser bem fundam entadas, um pouco, pelo m enos. Em bora seu advogado estivesse bem seguro sobre essa vitória. No dia seguinte de ela ligar, ele deu notícias, assim que ela chegou da faculdade. Estava indo bem , m as tendo de se esforçar para conseguir se concentrar. Estava tão distraída que os trabalhos que fazia não eram tão coerentes quanto gostaria que fossem , e suas notas refletiam isso. Mas estava se m antendo firm e.

Atendeu ao telefone na hora em que entrou. O advogado não tinha boas notícias.

— Você estava certa. Ele quer que você saia da casa. Vai lhe dar noventa dias. — O que queria dizer final de m aio.

— Ah, m eu Deus. Ele pode fazer isso? — Faith estava pálida.

— Só se você concordar. E não acho que deva. — Pelo m enos, estava aliviada por saber disso. Já conseguia im aginar tudo que possuía na rua. — Ele lhe deve m etade da casa por com unhão de bens, e se você quiser seu dinheiro, então deve vender a casa. Se ele quer a m etade dele, pode forçá-la a sair para vender. Mas terá de fazer com você algum tipo de acordo, e se você quer a sua parte da casa, é isso que farem os. Acho que posso conseguir isso, Faith, se é o que quer. Senão, posso forçá-lo a deixá-la ficar e prender a parte dele indefinidam ente.

— Quero m anter a casa — disse ela com voz sufocada. Tudo que queria era não sair dali, não precisar m udar nada, segurar-se ao que pudesse de um a vida fam iliar que durou 26 anos. Ela estava lutando contra as m udanças em sua vida tanto quanto pela casa.

— Então irem os ao tribunal. Ainda não recebi nenhum tipo de notificação oficial dele. Vam os esperar e ver o que ele faz. Em todo caso, ele tem de lhe dar tem po. Não pode forçá-la a sair antes que isso estej a resolvido.

Mas não dem orou m uito. Ela recebeu um a carta do advogado dele no final da sem ana. Estava endereçado ao advogado dela, claro, m as dizia que Alex queria que ela saísse da casa para colocá-la no m ercado assim que possível. Adiaram alguns dias e queriam que ela saísse no dia prim eiro de j unho. Expulsá-la da casa era a coisa m ais cruel na qual ela podia pensar. A única coisa pior fora trazer a nam orada para a cam a dela e m entir para as filhas.

Sem pre que se falavam , Brad lhe dava força, e ela j á deixara m eia dúzia de recados para Ellie, que não retornava as ligações. Foi um enorm e alívio quando, finalm ente, no início de m arço, Zoe disse que Eloise viria para casa.

— Por que ela não m e contou? Ela não retornou nenhum a das m inhas ligações.

Isso não era surpresa para Zoe. As duas irm ãs tinham tido um a briga feia ao telefone, com Zoe defendendo a m ãe, e Eloise, o pai, cada um a convencida de que a outra estava acreditando em um m onte de m entiras.

— Você não sabe do que está falando — gritara Zoe para a irm ã no m eio da noite. Era de m anhã para Eloise. — Ele que a abandonou. Eu a vi naquela sem ana. Você tinha de ter visto o estado dela!

— Ela m erece. Ela pediu o divórcio para ele nas nossas costas um ano atrás. E agora está forçando a venda da casa.

— Tudo isso é m entira, não percebe isso, sua idiota? Ele é assim . Ele está expulsando a m am ãe. Ele quer que ela saia antes de prim eiro de j unho.

— Duvido. Ele não tem escolha. Ele disse que ela quer m uito dinheiro dele. E isso é noj ento tam bém . Mam ãe é um a vaca e tudo é culpa dela. Você não quer enxergar o quanto ela é m á.

— Você está cega — Zoe acusou a irm ã m ais velha. — Ele fez um a lavagem cerebral em você. — No final, elas desligaram um a na cara da outra, e Zoe tinha a desagradável tarefa de contar para a m ãe que Eloise estava planej ando ficar com Alex durante a sem ana em que estivesse na cidade. Ficaria no apartam ento que ele sublocara e se recusava a ficar em casa. Só iria lá pegar algum as coisas.

Ela chegou a Nova York no dia de St. Patrick, 17 de m arço, e tinha um a sem ana de folga. Passaram -se dois dias até que ela ligasse para a m ãe, que ficara em casa esperando ela ligar e sentindo-se enoj ada por tudo isso. Tudo que conseguira no apartam ento, cuj o núm ero do telefone Zoe lhe dera, foi um a secretária eletrônica. E Ellie não retornara nenhum a de suas ligações. Faith estava tão desesperada para falar com a filha que não fora à aula, m as pelo m enos ficara em casa, estudando para as provas.

Quase desfez-se em lágrim as quando finalm ente escutou a voz de Ellie. Mas a conversa foi breve e obj etiva. Ellie disse que iria em casa pegar algum as roupas e que esperava que a m ãe não estivesse lá. Para um a m ulher de quase 25 anos, Faith pensou, ela pareceu incrivelm ente infantil e desnecessariam ente cruel. Mas tam bém estava sendo bem orientada.

Faith estava em seu quarto quando Eloise entrou em casa. Levara um m ês para voltar para seu próprio quarto. Não era prático m orar no quarto de Zoe, e finalm ente se decidira a engolir o orgulho e a repugnância por dorm ir na sua cam a de novo. Estava deitada quando escutou Ellie no corredor.

Ela tam bém vira a m ãe e não disse um a palavra.

Faith foi até a porta de seu quarto e ficou observando-a.

— Eloise, você não vai nem dizer oi? — perguntou ela com suavidade, com um a dor im ensurável nos olhos. Zoe teria m atado a irm ã se visse a m ãe assim . Eloise era feita de um m aterial m ais forte e tinha um coração m ais duro.

— Pedi que não estivesse aqui — ela estava encarando a m ãe do corredor. Era incrível ela ser incapaz de se distanciar do divórcio dos pais e se sentir obrigada a ficar de um dos lados com o estava fazendo. Mas o pai a m anipulara bem .

— Esta é a m inha casa — disse Faith com calm a — e eu queria ver você. Não quero m e afastar de você por causa dessa confusão. Se seu pai está determ inado a fazer isso, tem os de sobreviver, todos nós, ainda som os um a fam ília, independente de seu pai e eu estarm os j untos ou não.

— Você se im porta com isso? Foi você quem m andou nossa fam ília para o inferno, não ele. Você quer vender a casa, então não venha m e falar sobre a sua casa.

— Em bora eu não queira, posso m ostrar para você os papéis dos advogados dele dizendo que tenho de sair. Ele está tentando m e expulsar, El. E eu estou tentando ficar.

— É só o que ele pode fazer — argum entou ela, soando com o um a criança petulante — j á que você quer tanto dinheiro dele.

— Nem conversam os sobre isso ainda. Não sei o que quero. Neste m om ento, tudo que quero é ficar nesta casa. Juro por Deus que essa é a verdade.

— Sua m entirosa — acusou Eloise e desapareceu em seu quarto, batendo a porta, enquanto Faith se perguntava com o a própria filha podia odiá-la tanto, desconfiar tanto dela e ser tão desrespeitosa e dura. Não refletia a form a com o educara suas filhas, nem os sentim entos de Eloise pela m ãe. Ela não era um a criança, e sim um a adulta e estava usando arm as nucleares para destruir a m ãe. Alex as dera para a filha, m as ela não hesitara em usá-las. Faith sentiu seu coração se apertar ao pensar no m al que ela lhe faria. Sua fam ília nunca m ais seria a m esm a. Esse era o presente final que Alex deixava para elas.

Eloise saiu de seu quarto m eia hora depois com os braços cheios de roupas e duas m alas pequenas, enquanto Faith a observava com o coração em pedaços.

— Por que você m e odeia tanto, Ellie? — perguntou Faith com calm a. Realm ente queria saber. Não conseguia descobrir o que fizera para causar um a reação com o a que a filha tivera.

— Odeio o que você fez com o papai. — Por um instante, Faith sentiu-se tentada a contar o que o pai fizera, sobre a m ulher que ele trouxera para casa e a tanga em sua cam a. Mas seu senso de decência não deixou que envenenasse as próprias filhas contra Alex, em bora a tentação estivesse ficando m ais forte a cada dia, principalm ente frente às acusações de Ellie. Mas não queria arrastar as filhas para a guerra dos pais. A m oral de Faith prevalecia a todo custo, apesar de às vezes sentir-se tola.

— Eu não fiz nada com ele, El. Não sei com o convencê-la disso. Fico m uito m agoada de ver que você tem tão pouca confiança em m im .

— Você nunca deveria ter voltado para a faculdade. Você m agoou o papai. — Ela ainda não percebera com o sua posição era irracional. Estava com pletam ente dom inada por ele.

— Gostaria de vê-la enquanto estiver aqui — pediu ainda Faith, tentando ficar calm a e não soar tão patética quanto se sentia.

— Não tenho tem po — rebateu Eloise de form a perversa, e então desceu as escadas e saiu. Assim que a porta bateu, Faith sentou-se nas escadas e desfez-se em soluços. Com exceção dos dias em que Alex saiu de casa e Jack m orreu, este era o pior dia de sua vida. Sentia-se com o se tivesse perdido a filha m ais velha. Não teve nem vontade de ligar para Zoe ou para Brad. Nem se incom odou em acender as luzes naquela noite, e quando escureceu, foi para a cam a.

O que Faith não sabia era que Zoe pegara um avião para Nova York e encontrara Eloise, e as duas tiveram outra briga feia. Ela achava que era noj ento, a irm ã trair a m ãe e ficar do lado do pai. Discutiram sobre isso durante horas, e então Zoe pegou um voo de volta para Providence. Não queria nem que a m ãe soubesse que estivera na cidade, e que ela e Eloise não aguentavam nem se olhar. Sabia que isso deixaria a m ãe ainda m ais chateada.

Faith sentia-se anestesiada conform e os dias passavam . Estava tentando m anter suas notas altas na faculdade e fazer as pazes com Eloise, m as seus esforços não tiveram resultados.

Ellie voltou para Londres sem revê-la. E dois dias depois de saber disso, Faith estava de cam a com gripe. Ainda estava lá quando recebeu os papéis do divórcio. E seu advogado estava negociando com Alex sobre a casa. Ele estava sendo um cretino e disse que ainda queria que ela saísse. E, no m eio de sua infelicidade, nem tinha vontade de escrever para Brad. Ele ligava para ela todo dia para saber com o estava, e às vezes ela nem atendia às ligações. Ficava apenas olhando para o nada, escutando a voz dele na secretária eletrônica.

— Estou preocupado com você — desabafou ele finalm ente, depois de ela não falar com ele por quatro dias. Ele ligara para ela à m eia-noite e ela atendera ao telefone.

— Estou bem — disse ela fraca. Ainda estava tossindo da gripe, m as voltara às aulas.

— Não está nada. Parece tuberculosa e infeliz. — Ele sabia que Eloise voltara para Londres sem vê-la, e isso deixou-o enoj ado. Ela estava sendo com pletam ente m anipulada por Alex, e ele odiava o que isso estava fazendo com Faith. Era um a época péssim a. — Você precisa de férias. Eu devia levá-la para a África com igo.

— Com certeza Pam ia adorar.

— Na verdade, ia m esm o. Principalm ente se você fosse no lugar dela. Ela odeia países em desenvolvim ento e está apavorada com a viagem . Nunca vi tanto rem édio e repelente contra insetos na m inha vida. Ela está levando um a m ala só com essas coisas e com ida pronta. Pam não dá chance à sorte.

— Ela vai viaj ar de black-tie?— perguntou Faith, finalm ente rindo. Ele sem pre a deixava m ais anim ada.

— Provavelm ente. Na verdade, vou fazer escala em Nova York. Vou encontrá-la em Londres. Ela vai viaj ar direto daqui para lá. Só ficarei na cidade por um dia e um a noite. — Desta vez ele realm ente tinha de encontrar com um advogado para discutir um caso. Estava realm ente m orrendo de m edo de perder um garoto para um a lei que poderia condená-lo à pena de m orte, e Brad queria alguns conselhos desse advogado que respeitava em Nova York. Queria passar algum tem po produtivo cara a cara com ele, por pelo m enos um a ou duas horas. — Se ainda estiver viva, quer j antar com igo? O que você está tom ando para essa tosse?

— Nada. Os xaropes para tosse m e dão sono e tenho três trabalhos para entregar.

— Deixe eu contar um a coisa para você, pessoas m ortas não conseguem boas notas.

— Eu tem ia isso. — Ela riu. — Quando você chega?

— Na quinta. Resolva onde quer j antar e faça um a reserva, a não ser que queira que eu cozinhe para você. — Ele estava disposto a fazer tudo para conseguir passar algum tem po com ela, e estava aliviado de Pam não querer parar em Nova York. — Mal posso esperar para ver os m eninos. — Mas, assim que disse isso, percebeu que fazia com que ela se lem brasse de Eloise e se arrependeu de ter falado.

— Mal posso esperar para vê-lo — disse Faith. Já fazia quase um m ês da últim a visita dele a Nova York.

— Eu tam bém , Fred. Cuide-se. — Ele achou que ela parecia péssim a e estava realm ente preocupado. Ela estava passando por m uita coisa. E ele sabia que ainda tinha o estresse de esperar o resultado da faculdade de Direito. Mas essa era a m enor de suas preocupações, e só esperava algum a novidade no m ês seguinte.

Quando ele chegou à cidade, três dias depois, ela estava se sentindo m elhor e praticam ente curada da gripe. Estava pálida e m agra e m ais estressada do que no m ês anterior. Mas ele sabia o quanto ela estava triste por causa de Ellie e da casa. Isso contava m uito.

Ela decidiu preparar um j antar para Brad e disse que não queria sair m esm o. E isso o deixou preocupado. Depois do j antar, ele conseguiu convencê-la a ir ao Serendipity para com er um a banana split de sobrem esa. E ficou feliz ao ver que ela com eu bastante depois de m al ter tocado no j antar que preparara. Ela o recebeu com o o irm ão há m uito perdido que ele era e literalm ente j ogou-se em seus braços quando ele chegou e tirou o leve corpo dela do chão. Ela estava ainda m ais m agra.

— Por quanto tem po você vai ficar na África? — perguntou Faith, pegando um a colherada cheia de sorvete de chocolate, e ele sorriu ao tirar chantilly do nariz dela.

— Por que será que você sem pre suj a o rosto todo com com ida? — im plicou ele e contou que ficaria fora por duas sem anas.

Ele estava em pânico por saber que não poderia falar com ela. Gostava de saber com o ela estava e de estar a seu lado.

Quando ela não estava com pletam ente arrasada por causa do divórcio ou por outra coisa que Alex fizera, eles conversavam ou trocavam e-m ails todos os dias, e faziam isso há nove m eses. Ela fazia parte de sua vida e ele achava im portante se com unicar com ela. Brad não apenas escutava os problem as e preocupações dela, m as tam bém com partilhava os seus. E não gostava do fato de que ela não conseguiria encontrá-lo. Ele deu a ela um papel com vários núm eros. Mas eram apenas núm eros de contato para deixar recados, só isso. Assim com o ele não conseguia falar com os filhos na reserva de caça onde m oravam , Faith não conseguiria falar com ele enquanto estivesse lá com os filhos.

— Serão duas sem anas longas sem falar com você — lam entou-se ele. Poderia esperar na fila na agência dos correios por várias horas, assim com o seus filhos faziam , torcendo para conseguir um a linha. Mas com m uita frequência, eles não conseguiam . E não teria com o explicar isso para Pam .

— Eu sei. Estava pensando nisso — disse ela, parecendo triste. Sem pre tivera am igas, m ulheres cuj os filhos cresceram com as suas, ou outras com as quais fizera trabalhos filantrópicos. Mas, desde a m orte de Jack, se tornara solitária. Alex nunca gostara de suas am igas e foi ficando cada vez m ais difícil explicar por que eles não se socializavam com os outros. No final, Faith sim plesm ente se afastou delas. A única pessoa em quem confiava agora era Brad. E um a vez que voltou a estudar e agora com o divórcio, afastara-se de todo m undo, exceto dele. Sem dúvidas, ele se tornara seu único e m elhor am igo.

— É m elhor se com portar enquanto eu estiver viaj ando, Fred — avisou ele ao dividirem a banana split. — Posso acreditar que você vai se cuidar? — Ele estava realm ente preocupado.

— Provavelm ente não. Mas ficarei bem . Talvez eu receba o resultado da faculdade de Direito antes de você voltar. Mas pode ser m uito cedo ainda.

— Sej a boazinha. Com a. Durm a. Vá para a faculdade. Converse m uito com Zoe. — Ele ainda não a conhecia, m as por tudo que Faith falava, adm irava-a e achava que dava conselhos sensatos à m ãe. Para Faith parecia estranho ele estar indo para Londres e Eloise estar lá, m as ele não poderia visitá-la nem levar recados. Faith ligava para a filha diversas vezes por sem ana, para tentar m anter a porta aberta, m as Ellie sem pre lhe dava um fora. As conversas eram curtas e diretas, quando aconteciam . Na m aioria das vezes, Ellie controlava as ligações para evitar conversar com a m ãe. Era raro Faith conseguir falar com ela.

Faith e Brad voltaram cam inhando para casa depois, e ele entrou. Sentaram -se no quarto dela desta vez, e ele acendeu a lareira. Ele se sentou na m esm a confortável poltrona que Alex sem pre se sentava, e ela se sentou no chão enquanto ele fazia cafuné nela. Havia algo tão reconfortante nele, e tão carinhoso. Não podia deixar de pensar em com o Pam era sortuda. Mas então percebeu que Pam não via m ais esse lado dele, ou não queria ver. Ela o m antinha afastado há anos. E todo o conforto de que precisava, conseguia com am igos, enquanto Faith aquecia-se no calor de todo o carinho que ele tinha para oferecer.

— Vou sentir saudade, Fred — exclam ou ele com tranquilidade, enquanto ela se recostava perto dele, ainda sentada no chão, e ele se inclinava para pegar sua m ão.

Ficaram sentados assim , em silêncio, por um longo tem po, olhando para o fogo. E pela prim eira vez, Faith teve consciência de um sentim ento que nunca tivera por ele. Era com o se sentisse um a represa se abrindo e um a onda gigantesca de sentim entos indo na direção dele. Não sabia o que fazer a esse respeito ou o que dizer para ele, se é que diria algum a coisa. Mas quando olhou para ele, parecia com m edo.

— Você está bem ? — Ele viu algo em seus olhos e não com preendeu o que era. — Algum a coisa errada? — Ela disse para si m esm a que havia algum a coisa m uito errada. Não tinha direito de ter esses sentim entos, e nunca teria. Só conseguia balançar a cabeça. — Você de repente pareceu assustada, estava pensando na casa? — Sem saber o que dizer, ela assentiu. Mas não era a casa, era ele. De repente ficou assustada por Zoe poder estar certa, não sobre Brad, m as sobre ela m esm a. Estava apaixonada por Brad. Sabia que ele ficaria horrorizado, assim com o ela estava. A últim a coisa que queria fazer era se introm eter na vida calm a que ele tinha, com o um dia ela tivera. Independente do que estivesse sentindo por ele, sabia que tinha de ser negado. Ele nunca poderia saber.

Ela estava estranham ente quieta naquela noite, e ele percebeu. Ele tam bém estava sendo cauteloso para não se aproveitar dela e ser inadequado. Queria que ela se sentisse confortável e segura com ele, sem pre, e era assim que ela se sentia.

Já era quase m eia-noite quando ele saiu. Tinha de acordar cedo no dia seguinte. Iria direto de sua reunião para o aeroporto enquanto ela ainda estivesse na faculdade. Ela se ofereceu para não ir à aula e acom panhá-lo até o aeroporto, m as ele não quis que ela interrom pesse sua rotina por causa dele.

— Ligarei para você do aeroporto de Londres. E, depois disso, terem os de ser crianças com portadas nas duas sem anas seguintes. Acha que consegue? — Não havia alternativa. Mas am bos estavam nervosos com a perspectiva de não poderem se falar por duas sem anas. Faith sabia que o laço que tinham um com outro não era com um e tornara-se um vício para eles. Seria um teste de auto-suficiência.

— Vou ter crise de abstinência sem falar com você — confessou ela.

— Eu tam bém . — Mas não havia nada que pudessem fazer.

Antes de partir, por um longo m om ento, ele abraçou-a tão forte que ela m al conseguia respirar.

— Eu am o você, Fred — disse ele da m esm a form a que Jack teria dito, e m esm o assim ela sentia m uito m ais por ele. De algum a form a, em algum m om ento em que nenhum dos dois estava olhando, ele escapuliu para outra parte do coração dela, e ela teria de tirá-lo de lá de novo, sem que ele soubesse onde esteve. Ela sabia que era sua responsabilidade fazer isso e não disse nada para ele quando beij ou-o no rosto e acenou enquanto ele ia em bora.

Faith estava de pé e saiu de casa às sete e m eia na m anhã seguinte. Cam inhou as duas quadras até a Igrej a de St. Jean Baptiste, na Lexington Avenue, em baixo de um a chuva gelada. Para ela, parecia um castigo adequado, que ela m erecia. Foi se confessar antes de a m issa com eçar e falou aos sussurros com o padre. Ela sabia que tinha de se confessar. Tinha de contar a alguém . Fizera algo terrível e acabara de descobrir. Estava apaixonada por ele, de corpo e alm a, ele era casado com outra pessoa e pretendia continuar assim . Não tinha direito de arriscar a vida, o casam ento e a paz de espírito de Brad. Ela disse para si m esm a e para o padre no confessionário que abusara da am izade fraternal que ele tinha por ela e que agora tinha de encontrar um cam inho de recuperar-se do que sentia por ele.

O padre absolveu-a e disse para rezar dez Ave-Marias, o que parecia um a penitência m uito branda para Faith. Tinha certeza de que m erecia um castigo m uito m aior pelos sentim entos que tinha por ele, e pelo sofrim ento e risco que poderia criar se algum dia ele descobrisse.

Ela rezou as dez Ave-Marias, e depois o terço inteiro.

Enquanto segurava com m ãos trêm ulas o terço que ganhara de Brad, só conseguia pensar nele.

Ainda estava profundam ente aborrecida quando cam inhou de volta para casa. E quando chegou em casa e escutou os recados na secretária eletrônica, havia dois de Brad. Ele ligara antes de sair do hotel para a reunião para agradecer pela noite anterior. Sua voz era gentil com o sem pre, suas palavras, am áveis. E ao sentir um a onda de am or por ele tom ar conta de si, ela fechou os olhos. Estava feliz por ele estar indo para a África agora e que não poderiam se falar enquanto ele estivesse lá. Ela precisava de tem po para lutar contra o que sentia por ele e voltar para o que tinham antes.

Tinha duas sem anas para arrancá-lo de seu coração de novo e curar a cicatriz.