Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 15 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 14

 

Faith prestou o pavoroso LSAT na sem ana entre o Natal e o Ano-Novo. Foi tão difícil quanto tem ia, e não fazia idéia de com o tinha se saído. Bem no fundo, tinha m edo de ter se saído m uito m al, e Brad tentou tranquilizá-la quando se falaram após a prova. Ele era a única pessoa no m undo que sabia que ela prestara o exam e. Não contara nem para Zoe aonde tinha ido. Mas pelo m enos isso j á ficara para trás.

Outro obstáculo ultrapassado. Tudo que podia fazer agora era torcer para ter conseguido um a boa nota.

Zoe partiu para Brown no dia de Ano-Novo. As aulas com eçariam no dia seguinte, m as ela odiava ir em bora.

Divertira-se com as am igas nessas férias, e sem pre detestava deixar a m ãe, em bora Faith tivesse razão para estar anim ada. Suas aulas tam bém com eçariam no dia seguinte.

Alex ficou dolorosam ente quieto durante o j antar depois que Zoe foi em bora, e Faith sabia por quê. Ele ainda estava chateado por ela voltar a estudar. Zoe fizera um a grande festa por causa disso antes de sair. Faith j á arrum ara a m ochila e o m aterial para o dia seguinte, estavam prontos em seu escritório, esperando em um a cadeira. Antes de dorm ir, desceu para verificar tudo de novo. Não ficava tão anim ada assim desde que era um a m enina.

Recebera um e-m ail de Brad naquele dia desej ando boa sorte e dizendo que ela se daria m aravilhosam ente bem . Ela não tinha tanta certeza, m as estava m uito anim ada por voltar a estudar. Sabia que seria difícil, m as finalm ente estava fazendo o que queria.

Ela acordou ao am anhecer no dia seguinte, e j á estava vestida às oito, quando preparou o café da m anhã de Alex.

Ele saiu às oito e m eia, com o sem pre, e não dirigiu nenhum a palavra a ela. Queria ter certeza de que ela sabia que ele ainda reprovava, o que não era nenhum segredo para ninguém naquela casa. Ele apenas olhou para ela e fechou a porta.

Ela tom ou outra xícara de café e ficou olhando para o relógio. Sairia às nove e pegaria um táxi para a cidade. Não teria de estar lá antes das nove e m eia. Já estava pegando a m ochila e se preparando para sair, quando seu laptop anunciou que recebera um e-m ail. Clicou duas vezes e ficou surpresa de ver que era de Brad. Não eram nem seis da m anhã para ele!

"Brinque direitinho nas caixas de areia e tenha um ótim o dia! Sej a um a boa m enina e m e ligue quando chegar em casa. Com am or, Brad."

Que delicadeza dele. Ela clicou no botão de resposta na m esm a hora e colocou a m ochila na cadeira para responder.

"Obrigada. Acordou m uito cedo! Espero que não tenha sido só por m inha causa! Ligarei para você... Reze para que as outras crianças não sej am m ás com igo. Estou com m edo. Mas anim ada tam bém . Tenha um bom dia. Com am or, Fred."

Era Zoe quem sem pre ficava com m edo que as outras crianças fossem m ás com ela na escola, m as nunca foram . Faith tinha m ais m edo de não se dar bem nas aulas. Já fazia m uito tem po desde que estivera na faculdade.

Saiu de casa então e pegou um táxi para a Universidade de Nova York. Estava confuso quando chegou, m as tinha um m aço de papéis dizendo o que fazer e para onde ir. As inform ações eram claras e precisas, e ela encontrou a sala da sua prim eira aula com um a facilidade surpreendente. E a aula foi ainda m elhor do que ela esperava. Cham ava-se "O Processo Judicial". Era fascinante, e a professora, interessante e desafiadora. Estava hilariante quando parou para alm oçar, e tinha outra aula à tarde, de Direito Constitucional. Iria à faculdade duas vezes por sem ana. Sabia que essas aulas a aj udariam quando entrasse na faculdade de Direito no outono, e a prim eira lhe pareceu um a aula excelente.

Estava exausta quando finalm ente voltou para casa naquela tarde, m as ainda era o dia m ais interessante que tivera em anos. A professora de Processo Judicial devia ter a idade de Faith, que teria adorado parar para conversar com ela, m as sentiu-se tím ida para fazer isso, e sabia que tinha de voltar para casa depois da aula de Direito Constitucional. Já seriam quatro da tarde quando chegasse em casa e não podia ficar brincando na escola.

Guardou a m ochila quando chegou em casa e j á estava pensando nas tarefas que recebera. Am bas eram desafiadoras e levariam tem po. O telefone com eçou a tocar quase na m esm a hora em que entrou. Ainda estava de casaco. Era Zoe.

— Com o foi? Você gostou, m ãe?

— Adorei! Foi ainda m elhor do que eu im aginava. — Estava feliz e anim ada, e Zoe era só orgulho. Conversaram por m eia hora, e finalm ente Faith disse que tinha de ir. Ainda precisava organizar o j antar de Alex, e não sabia o que havia em casa. Mas, assim que desligou, o telefone tocou de novo.

Desta vez, era Brad.

— Não suportava m ais o suspense. Você gostou? — Foi o cum prim ento dele, e ela sorriu.

— Adorei. Os professores são ótim os e parece que as pessoas das turm as são inteligentes. O tem po voou, e as tarefas de casa são apavorantes, m as acho que consigo dar conta. — Ela soltou um suspiro de anim ação e ele sorriu. — Am ei m esm o! Acabei de chegar em casa.

— Você vai se dar m uito bem ! — exclam ou ele, em ocionado por ela. Era exatam ente o que tinha torcido que ela conseguisse.

— Obrigada pelo e-m ail hoj e de m anhã. — Ele não disse a ela que colocara o despertador para às cinco e m eia para que pudesse enviar com classe. — Estava m orrendo de m edo.

— Im aginei que estivesse. Foi por isso que não liguei. Não queria lhe dar um a oportunidade de desm oronar, então m andei o e-m ail.

— Muito esperto.

— Estou tão contente por você. As tarefas para casa são difíceis?

— Parece que sim , m as acho que dou conta, contanto que não fique ocupada com coisas externas tipo os j antares que tenho de preparar para Alex. Vai ser duro.

— Que bom que você não é casada com Pam . — Tinham tido outra festa grande na Véspera de Ano-Novo. Faith e Alex tinham ficado em casa e assistido a televisão, com o sem pre faziam . E Brad disse que os invej ava. — Então, e agora?

— Vou estudar feito um a louca e se Deus quiser com eço a faculdade de Direito no outono. — Alex ainda não estava convencido, m as ela estava avançando e sentindo-se m ais confiante depois do prim eiro dia na faculdade. — Vou candidatar-m e logo.

— Para onde?

— Colum bia, Universidade de Nova York, Fordham , New York Law School e Brookly n Law. Não tenho m uitas escolhas geográficas, tem de ser em Nova York.

— Que pena que não pode vir para cá — disse Brad com um sorriso.

— Alex ficaria im pressionado. Ia adorar. Um a esposa que vem para casa nas férias. Em bora às vezes eu m e pergunte se ele nota a m inha presença. Talvez eu possa contratar um a substituta para fazer m eu trabalho. — Independente do que fosse hoj e em dia, a m aior parte envolvia j antar, café da m anhã, e de vez em quando um a festa, e m ais raro ainda, fazer am or. Não era m ais um em prego em tem po integral.

— Eu adoraria contratar alguém para fazer o m eu. — Brad riu. — Ele poderia ir a todos os j antares black-tie, e estréias de óperas e sinfonias. Nossa, eu adoraria isso! — Am bos riram , e Faith olhou para o relógio.

— É m elhor com eçar a m e preparar, ou Alex terá um ataque quando chegar em casa. A partir de agora, qualquer coisa que der errado, será porque estou na faculdade. Tenho de ter um com portam ento irrepreensível. Jantares perfeitos, tudo na hora, j antares para convidados dignos de Julia Child e Martha Stewart. Não posso falhar agora. — Estava pensando em preparar um j antar especial para ele naquela noite, para provar que poderia fazer m alabarism o com tudo, m as não tinha m ais tem po nem vontade.

— É m uita pressão em cim a de você — com entou Brad de form a solidária. — Talvez você não precise provar tanto para ele. Você não está fazendo nada de terrível — concluiu ele, indo direto ao ponto.

— No ponto de vista dele, estou. Mandarei um e-m ail para você m ais tarde. Tenho de decidir o que vou fazer para o j antar. Depois tenho de fazer m inhas tarefas de casa.

— Você é um a boa m enina — disse ele sorrindo.

— Você tam bém . Obrigada, Brad. — Ela desligou às pressas, olhou na geladeira e decidiu sair e com prar algo de que Alex realm ente gostasse.

Quando ele chegou em casa, ela assara linguado no forno, estava preparando aspargo com goulash, um prato holandês, e um m aravilhoso risoto de um a receita de Julia Child. E ela serviu tudo de form a im pecável, orgulhosa de si m esm a por ter feito tudo em tem po recorde. Alex não fez nenhum com entário, com eu em silêncio e não perguntou com o tinha sido na faculdade. Faith estava perplexa.

— Gostou do peixe? — perguntou ela, tentando conseguir um elogio. Ela achou que era um dos m elhores que j á fizera. — É um a nova receita que encontrei. — Sentia-se com o Susie Hom em aker, o exem plo da m ulher perfeita, preparando um j antar divino e ainda conseguindo ir para a faculdade, m esm o que fosse seu prim eiro dia.

— Está bom — respondeu ele sem expressão.

— Que tal o goulash? — Ela sabia que estava exatam ente com o ele gostava, assim com o o aspargo.

— Um pouco grosso — com entou ele, e então ela percebeu que não teria chance. Gostando ou não do j antar, ele não tinha intenção de falar, e ela sentiu a raiva subir a sua cabeça. Mas não disse nada, e após o j antar arrum ou tudo sem dizer m ais nenhum a palavra. Era um a coisa repugnante de se fazer. Ele não faria nenhum a concessão, o que, para ela, parecia um com portam ento m uito infantil. Agora que ela estava de volta à faculdade, ele podia tentar ver o m elhor e aprender a lidar com isso. Mas parecia que Alex não tinha a intenção de facilitar as coisas. E quando ela colocou a louça na lavadora, e ele desapareceu, ela j á estava enfurecida.

Assim que term inou, trancou-se em seu escritório e pegou seus livros. Ficou lá até um a da m anhã fazendo os dois trabalhos que lhe foram pedidos. Quando foi para cam a, j á tinha term inado e finalm ente superara a raiva por Alex. E agora não teria nenhum trabalho para o dia seguinte. Tudo estava sob controle.

Na m anhã seguinte, no café da m anhã, Alex não falou com Faith, que estava irritada com ele.

— Tudo bem , Alex. Não vou à faculdade hoj e. Pode falar com igo. Não precisa m e punir até am anhã. — Mais do que percebera, ela ainda estava furiosa com ele por tê-la tratado daquela form a na noite anterior.

— Não sei do que você está falando, Faith. Que coisa ridícula de se dizer.

— É um a form a ridícula de se com portar. Som os adultos.

Você não gosta do fato de eu ter voltado a estudar, tudo bem . Mas estou tentando fazer o m elhor possível. Você está se punindo tanto quanto a m im .

— Você fez isso, Faith. Sabe com o m e sinto em relação a isso. Se não gosta da m inha reação, pode desistir da faculdade. — Para ele, era sim ples assim .

— É isso então? Chantagem ? Você m al vai falar com igo e vai transform ar a m inha vida em um inferno até que eu desista da faculdade? — Ele não respondeu, ela elevou a voz. Não era a form a com o ele gostava de com eçar seu dia. Nem ela.

— Parece que é um a form a de se lidar com isso. Não m uito m adura, para dizer o m ínim o. Será que não pode m e dar um a chance? E pelo m enos ver se vai dar certo antes de com eçar a m e castigar? Só tive um dia de aula. Não pode ter sido tão ruim assim !

— Muito ruim . Você nem deveria ter feito a m atrícula, em prim eiro lugar. A idéia toda é um absurdo.

— Assim com o a sua atitude. — O olhar dela estava em cham as, o que era raro. Eles estavam bem longe de um bom com eço para a carreira acadêm ica de Faith. E a faculdade de Direito seria ainda pior. Mas esse era o obj etivo dele. Queria im pedi-la antes que chegasse tão longe. Mas ela não desistiria assim tão fácil. Se não serviu para m ais nada, o com portam ento dele pelo m enos fortaleceu a decisão dela.

— Acho seu com portam ento deplorável — reagiu Alex de form a gélida, ao pegar The Wall Street Journal e sair da cozinha. Ele não tocara na com ida, nem ela. Era um bom anúncio do que viria nos próxim os m eses.

De tarde, ela m andou um e-m ail para Brad contando o que acontecera. Ele respondeu à noite. Estivera no tribunal até as cinco horas.

"Querida Fred, desculpe a dem ora em responder. Dia longo, pequena vitória para um a das m inhas crianças. Ouvir você falar sobre Alex m e deixa louco. Ele está vivendo na Idade da Pedra. Com o ele escapa im pune disso? Deveríam os m andá-lo para um cam po de treinam ento j unto com Pam . Ela daria um j eito nele em um a sem ana. Mas ele teria de se subm eter para chegar ao fim . Você não pode abrir m ão da sua vida por causa dele. Seria m uito errado.

Consegue se concentrar no estudo com ele infernizando sua vida? Terá de tentar. Faça o m elhor que puder. Você não pode ser perfeita o tem po todo, ninguém pode. Apenas dê o m elhor de si. Mas saiba que haverá épocas de apertos, de provas, e noites em que não poderá j antar à m esa e fazer seus trabalhos. Gostando ou não, ele vai ter de conviver com isso. Se você deixar a peteca cair agora, ou ceder, vai se arrepender para sem pre. Sei que Jack teria dito a m esm a coisa. Ele ficaria m uito em ocionado com a sua volta para a faculdade de Direito. Ele sem pre achou que você deveria. Costum ava dizer que você tinha m ais talento natural para a coisa do que ele. Ele chegou a lhe dizer isso? Para m im , disse diversas vezes, principalm ente quando estávam os na faculdade de Direito e ele vivia pensando em abandonar.

Aguente firm e, querida... você vai vencer! Com am or, Brad."

Ele sem pre fazia com que ela se sentisse m uito m elhor, e ela era grata pela força que ele lhe dava. Precisava dessa força desesperadam ente, e Alex continuou transform ando sua vida em um inferno no m ês seguinte.

Faith estava fazendo m alabarism o para dar conta dos trabalhos, testes, tarefas dom ésticas e ainda cozinhar para Alex. E Zoe e Brad m antinham -na anim ada. Ela sabia que era possível, m as difícil, fazer tudo. Mas conseguia adm inistrar o casam ento e as aulas. Conseguira até com pletar seus form ulários para a faculdade de Direito. E para sua surpresa, suas notas no LSAT com pensariam o fato de não ter trabalhado nem estudado nos últim os 25 anos. E suas notas atuais eram constantes As.

A parte m ais difícil era ser tratada com frieza por Alex e a atm osfera som bria que ele criava na casa. Ele estava dom inado pelo próprio ressentim ento por ela ter voltado a estudar. E as coisas só pioraram conform e as sem anas foram passando. No início de fevereiro, ela passou por um dilem a.

Na aula de Processo Judicial, anunciaram um a viagem para pesquisa de cam po para Washington de quatro dias. Não era obrigatória, m as m uito recom endada, e a professora aconselhou-a a ir. Haveria um trabalho a ser entregue na volta para ganhar pontos extras na nota final. Ela falou tanto com Zoe quanto com Brad, e am bos achavam que ela deveria fazer a viagem . O problem a, claro, era Alex. Faith não tinha nem coragem de falar com ele. Queria decidir-se prim eiro, antes que ele a pressionasse a não ir, o que ela suspeitava que ele faria.

Foi na sem ana anterior à viagem que ela finalm ente contou a ele do que se tratava. Ele ficou em silêncio enquanto ela explicava no final do j antar. Ela tivera dor de estôm ago a refeição inteira, esperando para falar. Com o de costum e, eles com eram sem trocar nenhum a palavra. Desde que ela voltara a estudar, ele nem tentava m anter um bom relacionam ento. Apenas ficara m ais firm e na decisão de excluí-la.

— Então este é o negócio — resum iu ela. — Estarei em Washington por quatro dias. Posso deixar com ida congelada para você j antar, m as não sei com o estão seus planos de viagem nesses dias. Você vai a algum lugar na sem ana que vem ? — Ela esperava que ele fosse, pois assim sua ausência não criaria um a crise. Isso sim plificaria tudo.

— Não, não vou — respondeu ele de form a abrupta, encarando-a com o se ela tivesse acabado de dizer que fora presa por assalto a m ão arm ada. — Não posso acreditar no que você está fazendo. Está se fingindo de estudante enquanto tem suas responsabilidades aqui.

— Alex, sej a razoável. Nossas filhas j á cresceram e saíram de casa. Som os adultos. O que eu faço aqui? Nada. Preparo seu j antar à noite. Não tenho nada para fazer o dia todo. Eu estava m orrendo de tédio antes de voltar a estudar. — O teatro dele estava ficando m ais ridículo a cada dia. Tudo se tratava do ego dele e do controle que tinha sobre ela. Ele queria ter certeza de que ela faria tudo que ele quisesse. Mas levara isso longe dem ais, até para ela.

— Sinto m uito por ser tão entediante ser casada com igo, Faith.

— Eu não disse isso. Só não tenho m ais o que fazer. Você sabe disso. Você queria que eu aprendesse a j ogar bridge ou fizesse cursos no m useu. Isso faz m ais sentido.

— Não para m im .

— E a respeito de Washington? — perguntou ela, indo direto ao assunto. Ele j á dissera tudo isso antes, e ela j á estava cansada de escutar e aj oelhar-se aos pés dele pedindo desculpas. Se para ele não estava ficando cansativo, para ela estava.

— Faça o que quiser.

— O que você quer dizer com isso? — Ela queria saber dele quão alto seria o preço que teria de pagar. Quão furioso ele ficaria, quão severam ente ela seria punida? Era quase certo que ela iria de qualquer form a, j á sabia, m as queria ver a etiqueta com o preço antes de ir.

— Parece que você vai fazer o que quiser de qualquer j eito. Vá em frente, então, e faça o que quiser, por sua própria conta e risco. — Era um a am eaça velada, e com o sem pre, despertou algo nela.

— Estou tão cansada disso, Alex. Pelo am or de Deus, não com eti nenhum crim e. Não fui infiel a você. Não abandonei nem você nem nossas filhas. Por que você tem de agir com o se eu tivesse?

— Você está louca — respondeu ele com um olhar de noj o ao se levantar e se preparar para sair da cozinha.

— Se eu estou, é você quem está m e deixando.

— Não m e culpe se não gosta das consequências de suas ações.

— Tudo bem , não culparei — afirm ou ela. — Vou para Washington. Ficarei fora quatro dias. Pode m e ligar se precisar. E deixarei toda a com ida de que você vai precisar.

— Não precisa, vou com er fora — sibilou ele através de dentes trincados.

— Não é necessário. Deixarei j antar para quatro dias. Então você poderá escolher se quer com er em casa ou fora. — Ele não disse m ais nada, só virou-se e saiu.

Ela nem escrevera e-m ail para Bracl ou Zoe para contar. A cena fora tão hum ilhante e decepcionante que não queria contar a ninguém . Lidaria com isso sozinha. E na m anhã que ela saiu, despediu-se dele, que não respondeu. Apenas continuou lendo o j ornal e agindo com o se ela não existisse.

Se fora planej ado para fazê-la se sentir culpada, teve o efeito contrário. Só deixou-a com m ais raiva e aliviada por estar fora de casa. Ela sentia-se com o se tivesse acabado de ser solta da prisão quando saiu com sua m ochila, um a pequena m ala e o laptop guardado em seu estoj o em um braço. Estava levando-o consigo para que pudesse trabalhar e se com unicar com facilidade com Brad e Zoe. Mas era um a sensação deliciosa.

Mais da m etade dos alunos de sua turm a fariam a viagem .

Encontraram -se no Aeroporto La Guardia e pegaram um a ponte-aérea para o Reagan em Washington. Ficariam em um pequeno hotel na Massachusets Avenue que estava cheia de estudantes e pequenos em presários estrangeiros. Só o fato de estar lá j á era excitante para Faith, e no final da tarde, depois de passar o dia no com plexo de m useus Sm ithsonian e na Biblioteca do Congresso, ela estava feliz por ter vindo. E j á tinha um a idéia sobre o que escreveria em seu trabalho quando voltasse para casa. Com eçou a fazer anotações no quarto do hotel naquela noite, e ligou o com putador para trabalhar um pouco, depois de terem j antado em um restaurante indiano. Passara um a hora conversando com a professora, que era a m ulher de quem tinha gostado tanto, e entrou em um debate fascinante com outros alunos sobre a Constituição e a validade das leis que sustenta. O debate levou a um a discussão acalorada sobre a Prim eira Em enda, e quando Faith chegou em seu quarto, estava alegre e inspirada. Estava digitando bem rápido no laptop quando viu que tinha recebido e-m ail. Era de Brad.

"Oi, Fred... então, com o está o Processo Judicial? Já sabe tudo? Está se divertindo? Eu adoro Washington. Tive um a nam orada aí quando estava na faculdade, ela era filha do em baixador francês. Costum ava visitá-la, nunca m e diverti tanto em m inha vida. Tentei arm ar para o Jack com a irm ã dela, m as ele foi tão escandaloso que deixou-a m orrendo de m edo. Então o que está fazendo? Pessoal legal? Boa professora?

Por aqui, tudo bem . Terei j ulgam ento na próxim a sem ana. Minha secretária m e avisou que na sem ana que vem é dia dos nam orados. O dia em que devem os nos lem brar de alguém que am am os, ou perceber que ela nos esqueceu, ou algo parecido. Flores e chocolates. Alergia e cáries. Parece que estou perdendo m eu espírito rom ântico. Eu levaria Pam para j antar fora, m as ela provavelm ente levaria uns duzentos am igos e insistiria para eu usar sm oking. Acho que vou trabalhar e dizer a ela que esqueci. Ela deve se esquecer tam bém . Estou vagando pela casa. Volte ao trabalho.

Mantenha contato. Se resolver se candidatar a presidente, m e avise. Com certeza terá m eu voto. Até breve. Com am or, Brad.

Ela adorou receber o e-m ail dele. Ele sem pre a fazia rir, ou pelo m enos sorrir. E o anúncio dele sobre o dia dos nam orados lem brou Faith de m andar doces para as m eninas.

Tinha certeza de que Alex nem m encionaria o dia, nunca m encionava. Eles não eram m ais nam orados, principalm ente nos últim os tem pos. O dia não tinha m ais significado para ela.

O restante da viagem a Washington foi fascinante e continuou em um ritm o acelerado. Foram a m useus, bibliotecas e universidades j untando dados e inform ações para ilustrar o curso. E foi apenas na últim a m anhã que tiveram um em pecilho im portante. Ainda tinham um dia para concluir e um a últim a noite. Mas a professora recebeu um a ligação de em ergência, a m ãe dela fora levada para o hospital. Tivera um AVC e não tinha m uitas chances de sobreviver. Ela recebeu a ligação pelo telefone celular e, claro, ficou abalada e disse que tinha de ir em bora. Insistiu que todos com pletassem o dia e a noite restantes. Estava m arcado para voltarem para casa apenas na tarde do dia seguinte. Já era sexta-feira de m anhã. Não eram esperados em Nova York antes da tarde de sábado. Mas quando ela deu a notícia, Faith percebeu que term inara tudo que tinha de fazer. Tinha m aterial m ais do que suficiente para o trabalho, e m ais da m etade do grupo decidiu voltar para casa. Sem a líder para guiá-los, logo perderam o pique. Alguns decidiram ficar m esm o sem a professora, m as Faith estava no grupo que optou por voltar naquela tarde. Isso tam bém perm itiria que passasse o final de sem ana todo com Alex, o que ela esperava que a redim isse depois de passar três dias fora.

Desde que ela partiu, ele não ligou nenhum a vez, nem retornou suas ligações diárias.

Faith arrum ou suas coisas no hotel e pegou um táxi para o aeroporto j unto com cinco colegas. Pegaram um a ponte-aérea para casa e j á estavam de volta à Nova York às duas horas. Era perfeito. Poderia ir para casa, organizar seu trabalho e preparar um gostoso j antar para fazerem as pazes.

Ela parou no m ercado no cam inho e chegou em casa pouco depois das três. Estava carregando duas sacolas do m ercado e colocou-as na cozinha, j unto com suas outras bolsas. Parecia que estava fora há sem anas. E, ao olhar pela cozinha, ficou surpresa ao ver que estava perfeitam ente arrum ada.

Im aginou se ele com era fora todas as noites afinal. E quando colocou as sacolas no chão, percebeu um par de sapatos em baixo da cadeira. Eram sapatos de salto alto de cetim preto, e ela não tinha nenhum assim . Ficou ainda m ais surpresa ao pegar um e olhar m ais de perto e ver que era vários núm eros acim a do seu. Seu coração acelerou, e com um a sensação de enj ôo subiu as escadas.

A cam a em seu quarto fora feita às pressas, com a colcha j ogada por cim a da cam a desarrum ada. E quando ela puxou-a quase na m esm a hora viu um sutiã de renda preto, e ao olhar m ais para baixo, viu a tanga que fazia par, que parecia ter sido j ogada no chão. De repente sentiu-se dom inada por um enj ôo, com o se fosse desm aiar. Isso não podia estar acontecendo. Não havia explicação, exceto o óbvio. Não era um a hóspede, nem um a de suas filhas, ou qualquer pessoa que ela pudesse explicar. Alex levou um a m ulher para dentro de casa enquanto ela estava fora. E quando ela entrou no banheiro, havia cosm éticos de um a m arca que ela não usava em cim a da penteadeira, e fios longos de cabelo preto na pia. Não havia com o se enganar depois que viu outro par de sapatos e um a suéter pendurada no toalheiro. E tudo que conseguiu fazer ao ver dois vestidos e três ternos desconhecidos em seu arm ário foi chorar. Não fora apenas um a noite. Quem quer que fosse a m ulher que estava com Alex, era óbvio que viera passar os quatro dias.

E então, com um a sensação de terror, percebeu que eles voltariam para casa naquela noite, talvez até m ais cedo.

Sem nem m esm o pensar com clareza, desceu as escadas correndo, depois de j ogar a colcha por cim a da cam a com o estava antes e deixar tudo intocado. Foi cuidadosa ao apagar as luzes. Voltou para a cozinha, pegou suas bolsas, incluindo as duas sacolas de com pras, e saiu de casa. Jogou as duas sacolas em um a lata de lixo na rua e fez sinal para um táxi, sem saber para onde ir. Não tinha nenhum a am iga para quem quisesse confessar esse pesadelo, nenhum lugar no qual se refugiar e nenhum a idéia do que fazer, então pediu ao m otorista para levá-la ao Carly le Hotel, a duas quadras dali, sentou no banco de trás e chorou.

— Só isso? — O m otorista olhou para ela confuso. Era tão perto que ela poderia ir andando.

— Só — confirm ou ela, com pletam ente desordenada. — Pode ir.

Estava aterrorizada pela idéia de que poderia encontrar Alex e a m ulher quando eles chegassem em casa. Mas o pior de tudo era que a casa era dela tam bém . Ele profanara a casa deles, a cam a deles. Enquanto subiam a Madison Avenue, ela só conseguia pensar no sutiã e na tanga. E só queria m orrer. Era o troco final por sua viagem para Washington, se era essa a intenção dele. Mas o que ela tam bém percebeu ao pararem no hotel, e o porteiro abrir a porta para ela, foi que não devia ser um a m ulher nova para Alex. Ele não colocaria um a estranha dentro de casa por quatro dias. Devia estar tendo um caso com ela há um tem po. Faith sentiu-se m al quando o porteiro perguntou se ela se hospedaria ali, e ela disse que sim .

Não queria confrontar Alex nem fazer um a cena. Ficaria no hotel e voltaria para casa no sábado de tarde, com o planej ado, o que significava que Alex e a m ulher, quem quer que ela fosse, ficariam aconchegados em sua casa. Tudo que queria fazer era fazer o check-in no Carly le e vom itar.

Pediu um quarto, e eles tinham um por sorte, j á que ela não tinha reserva e disse que ficaria apenas um dia, no m áxim o o final de sem ana. Eles cadastraram -na e entregaram a chave, e um m ensageiro carregou sua bagagem de Washington até o quarto. Ela segurava seu laptop com o se fosse o tesouro de Sierra Madre e seu últim o vínculo com o m undo real. Mas não ligou-o quando chegou ao quarto. Apenas sentou-se na cam a, soluçando, e j á estava escuro do lado de fora quando parou. Não sabia nem que horas eram . E quando olhou para o relógio viu que eram seis horas. Não podia nem ligar para Zoe para contar. Não achava j usto j ogá-la contra Alex. Tinha de resolver isso sozinha. Mas não parecia possível. Em bora estivesse claro em sua cabeça que ele estava tendo um caso.

Depois de toda a frieza dele em relação a ela, toda a fúria e as acusações por causa da volta dela à faculdade, toda a dureza gélida que ele m ostrara até agora, toda a distância, todo o silêncio, toda a indiferença por ela com o m ulher, ele estava dorm indo com outra pessoa. E o pior de tudo é que sentia-se m ais arrasada do que furiosa. Estava com eçando a im aginar se deveria ter ficado e confrontado os dois, m as não sentia vontade de fazer isso, e precisava de tem po para se recom por.

Eram oito da noite em Nova York quando ela ligou para Brad. Queria discutir com ele com calm a. Queria um conselho de irm ão, assim com o teria ligado para Jack se ele estivesse vivo. E Brad havia lhe contado que Pam j á tivera vários casos, e que ele tam bém entrara nesse cam inho um a vez. Esperava que ele fosse m ais calm o e sábio sobre esse assunto do que ela, e talvez ele lhe dissesse para não ficar triste. Mas assim que ela escutou a voz dele, com eçou a chorar de novo, e não conseguia nem form ar palavras.

Apenas soluçava sem controle ao telefone, e por um m inuto ele não soube quem era. Não era raro para ele receber ligações histéricas de clientes em potencial, ou seus pais, e por um segundo achou que fosse um , m as depois percebeu horrorizado que era Faith.

— Fred?... Droga... Meu Deus, o que houve?... Vam os, querida... fale com igo... conte o que houve... — Ele estava com m edo de que algo tivesse acontecido com um a das filhas dela. — Fred, querida... por favor... tente se acalm ar... respire fundo... m e conte o que aconteceu... você está m achucada?... Você está bem ?... Onde você está? — Ele estava ficando m ais desesperado a cada segundo, e o que ela falava ainda não fazia sentido.

— Estou em Nova York — gem eu ela, e então se acabou em soluços de novo.

— Vam os, tente m e contar o que aconteceu. Você está m achucada?

— Não..., m as eu gostaria de estar m orta... — Ela soava com o um a m enininha, e ele só conseguia im aginar a m enina de 8 anos de idade que ele conhecera e am ara, com tranças louras e sem dente, quando eles se viram pela prim eira vez.

— As m eninas estão bem ? — Esse era o m aior m edo dele. Era o que todos os pais m ais tem iam . Ele rezou para que não fosse.

— Estão... acho que sim ... não é com elas... é Alex... — balbuciou ela ainda chorando, m as conseguira verbalizar agora, e Brad estava aliviado pelo que escutara até agora, exceto pelo fato de que ela estava desesperada. Im aginou se Alex sofrera um acidente, ou talvez um infarto e m orrera.

— Ele está ferido?

— Não, eu estou. Ele é um cretino com pleto. — Brad percebeu que eles deviam ter tido um a briga e que não era tão ruim quanto tem era. Mas deve ter sido notável para ela estar nesse estado. Nunca a vira assim . Im aginou se ele não teria batido nela. Se fosse isso, pensou Brad j á enfurecido, o acertaria em cheio.

— Pensei que você estivesse em Washington. O que está fazendo em Nova York? — Sabia que ela só deveria voltar na tarde do dia seguinte.

— A m ãe da professora ficou doente e ela teve de voltar. Então vim para casa antes. — Ela ainda estava chorando, m as com calm a suficiente para conversar com ele, pelo m enos. Ele estava em pânico.

— E aí? — Ele estava ansioso para saber.

— Fui para casa.

— Vocês brigaram ? — Brad acenou para dispensar a secretária de sua m esa. Ela estava sinalizando que tinha três ligações esperando, m as ele não se im portava. Queria falar com Faith, sem interrupções. Todo m undo teria de esperar, ou ir para o inferno. Sua prioridade era Faith.

— Não, a casa estava vazia. — De repente, ele foi tom ado por pânico real. Talvez ela tivesse encontrado um intruso e sido estuprada.

— Pelo am or de Deus, o que aconteceu? Fred, você tem de m e dizer. — Ela estava deixando-o louco. Não poderia aj udá-la se não soubesse o que a deixara nesse estado.

— Ele levou um a m ulher para lá — contou ela, assoando o nariz em um lenço de papel da caixa ao lado da cam a.

— Ela estava em casa quando você chegou? — Brad estava perplexo. Pelo que ela dizia, Alex não parecia ser desse tipo.

— Não, as roupas estavam . Havia sapatos na cozinha, roupas dela no m eu arm ário, cosm éticos no m eu banheiro e roupas íntim as na m inha cam a. Ele está dorm indo com ela! — Com certeza, Brad entendeu isso. Não havia outra explicação para o que ela vira. — Foi noj ento... tinha um a tanga... — Ela desfez-se em lágrim as de novo, e ele não pôde deixar de sorrir em solidariedade a ela. Pobre m enina.

— Ah, m inha querida, gostaria de estar aí. Aiás, onde você está? — Era óbvio que ela fora para outro lugar para ligar. Não podia im aginá-la sentada em casa, esperando que eles voltassem .

— Estou no Carly le. Peguei um quarto para o final de sem ana. Não sei o que fazer. Acha que eu deveria ir para casa e expulsá-la de lá?

— Não acho que sej a um a boa idéia. Prim eiro você precisa se acalm ar. Depois precisa resolver o que quer fazer. Quer se divorciar dele? Deixá-lo? Quer m esm o contar a ele o que viu? Se não contar, talvez passe. — Sem pre fizera assim com Pam , na intenção de salvar seu casam ento. Mas ela fora esperta o suficiente para nunca trazê-los para dentro de casa. Ele achava que o que Alex fizera, no m ínim o, era um a burrice.

— E se o caso deles for sério? — Faith soava arrasada.

— Então você terá sérios problem as. — Mas am bos sabiam que ela j á tinha. Eles eram infelizes no casam ento há anos, e Alex acabara de cum prir sua últim a am eaça, sem nem um pouco do respeito que ela sem pre teve por ele. Ele a m agoara com a tanga. Ela sentia com o se tivesse sido atropelada por um ônibus. E então Brad teve um a idéia. — Quer que eu vá para aí? Podem os discutir isso antes de você voltar para casa. Posso pegar um coruj ão hoj e à noite se você quiser, e volto am anhã à noite.

— Não... estou bem ... tenho de resolver isso... o que vou fazer? — Ela se perguntava o que Jack teria dito, m as tinha a sensação de que independente do que fosse, Brad diria a m esm a coisa. Eles tinham pontos de vista m uito parecidos.

— Realm ente acho que você tem de resolver o que quer antes de confrontá-lo. É a sua hora agora, Fred. É o seu trunfo.

— Ela não pensara dessa form a e não estava convencida.

— Talvez não. Não se ele estiver apaixonado por ela.

— E se não estiver? Quer continuar casada com ele? Pode perdoá-lo por isso? Muitas pessoas perdoam , então não fique constrangida se quiser esquecer tudo. Esse tipo de caso costum a acabar com o tem po. A m aioria das vezes, pelo m enos. Geralm ente é só um a coisa passageira. — De qualquer form a, ele detestava o que Alex tinha feito, m as estava tentando ser j usto com ela, não deixando-a pior do que j á estava. Outras pessoas j á perdoaram casos de seus cônj uges antes. Ele perdoara Pam , e ela o perdoara. Tudo dependia do ponto de vista de Faith.

— Com o ele pôde fazer isso com igo? — Ela estava tendo a reação típica de qualquer pessoa que passa por essa situação.

— Provavelm ente burrice. Tédio. Precisava alim entar o ego, estava se sentindo velho. As m esm as razões estúpidas que todo m undo dá para fazer esse tipo de coisa. Na m aior parte das vezes, não é am or verdadeiro. Apenas desej o.

— Ótim o. Ele nem olha m ais para m im , e está dorm indo com um a m ulher que usa tanga. Ela tem cabelo longo e preto — disse ela, lem brando do fio na pia, e Brad sorriu, e desej ou poder abraçá-la. Ela precisava disso desesperadam ente. — Talvez ela sej a m uito j ovem .

— Posso lhe garantir um a coisa, querida. Você é m ais bonita do que ela. E não im porta se ela tem barba ou se usa topete. Ele provavelm ente só está se divertindo enquanto você está fora.

— Enquanto isso, ele age com o se eu fosse um a crim inosa por ter voltado a estudar. Eu tenho com ido o pão que o diabo am assou há um m ês para fazer com que tudo funcione para ele. Talvez essa sej a a idéia dele de vingança.

— Tenho quase certeza que não tem nada a ver com você. Tem a ver com ele. Dane-se ele. Vam os pensar em você. Que tal lavar o rosto e pedir um a xícara de chá para o serviço de quarto, ou talvez um drinque? Ligarei para você em m eia hora, e vam os conversar m ais. Só quero lhe aj udar a decidir o que quer fazer. A m inha opinião é irrelevante aqui.

— Mas o que você acha? — Ela queria saber.

— O que eu acho? — perguntou ele, tentando perm anecer calm o. — Acho que ele é um com pleto filho-da-puta, um cretino patético, m as não só por causa disso. Ele arrasta você pelos cabelos, deixa você paralisada de m edo, solitária o tem po todo, e agora faz um a burrice dessa. Pessoalm ente, acho que ele deve levar um tiro. Mas se você quiser continuar casada com ele, darei total apoio. Pois eu não o am o, você am a, e eu não sou casado com ele. — Ele respeitava o casam ento dela e o desej o de continuar nele tanto quanto o seu próprio. Em bora desej asse que ela tivesse deixado Alex há m uito tem po, para o próprio bem dela.

— Não sei m ais o que sinto por ele. Neste m om ento, eu o odeio e m e sinto hum ilhada, burra e m al-am ada. Não sei se eu o am o ou não. Mas sem pre achei que ficaria casada com ele para sem pre, agora j á não sei m ais. — Um a porta que a am edrontava estava se abrindo, e ela sentia um a insegurança desesperadora.

— Bem , não tom e nenhum a decisão precipitada até resolver. Ligarei em m eia hora. — Ele tinha onze ligações urgentes esperando. Atendeu sete e pediu para sua secretária resolver as outras. Eram seis horas da tarde para ele, e felizm ente sabia que Pam sairia com am igos.

Faith j á tinha pedido um bule de chá e j ogado água gelada no rosto quando ele ligou de volta m eia hora depois. Mas não fazia idéia do que faria em relação a Alex, e só de pensar nele na casa com a m ulher de tanga, Faith ficava enj oada.

— Com o você está? — perguntou ele de form a solidária.

— Não sei, m e sinto estranha. — Ela soava assim . Com o se estivesse desconectada ou cansada.

— Estranha com o? — Ele de repente ficou preocupado, ela podia ter tom ado alguns com prim idos ou feito outra coisa para si m esm a. Mas ela era sensata.

— Só estranha. Desiludida, traída, ferrada. Entorpecida. Triste. — Não conseguia pensar em outros adj etivos, m as ele ficou aliviado.

— Ah, esse de tipo de estranha, tudo bem . Deve estar m esm o. Estive pensando nisso, Fred. Acho que você deve dizer a ele o que sabe. Se não disser, isso só vai envenenar você. Deixe ele decidir com o resolver. Mas não faça nada que não queira fazer. Só estou dizendo o que acho.

— Acho que você deve estar certo. Nem sei com o dizer a ele o que eu vi.

— Essa é a parte fácil. Ele sabe. Não é novidade para ele, apenas para você.

— Parece que sim .

— A novidade aqui é que você sabe. É claro que você pode ligar para ele hoj e e fazer com que tenha um infarto dizendo que está espionando a casa. Seria um baita susto — sugeriu ele de form a cruel.

— Ele não atende ao telefone. — Ela tentara a sem ana toda.

— Bem , pelo m enos nisso ele foi esperto. Ele provavelm ente vai ser hostil quando você contar que sabe. Os hom ens não gostam de ser pegos em um a escapulida, e de um j eito ou de outro, ele vai tentar culpar você.

— Com o?

— Dizer que você o está negligenciando, que não o am a m ais. Pensou que você estivesse tendo um caso, em bora não sej a provável que ele lhe acuse disso. — Ela estava lim pa, e ele im aginava que Alex tam bém soubesse disso. — Talvez ele diga que é porque você voltou a estudar. O que quer que sej a, ele tentará culpar você e se isentar da culpa.

— Você acha que ele tem algo sério com essa garota? — Faith parecia em pânico com a idéia, em bora tivesse m edo de que ele a expulsasse de casa. Não podia nem im aginar o que faria. Mas Brad sabia que isso não podia acontecer. Se alguém tinha de sair, esse alguém era ele.

— É difícil dizer. Provavelm ente não. Eu acho que ela é apenas um traseiro bonito. Desculpe por ser tão grosseiro. Ela pode ser até um a prostituta.

— Não consigo im aginá-lo fazendo isso, Brad. — Mas as roupas íntim as com certeza pareciam de um a, em bora hoj e em dia várias m ulheres usassem desse tipo. Até as filhas de Faith. — Não acho que faça o tipo dele, quero dizer, um a prostituta.

— Nunca se sabe. Odeio pensar em você acordada nesse quarto a noite inteira pensando nisso. Acho que não vai conseguir dorm ir m uito.

— Talvez eu vá à igrej a pela m anhã. Estou com o terço que você m e deu. — Agora ela precisaria de m ais do que um terço. Precisaria de cabeça fria, e talvez de um bom advogado; tudo que Brad queria era estar lá.

— Você precisa pensar nisso com tranquilidade, Fred. Decida o que quer fazer antes de qualquer m ovim ento.

— Acho que quero saber o que está acontecendo, quem é ela, o que significa para ele. Quero saber a verdade.

— Se ele lhe disser a verdade. Ele não m e parece o tipo. Acho que fará o possível para acusar e excluir você para se proteger. — Brad conhecia bem essa espécie. Vira m uitos deles entre seus clientes, am igos e sócios, e com etera erros tam bém , em bora nenhum tão tolo quanto esse.

— Acho que você tem razão — concordou Faith. — Obrigada por m e escutar. Desculpe por estar tão arrasada. — Mas ela parecia bem m elhor do que quando ligara pela prim eira vez. Ele achou que alguém tivesse m orrido.

— Você m e assustou. Achei que tivesse acontecido algum a coisa com você ou com as m eninas. Isso é noj ento, m as pelo m enos todos estão vivos.

— Não tenho tanta certeza — respondeu ela, parecendo deprim ida.

— Você estará depois que digerir isso. — Já eram m ais de sete horas em San Francisco, e m ais de dez em Nova York.

— Acho que você deve tom ar um banho e ir para cam a. Vou direto para casa. Se precisar de m im , ligue. A qualquer hora. Estou do seu lado, Fred. Gostaria de poder fazer m ais.

— Você fez tudo que podia. Fez o que Jack teria feito. Você só pode conversar com igo, e fez isso. Terei de resolver sozinha — disse ela, soando m uito triste.

— Você vai conseguir, Fred. Sei que fará a coisa certa.

— O que vou falar para as m eninas se m e separar dele? Acho que elas não devem saber nunca.

— Por que não? Você não fez nada. Ele tem de enfrentar as consequências de um passo estúpido. Você não tem a obrigação de m anter segredo por ele. Não deve isso a ele, Fred.

— Zoe vai odiá-lo por isso. — E Ellie encontraria algum a desculpa.

— Ela o odeia de qualquer j eito — disse Brad, sendo prático. — E não sei se ela está errada. Ele não foi um bom pai para ela, nem um bom m arido para você, pelo que posso ver.

— Não foi m esm o — adm itiu Faith. — Mas as coisas são com o são. — Isso fez com que ele se lem brasse da conversa que tiveram na noite em que j antaram j untos sobre com prom issos que um a pessoa assum e para ficar casada quando as coisas não acontecem da form a esperada. Ele se perguntava se valeria a pena ela continuar casada com Alex no final. A qualquer custo para m anter a paz. Ele esperava que não, m as não queria influenciá-la. Não tinha o direito, j á que fazia a m esm a coisa. Fechara os olhos para os casos de Pam por anos. Era m ais fácil assim , pelo m enos para ele. Mas achava que Faith m erecia algo m elhor. E ele provavelm ente tam bém m erecia, m as preferia m anter as coisas com o estavam e m anter o status.

— Você parece exausta. Tente dorm ir um pouco. — Am bos sabiam que ela não pregaria o olho a noite inteira. Mas ele achava que ela deveria tentar. — Por que não pede um a m assagem ? Eles devem ter alguém no hotel que possa subir até m esm o a esta hora.

— Vou apenas tom ar um banho. — Ela não estava acostum ada a se m im ar. Só os outros. Era assim há anos.

— Ligue para m im em casa, se quiser. Estarei lá em dez m inutos.

— Obrigada, Brad... Eu am o você, m eu irm ão... — Ela realm ente am ava.

— Tam bém am o você, irm ãzinha. Vam os conseguir resolver essa bagunça toda... de um j eito ou de outro. As coisas acabam se resolvendo por elas m esm as. Você vai ver.

— É. Talvez — balbuciou ela, soando derrotada. Mas não parecia convencida, nem ele estava. Alex era o elem ento im previsível do problem a. Era difícil saber com o ele reagiria se Faith o confrontasse. Muito m al, Brad desconfiou ao dirigir para casa. Gostaria de poder dar um chute no traseiro dele pelo que ele acabara de fazer com Faith. Pela fam ília inteira.