Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 22 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 21

 

No final de abril, duas sem anas depois de Brad voltar para casa, Alex convidou Zoe para j antar fora quando ela veio de Brown para um fim de sem ana. Ela estava com a m ãe em casa, com o sem pre fazia, e não queria sair com ele. Mas Faith disse a ela que achava que deveria.

— Para quê, m ãe? — Zoe parecia aborrecida ao desligar o telefone. Queria sair com as am igas. — Ele só vai ficar falando besteira sobre você.

— Ele ainda é seu pai. E você não sai com ele há m uito tem po. Talvez ele estej a tentando um a reaproxim ação. — Com o sem pre, Faith era m uito m ais j usta com ele do que o contrário. Ele ainda continuava j ogando Eloise contra a m ãe, e Faith queria ir visitá-la assim que entrasse de férias. O sem estre term inaria em poucas sem anas. E Zoe estaria em casa no m eio de m aio. Faith a convidara para ir j unto, se fosse m esm o a Londres visitar Eloise.

No final, Zoe concordou em j antar com Alex em um pequeno restaurante francês do qual ele sem pre gostara. Era óbvio que ele estava se esforçando. Zoe usou um vestido da m ãe e prendeu o cabelo em um a trança. Estava bonita, doce e j ovem . Com pletara 19 anos poucas sem anas antes e estava cada dia, m ais bonita. Mas, ao se aproxim ar da m esa, Zoe ficou surpresa ao ver que o pai não estava sozinho. Havia um a m ulher com ele. Ele apresentou-as com o sorriso aberto e feliz. E Zoe achou que o pai estava ridículo. A garota tinha quase m etade da idade dele.

— Leslie, quero que conheça m inha filha Zoe... e esta é Leslie Jam es. — Zoe supôs que ela tinha uns vinte e poucos anos, em bora na verdade fosse um pouco m ais velha que isso. Ela estava usando um vestido curto e j usto e tinha um longo cabelo preto. E em bora Faith não fosse fazer isso se estivesse lá, poderia dizer a Zoe o tipo de calcinha que usava.

Conversaram um pouco constrangidos por alguns m inutos, e Zoe parecia desconfortável quando o pai pediu vinho. Após alguns m inutos, percebeu que Leslie trabalhava na firm a dele. Mas Zoe achou de m au gosto incluir a filha em um encontro.

— Você trabalha lá há m uito tem po? — perguntou Zoe, tentando ser educada e desej ando não estar lá.

— Há um ano e dois m eses. Mudei para cá, vindo de Atlanta, um pouco antes disso com a m inha filha. — Zoe percebeu que ela tinha um leve sotaque sulista e perguntou quantos anos tinha a filha dela, por total falta do que dizer. Odiava estar ali. — Ela tem cinco anos — disse Leslie, sorrindo e parecendo m uito j ovem , enquanto Alex olhava orgulhoso para a am iga. Era com o se quisesse que Zoe tam bém a adm irasse, o que fora a coisa errada de se fazer.

Sentia-se desleal com a m ãe só por estar com eles.

— Ela é um a linda m enina — acrescentou Alex com orgulho, enquanto Zoe encolhia-se em seu íntim o. — É adorável. — Era óbvio que o pai tinha um relacionam ento com as duas.

— Ela está aprendendo francês. Frequenta um j ardim de infância francês. Seu pai achou que seria bom para ela. — Zoe levantou um a sobrancelha, m as controlou-se na m esm a hora. Não conseguia se lem brar do pai estar interessado na escola em que ela estudava.

— Que bom para ela — com entou Zoe, tom ando um gole de vinho. Leslie pedira cham panhe. E então Zoe quase engasgou com o que Leslie disse em seguida.

— Esta é um a noite especial para nós — anunciou Leslie com um sorriso tím ido para Alex, e ele pareceu ligeiram ente desconfortável. Mas a idéia de levar Zoe para j antar com eles fora dele. Queria que as filhas a conhecessem . — É nosso aniversário — contou Leslie, j ogando o cabelo para trás do om bro enquanto Zoe olhava para ela.

— Mesm o? Que tipo de aniversário? — perguntou Zoe.

Devia fazer um ou dois m eses, o que para ela parecia patético.

— Estam os nam orando há um ano. Hoj e com pleta um ano do nosso prim eiro encontro. — Alex ficou paralisado por um instante e então fingiu que não escutara. Não havia nada m ais que pudesse fazer, e Zoe os encarou.

— Vocês estão nam orando há um ano? — A voz de Zoe de repente estava exaltada.

— Não realm ente — interpôs-se Alex. — Acho que Leslie quer dizer que nos conhecem os há um ano. Foi logo depois de ela com eçar a trabalhar na firm a.

— Não é isso. Hoj e é nosso aniversário de um ano de nam oro. — Ela parecia m agoada de ele nem ter se lem brado ou não querer adm itir, e o rosto de Zoe ficou pálido.

— Isso é m uito interessante j á que m eu pai só deixou m inha m ãe há dois m eses. Parece que vocês dois j á estavam saindo j untos bem antes disso.

— Estávam os sim . — Leslie sorriu, e com isso, Zoe se levantou e acidentalm ente entornou seu vinho, que espalhou-se pela m esa enquanto Leslie se afastava para não se m olhar.

— Que horror, pai — exclam ou Zoe olhando para ele. — Com o pôde m e convidar para com em orar com vocês? Depois de todas as coisas que você disse sobre a m am ãe e de ser culpa dela. Deprim ente. Por que não tem a coragem de dizer a verdade para Eloise em vez de j ogá-la contra a m am ãe? Por que sim plesm ente não conta a ela que você estava aprontando e que j á tinha um a nam orada quase um ano antes de sair de casa? Isso pelo m enos seria honesto.

O olhar de Alex estava enfurecido. Não esperava que Leslie fosse entregá-lo. Era óbvio que ela não era m uito esperta. Estava totalm ente enfeitiçado por ela e nem desconfiara que ela faria isso.

— Por que você não se senta para conversarm os? — perguntou ele tranquilam ente, enquanto a filha olhava para ele com desprezo. Mas ele estava preso atrás da m esa e não podia se m exer.

— Não, obrigada. Tenho outros planos — respondeu Zoe virando-se com um a segurança notável, dada a form a com o se sentia, e saiu do restaurante. Assim que chegou à calçada, com eçou a correr, fez sinal para um táxi e foi para casa.

Estava chorando quando entrou, e Faith estava no telefone com Brad. Ele estava falando sobre um caso com o qual estava preocupado, e ela dissera que Zoe tinha ido j antar com o pai. Ficou surpresa ao escutar a porta da frente bater, e Zoe entrou em seu escritório aos prantos.

— O que houve? — Faith parou de falar com Brad para olhar para ela. A m aquiagem escorrera pelo rosto, e ela parecia de novo um a m enina que apanhara na escola.

— Ele é um com pleto filho-da-puta, m ãe. Por que não m e contou sobre a garota? Você sabia?

— Que garota? — Faith parecia chocada. — Espere um m inuto... Brad, ligo para você depois. — Ele podia perceber que um a crise estava com eçando e desligou na m esm a hora. — O que houve? Do que você está falando?

— Papai levou um a m ulher. Um a vagabunda de uns 14 anos de idade cham ada Leslie. Ela tem cabelo com prido preto e peitos grandes, e teve o descaram ento de m e dizer que hoj e era o prim eiro aniversário de nam oro deles e que estavam com em orando com igo. Que coisa noj enta de se fazer. Você sabia dela, m ãe?

— Sente-se — disse Faith com tranquilidade entregando um lenço para a filha. — Lim pe seu rosto... acalm e-se... Sim , eu sabia dela — confirm ou Faith com calm a, sem se oferecer para dar m ais detalhes. Ele finalm ente fizera isso sozinho. Mas fora de um a estupidez inacreditável.

— Por que não m e contou?

— Porque não era da sua conta. Cabia ao seu pai lhe contar, se ele quisesse, e eu realm ente achei que ele não contaria. — Não se ofereceu para contar m ais detalhes para Zoe, nem se ofereceria.

— Foi por isso que ele deixou você?

— Acho que sim . Talvez isso e m ais algum as coisas. Ele disse que queria um a vida e que se sentia entediado com igo. Ela é m uito m ais nova que eu, com certeza. E provavelm ente m uito m ais divertida.

— Ela é um a com pleta idiota com peitos. O que ele está fazendo com ela? E com o pôde deixar você por causa dela? Com o pôde m e levar para j antar com ela? — Fora o m om ento m ais hum ilhante de sua vida. Zoe sentia-se lesada, traída e usada, e o pouco respeito que tinha pelo pai desaparecera por com pleto.

— Talvez ele estej a levando essa m oça a sério — conj eturou Faith, parecendo deprim ida. Sentia isso com o um outro tapa na cara, depois de vários, m as desta vez ele dera um tapa em Zoe tam bém . E Faith o odiava por fazer isso. Ele não devia incluir as filhas nos casos dele. A não ser que fosse m ais do que um caso, e por isso ele estava dividindo com elas. Se fosse isso, Zoe teria de se acostum ar e aceitar Leslie por quem ela era para o pai. Mas ainda era um pouco cedo, para dizer o m ínim o, para ficar exibindo-a por aí.

— Se ele casar com ela, eu m e m ato, ou m ato m eu pai.

— Ele não vai se casar com ninguém por enquanto. Ainda está casado com igo. — Mas dentro de cinco m eses não estaria m ais. Não poderia im aginar que ele apresentaria a garota para as filhas tão cedo.

Levou um a hora para Zoe conseguir se acalm ar, e então, antes que a m ãe pudesse im pedi-la, ela pegou o telefone e discou o núm ero de Ellie em Londres, onde eram três da m anhã. Faith tentou convencê-la a esperar até se acalm ar, m as Zoe só acenou em resposta. E Eloise deve ter atendido o telefone no m eio do sono.

— Acorda — exclam ou Zoe de form a abrupta. — Sou eu... não, não vou ligar depois... m e escute. Você sabe o que o canalha do nosso pai fez esta noite? Ele m e levou para j antar com a nam orada dele, que parece ter uns 14 anos, para com em orar o aniversário de um ano de nam oro deles. Um ano! Escutou? Ele está nam orando essa m ulher há um ano. E foi por isso que ele largou a m am ãe. Agora o que você acha do seu herói? Depois de tudo que você fez a m am ãe passar, deve a ela um a desculpa enorm e. — Então, houve um longo silêncio no lado de Ellie, e Zoe continuou confirm ando o que vira e escutara. Elas discutiram por um longo tem po, e Faith saiu do escritório. Foi para a cozinha e ligou para Brad da outra linha. Ele ainda estava no escritório, e ela explicou o que acontecera. Ele assobiou.

— Deve ter sido um a cena e tanto. Que coisa estúpida de se fazer. Em que ele estava pensando?

— Acho que ele é ingênuo e pensou que fosse conseguir vendê-la para Zoe. Ela está no telefone com Ellie. Acho que agora a suj eira vai com eçar a se espalhar.

— Eu diria que j á se espalhou. — Ele riu. — Eu não o invej o. Nem o inferno tem tanta fúria quanto um a filha quando conhece a nam orada do pai. Acho que você vai ser vingada. Não poderia acontecer com um cara m ais bacana. — Brad parecia divertido e satisfeito.

— É, tam bém estava pensando nisso — concordou Faith de form a discreta. Voltaram a conversar sobre o caso por alguns m inutos e então ela desligou de novo. Um m inuto depois, Zoe entrou na cozinha com um olhar superior. — O que Ellie disse? — perguntou Faith, intrigada. Tinha esperanças de que Zoe tivesse lhe dado evidências suficiente para fazê-la m udar de idéia. Não esperava que ela se virasse contra o pai, m as talvez pudesse perdoar a m ãe agora, ou pelo m enos tentar entender.

— Ela vem para casa este fim de sem ana para vê-la, m ãe. Ela pediu para dizer que am a você. — Faith sorriu. Existia esperança. Finalm ente.

Eloise veio para casa, com o prom etido, e passou dois dias chorando nos braços da m ãe. Desculpou-se, soluçou, im plorou perdão. Não podia acreditar no que o pai fizera. E ela e Zoe tiveram um confronto com ele. Faith não ficou sabendo exatam ente com o transcorreu, m as am bas ficaram com ela naquele fim de sem ana, e quando Alex ligou, nenhum a das duas quis atender. Ele caíra no desagrado delas, o que era m erecido, no que dizia respeito à Faith.

— Você acha que o papai vai se casar com ela? — perguntou Eloise, parecendo em pânico, sentada perto da m ãe. Nos últim os dias, o am or de Eloise pela m ãe não apenas se tornou m ais intenso com o ela passou a ter um respeito que nunca tivera antes. Finalm ente descobrira e com preendera a decência que estava na essência de Faith.

— Não faço idéia — respondeu Faith, sendo honesta. — Tem de perguntar a ele. — Mas nenhum a delas estava ansiosa para saber nem queria ligar para perguntar.

— Mãe — disse Eloise finalm ente, em um m om ento sossegado em que estavam sozinhas, quando Zoe saiu do quarto. — Acho que nunca vou conseguir dizer o quanto sinto por todas as coisas que disse para você. Eu não entendia. Papai sem pre m e disse que eu era com o ele, e acho que eu queria provar que era para ter a aprovação e o am or dele. Ele nunca disse abertam ente coisas ruins sobre você, m as de algum a form a deixava im plícito que ele estava certo e você, errada. Aprendi m uito sobre m im m esm a nesses últim os dois m eses, sobre confiança, crença e m anipulação. Eu m e deixei acreditar que ele estava dizendo a verdade e você não. Eu não entendia e não queria aceitar que você estava dizendo a verdade. Fui m uito inj usta. Não sei com o você ainda pode m e am ar depois de todas as coisas que eu disse. — Lágrim as escorriam de form a im placável pelo rosto dela enquanto falava com a m ãe, que tam bém estava chorando. — Eu nunca tinha percebido a pessoa boa que você é... e o canalha que ele é. Agora sinto com o se tivesse perdido m eu pai. Nunca m ais vou conseguir confiar nele. — Mas Faith esperava que um dia ela conseguisse. Ele era pai delas e era bem provável que acabassem perdoando. Ou pelo m enos Faith achava que deveriam , m as era assim que ela via tudo e todos, dignos de perdão, exceto às vezes ela própria. A pessoa com quem ela sem pre era m ais dura era consigo m esm a. E o que estava escutando de Eloise cicatrizou as feridas de seu coração.

— Eu am o você, Ellie. Sinto que isso tenha acontecido com todos nós. Não sei por que seu pai fez o que fez, m as ele tem de viver com isso agora e resolver consigo m esm o. — Sabia que nunca m ais sentiria o m esm o por ele, m as esperava que as m eninas sentissem , para o bem delas. Já era difícil o bastante assistir ao casam ento dos pais desm oronar, não queria que elas tam bém perdessem Alex. Elas precisavam dele, m esm o com suas im perfeições.

As duas saíram do quarto de braços dados e, um a vez que o furor passou, as três se divertiram j untas. Saíram para com er ham búrgueres, e foram ao Serendipity com er banana split.

Faith contou que tinha ido lá com Brad.

— Quem é esse? — perguntou Ellie, de volta ao rebanho.

Estava de m ãos dadas com a m ãe, que estava m uito aliviada. Tinha suas duas filhas de volta. Não desej ava nenhum m al para Alex, m as estava grata por Ellie ter voltado a si e ter vindo de Londres para passar o fim de sem ana. Contou para a m ãe que term inara com Geoff, m as tinha dois novos pretendentes dos quais parecia gostar bastante. Mas assim com o Zoe, ela queria saber m ais sobre Brad. Faith falava m uito dele e parecia ter m uito carinho tam bém , m as sem pre insistia que eram apenas am igos.

— Já disse, som os am igos. Ele era com o um irm ão m ais velho quando crescem os. Ele era o m elhor am igo do tio Jack quando éram os crianças. E é casado. Nunca serem os m ais do que am igos. — Ela disse isso com tanta firm eza que Zoe ficou desconfiada.

— Ainda acho que ele está apaixonado por você, m ãe. Ele tem de estar. Ninguém perderia tanto tem po ligando e m andando e-m ails.

— Acho que ele gosta de conversar. Mas É só. — Tinha firm eza na voz.

— E você? — perguntou Ellie pensativa. — Está apaixonada por ele?

— Não. Eu não m e apaixono por hom ens casados. — Com o ela gostaria que isso fosse verdade, m as ia ser. Já rezara um as m il vezes e repetira para si m esm a m ais um m ilhão que m esm o ele sendo m aravilhoso, não podia estar apaixonada por ele. E um dia, as orações ou o que repetia para si m esm a funcionaria. Tinha de funcionar. Não tinha alternativa. E, felizm ente, pelo que ela sabia, ele não estava apaixonado por ela.

— Você não tem sentim entos por ele? — prosseguiu Ellie.

— Só platônicos. — Faith foi enfática e estava im penetrável, para dizer o m ínim o.

— Você está saindo com alguém ?

— Não. E não quero. — Isso era verdade. Ainda não recuperara o fôlego depois da angústia do térm ino de seu casam ento, e não sabia se algum dia se recuperaria. Duvidava. Não suportava a idéia de sofrer de novo. Estava m ais feliz sozinha, conversando com Brad e se divertindo com as filhas. — Nunca m ais quero m e casar.

— Você não precisa se casar — interveio Zoe. — Pode só sair, ter um encontro.

— Por quê? Estou m uito feliz com vocês duas. — Mas as duas filhas concordaram m ais tarde, quando estavam sozinhas no quarto de Zoe, que não era um a vida saudável para Faith. No final, elas decidiram que provavelm ente era m uito cedo para a m ãe. Diferente do pai, que se precipitara convidando Zoe para o "j antar de aniversário" deles. Am bas ainda estavam horrorizadas por terem descoberto que ele traíra a m ãe por quase um ano inteiro, se não m ais, enquanto atribuía a culpa do final do casam ento ao fato de Faith ter voltado a estudar. A faculdade não tinha nada a ver com isso, era apenas um a desculpa.

Mas em todo caso, quando Ellie voltou para Londres no dom ingo à noite, restabelecera seu relacionam ento com a m ãe. E quando Brad ligou para Faith tarde naquela noite, depois de as duas filhas terem ido em bora, ele nunca a escutara tão feliz. Pelo m enos parte do pesadelo tinha acabado. Tinha sua filha de volta.