Preces Atendidas
Capítulo 18
Brad chegou à casa de Faith, com suas m alas, às nove da m anhã. Ela acabara de sair do banho. Atendeu à porta em um roupão de cashm ere, e ele entregou a ela o j ornal de dom ingo quando entrou.
— Desculpe. Cheguei m uito cedo? Acordei no raiar do dia.
— Sem problem as. Estarei pronta em cinco m inutos — disse ela correndo.
— Vou com eçar a preparar o café da m anhã enquanto você se veste. — Ele foi para a cozinha enquanto ela subia as escadas descalça e com o cabelo m olhado.
E quando ela desceu, 15 m inutos depois, usando j eans e blusa de gola alta, ele estava fazendo m uito barulho, e havia um delicioso cheiro de café no ar.
— Nossa, que cheiro bom — exclam ou ela, e ele se virou com um sorriso. Estava em pé na frente do fogão, j á colocara pães na torradeira e estava fritando ovos.
— Gem a m ole ou dura? — Ele parecia relaxado, tranquilo e se sentindo em casa.
— Mole está bom . Quer que eu faça? — Ela se aproxim ou do fogão.
— Estou preparando café da m anhã para você — respondeu ele, e então serviu um a caneca de café e lhe entregou. Queria m im á-la antes de ir em bora, por isso viera. — Quer bacon? Esqueci.
— Acho que nem tem , m as para m im está bom . — Ela olhou na geladeira e realm ente não havia. Então ofereceu-se para descascar algum as frutas. Ele deixou que ela descascasse laranj as e pêssegos. Foi quando term inou os ovos. Colocou-os em dois pratos, passou m anteiga nas torradas e depois acrescentou-os. Ela arrum ou a m esa, ele trouxe a com ida e am bos se sentaram .
Os ovos estavam deliciosos, e ele estava m astigando a torrada quando ela sorriu.
— Você é um ótim o cozinheiro.
— Sou um excelente chef de coisas rápidas. Ham búrgueres, chili, panquecas. Sem pre posso arranj ar um em prego em um a lanchonete se precisar.
— Vou m e lem brar disso. — Era bom tê-lo por perto. Fazia com que ela recordasse os tem pos em que Jack vinha da faculdade visitá-la, ou das frequentes ocasiões em que ele e Debbie estavam separados. Sem pre adorara quando ele vinha para ficar. Apesar de sem pre ter existido tensão entre ele e Alex. Não pôde deixar de im aginar, quando term inaram o café que Brad preparara, onde Alex estaria agora e se estava com a garota. Leslie Jam es. O nom e dela estava gravado na m ente de Faith.
— Em que você estava pensando? Pareceu chateada de repente — com entou Brad ao pegar a seção de esportes do j ornal de dom ingo e entregar o resto para ela.
— Estava pensando em Alex. E na garota. Estava im aginando se eles estão j untos.
— Tente não pensar nisso — sugeriu ele com gentileza ao pegar a caneca de café e olhar para ela, pensativo. — É estranho com o a vida m uda, não é? Seis m eses atrás, quem im aginaria que eu estaria aqui tom ando café com você? — Tinham perdido contato havia m uito tem po antes disso.
— É, e que Alex teria saído de casa. Antes de pensar neles, eu estava pensando em com o é bom tê-lo aqui. Você vem m uito a Nova York? — Esta era a terceira vez em quatro m eses. Mas desta vez ele inventara um a desculpa para vê-la.
E estava feliz por ter feito isso. Ela j á estava com a aparência bem m elhor do que no dia anterior, e m uito m ais relaxada.
Sua viagem valera a pena.
— Depende. Venho esporadicam ente, depende dos congressos nos quais m e inscrevo e do que está acontecendo por lá. Na m aior parte do tem po, não posso sair. — O trabalho dele era guiado por crises, e ele tinha m uitos clientes para poder se afastar. — Devo passar um dia aqui quando for para a África visitar os m eninos no m ês que vem . Pam estará com igo — contou ele.
— Podíam os j antar os três — propôs Faith com tranquilidade, e Brad riu.
— Seria divertido. Ela j á acha que estou apaixonado. Se colocar os olhos em você, não vai m ais largar do m eu pé.
— Acho que estou lisonj eada. Mas não sou nenhum a am eaça. Sou com o sua irm ã m ais nova. Ela vai acabar percebendo isso — com entou Faith, confiante.
— Talvez não — ponderou ele, e perdeu-se no j ornal. Ele ficou entretido na m eia hora seguinte enquanto ela servia m ais café para os dois e arrum ava a cozinha. Já eram dez e m eia quando ela acabou e ele term inou a leitura do j ornal.
— Você ainda quer ir à igrej a? — Ela não queria forçá-lo a fazer nada. Gostava de ir, m as não era um a questão de vida ou m orte, principalm ente se ele não quisesse ir. Poderia ir depois que ele fosse em bora.
— Na verdade, quero. — Ele levantou e se espreguiçou, e abraçou-a. Mais um a vez ela se surpreendeu de com o se sentia à vontade com ele, e com o sua com panhia era agradável. Era difícil de acreditar que ele e Pam não se davam bem . Ele era o hom em m ais fácil de se lidar que ela j á conhecera.
— Vou pegar m inha bolsa. — Ela correu até o andar de cim a para pegar a bolsa e pentear o cabelo, cinco m inutos depois estava no vestíbulo pegando um casaco no closet. Vestiu um casaco pesado de pele de carneiro e um cachecol de lã verm elho. Brad estava usando j eans, um a suéter pesada e um casaco quente. Estava frio do lado de fora e parecia que ia nevar.
Pegaram um táxi para a Catedral de St. Patrick e chegaram bem a tem po da m issa das onze. Faith fez a genuflexão e sentou-se em um banco, e Brad sentou-se ao seu lado.
Ficaram assim , lado a lado, em silêncio a m issa inteira. Ela com ungou, ele esperou e, em determ inado m om ento, notou que ela segurava o terço que lhe dera e sorriu. Após a m issa, acenderam um a vela para Jack no santuário de São Judas. Era um a experiência reconfortante para am bos, que pareciam em paz quando saíram . Durante a m issa, com eçara a nevar.
— Quer cam inhar? — perguntou ela, olhando para ele. Adorava andar na neve.
— Quero — ele sorriu para ela — por que não? — Ele nunca via neve em San Francisco e era um a das coisas que am ava em Nova York.
Subiram a Fifth Avenue e na 60th Street viraram e cam inharam pela calçada do Central Park. Passaram pelo zoológico e pelo parque infantil ao norte. O cabelo de am bos estava coberto de neve, e seus rostos estavam verm elhos de frio. Era aquele tipo de neve que realm ente gruda e parece silenciar tudo o m ais. Era m ágico cam inhar com a m ão dela, protegida por um a luva, em seu braço.
— Vou sentir saudades de você am anhã, quando não estiver m ais aqui — lam entou-se ela. — Isto foi um a festa. Depois disso, tenho de voltar para a vida real, faculdade e divórcio. Não estou ansiosa por isso. Alex está com tanta pressa. — Ela estava com eçando a im aginar por que, e não podia deixar de se perguntar o quanto isso tinha a ver com Leslie Jam es e se ele ia casar com ela depois que tudo term inasse.
— O que você vai fazer com a casa? — Ele não sabia se era cedo dem ais para perguntar.
— Não sei. Ele não disse nada. Não sei se vai m e deixar ficar ou querer que eu saia para poder vender. Foi ele quem pagou, então acho que vai tentar reivindicar com o sua. Não sei com o essas coisas funcionam . — O dinheiro de Alex com prara tudo que tinham . E agora ele estava reivindicando tudo com o dele, pelo m enos para ela. Ele dissera que tudo que Faith teria dele seria um suporte m ínim o j á que era j ovem o suficiente para trabalhar. Ela estava com eçando a achar que não tinha nenhum direito.
— Se ele forçar você a sair, terá de dar algum lugar no m esm o nível para você m orar — observou Brad de form a sensata para acalm ar seus tem ores. — Ele não pode sim plesm ente j ogá-la na rua.
— Espero que não. — Mas nem isso parecia m ais um a certeza. Não havia com o saber quais proezas Alex tentaria fazer. — Acho que, com o as m eninas não estão m ais em casa, posso ir para um lugar m enor. Mas será tão estranho m udar. Moram os lá há dezoito anos, desde que Zoe nasceu. — De repente tudo estava pendente, e todo o senso de confiança e segurança que ela j á teve estava indo por água abaixo.
— Talvez ele deixe você ficar e não venda a casa — com entou Brad de form a apaziguadora. Não queria chateá-la. Sabia que o advogado resolveria os detalhes com im parcialidade. E entraram no parque por um desvio perto do lago, e assistiram à neve se am ontoando em cim a das estátuas de Alice no País das Maravilhas. Havia crianças brincando na neve, que havia em quantidade suficiente para eles escorregarem de pequenos m ontes nas latas de lixo. Brad e Faith assistiram à brincadeira que parecia divertida.
— Gostaria que as m eninas ainda fossem pequenas — suspirou Faith, desej osa. — Sinto m uita saudade disso. — Fora um a época tão feliz em sua vida. Todos os dias eram cheios, havia m uita alegria. Ela nunca tinha tem po de pensar em nada, exceto no que ia fazer com elas e em ficar com Alex à noite. Nunca se preocupava com o que o futuro traria, não tinha tem po para pensar nisso. E sentia-se feliz e necessária todos os dias. Tudo era diferente agora. Elas não precisavam m ais da m ãe. Tinham suas próprias vidas, e a sua parecia tão vazia. E acim a de tudo, Alex fora em bora tam bém . Faith sentia-se com o se tivesse perdido seu universo inteiro, e talvez até sua casa. Era m uito para digerir. Muito para perder.
— Tam bém sinto falta daquela época — disse Brad com honestidade. — Passou tão rápido. Sei que parece bobo, que nos sentim os velhos, m as não som os, tem gente tendo filhos na nossa idade.
— Meu Deus, que idéia! — Faith riu.
— Você faria isso de novo? — Ela podia ver que ele estava sério, e esperou um m om ento enquanto pensava.
— É um a pergunta m aluca. Se tivesse m e perguntado um m ês atrás, eu teria dito claro que não, além disso, Alex m e m ataria. Ele sem pre achou que duas filhas era o suficiente. Senão eu teria tido m ais um ou dois. Agora? Não sei. Parece um a idéia bem louca aos 47. As m eninas teriam um ataque, ou pelo m enos ficariam chocadas. Não, acho que não faria. Além disso, nem estarei casada nos próxim os m eses. Não consigo nem im aginar isso agora.
— É aí que quero chegar, Fred. Você vai ser solteira de novo. — Só de ouvi-lo falar, ela ficou chocada. Ainda tinha de ficar se lem brando de que o que aconteceu com Alex não era um pesadelo. Era real. — E se você conhecesse um a pessoa legal que quisesse m ais filhos? O que faria?
— Eu o apresentaria para Eloise. — Ela riu, e então ficou séria de novo. — Puxa, Brad, não sei. Eu adoraria ter m ais filhos, m as não estou m ais na flor da m inha j uventude. Na m inha idade, nem sei se eu poderia. Conheço pessoas que tiveram . Não sei... é... poderia ser bom ... seria m aravilhoso ter um bebê de novo... e isso faria com que m e sentisse esperançosa, viva e j ovem de novo. O único problem a é que — acrescentou ela séria, ao olhar para ele — não sou m ais. Estou cansada, triste e velha. E pior, sozinha.
— Não será assim para sem pre. Você vai encontrar alguém , Fred. Alguém m uito m ais legal do que Alex. Você estará livre e solta em alguns m eses e provavelm ente estará casada em um ano.— Ele parecia deprim ido ao falar isso, ela riu.
— Bem , você j á tem a m inha vida toda planej ada. E a sua? — Ela sabia o quanto ele estava infeliz com Pam e o quanto estava determ inado a continuar com ela, a todo custo. — Não quer m ais do que tem ? — Para Faith, a vida dele com Pam sem pre pareceu solitária. Mas sua vida com Alex tam bém fora, e ela nunca teria se separado se ele não a tivesse abandonado.
— Claro que quero — respondeu ele, sendo honesto. — Mas tenho de m e contentar com o que tenho. Não penso m uito a respeito. — Isso não era bem a verdade.
— Talvez devesse, enquanto ainda é razoavelm ente j ovem . E se Pam fizer com você o que Alex fez com igo daqui a dez anos? Não sentirá com o se tivesse desperdiçado a vida inteira enquanto poderia estar com alguém com quem realm ente fosse feliz? Talvez valha a pena pensar nisso.
— É m uito arriscado — respondeu ele, olhando nos olhos de Faith. — Sei o que tenho e o quanto está perdido. Não vou j ogar isso fora por um sonho que talvez nunca se realize. A vida não funciona assim . Nos film es, funciona. Na vida real, não. A m aioria das pessoas faz o que você e eu tem os feito. Acom oda-se a um a vida que quase funciona e a tolera da m elhor m aneira possível. Você sabe bem disso.
— É, eu sei. Mas agora fico m e perguntando. Talvez Alex estej a certo no que fez. Odeio isso por m im . Mas talvez ele finalm ente tenha tido a coragem de fazer o que devíam os ter feito anos atrás. Ele fez de um a form a dolorosa, m as está indo atrás da felicidade.
— Nesse caso, acho que ele vai quebrar a cara porque m agoou você. Não acho que se consiga m uita coisa agindo assim . Só se perde. Ele foi atrás de um a garota que usa tanga e para isso hum ilhou você. Esse tipo de coisa acaba voltando para assom brar a pessoa. Se ele ficar com ela, talvez um dia ela faça o m esm o com ele.
— Isso é encoraj ador — exclam ou Faith com um pequeno sorriso. — Não sei quais são as respostas — suspirou ela, enquanto flocos de neve grudavam em seus cílios e cabelo.
Ele nunca vira ninguém m ais bonita, e, ao olhar para ela, seu coração se apertou. Adoraria atrasar o relógio uns trinta anos. Mas sabia perfeitam ente bem o que não poderia ter. Nunca poderia ter Faith. E ela sequer im aginava que essa idéia passara por sua cabeça. Ficaria chocada se soubesse. Não percebia que agora ele olhava para ela dessa form a. E isso não acontecia desde que eram crianças. Mas, agora que se perm itiu, olhava. Estar com ela no Central Park, com o braço a sua volta, fazia com que sonhasse com m ais. Mas Brad sabia m elhor do que todo m undo que era apenas um sonho.
— Você está m uito sério — sussurrou Faith, aninhando-se nele. Estava esfriando e ventando. — Você está bem ? — Ele assentiu e sorriu. Adorava tudo que fazia com ela. Preparar café da m anhã, conversar durante horas, ir à igrej a, fazer cam inhadas, até com er banana Split na noite anterior. Ela fora um a m enina de ouro e agora estava ainda m ais lum inosa.
— Estava pensando que é m elhor voltarm os para sua casa e acenderm os a lareira. E, na verdade, tam bém estava pensando no alm oço.
— Quando estam os j untos, só com em os — reclam ou ela. Mas tam bém am ava ficar com ele. E estava ficando com fom e enquanto cam inhavam . — Precisam os parar para com prar com ida. Não tenho m uita coisa em casa. Tenho passado fom e desde que Alex saiu de casa.
— Isso não aj uda em nada — com entou ele, sendo prático e pegando sua m ão.
Pararam no m ercado no cam inho de casa, e ele fez com que ela com prasse com ida suficiente para um a sem ana, e depois insistiu em pagar, o que ela não achava j usto.
— Você não ficará aqui para com er tudo isso. Por que deve pagar?
— Então voltarei para j antar am anhã — brincou ele ao pegar o troco.
— Gostaria que você pudesse ficar. É um a pena não m orarm os na m esm a cidade. — Ele tam bém achava isso, m as tam bém sabia que acabaria criando um desafio insuportável para ele.
Estava com eçando a ter sentim entos por ela que nunca tivera antes. E contanto que ela não tom asse conhecim ento deles, e que tivesse quase cinco m il quilôm etros os separando, ele sabia que estaria seguro, assim com o ela.
Ele carregou as com pras, e m eia hora m ais tarde ela estava preparando o alm oço enquanto ele acendia a lareira. Do lado de fora, a neve continuava caindo.
Ela preparou sopa e sanduíches, e insistira em com prar m arshm allows, biscoito e barras de chocolate Hershey s para poder fazer alguns sm ores que am bos adoravam quando crianças. Estar com ele era com o um a peregrinação ao passado. Fazia com que às vezes desej asse nunca ter crescido. Se fosse assim , a vida ainda seria sim ples para todos eles, e Jack ainda estaria vivo.
Já eram quase quatro horas quando eles term inaram de alm oçar, e Brad ria ao olhar para ela. Tinham feito sm ores na lareira.
— De que você está rindo? — Faith parecia indignada.
— O seu rosto está cheio de chocolate e m arshm allow. Está toda suj a. — Ela usou um guardanapo para tentar lim par, m as só piorou. Então, ele pegou o guardanapo e passou pela boca, queixo e ponta do nariz dela enquanto ela o observava com inocência. E quando ele olhou para ela, precisou de força para não se perder nos sentim entos. — Pronto, agora você está com o rosto lim po. — Nada no com portam ento dele nem de longe dem onstrava o que sentia.
— Quer m ais um ? — perguntou ela sorrindo, e ele gem eu e se espreguiçou deitado no chão em frente à lareira. Ela achava as pernas dele enorm es, e os om bros eram tão largos e fortes com o quando era garoto.
— Não, obrigado. Será que m eu voo vai atrasar por causa da neve? — Ele quase desej ava que sim , apesar de ter de voltar.
Mas nada o agradaria tanto quanto ficar preso pela neve em Nova York com ela. Não sabia o que fazer com o que estava sentindo. E sabia que tinha de voltar, enquanto ainda podia.
Era tão difícil sabendo que ela teria m om entos duros pela frente e que ele não poderia estar ao seu lado. Só podia oferecer-lhe sua voz ao telefone ou e-m ails. Não parecia o suficiente. Queria protegê-la dos golpes que instintivam ente sabia que Alex daria contra ela.
— Vou ligar e confirm ar seu voo — resolveu ela, querendo ser prestativa, e foi até o telefone. Voltou cinco m inutos depois. — Está confirm ado.
— Que pena — lam entou ele com um sorriso sonolento. E, um a hora depois, ele levantou do chão com o um gigante adorm ecido. Estava na hora de ir. Às cinco horas, ele pegou suas coisas, e Faith vestiu o casaco.
— Você não precisa vir — disse ele, observando-a. Ela não fazia idéia de com o estava bonita, o que sem pre fora parte de seu charm e.
— Sei que não preciso. Mas quero ir m esm o assim . Não tenho nada m elhor para fazer. — Queria passar o m áxim o de tem po possível com ele.
Brad cham ou um táxi, colocou sua bagagem no porta-m alas e então sentou-se ao lado dela no banco. Estava nevando ainda m ais forte do que quando estavam no parque e estava escurecendo. Mas não havia trânsito nas tardes de dom ingo, e chegaram ao aeroporto JFK em tem po recorde, apesar da chuva. O Departam ento de Transportes m antinha as estradas lim pas e tudo parecia norm al no JFK. O voo ainda estava anunciado com o sem atraso.
Faith foi com Brad com prar revistas e, enquanto ele escolhia, ela com prou um livro que achou que ele fosse gostar.
— Obrigado por m e alim entar e m e levar para passear. — Ela sorriu agradecida. — Eu m e diverti m uito. Vou sentir saudades.
— Ligarei para você. Mas com porte-se. Com a, vá para a faculdade, não trabalhe m uito. Não deixe Alex enlouquecer você. Faça o que seu advogado m andar... escove os dentes... lave o rosto... não fique toda suj a de m arshm allow... cuide-se bem , Fred.
— Você tam bém — disse ela, parecendo um a criança desam parada, enquanto ele lhe dava um abraço de despedida e a beij ava na testa.
— Ligarei am anhã. Será m uito tarde quando chegar em casa. — Não chegaria antes das duas da m anhã no horário de Nova York, e esperava que ela estivesse dorm indo a essa hora.
— Obrigada por tudo — repetiu ela, segurando-se a ele.
Despedir-se dele era com o perder Jack outra vez. Sentiu um m om ento de pânico, depois um a onda de tristeza e desespero. Sentia-se tola segurando-se a ele, e finalm ente o soltou.
Ele abraçou-a um a últim a vez e então seguiu os outros passageiros pelo corredor até o avião, e, ao virar a esquina, sorriu e acenou. Ela ficou parada no term inal, observando o avião taxiar, e então saiu com a cabeça abaixada e cham ou um táxi.
A viagem para casa pareceu interm inável, e a casa parecia um túm ulo quando entrou. Ainda estava nevando, e a casa nunca estivera tão silenciosa. Nem j antou naquela noite, sentia m uita saudade dele. Apenas subiu e foi para a cam a. E estava dorm indo profundam ente quando o telefone tocou às duas da m anhã. Por um m inuto, não soube onde estava.
Era Eloise ligando de Londres, antes de sair para trabalhar.
Ela parecia agitada, e Faith ainda estava m eio dorm indo quando atendeu.
— ... ha... o quê?... ah... Ellie... oi, querida... não, não, eu estava acordada. — Não sabia por que sem pre m entia quando as pessoas a acordavam , m as sem pre m entia. Levou um m inuto até realm ente estar acordada, e então se deu conta de que era cedo para Eloise, sete horas da m anhã. — Você está bem ?
— Estou — respondeu ela com raiva. Ficou óbvio assim que Faith acordou de verdade que sua filha m ais velha estava furiosa. — Falei com o papai ontem — continuou ela. — Ele m e contou o que você fez.
— O que eu fiz? — Faith estava pálida e então um trem or de m edo tom ou conta dela. Im aginava o que ele tinha dito. — O que eu fiz?
— Ele m e disse que você decidiu que não queria m ais ficar casada para poder voltar para a faculdade.
— Ele disse isso? — Faith estava horrorizada. Com o ele podia m entir dessa form a para a filha? Pelo m enos Zoe sabia a verdade.
— Disse, m ãe. Com o você pode destruir nossa fam ília assim por um diplom a de advogada? Não se im porta conosco? Ou com ele, depois de todos esses anos? Com o você pode ser tão egoísta e desleal? — No m eio das palavras, Ellie desfez-se em lágrim as, e do seu lado da linha, Faith tam bém estava chorando.
— Ellie, as coisas não são assim ... não aconteceram dessa form a. As coisas entre seu pai e m im são m uito com plicadas. — Faith sentia-se honrada em não lavar a roupa suj a na frente das filhas. Não im portava o quanto Alex fora vil, não queria rebaixar-se ao nível dele. E confiava que suas filhas acabariam vendo a verdade. Faith segurava-se à decência com o a um salva-vidas em um a tem pestade.
— Você acha que isso não nos afeta? Acha que não nos im portam os? Não terem os nem um lugar onde ficar quando form os para casa. Ele disse que você quer vender a casa. — Aí estava sua resposta sobre a casa. E, com o sem pre, ele a estava culpando.
— Nós nem conversam os sobre a casa. E não, eu não quero vendê-la. Mas talvez sej a o que ele quer. Eu nunca quis o divórcio. Ele quis.
— Isso é um a m entira. Ele disse que foi você quem quis. Ele disse que você forçou a barra ao voltar a estudar.
— Eu não forcei nada. Até m e ofereci para desistir da faculdade.
— Não acredito em um a palavra do que você diz. O papai disse que você j á estava planej ando isso há m uito tem po e que falou com ele um ano atrás que queria o divórcio.
Ao escutá-la, Faith sentiu-se enoj ada. Agora conseguia ver a j ogada dele. Se conseguisse convencer as filhas de que ela pediu o divórcio um ano antes, faria m ais sentido quando elas descobrissem sobre Leslie Jam es, se elas descobrissem .
Era um a conspiração engenhosa. E, até agora, estava dando certo. Pelo m enos com Eloise. E as duas histórias com pletam ente diferentes colocariam as m eninas um a contra a outra.
— Eloise — interrom peu-a Faith, lutando para se m anter calm a. — Não estou querendo dizer que seu pai não está falando a verdade para você, m as ele não está. Eu nunca pedi o divórcio. Nunca quis term inar nosso casam ento. Isso foi idéia dele, o que ele quer. Eu não quero. E eu não quero vender esta casa. Ele não m e disse nada a esse respeito. — Ela estava certa que se falasse a verdade, sem denegrir a im agem dele, no final Ellie entenderia. Mas a filha não estava facilitando as coisas.
— Você é um a m entirosa, m ãe. E acho horrível você abandoná-lo. Espero que você não passe na prova da ordem , não entre na faculdade, porque você arruinou a m inha vida! — E com isso ela desligou, e Faith ficou lá, sentada, perplexa, com lágrim as escorrendo por seu rosto. Fora um a coisa desprezível para ele fazer, envenenar Ellie contra ela.
E isso estava destinado a causar um a trem enda briga entre as m eninas. Porque Zoe sabia a verdade. Pelo m enos a parte de Alex abandoná-la, só não sabia o m otivo. Faith queria poupá-las disso. E sabia que a verdade destruiria Alex aos olhos das filhas. E Faith não achava isso j usto. Mas Alex não sabia nada sobre j ustiça. O que acabara de fazer era o golpe m ais baixo que ele podia ter dado, separá-la de Eloise. E agora Faith tam bém estava preocupada com a casa.
Ficou deitada na cam a acordada por um a hora, e então, sentindo-se culpada, ligou para Zoe. Faith sabia que ela ficava acordada até tarde, e ela atendeu ao telefone no prim eiro toque.
— Oi, m ãe — exclam ou ela parecendo feliz por escutar a voz da m ãe.
— Acordei você? — perguntou Faith nervosa.
— Claro que não. Estava acordada. Você está bem ?
— Não — respondeu Faith, sendo honesta. — Ellie acabou de ligar.
— Você contou para ela? — perguntou Zoe, parecendo fraca. Desde que descobrira, estava chateada pelas m udanças nas vidas de seus pais, e tivera um a conversa rápida com o pai. Mas ele não dissera m uito, principalm ente quando Zoe contou que passara o fim de sem ana com a m ãe. Depois disso, ele a dispensou pelo telefone.
— Não, seu pai contou — explicou Faith. Estava realm ente preocupada que sua própria opção por ser decente e j usta fosse destruir seu relacionam ento com Ellie para sem pre.
— Com o ela está?
— Enlouquecida. Seu pai disse a ela que eu não queria m ais ficar casada para poder ir para a faculdade, por isso pedi o divórcio. Ele até disse que pedi um ano atrás — contou Faith, assuando o nariz.
— Por que ele diria um a coisa dessas? É verdade? — Zoe parecia surpresa. Mas estava ao lado da m ãe, com o sem pre estivera.
— Claro que não. Acho que sei por que ele fez isso, m as isso não vem ao caso. O im portante é que Ellie acha que eu quis isso e que o m andei em bora. É tão inj usto. — Justiça não estava m ais no vocabulário de Alex, se é que um dia esteve, Faith percebia agora.
— E qual é a novidade? Papai nunca j oga lim po. — Zoe disse que sabia há m uito tem po que ele m entia. Havia m entido para ela sobre várias pequenas coisas, m as que eram im portantes para ela, e isso contribuiu para que não confiasse nele. — Ela vai perceber. Você não estaria tão triste se tivesse pedido o divórcio. É só usar o bom senso. — Mas Faith não estava segura disso. Ellie estava sendo m anipulada pelo pai.
— Ela nem sabe o quanto estou triste. Ela nem m e deu a chance de falar, só disse o m onstro que eu sou e que arruinei a vida dela. — Não contou a Zoe sobre a casa. Queria conversar com Alex prim eiro. Queria saber a posição dele, pois se ele forçasse a barra para vender a casa, deixaria todas elas chateadas, não só Faith.
— Ellie vai se acalm ar. Vou conversar com ela. Você poderá conversar quando ela vier. — Eloise planej ava fazer um a visita em m arço, m as Faith se perguntava se ela viria para casa.
— Talvez eu deva ir até lá — inquietou-se Faith.
— Ela precisa esfriar a cabeça prim eiro. Escreva um a carta ou algo parecido, m ãe, ela vai entender. É óbvio que você não quer o divórcio. — O que não era óbvio para Zoe ainda, e sua m ãe não contou, era por que o pai quis sair de casa. Mas para ela estava claro que sua m ãe não queria falar. Tinha a sensação de que havia m ais nesta história e, com o de costum e, estava certa.
— Estou m al por isso — desabafou Faith, aliviada de poder conversar com ela. Além de filha, Zoe estava se tornando um a am iga, e sua sensatez e sabedoria iam além de sua idade.
— Ellie sem pre reage prim eiro. Só pensa depois. Acho que papai foi um cretino ao dizer essas coisas, m as não estou surpresa. — Nem Faith se surpreendia m ais. Não havia lim ites para o que Alex estava disposto a fazer, destruir seu relacionam ento com Ellie.
— Vou ligar para ele am anhã — decidiu Faith, parecendo agitada. Ainda achava que poderia cham á-lo à razão, o que era inocência de sua parte.
— Durm a um pouco, m ãe. Tente esquecer isso. Pelo m enos, por esta noite. Fez algum a coisa no fim de sem ana? — Quisera ligar para ela e sentia-se culpada por não ter ligado. Mas não tivera tem po.
— Meu am igo Brad de San Francisco estava aqui — contou Faith, sendo vaga. Só conseguia pensar em Ellie agora. A visita de Brad parecia ter se apagado com o um sonho.
— Ele foi ver você? — Zoe parecia im pressionada.
— Não, ele tinha negócios aqui. Mas foi bom vê-lo. — Zoe refletiu, m as decidiu que não era hora de im plicar com a m ãe por causa dele. Já tinha m uito com o que se preocupar. E independente dos sentim entos que ele tivesse por Faith, Zoe sabia que, para ela, ele era apenas um am igo. Mas pelo m enos ele a distraiu por dois dias. Já era algum a coisa.
Elas desligaram , e Faith ficou deitada acordada na cam a o resto da noite. Só conseguia pensar no que Ellie dissera. E só queria ligar para Alex. Mas tinha de esperar até ele chegar no escritório. Ele não dissera onde estava. E finalm ente às seis da m anhã, ela levantou e escreveu um e-m ail para Brad.
Sabia que ele j á devia estar em casa, e não podia esperar m ais. Escreveu tudo que Ellie dissera. Chorou ao digitar.
Pareceu ainda pior depois que escreveu tudo no e-m ail.
"...e o que você acha que ela quis dizer sobre a casa? Parece que Alex quer vendê-la. Por que ele não m e disse prim eiro?
De qualquer form a, estou arrasada. Sinto-m e m al por Ellie acreditar no que ele disse. Com o vou conseguir convencê-la da verdade? Não vou contar para nenhum a das duas sobre a garota. Nunca. É m uito hum ilhante para todo m undo. E vai m e fazer parecer tão baixa quanto ele. E elas nunca perdoariam o pai. Não estou tentando envenenar o relacionam ento delas com ele. Por que Alex não pode j ogar lim po? Ele disse para Ellie que eu pedi o divórcio um ano atrás. Ele provavelm ente acha que isso é um a desculpa para o com portam ento dele. Isso faz parecer que ele está levando a garota a sério."
Ela continuou até tentar ser j usta com Alex por algum senso vão de decência, e sentir-se ainda m ais zangada com a inj ustiça de tudo. Ás vezes ela se perguntava se suas profundas crenças religiosas faziam com que fosse tão j usta. E Alex a conhecia bem , e sabia onde bater e com o.
"Desculpe por estar parecendo louca. Estou exausta e triste. E tivem os um fim de sem ana tão bom . Sinto por estar sendo chata falando de tudo isso. Ele está sendo tão cretino. Você não pode fazer nada, m as aj uda poder desabafar com você.
Obrigada por m e m im ar, m e alim entar, por ser tão bom com igo. Eu m e diverti m uito. Sem pre nos divertim os. Contarei tudo que acontecer aqui. Tenha um bom dia. Com am or, Fred."
E, às nove horas, ligou para Alex. Ele acabara de entrar no escritório e parecia irritado ao atender ao telefone.
— O que houve?
— Muita coisa — respondeu Faith parecendo estressada. — Suponho que você tenha falado com Ellie. Foi algo vil de se fazer.
— Não vou escutar seus insultos, Faith — disse ele am eaçando desligar. — Tenho o direito de falar para a m inha filha o que eu quiser. — Ele parecia na defensiva. Sabia com o tinha sido desprezível.
— Seria bom se você contasse a verdade. Você disse que o divórcio foi idéia m inha.
— Bem , foi, não foi? Você j ogou nosso casam ento na lata do lixo quando se m atriculou na faculdade.
— Não fiz nada disso. Você trouxe um a m ulher para a m inha cam a. Você contou isso para ela?
— Não. Você contou?
— Não, porque quis ser j usta com você. Alex, você j ogou Ellie contra m im . — Lágrim as escorriam enquanto falava.
— Foi o que você fez com Zoe, não foi? — acusou ele.
— Não, não foi. Você m entiu para Ellie e fez com que ela pensasse que tudo é culpa m inha. Você até disse para ela que eu pedi o divórcio, o que é um a m entira. — Ele não disse nada e houve um silêncio na linha. Ele dera um golpe baixo.
— E ela acha que eu quero vender a casa. O que isso quer dizer? — O coração dela estava acelerado ao perguntar isso.
— Não tem os escolha. Quero tirar m eu dinheiro de lá. Você receberá sua m etade.
— Não quero m inha m etade. Quero a casa, pelo m enos para m orar. Onde vou m orar? — Ela estava chorando abertam ente pelo que ele estava fazendo.
— Pode m orar em um aloj am ento na faculdade — rebateu ele de form a detestável, e Faith ficou horrorizada. Ele era o hom em m ais vingativo que j á conhecera. Nunca podia im aginar que ele fosse capaz de algo assim . Fazia com que se perguntasse quem ele sem pre fora. Por baixo da cam ada exterior de gelo, não havia nenhum coração.
— Você está m e expulsando? — Ela estava em pânico.
— Meu advogado vai discutir com o seu. — A m aneira com que ele falou m ostrou que ia expulsá-la. Ele estava tom ando a casa e o casam ento deles e roubara um a de suas filhas. Estava destruindo sua vida, da m esm a form a que Ellie a acusou. Mas Alex realm ente estava. E Faith estava preocupada de não ter direitos sobre a casa j á que ele com prara. Ela investira sua vida, seu tem po e seu coração neste casam ento, m as o dinheiro investido sem pre fora dele.
— Por que você está fazendo tudo isso? Por que m e odeia tanto? Só porque voltei para a faculdade? Que doença é essa?
— A m esm a que fez você m e abandonar para fingir que é um a m enina. — Mas não era isso, Faith sabia, era a garota. Suspeitava que a garota de tanga era o pivô disso. Era ele quem estava tentando resgatar a j uventude e destruindo tudo que eles tinham , e a destruindo.
— É a garota — acusou Faith e sentiu que tinha j ustificativa para fazer isso. — Você está tentando esconder isso. O que você fez foi um a total falta de respeito por m im . E agora está tentando parecer lim po para suas filhas, m as não está. E você sabe disso, Alex. O que você está fazendo? Vai casar com ela?
— Não tenho m ais nada para falar com você — disse ele com frieza, e sem esperar um a resposta, desligou.
Faith ficou sentada olhando para o nada depois disso. E então ligou para seu advogado para pedir para descobrir sobre a casa, e ele prom eteu que faria.
Foi quando ela notou que recebera um e-m ail de Brad em algum m om ento das últim as horas, provavelm ente quando estava conversando com Alex.
"Pobre Fred... que desgraçado ele é. Não se preocupe com Ellie. Ela vai entender. Os filhos sem pre entendem . Meus pais fizeram o m esm o com igo. Levou um tem po, m as entendi. Eles estavam determ inados a se destruírem , e os dois lados tentavam m e usar com o refém . Coisa feia. Você não está fazendo isso. Ellie vai ver quem você é. Espere. Sej a paciente. Esfrie a cabeça. Defenda-se dele. Converse com seu advogado. Não abra m ão da casa. Ele deve isso a você. Fique firm e. Tenho de ir trabalhar cedo e ver os desastres que aconteceram no fim de sem ana. Eu m e diverti m uito. Você é um m ilagre na m inha vida. Vá com er um a banana split..., m as não se esqueça de lim par o queixo. Nós nos falam os m ais tarde. Com am or, Brad.
Ele sem pre a fazia sorrir. Sem pre a confortava e agora que estava de volta à sua vida, estava sem pre ao seu lado. Faith recostou-se e leu o e-m ail dele de novo, e há horas não se sentia tão calm a. Só podia agradecer a Deus por ele.