Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 17 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 16

 

Zoe voltou para a faculdade na noite de dom ingo, e elas passaram todo o fim de sem ana conversando. Faith ainda estava em choque, e apesar de sua infelicidade, não contou a Zoe sobre a garota. Disse apenas que o pai falou que queria um a vida m ais anim ada do que a que tinha com ela e que estava furioso por ela ter voltado a estudar, o que não era novidade.

— São razões estúpidas para se pedir um divórcio, m ãe. Você acha que ele está tendo um caso? — disse Zoe, sendo razoável. Mas Faith não revelou o que fez com que esse história com eçasse. Apesar de tudo, ainda era leal a ele.

— Não sei m esm o — foi tudo que disse.

Mas sentia-se m elhor quando Zoe foi em bora. E encontrou o advogado que Brad recom endara na sem ana seguinte. Ele disse tudo que ela precisava saber e m ostrou o relatório do detetive particular. O nom e da garota era Leslie Jam es. E a fotografia m ostrava um a garota m uito bonita. Era alta e escultural, parecia um a m odelo, e tinha um longo cabelo preto e ondulado, o que Faith j á sabia. O relatório dizia que tinha um a filha de 5 anos e era querida no escritório. Parece que o rom ance era um segredo aberto na firm a de Alex. As outras secretárias achavam que eles talvez fossem se casar, m as Alex nunca disse nada para ninguém .

Faith sentia com o se tivesse levado um soco no estôm ago quando saiu. Com certeza, ela era um a garota bonita e m uito j ovem . Era dezoito anos m ais nova do que Faith, o que era outro golpe.

Estava sentada em seu escritório, olhando o nada, quando o telefone tocou. Era Brad para saber com o fora a reunião.

— Foi boa. Ela é bonita, Brad. Acho que não posso culpá-lo. — Ela parecia m ortalm ente deprim ida.

— Eu posso. O cara é um tolo. Você tam bém é linda. — Melhor do que ninguém , Brad sabia que ela era linda por dentro e por fora.

— Obrigada — agradeceu ela, por educação, m as não parecia convencida. Sentia com o se toda sua vida tivesse desm oronado, o que na verdade tinha. Ela e Zoe riram do fato de ela ter esquecido por com pleto o dia dos nam orados. Isso desaparecera na fum aça de seu inferno particular. Nem se lem brava m ais em que dia estava e não se im portava. Mas Zoe recebera os chocolates que a m ãe m andara. Assim com o Ellie em Londres, depois de um pequeno atraso.

— Tenho um a novidade para você — disse Brad tentando anim á-la. Estava preocupado com ela há m ais de um a sem ana. Ela estava parecendo deprim ida, e ele sabia que se esforçava para ir à faculdade, m as pelo m enos ia.

— O quê? — perguntou ela. Sentia-se com o se estivesse flutuando no espaço sideral. Tudo em sua vida de repente parecia irreal.

— Tenho de ir a Nova York por uns dois dias. Tenho um trabalho para fazer aí. Estava torcendo para você poder j antar com igo. Podem os sair só para um a pizza se não estiver a fim de se arrum ar m uito.

— Essa é um a ótim a novidade — exclam ou ela com um sorriso. Mesm o vê-lo não seria tão alegre quanto teria sido algum as sem anas antes. Mas era m uito bom . Era algo para se esperar. — Quando você vem ?

— Na verdade, neste fim de sem ana. Tenho de consultar dois advogados aí sobre um caso difícil. Sairei na sexta tarde da noite. Posso estar na sua porta no sábado de m anhã, e talvez possam os ir patinar no parque.

— Achei que você tivesse de trabalhar — brincou ela, e ele sorriu. Ela não estava tão apática quanto pensava.

— Pode deixar que vou dar um j eito. Mas adoraria ver você, Fred. Reserve o sábado à noite para m im . Voltarei para casa no coruj ão de dom ingo. É um a viagem rápida. — Ele inventara tudo por causa dela. Estava m orrendo de preocupação, e dissera a si m esm o que devia isso a Jack. Queria ir a Nova York para dar um a boa olhada e ver se ela estava bem . Não tinha de encontrar ninguém , m as disse que tinha para ter um a desculpa para visitá-la. Era o m ínim o que podia fazer.

E quando ele chegou a Nova York, Faith tinha sobrevivido a m ais um a sem ana desde a traição de Alex. Seus advogados tinham entrado em contato um com o outro, e as coisas estavam avançando. Ainda não tinham contado para Ellie, m as Alex dissera que ligaria para ela no fim de sem ana, e Faith tem ia sua reação. Não era difícil de im aginar que independente de o pai estar errado, ou sendo cruel, ela ficaria do lado dele. Mas com o ela era m ais próxim a do pai, Faith concordou que Alex deveria dar a notícia. Principalm ente porque Zoe soube pela m ãe. Sabia que não conseguiria fazer Ellie ver pelo seu ponto de vista. Mas Faith tinha esperança de que Ellie tentaria ver seu lado tam bém .

Brad decidira ficar no Carly le para estar m ais perto de Faith. E chegou à casa dela no sábado de m anhã, às nove horas, depois de tom ar banho e fazer a barba. Estivera tão cansado que conseguira dorm ir bem no avião. Dissera para Pam o m esm o que contara para Faith, que tinha de consultar dois advogados de Nova York sobre um caso difícil. E Pam não questionou. E no final, nem Faith. Ele ficara com m edo de ela fazer obj eções a sua vinda se achasse que era só por causa dela. Não queria abusar dele m ais do que j á abusava.

E ele ficou preocupado quando ela abriu a porta. Parecia m uito pálida e m agra, usando um a blusa preta de gola alta e j eans, sem m aquiagem , olheiras e o cabelo louro escorrido nas laterais de seu rosto. Era óbvio que perdera peso. Mas sorriu assim que o viu e abraçou-o de form a calorosa. Não parecia m ais tão arrasada quanto ao telefone no prim eiro dia. Só parecia cansada e m uito triste.

Ela ofereceu m uffins a ele, fez café e ovos m exidos, e eles se sentaram na cozinha e conversaram por um longo tem po.

Depois foram para a sala de estar, e ele acendeu a lareira. Ela ainda estava dorm indo no quarto de Zoe e estava com eçando a achar que faria isso para sem pre.

— É tão estranho — confessou ela para Brad. — Sinto-m e da m esm a form a que m e senti depois da m orte de Jack. Sinto com o se tudo estivesse diferente e nunca m ais fosse voltar a ser com o antes. Vinte e seis anos da m inha vida foram j ogados fora.

— Eu sei, querida. É um a droga. Mas você vai se acostum ar depois de um tem po. E um dia vai ser m elhor. É diferente do que aconteceu com Jack. Agora você tem a chance de com eçar um a vida m elhor. Alex estava m atando você devagar. É você quem m erece um a vida m elhor, não ele — disse Brad com tranquilidade, enquanto estavam sentados em frente à lareira. Ele perguntara se ela queria sair para patinar, m as ela disse que estava m uito cansada, e a verdade era que ele tam bém estava. Fora um a longa viagem para se fazer depois de um a sem ana cheia, m as valia a pena por ela. Estava feliz por ter vindo, assim com o Faith.

— A que horas você tem de trabalhar? — perguntou ela, e ele quase esqueceu, m as se recom pôs antes que ela percebesse.

— Por volta das quatro. Talvez cinco. Só preciso de um as duas horas com eles, m as não dava para ser por telefone, m uitos arquivos. — Estava pensando em voltar para o hotel, tirar um cochilo e então encontrá-la de novo para o j antar.

— Você não veio só por m inha causa, veio, Brad? — perguntou ela, desconfiada, com um sorriso fam iliar, e ele riu.

— Claro que não, Fred. Eu am o você, m as não viaj aria tudo isso só para consolar seu coração partido.

— Que bom . Você tem coisas m elhores para fazer do que se preocupar com igo.

— Repito isso para m im m esm o todos os dias — im plicou ele. — Na verdade, vale a pena m e preocupar com você. Está passando por um a situação difícil. Mas acho que a prim eira situação difícil pela qual você passou foi casar com Alex.

— Jack sem pre dizia isso. — Mas existiram outras situações difíceis na vida dela, que acabaram fazendo com que aceitasse toda a aflição causada por Alex.

— Jack estava certo. Sobre um m onte de coisas.

Ele levou-a para alm oçar fora em um a delicatessen nas redondezas. Ela beliscou um sanduíche de salada de ovo e ele insistiu até que ela com esse m etade. Dividiram um a tigela de kneidlach, um prato j udeu que consiste em caldo de galinha com bolinhas de m atzá. Era um a das coisas de que ele m ais gostava em Nova York.

— Eles não fazem kneidlach assim na Califórnia — observou ele, fazendo com que ela sorrisse, parecendo m ais consigo m esm a. Era reconfortante estar com ele.

Depois saíram para um a longa cam inhada e vagaram pelo Central Park. As árvores ainda estavam nuas, e o parque parecia cinza, m as o ar e o exercício fizeram bem para os dois. Já estava no m eio da tarde quando voltaram para a casa dela, e Faith preparou para ele um a xícara de chocolate quente enquanto Brad acendia a lareira de novo e se perguntava se ela m anteria a casa. Não queria im portuná-la perguntando. Era um a casa bonita, m as achava que seria bom para ela se m udar. Mas ainda era cedo para dizer isso.

— Por que você estava tão sério? — perguntou Faith ao entregar para ele a xícara fum egante de chocolate quente com m arshm allows dentro. Era um a das coisas preferidas de quando eram crianças.

— Estava pensando em você — respondeu ele com honestidade — e na m ulher fantástica que você é. Um m onte de m ulheres teria lidado com tudo isso de um a form a diferente e contado aos filhos o que ele fez. Você é sem pre j usta com todo m undo. É patológico você ser decente e generosa. É bom ser assim . — Mas am bos sabiam que ela pagava um preço alto por isso.

— Obrigada — agradeceu ela, sorrindo de form a suave para ele. O irm ão dela tam bém fora assim . Sem pre foram pessoas boas por instinto. Mas passaram por m uitas coisas tam bém , antes de o pai m orrer, e até depois. Havia coisas sobre eles que Brad nunca soube. Ele sem pre adm irara a bondade, a tolerância e a honestidade que eles dem onstravam com as pessoas, assim com o o vínculo que com partilhavam .

Quando outras crianças m entiam , Jack falava a verdade. E a única vez que Jack descobriu que Faith m entira, infernizou a vida da irm ã, que tinha uns dez anos. E Brad ainda se lem brava das lágrim as escorrendo pelo rosto dela quando Jack a repreendeu. Ela não parecia m uito diferente agora, e era a visão que tivera dela na últim a sem ana. Pensar em Faith dessa form a, chorando, foi o que o trouxe a Nova York para vê-la. Não suportava saber com o ela estava infeliz sem , ao m enos, fazer algum a coisa para aj udá-la. E para ela só o fato de vê-lo e de conversar com ele tinha um significado im ensurável. Respeitava o que ele pensava e dizia. E confiava nele tanto quanto confiara em Jack.

— Com o está se sentindo, Fred? — perguntou ele com um olhar de preocupação, deitado no carpete em frente à lareira.

Sua aparência não m udara m uito desde que era um m enino, a m esm a covinha no queixo e pernas longuíssim as. E o cabelo era quase tão escuro quanto naquela época. Mesm o sentada bem perto dele, Faith m al conseguia ver um fio branco.

— Melhor, obrigada. — Isso fez com que ele ficasse feliz em dobro por ter vindo. Ela parecia m elhor do que de m anhã quando abriu a porta. Mais feliz e m ais tranquila. — Não tão estranha. Vai levar tem po até m e acostum ar com isso. Vai ser m uito estranho não estar m ais casada com ele. — Estava casada com Alex desde que tinha 21 anos. Parecia um a vida para ela.

— Você vai acabar gostando. Com o está indo na faculdade? — Ele ficara preocupado com isso no com eço.

— Não m uito bem . Mas não fui reprovada ainda. Acho que vou conseguir. — Ela se candidataria para a faculdade de Direito em breve. — Você não tem de ir trabalhar? — perguntou ela preocupada. Já eram quase quatro horas, e ele não parecia estar com pressa para ir a lugar nenhum . Estava relaxado e satisfeito, deitado ao lado dela.

— Tenho, daqui a pouco — tranquilizou-a ele, sem olhar para o relógio. Estava ficando sonolento por causa do chocolate quente e do calor do fogo, e da sensação de bem -estar que sentia quando estava com ela. — A vida é estranha, não é? Crescem os j untos e tivem os todas as oportunidades de nos apaixonarm os e isso nunca aconteceu. Em vez disso, eu casei com Pam , com quem não tenho nada em com um , e você com Alex, que a trata com o lixo. Teria sido tão m ais sim ples se tivéssem os nos olhado bem e nos apaixonado naquela época. Nada nunca é sim ples, não é, Fred? — Ele estava olhando para o fogo ao dizer isso e então olhou para ela com um sorriso sonolento. Mas havia algo intenso e triste nos olhos de Faith. Tinha tanto que ele não sabia, principalm ente sobre o que fizera que ela suportasse a m aneira com o Alex a tratava.

— Nunca acontece assim . — Faith disse com um suspiro. — Todos tem os de sair procurando outras pessoas e com plicar as coisas. Casam os com pessoas com plicadas e depois acham os que acertam os. Se casam os com alguém próxim o, sentim os com o se tivéssem os fracassado. Fácil dem ais, eu acho. E para m im , era m ais que isso. — Ela se perguntou se Jack contara para ele sobre o pai deles, m as desconfiava que não. Fora a vergonha secreta da infância deles e um a parte significativa de suas vidas adultas.

Ela nunca contara para m ais ninguém que o pai a m olestava e am eaçava. Nunca conseguira contar para Alex e sem pre tivera m edo de que ele usaria isso contra ela de algum a form a. Por fim , discutira isso com seu terapeuta anos atrás, e com Jack, e sem pre chegara à conclusão de que Alex não estava pronto para isso. A infância dele fora fria e sem em oção, m as m esm o assim norm al e reservada. Ela não achava que ele seria capaz de entender o que o pai dela fazia sem culpá-la, o que a teria m agoado. Mas sentia que Brad era diferente. Sabia que podia contar qualquer coisa para ele, que sem pre lhe oferecera seu am or incondicional.

— Com plicação nunca é a coisa certa — disse Brad sim plesm ente, ao olhar para ela. Podia ver algo doloroso surgir em seus olhos. — Você está bem , Fred?

— Estou. Só estava pensando em alguns problem as antigos. Na verdade, problem as antigos e terríveis. Mas acho que sem pre foi um a grande parte da m inha vida com Alex, de um a form a velada. Acho que foi por isso que deixei que ele m e controlasse e fosse tão duro com igo às vezes. Creio que sem pre achei que m erecia o que ele fazia com igo. — Os olhos de Faith estavam dizendo m uito, e Brad segurou a m ão dela com força, com o se sentisse que ela enfrentaria velhos dem ônios com ele e consigo m esm a.

— Por quê? — perguntou ele de form a gentil, enquanto ela abaixava o rosto, e então olhava para ele de novo. Era m ais difícil dizer as palavras do que ela im aginara que seria, até para ele.

— Aconteceram coisas m uito terríveis quando eu era criança. Jack sabia... não no com eço, m as acabou descobrindo. Foi duro para ele tam bém . — Mesm o antes de ela falar as palavras, Brad desconfiou e apertou a m ão dela. Não sabia com o ou por que sabia, m as sabia. E ela pôde sentir sua aceitação m esm o antes de falar.

Finalm ente, ela respirou fundo e prosseguiu. Não sabia bem por quê, m as queria com partilhar isso com ele. Faith nem estava consciente das lágrim as que escorriam por seu rosto, enquanto o coração de Brad se despedaçava em seu peito ao olhar para ela e se sentir im potente. Estava tão im potente quanto Jack fora. Jack não pôde evitar na época, e Brad não conseguiria afastar a lem brança agora. A única coisa que podia fazer era ficar ao seu lado, e com o sem pre, ele estava.

— Meu pai abusava de m im quando eu era criança — revelou ela, de form a que m al dava para escutar. Brad não em itiu nenhum som enquanto esperava que ela continuasse. — Ele com eçou quando eu tinha 4 ou 5 anos, e fez isso até m orrer, quando eu tinha 10. Eu tinha m uito m edo de contar para alguém , porque ele dizia que se eu contasse m e m ataria e m ataria o Jack tam bém . Então nunca contei. Tentei contar para m inha m ãe anos depois, quando éram os adultos, m as ela não acreditou em m im . Jack descobriu um ano antes de nosso pai m orrer, e ele o am eaçou tam bém . Acho que isso era parte do vínculo entre nós. Jack era o único que sabia. Mas sem pre m e senti culpada a esse respeito, com o se fosse m inha culpa e não dele... com o se isso fizesse de m im m enos do que as outras pessoas... ou pior... foi difícil eu m e perdoar por isso — disse ela com um a voz aflita —, m as finalm ente m e perdoei. Acho que, m esm o sem saber, essa era a força que Alex exercia sobre m im . Eu achava que ele tinha o direito de m e tratar m al ou de ser crítico ou grosseiro... Eu achava que não m erecia m ais do que aquilo. Eu era um j oguete nas m ãos dele. — Ela abaixara o rosto enquanto explicava, e quando olhou para ele, viu que ele tam bém estava chorando. A princípio, ele não disse nenhum a palavra, m as puxou-a para seus braços e abraçou-a com força. Tudo que não disse em palavras, seu abraço estava dizendo. Foi um longo m om ento até que ele conseguisse encontrar palavras.

— Sinto m uito, Fred... m uito m esm o... que coisa terrível para se carregar por todos esses anos. Não sei por que, m as de repente eu soube antes de você falar. Sinto tanto que um a coisa dessas tenha acontecido. Isso não faz de você m enos... e sim m ais... m il vezes m ais. Que coisa doentia, cruel de se fazer com um a criança. Graças a Deus ele m orreu.

— Tam bém pensava isso e m e sentia culpada. Acho que acontece com m uitas crianças. É solitário e assustador.

Isso im pactara sua vida inteira, afetara a pessoa com quem escolheu se casar e a form a com o lidou com ele e perm itiu que a tratasse por todos esses anos. Mas a reação de Brad foi exatam ente a que esperava quando finalm ente tivesse coragem suficiente para contar. Brad nunca a decepcionava, diferente de Alex, que nunca deixava de decepcioná-la quando tinha a chance. De algum a form a, contar para Brad e sentir seus braços a sua volta absolviam -na. Finalm ente contara a alguém , e ele a aceitara apesar disso. Estava livre das correntes que a aprisionaram pela m aior parte de sua vida. Era um presente inacreditável que ele lhe dera, e ficaram sentados em silêncio por um longo tem po, enquanto ele a abraçava. Ele era o am igo e irm ão que ela sem pre am ara, e sabia disso, e quando ela afastou-se dele, Brad sorriu.

— Eu am o você, Fred... de verdade... que ser hum ano incrível você é. É que pena que você casou com um cretino e não com igo. Realm ente m e arrependo disso. — Mas tudo que ele dissera naquele dia fora adequado. Contar para ele fora um a das m elhores coisas que ela j á fizera. Era com o olhar em um espelho e se ver refletida nos olhos dele. O que ela via era um a pessoa boa que não tinha culpa de nada.

Nem um a vítim a nem um a m enina m á. Era um a m ulher m aravilhosa que sobrevivera e m erecia am or e coisas boas. Era a chave que ela precisava para destrancar a últim a porta para sua liberdade. Ele a libertara, e ela se libertara. Finalm ente.

— Obrigada, Brad. Acho que as coisas são com o devem ser. Você teria ficado entediado se tivesse casado com igo. — Faith sorriu de novo. — Além disso, casar com você teria sido com o casar com m eu irm ão. Incesto, para dizer o m ínim o. — Talvez fosse m elhor tê-lo com o m elhor am igo.

— Foi o que sem pre achei. Um a vez, quando estávam os na faculdade, Jack disse que eu deveria sair com você, e eu achei que ele estava m aluco. Você era com o m inha irm ã m ais nova. Eu era m uito burro naquela época — confessou, envergonhado.

— Não era nada. — Ficaram sentados conversando por m ais um tem po com tranquilidade e conforto. E então ele olhou para o relógio. Detestava deixá-la, m as tinha, para m anter a história que viera a Nova York a negócios e não apenas para vê-la. Não queria deixá-la depois do que acabaram de com partilhar. Só ficaria deitado no quarto do hotel por um as duas horas, assistindo a um j ogo de basquete ou dorm indo.

Mas sabia que tinha de sustentar sua história e deixá-la um pouco. Nunca sentira-se m ais próxim o dela do que agora, m as tentou parecer casual ao levantar-se.

— Onde você quer j antar hoj e? — perguntou ele bocej ando.

— Você vai acabar passando vergonha na sua reunião se não despertar. — Ela riu, e ele sorriu balançando a cabeça. — Que tal com ida chinesa? — Era com o se nada desagradável tivesse acontecido entre eles. Nunca tinham sido tão próxim os.

— Para m im parece ótim o. Esqueci de trazer gravata. Pensei que poderia com prar um a se você quisesse que eu usasse para sair hoj e à noite.

— Achei que você colocaria black-tie — im plicou ela depois de todas as reclam ações sobre Pam . Brad só trouxera um a j aqueta, um a calça, j eans e algum as cam isas. Era um a boa com binação, e ele estava bonito ao desenrolar as m angas da cam isa e fingir que estava indo trabalhar.

— Venho pegá-la às sete. Tudo bem ? — disse ele, dando um beij o na testa dela e puxando-a para perto de si.

— É o suficiente para sua reunião? — Ela parecia surpresa.

— Será o bastante. Só precisam os discutir o caso de um garoto.

— Deve ser um garoto m uito especial para você vir tão longe para discutir sobre ele por duas horas — disse ela acom panhando-o até a porta. Ele dissera o suficiente, nem m uito nem pouco, sobre a revelação que ela fizera.

— Ele é — confirm ou Brad e então abraçou-a forte antes de ir em bora. Andou as duas quadras até o hotel e pensou em tudo que ela lhe dissera, que m ulher sensacional ela era, e que tolo ele fora por não se casar com ela. Desej ava ter seguido por um cam inho diferente do que escolhera anos antes. Mas não tinha com o voltar atrás agora. Tudo que podia fazer era tirar o m áxim o proveito disso e adm itir o erro para si m esm o. Não podia adm itir nem para ela que com etera um erro. Mas ele parecia m elancólico e triste ao entrar no hotel, pensando nos horrores a que ela sobrevivera, no am or que ela oferecia a todos apesar disso, e em com o ele tinha sorte de ser seu am igo.

E Faith só conseguia agradecer a Deus por finalm ente ter tido a coragem de desabafar e contar a ele sobre seu pai. E Brad fora a pessoa certa para contar. Isso só apertou m ais o laço entre eles e aum entou o am or que ela sentia por ele.

Tirara de seu coração um peso de m il quilos que carregara por toda a vida.