Preces Atendidas
Capítulo 3
ALEX VOLTOU A CHICAGO na sem ana seguinte e quando voltou, realm ente se esforçou para passar m ais tem po com Faith durante o fim de sem ana. Foram cam inhar no Central Park no sábado e j antaram em um restaurante próxim o no dia seguinte. Alex passou o dia de dom ingo no escritório, m as foi um a surpresa quando convidou-a para j antar depois que ela voltou da igrej a. Ele raram ente ficava com ela nos fins de sem ana, e Faith ficou feliz por ter ficado neste. Ele estava planej ando ir a Chicago de novo na sem ana seguinte.
Faith ligou para Zoe na segunda-feira à noite e perguntou se ela tinha algum tem po livre. Faith estava sentindo m uito a sua falta e sugeriu ir visitá-la, e Zoe ficou anim ada. Ela e a m ãe sem pre foram próxim as. Queria ficar no hotel com Faith, em bora tivesse duas colegas de quarto de quem gostava. E Faith estava sorrindo quando ligou e reservou um quarto.
Na terça-feira à noite, Faith saiu do avião, pegou um táxi até Providence e fez check-in no hotel. Zoe chegou m eia hora depois, com um a pequena bolsa para passar a noite, e as duas pareciam m ais irm ãs do que m ãe e filha enquanto conversavam e riam e se abraçavam , confortavelm ente espalhadas pelo quarto aconchegante. Saíram para j antar naquela noite, e Faith contou-lhe sobre o funeral de Charles e o encontro com Brad. Ela contara para am bas as filhas inúm eras histórias sobre crescer com ele e com Jack, e Zoe percebeu logo com o reencontrar o velho am igo a deixara feliz.
— Conversei com ele sobre voltar para a faculdade — contou Faith na hora da sobrem esa. Ela e Zoe j á tinham conversado sobre isso antes de a filha partir para Brown e ela achara um a excelente idéia. Mas não ouvira m ais nada desde então, e ficou feliz ao perceber que a m ãe não abandonara a possibilidade. Sabia que a m ãe precisava de algo para fazer com sua vida.
— Acho um a ótim a idéia, m ãe — encoraj ou Zoe. Sabia o quanto Faith estava sozinha desde que ela e Ellie saíram de casa. — Já fez algum a coisa em relação a isso?
— Pensei em conseguir uns catálogos e verificar as provas que teria de prestar. Teria de m e preparar para o LSAT. ((Law School Adm ission Test), prova de adm issão para as faculdades de Direito em todos os Estados Unidos. (N. do T.) Nem sei se eu conseguiria passar, m uito m enos entrar na faculdade de Direito.
Ela parecia nervosa em relação a esse assunto, m as tam bém excitada, e Zoe ficou entusiasm ada. Faith parecia m ais feliz e anim ada do que Zoe vira em m eses.
— Eu poderia fazer alguns cursos gerais de Direito na Escola de Educação Continuada da Universidade de Nova York e um curso preparatório para o LSAT, que é necessário para m im . Ainda não decidi, m as seria divertido e m uito m ais interessante do que as aulas de bridge que seu pai acha que eu deveria fazer. — Ela sorriu arrependida para Zoe.
— Bom para você, m ãe. — E então a bonita loura, que era um a cópia da m ãe, franziu a testa. Sabia os obstáculos que a m ãe teria de enfrentar. E Faith tam bém sabia. — Você j á falou com o papai?
— Ainda não. Falam os sobre isso um tem po atrás. Ele não gostou m uito. — Era um a declaração m odesta dos fatos, com o Zoe sabia.
— Que surpresa! O Hom em de Gelo não gosta da idéia de vê-la independente, m ãe. Ele sim plesm ente quer que você fique em casa esperando para cuidar dele.
— Não é um a coisa legal para se falar de seu pai — observou Faith m antendo-se leal, m as am bas sabiam que era verdade.
— De fato, ele sugeriu que eu fizesse m ais trabalhos filantrópicos. Ele gosta quando estou ocupada.
— Contanto que sej a algo que não o am eace. — Ela era de um a esperteza surpreendente. — E você j á fez trabalho filantrópico suficiente. Cuidou de todos nós, agora precisa fazer algo por você. — Zoe sem pre era rápida em defender a m ãe, e ela e o pai disputavam um a batalha há anos. Ela falara abertam ente que tudo com que o pai se im portava era o trabalho. No que dizia respeito a ela, seu pai não fora um m em bro participante da fam ília a m aior parte de sua vida.
Tinha consciência de que a m ãe sem pre estivera lá quando precisaram . Ela e a irm ã m ais velha tiveram brigas acaloradas a esse respeito. Eloise sem pre fora um a feroz defensora do pai, apesar de tam bém am ar a m ãe. Mas Zoe falava abertam ente sobre com o o pai era indisponível em ocionalm ente, e ela achava que a m ãe passara por m aus bocados. — Eu realm ente quero que você faça isso, m ãe. Vou insistir até que faça.
— Você e Brad. — Faith sorriu. — E se eu não m e der bem no exam e? Posso nem conseguir entrar. Você acredita m ais em m im do que eu m esm a. Verem os. — E ainda tinha de falar com Alex. Essa era a chave da questão.
— Isso são só desculpas, m ãe. Acho que você seria um a ótim a advogada. E não deixe o papai convencê-la a não fazer isso. Se você decidiu, não há nada que ele possa fazer para im pedir. Ele sim plesm ente terá de se adaptar.
— Talvez eu deva deixar você discutir com ele — im plicou Faith. Mas estava grata pelo voto de confiança e pelo apoio. Zoe sem pre fora seu m aior apoio na fam ília.
Então Faith perguntou à filha sobre a faculdade, as aulas e os am igos. Elas foram as últim as a deixar o restaurante, voltaram para o hotel e conversaram durante horas. E naquela noite, dorm iram j untas na cam a kingsize, e Faith sorriu para Zoe quando ela caiu no sono, pensando em com o tinha sorte. As filhas foram o m aior presente que Alex lhe dera. E esperava ir a Londres ver Eloise logo. Ela prom etera vir para o Dia de Ação de Graças, e Faith estava planej ando passar alguns dias lá depois disso. Tinha m uito tem po em suas m ãos. Mas isso m udaria se realm ente voltasse para a faculdade.
Zoe saiu no dia seguinte às nove da m anhã. Só tiveram tem po de com er ovos m exidos, m uffins ingleses e um bule de chá antes de Zoe dar um abraço e um beij o na m ãe e sair. E às dez horas Faith estava a cam inho do aeroporto, perdida nos próprios pensam entos. No cam inho do aeroporto até sua casa, pediu ao m otorista de táxi para levá-la à Universidade de Nova York. Foi até a faculdade de Direito e pegou diversos panfletos e catálogos, e algum as inform ações sobre as provas que teria de prestar; depois parou na Escola de Educação Continuada e pegou brochuras tam bém . E ligou para a Colum bia quando chegou em casa.
Espalhou as inform ações que conseguira sobre a escrivaninha e sentou-se, encarando-as com um olhar de terror. Um a coisa era pegar os catálogos, outra bem diferente era entrar na faculdade, e ainda não fazia idéia de com o convenceria Alex. Zoe achava que ela deveria enfrentá-lo com o fato j á consum ado, m as Faith achava que seria falta de consideração e rudeza de sua parte. Ele tam bém tinha voz ativa no assunto. Era um com prom isso im portante que ela assum iria, principalm ente se entrasse na faculdade de Direito no próxim o outono. Teria de fazer deveres de casa e provas, e estudar durante m uitas horas. Não estaria tão disponível quanto era, e ela sabia que isso seria um a grande m udança para ele. Ainda estava pensando nisso quando olhou para o com putador e viu que tinha recebido um e-m ail.
Supôs que fosse de Zoe e clicou na caixa de entrada, e ficou surpresa e feliz ao ver que era de Brad.
"Oi, Fred. Com o você está? Algum a novidade? Já pegou os catálogos? Se ainda não, levante esse traseiro daí im ediatam ente e vá até a porta. Não quero ter notícias suas até que você tenha feito a pesquisa. Não tem os tem po a perder. Talvez você possa com eçar as aulas em j aneiro. Apresse-se.
Quanto ao m ais, com o você está? Foi bom vê-la na sem ana passada. Está m ais bonita do que nunca. Seu cabelo ainda está tão com prido quanto costum ava ser? Ficarei feliz em pintá-lo de verde quando precisar, sendo ou não dia de St. Patrick. Cor-de-rosa para o dia dos nam orados? Verm elho e verde para o Natal? Acho que o verde ficou m uito bom , se não m e falha a m em ória.
Desde que cheguei, tenho estado ocupado trabalhando no caso do qual lhe falei. O pobre garoto está m orrendo de m edo. Tenho de conseguir livrá-lo. O que não é fácil. A propósito, qual área do direito lhe interessa? Acho que você seria ótim a nessa área, a não ser que queira pegar os grandes casos. Se for assim , deve conversar com Pam . Direito Corporativo é legal, apesar de não ser a m inha, m as talvez sej a a sua.
Tenho de voltar ao trabalho... Volte para a faculdade. Cuide-se. Escreva. Com am or, Brad."
Faith ficou sorrindo para a tela e clicou no botão Responder na m esm a hora. Estava m uito orgulhosa de si m esm a por j á estar com os catálogos da Universidade de Nova York em sua escrivaninha e poder contar isso a ele. Sentia-se com o um a adolescente ao escrever.
"Olá, Brad, acabei de voltar de Providence. Passei ótim os m om entos com Zoe ontem à noite, j antam os, conversam os, rim os e nos abraçam os m uito. Ela apoiou sua idéia. Parei na Universidade de Nova York quando estava vindo para casa — é m elhor ficar orgulhoso de m im ! — e peguei os catálogos, m ilhares deles, e todas as inform ações de que precisava. Liguei para Colum bia e tam bém peguei as inform ações deles. Não sei se devia tentar m ais faculdades.
De qualquer m aneira, estabeleci m eus obj etivos. Vou ler os catálogos com bastante cuidado nesta sem ana. Alex está em Chicago. Ainda tenho de conversar com ele. Não sei com o vai reagir, ou talvez até saiba. Ele vai subir pelas paredes. E quando voltar ao chão, com o será? Não vale a pena com eçar a Terceira Guerra Mundial por causa da m inha carreira de advogada. Talvez sej a o fim dela. Vam os ver.
Gostei da sua idéia sobre Direito da Fam ília. Pelo m enos soa bem . Não sei bem tudo que engloba, m as m eu ponto fraco sem pre foram as crianças. Mas acho que estam os colocando o carro na frente dos bois. Prim eiro, Alex. Depois as provas, solicitações... será que conseguirei entrar? E se não conseguir??? Parece que estou no colégio de novo."
Ela sofrera as agonias disso com Zoe no ano anterior enquanto esperava o resultado das faculdades que escolhera.
Brown era sua preferida e ficou m uito feliz por conseguir entrar. Alex queria que ela fosse para Princeton, Harvard ou Yale, e ficou arrasado quando ela recusou todas as três para ir para Brown. Ele estudara em Princeton e queria que ela tam bém fosse, m as Zoe foi inflexível, em bora o pai cham asse Brown de "faculdade hippie". Zoe apenas riu.
Segundo ela, Brown fora "a prim eira opção de todo m undo".
Ela continuou o e-m ail para Brad:
Quanto ao m ais, nada novo por aqui. Nenhum a notícia de Eloise. Suponho que estej a bem . Ela am a Londres. Quero ir visitá-la enquanto ainda tenho tem po. Ficarei presa de verdade se com eçar a faculdade." Só o fato de falar com ele e com Zoe sobre seus planos j á os tornava reais. "Se vier de novo a Nova York, m e ligue. Por enquanto, assim está bom . Mande-m e outro e-m ail quando tiver tem po. Sei com o é ocupado, então não se preocupe com isso. Quando puder, está bom . Com am or, Fred." Sorriu de novo ao assinar seu nom e.
Estava vendo um dos catálogos quando o com putador m ais um a vez disse: "Você recebeu um a m ensagem ."
Ela sorriu e clicou no ícone de novo. Ele devia estar em sua m esa quando o e-m ail chegou porque j á respondera.
"Boa m enina! Agora leia os catálogos e m atricule-se nas aulas de Educação Continuada para o próxim o período. Não vai doer e vai lhe deixar com m ais vontade. E dane-se o Alex.
Fred, ele não pode tom ar as decisões por você. Ele não tem o direito de im pedi-la, se isso é realm ente o que você quer fazer, e acho que é. Ele vai se acostum ar. Se tivesse um em prego, tam bém ficaria ocupada e presa. Não pode sim plesm ente ficar aí sentada, vagando pela casa, esperando ele chegar para poder servi-lo. Você tam bém precisa de um a vida! Ele tem a dele. Agora está na sua vez. Tem de se apressar. Logo. Matricule-se. Sej a um a boa m enina. Com am or, Brad."
Era divertido receber notícias dele e responder. Ela excluiu os e-m ails que trocaram , principalm ente por causa da parte "dane-se o Alex", que soava com o algo que Jack teria dito.
Passou o resto da tarde lendo os catálogos. Mas não disse nada a Alex quando ele ligou de Chicago naquela noite. Algo tão delicado quanto ela voltar para a faculdade tinha de ser resolvido pessoalm ente. E, quando ele voltou para casa na sexta-feira, parecia esgotado.
Faith teria de estar inscrita para as provas da faculdade de Direito até o dia prim eiro de dezem bro. Seus exam es estavam m arcados para prim eiro de fevereiro. A resposta viria em abril. Preencheu os form ulários para inscrever-se em dois cursos gerais de Direito em j aneiro e um curso preparatório para o LSAT que com eçaria logo e duraria oito sem anas, a tem po de prestar o LSAT depois do Natal. Mas ainda não enviara os form ulários. Queria realm ente conversar com Alex prim eiro. E ele não estava com disposição para fazer nada além de com er e dorm ir quando voltou para casa. Ele foi para o escritório no sábado e ficou lá até tarde da noite. Já era dom ingo quando ela sentiu que poderia tocar no assunto. Ele estava lendo o Tim es de dom ingo, e a televisão estava ligada em um j ogo de futebol, quando ela trouxe para o m arido um a caneca de sopa e um sanduíche. Ele não desgrudou os olhos do j ornal, nem disse nada, quando ela se sentou na sua frente, folheando nervosam ente a revista do Tim es de dom ingo.
— Vi Zoe esta sem ana — com eçou ela, quando ele aum entou o volum e da televisão. — Ela parece ótim a e está adorando aquilo lá. — Faith continuou, tentando se fazer ouvida.
Ele respondeu, sem olhar para ela.
— Eu sei, você j á disse. Com o estão as notas dela?
— Boas, acho. As provas vão com eçar logo.
— Espero que ela estej a estudando e não apenas brincando por lá. — Zoe sem pre fora um a excelente aluna, e Faith não estava preocupada com ela. Estava procurando um a brecha para discutir os próprios estudos, m as não era fácil entre a televisão e o j ornal. Ele parecia absorvido pelos dois, e tinha um a pilha de papéis para ler ao seu lado. Ela teria de atacar em algum m om ento, ele não lhe daria atenção a não ser que o forçasse. Ela esperou m ais cinco m inutos e então com eçou.
— Quero discutir algo com você — disse ela com cuidado.
Podia sentir as palm as das m ãos suadas, e esperava que ele fosse razoável. Às vezes não era fácil conversar com Alex; e quando ele olhou para ela e tom ou um gole da sopa, ela j á estava com eçando a se perguntar se não podia esperar.
— Sopa gostosa.
— Obrigada. Conversei com Zoe sobre a Universidade de Nova York. — Ela deu o prim eiro passo e sentiu que estava afundando em cim ento fresco. Podia ver por que Zoe o cham ava daquela m aneira. Ele às vezes parecia um hom em de gelo, até para ela. Faith dizia para si m esm a que não era que ele não se im portava com elas, ele tinha coisas m ais im portantes na cabeça. Era o que sem pre falara para si m esm a e para as m eninas. Não era fácil para nenhum a delas se aproxim ar de Alex, exceto, talvez, Eloise, que parecia ter j eito com ele. Mas cabia a Faith convencê-lo agora. Ninguém m ais faria isso.
— Ela está pensando em pedir transferência? — Ele parecia chocado. — Achei que você tivesse dito que ela estava gostando. Disse a ela que deveria ter ido para Princeton ou Yale.
— Não — continuou Faith suavem ente. — Não é para ela. É para m im .
— O que é para você? — Ele parecia pálido. Ela de repente viu Brad e Zoe apoiando-a e dizendo o que deveria fazer.
— Eu gostaria de frequentar algum as aulas na Universidade de Nova York. — Era com o j ogar um a bom ba. Faith sabia.
— Que tipo de aulas? — Na m esm a hora, ele suspeitou dela.
— Algum as aulas gerais de Direito na Escola de Educação Continuada. Parecem m uito interessantes — acrescentou ela, sentindo-se nervosa. Ele estava encarando-a, e parecia tudo m enos contente.
— Isso é ridículo, Faith. Você não precisa estudar Direito. O que faria com isso? Por que não faz aulas no m useu, seria m uito m ais interessante. — Ele estava tentando fazê-la desviar do assunto antes que term inasse. Mas ela sabia que tinha de continuar. Tudo que podia fazer agora era rezar para que ele aceitasse. A natureza de seu casam ento fora assim , durante 26 anos ele tivera o poder de veto sobre tudo que ela fazia. E era m uito tarde para m udar agora. Com eçara com o concordância m útua sobre vários assuntos, e com o passar dos anos ficou claro que Alex conduzia um a ditadura.
Ele dava a palavra final e ditava as regras. Por causa da própria história psicológica dela, acabou aceitando que fosse assim .
— Já fiz m uitos cursos no Metropolitan, Alex. Quero fazer algo m ais interessante. — Ela acabara de puxar o pino de um a granada. Tudo que tinha de fazer agora era j ogá-la nele.
— E depois? Qual é o obj etivo disso, Faith? — Ele sabia a resposta antes de ela responder, m as queria escutar dela.
— Quero m e candidatar a um a vaga para a faculdade de Direito no outono. — Ela disse isso com um a forçada tranquilidade e sem desculpas, enquanto prendia a respiração.
— Isso é um absurdo. Já tivem os esta conversa antes. Um a m ulher da sua idade não pode ir para a faculdade de Direito, Faith. Ninguém vai contratá-la quando se form ar. Você estará m uito velha.
— Gostaria de fazer m esm o assim . Acho que seria fascinante. E talvez alguém m e contrate. Afinal de contas, não sou tão velha — argum entou ela, perseguindo com determ inação o obj etivo que finalm ente traçara para si, independente da opinião dele.
— Isso é irrelevante. Você tem idéia de quanto terá de estudar? Ficará trancada estudando nos próxim os três anos. E depois? Arranj ará um em prego para trabalhar 14 horas por dia? Não poderá viaj ar, nunca poderá sair à noite. Você m e dirá que não podem os nos divertir nem ir a lugar algum porque você tem provas. Se era isso que você queria, tinha de ter pensado antes de as m eninas nascerem . Poderia ter term inado a faculdade de Direito quando com eçou, m as não term inou. Agora é tarde dem ais. Você sim plesm ente tem de encarar isso.
— Não é tarde dem ais. As m eninas saíram de casa, Alex. Não tenho nada para fazer. E posso fazer m alabarism o com m eus horários de estudo para que ainda possam os sair à noite. Não viaj am os m ais j untos, exceto um as poucas sem anas no verão, quando poderei ir, prom eto. Farei m eu m elhor para adm inistrar isso para que não interfira em sua vida. — Ela parecia suplicante, sem resultado.
— Isso é im possível! — explodiu ele finalm ente. — Não tem obj etivo em ficar casado se você vai ficar trancada em casa nos próxim os três anos. Seria a m esm a coisa se fosse presa ou para a faculdade de Medicina! Não posso acreditar em com o você é irracional. Com o pode sugerir um a coisa dessas? Qual é o seu problem a?
— Estou entediada — confessou ela com calm a. — Você tem o seu trabalho e a sua vida, Alex — falou ela, citando Brad. — Gostaria de ter a m inha tam bém . As m inhas am igas trabalham ou os filhos ainda estão em casa. Estão ocupadas, e eu não quero aprender a j ogar bridge ou fazer trabalho filantrópico ou cursos no Met. Quero fazer algo real. E j á fiz um ano da faculdade de Direito. Se eles m e derem os créditos, faltará m enos.
— É m uito tarde para tudo isso — rosnou ele, batendo com a caneca de sopa vazia. Parecia visivelm ente am eaçado pela proposta. Talvez percebesse que isso significava que ela teria um a vida própria, e ele teria m enos controle.
— Não é tarde dem ais. Tenho 47 anos. Terei 50 quando passar na prova da Ordem .
— Se você passar. A prova é difícil, você sabe. — Ele estava deixando subentendido que ela não era capaz, o que era outra form a de controle. As im plicações do que ele dissera não se perderam nela. Mas Faith forçou-se a ficar calm a. Sabia que era a única form a de vencer.
— Alex, isso é im portante para m im . — A m aneira com que ela disse silenciou-o, m as não por m uito tem po.
— Vou pensar, Faith. Mas acho que esse é um proj eto volúvel. — Agora ele j á parecia irritado, e aum entou tanto o volum e da televisão que ficou im possível conversar. Mas pelo m enos ela falara o que queria fazer e sabia que agora tinha de deixá-lo pensar a respeito. O que ele decidiria no final era outro assunto. Poderia argum entar com ele então. E Zoe estava planej ando falar com ele tam bém . Queria aj udar a m ãe a convencê-lo, j á que para Faith era tão im portante que ele concordasse. Sentia que precisava dessa aprovação para fazer o que queria.
Faith recolheu-se silenciosam ente em seu escritório, e abriu seu e-m ail.
Com eçou um e-m ail para Brad:
"Com unicado de Hiroshim a. Joguei a bom ba. Falei com Alex. Ele está furioso. Acha que não consigo entrar na faculdade, passar nas provas nem na Ordem . Diz que é um a com pleta perda de tem po e um a enorm e inconveniência. Não estou ganhando nenhum a disputa por popularidade aqui. E acho que ele não vai concordar. Ainda assim , gostaria de fazer, m as não posso se ele se opuser, não seria j usto com ele. Afinal de contas, sou casada, e ele tem o direito de esperar algo de m im . Alex diz que ficarei m uito ocupada estudando para sair à noite ou viaj ar, o que é um a alegação razoável, principalm ente quando eu com eçar a faculdade de Direito. É m uito estudo. Em todo caso, verem os. Acabarei m e m atriculando para aulas de bridge. Logo. Espero que tudo estej a bem com você. Com am or, Fred."
Verificou o com putador naquela tarde, m as não tinha resposta dele até a noite. Alex não falara com ela a tarde inteira, e j antaram em um silêncio glacial. E logo depois, ele fora para a cam a sem dizer nenhum a palavra. Ele sairia de casa às quatro horas da m anhã para pegar um voo para Miam i, para dois dias de reuniões. No que dizia respeito a ele, Faith passara dos lim ites, e estava claro para ela a raiva que ele estava sentindo. Estava castigando-a.
Já era quase m eia-noite em Nova York quando o e-m ail de Brad chegou.
"Querida Fred, não se preocupe com o que é j usto com ele. E o que é j usto com você? Não estam os na idade da pedra... ou estam os??? Ele m e lem bra Pam e todos os argum entos dela quando decidi seguir m eu cam inho. Você tem o direito de correr atrás do seu sonho. Não é j usto da parte dele se colocar no seu cam inho. Entendo as preocupações dele, m as estou convencido de que você conseguiria lidar com tudo isso. E, em bora ele não adm ita, acho que ele tam bém pensa assim . Isso provavelm ente o am eaça. Então não ceda! Não desista. Com o seu irm ão auto-designado, proíbo-lhe de fazer aulas de bridge. Vá para a faculdade, com o um a boa m enina!!! Fique firm e.
Estou no escritório, trabalhando até m ais tarde. Tem os um a audiência am anhã de um caso novo. Um garoto de 15 anos acusado de estuprar um a m enina de oito anos de idade. Odeio casos assim . O tribunal designou. Parece um garoto decente, m as é claro que tem sérios problem as. Abuso pesado em casa. Crianças fazem o que aprendem e o que foi feito com eles. Ligarei para você esta sem ana e poderem os conversar sobre com o as coisas estão indo.
Conversarem os em breve. Com am or, Brad."
Ele estava certo, claro. Faith sabia disso. Mas era fácil falar, o difícil era viver com isso. Afinal de contas, era casada com Alex, que ainda estava visivelm ente irado quando se levantou às três da m anhã para a viagem . Faith levantou, com o sem pre fazia quando ele saía da cidade, e preparou café e torradas. Mas devido à hora e à conversa que tiveram na véspera, ele não disse um a palavra e olhou am eaçadoram ente para ela quando saiu, às quatro. Não tiveram tem po de discutir os planos acadêm icos dela de novo, m as ele deixou bem claro que considerava isso um ato de guerra. Ela ficou chateada a m anhã toda e ligou para o escritório de Brad naquela tarde. Era bom escutar sua voz.
Ele acabara de voltar do tribunal.
— Fico feliz por m e ligar — disse ele, tentando não parecer distraído. Havia um m ilhão de coisas acontecendo, m as estava preocupado com ela e queria lhe dar apoio. — Fiquei preocupado com você o dia todo.
— Dados os seus problem as, sinto-m e culpada até por estar ligando. — Mas de repente estava m uito grata por tê-lo de volta em sua vida. Era o tipo de ligação que teria feito para Jack. Queria com partilhar seus sentim entos e pensam entos e ouvir o que ele tinha a dizer.
— Ele está sendo totalm ente irracional, Fred. Você sabe disso tão bem quanto eu. Com o você deixou-o escapar im pune todos esses anos? Pelo am or de Deus, você não é escrava dele, ele não é seu dono. Você é casada com ele. Ele tam bém tem de escutar o que você quer.
— Ninguém disse isso para ele ainda — observou Faith sorrindo culpada enquanto escutava Brad.
— Então você deveria. Não conheço m ais nenhum a m ulher que toleraria esse tipo de coisa. Pam m e m ataria se eu dissesse a ela o que fazer. Tem os algum as discussões bem feias, e brigam os por m eses quando saí da firm a do pai dela, m as m esm o assim ela respeitou m eu direito de fazer o que eu precisava fazer. Ela não gostou, m as sabia que no final teria de aceitar e viver com isso. Você não pode deixá-lo dizer o que fazer.
— Ele sem pre diz. É isso que ele espera — com entou ela, constrangida por adm itir.
— Então traga-o para este século, Fred. É seu dever. Ele pode não gostar da notícia, m as a escravidão j á acabou.
— Não para ele — e então, na m esm a hora, ela sentiu-se culpada pelo que acabara de dizer. — Eu não deveria dizer isso. Ele está apenas acostum ado a resolver as coisas e espera fazer o m esm o em casa.
— Escute, gostaria de ser o rei da Califórnia, ou até o presidente dos Estados Unidos, se não fosse um cargo corrom pido, m as não é provável que isso aconteça. Todos gostaríam os de m andar no m undo se tivéssem os um a chance. Mas não podem os sim plesm ente m andar uns nos outros. Que tipo de vida você vai ter se não fizer isso? O que fará nos próxim os quarenta anos? Ficar em casa assistindo a TV?
— Acho que esses são os planos dele. — Ela parecia desanim ada, sabia que Brad estava certo. Mas ele não conhecia Alex. Ele transform aria sua vida em um inferno se não fizesse o que ele queria. Sem pre foi assim .
— Ele não pode fazer isso. Você não pode deixar. E eu não vou perm itir que deixe. Acho que tinha um a razão para eu ir ao funeral de Charles. Acho que Jack m e m andou para dar uns bons tapas em você.
— Muito prom issor — disse ela rindo. — Talvez você estej a certo.
— O que Jack diria se você contasse isso para ele? — perguntou Brad. Era um a pergunta interessante, e ele sabia a resposta antes de ela dizer as palavras.
— Ele ficaria louco da vida. Detestava Alex, que tam bém não gostava m uito dele. Um não engolia o outro.
— Jack tinha bons m otivos se era isso que Alex fazia quando ele estava vivo. Você não respondeu à m inha pergunta. O que Jack diria? — Queria que ela pensasse a respeito. Sabia que o irm ão dela daria ainda m ais força do que ele.
— Ele m e diria a m esm a coisa que você está dizendo. Vá para a faculdade.
— Caso encerrado.
— Você não tem de conviver com Alex.
— Talvez nem você devesse. Se ele não pode se com portar com o um ser hum ano decente, civilizado, então não m erece você. E eu acho que Jack tam bém teria dito isso.
— Provavelm ente. Mas olha com quem ele vivia. Debbie faz parecer fácil viver com Alex. Ela era m uito m ais irracional do que ele.
— Olhe, tudo que eu quero é que você sej a feliz. Você não pareceu feliz quando a vi. Parecia entediada, triste e sozinha. Se é isso que quer, corra atrás. Mais do que qualquer outra coisa, você precisa de um sonho. Todos precisam os. Aqui é o m eu. Nunca fui tão feliz em m inha vida com o sou desde que abri este escritório. — O único problem a é que ainda tinha de voltar para casa toda noite, m as não disse isso para Faith. Se pudesse dorm ir no escritório, para evitar Pam , dorm iria. As coisas atingiram um nível intolerável ultim am ente. Ele e Pam eram com o água e óleo, não se m isturavam . Mas os pais dele tiveram um divórcio com plicado quando ele era adolescente, e não queria fazer a m esm a coisa. Então aceitara pacificam ente suas diferenças com Pam . Era ela quem estava pegando no seu pé nos últim os dias, reclam ando sobre tudo que ele fazia e discutindo sobre o fato de ele nunca estar em casa. E ela estava certa. Não queria que estivesse. Mas ele não tinha intenção de deixá-la e sabia que nunca deixaria. Era m ais sim ples assim .
— Estou tão m al assim ? — Faith pareceu aflita. — Não estou tão infeliz assim , Brad. Apenas tem os diferenças sobre algum as coisas.
— E ele nunca está aí. Você m esm a disse isso. Ele nem foi ao funeral do Charles com você. Por que isso? — Ele sabia m elhor do que ninguém sobre problem as conj ugais.
— Já disse. Ele precisava ir a Chicago. Tinha reuniões na Unipam .
— E daí? Eles poderiam esperar um dia. Charles só seria enterrado um a vez. Você poderia precisar de apoio.
— Foi tudo bem ... você estava lá.
— Fico feliz por ter estado. Escute, não posso criticar seu casam ento. O m eu não é nada do qual possa m e gabar. Só estou dizendo que, se ele não está ao seu lado a m aior parte do tem po, ele deve isso a você. Ele não pode ter tudo ao m esm o tem po. Não pode só fazer as coisas dele o tem po todo e achar que você tem que ficar sentada em casa esperando. Se ele tem um a vida, então você tam bém deve ter um a.
— Ele não vê dessa form a. — Ela soava desanim ada.
— Ele vai acabar vendo, se você se recusar a ceder. Prom eto. Você tem de se defender.
— Não é assim tão fácil — respondeu ela, triste. Alex tinha um a força de vontade de aço e iria torturá-la até que desistisse, assim com o fez antes.
— Sei que é difícil, Fred. Mas vale a pena. Você não tem escolha. Se não se defender com as suas arm as, sua vida será infeliz, e então se sentirá velha e deprim ida. Acho que sua saúde m ental e seu bem -estar estão em j ogo.
— Você faz parecer com o um caso de vida ou m orte. — Ela sorriu sentada em seu pequeno escritório e pensou nele. Era um am igo m aravilhoso.
— Em certos aspectos, é. Quero que realm ente pense nisso.
— Vou pensar. — O que ele dissera fazia sentido, ela só não sabia com o convenceria Alex. Mas talvez Brad estivesse certo, talvez com bastante convicção e energia, conseguisse. Valia a pena pelo m enos tentar. — Com o você está?
— Ocupado. Louco. Tenho um a m eia dúzia de casos novos, grandes. Estam os atolados de trabalho até o pescoço.
— Sorte sua. Parece divertido — com entou ela, com invej a.
— E é.
Eles conversaram por m ais alguns m inutos e então ele teve de ir, m as prom eteu enviar um e-m ail ou ligar para ela em breve, e ela sabia que ele faria. Ele tinha sido tão prestativo nessas últim as duas sem anas. Dera a ela foco, perspectiva e força, assim com o am or e apoio. Era um a com binação insuperável e ela era grata a ele. Mais do que isso, ele dera forças para ela resolver enfrentar Alex e ganhar.