Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 16 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 15

 

Faith debateu-se e virou a noite inteira, finalm ente cochilou às quatro da m anhã e acordou às seis. Levantou-se e assistiu ao nascer do sol. Era um bonito dia ensolarado, e ela nunca se sentira pior. Só conseguia pensar em Alex e na m ulher de cabelo preto e longo dorm indo na cam a deles.

Não sabia se algum dia conseguiria dorm ir lá de novo.

Pediu um bule de café às sete horas e vestiu j eans e um suéter. Foi à m issa das sete e m eia na igrej a de St. Jean Baptiste na Lexington Avenue, e segurou o terço que Brad lhe dera, m as não conseguiu concentrar-se para rezar.

Apenas aj oelhou e ficou olhando para o nada. E quando a m issa acabou, cam inhou de volta para o hotel. Não sabia o que fazer o dia todo. Não deveria chegar em casa antes das quatro ou cinco horas, e tinha m edo de sair para um a cam inhada ou deixar o hotel e encontrá-los.

Brad ligou para ela assim que acordou. Eram onze horas para Faith e ele estava preocupado, m as ela parecia bem . Disse que tiraria de letra quando chegasse em casa. Só tinha de ver com o se sentia, o que Brad achava que era razoável.

— Só não aceite qualquer desculpa dele — avisou Brad, e pela prim eira vez desde o dia anterior, ela sorriu.

— Pode deixar, prom eto que não vou aceitar.

— Quando puder, m e ligue. — Ele ia sair para j ogar tênis com um am igo e prom etera sair com Pam . Ela queria um novo aparelho de som para a sala de estar, e ele disse que sairia para procurar com ela. Mas levaria o telefone celular e disse para Faith ligar para o núm ero caso não o encontrasse em casa. Estaria inteiram ente à disposição dela e não se im portava com os com entários de Pam . Seria fácil explicar para ela, em bora achasse que não explicaria. Não tinha por que se sentir culpado, nem Faith. A am izade deles era de com pleta inocência e pureza. Diferente de algum as de Pam .

Achava que Pam poderia até se solidarizar com Faith se soubesse. Ela odiava quando alguém se aproveitava ou abusava de m ulheres, e teria dito a Faith com o dar um a lição em Alex, faria isso até m elhor do que Brad. Mas ele estava fazendo o m elhor que podia no lugar dela.

Faith definhou no quarto o dia todo, e às cinco horas, cham ou o m ensageiro para pegar sua bagagem , e o porteiro cham ou um táxi. Tinha m uita coisa para carregar para andar as duas quadras até sua casa. Com m ãos trêm ulas, virou a chave e entrou. A luz do vestíbulo estava acesa, e não havia nem sinal de Alex. Supôs que ele estivesse no andar de cim a.

Deixou as m alas no chão e subiu devagar até seu quarto.

A cam a estava feita, e tudo parecia im pecável. Ela im aginou que ele m esm o devia ter arrum ado. Perguntou-se se ele tinha tido a decência de trocar os lençóis, m as não olhou.

Ele estava sentado em sua poltrona favorita em frente à lareira, lendo um livro. Era o retrato da inocência. E ele não se dignou nem a olhar para ela, enquanto ela o encarava. E por um instante, Faith sentiu um a onda de repulsa e ódio tom ar conta de si. Teve de lutar contra as lágrim as.

— Você está atrasada — com entou ele, sem olhar para ela, que não pôde acreditar na desfaçatez dele. Não respondeu, e ele finalm ente olhou para ela, que não se m overa desde que entrara. — Com o foi a viagem ?

Ela respondeu com outra pergunta:

— Com o foi a sua sem ana? — Ele não conseguia ler nada no rosto dela, nem ela no dele.

— Longa. Difícil. Trabalham os m uito.

— Que bom — disse ela sentando-se em frente a ele. E, ao fazer isso, percebeu que não poderia continuar com o j ogo. Tinha de contar a verdade, com o sabia, independente de ele saber ou não.

— O que você fez em Washington? — Ele podia ver algum a coisa nos olhos dela, m as não sabia o que era. Continuou conversando enquanto tentava descobrir.

— O que você fez em Nova York?

— Já disse — falou ele, parecendo irritado. — Trabalhei. O que você acha que fiz? — Ele j á ia voltar sua atenção para o livro, m as parou quando ela disse:

— Não tenho certeza. Vim para casa ontem , Alex. Term inam os antes do previsto.

— O que quer dizer com veio para casa ontem ? — Ele parecia perplexo. Mas não adm itiu a culpa.

— A m ãe da professora ficou doente e ela teve de voltar, então alguns de nós tam bém voltaram . Cheguei às duas horas. Parei no m ercado, achei que pudesse preparar algo de que você gosta, e vim para casa. Você sabe, tipo Cachinhos de Ouro... quem estava dorm indo na m inha cam a? Quem quer que ela sej a tem pés bem grandes, cabelo longo e preto e usa tanga. — Ele ficou pálido, m as não disse nada por um longo tem po.

— Onde você esteve desde ontem ? — quis saber ele de form a acusadora, tentando virar a m esa contra ela. Brad a avisara que ele faria isso, então estava preparada. Não cairia nessa.

— Fui para o Carly le assim que percebi o que você estava fazendo aqui. Quis nos poupar do constrangim ento de fazer um a cena na frente dela. O que está acontecendo, Alex? Quem é ela? Há quanto tem po isso está acontecendo? — O olhar dela não desgrudou do dele, e ele nunca a vira assim .

— Isso é irrelevante. — Se ele pudesse negar a existência dela, Faith suspeitava que negaria. Mas não havia com o depois de tudo que ela vira. — Se você não estivesse passeando por aí fingindo ser um a m enina, coisas assim não aconteceriam . — Era exatam ente o que Brad previra que ele faria. Estava tentando culpá-la pelo que fizera.

— Então quer dizer que quando você vai para suas viagens de negócios, posso fazer o que quiser e a culpa é sua? É a m esm a coisa.

— Não sej a ridícula. Tenho de trabalhar para nos sustentar. Você não precisava voltar a estudar.

— E você acha que isso lhe dá o direito de m e trair? Puxa, essa é realm ente um a form a de ver as coisas.

— Eu disse que você estaria se arriscando ao voltar a estudar.

— Não sabia que você m e trair seria o risco a que se referiu. Estam os apostando alto aqui, não é? — Ela estava furiosa, m as ainda não sabia o que queria dele ou qual seria o resultado. Nenhum dos dois estava recuando e ele ainda estava tentando culpá-la. E enquanto ela olhava para Alex, ele se levantou e com eçou a andar de um lado para o outro.

— Isso tudo é culpa sua, Faith — acusou ele sem nem piscar. Ela não podia acreditar no que estava escutando. — Se você não tivesse sido um a m aldita tola em voltar a estudar, isso nunca teria acontecido. Você j ogou nosso casam ento pela j anela no dia em que fez isso.

— Não! — Tinha fúria nos olhos de Faith, que encarou-o. — Foi você quem j ogou no dia em que trouxe aquela vagabunda para nossa cam a. Com o você ousa fazer um a coisa dessas?

— Com o você ousa falar com igo dessa form a! Não vou tolerar isso, Faith. — Ele estava tentando usar as m esm as arm as.

— Você não vai tolerar isso? Com o você acha que m e senti ontem quando cheguei em casa e encontrei as roupas íntim as dela na m inha cam a e cabelo na m inha pia? — Ele não podia responder a isso, m as Faith não estava preparada para o que ele disse a seguir. Ele não estava disposto a deixar Faith controlar a situação.

— Vou sair de casa — anunciou ele, e então foi até o banheiro e bateu a porta. Ela podia escutar enquanto ele pegava as coisas com violência no closet, e vinte m inutos depois, enquanto ela esperava perplexa, ele saiu carregando um a m ala. Ela não disse um a palavra. Não conseguia nem pensar no que dizer.

— Aonde você vai? — Ela parecia arrasada. Parecia um pesadelo se tornando realidade. E de repente ela estava se perguntando se era realm ente sua culpa, se fora m uito dura com ele, se errara ao voltar para a faculdade. Não sabia m ais o que estava certo.

— Por enquanto, vou para um hotel. Pode ligar para m eu escritório quando quiser falar com igo. — Ela quis dizer que seus advogados ligariam , m as não queria puxar a arm a apenas para dar a últim a palavra. Nem sabia ainda se precisaria de um advogado, e nem queria perguntar para ele.

— Você está apaixonado por ela, Alex? — perguntou Faith, parecendo patética. Sabia que detestaria escutar se ele estivesse, m as queria saber.

— Não é da sua conta se eu estou ou não — respondeu ele, com perversidade. Nenhum a vez desde que ela o confrontara ele pedira desculpas.

— Acho que tenho o direito de saber. Quem é ela? — Faith parecia m ais calm a do que antes. Tinha tanta coisa que queria saber.

— Você perdeu seus direitos nesse casam ento, Faith, quando deu as costas para ele e voltou para a faculdade. — Era algo ridículo de se dizer, e até Faith sabia disso. Ele estava sendo vingativo, irracional e cruel.

— Você está dizendo que esta foi a prim eira vez que m e traiu e que a culpa é m inha?

— Não estou dizendo nada. Procurarei você quando decidir o que quero fazer. — Era inacreditável, ele estava am eaçando-a. Virara a m esa contra ela. E estava indo em bora. Mas ela fora a ofendida, disso tinha certeza.

Ela não disse m ais nada enquanto ele descia as escadas, batendo com a m ala na parede, e um m om ento depois ela escutou a porta batendo. Não sabia nada a m ais do que quando chegou em casa. Só sabia o que vira em seu quarto na véspera, nada m ais. Ele não quis esclarecer nada. Ela vagou pela casa um tem po, parecendo atordoada. Meia hora m ais tarde, ligou para Brad.

— Com o estão as coisas, Fred? — perguntou ele de form a com preensiva. Ela não parecia bem , m as não estava soluçando desta vez. A voz estava bem fraca.

— Ele saiu de casa.

— Você está brincando?

— Ele disse que a culpa foi toda m inha porque voltei para a faculdade e que não é da m inha conta quem ela é ou o que significa para ele.

— Eu disse que ele ia culpar você. — Mas Brad não esperava que ele saísse de casa. Ele fora encurralado com o um rato, e essa era sua única form a de se defender. Fugir. Era vergonhoso fazer isso, e ele disse isso para Faith. — Quero lhe dizer que acho que vai ser m elhor assim , m as sei que agora não vai concordar com igo.

— Fom os casados por 26 anos. Estou com eçando a m e perguntar se eu pelo m enos sei quem ele é.

— Você provavelm ente sabia, Fred. Mas as coisas m udam . Nem sem pre percebem os isso ou querem os adm itir. — A verdade era que ele estava certo. Alex fechara a porta de seus sentim entos para ela anos antes. Ela escolhera não perceber e apenas continuar vivendo assim . Mas m ais cedo ou m ais tarde, as coisas que ela ignorou apareceram . E então ela teve outro pensam ento assustador.

— O que eu vou dizer para as m eninas?

— Por que dizer algum a coisa, pelo m enos pelos próxim os dias? Por enquanto, elas não vão saber, a não ser que ele conte, o que provavelm ente não vai fazer. Deixe a poeira abaixar. Pode ser que ele volte para casa quando se acalm ar. Ter sido pego pode tê-lo forçado a tom ar um a atitude que não queria. Ele vai voltar para casa se não se sentir m uito hum ilhado.

— Você acha que ele vai voltar? — Faith parecia cheia de esperanças, o que quase partiu o coração de Brad. Não queria que ela ficasse enterrada viva com um hom em que a tratava da form a que Alex tratava. Pelo m enos em nom e de Jack, desej ava m ais para ela. Faith m erecia m uito m ais do que Alex oferecia.

— Ele deve voltar. Relaxe. E talvez você deva ligar para um advogado am anhã, apenas para se proteger. Vou ver se consigo encontrar um em Nova York. Vou ligar para alguns am igos m eus que trabalham com Direito da Fam ília e ver quem eles recom endam . Sinto m uito, Fred. Você não m erece isso. E não é culpa sua. Espero que saiba disso.

— Não sei m ais em que acredito. — Não sabia nem com o se sentia. Mais do que qualquer outra coisa, se sentia m orta.

Mudou-se para o quarto de Zoe naquela noite. Não podia suportar a idéia de dorm ir em sua própria cam a, tenha ele m udado os lençóis ou não.

Brad ligou para ver com o ela estava tarde da noite, e Pam o viu quando ele saiu do telefone. Não parecia tão chateado assim há m uito tem po. Desde quando um dos m eninos teve um a doença séria.

— O que houve? — Ela acabara de chegar de um j antar com am igos, e ele ficara em casa alegando que tinha de trabalhar. Mas ela sabia m uito bem que ele apenas não queria sair com ela e seus am igos.

— Alguém passando por dificuldades.

— Deve estar sendo m uito ruim para você ver isso. Alguém que eu conheça?

— Não, está tudo bem . Problem as conj ugais. — Pam im aginou se era Faith, m as preferiu não perguntar. Brad parecia m uito chateado para ela questioná-lo. Sabia com o lidar com coisas assim e recuou.

E por volta de m eio-dia do dia seguinte, Brad m andou um e-m ail para ela com o nom e de um advogado em Nova York.

Faith ligou para ele e deixou um recado, e ficou aliviada quando ele retornou a ligação. Ela explicou o que acontecera, e o advogado perguntou se ela queria contratar um investigador particular para ver se conseguiam descobrir quem era a m ulher. E para sua própria surpresa, Faith disse que sim .

Durante os dias seguintes, Faith sentiu-se com o se estivesse nadando em baixo d'água. Foi às aulas, conversou com Brad.

Não teve nenhum a notícia de Alex, e o advogado ligou para ela na sexta. Ficou atordoada ao saber que ele descobrira quem era a m ulher. Tinha 29 anos, era divorciada, tinha um a filha e era recepcionista na firm a de investim entos em que Alex trabalhava. De acordo com algum as secretárias que a conheciam , ela se m udara de Atlanta para Nova York no ano anterior, e ela e Alex estavam tendo um relacionam ento há dez m eses. Dez m eses. Não tinha nada a ver com Faith voltar a estudar. Ele a estava traindo há quase um ano. E só de escutar o advogado Faith sentiu-se enoj ada.

Marcou para ir ao escritório do advogado na sem ana seguinte, m as ainda não fazia idéia do que fazer. Não sabia se deveria pedir o divórcio ou pedir que ele voltasse para casa.

Não se falaram a sem ana toda. Faith nem sabia se o relacionam ento dele com a garota era sério. E, sem saber o que fazer, ligou para o escritório de Alex naquela tarde. E ficou aliviada quando ele aceitou a ligação. Teve m edo de ele não fazer isso, m as não parecia nem um pouco anim ado quando escutou sua voz.

— Você quer m e encontrar para conversarm os? — sugeriu Faith, tentando não deixar transparecer a raiva que sentia. O que o advogado contara para ela naquela m anhã a derrubara. Assim com o a resposta de Alex.

— Não tem os nada para conversar, Faith — recusou ele de form a abrupta, e lágrim as brotaram em seus olhos de novo.

Passara a sem ana toda chorando. A única vez que sentira algo parecido, m as ainda pior, fora quando Jack m orreu. Mas de um a certa form a, isso era com o um a m orte tam bém . Era sobre perda de fé, de esperança, de sonhos, de confiança e talvez até de seu casam ento.

— Não podem os fugir disso, Alex. Pelo m enos, tem os de conversar. — Ela tentou parecer m ais calm a do que se sentia para não espantá-lo.

— Não tenho nada para dizer para você — insistiu ele, com o se ainda achasse que a culpa era dela. E ela respirou fundo e tom ou um a decisão que deixaria Zoe e Brad horrorizados.

Mas parecia que era a única coisa que podia fazer. Diante das eternas críticas dele, ela sem pre sentiu com o se devesse se esforçar e se sacrificar, sem se im portar se era inj usto ou inj ustificado. Era sua infância assom brando-a de novo, tentando ser a m enina perfeita, m as nunca conseguindo.

— E se eu desistir da faculdade? — Era o m aior dos sacrifícios, m as queria fazer isso para salvar seu casam ento.

Era m uito para se abrir m ão sem nem ao m enos tentar salvá-lo. E, se esse era o problem a para ele, então ela não tinha escolha. Não queria trocar um casam ento de 26 anos por um diplom a de advogada.

— Agora é tarde dem ais — respondeu ele, com um a voz reprim ida. E Faith sentiu o chão sum ir de baixo de seus pés.

— Você está falando sério? Você quer se casar com essa garota? — Era a única razão que podia im aginar para j ustificar ele não voltar para casa. Fora um a boa esposa para ele. Seu único "erro", se ele quisesse cham ar assim , foi voltar a estudar.

— Não tem nada a ver com ela, Faith. E sim com você.

— Por quê? O que eu fiz? — Lágrim as rolavam de form a im placável por seu rosto.

— Nosso casam ento m orreu há m uitos anos. E m e sinto m orto quando estou com você. — Ela sentiu as palavras dele atingirem -na com o um soco, eram tão cruéis. — Tenho 52 anos, quero um a vida m elhor. Acabou entre nós. As m eninas cresceram , não precisam m ais que fiquem os j untos. Você quer ir para a faculdade de Direito. Eu tam bém quero um a vida. — Ele fez soar com o se planej asse isso há anos. E ela caíra na arm adilha dele quando voltou para a faculdade.

O que ele estava dizendo era com o arrancar seu coração fora. Ela ficara com ele por respeito e lealdade ao casam ento deles. E ele só estava esperando um a segunda chance sem ela.

— Nunca percebi que você se sentia assim — respondeu Faith, com um a voz sufocada.

— Bem , é assim que m e sinto. Nós dois m erecem os m ais do que isso. — Ele estava certo, m as Faith nunca teria se agarrado a um a oportunidade às custas dele. Tivera todas as intenções de ficar com ele, independente de quanto seria difícil. Ele não era leal a ela da m esm a form a que ela era leal a ele. — Já tenho um advogado. É m elhor você encontrar um tam bém . — Ela não disse que j á tinha um . Esse desastre estava avançando na velocidade do som , e ela queria, pelo m enos, ir m ais devagar. Achava que ele estava com etendo um erro descom unal.

— O que vam os falar para as m eninas? — Ela podia até im aginar em que ele transform aria isso. A culpa seria toda dela. E ela não tinha intenção nenhum a de contar para as filhas a história sórdida da garota. Era m uito hum ilhante, m as explicaria tudo. E tinha certeza de que, com o o pai, Ellie a culparia.

— Bem , terem os de resolver isso — respondeu Alex. — Arranj e um advogado, Faith. Eu quero o divórcio.

— Ah, m eu Deus. — Ela não podia acreditar que estava escutando essas palavras. — Com o pode fazer isso, Alex? O nosso casam ento não significa nada para você?

— Não m ais do que significava para você quando decidiu deixar de ser m inha esposa e se tornar um a advogada.

— Com o você pode com parar as duas coisas? — Ela de repente percebeu o encanto da garota de tanga. Ela era 23 anos m ais j ovem do que Alex e era recepcionista. Não tinha um a carreira. Ele podia controlá-la, e perdera o controle sobre Faith. Não podia perdoá-la por isso.

— Não tenho de explicar nada para você, Faith. Você criou isso. — Parte dela acreditava nele e o resto queria gritar, era tão inj usto, e um m om ento depois ele desligou. Ele nem disse onde estava m orando, e ela de repente se perguntou se não era com a garota. Tudo era possível agora. Faith sentia com o se tivesse perdido toda sua vida em um a única sem ana, e estava chorando quando escutou a porta da frente bater. Deu um pulo, não podia im aginar quem era, até escutar a voz de Zoe.

— Olá, estou em casa! — Viera para casa para fazer um a surpresa, e Faith não sabia o que fazer. Não sabia com o explicar a ausência de Alex, e não estava pronta para contar sobre o divórcio. Nem ela conseguira assim ilar ainda.

Faith logo enxugou os olhos e correu para baixo com um sorriso aberto. Mas tinha um olhar vidrado e não penteara o cabelo naquele dia. E havia olheiras profundas em baixo de seus olhos depois de não dorm ir a sem ana inteira.

— Oi, m ãe — disse Zoe j ogando a m ala no chão e então olhando m ais de perto para a m ãe, com olhos preocupados.

— Você está doente?

— Tive um a infecção estom acal e m e senti m al a sem ana toda.

— Que chato — disse Zoe de form a solidária. — Parece que está com gripe tam bém .

— E estou. — Faith concordou logo. A verdade era que sua aparência era tão ruim quanto a m aneira com o se sentia. E seria angustiante tentar esconder a verdade de Zoe durante o fim de sem ana, m as tam bém estava aliviada por ela estar ali. Oferecia a ela algo em que se segurar e um a form a de se prender à realidade. Sua vida inteira com eçara a parecer surrealista.

— Cadê o papai? — perguntou Zoe, enquanto via o que tinha na geladeira. Não tinha quase nada. Faith não fizera com pras nem com era a sem ana toda.

— Ele está viaj ando. Está na Flórida. — Foi o prim eiro lugar que veio a sua cabeça, e Zoe assentiu. A história parecia plausível para ela. O pai viaj ava bastante.

— Precisam os fazer com pras. Desculpe por não ter ligado, achei que seria legal fazer um a surpresa para você, m ãe. Que pena que você está doente. — Ela se virou para a m ãe com um sorriso.

— Vou ficar bem . — Zoe assentiu e não pensou m uito a respeito. E quando subiu, ficou surpresa ao ver a cam isola da m ãe em seu quarto e sua cam a desfeita.

— Quem está dorm indo no m eu quarto? — Ela parecia assustada ao ver sua cam a desarrum ada.

— Não quis expor seu pai à m inha gripe, então dorm i aqui. Desculpe, querida. Vou arrum ar a cam a agora m esm o.

— Achei que você tivesse dito que o papai estava viaj ando. — Zoe parecia desconfiada. Era óbvio que algo estava errado e ela estava im aginando se seus pais tinham tido um a briga.

— Ele está. Mas só foi hoj e. Eu ia voltar para nosso quarto esta noite. — Mas o grande quarto com as paredes forradas com tecido am arelo florido parecia o inferno para ela agora. Não conseguia se im aginar dorm indo lá de novo.

— Por que ele viaj ou em um fim de sem ana? — Isso não era com um .

— Acho que ele ficou com m edo de não chegar a tem po. Estão esperando um a grande tem pestade em Chicago no fim de sem ana. E ele tem um a reunião m uito im portante, então saiu antes para ter certeza de que chegaria.

— Mãe — Zoe sentou-se na ponta da cam a e puxou a m ãe para seu lado. Nos seus 18 anos, nunca vira a m ãe tão angustiada ou confusa. Nem m esm o quando o irm ão sofreu um acidente de avião. Zoe tinha 15 anos na época e se lem brava bem . A m ãe ficara atordoada e em total desordem . — Você disse que ele tinha ido para a Flórida. O que está acontecendo? Qual é o problem a?

— Nada — insistiu ela e com eçou a chorar. Fora um a sem ana infernal e ela estava caindo aos pedaços. E ainda não queria contar nada para Zoe.

— Mãe, m e diga a verdade. Cadê o papai?

Faith sabia que tinha de dizer algum a coisa, m esm o que não fosse a verdade com pleta.

— Tivem os um a briguinha... Não é nada. Mas estou chateada, só isso. Nada dem ais. — Mas era, e sabia que teria de contar a verdade para Zoe em algum m om ento. Detestava m entir para ela. — Tudo bem . Tivem os um a briga feia. Muito feia m esm o — adm itiu Faith, assoando o nariz, enquanto Zoe continuava com um braço a sua volta. Sem pre com preendera a m ãe.

— Muito feia m esm o?

— Mesm o. Ele saiu de casa.

— Ele saiu? — Zoe parecia chocada e de repente ficou feliz por ter vindo para casa. Sua m ãe estava com pletam ente arrasada.

— Saiu. — Teve de lutar para segurar os soluços.

— Por quê?

— É m uito com plicado para explicar. Não quero contar essa parte para você. Terá de confiar em m im . — Zoe decidiu respeitar os lim ites da m ãe, pelo m enos por enquanto.

— Ele culpou você?

— Claro — respondeu Faith, assoando o nariz de novo. — A quem m ais ele poderia culpar? Com certeza não a si m esm o.

— Ele vai voltar? — Faith ia dizer sim , e então parou, balançou a cabeça e chorou ainda m ais.

— Meu Deus. Ele não vai voltar? Tem certeza? — Zoe estava perplexa.

— Ele acabou de m e dizer que quer o divórcio. — De repente, Zoe não era apenas sua filha, m as sua m elhor am iga. E tinha m edo de sobrecarregá-la, m as Zoe parecia estar segurando a barra bem m elhor do que a m ãe.

— Quando tudo isso aconteceu?

— Há um a sem ana. Desculpe estar esse trapo.

— Que cretino ele é — exclam ou Zoe sobre o pai. Isso confirm ava tudo que sem pre pensara dele, e então olhou para a m ãe de novo. — Ellie sabe?

— Ninguém sabe. Falei com ele um a hora atrás. Ele saiu de casa no sábado e acabou de m e dizer que quer o divórcio. Ele disse que tem o direito de ter um a vida tam bém e que se sente m orto casado com igo.

— Que canalha!

— Não fale assim de seu pai.

— Por que não? Ele é um canalha. Quando vocês iam nos contar?

— Não sei. Tudo isso é m uito novo. Passei a sem ana toda chorando.

— Ah, m ãe. Sinto m uito... Gostaria de ter sabido antes... Estou tão feliz de ter vindo para casa. Nem sei por que eu vim . Mas senti m uita saudade de você a sem ana toda.

— Eu tam bém — respondeu Faith, e as duas se abraçaram e ela chorou sem parar. E então Zoe assum iu o controle e colocou-a na cam a. Desceu para preparar um a sopa e ovos m exidos. Estava abalada pela notícia, m as não tanto quanto Faith. Tudo que queria era cuidar da m ãe.

Entrou em baixo das cobertas j unto com a m ãe quando subiu e elas se abraçaram , conversaram e viram televisão. E quando Brad ligou tarde naquela noite, Faith contou a ele que Zoe estava lá, e ele ficou aliviado. Contou tam bém o que Alex dissera, e ele foi im placável.

— Que filho-da-puta ele é — exclam ou Brad parecendo enoj ado. E, quando Zoe saiu do quarto para escovar os dentes, Faith sussurrou o que descobrira sobre a garota e que ele j á estava envolvido com ela há quase um ano.

— Sei que você não vai acreditar nisso agora, m as talvez sej a m elhor, Fred. Você nunca o teria deixado, e ele teria arruinado a sua vida. — Mas eram 26 anos. Muito a perder em um a única sem ana. Independente de ele ser difícil ou frio, ela não conseguia im aginar um a vida sem ele. — Não quero atrapalhar se você está com Zoe. Ligarei am anhã. Durm a um pouco.

— Pode deixar. — Zoe falara para dorm irem j untas na cam a dela, e Faith ficou aliviada. Não podia m ais se im aginar dorm indo na própria cam a de novo.

— Quem era? — perguntou Zoe quando voltou do banheiro.

Sentia-se com o um a m ãe cuidando de um filho, em vez do contrário.

— Brad Patterson.

— O cara do terço? — Faith assentiu, ainda parecendo triste, e Zoe sorriu. — Talvez agora você possa se casar com ele.

— Não sej a boba. Ele é com o um irm ão, ele é praticam ente m eu irm ão e é casado. E ainda sou casada com seu pai. — Mas am bas sabiam que não por m uito tem po. Faith não conseguia nem refletir sobre isso enquanto estava deitada na cam a de Zoe naquela noite. E ela finalm ente dorm iu, um sono profundo e agitado.