Preces Atendidas
Capítulo 5
FAITH SE SURPREENDEU AO VER que tanto Eloise quanto Zoe transform aram -se em j ovens m ulheres independentes nos poucos m eses desde que saíram de casa. Eloise partira para Londres em setem bro, e Zoe, para Brown em agosto, e am bas m udaram de form a drástica em um tem po m uito curto. Eloise de repente parecia elegante e sofisticada.
Perdera alguns quilos, com prara um guarda-roupa novo em pequenas loj as, em Londres, e estava apaixonada por seu em prego. Conhecera várias pessoas novas e tinha um novo nam orado, um j ovem inglês que tam bém trabalhava na Christies. E apesar de Faith ficar feliz por ver com o ela estava florescendo, sentiu um a angústia ao perceber quão vazio seu ninho realm ente estava. E que continuaria assim .
Eloise estava falando sobre ficar em Londres por dois ou três anos, se não m ais, e talvez conseguir um em prego em Paris ou Florença depois desse tem po. Ela am ava tudo que estava aprendendo e as pessoas com quem trabalhava. Tudo estava bem no m undo dela.
E Zoe adorava tudo em Brown. Era o que sem pre sonhara. Proj etara um currículo para si em Belas Artes com um a cadeira em Econom ia. No futuro, queria adm inistrar um a galeria de arte ou estabelecer um negócio de com pra de obras de arte para im portantes colecionadores. Ela j á tinha seus obj etivos traçados, m esm o aos 18 anos.
Faith estava festej ando a felicidade de tê-las de volta. A casa parecia cheia de barulhos e risos de novo: portas batendo, as m eninas subindo e descendo as escadas correndo, suas vozes na cozinha tarde da noite. Alex j á estava dorm indo nesta hora. Ele e Eloise tinham tido um a conversa tranquila e longa em seu gabinete, enquanto Faith e Zoe conversavam no quarto da filha. Faith desceu na ponta dos pés para se j untar às m eninas.
— Oi, m ãe. — Zoe olhou-a com um sorriso. Estava sentada no balcão com endo sorvete no próprio pote com um a colher, enquanto Eloise estava esparram ada em um a cadeira tom ando um a xícara de chá.
— É m uito bom ter vocês duas aqui. — Faith sorriu para elas. — Esta casa parece um túm ulo sem vocês. — Zoe lhe ofereceu um a colher cheia de sorvete, que ela aceitou e depois beij ou o longo cabelo louro da filha, que ia até a cintura. Eloise acabara de cortar o seu curto, o que lhe caiu bem .
— O que vocês duas vão fazer neste fim de sem ana? — perguntou Faith ao sentar-se à m esa com Eloise e sorrir para ela, que era um a m oça bonita, m ais alta do que a irm ã m ais nova, m as não m uito. Am bas tinham a altura de Alex e sua aparência m agra e com prida, m as puxaram da m ãe a form a física e o rosto de cam afeu. Am bas foram convidadas para serem m odelos diversas vezes, m as nenhum a das duas se interessou, para alívio de Faith. Considerava esse um m undo assustador, cheio de exploração e perigos na form a de hom ens e drogas. Tinha consciência de que tivera sorte com as duas filhas.
— Vou ver todos os m eus am igos — exclam ou Zoe, contente. — Todos voltaram da faculdade e estão em casa.
— Eu tam bém — concordou a irm ã m ais velha. — Tem um m onte de gente que quero ver. — Em bora alguns de seus am igos estivessem trabalhando em outras cidades ou fazendo pós-graduação, m uitos deles ainda estavam em Nova York. Ela trabalhara na Christies de Nova York por dois anos antes de ser transferida. Para ela parecia o em prego perfeito.
— Gostaria que vocês pudessem ficar m ais tem po — com entou Faith de form a m elancólica. — É tão bom tê-las em casa. Não sei o que fazer sem vocês.
— Você deveria arranj ar um em prego, m ãe — sugeriu Ellie, sendo prática, e Faith não contou que voltara a estudar e estava se preparando para prestar o LSAT em poucas sem anas. Nesse m om ento, Zoe j á estava ao telefone com um a de suas am igas e não escutou o que elas falavam .
— Vou fazer isso um dia desses — assentiu a m ãe de im ediato. — Seu pai acha que eu devo fazer trabalho filantrópico ou aprender a j ogar bridge.
— Isso seria legal — aprovou Eloise, tom ando um gole do chá, não querendo contrariar o que o pai dissera. A princípio, ela costum ava concordar com ele. Sem pre fora assim . Para ela, ele era o centro do universo. E, ao contrário, Zoe criticava quase tudo que ele fazia ou dizia. Ela sentia que ele nunca tinha estado lá quando elas precisaram , enquanto Ellie o considerava o pai perfeito. Ela era m ais crítica em relação à Faith e brigara com ela ferozm ente durante a adolescência, diferente de Zoe, que fora dócil com Faith e ainda era. Apesar de serem m uito parecidas na parte física, as m eninas tinham personalidades e pontos de vista totalm ente diferentes sobre tudo.
As três ficaram sentadas na cozinha por um a hora, conversando sobre nenhum assunto em particular, e então Faith finalm ente colocou a louça na pia, apagou as luzes, e elas subiram para seus respectivos quartos. Faith deitou ao lado de Alex e dorm iu com o um anj o naquela noite, sabendo que as m eninas estavam em casa. E acordou ao raiar do dia, na m anhã seguinte, para preparar o recheio, colocar o peru no forno e deixar tudo pronto antes que os outros descessem .
Tom aram café da m anhã tarde e leram os j ornais de pij am a enquanto Faith verificava o peru e colocava a m esa na sala de j antar. Zoe se ofereceu para aj udar, e Ellie sentou-se para conversar com o pai. Havia um a atm osfera agradável e festiva que eles curtiam . E até Alex parecia feliz por estar com elas. Já era m eio-dia quando todos subiram para se vestir. Eles costum avam se reunir às duas horas na sala de estar no Dia de Ação de Graças e com er às três.
E quando as m eninas desceram vestidas, m aquiadas e lindas, sentaram -se com o pai e assistiram ao j ogo de futebol am ericano com ele. Ellie era um a verdadeira fã desse esporte e contou ao pai que fora a algum as partidas de rugby com uns am igos, m as não era a m esm a coisa. Zoe foi para a cozinha aj udar a m ãe, e às três horas as velas estavam acesas, a m esa estava linda, e eles estavam prontos para sentarem -se para a refeição. Não costum avam nem alm oçar nem j antar naquele dia. Em vez disso, com iam as sobras tarde da noite, o que era quase um a tradição depois da enorm e refeição que Faith preparava. Era um tradicional banquete de Ação de Graças e parecia coisa de revista. O peru estava em um tom m arrom dourado, e havia batatas-doces com m arshm allows, espinafre, ervilhas, purê de batata, recheios, m olho de m irtilo, purê de castanha, tortas de m açã e abóbora para sobrem esa. Era a refeição do ano preferida de todos.
Faith fez a oração de Ação de Graças, com o sem pre fazia, Alex trinchou o peru, e todos conversaram com anim ação.
Faith ficou um pouco triste ao pensar nos anos em que Jack e Debbie tam bém estavam com eles, e Charles e sua m ãe.
Era estranho pensar que todos eles se foram , e apenas sua fam ília ficou, m as tentou não pensar nisso enquanto ela e Alex conversavam com as m eninas. Falaram sobre tudo, de negócios a política para as escolas. E j á estavam com endo a sobrem esa quando Alex olhou para Faith e com entou com as filhas, com um olhar debochado, que a m ãe delas estivera pensando em voltar para a faculdade. Ele disse isso com o se fosse algo m uito tolo, e m ais que tudo, ele parecia divertido.
— Felizm ente, ela recobrou o j uízo. Teve algum as idéias m alucas sobre ir para a faculdade de Direito, até eu m ostrar que ela é um pouco velha para isso. Nós com eríam os sanduíches de pasta de am endoim no Dia de Ação de Graças do ano que vem enquanto ela estivesse estudando para as provas — brincou, e Ellie riu, enquanto Faith parecia m agoada e Zoe lançava um olhar penetrante para ele. Era o tipo de coisa que ele fazia, e ela odiava. Ela detestava quando ele hum ilhava sua m ãe, algo que ele fazia com frequência.
— Não acho que sej a um a idéia m aluca, pai — retrucou Zoe com rudeza, encarando-o do outro lado da m esa com um olhar determ inado. Queria abraçar a m ãe e protegê-la dele. Ficava furiosa ao ouvi-lo desfazer-se dela. Ele costum ava fazer isso com Zoe tam bém . — Acho que é um a excelente idéia. — Então virou-se para a m ãe, que estava chateada. — Espero que ainda estej a planej ando seguir adiante, m ãe. — Elas conversaram sobre isso várias vezes, e ela queria que o pai soubesse que aprovava o plano. Ele ficou irritado assim que Zoe deu sua opinião, o que não significava nada para ela. Não tinha m edo dele. Tinha idéias próprias.
— Verem os, m eu am or. Papai acha que eu não conseguiria continuar com m inhas obrigações dom ésticas, em bora eu ache que sim . Conversarem os sobre isso outra vez qualquer hora dessas — concluiu ela, tentando m udar o assunto da conversa, enquanto Alex a encarava diretam ente do outro lado da m esa.
— Não tem os nada para conversar, Faith. Resolvem os isso um tem po atrás. Achei que estivéssem os de acordo. — Ela não sabia o que dizer para ele. Não queria m entir no Dia de Ação de Graças, com as m eninas em casa. E não estava pronta para contar que j á estava frequentando as aulas na Escola de Educação Continuada da Universidade de Nova York, estudando para prestar o LSAT em dezem bro. Não era nem o lugar nem a hora certos para discutir isso, m as ele parecia querer tom ar um a decisão na frente das m eninas, para dem onstrar que tinha a palavra final. Mas Zoe rapidam ente engoliu a isca, m esm o antes de Faith conseguir responder.
— Eu acho que a m am ãe deve ir para a faculdade de Direito. Tudo que ela tem para fazer é ficar sentada aqui e esperar você chegar em casa, pai. Isso não é vida. E você viaj a m uito. Por que ela não pode ser um a advogada se é isso que ela quer? — Faith estava com ovida com a defesa, m as queria m udar de assunto assim que possível antes que aquilo se transform asse em um a discussão, o que parecia inevitável.
— Ela é m uito velha para ser advogada — rebateu Alex com teim osia. — E ela tem um em prego. Um em prego de tem po integral. Ela é m inha esposa. Isso devia ser suficiente. E acho que ela sabe disso. — Alex olhava de form a im placável de Zoe para Faith, e Ellie encarava os restos da sobrem esa, sem querer entrar na discussão, se possível. Ela achava que a m ãe devia conseguir um em prego de m eio expediente ou fazer trabalho voluntário. Faculdade de Direito parecia dem ais para ela tam bém .
— Alex, por que não discutim os isso quando as m eninas não estiverem aqui? — perguntou Faith, parecendo m agoada.
Não queria que um a discussão estragasse o pequeno tem po que tinham j untos, principalm ente o Dia de Ação de Graças.
Mas ele olhava diretam ente para ela, e sua voz elevou-se um pouco.
— Esse assunto está encerrado. Estava apenas contando para as m eninas o que você estava planej ando. Mas é ridículo, e você sabe disso. Não é um a opção, só achei que as m eninas se divertiriam ao saber que você pensou nisso. — Sua m aneira de falar a hum ilhou, e ela resolveu entrar na briga.
— Não é ridículo, Alex. Falo sério em relação a isso. E acho que é um a idéia m uito boa — retrucou ela, e ele parecia perplexo, enquanto Ellie com eçava a se sentir seriam ente desconfortável. Detestava quando seus pais brigavam . E Zoe parecia furiosa em favor da m ãe. Ela parecia um vulcão a ponto de entrar em erupção quando a irm ã m ais velha interveio.
— Acho que seria dem ais para você assum ir, m ãe. Os m eus am igos que estão na faculdade de Direito estão odiando, estão atolados de trabalho e m al conseguem ficar em dia com tudo. Papai está certo. Seria difícil para ele se você fosse para a faculdade. — Para ela parecia um argum ento razoável, m as fez com que Zoe estourasse, olhando para Ellie com olhos furiosos.
— Então talvez sej a um sacrifício que o papai teria de fazer, pelo bem da m am ãe, pelo m enos um a vez. É um a idéia inusitada. — Ela olhou de Ellie para o pai, e Faith ficou em pânico pela direção que a refeição estava tom ando. Olhou para Zoe com gratidão, m as tentou virar a m aré antes que todos se afogassem .
— Acho que eu e o papai terem os de resolver isso por nossa conta. Mas obrigada, querida. Não tem os de decidir isso neste m om ento — ponderou ela, a eterna pacificadora, em bora seu coração estivesse acelerado pelo que ele falara.
— Já resolvem os, Faith. O assunto está encerrado.
— Então você não deveria tê-lo trazido à tona — advertiu-o Faith, sendo sensata. — Eu não teria. E na verdade, o assunto não está encerrado. Enviei os form ulários para duas m atérias na Escola de Educação Continuada da Universidade de Nova York. Com eçarei em j aneiro. — Não disse que faria o LSAT para que pudesse se candidatar para a faculdade de Direito se quisesse, e para ver com o se sairia. Mas não podia se privar de dizer pelo m enos o que dissera. Não queria com eçar um a guerra com ele e arruinar o Dia de Ação de Graças das m eninas, m as ele fora tão arrogante e a hum ilhara tanto que não pôde resistir a m ostrar que ele que não estava no controle total da situação. Mas arrependeu-se na m esm a hora quando ele bateu com o punho na m esa, o que fez com que toda a prataria e os cristais pulassem , e tam bém as m eninas. Elas estavam perplexas com a veem ência dele, assim com o Faith. E, independente da vontade dela, a guerra recom eçara. Era um a guerra de poder para ele, que não tinha a intenção de perder.
— Cancele, Faith. Ligue para lá. Não existe razão para fazer isso. Você não vai para a faculdade de Direito e ponto final. Não vou tolerar isso! — Ela só queria frequentar as aulas para se preparar para a faculdade de Direito no outono e retom ar o ritm o de estudo. Além disso, era um a atividade m ais inteligente do que alm oços e com pras com as am igas.
— Quem você pensa que é? — gritou Zoe para o pai, enquanto ele se levantava, parecendo furioso.
— Com o ousa falar com igo assim ? — gritou ele em resposta, enquanto lágrim as enchiam os olhos de Faith. Ela não queria que isso acontecesse. Queria que tudo fosse perfeito enquanto elas estivessem lá. E tinha a sensação de que tudo era culpa sua, j á que estavam discutindo sobre ela.
— Zoe, por favor — falou Faith com suavidade, tentando acalm á-la, m as Alex estava furioso com o que ela dissera. Era o clím ax de antigas batalhas entre os dois. Zoe sem pre o criticara, desde criança. Mas desta vez foi m ais franca com ele. Não suportava o j eito com que ele falava à m ãe, nem sobre a m ãe. E fora difícil para Faith se defender. Anos sendo criticada e dom inada com o um a criança tinham o seu preço.
— Não, m ãe — negou-se Zoe, virando-se para a m ãe, seus olhos tam bém cheios de lágrim as. — Não sei com o você deixa que m eu pai fale dessa form a. Fico horrorizada com isso. E se você não der um basta, eu vou dar. — E então ela virou-se para Alex, trem endo de raiva. — Você não respeita m inha m ãe, nunca respeitou. Com o pode tratá-la assim ? Será que não pode tratá-la com o um ser hum ano depois de tudo que ela fez por você, por todos nós? Quando vai chegar a vez dela de ser tratada com respeito? E se ela quer ir para a faculdade de Direito, por que não? Francam ente, eu preferia com er cachorro-quente no ano que vem e saber que ela está feliz.
Ellie então com eçou a falar, parecendo superior e irritada, enquanto Faith desej ava ter um a varinha de condão para fazer com que todos se com portassem .
— Você sem pre estraga tudo — repreendeu-a Ellie. — Está sem pre pegando no pé do papai.
— Pelo am or de Deus, olhe o j eito que ele trata a nossa m ãe! Está tudo bem para você? Você acha que é isso que ela m erece? Você sabe que o papai não é um santo, El. Ele é apenas um hom em e trata a m am ãe com o se ela fosse lixo.
— Parem com isso! — gritou Faith. Todos estavam se com portando de form a abom inável, pior ainda, estavam fazendo isso por causa dela. A refeição j á tinha term inado, m as seu final seria um a lem brança triste da qual nenhum deles j am ais se esqueceria, e tudo porque Alex m encionara que Faith queria ir para a faculdade de Direito. Estava furiosa consigo m esm a por ter respondido para ele, deixando um a brecha para as m eninas continuarem . Sabia que deveria ter feito diferente e estava arrasada por ter sido a causa de um a situação que entristecera todo m undo. E, sem dizer outra palavra, Alex saiu da sala, foi para seu gabinete e bateu a porta.
— Olhem o que vocês fizeram ! — gritou Ellie para a m ãe e para a irm ã. — Vocês acabaram com tudo para o papai.
— Até parece! — gritou Zoe em resposta. — Você está sem pre protegendo o papai, m as foi ele quem com eçou. Ele hum ilhou a m am ãe na nossa frente. Você acha que ela gosta disso?
— Você não deveria ter dito que enviou os form ulários para a escola. — Ellie estava reprovando sua m ãe. — Sabia que isso o deixaria irritado. Por que contou? — Ela estava chorando agora.
— Porque eu estava irritada — desculpou-se Faith, querendo que as duas se acalm assem . Detestava quando elas brigavam , principalm ente por causa dela, e sem pre se sentia culpada quando isso acontecia. — Se eu decidir ir, acabaria tendo de contar para ele de toda form a. Ainda não m e resolvi. — Ela estava dividida entre tom ar um a posição firm e e não querer chateá-los. Ainda poderia decidir não frequentar m ais as aulas, nem prestar o LSAT dali a poucas sem anas.
— Você deve ir, m ãe. — Zoe estava zangada com ela. — Nunca perdoarei você nem o papai se você não for. É o que quer fazer, e tem tanto direito quanto nós tem os, ou o papai tem , de fazer o que quiser.
— Não se isso irritar tanto seu pai e criar esse tipo de briga entre vocês duas. — O coração de Faith estava despedaçado. Por que algo tão razoável para ela tinha de custar um preço tão alto para os outros?
— Ele vai superar isso — argum entou Zoe, encarando Eloise com raiva. Odiava quando a irm ã defendia o pai quando ele estava errado. Ellie sem pre o defendia, não im portava o assunto, e isso lhe parecia irracional. — A m am ãe tam bém tem um a vida — com pletou ela, enquanto Ellie saía da sala de j antar. Estava indo consolar o pai.
Faith estava tirando a m esa, com lágrim as escorrendo pelo rosto.
— Detesto quando vocês brigam — disse ela, infeliz, enquanto Zoe a abraçava forte, e Faith fazia m alabarism o com os pratos, perturbada.
— Detesto quando ele trata você com o lixo, m ãe. Com o sem pre. Ele faz isso apenas para torturar você na nossa frente.
— Ele não m e tortura — negou Faith ao colocar os pratos na m esa e abraçar Zoe. — Mas obrigada por m e defender. Não é um a boa idéia se deixa todo m undo aborrecido. É apenas o j eito dele — contem porizou Faith, perdoando-o com m ais facilidade do que Zoe j am ais conseguiria. Tinha um a conta de anos para acertar com ele, o que levaria um a vida para resolver. Faith tam bém odiava isso, m as nunca conseguiria convencer Zoe do contrário. Alex fora duro dem ais com ela por m uito tem po.
— Ele é arrogante, indelicado, indiferente, desrespeitoso e frio — desabafou Zoe, dizendo que o que sentia era culpa dele, quando Ellie voltou para a sala. O pai dissera que queria ficar sozinho.
— E você é um a vagabunda! — gritou Eloise do outro lado da sala.
— Meninas! Parem com isso! — gritou Faith por sua vez, depois j untou os pratos e saiu da sala. Foi um final horripilante para o que deveria ser um a tarde m aravilhosa.
Zoe seguiu-a para a cozinha, e Ellie subiu para ligar para os am igos. Faith estava arrasada pelo desastre que fora a tarde.
— Mãe, detesto ter de deixá-la e sair — desculpou-se Zoe. — Marquei de encontrar com alguns am igos às seis horas. — Já estava quase na hora.
— Tudo bem , m eu am or. Não achei que fôssem os resolver isso tudo esta noite. Espero que todos estej am m ais calm os am anhã.
— Ele estará do m esm o j eito, m ãe. Ele é assim .
— Ele ainda é seu pai, e não im porta o quanto discorde dele, ainda lhe deve respeito.
— Ele tem de conquistar isso prim eiro — rebateu Zoe, não querendo am olecer. Tinha princípios fortes e integridade, e só respeitava Faith. O pai perdera seu respeito anos atrás.
Beij ou a m ãe e, dez m inutos depois, saiu. Em seguida, Eloise desceu carregando seu casaco e sua bolsa. Tinha m arcado um encontro com uns am igos e estava ansiosa para sair. O clim a da casa estava pesado depois da explosão no final da refeição.
— Sinto m uito por tudo — disse Faith com tristeza. Quisera que tudo fosse perfeito. Não contava com a discussão que ela causara.
— Tudo bem , m ãe — respondeu Ellie de form a pouco convincente. Ainda parecia chateada. Todos pareciam .
— Eu não devia ter reagido ao que seu pai disse — continuou Faith. Não disse, com o Zoe teria dito, que ele não devia tê-la incitado a fazer isso. Fora um gesto de desrespeito, adm itisse Eloise ou não. — Tudo ficará bem .
— É, eu sei... Espero que não vá para a faculdade, m ãe. Isso deixará o papai m uito chateado.
E eu! Faith queria gritar. Que tipo de vida eu terei se não for? Nenhuma.
— Vam os resolver isso. Não se preocupe. Apenas saia e se divirta esta noite. A que horas acha que voltará?
— Não sei, m ãe. — Ela sorriu. Tinha 24 anos e m orava sozinha em Londres. Não estava m ais acostum ada a ter a m ãe controlando-a. — Tarde. Não m e espere acordada.
— Só queria saber a hora que deveria com eçar a m e preocupar. — Ela sorriu. — Às vezes esqueço quantos anos você tem .
— Pode ir para a cam a. Ficarei bem . — Zoe dissera que voltaria por volta das dez. E ela se preocupava com as duas quando não estavam em casa. Eram bonitas e m ais vulneráveis do que pensavam .
Eloise saiu poucos m inutos depois, e Faith passou a hora seguinte tirando a m esa e arrum ando a cozinha. Jogou fora os restos, o balcão estava lim po; a m esa da sala de j antar, brilhando de novo; e a m áquina de lavar louça, trabalhando na força m áxim a.
Já passava das sete quando apagou as luzes e bateu na porta do gabinete de Alex. Esperou um longo tem po, não teve resposta, m as sabia que ele estava ali. Acabou abrindo a porta e olhando para dentro. Ele estava sentado em um a poltrona, lendo um livro, e olhou para ela com a testa franzida.
— Posso entrar? — Ela o respeitava m uito, com o a seu espaço. Falou com ele do outro lado do gabinete.
— Por quê? Não tem os nada para conversar.
— Acho que tem os. Sinto m uito por term os perdido o controle. Fiquei irritada com o que você disse.
— Você j á tinha concordado em desistir da idéia da faculdade de Direito, Faith. Voltou atrás com a sua palavra. E não tem por que frequentar aulas nesta prim avera. Suponho que você tenha se inscrito em aulas de direito? — Ela assentiu e ele pareceu soturno, irado e frio. E ela sentiu o m esm o desprezo gélido que tivera de todos os hom ens em sua vida, desde a infância. Mas desta vez, estava determ inada a lidar com isso de form a diferente.
— Nós não concordam os. Você m e m andou fazer o que você queria. — Ela sentou-se em um a poltrona em frente a ele. Era um pequeno e aconchegante escritório com paredes de m adeira, com um divã de couro, duas grandes poltronas de couro e um a lareira que Alex costum ava acender nas noites de inverno, m as não nesta noite. Não tivera vontade.
— Alex, é im portante para m im . Preciso de um novo propósito para m inha vida, um a razão para viver, algo em que m e concentrar agora que as m eninas foram em bora. — Ela queria fazê-lo entender o quanto isso significava para ela e esperava que assim ele concordasse.
— Você tem um propósito. Está casada com igo. É m inha esposa. — Era o único papel no qual ele conseguia vê-la, e não tinha intenção de m udar isso agora. Era adequado para ele, sendo ou não suficiente para ela.
— Preciso de m ais do que isso. Você é um hom em ocupado. Tem a sua vida. Eu não.
— Essa é um a declaração triste sobre o nosso casam ento — com entou ele, parecendo som brio. As súplicas dela estavam entrando por um ouvido e saindo pelo outro.
— Talvez sej a — respondeu ela com calm a. — Talvez sej a um a afirm ação ainda m ais triste sobre m im . Preciso de um propósito na vida, m aior do que o que tenho. Vam os encarar os fatos, tenho sido m ãe em tem po integral há 24 anos, e agora estou sem em prego. É duro.
— A vida é assim . Todas as m ulheres enfrentam isso quando os filhos vão para a faculdade.
— Várias delas têm em pregos e carreiras. Quero ser um a delas. E só posso lhe dizer que farei o m eu m elhor para não deixar isso interferir com você. — Ela estava im plorando, e ele não m ostrava nenhum sinal de que cederia.
— Faith, as coisas vão ficar feias entre nós se você não voltar atrás.
— Não m e am eace, Alex. Não é j usto. Eu não faria isso com você. Se algo fosse im portante para você, eu tentaria e o apoiaria o m áxim o possível.
— É im portante para m im que você não vá para a faculdade. — Eles estavam em um im passe, e Faith não fazia idéia de com o resolvê-lo, ou conseguir o que queria. Odiava a idéia de desistir. De repente, parecia ter tanta coisa em j ogo, não apenas o fato de ela ir ou não para a faculdade. Tinha a ver com respeito e auto-estim a, e um a nova vida que ela queria desesperadam ente, m as a vida que eles tinham era m uito m ais confortável para ele.
— Podem os esquecer isso por enquanto? — Ela não sabia m ais o que fazer. Só podia esperar que o tem po o am olecesse quando se acostum asse com a idéia.
— Não vou discutir isso com você de novo — respondeu ele, e então surpreendeu-a com o que falou a seguir: — Faça o que quiser, Faith. Acho que fará de qualquer form a. Mas não espere m eu apoio. Sou cem por cento contra a sua volta para a faculdade. Só quero que isso fique claro. Faça isso por sua conta e risco.
— O que você quer dizer com isso? — A am eaça velada a am edrontava, o que era exatam ente a intenção dele.
— O que eu disse.
Ela se perguntava se ele a castigaria de algum a form a se ela voltasse para a faculdade. Mas bem no fundo sabia que valia a pena correr o risco. Era algo que sabia que tinha de fazer. Independente de tudo. Pela prim eira vez na vida, iria fazer algo por si m esm a.
— Quer subir? — perguntou ela com voz suave, grata por ele ter cedido, m esm o que um pouco, apesar da am eaça subentendida. Talvez fosse o m elhor que ele conseguia fazer, e ela estava grata por não ser pior. Poderia ter sido.
— Não — disse ele, baixando os olhos para o livro de novo e expulsando-a, com o sem pre fazia.
Ela levantou-se calm am ente e saiu. Tocou no om bro dele, e ele não respondeu. Ele parecia um a estátua quando ela o tocou e não disse nenhum a palavra. Ela subiu para tom ar banho, então sentou-se em seu pequeno escritório para esperar Zoe voltar. Verificou sua caixa de e-m ail, m as nenhum a notícia de Brad.
O Dia de Ação de Graças certam ente fora difícil, e ela vencera um a batalha. Mas a um alto preço. Mas pelo m enos, consolou-se no silêncio da casa, ganhara esse round quando ele disse para ela fazer o que quisesse. Pela prim eira vez na vida, tinha essa intenção, e tom ar a decisão de prosseguir deixou-a m ais forte. Seria um m undo totalm ente novo para Faith. Na verdade, j á era.