Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 8 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 7

 

O clim a ainda estava tenso entre Zoe e Ellie quando a m ais nova pegou o avião de volta para Brown no dom ingo de m anhã. Todos tom aram café da m anhã j untos, e as m eninas pareciam estar se falando, m as Faith não pôde deixar de notar que as saudações não eram calorosas. E a m ãe estava particularm ente sentida por não terem tido tem po de se acertarem antes de irem em bora. Eloise pagaria um voo para Londres naquela noite. E Alex sum iu antes do alm oço para passar a tarde com um am igo. Despedira-se de Eloise antes de sair.

— Sinto m uito que as coisas tenham perdido o controle no Dia de Ação de Graças — desculpou-se Faith à filha. Estava triste principalm ente por causa da briga entre as m eninas.

— Ainda acho que papai está certo, que você não deve voltar para a faculdade. Será m uito estressante para você e não teria tem po para ficar com ele. — Eloise sem pre pensava no pai prim eiro.

— Preciso de algo m elhor com que gastar m eu tem po do que j ogar bridge e alm oçar com m inhas am igas. — Faith continuava a defender suas idéias, m as Ellie parecia não se convencer. E em pé ali, parecia alta, bonita e fria. Muito parecida com Alex quando era m ais j ovem . E tinha aquela m esm a distância, um a postura levem ente afastada. Tinha fronteiras para as pessoas não se aproxim arem m ais, a não ser que fossem convidadas. E, ao contrário, parecida com Faith, Zoe parecia não ter nenhum a fronteira, ou m uito poucas. E ocorreu a Faith, enquanto a observava, que algum lugar entre essas duas posições seria bom .

— Ele vai ficar aborrecido se você fizer isso — avisou Ellie, e Faith assentiu.

— Farei o m elhor que puder para isso não acontecer. E se acontecer, sem pre poderei desistir. — Não era um a boa posição para se estar, m as queria ter espaço para se m ovim entar.

— Creio que sim — assentiu Eloise vagam ente. — Talvez nem devesse com eçar, em prim eiro lugar.

— Só estou fazendo duas aulas — com entou Faith, e sorriu para ela. — A faculdade de Direito ainda não é um a certeza. — Ainda tinha de ter notas decentes no LSAT, senão tudo seria irrelevante.

— Não tom e nenhum a decisão precipitada, m ãe — aconselhou Ellie com o se Faith fosse um a criança e não sua m ãe. — Tente pensar no papai tam bém .

Faith só queria lem brá-la quando não pensara nele. Tudo que fizera e tivera em sua vida fora de acordo com ele. Mas percebeu que nem sem pre m ostrara isso para as filhas. Era algo que fazia com discrição enquanto planej ava sua vida de acordo com a dele. Mas parecia não ter nenhum m érito por isso, nem dele nem das m eninas. Ellie, pelo m enos. Zoe reconhecia m uito m ais os sacrifícios que a m ãe fizera.

Ellie foi term inar de fazer sua m ala, e Faith preparou sanduíche e sopa para ela com er antes de partir. Não im portava o quão estranha fora a conversa nem quão estressante fora o Dia de Ação de Graças, estava feliz por Ellie ter vindo para casa, e agradeceu antes de ela sair.

— Verei você nas próxim as sem anas — disse Faith ao abraçá-la. Ellie estava planej ando vir para casa no Natal e insistira que a m ãe não a levasse ao aeroporto. Era perfeitam ente capaz de pegar um táxi sozinha, na verdade, preferia que fosse assim . Alex tam bém teria preferido. Faith e Zoe gostavam de com panhia o tem po todo. Eloise era m uito diferente delas.

Um silêncio assom broso caiu sobre a casa depois que as m eninas foram em bora. Faith ficou deprim ida ao arrum ar seus quartos, tirar os lençóis da cam a e lavá-los. Havia um a faxineira que vinha três vezes por sem ana, m as com um a preocupação m aternal, que ainda perm itia que cuidasse delas, preferiu ela m esm a arrum ar seus quartos e lavar as roupas. Era tudo que podia fazer por elas. E, ao vagar pela casa vazia, lem brou-se de com o sua vida estava vazia sem elas.

Ficou até aliviada quando Alex voltou para casa naquela noite. Ele passara a tarde em um m useu m arítim o no centro da cidade com um am igo de Princeton que o convidara para em barcar. Alex disse que tivera um dia agradável e pareceu levem ente m ais feliz do que de costum e ao ver Faith, o que a surpreendeu. Perguntou-se se ele tam bém se sentia solitário sem as m eninas. A ausência delas causava um im pacto em todo m undo, até Zoe se sentia com o filha única quando vinha para casa e não gostava disso. Mas era m ais difícil para Faith.

Ela e Alex tiveram um a noite tranquila j untos. Ele contou sobre o m useu m arítim o que visitara e os planos para a sem ana seguinte. Era a conversa m ais longa que tinham em m eses, e após a discussão no Dia de Ação de Graças e a veem ência dele sobre ela não voltar para a faculdade, ela estava perplexa. Isso lhe deu a chance de com partilhar com ele a solidão que sentia sem as m eninas.

— Você sabia que isso acabaria acontecendo — observou ele, de form a sensata, parecendo surpreso por isso incom odá-la tanto assim . Era difícil para ele entender que isso não fora apenas o coração dela, m as o trabalho, por 24 anos. Se ele perdesse o dele, entenderia. — Você tem de encontrar outras coisas para fazer. Voltar para a faculdade só parece m uito extrem o para m im . E sem razão, Faith. A m aioria dos advogados quer se aposentar na sua idade, não com eçar um a carreira.

— Abriria m uitas portas para m im . Todas as outras coisas parecem ser m uito à curto prazo, com o um Band-Aid em um a ferida. Seria um a vida inteiram ente nova. E quem sabe o que eu realm ente acabaria fazendo com isso. Não tenho certeza de nada. — Ele ainda parecia não entender, m as não estava m ais levando de form a tão pessoal, o que era um alívio. Conversar sobre isso tornou a noite agradável para eles, e abrandou a falta que ela sentia das m eninas. Era um a daquelas raras noites que só aconteciam entre eles um a vez ou outra. E naquele m om ento pelo m enos, ele pareceu perdoá-la por querer voltar para a faculdade. Ou controlara sua raiva pelo proj eto. Pelo m enos por enquanto. E, ao fazer isso, ele criou um calor necessário e inesperado entre eles.

Nas duas sem anas seguintes, Faith m anteve-se ocupada preparando-se para o Natal. Com prou presentes para Alex e para as m eninas. Ele fez várias viagens, e eles se viram tão pouco que o assunto sobre ela voltar para a faculdade não reapareceu. No pouco que ela o viu entre as viagens de negócios e depois do trabalho à noite, ele só com ia, dizia algum as palavras e ia para a cam a. Ela estava ocupada se preparando para as festas e concordara em aj udar a organizar um evento beneficente, que aconteceria na prim avera, para o Instituto Sloan-Kettering, que se dedicava ao tratam ento do câncer. Já dissera a eles que só poderia aj udar nas próxim as sem anas. Quando com eçasse a estudar em j aneiro, não teria m ais tem po para continuar trabalhando nisso, m as eles concordaram . Eram gratos pelo tem po que ela poderia oferecer.

Ela e Brad ainda trocavam e-m ails regularm ente m as, depois do dia de Ação de Graças, eram m ais curtos. Ele tinha de se preparar para dois j ulgam entos e um m onte de novos casos que tinha de avaliar. A vida dele estava um a loucura. Duas sem anas depois do dia de Ação de Graças, ela estava na cozinha com endo um iogurte antes de ir a um a reunião na Sloan-Kettering e abrindo sua correspondência casualm ente. A confirm ação para as aulas na Escola de Educação Continuada estava lá. Um a delas era Direito Constitucional, a outra era um a aula sobre o Direito em um aspecto m ais am plo. Soara bem abstrato para Faith. Mas foi bom receber a confirm ação, e fazer planos pareceu m ais real. Mencionou isso a Brad quando ele ligou. Ele prom eteu sair com ela para com em orarem com um a garrafa de cham panhe quando viesse para a cidade, e ela ficou encantada.

— Quando você vem ? — Quase esquecera da viagem dele. Entre o com itê beneficente, as com pras de Natal e suas aulas para o LSAT, o tem po voara.

— Daqui a um a sem ana. Dia 14. Até 16. Espero m uito que você estej a livre. — Ele j á lhe passara as datas antes, m as não fora específico sobre quando estaria livre para vê-la, e ainda não tinha certeza, m as queria passar o m áxim o de tem po possível com ela.

— Não tem os nada planej ado. Vou ver com Alex. Ele tem estado bem ocupado no escritório. Talvez eu e você possam os sair para j antar, ou pelo m enos para alm oçar.

— É m elhor ter tem po para m im ! — avisou ele.

— Terei. — Conversaram m ais alguns m inutos sobre a faculdade, e ela passou os dois dias seguintes se preocupando com a prova do LSAT que ia prestar. Estava rezando para se dar bem . Sem pre se subestim ara. Alex tam bém não aj udava no assunto. Ele a hum ilhava às vezes sem querer, e outras vezes com intenção.

— Quando você vai contar para o papai que suas aulas vão com eçar em j aneiro? — perguntou Zoe, que estava preocupada sobre quando conversariam a esse respeito.

Sabia o quanto era im portante para a m ãe ter a aprovação do pai no que estava fazendo. E tinha m edo de que, se ele não cedesse, a m ãe acabaria não fazendo, o que Zoe achava que para ela seria um desastre e m uito deprim ente. Estava tão ansiosa quanto Brad para ver a m ãe com eçar um novo ciclo de sua vida e voltar para a faculdade.

— Vou falar neste fim de sem ana. Espero que ele estej a de bom hum or.

— Eu tam bém — disse Zoe, ansiosa. — Vou cruzar os dedos, m ãe. Respire fundo e dê tudo de si. E, independente do que ele falar, você tem de fazer o que é certo. Você m e diria isso.

— É, acho que sim . — Ela não parecia convencida.

A conversa, quando aconteceu, foi quase tão difícil quanto Faith tem era. Eles m al se viram no sábado. Alex trabalhou no escritório o dia inteiro, tentando colocar em dia alguns proj etos que tinha de term inar até o final do ano. Naquela noite, foram a um j antar em que chegaram atrasados, e quando voltaram para casa, ele estava exausto e foi direto para a cam a e caiu no sono.

Ela finalm ente se forçou a m encionar o assunto com ele na tarde de dom ingo. Ele estava lendo alguns papéis que trouxera do trabalho para casa, sentado perto da lareira na sala de estar. Faith trouxe um a xícara de chá para ele e sentou perto de seu pé.

— Alex — com eçou ela com cuidado. Mas sabia que tinha de contar. Ele tinha de saber o que ela estava planej ando fazer, e ela não queria m entir para ele sobre isso. Deixar o assunto em suspenso sem ser resolvido estava deixando-a doente. — Posso falar com você um m inuto? — Ele pareceu irritado pela interrupção quando olhou para ela.

— O que houve? — Ele poderia ter dito da m esm a form a "fale rápido". Não estava no clim a para conversas.

Ela decidiu ser breve.

— Fiz a inscrição em duas m atérias na Universidade de Nova York. Vou com eçar em j aneiro. E você sabe o quanto isso significa para m im . — Ele sabia que ela enviara os form ulários, m as agora estava definido na cabeça dela o que faria. E Faith sentia-se obrigada a com partilhar isso com o m arido. Houve um silêncio interm inável da parte de Alex, enquanto olhava para ela de onde estava sentado. Ele não disse nada por um longo m om ento e tom ou um gole do chá fum egante. A pausa pareceu eterna para ela. — Sei que você não gosta da idéia de que eu volte para a faculdade, m as ainda não é a faculdade de Direito. Podem os ver com o vai ser e com o conseguim os lidar com isso. Só vou ter duas m atérias, e se realm ente não conseguirm os lidar com isso, j á saberem os quando o período term inar. Mas, Alex... eu realm ente quero tentar. Darei o m elhor de m im para que você nem perceba o que está acontecendo. — Ela sentia que devia a ele deixá-lo participar da decisão e concordar, se pudesse.

Ele a encarou longa e duram ente e a conhecia m uito bem . Não queria que ela voltasse para a faculdade, m as tam bém sabia que, se dissesse não a esta altura, causaria um im pacto neles. Não havia com o evitar agora.

— Não quero lhe dar a m inha bênção — reagiu ele finalm ente, enquanto o estôm ago dela revirava. — Mas tam bém não quero a responsabilidade de dizer que você não pode. Acho que terei de deixar que você decida. Acho que é um a tolice e um a péssim a idéia. E não sei com o poderá evitar que eu perceba o que está acontecendo. Acho que está se enganando a esse respeito. Se você fizer da m aneira certa, causará um im pacto no seu tem po e na possibilidade de gastá-lo com igo, ou m esm o com as m eninas quando elas estiverem em casa. — Mas ela j á pensara nisso e achara que valia a pena a inconveniência para todos eles nos próxim os anos, e tudo que tinha de fazer, dizia para si m esm a, era organizar suas horas de estudo.

— Eu gostaria de tentar — insistiu Faith tranquilam ente, olhando para ele com olhos suplicantes, que teriam derretido o coração de qualquer hom em , m enos o dele. Alex sabia se defender m elhor do que a m aioria e era inacessível às artim anhas fem ininas.

— Então faça o que quiser. Mas m esm o se você conseguir lidar com essas duas m atérias, o que acho um a perda de tem po, a faculdade de Direito seria outra história. É algo m aior e exigirá todo seu tem po. Não se engane. E não vou tolerar isso — concluiu ele de form a am eaçadora, e depois voltou para seus papéis. O assunto estava encerrado. Não com entou m ais nada nem a parabenizou por seus planos. Não aprovara nem reprovara. Colocara a responsabilidade sobre ela, e ela se agarrou ao que conseguiu e saiu. Estava m ais do que disposta a se responsabilizar inteiram ente pelo que queria e a fazer todos os esforços possíveis para que desse certo. Saiu da sala silenciosam ente, foi para seu escritório e pegou o telefone. Ligou para Zoe em seu dorm itório e contou que ia voltar para a faculdade. Sua voz era vitoriosa.

— O papai disse sim ? — Ela parecia perplexa.

— Mais ou m enos. Não foi bem assim . — Ela parecia feliz.

— Ele sim plesm ente disse que não im pediria e que acha um a péssim a idéia, m as deixou que eu resolvesse. — Zoe deu um grito de com em oração. Estava em ocionada. Assim com o Faith. Era um a verdadeira vitória.

Depois de falar com a filha, escreveu um e-m ail para Brad, contando que Alex não se colocara em seu cam inho. Era o m elhor que poderia ter conseguido dele. Não era de sua natureza dar m ais apoio do que isso, ou desdizer o que dissera antes. E para ela j á estava bom . Ele não precisava ficar contente, apenas não exigir que ela desistisse nem proibi-la de ir.

Ela preparou o j antar de Alex depois. Ele não m encionou m ais os planos dela nem perguntou a respeito. Ficou quieto naquela noite, leu seus papéis na m esa do j antar e com entou antes de levantar da m esa que iria a Los Angeles naquela sem ana. Partiria na terça e ficaria lá quatro dias. Não deu m uitos detalhes sobre a viagem , m as garantiu que estaria de volta no sábado, a tem po de com parecer a um a festa de Natal a que iam todos os anos. Faith não o questionou, apenas concordou com o que ele disse. Não queria entornar o caldo e estragar o progresso que fizera. Estava em seu escritório naquela noite quando recebeu um e-m ail de Brad.

"Eu estava j ogando tênis quando seu e-m ail chegou. Desculpe, Fred. Bravo! O que você fez com ele? Do que teve de abrir m ão para conseguir o que queria, ou é m elhor que eu não saiba? Em todo caso, estou feliz por você. Notícias m aravilhosas! Mal posso esperar para vê-la esta sem ana. Chegarei na quarta de noite e voltarei na tarde de sexta. Podem os j antar na quarta? Tam bém devo poder na quinta de noite. Não saberei até ver o cronogram a com pleto da conferência. Assim que souber, eu a aviso. Quando chegar ao hotel, ligarei para você. Meu voo chega às cinco. Devo chegar no hotel às seis. Verei você em breve. Parabéns de novo! Estou orgulhoso de você, Fred. Com am or, Brad."

Ele sem pre era afetuoso e a apoiava. Mal podia esperar para vê-lo. A viagem de Alex se encaixara perfeitam ente. Não estava escondendo dele que encontraria Brad, m as teria sido m ais difícil ser flexível em relação ao tem po para passar com Brad se Alex estivesse na cidade. Sua viagem para LA. viera na hora exata.

Ficara m uito ocupada nos dias seguintes e avisou ao com itê beneficente que só estaria disponível para trabalhar até m etade de j aneiro, depois disso teria de se afastar. Eles estavam com preendendo bem , e ela passava o dia no escritório deles. E m ais um dia de com pras de Natal. Zoe chegaria em casa no final de sem ana, logo depois que Brad partisse. Seria um a sem ana agitada. E estava planej ando com prar a árvore de Natal com a filha. Ainda não sabia quando Ellie viria para casa. Ela havia sido vaga a respeito de datas até agora. E na terça à noite, ligou para casa. Já era quase m eia-noite para Faith, e de m anhã cedo para ela, antes de ir para o trabalho.

— Olá, querida, que surpresa. — Faith ainda não contara para ela sobre sua volta à faculdade. Estava esperando até que Eloise estivesse em casa.

— Espero não tê-la acordado — disse Eloise.

— Não. Estava term inando os cartões de Natal. — Escolhera um a linda foto dos quatro no verão anterior em Cape Cod e a usara com o cartão de Natal. Mandava fotos deles todos os anos, m as estava ficando cada vez m ais difícil reunir todos. Estava grata por ter esta. — Quando vem para casa?

Houve um a pequena pausa.

— Eu... é... — O coração de Faith quase parou ao escutar as palavras. — Gostaria de conversar com você sobre um a coisa. Não sei com o você vai se sentir. Fui convidada para ir esquiar em Saint Moritz. — Ansiedade e culpa exalavam de sua voz. Faith conhecia bem sua filha.

— Parece divertido. Que coisa chique! Alguém que eu conheça?

— Os pais de Geoff alugam um chalé lá todo ano, e ele m e convidou para ir. — Geoffrey era o rapaz com quem ela estava nam orando havia três m eses. Faith não achou que fosse sério, pelo m enos Ellie não dissera que era, m as ele parecia divertido, e os dois estavam curtindo.

— Parece que vou ter de voar até Londres um dia desses para conhecê-lo. É sério, El? — perguntou Faith, sendo direta, e Eloise riu.

— Mãe, ir esquiar com ele não significa casam ento.

— Que boa notícia. Pelo m enos por enquanto. — Ela era j ovem e ainda era m uito cedo. Mas Eloise era sensata, am bas as m eninas eram , e não era provável que ela m etesse os pés pelas m ãos depois de apenas três m eses, em bora nunca se saiba, Faith lem brou-se. Certam ente era o envolvim ento m ais sério dela em um bom tem po. — Quando você está pensando em ir?

Houve outra pausa.

— Eu... é... Bem , na verdade, ele m e convidou do dia 21 até o Ano-Novo. — Tinha conseguido falar.

— Natal? — Faith soou perplexa. — Você não viria para casa?

— Eu não tenho tem po suficiente. Só terem os esta sem ana de folga e os finais de sem ana antes e depois. Ficarem os fechados nessa sem ana, então, se eu for para casa, perderia a oportunidade de esquiar com ele. Não poderia ir. Eu pensei que... Talvez vocês não se im portassem ... Eu m e sinto m eio egoísta por fazer isso, m as realm ente adoraria ir. — Seria a prim eira vez que não teriam as duas m eninas para as festas.

— Puxa, querida, estava tão ansiosa pela sua chegada. Não vai parecer Natal só nós três. Você não poderia vir para casa um pouco antes e talvez ir para Saint Moritz no dia 26? — Estava agarrando-se a qualquer possibilidade, m as seus olhos encheram -se de lágrim as ao pensar em não ter Eloise em casa. Era um trem endo golpe para Faith.

— Não posso tirar m ais dias de folga — respondeu Eloise, parecendo estressada. — Tudo bem se você não deixar, m ãe... Eu entendo... — Mas ela pareceu chateada com a idéia. Era óbvio que queria ir para Saint Moritz com Geoff em vez de vir para casa. E agora Faith se sentiria com o um m onstro se não concordasse.

— Posso pensar por uns dois dias? Seu pai viaj ou para LA esta m anhã, m as eu gostaria de falar com ele.

— Eu j á falei — deixou escapar Eloise, e Faith ficou chocada m ais um a vez. Alex não falara um a palavra com ela. Sem pre houvera cum plicidade entre eles dois. Eram aliados contra todos os outros.

— Falou? O que ele disse?

— Disse que por ele tudo bem . — Isso realm ente aborreceu Faith. Ele dera perm issão sem nem ao m enos discutir com Faith. Parecia algo egoísta para se fazer, principalm ente sabendo o quanto a vinda de Ellie para casa significava para a m ãe. Isso tam bém a tornaria a m á da história se dissesse não.

— Creio que não haj a m uita coisa para eu dizer — respondeu Faith m ais triste do que perm itia transparecer. — Eu gostaria que você viesse para casa e estávam os esperando por isso. Mas não quero im pedir que se divirta. Você decide, querida.

— Eu gostaria de ir — j ustificou-se Ellie, sincera. Aquilo foi com o um golpe físico para Faith.

— Tudo bem , eu entendo. Mas não quero que faça isso todo ano. Quero que o Natal sej a sagrado para todos nós. Quero que vocês duas planej em voltar para casa. Tem autorização para este ano, m as planej e estar aqui no Natal do próxim o ano, aconteça o que acontecer. Se precisar, pode trazer Geoff, se ele ainda estiver com você.

— Não se preocupe com isso, m ãe — exultou Eloise, parecendo aliviada. — E obrigada... tenho de correr. — Já desligara o telefone um segundo depois, e Faith sentou-se em seu escritório sentindo-se arrasada enquanto lágrim as rolavam por seu rosto.

Estava perdendo as filhas, não havia com o negar. Elas cresceram . E isso só pioraria. Nam orados, m aridos, em pregos, am igos, viagens. Um m ilhão de coisas apareceriam na vida delas agora para afastá-las da m ãe. E a idéia de não ter Ellie em casa no Natal partiu seu coração. O m ais triste era que Alex concordara com o plano e não falara com Faith. Isso a abalara e a colocara em um a posição em baraçosa. Quando apagou a luz de seu escritório e subiu para o quarto, perguntou-se com o m andaria os presentes de Natal para Ellie, m al havia tem po suficiente. Só esperava que Zoe não tivesse nenhum a idéia quando descobrisse. Faith não podia deixar de se perguntar se a discussão entre as duas no Dia de Ação de Graças m otivara Ellie a não vir para casa.

Era difícil afirm ar. Talvez fosse apenas a vida. Teria de esperar por isso agora. Mas a m udança era dolorosa.

Principalm ente para Faith.

Apenas quando apagou a luz, lem brou-se de que Brad chegaria no dia seguinte. Estivera ansiosa para encontrá-lo, m as a ligação de Eloise abafara todo o resto. Seria bom vê-lo, claro, e ele sem pre a fazia lem brar do irm ão, Jack. Mas sua visita não substituía a presença de Eloise no Natal. Não havia substitutos para isso, e nada para am enizar sua sensação de perda. Seu coração estava tão pesado quanto um a bola de boliche quando deitou-se na cam a.