Preces Atendidas
Capítulo 13
Na m anhã de Natal, Faith, Zoe e Alex trocaram presentes.
Zoe com prara para a m ãe um a linda m ochila de couro para usar na faculdade e um cachecol de lã com prido para que ficasse igual às outras m eninas. E Alex com prou para Faith um bonito bracelete de ouro na Cartier. Faith deu a ele um terno novo, algum as cam isas e gravatas. E para Zoe pequenos brincos de brilhante. Todos os presentes fizeram sucesso. E a Ceia de Natal foi tranquila e sem nenhum acontecim ento, em bora todos adm itissem que sentiam saudade de Eloise. Faith tinha assado um peru com todos os fam osos recheios que todos adoravam , m as de certa form a apenas três na m esa de j antar parecia vazio. Tentaram ligar para Eloise, m as ela não estava quando ligaram , e no final do dia Faith estava se sentindo um pouco triste. Não gostava da idéia de que sua fam ília estava encolhendo, m esm o que por um ano, apesar de Ellie ter prom etido que viria para casa no ano seguinte.
E assim que term inaram a ceia Brad ligou para agradecer o bonito presente. Ela atendeu ao telefone enquanto arrum ava a cozinha. Alex e Zoe estavam sentados na sala de estar tom ando café, conversando e adm irando a árvore. Era um raro m om ento civilizado entre eles, e Faith estava aliviada.
Achou que pudesse ser Eloise quando atendeu ao telefone e ficou surpresa ao descobrir que era Brad.
— Obrigado pelos lindos livros. São inacreditáveis. Vão ser a coisa m ais bonita do m eu escritório, Fred. Muito obrigado. — Ele ficara m uito orgulhoso deles quando desem brulhou-os, e m uito com ovido. E tivera o cuidado de abrir quando estava sozinho, para evitar com entários desnecessários de Pam .
— Eles não são tão lindos quanto m eu terço — retribuiu ela feliz. Fora difícil encontrar o presente certo para ele. Não queria dar nada m uito pessoal, e tudo o m ais que via parecia errado. Os livros pareciam acertar em cheio o que havia entre eles. Eram m uito especiais e valiosos, m as não m uito íntim os, quase um sím bolo do que existia entre eles. Em bora ela o conhecesse há tem po suficiente para escolher algo m ais íntim o, achou que era m elhor não.
— Fui à m issa ontem à noite — contou ele. — Na igrej a de St. Dom inic. Acendi velas para você e para Jack no altar de São Judas. Ele é seu santo, certo?
— Ele é o m eu santo. — Ela sorriu. — Isso é ótim o. Com quem você foi? — Ele contara que Pam era ateia, e ela não podia im aginar que tam bém fora.
— Fui sozinho. E você? — Mas na verdade, ele sentia com o se tivesse ido com ela e com Jack. Sentira a presença deles durante toda a m issa.
— Zoe m e encontrou na igrej a. Foi ótim o, só nós duas. Depois voltam os para casa andando e com eçou a nevar. A perfeita Véspera de Natal.
— Com o foi a ceia?
— Foi boa. Parecia vazio só nós três. Ficarei m ais feliz quando Ellie estiver em casa no ano que vem . E você?
— Todo o estado da Califórnia virá para o j antar black-tie em duas horas. Mal posso esperar. É tão íntim o e significativo. O tipo da coisa que realm ente toca seu coração, ver cem pessoas quase estranhas circulando por sua sala de estar, com endo canapés e se em panturrando de cham panhe. Realm ente faz com que se lem bre do verdadeiro significado do Natal. É um a pena você não estar aqui.— Ela riu da descrição, e não conseguia nem com eçar a im aginar. Por m ais sossegado que tenha sido seu Natal, o dele parecia ainda pior. — Pam tem um verdadeiro talento para criar reuniões tão íntim as que fazem as pessoas sentirem -se especiais por estarem aqui — im plicou ele, desej ando poder estar com Faith, em bora isso pudesse parecer estranho e difícil de explicar, até para ela.
— Talvez sej a m elhor ceder e aproveitar, e não esperar que sej a m ais do que é — sugeriu ela tentando aj udar.
— É o que faço. Isso, e m uito vinho branco. Essas reuniões são um pouco difíceis para o estôm ago se não se bebe. — Quando j antaram , ela percebera que ele bebia pouco, por isso m al podia im aginá-lo em bebedando-se, m esm o que fosse um m ecanism o de defesa. — O que vai fazer hoj e à noite?
— Dorm ir.
— Sorte sua. Ligarei am anhã ou m andarei um e-m ail. — Voltaria ao trabalho no dia seguinte, e estava aliviado por isso. Já tivera festas suficientes, sem os m eninos não tinham nenhum significado para ele.
— Feliz Natal, Brad. Tenha um a boa noite. Pode ter um a surpresa agradável.
— Quem sabe — disse ele, soando vago e pensando nela.
Desligaram , e ela arrum ou a cozinha. Quando estava term inando, Zoe entrou e pediu dinheiro para ir ao cinem a com as am igas.
— Pegue o que precisar na m inha carteira — disse ela enxugando as m ãos, e desam arrou o avental que colocara sobre o vestido de seda preto e o colar de pérolas. O cabelo louro estava preso em um coque, que a deixava parecida com Grace Kelly quando j ovem . Apontou para a bolsa que deixara em um a das cadeiras da cozinha na noite anterior quando voltaram da m issa. Zoe procurou por um m om ento e depois olhou para ela.
— O que é isso? — Estava segurando o terço, que caíra do saco de cetim e estava solto na bolsa.
— É um terço — respondeu Faith de form a trivial. Ficara com ele nas m ãos durante a m issa toda na noite anterior, m as Zoe não percebeu.
— Nunca vi esse terço antes. Onde conseguiu, m ãe? — Zoe estava curiosa. Com o se tivesse um sexto sentido.
— Foi presente de Natal de um am igo.
— Um am igo? — Zoe fez um a careta, parecia um a história estranha, e então entendeu. — Meu Deus, não m e diga que aquele cara que cresceu com você lhe deu esse terço, m ãe?
— Não é um presente chocante. Parece m uito respeitável para m im .
— É, se ele estiver apaixonado por você. Outra pessoa não se im portaria em m andar um presente tão significativo... e parece que tam bém foi caro.
— É um a antiguidade, e você tem um a m ente poluída. O pobre rapaz tentou m e dar algo religioso e respeitável, e m uito apropriado para o Natal, e você interpreta com o um sinal de que ele está apaixonado por m im . Eu am o você, Zoe, m as é doida. — Faith sorriu de form a inocente para a filha.
— Não sou não. Estou certa. Na verdade, é um presente m uito legal. — Zoe parecia im pressionada.
— É sim . Mas será que você pode m udar de idéia e aceitar o fato de que sou casada, am o seu pai e que ninguém m ais está apaixonado por m im ?
— Talvez, m as não é verdade. Esse cara está louco por você, m ãe. Vej a isso, são esm eraldas e rubis no terço, m esm o sendo pequenos. Ele deve ser m esm o m uito legal.
— É m esm o, é um bom am igo. Espero que o encontre outra vez um dia desses.
— Eu tam bém . — Ela colocou o terço na bolsa da m ãe e pegou vinte dólares para o cinem a com as am igas.
— Am anhã descontarei um cheque e lhe darei dinheiro. E a propósito — ela aproxim ou-se para abraçar a filha — adorei m inha m ochila e o cachecol. Vou ser a m enina m ais legal da faculdade.
— Vai sim , m ãe. E todos os m eninos vão se apaixonar por você.
Faith virou os olhos.
— Você está obcecada.
A história toda de Brad estar apaixonado por ela parecia tola para Faith. E ofensiva, de certo m odo. Isso negligenciava a am izade dele e fazia parecer m enos do que era, e era im portante para ela. Não tinha a im pressão de que ele estivesse apaixonado por ela, nem ela por ele. Eram apenas m uito bons am igos, quer Zoe acreditasse ou não.
Zoe saiu alguns m inutos depois, e Faith foi sentar-se com Alex perto da árvore. Ele estava bebericando um a taça de vinho do porto e relaxando, perdido nos próprios pensam entos.
— Obrigado pela deliciosa ceia — disse ele de form a generosa.
— Obrigada pelo lindo bracelete — retribuiu ela, beij ando-o no rosto, m as com o sem pre, ele não correspondeu. Para Alex, dem onstrações de carinho eram na cam a, com hora m arcada, e em m ais nenhum lugar. Em qualquer outra situação, deixavam -no constrangido. E nem na cam a m ais aconteciam com m uita frequência.
— Que bom que gostou — ele parecia satisfeito. — Adorei o terno, as cam isas e as gravatas. Você tem um excelente gosto. Sem pre escolhe m elhor as coisas do que se eu escolhesse sozinho. — Era um elogio delicado, e tiveram um a noite agradável, sentados em frente à lareira. Ele contou que tivera um a boa conversa com Zoe antes de ela sair, o que am bos sabiam que era raro.
Alex e Faith passaram um a noite surpreendentem ente agradável j untos, e depois de um tem po subiram . Não fora um Natal anim ado para nenhum deles, m as fora um dia agradável. Assistiram a um pouco de televisão, e Alex estava pensando em fazer am or com Faith, m as acabou dorm indo em frente à TV, e ela sorriu para ele. Tinham um a vida peculiar. Não eram velhos, m as levavam um a vida de pessoas idosas. Às vezes ela sentia com o se toda sua vida estivesse para trás, e não adiante.
Foi a m esm a sensação que Brad teve ao ir para a cam a naquela noite. Fora um a noite exaustiva, bancando o anfitrião para cem pessoas com as quais não se im portava, e o príncipe consorte para Pam em suas interm ináveis am bições e esforços sociais. Não conseguia nem com eçar a im aginar passar o resto da vida fazendo isso, e m esm o assim sabia que passaria. Foi com o que se com prom eteu 25 anos atrás, e onde, a qualquer preço, continuaria. Mas viver assim estava ficando cada vez m ais difícil e deprim ente do que ele poderia ter im aginado.