Preces Atendidas
Capítulo 17
Faith e Brad foram a um restaurante chinês naquela noite.
Ele contou sobre a reunião, e inventou tudo ou pegou em prestado de um caso que teve em San Francisco. Mas nas duas horas em que esteve no hotel só dorm iu. Ela nem desconfiou e ficou fascinada pelo caso que ele descreveu. E depois disso, conversaram sobre os filhos. Ele estava m orrendo de saudades dos m eninos, e ela estava ansiosa para conversar com Ellie, depois que Alex contasse.
— Com o você acha que ela vai reagir à notícia? — perguntou Brad, preocupado.
— Tenho m edo de que ela m e culpe — confessou Faith. — Só Deus sabe o que Alex vai dizer, m as ele achou que, com o eu contei para Zoe, ele tinha de contar para Eloise.
— Ela j á tem idade suficiente para ser razoável sobre isso — disse Brad, sendo otim ista.
— É verdade, m as nunca se sabe. Isso ainda parece um pesadelo em todos os sentidos. Não consigo nem m e acostum ar com a idéia de que acabou. Duas sem anas atrás, eu ainda era casada e pensava que tudo estava bem . — Na verdade, fazia 16 dias. — É com o quando alguém m orre... você fica pensando que dois dias antes a pessoa estava viva... três sem anas atrás... dois m eses... até que um dia você olha e j á se passaram anos. — Am bos estavam pensando em Jack quando ela disse essas palavras.
— Quer ir à igrej a am anhã? — perguntaram os dois ao m esm o tem po, e ela riu.
— Eu adoraria. Podem os ir à St. Patrick ou outra nas redondezas.
— Vam os à St. Patrick — sugeriu ele. — Sinto com o se fosse a nossa igrej a — disse ele entregando a ela um biscoito da sorte. O dela dizia que era virtuosa e paciente e tinha sabedoria além de sua idade. O dele dizia que faria um excelente negócio.
— Detesto biscoitos da sorte assim — reclam ou Faith. — Os m eus sem pre são desses. São tão chatos. Gosto daqueles que dizem "Você vai se apaixonar na próxim a sem ana". Os m eus nunca dizem isso. Acho que agora sei por quê.
— Por quê? — perguntou ele com um olhar gentil. Algo nela o tocava bem no fundo. Ela tocava seu coração.
— Azar — respondeu ela pensando em Alex. Tudo que acontecera nas últim as duas sem anas parecia azar para ela.
— Às vezes o azar é seguido de sorte— obj etou ele, com tranquilidade.
— Isso é de um biscoito da sorte ou você inventou? — im plicou Faith, e ele percebeu que ela parecia m il vezes m elhor e m ais relaxada do que de m anhã quando ele chegara. Ela com era e se exercitara, e, com o sem pre, ele fez com que ela risse.
— Eu inventei. Mas é verdade. Às vezes quando as piores coisas acontecem , você não sabe ainda, m as na verdade estão abrindo espaço para coisas m aravilhosas na sua vida.
— Isso aconteceu com você?
— Não, m as aconteceu com várias pessoas que conheço. Um am igo m eu perdeu a esposa quatro anos atrás, ela era um a m ulher m aravilhosa e ele ficou arrasado. Ela m orreu de câncer no cérebro em seis m eses. E então ele conheceu a m ulher m ais incrível que eu conheço. E agora estão felizes j untos. Nunca se sabe, Fred. Você tem de acreditar. É aquilo sobre o que conversam os... preces atendidas... você tem de acreditar agora. Vai passar por um cam inho turbulento por um tem po, m as depois vai m elhorar. Talvez m ais do que im agina.
— Estou feliz por você ter vindo a Nova York — disse Faith, sem responder ao que ele disse.
— Tam bém estou. — Ele pegou a m ão dela por cim a da m esa e apertou. — Estava preocupado com você. Estava parecendo péssim a nos últim os dias.
— Eu estava péssim a. Estou m elhor agora. Mas acho que as coisas vão continuar feias por um tem po. Não acho que Alex vai j ogar lim po.
— Provavelm ente não, j ulgando pelo que ele j á fez até agora. — E então Brad teve um a idéia. — Quer um a banana split? — Era a fraqueza dela quando criança.
— Agora? — Ela sorriu para Brad. Ele estava sendo tão bom desde que chegara. Sentia-se m im ada e consolada, e am ava isso. Era realm ente com o estar com Jack. Às vezes até m elhor. — Nós com em os com o porcos.
— E daí? No Serendipity eles fazem um a ótim a. Divido com você.
— Que bom que você não m ora aqui — exclam ou ela, rindo. — Eu estaria enorm e de gorda. Quer saber, por que não?
Ele pagou a conta e eles pegaram um táxi e foram para a 60th Street. O lugar estava lotado, era sábado à noite, m as eles encontraram um a pequena m esa redonda em baixo de um lustre da Tiffany, e Brad pediu um a banana split e duas colheres. Chegou com chantilly, nozes, calda de chocolate, m orangos, três sabores de sorvete e bananas nas beiradas da tigela, e eles atacaram . Brad não conseguiu acreditar no quanto ela com eu, principalm ente considerando o que j á tinha com ido.
— Vou passar m al se não parar — am eaçou ela e então com eu m ais duas colheradas. Ela nunca conseguia resistir a um a banana split.
— Se for passar m al em cim a de m im , é m elhor parar. Am izade tem lim ites — avisou ele, e os dois riram . Estava sendo divertido. Eles riram de histórias de quando crianças. Ele lem brou de um a vez em que ela pregou um a peça neles e disse para as nam oradas que eles tinham saído com outras garotas. Jack e Brad quase m ataram -na quando descobriram .
Ela havia ficado com raiva por algo que eles tinham feito e fez isso para se vingar. Eles tinham 14 anos e ela, 12.
— Por que diabo você fez aquilo? — perguntou Brad sorrindo enquanto pagava a conta.
— Vocês não iam m e levar para j ogar boliche com vocês então fiquei com raiva.
— Jack ficou tão irado que achei que fosse estrangular você.
— É, eu tam bém . Ele gostava m esm o da garota. Acho que você não gostava m uito da sua — lem brou Faith, divertida.
— Nem m e lem bro quem era. Você lem bra?
— Claro. Sherry Hennessy. E a de Jack era Sally Stein.
— Que m em ória você tem . Tinha m e esquecido com pletam ente de Sherry Hennessy. Ela foi a prim eira garota que beij ei.
— Não foi não — corrigiu Faith, com um olhar de quem sabe das coisas. — Foi Charlotte Waller. Você tinha 13 anos.
— Ah, sua pirralha! — exclam ou ele, de repente lem brando perfeitam ente. — Você estava m e espionando e contou para o Jack. Eu não queria que ele soubesse porque tinha um a queda por ela, e não queria que ele ficasse chateado.
— Ela contou de qualquer j eito. Na verdade, contou para m etade da vizinhança.
— Não foi ela que contou, foi você, sua pestinha. — Ele tinha se esquecido disso e estava rindo quando saíram do Serendipity e subiram os degraus até a rua.
— Bem , eu aj udei. Mas ela tam bém foi eficiente em espalhar a notícia. Ela achava que você era um bom partido.
— Naquela época eu era — brincou ele, fingindo arrogância.
— Você ainda é m uito bonitinho — disse ela, dando o braço para ele com inocência. — Considerando sua idade.
— Até parece! — exclam ou ele, e então sugeriu que fossem andando até a casa dela, para desgastar a banana split. Ela adorou a idéia j á que tinham com ido m uito.
— Parece que vou explodir.
— Você é pequena com o um bichinho, Fred. É um a pena nunca ter crescido.
— Sem pre achei isso tam bém . Sem pre detestei ser baixinha.
— Você está bem . Para um a m enina. — Era o tipo de coisa que ele costum ava falar quando ela era criança. E ela se sentia com o um a nesta noite com ele, lem brando de pessoas que tinham se esquecido e de que, quando eram j ovens, gostaram tanto. Era engraçado pensar nelas de novo, e im aginar aonde estavam . Am bos perderam o contato com todas elas. Principalm ente Brad depois que se m udou.
Cam inharam lentam ente pela Third Avenue, conversando sobre pessoas que conheceram quando crianças e lem brando de rostos e nom es em que nenhum dos dois pensava há anos. Viraram para o oeste quando chegaram na 74th Street, e logo chegaram na casa dela.
— Foi um a burrice m inha deixar você ficar no hotel. Poderia ter lhe convidado para ficar aqui. Estou dorm indo no quarto de Zoe. Você poderia ter dorm ido no m eu.
— Estou bem no hotel — tranquilizou-a ele, bocej ando. — A que horas vam os à igrej a am anhã?
— Podem os ir na hora que você quiser. Tem m uitas m issas na St. Patrick, vam os conseguir pegar um a. Por que não vem para o café da m anhã?
— Vou ligar quando acordar. Devo chegar entre nove e dez. — Ela entrou em sua casa, que parecia solitária e escura. Virou-se para Brad com um sorriso.
— Quer entrar para um a taça de vinho?
— Não vou voltar para o hotel nunca se eu entrar. Estou exausto. É m elhor eu dorm ir um pouco, você tam bém . — Am bos estavam cansados e cheios. Fora um a noite agradável, e a revelação que ela fizera m ais cedo significou m uito para ele. O que ela com partilhou era um enorm e gesto de confiança.
— Que bom que você teve de vir para a reunião — com entou ela agradecida. Os fins de sem ana eram difíceis e continuariam assim por um longo tem po.
— Tam bém acho — disse ele, abraçando-a. — Durm a bem .
Ele observou para ter certeza de que ela trancou a porta e acendeu as luzes ao entrar. E então cam inhou para o hotel sorrindo. Ele am ava e respeitava Faith m ais que am ara qualquer ser hum ano em sua vida.