Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 25 de 25

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Preces Atendidas

Capítulo 24

 

O avião em que Brad, Dy lan e Jason estavam aterrissou em San Francisco no dia 17 de j ulho. E Brad virou-se para sorrir para Jason, que estava sentado ao seu lado, e viu que o filho estava chorando.

— Achei que eu nunca m ais viria para casa, pai — desabafou ele através das lágrim as, enquanto Brad apertava a sua m ão.

Não quis dizer ao filho que tem era a m esm a coisa. Mas estavam em casa, sãos e salvos. E Pam estava esperando por eles no aeroporto. Ela j ogou os braços em volta de Jason e abraçou Dy lan, e Brad deixou-os para pegar as m alas sem dizer um a palavra para ela. Pam e os m eninos conversaram incessantem ente na lim usine. Pam fez um m ilhão de perguntas e ficava olhando para Jason, com o se quisesse ter certeza de que ele estava ali m esm o.

Era óbvio que os m eninos ficaram felizes por ver a m ãe, assim com o ela estava por vê-los. E Brad disse m uito pouco no cam inho para casa na lim usine. Ela esperou até que os m eninos subissem , e então virou-se para ele.

— Você está realm ente com raiva de m im , não está? — perguntou ela de form a abrupta. Ele não chegara perto dela no aeroporto, e quando Pam tentou abraçá-lo, ele se afastou. Não estava m ais fazendo o j ogo dela.

— Não, Pam . Na verdade, não estou. Para m im basta.

— O que isso significa? — Ela parecia perplexa.

— Exatam ente o que pareceu. Não cabe a m im perdoá-la por não ir à África, e sim ao Jason. Mas eu sei que não posso m ais continuar casado com você. Fom os loucos por ficarm os casados tanto tem po. Você nunca está ao m eu lado quando preciso. Nem ao lado dos m eninos. Não quero m ais viver um a m entira. Vi nosso filho quase m orrer em um lugar afastado da civilização. Todo m undo diz que é um m ilagre ele estar vivo. Sem esse m ilagre, eu não poderia ter feito nada para salvá-lo. Fiquei apenas lá sentado, assistindo ele escapulir entre m eus dedos. Não sei onde você estava ou por que, ou por que não estava lá. Mas a verdade é que não m e im porto m ais e nunca m ais m e im portarei. Você m erece m ais de m im . E eu m ereço m uito m ais de você. Se não tem os m ais o que oferecer para o outro, é m elhor desistirm os. Devíam os ter feito isso há m uito tem po.

— Brad, isso funciona para nós — argum entou ela, sendo sensata, m as ele conseguia perceber o tom de pânico em sua voz.

— Talvez. Por todas as razões erradas. Principalm ente porque fom os m uito preguiçosos ou m edrosos para fazer outra coisa. Essa não é um a razão boa o suficiente para se ficar casado. Pelo m enos, não para m im . — Ele finalm ente cortara o vínculo com o que seus pais fizeram . Percebeu que não era sobre eles. E sim sobre ele e Pam . Mais ninguém .

Nem m esm o Faith.

— Você tem algum a coisa m elhor agora?— perguntou ela, com um tom insinuando acusação. Mas não funcionava m ais com ele.

— Não faço idéia. Mas sei o que nós não tem os. Você e eu não tem os absolutam ente nada um com o outro, Pam . Nosso casam ento está m orto há m uito tem po. Está na hora de enterrarm os. Morreu anos atrás. E não estou m ais disposto a m orrer com ele. Você tem um a chance aqui. E nós tem os desperdiçado as nossas chances. Percebi isso um dia por volta das cinco da m anhã em um a aldeia africana cuj o nom e não sei nem pronunciar. E prom eti a m im m esm o que quando voltasse para casa diria a você que estou fora. Está na hora de ser honesto.

— Você está em ocionado por causa de Jason. Foi m uito traum ático para todos vocês — argum entou ela, esperando acalm á-lo. Não estava preparada para o que ele tinha dito, em bora esperasse que ele estivesse chateado. Mas não a este ponto. Contava com a boa natureza dele para fazê-lo com preender.

— É verdade, foi traum ático — concordou ele com calm a. Ela não estava chegando a lugar nenhum . — Sorte sua não ter estado lá. Sendo que o engraçado é que sinto pena por você. Foi a experiência m ais bonita da m inha vida. E algo que nenhum de nós nunca vai esquecer. Você perdeu, Pam . Com pletam ente. Ficou aqui sã e salva e confortável. Perdeu o bonde.

— Eu sei que perdi — concordou ela triste. Mas a verdade era que se sentira aliviada por não ir, e deixar por conta dele. Era algo que sim plesm ente não queria fazer. — Sinto m uito, Brad.

— Eu tam bém . — E ele sentia m esm o. — Provavelm ente nem deveríam os ter nos casado. Mas pelo m enos tem os filhos m aravilhosos.

— Você está falando sério? — Ela estava com eçando a com preender que ele realm ente queria dizer aquilo, e a idéia a deixava em pânico. Estava acostum ada a estar casada com ele. Era um hábito com o qual ela contara por todos esses anos, m as não m ais do que isso.

— Nunca falei m ais sério em toda m inha vida. — O rosto dele dizia que isso era verdade.

— O que você vai fazer? — perguntou ela, com um a voz fraca.

— Mudarei quando voltar para casa. Vou para Nova York no coruj ão desta noite.

— O que você vai fazer lá? — Ela parecia desconfiada, m as ele não tinha nada a esconder.

— Vou ver Faith. Tenho m uita coisa para perguntar para ela e para dizer.

— Eu sabia que você estava apaixonado por ela — disse Pam , parecendo tanto vitoriosa quanto irritada, m as só. Nada disso dizia respeito a seu coração há m uitos anos.

— Você é m ais esperta do que eu. Descobri há pouco tem po. Não faço idéia se ela m e quer, m as vou tentar. Se eu tiver sorte, ela vai. — Pam estava parada encarando-o em silêncio e assentiu. Ela podia ver que não adiantava brigar.

— Já falou com os m eninos?

— Pensei em fazerm os isso j untos quando eu voltar.

— Por quanto tem po você vai ficar lá?

— Depende do que acontecer. — Ele fora com pletam ente honesto. E ela sabia disso tão bem quanto ele. Brad sentia que devia isso a esposa. E era m ais do que ela lhe dera. — Uns poucos dias, talvez um a sem ana. Vou resolver. Pode deixar que aviso.

— Gostaria de contar ao m eu pai antes de contarm os aos m eninos.

— Tudo bem .

— Ela sabe que você está indo? — Pam estava curiosa agora.

— Não, não sabe. — Pam assentiu, e um m inuto depois saiu da sala. Parecia perplexa e infeliz, m as não derram ou um a lágrim a ou pediu que ele m udasse de idéia. Sabia que ele se fora.

Brad passou a tarde com Jason e Dy lan e telefonou para os dois advogados que estavam cobrindo seus casos. Eles deram continuidade a tudo m enos a um caso m enor que correra bem . Prom eteu a am bos que estaria de volta em um a sem ana. E então teria de colocar m uita coisa em dia e se m udar. Com o Alex fizera com Faith, m as com m enos dignidade, Brad deixaria a casa para ela. Não valia a pena brigar pela casa. Nem por nada. Viveram um a ilusão por anos dem ais. Agora ele queria algo real.

Naquela noite, Brad disse aos m eninos que iria para Nova York, e eles pareceram surpresos, m as não chateados. O pai passara os últim os dois m eses com eles, dando tudo que tinha. E ele abraçou-os e disse que os veria em um a sem ana.

E parou no quarto para ver Pam , m as ela saíra. Tinha um j antar com am igos m arcado há m uito tem po. Brad arrum ou um a pequena m ala e saiu para o aeroporto a tem po de pegar o coruj ão, e pegou no sono assim que o avião decolou. E a com issária de bordo o acordou pouco antes de aterrissarem em Nova York. Eram seis da m anhã e o nascer do sol em Nova York estava espetacular.

Chegou à casa de Faith às sete horas. Não falava com ela desde Londres, m as acreditava que ela estivesse em casa. Não quisera dizer m ais nada até que estivessem frente a frente. E, com um a sensação de trem or, tocou a cam painha. Ao esperar ali, sabia que toda sua vida estava prestes a m udar, de um j eito ou de outro.

Ficou perplexo ao ver um a cópia da m enina com quem crescera abrir a porta. Era com o voltar no tem po. Era Zoe, a im agem de Faith na m esm a idade. E ela parecia sonolenta, enrolada em um robe rosa.

— Oi, desculpe acordar você — desculpou-se ele, parecendo um pouco nervoso, e ela percebeu na m esm a hora com o ele era bonito. — Estou aqui para ver sua m ãe. Meu nom e é Brad Patterson. Acabei de chegar de San Francisco. Ela está acordada?

— O cara do terço — fez ela, com um sorriso sonolento, e abriu m ais a porta para deixá-lo entrar. — Vou cham ar. Ela sabia que você viria? — Não dissera nada para Zoe. E ele balançou a cabeça. — Ah... um a surpresa... — E então ela olhou para ele de um a form a peculiar. — Por que você m esm o não vai acordá-la? — Achou que a m ãe gostaria disso. E sem nem m esm o conversar com ele, Zoe sabia que ia gostar dele. Parecia ser um hom em bacana.

— Talvez eu faça isso — respondeu ele, aceitando o convite e torcendo para Faith não ficar aborrecida. Subiu as escadas, bateu de leve na porta do quarto e então abriu e entrou.

Ficou parado lá enquanto ela virava lentam ente na cam a com os olhos fechados. Nunca vira nada m ais bonito na vida. E, quando abriu os olhos, Faith o viu. Por um longo m inuto, ela não sabia se ele era um sonho. E ele não saiu de onde estava. Ficou lá parado, sorrindo para ela.

— O que você está fazendo aqui? — Ela sentou-se na cam a de cam isola e olhou para ele.

— Vim ver você, Fred — respondeu ele sim plesm ente.

— Achei que você fosse voltar para San Francisco.

— E voltei. Ontem .

— Quando chegou aqui?

— Há um a hora.

— Eu não entendo.

— Eu tam bém não entendia. Levei m uito tem po para descobrir. Espero que você não sej a tão lenta quanto eu. Desperdicei m uitos anos. Eu deveria ter fugido com você quando tinha 14 anos.

— Jack teria m atado você — ela sorriu sonolenta para ele.

— Ah, 18 então.

— Teria sido m elhor. — Ela deu um tapinha na cam a ao seu lado, por um m om ento esquecendo de sua decisão de não vê-lo m ais. E ele aceitou o convite e sentou-se.

— Eu am o você, Fred.

— Tam bém am o você — confirm ou ela, honesta. — Mas isso não vai nos fazer bem . Não posso m ais ver você. Ou conversar com você. Já resolvi.

— Isso é m uito ruim . — Mas ele ainda não parecia decepcionado. Tinha m uita coisa que ela não sabia. — Por quê?

— Você é casado, e não quero arruinar a sua vida. Rezei por isso o tem po todo em que você esteve fora.

— Para que você rezou?

— Para ter sabedoria e coragem . Sabedoria para saber o que fazer. E coragem para fazer quando fosse preciso. Não tem os outra alternativa.

— Estou m e divorciando.

— Está? — Ela arregalou os olhos. — Com o isso aconteceu... quando?

— Percebi na África quando Pam não apareceu. Não quero m ais viver um a m entira. Não posso. Já disse para Pam . Para m im , basta. Com o isso se encaixa nos seus planos?

— Não sei. — Ela parecia perplexa. — Achei que você fosse ficar casado a vida inteira. — Era o que ele sem pre dizia.

— Tam bém achei. Mas isso não faz m ais sentido. Nós fazem os. Não foi o m otivo para eu fazer isso, m as é o que eu quero, Fred. Você quer?... Pode?...

— Você está falando sério? — Não conseguia acreditar no que estava escutando.

— Foi por isso que eu vim . Para ver você. Para resolver isso. Para fazer planos. Quer casar com igo?

— Você tem certeza? — Mas podia ver que ele tinha, assim com o Pam vira na noite anterior. Ele não tinha m ais dúvidas de que tudo que queria era Faith. Ela era a m ulher que ele am ava.

— Pare de m e fazer perguntas e m e dê um a resposta... agora! — exclam ou ele, tentando parecer zangado, m as ela riu. Lem brava-se daquela cara de quando ele tinha 12 anos e ela, 10.

— Tudo bem ... sim .

— Sim ? — Ele parecia assustado.

— Sim ! — Ele se inclinou para beij á-la, m as ela desviou dele e saiu da cam a. — Você não pode m e beij ar.

— Por que não? — Ele parecia chateado. — Você vai casar com igo ou não?

— Já disse que vou... — Eles pareciam crianças de novo, e ela nunca tinha sido tão feliz em sua vida. Nem ele.

— Então por que não vai m e beij ar?

— Tenho de escovar m eus dentes prim eiro. Depois podem os ficar noivos.

Ela fechou a porta do banheiro, e ele deitou na cam a e sorriu, e Zoe passou por lá e colocou a cabeça para dentro.

— Com o foi?

— Tudo ótim o — ele sorriu para ela.

— Cadê a m am ãe?

— No banheiro, escovando os dentes. — Zoe assentiu, sentia-se com o se o conhecesse a vida toda. Ele era esse tipo de pessoa. E j á escutava falar dele há m eses.

— Boa sorte — disse Zoe, e voltou para seu quarto, enquanto Faith saía do banheiro com dentes lim pos e cabelo escovado, e um robe por cim a da cam isola.

E com isso, Brad levantou-se, foi até ela e puxou-a para seus braços.

— Eu am o você, Fred — sussurrou ele, para que ela pudesse ter certeza. Queria que ela se lem brasse disso pelo resto da vida, porque era o que am bos queriam , m as nunca tiveram .

— Tam bém am o você — sussurrou ela em resposta. E ele beij ou-a por um longo tem po. Era o que os dois esperaram e nunca desistiram de acreditar. Era a resposta para as suas orações. Às vezes as orações dem oram um longo tem po para serem atendidas, m as as certas sem pre são.

Table of Contents

Preces Atendidas

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Capítulo 21

Capítulo 22

Capítulo 23

Capítulo 24

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