Preces Atendidas

Danielle Steel · Capítulo 24 de 25

Páginas do PDF

Preces Atendidas

Capítulo 23

 

Brad não teve tem po de ligar para Faith quando trocou de avião em Londres. Teve de correr para outro term inal e quase não conseguiu chegar a tem po. Conseguira ligar para Pam , m as não havia notícias de Dy lan nem de ninguém . E sentou-se no avião para Lusaka parecendo um hom em ferido. Na m aior parte do tem po, só conseguiu pensar em Jason. Sua im aginação estava correndo solta desde que soubera da notícia inicial e nada m ais. E a outra parte do tem po, pensou em Faith e queria assegurar para ela que o que fizeram não era errado. Mas não havia nada que pudesse dizer. Ela teria sim plesm ente de aguentar firm e e acreditar nele até que voltasse. Ele não fazia idéia do que fariam , m as não tinha dúvidas de que estava apaixonado por ela. Sabia disso em sua alm a há m uito tem po.

Dorm iu parte do voo e chegou pela m anhã; trocou de avião de novo, para um que parecia um a caixa de ovo e que o levaria para a últim a parte de sua viagem . E desta vez, quando chegou a Kalabo, não havia van esperando por ele, nem Jason nem Dy lan. Contratou um hom em com um a cam inhonete para levá-lo até a reserva de caça. Mas ao passarem pela cidade, viu o que acontecera. O telhado da igrej a que eles estavam restaurando em Ngulwana caíra j unto com a torre. Só de olhar, ele com eçou a chorar.

— Um a coisa horrível aconteceu, Bam bo — contou o hom em que estava dirigindo, quando Brad pediu para ele parar.

— Hom ens se m achucaram feio. Quatro deles. — Brad assentiu. O term o que o m otorista usara significava "pai", um gesto de respeito.

— Eu sei. Um deles é m eu filho. — O hom em só assentiu em resposta, e Brad foi procurar por alguém que pudesse inform ar onde estavam os hom ens feridos. E finalm ente encontrou alguém , um tribal usando short e chinelos, com cicatrizes no rosto, que apontou para o prédio para onde os hom ens foram levados. E assim que entrou, viu duas m ulheres chorando e crianças atarracadas, e outros espantando m oscas dos rostos dos feridos. Encontrou Dy lan aj oelhado ao lado do irm ão. Jason estava inconsciente e havia um curativo encharcado de sangue em sua cabeça.

Dy lan levantou na m esm a hora e com eçou a soluçar nos braços do pai. Estava tão exausto que não conseguia parar de chorar. A única coisa boa que Brad podia ver era que Jason estava vivo. Mas parecia perto da m orte, e Dy lan disse que um dos outros m orrera há algum as horas.

— Algum m édico j á o viu? — perguntou Brad, tentando lutar contra o pânico. Sabia que precisava ser forte por seus filhos, principalm ente Dy lan agora, que agira sozinho com coragem e sensatez nesses dois dias.

— Ele veio ontem , m as teve de ir em bora.

— O que ele disse? — Brad parecia tenso.

— Não m uito. Tentei conseguir o avião, pai. Mas não consegui.

— Você sabe onde ele está?

— Eles disseram que provavelm ente nas Cataratas Vitoria, m as ninguém parece ter certeza.

— Tudo bem . Vou ver o que consigo fazer. — Brad saiu para o dia ensolarado sem ter certeza de onde com eçar, e com o se ouvisse a voz de Faith em sua cabeça, com eçou a rezar.

Foi até a agência dos correios e perguntou ao único hom em que trabalhava lá com quem deveria falar a respeito do avião.

Ele deu um núm ero para Brad e ensinou a ligar. Levou m eia hora para conseguir um a linha local, e então lem brou-se do rádio na reserva de caça. Ninguém atendia no núm ero que recebera, e o hom em na agência disse onde deveria ir para encontrar um rádio. E de lá, Brad entrou em contato com a reserva e pediu para que cham assem o avião pelo rádio. E então voltou para Dy lan, m ontando guarda ao lado de Jason.

Continuava espantando as m oscas do rosto do irm ão e olhando para ele com tristeza. Mesm o com o bronzeado intenso, Brad podia ver que o filho estava cinza. Dy lan dissera que ele não recobrara a consciência nos dois dias.

Levou seis horas até que a reserva de caça entrasse em contato com o avião. E então m andaram um rapaz de j ipe para a cidade para avisar Brad que o avião estaria no aeroporto às onze daquela noite. Se ele conseguisse levar os feridos para lá, o avião os levaria para o hospital em Lukulu.

Ele aj udou a colocar dois hom ens no j ipe com seus parentes seguindo a pé. E conseguiram um cam inhão para Jason, deitaram -no com cuidado em um cobertor e colocaram -no na carroceria, com Dy lan aj oelhado ao lado dele, e Brad no banco da frente. Quando o avião chegou, duas horas depois do previsto, a tripulação era m ulticor.

Levou quase um a hora para acom odarem todos no avião. E, logo depois, levantaram voo. Para Brad, era com o um a experiência fora do corpo, em um lugar com pletam ente prim itivo, com pessoas que respondiam em seu próprio ritm o. O avião ia aterrissar em um terreno aberto com o qual o piloto estava fam iliarizado, e j á havia um a am bulância esperando. Alguém j á entrara em contato pelo rádio. A am bulância fez três viagens de ida e volta com os feridos, enquanto Brad pagava o piloto e j unto com Dy lan tirava Jason. E finalm ente, quando chegaram ao hospital, ele soube que Jason estaria em m ãos m ais preparadas. A m aior parte da equipe do hospital era britânica, e havia tam bém um m édico neozelandês e um australiano. Era fácil ver por que Jason queria estudar na área de saúde pública e voltar para um país com o este. Eles precisavam de aj uda desesperadam ente, e aqui ele poderia fazer diferença. Se sobrevivesse.

Depois de exam iná-lo, o m édico encarregado disse a Brad e Dy lan que Jason tinha um ferim ento na cabeça de certa gravidade e tinha fluido no cérebro, que estava inchado. E a única m aneira de resolver o problem a era drenando. Em circunstâncias norm ais, não era um a cirurgia com plicada, m as até consertar um braço quebrado era com plicado em um lugar com o este. Brad deu perm issão, e em segundos levaram Jason, enquanto Brad e Dy lan ficaram sentados j untos, conversando e observando as pessoas indo e vindo.

Foi um dia interm inável.

O sol nasceu e eles ainda estavam sentados esperando notícias de Jason. Horas depois, ficaram sabendo que o procedim ento tinha sido feito e que Jason ainda estava vivo, m as não houvera nenhum a m udança visível no estado dele até agora. E não sabiam m ais nada quando o sol se pôs de novo.

Brad e Dy lan se revezavam para sentar ao lado da cam a de Jason, que nem se m exia. Ficaram sentados lá, nunca deixando-o, por três dias. Brad sentia-se cansado e im undo.

Não trocara de roupa, não tom ara banho, nem fizera a barba, m as não deixaria o filho nem por um m inuto. Com iam o que as enferm eiras lhes davam , e no terceiro dia Brad percebeu que Pam não chegara. Perguntou-se se ela estaria esperando por eles na reserva de caça, m as não tinha com o descobrir.

Finalm ente perguntou pelo rádio e o recado que recebeu foi que ela não viria. Mas não tinham m ais detalhes. Era im possível ligar para ela de onde estavam .

E no quarto dia, finalm ente, Jason gem eu de leve, abriu os olhos, sorriu para eles, suspirou e caiu no sono de novo. Por um m om ento de horror, Brad achou que ele tivesse m orrido e agarrou o braço de Dy lan, com olhos arregalados. Mas a enferm eira disse que ele saíra do com a e estava dorm indo norm alm ente. Ele tinha conseguido. Ia sobreviver.

Ele e Dy lan saíram , e choraram , riram e gritaram . Era o m elhor dia de suas vidas. E a sem ana m ais longa que Brad j á tinha vivido.

— Você está cheirando a rato m orto — Dy lan im plicou com o pai, enquanto estavam sentados do lado de fora, com em orando e conversando. Alguém trouxera para eles um pedaço de queij o e de pão. O hospital era m uito prim itivo e com poucas provisões, m as a equipe m édica fora ótim a e salvara a vida de Jason.

— O seu cheiro não é m uito m elhor. — Brad sorriu para ele.

Depois de verem Jason m ais um a vez, Brad pediu a um a enferm eira e ela os levou até um a ducha externa. Só trouxera sua m ala consigo e dividiu as roupas que tinha com o filho. Pelo m enos estavam lim pos quando voltaram para o lado da cam a de Jason, que estava acordado de novo e tentando falar, e o m édico estava satisfeito.

— Você sofreu um golpe e tanto — disse o neozelandês, sorrindo para Jason. — Deve ter um a cabeça m uito dura. — E quando Brad afastou-se com o m édico, este disse que tinha sido um m ilagre o j ovem ter sobrevivido. Dos sobreviventes do acidente, ele fora o m ais gravem ente ferido.

Mais tarde, Brad perguntou se havia algum telefone em algum lugar, e todos riram quando ele disse que queria ligar para os Estados Unidos. O m elhor que poderiam lhe oferecer era um telefone para ligar para a agência dos correios em Ngulwana, onde alguém disse que entraria em contato com a reserva de caça por rádio e pediria para entrarem em contato com a m ãe de Jason nos Estados Unidos, se ela ainda estivesse lá. Levou m ais um dia para receber um a resposta. Usaram a m esm a rota tortuosa para ligar para Pam em San Francisco, e ela estava aliviada por saber que o filho estava "bem ". Estava claro para Brad que ela nunca saiu de lá. E ele se perguntava o que ela achava que "bem " significava. Ela não fazia idéia do que eles passaram . Aos olhos de Brad, não havia desculpa para ela não ter vindo. Não im portava o quanto ela odiara os países em desenvolvim ento, ou a África quando esteve lá dois m eses antes, ela devia ter estado lá. Brad não disse nada para os filhos, m as sabia que nunca a perdoaria por isso. Não havia nada que ela pudesse ter feito, m as devia aos filhos estar lá, assim com o a Brad.

E um dia depois ele usou a m esm a rota tortuosa de rádios e telefones locais para pedir para alguém ligar para Faith em Nova York e dizer que Jason estava vivo e agradecer as suas orações. Brad não tinha dúvida de que elas tinham feito a diferença, e estava m uito triste por ele m esm o não poder ligar e falar com ela, m as não havia com o enquanto estivesse ali.

Três dias depois, um a enferm eira contou que a m ãe de Jason m andara um recado para eles. Ela não poderia vir, m as estava feliz por tudo estar bem . Ela os veria quando chegassem em casa. Foi esse recado que fez a diferença para Brad. A não ser que ela estivesse em com a, não havia nenhum a explicação aceitável por não ter estado ali. Brad não com entou com Dy lan, m as sabia que seu casam ento m orrera naquele dia. Disseram a Jason que a m ãe ficara presa em San Francisco e que era m uito com plicado para ela chegar ali, e ele não questionou, m as Dy lan podia ver no rosto do pai com o se sentia sobre isso, e tentou tranquilizá-lo da m elhor form a que podia.

— Seria m uito difícil para ela estar aqui — ponderou Dy lan, gentil, e Brad assentiu. Não tinha m ais nada para dizer. Eles tinham passado 25 anos j untos, e Brad sem pre acreditara que nos m om entos difíceis poderia contar com Pam . Mesm o que não oferecendo m uito no dia-a-dia. Mas agora que tinha visto que não podia contar com ela, que ela falhara em lhe apoiar em um m om ento que realm ente im portava, ele percebeu tudo que tentara esconder todos esses anos. Pam não era m ais sua esposa nem sua am iga. Era um a revelação devastadora e um a decepção tão enorm e com o ser hum ano que ela era, que m esm o se pudesse ligar, não teria nada para dizer.

O m édico estim ou que Jason ficaria no hospital por um m ês, e ofereceram duas cabanas para Brad e Dy lan, que ficavam sentados com Jason por horas todos os dias e depois saíam para cam inhar no frio das noites. Brad fazia longas cam inhadas sozinho todos os dias quando o sol nascia. Nunca vira um lugar tão bonito quanto este, e era ainda m ais bonito porque Jason não m orrera ali, m as quase, e renascera.

Brad sentia com o se seu próprio espírito tivesse renascido com ele. De repente, sentia-se cheio de esperança, vida e prom essas, o m ilagre não atingira só Jason, atingira os três. E era um vínculo e um a época que Brad sabia que nunca esqueceriam .

E ao voltar de suas longas cam inhadas todas as m anhãs, encontrava-se pensando não apenas nos filhos e agradecendo a Deus por eles, m as tam bém em Faith.

Gostaria que ela pudesse estar lá com eles para ver a beleza do lugar. Ela teria visto o esplendor disso tanto quanto ele. E teria entendido o que significava para ele.

Jason foi de avião para Kalabo um m ês depois de entrar no hospital. Estava cansado e abatido, e perdera m uito peso.

Ainda estava m uito fraco para viaj ar, m as o m édico achava que depois de algum as sem anas descansando na reserva de caça e com endo de form a apropriada, ele poderia fazer a viagem de volta para casa. Três sem anas depois de Jason sair do hospital, disse que j á se sentia bem o suficiente para fazer a viagem . As dores de cabeça que tivera por sem anas finalm ente sum iram .

Foi um dia em ocionante quando foram em bora da reserva de caça e com eçaram a longa viagem para casa. Brad fora à agência dos correios duas vezes para ligar para Faith, esperara horas por um a linha internacional e acabara desistindo. Não havia com o ligar. Não se com unicara m ais nem com Pam . Tinha m uito para dizer para ligar de um a linha ruim em um telefone rem oto na África.

Com o quando Brad chegou, eles pegaram dois aviões para chegar a Londres, e os planos de Brad eram ficar lá por dois dias. Já estava fora há quase dois m eses. E queria que Jason descansasse e consultasse um m édico em Londres antes de term inarem a viagem para casa. E para espanto de todos, quando Jason foi ao m édico, seus exam es foram ótim os.

Descreveram o acidente e o procedim ento que o salvara e m ostraram o prontuário, raios-X e a papelada que estavam levando. E o m édico em Londres disse que ele era um j ovem com um a sorte inacreditável. Poderia facilm ente ter m orrido dos ferim entos que sofrera. Os m édicos não anteciparam nenhum efeito colateral a longo prazo, m as sugeriram que ele pegasse leve por uns dois m eses. Até Jason concordou com um sorriso fraco. Sentia-se com o se tivesse sido atropelado por um trem .

Quando chegaram ao Claridges, Jason ligou para a m ãe e chorou ao falar com ela. E então Dy lan contou tudo a ela, e depois passaram o telefone para Brad, que pediu que ela esperasse e atendeu no outro quarto. Não sentia m ais nem raiva dela. Não levantou a voz. Não a acusou de nada. E não queria escutar as desculpas que tinha certeza que ela daria.

— Graças a Deus ele está bem — exclam ou ela, parecendo nervosa. E prim eiro, houve silêncio do lado de Brad. Não queria que os filhos escutassem a conversa, que fora o m otivo de ter ido para o outro quarto.

— O que você espera que eu diga, Pam ? — Havia m ais de m il coisas cruéis que ele poderia ter dito. Mas a situação parecia séria dem ais para fazer isso, que só faria sentido se ele ainda se im portasse. E não se im portava m ais. O que ela fizera, ou não fizera, fora a gota d'água.

— Desculpe... não consegui ir, Brad. Fiquei presa aqui. — Pelo que Brad sabia, "não consegui ir" era algo que se dizia sobre um a festa ou um ballet, não a um filho que quase m orreu em outro continente. — Eu tentei, m as quando eu poderia ir, ele j á estava bem .

— Ele ainda não está bem , Pam . E não estará por m eses.

— Você sabe o que quero dizer — respondeu ela. — Sabíam os que ele ia viver.

— Parece que isso era suficiente, não é?

— Não sei, Brad... talvez eu estivesse com m edo... odiei aquele lugar... fiquei aterrorizada, e nunca fui boa quando os m eninos ficavam doentes — confessou ela, honesta, m as sem rem orso.

— Ele quase m orreu, Pam . Um a ou duas vezes achei que tivesse. — Brad sabia que nunca esqueceria daqueles m om entos, nem o irm ão de Jason. — A pior parte é que, pelo resto da vida dele, ele saberá que você não fez a m enor questão de aj udá-lo quando ele m ais precisou. É um fardo pesado para ele carregar, para m im não faz m al. Você é m ãe dele, pelo am or de Deus, m esm o tendo escolhido não agir com o esposa.

— Sinto m uito — desculpou-se ela com arrependim ento no final. — Acho que ele entende.

— Se ele entender, você é um a m ulher de sorte. No lugar dele, eu não perdoaria. E se ele perdoar, o que vai sentir?

— Não sej a tão dram ático, Brad. Você estava lá. — Foi a coisa errada de dizer. Só o deixou com m ais raiva dela e m ais enoj ado. Depois disso, ele tentou acabar logo com a conversa. Não tinha m ais nada para dizer.

— É, eu estava. E você não. Acho que isso resum e tudo.

— Com o está a aparência dele? — Ela parecia preocupada. Era o m ínim o que podia fazer.

— Com o se tivesse sido atropelado por um cam inhão. Mas acho que está feliz por estar vivo. Estará em casa em dois dias.

— Brad — ela escutou algo na voz dele que a assustou. Parecia com pletam ente m udado. — Você está bem ?

— Estou — respondeu ele com firm eza. — Jason está vivo, é só o que im porta. Quando chegar aí, nos vem os. — A voz dele era gelada, e quando Pam desligou, franziu a testa. Não era que não se im portava com o filho. Sim plesm ente não quisera ir. Sentiu-se culpada. Mas acabou se absolvendo. Sem pre se absolvia.

Depois de desligar, Brad ligou para Faith e ficou decepcionado ao ver que ela não estava em casa. Ligou de novo tarde daquela noite, depois de acom odar Jason, e Dy lan sair para encontrar alguns am igos. Brad esperou até ter tem po sozinho para conversar com ela. A ligação era m uito im portante para fazer m enos do que isso.

— Brad — ela parecia perplexa por escutá-lo, com o se ele tivesse voltado da m orte. Estivera fora por sete sem anas. Estavam no m eio de j ulho. Ele não a via nem falava com ela desde m aio.

— Com o está Jason?

— Recuperando-se incrivelm ente bem . Senti saudade, Fred. — Ele pôde sentir toda a tensão ir em bora quando escutou a voz dela.

— Ele vai ficar bem ? — Ela rezara sem descanso por ele e fora à m issa duas vezes por dia.

— Vai, ele vai ficar bem . — Brad riu pela prim eira vez em anos. Quase chorou de felicidade por estar falando com ela. — Se for deixar um a torre de igrej a cair sobre sua cabeça, faça isso enquanto é j ovem .

— Fiquei tão preocupada com ele e com todos vocês. — Ela tom ara um a decisão na ausência dele, e ele tam bém . Um a vez que ela soubesse que ele estava são e salvo, não ia m ais falar com ele. Fora um a decisão difícil. Mas a cena no aeroporto quando ele partiu m ostrou a ela tudo que precisava saber. Não podia m ais confiar em si m esm a, nem nele. — Com o está Dy lan? — perguntou ela.

— Ele foi um verdadeiro herói. Passam os um a tem porada surpreendente j untos. Foi extraordinário. Os m édicos disseram que é um m ilagre Jason ter sobrevivido. Acho que tenho de agradecer as suas orações.

Ela sorriu, satisfeita.

— Quase gastei o terço.

— Posso im aginar. — Era tão bom escutar a voz dela.

— Pam conseguiu chegar lá bem ? — Ela não fazia idéia do que acontecera. Não se falaram o tem po todo em que ele esteve fora.

— Ela não foi — respondeu ele sim plesm ente, e não fez m ais nenhum com entário. Mas Faith entendeu tudo que ele não disse. Ela o conhecia bem , em bora não tanto quanto achava. Muita coisa m udara nas planícies da África.

— Entendo. Deve ter sido difícil para você.

— Ficam os bem . Detestava não poder ligar para você. Com o estão as coisas por aí?

— Bem . Tolices em com paração ao que você passou. Alex e eu chegam os a um acordo sobre a casa. Ele vai m e deixar ficar.

— Que gentileza dele.

— Acho que ele se sente culpado por se casar tão rápido.

— Não é para m enos.

— Quando você volta para San Francisco? — Era estranho conversar com ele, principalm ente depois de tom ar a decisão. Mas m esm o escutando-o agora, continuava certa. Ainda m ais porque escutava na voz dele tudo que sentia por ele.

— Voltarem os em dois dias. Não quis exigir m uito de Jason. É um a viagem longa. Ele precisa descansar. Ligarei am anhã. — Ele estava exausto e precisava dorm ir. E o que queria dizer para ela teria de esperar.

— Tenham um a boa viagem . — Ela não tinha nenhum a intenção de estar lá quando ele ligasse no dia seguinte. Deixaria o telefone na secretária eletrônica. Mandaria um a carta para ele em San Francisco. E nada que ele pudesse dizer a faria m udar de idéia. Sabia que estava fazendo a coisa certa, para am bos. Ela não era Alex. Ou Leslie. Não contribuiria para Brad trair a esposa nem causaria um divórcio, independente de quão infelizes eles fossem . Era um a questão de respeito, por todos eles e por ela m esm a.

Conversara m uito a esse respeito com um padre, e então tom ara sua decisão. No final, era sua única alternativa. Para o bem de todos.

Brad caiu na cam a exausto, e com o fizera por sem anas, pegou no sono sonhando com Faith. E em Nova York, ela foi à igrej a e acendeu um a vela para fortalecer sua decisão. O sim ples fato de escutar a voz dele m ostrou a ela com o seria difícil.