Questões sociocientíficas na prática docente: ideologia, autonomia e formação de professores
7 A questão da autonomia docente na formação de professores
7 – A questão da autonomia docente
na formação de professores
A questão da autonomia docente tem sido desenvolvida no contexto
do desenvolvimento profissional dos professores (Sanches, 1995;
Monteiro, 2006; Guerra; Veiga, 2007; Contreras, 2002), de modo
que primeiro devemos perguntar-nos se o trabalho do professor
constitui em si uma profissão, em virtude dos critérios sociais que
caracterizam as profissões.
Segundo Carr e Kemmis (1988), o primeiro critério que deve ser
considerado para estabelecer o trabalho do professor como uma
profissão consiste em evidenciar se os conceitos e práticas
desenvolvidos pelos professores fazem parte de pesquisas e
conhecimentos próprios da comunidade de educadores. O segundo
critério tem a ver com o objetivo social da profissão, relacionado
com os interesses do público atendido no trabalho docente. E o
terceiro critério consiste em estabelecer se o trabalho dos
professores contribui para a construção e o desenvolvimento de sua
autonomia pessoal e social. Historicamente, o ensino visto como
profissão tem enfrentado problemas para atender plenamente a
esses aspectos.
As restrições do ensino como profissão estão relacionadas à
redução da autonomia dos professores nos contextos escolares e
institucionais, no quais os professores atuam hierarquicamente, com
pouca participação em relação à criação de políticas educacionais e
à preparação dos futuros professores, o que evidencia a falta de
autonomia coletiva, embora eles possuam uma relativa autonomia
nas atividades cotidianas que realizam em sala de aula.
A perda da autonomia dos professores está relacionada com a crise
da profissão docente na sociedade, o que é evidenciado nos
processos de proletarização docente, que têm gerado nos professores a perda do controle de seu próprio trabalho (Apple,
1989; 1999a; 1999b; 2006).
A perda do controle do trabalho docente por parte dos professores
está relacionada com o aumento dos processos de
instrumentalização do ensino que implicam o aumento de
habilidades dos professores para pôr em prática as orientações
curriculares definidas por especialistas que ostentam o status
acadêmico de estabelecer aspectos a serem ser aplicados nas
escolas para desenvolver um ensino eficaz.
Segundo Contreras (2002), os professores tenderam a interpretar o
incremento das responsabilidades técnicas do ensino como um
aumento de sua competência profissional, apesar de estarem
subordinados às orientações estabelecidas por agentes externos ao
seu trabalho docente. Dessa forma, foi se constituindo a ideologia
do profissionalismo, entendido com uma forma de justificação e
legitimação de reformas curriculares que eram estabelecidas fora da
realidade da escola e sem a participação ativa dos professores. No
entanto, o autor considera que os processos de proletarização, mas
que abrangem a perda de competências técnicas por parte dos
professores, envolveram a perda do sentido ético próprio do
trabalho de professor, pois a falta de controle sobre seu próprio
trabalho representou uma desorientação ideológica que favoreceu o
desenvolvimento do profissionalismo como uma nova forma
sofisticada de controlar o ensino dos professores.
O profissionalismo justificou reformas administrativas e trabalhistas
para os professores sob a justificativa de melhorar o aprendizado
dos estudantes. Exigiu-se uma intensificação do trabalho docente,
sem oferecer melhores condições laborais em termos de
reconhecimento salarial e processos de qualificação. Assim, o
profissionalismo criou um tipo de obrigatoriedade de trabalho
voluntário entre professores nas escolas, mantendo as mesmas
condições laborais, de tal forma que colaborar nas tarefas definidas
pela diretoria das escolas ou pelos agentes externos destas
constituía um compromisso profissional.
Os problemas ideológicos adjacentes ao profissionalismo são
questionados por Contreras (ibidem), de tal modo que o autor
considera mais pertinente construir um quadro teórico para entender
a questão da autonomia a partir da ideia de profissionalidade que
estaria fundamentada mais no sentido educativo do trabalho
docente, em comparação com a ideia do trabalho docente enquanto
profissão, que estaria fundamentado em características
sociologicamente definidas em termos de compromissos laborais e
estratégias corporativistas. Assim, a profissionalidade vista em
termos de obrigação moral, compromisso com a comunidade e
competência profissional constitui elementos centrais para entender
a autonomia docente.
A obrigação moral implica reconhecer que os professores têm uma
responsabilidade com o desenvolvimento pessoal de seus alunos
acima de seus compromissos contratuais determinados por seu
trabalho docente. Os professores não somente precisam cuidar dos
processos de aprendizagem de seus alunos, mas também precisam
se formar em valores individuais e sociais que levem seus alunos a
agir de acordo com princípios de justiça, igualdade e solidariedade.
O compromisso social vai além da dimensão moral da
profissionalidade, pois articula a dimensão ética como elemento
estrutural dos processos formativos na educação. A ética abrange o
reconhecimento do ensino como uma atividade social que deve
levar em consideração os valores e direitos da comunidade, e não
apenas do indivíduo.
O ensino dos professores não pode ser considerado como um
processo isolado da sociedade, uma vez que é um processo
partilhado na coletividade e, portanto, envolve diferentes problemas
sociais que, apesar de serem evitados em sala de aula, se
expressam nos conflitos entre as experiências culturais dos
estudantes e as experiências acadêmicas dos professores. Por essa
razão, o trabalho dos professores é uma atividade social que alude
à responsabilidade pública desses profissionais em termos de evidenciar formas de pensar os problemas da educação com suas
implicações sociais.
O fato de a educação ter uma conotação social e, portanto, pública
implica que a comunidade pode e deve participar de processos
educativos da escola e do trabalho do professor, o que gera o
conflito entre a competência profissional dos professores para definir
o que devem ensinar e os problemas que a comunidade enfrenta. O
conflito entre a competência profissional do professor e as
necessidades da comunidade mostra que a atuação do professor
pode ter um componente político, porque o ensino não poderia estar
reduzido à atividade em sala de aula, mas também influiria e seria
influenciado por dinâmicas sociais e políticas mais amplas.
O caráter sociopolítico da profissionalidade nos leva a perguntar-nos
se o ensino contribui ou não para dinamizar os processos sociais,
seja para reproduzir ou para legitimar as desigualdades e injustiças
sociais, ou seja, para provocar sua problematização e sua
correspondente transformação. Nesse sentido, a profissionalidade
imprime um caráter coletivo da profissão docente, na medida em
que o ensino interfere de alguma forma na sociedade.
Além da obrigação moral e do compromisso com a comunidade, a
profissionalidade abarca a competência profissional, uma vez que o
trabalho docente também precisa do domínio de conhecimentos e
habilidades específicas sobre os conteúdos que são ensinados nas
escolas.
O grau de realização dos compromissos éticos, morais e sociais do
trabalho do professor também tem relação com o domínio dos
conhecimentos específicos dos professores que orientam sua ação
docente. Contudo, não podemos reduzir a competência profissional
a um processo meramente tecnicista que foca no desenvolvimento
instrumental de formas eficientes do ensino, que na maioria dos
casos não são propostas pelos próprios professores.
A competência profissional tem um significado mais amplo que o
domínio de técnicas, ela está relacionada com dois elementos essenciais que resgatamos neste trabalho. O primeiro deles
corresponde ao conhecimento profissional dos professores de
Ciências, e o segundo elemento corresponde ao caráter crítico e
coletivo da autonomia que fundamenta o processo de ação-reflexão
permanente sobre os conhecimentos profissionais e as práticas
docentes.
O desenvolvimento dos professores de Ciências como profissionais
autônomos implica a construção do conhecimento sobre o ensino de
suas disciplinas. Com tal intuito, vários trabalhos (Porlán; Rivero,
1998; García-Díaz, 1998; Porlán; Rivero; Martín, 2000; Mellado;
González, 2000) têm salientado a necessidade de desenvolver um
conhecimento com respeito aos conteúdos de ensino articulados
com o desenvolvimento profissional dos professores.
Conforme Mellado e González (2000), o conhecimento profissional
necessário para ensinar Ciências é complexo, porque integra
saberes docentes epistemologicamente diferentes de acordo com as
experiências e práticas dos professores. Assim, o conhecimento
profissional é o resultado da integração de saberes e experiências
docentes.
Para Tardif (2000a; 2006), todo conhecimento implica relações entre
a teoria e a prática, então a relação entre pesquisa acadêmica e
pesquisa realizada pelos professores da escola constitui um espaço
social, no qual convergem vários atores possuidores de práticas e
saberes.
Um dos grandes problemas da docência, apontado por Shulman
(1987), Carr e Kemmis (1988) e Tardif (2006), tem sido a falta de
sistematização individual e coletiva das experiências dos
professores, o que implica uma verdadeira ausência de história da
prática, sem a qual é difícil realizar uma análise de seus princípios.
Por essa razão, as pesquisas de Shulman são relevantes, porque
acompanharam professores de diferentes níveis de ensino,
constituindo um importante número de casos, nos quais registram
os raciocínios e ações de professores em serviço.
As contribuições de Shulman (1987) com respeito ao conhecimento
pedagógico do conteúdo são interessantes para a formação de
professores, pois consideramos que esse conhecimento favorece a
construção da autonomia do professor. Contudo, é importante
salientar que a conquista da autonomia não está reduzida ao
conhecimento pedagógico de conteúdo, que permanece ainda na
dimensão pessoal do desenvolvimento profissional do professor,
sendo necessário aprofundar-se em sua dimensão social, pois a
autonomia docente é especialmente um processo coletivo, e não
apenas um processo individual.
A autonomia não pode ser analisada de uma perspectiva
individualista ou psicologista, como se fosse uma capacidade
que os indivíduos possuem. A autonomia, como os valores
morais em geral, não é uma capacidade individual, não é um
estado ou um atributo das pessoas, mas um exercício, uma
qualidade de vida que vivem. (Contreras, 2002, p.197)
A autonomia entendida como capacidade individual tem o perigo de
configurar decisões particulares que excluem outros atores sociais,
bem como pode desconhecer o contexto social no qual é produzida.
Assim, a autonomia não é um atributo que se possui, mas uma
prática de relações que se constrói reflexivamente na ação.
Concordamos com Contreras (ibidem) que a autonomia docente ou
profissional não pode estar desvinculada de construir determinados
contextos, valores e práticas de cooperação, porque se constrói na
dialética entre as convicções pedagógicas e as possibilidades de
realizá-las, de transformá-las nos eixos reais do transcurso e da
relação do ensino. Essas possibilidades se realizam com os
estudantes, pois, se o professor não compreende as circunstâncias
e expectativas dos estudantes, não poderá realizar o trabalho
cooperativo que implica a construção de sua autonomia.
Se a autonomia está vinculada à comunidade, à sociedade, e ela
implica processos dinâmicos de relação, então as qualidades ou as
características dessas relações nos oferecem elementos
interessantes para a construção da autonomia.
Contreras (ibidem) afirma que os professores têm uma interação
com o mundo em que desenvolvem sua prática, um ambiente que
apresenta problemas sociais e políticos que exigem sua
compreensão e problematização em seu desenvolvimento
profissional, com o objetivo de posicionar sua autonomia no campo
pessoal e, especialmente, no campo social. Desse modo, a
autonomia não se desenvolve de forma isolada, mas passa pelo
movimento coletivo, que vai além do valor humano, de busca dos
problemas específicos do trabalho educativo.
Podemos dizer que a autonomia vai preenchendo os espaços
sociais e pessoais habitados pela dependência, fundando novas
responsabilidades, que o professor vai assumindo quando se
encoraja em sua prática docente de acordo com princípios éticos
que respeitam a dignidade e a autonomia de seus alunos (Freire,
2002).
A autonomia dos professores, como um processo pessoal e social, é
conquistada em um processo permanente de reflexão e ação sobre
o trabalho docente. Ninguém conquista individualmente sua
autonomia, pois esta se realiza no encontro dialógico com os outros.
Dessa forma, professores vão crescendo e amadurecendo na
medida em que constituem com seus colegas espaços coletivos de
discussão voltados à educação crítica de seus alunos.
A autonomia vai se constituindo na experiência de várias,
inúmeras decisões, que vão sendo tomadas [...]. Ninguém é
sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém
amadurece de repente, aos 25 anos. A gente vai
amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia enquanto
amadurecimento do ser para si é processo, é vir a ser. Não
ocorre em data marcada. É neste sentido que uma pedagogia
da autonomia tem de estar centrada em experiências
estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em
experiências respeitosas da liberdade. (ibidem, p.120-1)
Para oferecer possibilidades de realização da autonomia docente
nos processos formativos, pensamos que a ideia do professor como pesquisador de sua prática oferece um caminho concreto para
trabalhar os elementos centrais que constituem, em termos de
responsabilidade ética, compromisso social e competência
profissional.
A pesquisa na formação do professor e o
fortalecimento da autonomia docente
Sthenhouse (1987) foi o primeiro a impulsar o movimento educativo
do professor como pesquisador de sua prática, o que oferecia
grandes possibilidades para fortalecer a autonomia dos professores
a partir da análise de seu próprio trabalho docente. Para esse autor,
o professor tem a possibilidade de estudar sua prática
estabelecendo hipóteses, descrições e explicações minuciosas
sobre os processos de ensino que são desenvolvidos em sala de
aula. Dessa forma, a pesquisa favorece o melhoramento do ensino
dos professores porque implica que eles planejem e reflitam sobre
suas atividades diárias.
Elliott (1997) ampliou a reflexão teórica sobre a ideia do professor
como pesquisador de sua prática considerando que o ensino do
professor com prática social pode ser visto como um processo de
pesquisa, porque o estudo dos modos pelos quais os professores
intervêm, experimentam e avaliam diferentes formas de ensinar
conforme determinados pressupostos educativos, no intuito de
favorecer a evolução pessoal e social de seus alunos, pode
constituir um processo de pesquisa.
No entanto, segundo Schön (2000), podemos dizer que o paradigma
da racionalidade técnica na educação reduziu o ensino do professor
à aplicação mecânica de procedimentos ou estratégias
preestabelecidas com o objetivo de alcançar a aprendizagem eficaz
dos estudantes, embora não fosse demonstrado que tais estratégias
melhorassem significativamente nesse aprendizado.
Elliott (1997) defendeu a ideia do professor como pesquisador em
virtude de que o melhoramento do trabalho docente estaria relacionado com a capacidade dos professores de elaborar
conhecimentos sobre sua própria prática. Dessa forma, questionou
a tendência existente na preparação dos professores de aplicar
conhecimentos elaborados fora dos contextos educativos.
Apesar dos esforços dos autores citados em constituir a ideia do
professor como pesquisador de sua prática, Zeichner (1998) alertou,
com razão, que esses esforços foram importantes para produzir
uma literatura acadêmica relevante sobre a pesquisa dos
professores, mas as limitações estariam na falta de utilização dos
conhecimentos elaborados pelos próprios professores para repensar
a prática docente de professores em serviço e universitários. Assim,
o autor defendeu a necessidade de uma interação colaborativa entre
as vozes dos professores das escolas e daqueles universitários,
dada a existência de uma barreira entre o mundo da pesquisa
acadêmica e o mundo da pesquisa que o professor realiza de sua
prática.
Acredito que podemos ultrapassar a linha divisória entre os
professores e os pesquisadores acadêmicos de três modos: 1)
comprometendo-nos com o corpo docente em realizar ampla
discussão sobre o significado e a relevância da pesquisa que
conduzimos; 2) empenhando-nos, nos processos de pesquisas,
em desenvolver uma colaboração genuína com os professores,
rompendo com os velhos padrões de dominação acadêmica; 3)
dando suporte às investigações feitas por professores (forma
como os professores preferem se referir aos seus trabalhos nos
EUA) ou aos projetos de pesquisa-ação, e acolhendo
seriamente os resultados destes trabalhos como conhecimentos
produzidos. (ibidem, p.229)
Com o trabalho de Zeichner, a ideia do professor como pesquisador
é fortalecida em termos colaborativos, o que é relevante, porque
transcende a pesquisa individual do professor realizada em sala de
aula para pensar a pesquisa como uma construção coletiva
realizada entre professores de escolas e professores universitários comprometidos com a formação continuada de professores, bem
como com o melhoramento das práticas do ensino básico.
Zeichner, além de enfatizar o trabalho colaborativo como um
elemento central na formação do professor pesquisador, também
salientou a importância da reflexão sobre o contexto social e político
da escola e o papel social que ela tem na construção de uma
sociedade mais justa. A pesquisa realizada a partir da reflexão
crítica da ação docente deve avançar para melhorar a formação
profissional e, portanto, oferecer melhores serviços para a
sociedade e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Também
deve favorecer um controle do conhecimento e das teorias que são
utilizadas pelos professores, de tal forma que eles possam ter o
controle de seu próprio trabalho docente. >E, por último, deve
contribuir para a construção de uma sociedade democrática,
influenciando, desde o âmbito escolar, os processos de mudança
social necessários para que se construa uma sociedade justa, na
qual todos os cidadãos tenham acesso a uma vida digna e decente
(Zeichner; Diniz-Pereira, 2005).
O professor, como pesquisador, faz parte de uma perspectiva de
formação de professores voltada para a reconstrução social, na qual
o ensino é concebido com uma atividade crítica, uma prática social
com compromisso ético e transformador.
A perspectiva da reconstrução social compreende o professor como
um profissional autônomo que reflete criticamente sobre sua prática
diária com o objetivo de entender os processos de ensino e
aprendizagem que orienta em sala de aula, bem como com o
objetivo de pensar e transformar o ensino no contexto social no qual
é produzido (Pérez-Gómez, 1998).
O professor, como pesquisador das questões das qualidades da
profissão, oferece-nos um quadro teórico interessante para pensar a
autonomia docente como um processo reflexivo, coletivo e crítico
que visa o desenvolvimento pessoal e social dos professores e, por
conseguinte, visa a formação de cidadãos comprometidos com a construção de uma sociedade plenamente democrática, o que
implica a emancipação individual e coletiva do ser humano.
Assim, não podemos abandonar a ideia da autonomia docente
entendida como um processo emancipatório guiado por valores de
justiça, igualdade e liberdade, tanto individual quanto social, porque
abandonar tal ideia implica aceitar que a autonomia é reduzível a
preparar indivíduos insensíveis às injustiças, às desigualdades e
aos processos de dominação existentes na sociedade em que
vivemos.
No intuito de constituir elementos teóricos para analisar a prática
dos professores de Ciências voltada ao trabalho com questões
sociocientíficas (QSC), na seguinte parte do livro, apresentamos
algumas considerações sobre a Análise de Discurso Crítica, de tal
forma que seja possível desvelar as contribuições e as dificuldades
que os professores enfrentam ao trabalharem QSC em sua prática.
Da mesma forma, a análise de discurso possibilita compreendermos
as formas como a autonomia docente se reconfigura nessas
práticas dos professores.
Precisamente, a análise da abordagem de QSC na prática do
professor exige o uso de dispositivos analíticos próprios das teorias
de discurso que favoreçam a compreensão das interações
estabelecidas entre os alunos e os professores, no decorrer de
discussões controversas sobre as implicações sociais da ciência e
da tecnologia.