Seu amigo esteve aqui
Companheiros de Breno
A seguir, resumos da trajetória de vida de pessoas que conheceram Breno e deram depoimentos para este
livro. Tais resumos foram redigidos a partir de textos escritos por eles próprios – à exceção de Dilma
Rousseff, cujo perfil biográfico é uma seleção dos dados apresentados no site da Presidência da
República.
Afonso Celso Lana Leite
Mineiro de Rio Casca, aproveitou os oito anos de exílio na antiga RDA para se formar em artes plásticas
na Hochschule für Bildende Kunst, em Dresden. Retornou ao Brasil em meados de 1981 e ingressou, após
concurso, como docente no Departamento de Artes Plásticas da Universidade Federal de Uberlândia,
onde fez mestrado em teoria literária e leciona até hoje. Militante da Colina, foi preso com outros
membros da organização em janeiro de 1969, em Belo Horizonte, após cerco policial a um aparelho no
bairro de São Geraldo. Em 1971, foi banido do país junto com 69 presos políticos trocados pelo
embaixador suíço. Após o golpe militar do Chile, foi enviado pela ONU para a RDA.
Alfredo Wagner Berno de Almeida
Professor universitário, doutor em antropologia e membro do Conselho Científico da SBPC. Foi preso
em novembro de 1970 e permaneceu em prisões militares até fevereiro de 1972. Do dia de sua prisão até
março de 1971 foi mantido incomunicável e sofreu maus-tratos no DOI-Codi da rua Barão de Mesquita,
na Tijuca (RJ). Sua prisão só foi oficializada em janeiro de 1971. Levado a julgamento em Auditoria
Militar em março de 1972, foi absolvido.
Ana Matilde Tenório da Motta
Jornalista, professora de português e tradutora, vive no litoral de São Paulo “na companhia de felinos de
estimação e amigos, bem-vindos, que por lá aparecem”. Não perdeu o interesse pela política e continua
acreditando nos ideais da época de militância. Da instauração do AI-5 até o asilo na embaixada do
México, após o golpe no Chile, abandonou o nome de batismo e só usou os vários nomes de guerra
adotados na militância. Com a anistia, o nome verdadeiro foi reabilitado e ela pôde retomar sua vida
privada, interrompida onze anos antes.
Angela Maria Pezzuti
Mineira de Araxá nascida em 1933, mudou-se em 1964 para Belo Horizonte, onde mora até hoje, com a
filha, o genro e a neta. Por mais de 26 anos trabalhou na UFMG, onde foi diretora do Departamento de
Administração. Após as prisões da irmã Carmela e dos sobrinhos Angelo e Murilo, começou a participar dos movimentos pela redemocratização do país, em especial o da anistia, dando apoio direto a presos
políticos e exilados. Foi vice-presidente do Movimento Feminino pela Anistia/MG. Aposentada,
participou da criação da Organização dos Aposentados e Pensionistas/UFMG, na qual continua
militando.
Angelina Dutra de Oliveira
Nasceu em 1923, em São Domingos, antigo distrito de Mariana, hoje município de Diogo de Vasconcelos
(MG). Foi servidora pública por quarenta anos na Rede Ferroviária Federal, desde 1944. Sindicalista,
assumiu a direção da União dos Servidores Públicos Federais de Minas Gerais de 1960 a 1964, período
de grande efervescência política. Nessa época, foi dirigente do Movimento de Mulheres Mineiras. Com o
golpe militar, foi presa e passou um mês incomunicável. Em 1969, enfrentou novamente a cadeia e, dessa
vez, ficou detida por quarenta dias no Corpo da Guarda da Polícia do Exército de Realengo (RJ). Com a
prisão preventiva decretada, exilou-se na Argélia no final de 1970, onde foi morar com a filha Maria do
Carmo Brito, igualmente exilada. Aposentada e viúva, é também mãe de Walkíria, Lótus e Maria das
Graças. Tem nove netos e sete bisnetos.
Antonio Cunha Losada
Nasceu em Bagé (RS). Dirigente sindical, começou a militância política na Juventude do PCB, em 1946,
até ser cassado e preso, em 1964. Em seu estado, participou dos principais eventos de resistência
popular ao golpe. Militou com Dilma Rousseff, organizando o setor operário da VAR-Palmares. Preso em
outubro de 1973, foi condenado a dez anos de reclusão pela LSN, mas, beneficiado pela Lei da Anistia,
deixou a cadeia em 1979. No período de redemocratização do país, ajudou a fundar o PT e a CUT.
Candidato a deputado estadual em 1982, foi o mais votado em Porto Alegre e o terceiro mais votado no
estado. Eleito vereador da capital gaúcha, foi conselheiro e delegado do Orçamento Participativo na
Região Sul. Atualmente é ativista social no coletivo Ação Comunitária, em Porto Alegre.
Antonio Roberto Espinosa
Jornalista e professor de política internacional, é doutor em ciências pela USP. Foi editor-chefe da
revista Abril Cultural e do jornal Primeira Hora e colaborou com a imprensa alternativa. Leciona na
Escola Superior de Diplomacia e na Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais. Reside na cidade em que
nasceu, Osasco (SP), onde foi um dos líderes da famosa greve de 1968. Membro do comando da VPR a
partir de fevereiro de 1969, integrou, posteriormente, o comando nacional da VAR-Palmares até sua
prisão, em 21 de novembro de 1969, no bairro do Lins de Vasconcelos (RJ), juntamente com Chael
Charles Schreier, morto durante tortura na PE da Vila Militar, e Maria Auxiliadora Lara Barcellos, a
Dodora, que, em consequência das torturas sofridas, suicidou-se em 1975 na antiga RDA. Passou quatro
anos na prisão, sem julgamento. Em 1977 foi condenado a três anos e nove meses de reclusão.
Antonio Ribeiro Romanelli
Mineiro de Sete Lagoas nascido em 1928, é formado em direito pela UFMG. Foi um dos fundadores e
primeiro presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de Minas Gerais. Com companheiros, fundou
as Ligas Camponesas de Minas Gerais e foi eleito seu presidente. Nas Ligas conheceu e começou a
admirar Carlos Alberto Soares de Freitas, “por sua generosidade, autenticidade e coragem”. Preso em 1964, foi condenado a nove anos de cadeia, mas optou pelo exílio. Foi para o Chile com o auxílio do
escritor Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athaide) e lá viveu cerca de cinco anos. Foi professor de
direito na Faculdade Milton Campos e na PUC-Minas, onde lecionou por 22 anos. Juiz do Tribunal
Regional Eleitoral de Minas Gerais por quatro anos, recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo
Horizonte. Aposentado, escreveu 1964 – Minhas histórias do cárcere e do exílio. Está concluindo suas
memórias do exílio.
Apolo Heringer Lisboa
Nascido em 1943, formou-se em medicina pela UFMG em 1967. Desde 1980 é professor da instituição.
Líder estudantil a partir de 1962, participou de movimentos de resistência à ditadura e sofreu
perseguições. Entre 1968 e 1973, viveu na clandestinidade em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Baixada
Fluminense (RJ), sem poder exercer legalmente a medicina. Exilado em 1973, morou no Chile, Argentina,
Argélia, França e Bélgica. Voltou ao Brasil com a anistia. Participou da criação do PT em Minas e de
movimentos de trabalhadores rurais nos vales do Jequitinhonha e Mucuri. Prepara tese de doutorado
sobre o processo de mobilização e educação no Projeto Manuelzão (do qual foi fundador, em 1997), que
atua nas áreas de saúde, meio ambiente e cidadania para a recuperação hidroambiental da sub-bacia do
rio das Velhas, da bacia do São Francisco.
Carlos Alberto Vieira Muniz
Vice-prefeito da cidade do Rio de Janeiro e secretário de Meio Ambiente, foi presidente da
Superintendência de Rios e Lagoas em 1977, e da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente,
de 1987 a 1990. Estudou no Colégio Pedro II e cursou a Escola Nacional de Engenharia. Liderança
estudantil, foi presidente da UME de 1968 a 1969. Após o AI-5, atuou vários anos na clandestinidade na
luta contra a ditadura militar. Exilado no Chile e depois na França, cursou economia na Universidade de
Paris VII, com especialização nas áreas de planejamento econômico e consultoria, tendo concluído o
doutorado em 1976.
Carlos Avelino Fonseca Brasil
Gaúcho, é médico e trabalha com medicina alternativa – fitoterapia, homeopatia, alimentação natural e
medicina ortomolecular. Cultiva e manipula ervas medicinais. Mora em Porto Alegre, mas, de tempos em
tempos, passa longas temporadas no município de Osório, onde possui uma propriedade rural.
Carlos Franklin Paixão de Araújo
Nasceu em 1938, em São Francisco de Paula (RS). Aos quinze anos ingressou na Juventude Comunista.
Aos dezenove, rompeu com o PCB e, com dezenas de jovens, formou o Centro de Estudos Castro Alves.
Aos vinte anos ingressou nas Ligas Camponesas e foi um de seus dirigentes, ao lado de Francisco Julião.
Juntamente com o pai e o irmão, foi preso em 1964. Um dos fundadores e dirigentes da VAR-Palmares,
foi preso em São Paulo, em agosto de 1970. Barbaramente torturado durante os interrogatórios, foi
condenado e permaneceu quatro anos preso. Libertado em 1974, ajudou a fundar o PDT. Foi deputado
estadual por três legislaturas, deixando de concorrer por motivo de doença crônica (enfisema pulmonar).
Sempre participou do movimento sindical, inclusive como advogado exclusivamente de trabalhadores
desde 1961.
Carlos Henrique Vianna Pereira
Engenheiro, vive e trabalha em Lisboa desde 1988. Dedica-se também ao associativismo imigrante:
preside a Casa do Brasil de Lisboa, da qual foi cofundador. Carioca, começou a militância em 1967, na
Dissidência Secundarista. Passou pela DDD e, em 1969, entrou na VAR-Palmares. Viveu seis anos no
exílio: no Chile e, após o golpe, na Argentina. Voltou ao Brasil em 1977 e, ao ser interrogado no DOI-
Codi, no Rio, negou ter conhecido Breno, Sergio Campos e outros companheiros. Não se reconheceu
como militante da VAR. Agora, em seu depoimento para este livro, assumiu a militância clandestina em
homenagem a Breno e Sergio Campos: “Ter convivido com Breno, infelizmente por tão pouco tempo, foi
um privilégio. Com Sergio, é um privilégio de toda uma vida.” Após o exílio, militou no PC do B e no
PRC. Foi cofundador do PT de Lisboa, mas afastou-se da militância político-partidária há muitos anos.
Chaim Samuel Katz
É psicanalista, escritor (autor de nove livros e coautor de mais de quarenta) e tradutor. É membro titular
da Academia Brasileira de Filosofia e fundador da Formação Freudiana. Doutor pela UFRJ, foi
professor de graduação e pós-graduação em várias universidades (UFRJ, Uerj, Medicina e Cirurgia e
PUC-Rio). Foieeditor de Tempo Brasileiro. Ex-membro da Polop.
Cláudio Galeno de Magalhães Linhares
Nasceu na cidade mineira de Ferros, em 1942. É jornalista e militante político. Nos anos 1960, trabalhou
nos jornais Correio de Minas e Ultima Hora. Em 1961 já militava na Polop e participou da resistência à
tentativa de golpe contra João Goulart. Poucos dias depois do golpe de 1964, foi preso pela Marinha de
Guerra junto com centenas de marinheiros e encaminhado ao presídio da ilha das Cobras, no Rio de
Janeiro. Foi fundador da Colina e, posteriormente, da VAR-Palmares. Viveu dez anos no exílio, primeiro
em Cuba, em seguida no Chile e, com a queda de Allende, na Europa. Regressou ao Brasil em 1979, após
a anistia. Casado com uma nicaraguense, vive em Manágua. Tem duas filhas e quatro netas.
Dilma Vana Rousseff
Mineira de Belo Horizonte, iniciou-se na política aos dezesseis anos. Militou com Carlos Alberto Soares
de Freitas na Polop, na Colina e na VAR-Palmares, onde conheceu Carlos Araújo, que viria a ser seu
marido, pai de sua filha. Em janeiro de 1970, foi presa em São Paulo. Condenada por subversão, passou
quase três anos no Presídio Tiradentes. Libertada, foi morar em Porto Alegre. Retomou os estudos na
UFRGS e, com o marido, ajudou a fundar o PDT no Rio Grande do Sul. Foi secretária municipal de
Fazenda na gestão de Alceu Collares, fez campanha para Leonel Brizola à Presidência da República e, no
segundo turno, apoiou Luiz Inácio Lula da Silva. Foi secretária estadual de Minas, Energia e
Comunicação nos governos de Collares e Olívio Dutra. Em 2003, com Lula presidente, tornou-se
ministra de Minas e Energia, depois ocupou a chefia da Casa Civil e, aos 63 anos, foi eleita a primeira
mulher presidente do Brasil, com quase 56 milhões de votos.
Dilmar Santos de Miranda
Nasceu em Campos (RJ). Em 1963 fez o curso de formação de educadores que iriam integrar o Programa
Nacional de Alfabetização para a aplicação do Método Paulo Freire. Na época militava na AP, que
passou à clandestinidade após o golpe de 1964. Formado em ciências sociais em 1968, pela Uerj, trabalhou até 1973 no Movimento de Educação de Base, organismo vinculado à CNBB. De 1975 a 76,
morou na França para cursar o mestrado e o doutorado, interrompido, na Universidade de Ciências
Humanas de Estrasburgo. De volta ao Brasil, foi morar em Fortaleza em 1977, militando no Comitê
Brasileiro pela Anistia. Filiado ao PT até 1988, foi secretário de Educação da prefeita Maria Luiza
Fontenelle. Desde 1984 é professor da Universidade Federal do Ceará, nas áreas de sociologia, filosofia
da arte e estética musical.
Élcio Reis
Advogado desde 1963, fez pós-graduação em direito administrativo na UFMG. Na fundação do PT
mineiro, conheceu a advogada Sandra Starling, com quem elaborou o anteprojeto do estatuto do partido,
debatido em todo o estado entre trabalhadores de diversas categorias profissionais. Participou
ativamente do PT, sendo candidato, em 1982, a deputado estadual e, quatro anos depois, em 1986, ao
Senado. Em 1984, junto com Sandra, constituiu a sociedade Élcio Reis e Advogados Associados, que
presta serviços em diversas áreas, como direito agrário, previdenciário, eleitoral, constitucional,
trabalhista, sindical, com sede em Belo Horizonte e filiais no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Élvio Carlos Moreira
Mineiro de Santa Bárbara, é veterinário, formado pela UFMG em 1964. Nos primeiros anos de
profissão, trabalhou na Secretaria da Agricultura, mas em 1967 foi lecionar na Escola de Veterinária da
UFMG, onde permaneceu até a aposentadoria, em maio de 2009. Em 2012 recebeu o título de Professor
Emérito da UFMG. Especialista em saúde pública, mestre e doutor em ciência animal, foi pesquisador
durante 25 anos do CNPq e consultor da FAO e da Organização Pan-Americana da Saúde. Prestou
consultoria para o laboratório nacional Biostream, onde desenvolveu a vacina Helvac, usada para a
proteção de bovinos, bubalinos, caprinos e ovinos. Atualmente é microempresário e mestre
alambiqueiro, sócio majoritário da empresa Garrincha Etílico, produtora das cachaças Morena Garbosa
e Do Professor.
Fernando Damata Pimentel
Economista e professor da UFMG, foi prefeito de Belo Horizonte de 2001 a 2008, cidade em que
também foi secretário de Fazenda de 1993 a 2000. Nos anos 1960 militou na Colina, quando conviveu
com Beto, e na VPR. Foi preso em Porto Alegre, em 1970, e cumpriu três anos e meio de prisão política.
É ministro de estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Dilma Rousseff.
Fernando Goldfarb
Economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de Lund, Suécia,
esteve exilado por vários anos, primeiro no Chile, até a queda de Allende, e depois na Suécia. Desde o
retorno ao Brasil, em 1979, trabalha na cidade do Rio de Janeiro. A experiência sueca fortaleceu seu
ideal da militância nos marcos de uma sociedade democrática – “a conquista de uma sociedade mais
justa, com educação, saúde e menor desigualdade de renda”. É casado e pai de uma filha, nascida em
Belém.
Geraldo Leite
Natural de Santos, começou sua militância política na AP, em São Paulo, dentro do movimento estudantil.
Engenheiro agrônomo, trabalhou no Incra, no Rio de Janeiro, período em que militou na VAR-Palmares.
Foi preso pela primeira vez em dezembro de 1971. De volta a São Paulo, trabalhou no governo do
estado, mas em 1974 foi preso pela Operação Bandeirantes. Anistiado em 2002, retornou ao Incra, onde
trabalhou até se aposentar.
Gilberto Martins Vasconcelos
Tinha “laços de verdadeira amizade” com Breno e o acompanhou na militância desde os tempos da
Polop. Morou com ele em um apartamento em Copacabana quando foi deslocado para o Rio de Janeiro,
após o desmantelamento da Colina em Belo Horizonte. Nesse período, já clandestino, namorava Suely
Ferreira Vasconcelos, com quem se casou anos mais tarde, mas em sigilo: “Ninguém da organização
sabia, era uma relação também clandestina.” Em dezembro de 1969, mudou-se para São Paulo para
coordenar o setor operário da VAR-Palmares, subordinado ao comando regional de Dilma Rousseff, mas
foi preso pela Operação Bandeirantes no mês seguinte. Transferido para o presídio de Linhares, em Juiz
de Fora, foi solto em abril de 1972. É advogado e foi professor da Faculdade de Direito da Universidade
de Uberaba e da Faculdade de Filosofia e Letras São Tomás de Aquino, também em Uberaba, onde mora.
Hélio Pereira Carvalho
Formado em geografia, com extensão em geopolítica e em filosofia e com mestrado em filosofia das
ciências, fez também pós-graduação em economia, estudando os sistemas econômicos comparados. Nos
últimos trinta anos trabalhou na área de tecnologia da informação.
Inês Etienne Romeu
Mineira de Pouso Alegre, chegou a Belo Horizonte em 1960, ingressando na Faculdade de Sociologia da
UFMG, onde conheceu Carlos Alberto Soares de Freitas e o grupo de jovens que tinham na política uma
de suas afinidades. Com Beto e outros amigos, criou o Bucheco, centro de reuniões alegres da juventude
belorizontina que visava sustentar a militância política. Inês militou com Beto na Poplop, na Colina e na
VAR-Palmares até outubro de 1969, quando deles se distanciou, indo para a VPR. Foi presa no dia 5 de
maio de 1971 pelo delegado Sérgio Fleury. Única sobrevivente da Casa da Morte, em Petrópolis, foi
libertada após a edição da Lei de Anistia, no dia 29 de agosto de 1979. Formou-se em história no início
dos anos 1980, tendo, posteriormente, trabalhado no Arquivo Público do Estado de São Paulo, do qual
foi diretora.
Jorge Eduardo Saavedra Durão
Advogado, com curso de antropologia social no Programa de Pós-graduação do Museu Nacional/UFRJ
(1975-77), começou a trabalhar logo depois, a partir de 1977, na organização não governamental Fase,
que há cinquenta anos busca construir uma sociedade sustentável e democrática atuando contra as
desigualdades. Foi fundador e primeiro presidente da Associação Brasileira de Ongs (Abong). Militante
político de 1964 a 1970, quando foi preso em São Paulo, passou por PCB, DDD, Colina e, em 1969,
ingressou na VAR-Palmares. Fez parte do comando nacional da organização, após o congresso de
Teresópolis em que se deu o racha com a nova VPR. Participou da fundação do PT e foi membro da Comissão Diretora Regional Provisória e do Diretório Estadual do Rio de Janeiro até 1985, quando se
afastou da militância partidária.
Jorge Raimundo Nahas
Médico, ex-militante da Colina e da VPR. Preso em janeiro de 1969, foi um dos quarenta militantes
libertados em troca do embaixador alemão, em 1970. Exilou-se em Cuba, onde terminou o curso de
medicina, e regressou ao Brasil em outubro de 1979, com a anistia. Exerceu a profissão em diversas
instituições hospitalares de Belo Horizonte. Foi também consultor do Ministério da Saúde e, desde 2003,
ocupa o cargo de secretário municipal de Políticas Sociais da Prefeitura de Belo Horizonte. É um dos
fundadores do PT, tendo exercido funções e cargos na estrutura partidária municipal, estadual e nacional.
José Aníbal Peres de Pontes
Nasceu em Guajará-Mirim (RO), em 1947. Após o golpe de 1964, passou a frequentar grupos de
esquerda em Belo Horizonte, onde estudava. Ao lado de amigos como Inês Etienne Romeu, Dilma
Rousseff, Apolo Heringer Lisboa, Carlos Alberto Soares de Freitas e Guido Rocha, ingressou na Polop.
Em 1969, junto com Dilma Rousseff e outros dezessete militantes da Polop, foi para o Rio de Janeiro e
passou a viver na clandestinidade. Partiu para o exílio em 1973, primeiro para o Chile, depois para a
França. De volta ao Brasil em 1979, instalou-se em São Paulo, ajudou a fundar o PT e disputou a eleição
para a Câmara dos Deputados pelo PMDB, em 1982. No final da década, filiou-se ao PSDB. Em 1993,
assumiu o primeiro de seus cinco mandatos como deputado federal. Foi secretário de estado no segundo
governo de Mário Covas e no atual de Geraldo Alckmin, onde comanda a pasta de Energia.
José Maria Rabelo
Jornalista, criou em Minas Gerais o jornal Binômio, um dos precursores da imprensa alternativa
brasileira. Trabalhou nos principais jornais de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. Por conta do golpe
de 1964, passou dezesseis anos no exílio: na Bolívia, no Chile e na França. De volta ao Brasil, dirigiu o
jornal O Pasquim e a revista Cadernos do Terceiro Mundo. É autor dos livros Binômio: o jornal que
virou Minas de cabeça para baixo, Diáspora: os longos caminhos do exílio e Residência provisória:
os sentimentos do exílio.
Lótus Dutra de Oliveira
Mineira de Belo Horizonte, filha de dona Angelina, viveu na cidade até maio de 1964, quando, por força
da situação política da época, mudou-se para o Rio de Janeiro. Trabalhou no MAM com a militante
feminista Carmen Portinho, de quem era secretária; na Enciclopédia Mirador Internacional, com o
professor Antonio Houaiss; e na Funarte, onde ocupou o cargo de assessora técnica da diretoria executiva
até abril de 1994, quando se aposentou. Tem dois filhos e dois netos, que nasceram e moram em
Barcelona.
Lucia Marly de Oliveira Abreu
Socióloga industrial, iniciou seus estudos na UFMG, interrompidos em 1968 e concluídos na França em
1974. Fez pós-graduação em sociologia industrial na Universidad de la República do Uruguai. De volta do exílio no Chile, no Panamá e na França, viveu em São Paulo, onde participou do movimento de
fundação do PT e da CUT. Trabalhou na prefeitura de Belo Horizonte até 2009. Atualmente integra o
conselho deliberativo da Sociedade de Amigos do Memorial da Anistia. Ex-militante da Polop e da
Colina, viveu clandestina no Rio de Janeiro de 1969 a início de 1973. Integrou o grupo de militantes
liderado por Guido Rocha, que defendia a convocação de uma Constituinte como estratégia de
mobilização das forças democráticas e populares contra a ditadura.
Maria do Carmo Brito
Mineira como a mãe, dona Angelina, e a irmã, Lótus, cursou sociologia e política na UFMG, mas
interrompeu os estudos em 1962, só os concluindo em 1968, na UFF, já no Rio de Janeiro. Aos dezenove
anos, casou-se com Juarez Guimarães de Brito, com quem viveu até sua morte, em 19 de abril de 1970.
Foi dirigente da VAR-Palmares e, após o racha, foi dirigente da VPR. Presa em 18 de abril de 1970, foi
banida para a Argélia em junho. Em janeiro de 1971, já no Chile, casou-se com Angelo Pezzuti, com
quem teve seu primeiro filho. Viveu no país até a derrubada de Allende, quando se exilou no Panamá e,
posteriormente, na Bélgica. Após a Revolução dos Cravos, mudou-se para Portugal, onde viveu até a
anistia no Brasil. Nesse período, passou um ano e meio em Angola. De volta ao Brasil, teve, com Chizuo
Osava, o Mário Japa, sua segunda filha. Avó de duas netas, é funcionária da Faperj.
Margaret Refkalefski
Nascida em Roraima, ainda jovem mudou-se para Belém. É assistente social, atriz, professora e
produtora cultural. Técnica da UFPA, trabalha com montagens teatrais e projetos culturais. Fez mestrado
em artes dramáticas e doutorado em estudos de práticas artísticas, ambos na Universidade de Quebec, no
Canadá. De volta à UFPA, coordenou o projeto de reforma e adaptação do Teatro Universitário Cláudio
Barradas, do qual foi diretora até o final de 2011, quando se aposentou. Começou a militância no
diretório da Faculdade de Serviço Social e, posteriormente, ingressou em organizações clandestinas,
entre elas a VAR-Palmares, onde conheceu Breno.
Maria de Lourdes Siqueira
Maranhense, nasceu no município de Codó, em um lugar chamado Quilombo dos Matões dos Moreira. Ao
longo da vida, além da militância política, construiu um respeitado currículo acadêmico e profissional:
fez doutorado em antropologia, em Paris, e pós-doutorados na Universidade de Londres e na University
of South Africa. É professora aposentada da UFBA; técnica em educação do Incra; coordenadora
estadual do Movimento de Educação de Base, no Maranhão; e ex-coordenadora nacional do Movimento
Negro Unificado. Dirige a Associação Cultural do bloco afro Ilê Aiyê. Realiza estudos e pesquisas na
área da antropologia de populações afro-brasileiras, com foco em culturas, religiões e organizações da
ancestralidade e resistência africana no Brasil.
Olga D’Arc Pimentel
Nasceu em Goiânia, em 1948. Em 1969, devido a perseguições políticas, mudou-se para o Rio de
Janeiro, onde militou na Colina e na VAR-Palmares. Presa e torturada no DOI-Codi, sofreu um aborto.
Foi companheira de Cláudio Jorge Câmara durante treze anos. Tem uma filha e um filho (que se chama
Breno em homenagem a Carlos Alberto Soares de Freitas). Anos depois, militou no MR-8. Socióloga aposentada da Fiocruz, há seis anos vive num barco, na Reserva do Tupê, Zona Rural de Manaus, onde
trabalha como voluntária com a questão ambiental e o resgate das tradições indígenas.
Oroslinda Maria Taranto Goulart
Formada em comunicação social pela UFMG, militou na Polop, na Colina e na VAR-Palmares, época em
que conviveu com Breno. Filiada ao PT mineiro, reside em Brasília, onde trabalhou no Ministério da
Educação e Cultura como assessora especial do ministro Fernando Haddad, coordenando o Projeto
Nacional de Mobilização Social pela Educação. Atualmente, exerce o cargo de chefe de gabinete da
ministra Eleonora Menicucci, titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Dilma
Rousseff.
Osmar Mendonça
Advogado com vasta experiência em planejamento municipal. Nos anos 1980, foi membro da diretoria do
Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e um dos líderes da histórica greve do ABC. Foi
preso na igreja Matriz de São Bernardo, durante assembleia sindical.
Rafton Nascimento Leão
Nasceu em Rio Verde, Goiás. Aposentado, milita no PSB. É membro do diretório nacional e da executiva
estadual do partido no Rio de Janeiro. Começou sua atividade política cedo, antes do golpe de 1964, na
Polop de sua cidade. Em Goiânia, filiou-se à VAR-Palmares, mas em seguida foi atuar na organização em
Brasília e, mais tarde, no Rio de Janeiro. No final de 1970, clandestino, deixou o país. Exilado no Chile,
com o golpe de 1973 mudou-se para a Suécia e depois para Moçambique. Tem três filhos que moram na
Inglaterra (um deles se chama Breno, em homenagem a Carlos Alberto Soares de Freitas).
Raul Moura Ellwanger
Gaúcho, estudante de direito na PUC de Porto Alegre em 1966, fez estágio no escritório de direito
trabalhista de Afrânio Araújo e Carlos Araújo. Participou da reunião na Cavalhada, quando Breno foi
apresentado ao grupo do Sul. Ativista na UNE e na zona industrial de Porto Alegre, era também
compositor de canções de protesto, participando de festivais de música em 1968. Esteve no congresso do
racha, quando a VAR-Palmares e a VPR se separaram. Sem condições de permanecer em Porto Alegre,
foi deslocado para trabalhar, sob a direção de Breno, no setor principal da VAR. Em janeiro de 1970,
com a queda de Dilma Rousseff, passou a integrar o comando regional de São Paulo. Exilado no Chile e
na Argentina, deixou de militar, dedicando-se à música. Foi condenado pela LSN em janeiro de 1971.
Hoje participa do Comitê da Verdade e Justiça do Rio Grande do Sul e trabalha com música e turismo.
Regis Antonio Duarte Gonçalves
Foi do grupo fundador da Polop e militou na organização até 1968. Estudou sociologia na UFMG, onde
conheceu Carlos Alberto Soares de Freitas, com quem manteve estreito contato até o golpe de 1964. Na
época, vinha desenvolvendo, paralelamente, um trabalho sindical com os bancários, então sua categoria
profissional, e de organização de núcleos comunitários em favelas de Belo Horizonte. Entre 1964 e 1968,
militou nos núcleos de imprensa e de formação de quadros da Polop. Rompeu com a organização por discordar da posição majoritária, que preconizava a luta armada contra a ditadura. Na ocasião, ingressou
no jornalismo, profissão que exerce até hoje.
Reinaldo José de Melo
Mineiro, iniciou a militância em 1966, na Polop. Em 1967, estudante de geografia na UFMG, integrou o
comando da Área Estratégica da Colina sob a direção de Breno, onde permaneceu até outubro de 1969,
quando foi preso no Rio. Entre 1967 e 1969 viajou com Breno pelo país em busca de “áreas de
instalação da guerrilha móvel estratégica”. Foi um dos setenta presos políticos trocados pelo embaixador
suíço e banidos para o Chile em janeiro de 1971. No exílio, morou na então RDA, onde fez mestrado em
sociologia e política, e depois em Moçambique, onde trabalhou em projetos de comércio internacional de
1983 a 1992, quando retornou ao Brasil. Filiado ao PT, participou de prefeituras petistas – em Betim
(MG), até 2001, e em São Paulo, até 2003. Com experiência adquirida na estatal da área nuclear Nuclep,
é vice-diretor de Suprimentos e Qualidade da empresa binacional Alcântara Cyclone Space. Mora em
Brasília.
Roberto Ribeiro Corrêa
Paraense de Belém, nascido em 1944, é formado em economia e tem mestrado e doutorado em ciência
política. Aposentado como funcionário do Banco da Amazônia, é professor e pesquisador do Instituto de
Ciências Humanas da UFPA. Foi secretário de estado do Trabalho no governo de Jáder Barbalho (1991-
1994) e assessor da Casa Civil no governo Ana Júlia (2007-2010), do PT. Entrou na política pelo PCB,
em 1965, ainda secundarista. Em 1967, rompeu com o Partidão e passou a integrar o setor de apoio
logístico da ALN. Após a morte de Marighella, em 1969, foi para a VAR-Palmares, onde conheceu
Breno. Em setembro de 1970 foi preso com outros militantes da ALN. Julgado na Justiça Militar, em
Belém, foi absolvido em primeira instância, e no STM, em julho de 1971. Antes de ser posto em
liberdade vigiada, um de seus inquisidores, na Aeronáutica, perguntou: “Você conhece Breno?”
Respondeu: “Não!”
Rosalina Santa Cruz
Secretária municipal de Assistência Social no governo Luiza Erundina, na capital paulista, hoje é
professora da PUC-SP. Com doutorado em ciências sociais pela mesma universidade, tem livros e artigos
publicados nas áreas de relações de gênero, crianças e adolescentes em situação de risco social e
direitos humanos, seu campo de interesse. Militante da AP, optou pela luta armada, ingressando,
posteriormente, na VAR-Palmares. Foi presa duas vezes, no Rio de Janeiro e em São Paulo. É irmã de
Fernando Santa Cruz, desaparecido político desde 1974, citado recentemente pela imprensa como tendo
sido incinerado em uma usina de açúcar, em Campos (RJ).
Sebastião da Silva Ramalho
Aposentado, setenta e oito anos, nasceu na Bahia, mas mora no Pará desde 1960, onde militou e conheceu
Breno. “O importante para mim foi conhecer o Breno e gozar de sua confiança.” Posteriormente,
abandonou a militância.
Sergio Emanuel Dias Campos
Formado em administração, trabalhou a partir de 1965 com informática. Lecionou na PUC-Rio de 1973 a
2010, quando se aposentou. Carioca, morou em Porto Alegre até os treze anos. Se diz gaúcho de coração,
pois teve no Rio Grande a sua escola de vida. Lá, recebeu “os ensinamentos éticos definitivos e que
determinam até hoje todos os seus valores”. Lá também tornou-se torcedor do Colorado, o Campeão de
Tudo. Iniciou a militância política em 1962, na Faculdade Nacional de Filosofia, da qual foi expulso em
1964 quando era presidente do Diretório Acadêmico. Em 1963, ingressou no PC onde, após o golpe
militar, ajudou a organizar a DDD. Com a incorporação da DDD à VAR-Palmares, participou de sua
direção regional, no Rio de Janeiro. Em 15 de fevereiro de 1971 foi preso e torturado no DOI-Codi do
Rio.
Sergio Soares Xavier Ferreira
Formou-se em comunicação pela UFRJ em 1974. Intérprete profissional de conferências, trabalhou como
assessor especial e intérprete do presidente Lula durante seus dois mandatos. Hoje continua colaborando
com o Instituto Lula, coordenando a equipe de intérpretes para as atividades internacionais do
instituto. Com mestrado em ciência política pelo Iuperj, trabalhou por dez anos com o sociólogo Betinho
no Ibase, como pesquisador e assessor do movimento sindical. Começou sua militância no movimento
sindical em 1976 e foi um dos fundadores do Centro Estadual de Professores. Teve uma atuação
destacada como diretor do Comitê Brasileiro de Anistia/RJ, organizando a luta dos familiares
de desaparecidos políticos. Colaborou na pesquisa e edição do livro Desaparecidos políticos, lançado
em 1979.
Vânia Bambirra
Conheceu Beto na UFMG. Eram colegas no curso de sociologia e política, período em que descobriram
ter os mesmos ideais. A partir daí, foi natural que recrutasse o companheiro para a Polop, organização da
qual foi uma das fundadoras. Formada em sociologia, fez mestrado na UnB, a convite de Darcy Ribeiro.
Com o golpe de 1964, grávida, entrou na clandestinidade. Dois anos depois, viajou com a filha para
encontrar seu companheiro, Theotonio dos Santos, dirigente da Polop, exilado no Chile. A pedido de
Breno, vinculou-se à VAR-Palmares e, com Theotonio e Rui Mauro Marini, passou a representar a
organização no Chile. Após uma estadia no México, voltaram para Belo Horizonte, logo depois da
anistia. Com Leonel Brizola, fundaram o PDT mineiro, partido que deixou, “depois de considerar
exacerbado o personalismo do líder”. Reintegrou-se à UnB, onde foi professora titular até se aposentar e
ir morar no Rio.
Vera Lígia Huebra Neto Saavedra Durão
Nasceu em Laginha (MG) e estudou jornalismo na UFMG, onde iniciou a militância na Polop e conheceu
Breno. Em 1967, com o racha, optou pela Colina, influenciada pelas ideias de Régis Debray, dentre
outros adeptos da teoria do foco guerrilheiro. Em 1969, com a prisão de militantes da Colina, em Belo
Horizonte, entrou para a clandestinidade e foi transferida para o Rio de Janeiro. Naquele ano,
testemunhou a criação da Ó. Pontinho e, logo em seguida, da VAR-Palmares. Em junho de 1970, foi presa
e torturada em Porto Alegre, para onde fora deslocada no final de 1969. Ficou presa por quase dois anos.
Libertada em junho de 1972, matriculou-se na UFF para concluir o curso de jornalismo. Trabalhou na
Tele Notícias, agência de notícias da Visão, e nos jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Gazeta Mercantil. Atualmente é repórter especial do jornal Valor Econômico.
Theotonio dos Santos
Theotonio é professor emérito da UFF e presidente da Cátedra e Rede Unesco e Universidade das
Nações Unidas sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen). Publicou quarenta
livros e aproximadamente trezentos artigos em revistas científicas; participou como coautor de outros
103 livros, em vinte línguas, em mais de quarenta países. Fundador e dirigente nacional da Poslop, foi
representante da VAR-Palmares no exílio chileno. Fundador e dirigente nacional do PDT. Atualmente é
membro do PSB.
Zélia Amador de Deus
Nascida em Belém, em 1951, cursou letras, fez mestrado em estudos literários e doutorado em ciências
sociais na área de antropologia. Professora da UFPA, é ativista do movimento negro. Foi cofundadora do
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores
Negros e coordenadora do Grupo de Estudos Afro-amazônico/UFPA. Foi vice-reitora da UFPA e diretora
do seu Centro de Letras e Artes. Iniciou-se na política em 1968, ainda secundarista, em um grupo de
jovens ligados à paróquia do bairro de Sacramenta. Ajudou a criar a Frente de Ação Secundarista do
Pará. Junto com companheiros da Frente, foi recrutada pela AP de Belém. Pouco depois, entusiasmada
com os tupamaros, no Uruguai, entrou para a VAR-Palmares.