Seu amigo esteve aqui
Agradecimentos
Uma generosa ciranda de bons afetos formou-se em torno da realização deste livro. Do início do
trabalho, em junho de 2009, até a entrega dos originais à editora, três anos depois, muita gente ajudou
para que a história de Carlos Alberto Soares de Freitas fosse mais bem contada não só abrindo suas
casas e suas lembranças, mas também oferecendo apoio logístico e operacional e facilitando o acesso a
pesquisa e documentação. Conforme o tempo passava, a ciranda crescia, mais e mais, agregando novas
pessoas, de ex-militantes a colegas de trabalho, filhos, pais, mães, sobrinhos, companheiros, parceiros
esperados e inesperados, com os quais celebro a missão cumprida.
Em Belo Horizonte, Cláudio Galeno revelou-se um produtor impecável. Indicou as pessoas que
deveriam ser ouvidas, fez os primeiros contatos, preparou a agenda de entrevistas e ajudou no roteiro.
Nas duas ocasiões em que lá estivemos, Galeno e a companheira, Mayra, nos hospedaram com a sem-
cerimônia que só se reserva aos amigos mais próximos. Ainda na capital mineira, Élvio Moreira e a
mulher, Iasca, nos surpreenderam com um almoço em família, filhas à volta da mesa, comida de todo dia,
um pouco mais caprichada para as visitas que vinham de longe buscar histórias de Beto. Foi um encontro
emocionante.
Em São Paulo, Rosalina Santa Cruz e Geraldo Leite foram bússola e âncora. O apartamento de
Rosalina foi subitamente transformado em aparelho da VAR, onde apeamos para uma maratona de
entrevistas realizadas em sequência, durante um fim de semana inteiro, e que terminou no tradicional Bar
das Putas, uma grande mesa de gente alegre e comovida. Inesquecível, como as bonecas coloridas de
papier mâché, feitas por Rosalina, que ganhamos de presente. A minha, Rosa, foi para a estante da sala.
Todos os dias ela me lembra que a vida é feita de bons encontros. Também em São Paulo, duas queridas
amigas mantiveram-se a postos, oferecendo-me a retaguarda necessária para que eu pudesse desenvolver
meu trabalho com tranquilidade e conforto: às coleguinhas Barbara Oliveira e Regina Ricca deixo, aqui,
o meu agradecimento.
Em Porto Alegre, fomos recebidos com música e festa. Raul Ellwanger abriu o apartamento
simpaticíssimo, iluminado com piano e violão, e nos acompanhou o tempo todo. Carlos Araújo ofereceu-
nos um churrasco dos pampas e chamou antigos militantes para conversar conosco. Foi outra tarde
inesquecível, de risos e lágrimas. Aos dois, obrigada.
Em Brasília, Reinaldo Melo e Beto Vasconcelos abraçaram a causa com paixão revolucionária.
Reinaldo, sempre disponível para repetir e esclarecer histórias, foi um parceiro importante. Beto, que
saiu aos seus, entrou em campo para criar atalhos e erguer as pontes indispensáveis ao nosso trânsito ágil
com a presidente Dilma. Valeu, companheiro! Minha irmã Patricia, que vive na capital do país, recebeu-
me com carinho em sua casa.
A turma de Belém deu um show à parte. Sebastião, Margaret, Roberto e Zélia, sem perceber,
repetiram a articulação de quarenta anos antes e formaram uma célula para nos receber. De novo, a mesa
farta e sortida, marca da boa cordialidade, fez-nos sentir em casa. Alfredo Wagner, que veio de Manaus
para nos encontrar, foi um cicerone da mais alta qualidade, levando-nos aos bons restaurantes e à
obrigatória Cairu, onde nos perdemos com os melhores sorvetes do Brasil.
No curso desses três anos, algumas vezes pude me desligar dos problemas cotidianos e sair da cidade
em busca de silêncio e solidão para escrever. Contei, para tanto, com a generosa acolhida de Viviane
Andreatta, que me recebeu na Quinta da Prata, em Mirantão, Minas Gerais, com forno de lenha, magia e
arte. Marie Louise Goransson, amiga da vida toda, franqueou-me longas temporadas no Pequena Suécia,
o melhor hotel de Penedo, no estado do Rio, onde trabalhei cercada de confortos e apoiada pelos
serviços de sua competentíssima equipe, à qual estendo meus agradecimentos.
Algumas pessoas deram contribuições inestimáveis para o modo de contar a história. Alberto
Schprejer, o Mará, trouxe-me a palavra certa na hora certa. Ajudou-me muito a pensar nas narrativas e
nas escolhas editoriais. É do ramo. Gustavo Praça de Carvalho, jornalista e escritor, leu os primeiros
rascunhos e me incentivou a ir em frente. Minha mãe, Mag Bicalho, grande contadora de histórias e
devoradora de livros, como sempre deu-me a cereja do bolo, e seu companheiro, Jayme Zettel, meu
segundo pai, colaborou mais uma vez afinando o diapasão político. Carlos Henrique Vianna, meticuloso,
incansável, acrescentou. Álvaro Caldas, que me honra com o Prefácio deste livro, leu a primeiríssima
versão, ainda inacabada, e me presenteou com comentários emocionantes e emocionados.
À Cecília Coimbra, cunhada e grande amiga, agradeço o esteio, a disponibilidade, a segurança e o
empenho em não me deixar errar. Ao meu amigo Marcelo Henrique da Costa, um “filho da causa” que em
criança conheceu o exílio e a mão forte da ditadura, faltam-me palavras para dizer o que significou seu
incondicional apoio, sem o qual não me teria sido possível realizar a tarefa. Companheiro Marcelinho,
você é parte desta história!
Um obrigada gigante à jornalista Rosane de Souza, a Rose Baiana, que me facilitou o acesso aos
arquivos da OAB, uma ajuda inestimável! À médica sanitarista Dilene Raimundo do Nascimento, a Preta,
agradeço (e registro) a contribuição: o depoimento tomado de Olga D’Arc, em um barco ancorado às
margens do rio Solimões, no Amazonas. Às amigas Elane Maciel e Tania Malheiros, jornalistas da
equipe de Comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário, obrigada pela
retaguarda de seriedade, compromisso e talento. À redatora Soraya Araujo, responsável pela transcrição
dos longos e tantas vezes tumultuados depoimentos, meu reconhecimento pela agilidade e qualidade do
trabalho realizado. A Rodrigo Ayres, minha gratidão pela assessoria jurídica de improviso, que me
ajudou a compreender o processo de condenação de Beto na Auditoria da 4a Região Militar do Exército,
em Juiz de Fora.
À família do Beto, agradeço a receptividade e a coragem de revolver lembranças doídas. A Sergio
Ferreira, um obrigada especial: pelo desprendimento e pelo carinho, que não se desfez nem mesmo nos
debates mais difíceis. Sergio Campos fez-se exemplo de vida. Mostrou-me uma dimensão humana que
levo como legado maior dessa experiência. À Flavia Cavalcanti, amiga-irmã, devo tudo: a oportunidade,
a inabalável confiança, a parceria fraterna, a amizade sem fim.
Não poderia deixar de enviar também agradecimento especial à Inês Etienne Romeu, lutadora
incansável, admirável parceira, que acompanhou intensamente o fazer deste livro. Em nome de todos os
envolvidos na iniciativa e na criação deste trabalho, registro aqui nosso muito obrigado pelo
extraordinário esforço e o relevante papel histórico que Inês desempenhou e desempenha na luta pela
memória e pela verdade sobre o período da ditadura militar no Brasil.
A todos os meus, de casa, sou profundamente grata. Minha filha, Barbara Chacel Coimbra, meus
queridos Alexandre, Julia e Joana Romero Coimbra, sempre presentes e prontos a ajudar no que for, a
transcrição de um depoimento, a digitalização de cartas e documentos, a compra emergencial de um
cartucho de impressora – vocês formam um time amoroso e solidário que me orgulha e me sustenta. A
Custodio Coimbra, meu parceiro de vida e de obra, que esteve junto em todas as horas, ponderando,
opinando, corrigindo, acreditando, devolvo a bola redonda: este livro, Custodio, é pra você.