Seu amigo esteve aqui

Cristina Chacel · Capítulo 24 de 26

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Seu amigo esteve aqui

Agradecimentos

 

Uma generosa ciranda de bons afetos formou-se em torno da realização deste livro. Do início do

trabalho, em junho de 2009, até a entrega dos originais à editora, três anos depois, muita gente ajudou

para que a história de Carlos Alberto Soares de Freitas fosse mais bem contada não só abrindo suas

casas e suas lembranças, mas também oferecendo apoio logístico e operacional e facilitando o acesso a

pesquisa e documentação. Conforme o tempo passava, a ciranda crescia, mais e mais, agregando novas

pessoas, de ex-militantes a colegas de trabalho, filhos, pais, mães, sobrinhos, companheiros, parceiros

esperados e inesperados, com os quais celebro a missão cumprida.

Em Belo Horizonte, Cláudio Galeno revelou-se um produtor impecável. Indicou as pessoas que

deveriam ser ouvidas, fez os primeiros contatos, preparou a agenda de entrevistas e ajudou no roteiro.

Nas duas ocasiões em que lá estivemos, Galeno e a companheira, Mayra, nos hospedaram com a sem-

cerimônia que só se reserva aos amigos mais próximos. Ainda na capital mineira, Élvio Moreira e a

mulher, Iasca, nos surpreenderam com um almoço em família, filhas à volta da mesa, comida de todo dia,

um pouco mais caprichada para as visitas que vinham de longe buscar histórias de Beto. Foi um encontro

emocionante.

Em São Paulo, Rosalina Santa Cruz e Geraldo Leite foram bússola e âncora. O apartamento de

Rosalina foi subitamente transformado em aparelho da VAR, onde apeamos para uma maratona de

entrevistas realizadas em sequência, durante um fim de semana inteiro, e que terminou no tradicional Bar

das Putas, uma grande mesa de gente alegre e comovida. Inesquecível, como as bonecas coloridas de

papier mâché, feitas por Rosalina, que ganhamos de presente. A minha, Rosa, foi para a estante da sala.

Todos os dias ela me lembra que a vida é feita de bons encontros. Também em São Paulo, duas queridas

amigas mantiveram-se a postos, oferecendo-me a retaguarda necessária para que eu pudesse desenvolver

meu trabalho com tranquilidade e conforto: às coleguinhas Barbara Oliveira e Regina Ricca deixo, aqui,

o meu agradecimento.

Em Porto Alegre, fomos recebidos com música e festa. Raul Ellwanger abriu o apartamento

simpaticíssimo, iluminado com piano e violão, e nos acompanhou o tempo todo. Carlos Araújo ofereceu-

nos um churrasco dos pampas e chamou antigos militantes para conversar conosco. Foi outra tarde

inesquecível, de risos e lágrimas. Aos dois, obrigada.

Em Brasília, Reinaldo Melo e Beto Vasconcelos abraçaram a causa com paixão revolucionária.

Reinaldo, sempre disponível para repetir e esclarecer histórias, foi um parceiro importante. Beto, que

saiu aos seus, entrou em campo para criar atalhos e erguer as pontes indispensáveis ao nosso trânsito ágil

com a presidente Dilma. Valeu, companheiro! Minha irmã Patricia, que vive na capital do país, recebeu-

me com carinho em sua casa.

A turma de Belém deu um show à parte. Sebastião, Margaret, Roberto e Zélia, sem perceber,

repetiram a articulação de quarenta anos antes e formaram uma célula para nos receber. De novo, a mesa

farta e sortida, marca da boa cordialidade, fez-nos sentir em casa. Alfredo Wagner, que veio de Manaus

para nos encontrar, foi um cicerone da mais alta qualidade, levando-nos aos bons restaurantes e à

obrigatória Cairu, onde nos perdemos com os melhores sorvetes do Brasil.

No curso desses três anos, algumas vezes pude me desligar dos problemas cotidianos e sair da cidade

em busca de silêncio e solidão para escrever. Contei, para tanto, com a generosa acolhida de Viviane

Andreatta, que me recebeu na Quinta da Prata, em Mirantão, Minas Gerais, com forno de lenha, magia e

arte. Marie Louise Goransson, amiga da vida toda, franqueou-me longas temporadas no Pequena Suécia,

o melhor hotel de Penedo, no estado do Rio, onde trabalhei cercada de confortos e apoiada pelos

serviços de sua competentíssima equipe, à qual estendo meus agradecimentos.

Algumas pessoas deram contribuições inestimáveis para o modo de contar a história. Alberto

Schprejer, o Mará, trouxe-me a palavra certa na hora certa. Ajudou-me muito a pensar nas narrativas e

nas escolhas editoriais. É do ramo. Gustavo Praça de Carvalho, jornalista e escritor, leu os primeiros

rascunhos e me incentivou a ir em frente. Minha mãe, Mag Bicalho, grande contadora de histórias e

devoradora de livros, como sempre deu-me a cereja do bolo, e seu companheiro, Jayme Zettel, meu

segundo pai, colaborou mais uma vez afinando o diapasão político. Carlos Henrique Vianna, meticuloso,

incansável, acrescentou. Álvaro Caldas, que me honra com o Prefácio deste livro, leu a primeiríssima

versão, ainda inacabada, e me presenteou com comentários emocionantes e emocionados.

À Cecília Coimbra, cunhada e grande amiga, agradeço o esteio, a disponibilidade, a segurança e o

empenho em não me deixar errar. Ao meu amigo Marcelo Henrique da Costa, um “filho da causa” que em

criança conheceu o exílio e a mão forte da ditadura, faltam-me palavras para dizer o que significou seu

incondicional apoio, sem o qual não me teria sido possível realizar a tarefa. Companheiro Marcelinho,

você é parte desta história!

Um obrigada gigante à jornalista Rosane de Souza, a Rose Baiana, que me facilitou o acesso aos

arquivos da OAB, uma ajuda inestimável! À médica sanitarista Dilene Raimundo do Nascimento, a Preta,

agradeço (e registro) a contribuição: o depoimento tomado de Olga D’Arc, em um barco ancorado às

margens do rio Solimões, no Amazonas. Às amigas Elane Maciel e Tania Malheiros, jornalistas da

equipe de Comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário, obrigada pela

retaguarda de seriedade, compromisso e talento. À redatora Soraya Araujo, responsável pela transcrição

dos longos e tantas vezes tumultuados depoimentos, meu reconhecimento pela agilidade e qualidade do

trabalho realizado. A Rodrigo Ayres, minha gratidão pela assessoria jurídica de improviso, que me

ajudou a compreender o processo de condenação de Beto na Auditoria da 4a Região Militar do Exército,

em Juiz de Fora.

À família do Beto, agradeço a receptividade e a coragem de revolver lembranças doídas. A Sergio

Ferreira, um obrigada especial: pelo desprendimento e pelo carinho, que não se desfez nem mesmo nos

debates mais difíceis. Sergio Campos fez-se exemplo de vida. Mostrou-me uma dimensão humana que

levo como legado maior dessa experiência. À Flavia Cavalcanti, amiga-irmã, devo tudo: a oportunidade,

a inabalável confiança, a parceria fraterna, a amizade sem fim.

Não poderia deixar de enviar também agradecimento especial à Inês Etienne Romeu, lutadora

incansável, admirável parceira, que acompanhou intensamente o fazer deste livro. Em nome de todos os

envolvidos na iniciativa e na criação deste trabalho, registro aqui nosso muito obrigado pelo

extraordinário esforço e o relevante papel histórico que Inês desempenhou e desempenha na luta pela

memória e pela verdade sobre o período da ditadura militar no Brasil.

A todos os meus, de casa, sou profundamente grata. Minha filha, Barbara Chacel Coimbra, meus

queridos Alexandre, Julia e Joana Romero Coimbra, sempre presentes e prontos a ajudar no que for, a

transcrição de um depoimento, a digitalização de cartas e documentos, a compra emergencial de um

cartucho de impressora – vocês formam um time amoroso e solidário que me orgulha e me sustenta. A

Custodio Coimbra, meu parceiro de vida e de obra, que esteve junto em todas as horas, ponderando,

opinando, corrigindo, acreditando, devolvo a bola redonda: este livro, Custodio, é pra você.