Tecnologia e o mundo da vida: do jardim à terra

6 Programa Dois: Hermenêuticas culturais

6 Programa Dois:

 

Hermenêuticas culturais

 

O primeiro programa desta análise seguiu uma ênfase mais estritamente fenomenológica sobre as experiências humanas com tecnologias. Com o segundo programa, hermenêutica cultural, uma mudança de perspectiva se faz necessária. Aqui a questão orbita em torno dos modos nos quais as culturas incorporam tecnologias. Eu tenho usado o termo “tecnologia” num sentido amplo, equivalente a certos aspectos da cultura material. Desde o princípio, tecnologia em seu conjunto é vista como pertencente de forma muito íntima às nossas culturas. E também não faltaram variações culturais nos exemplos anteriores. Ao final, eu apresentei o espectro desde as culturas tecnológicas mais maximalistas até as formas mais minimalistas de tal incorporação.

Ao nível cultural, no entanto, acontece mais do que os simples números e tipos de relações humano-tecnologia. Eu tenho sustentado que na medida em que há um número limitado de tipos de relações humano-tecnologia que seguem estruturas existenciais humanas, todas as culturas exemplificam a gama completa de tais relações (invariavelmente), embora as misturas sejam claramente altamente variáveis. Aqui o foco será em variações não consoantes, buscando os padrões que são inerentes na diversidade cultural.

Novamente a história e antropologia da tecnologia serão utilizadas, bem como variáveis imaginativas. E o meu propósito, tal como no primeiro programa, é sugerir uma estrutura diferente de interpretação, uma que possa oferecer uma nova perspectiva para algumas das questões contemporâneas, agora sendo tratadas como cultura tecnológica. O conjunto mais amplo de tais questões gira em torno da noção de uma trajetória geral da história tecnológica: o advento do domínio ocidental originado na ciência e tecnologia seria um “destino” para toda a terra? E seria tal trajetória singular? Correlacionadas a estas questões estão aqueles sobre a “autonomia” da tecnologia. Nós podemos “controlar” a tecnologia?