Tigres no Espelho e Outros Textos da Revista The New Yorker

Curto Prazo Final

 

 

Quando lhe mostraram um epigrama de uma linha e meia,Nicolas de

Chamfort (1741-94), mestre da brevidade mordaz, comentou que ele

demonstraria mais espírito se fosse mais curto. O epigrama, o aforismo, a

máxima são o haicai do pensamento. Procuram condensar a percepção mais

aguçada no menor número possível de palavras. Quase por definição, e

mesmo quando se prende estritamente a uma prosa coloquial, o aforismo

está próximo da poesia. Sua economia formal pretende surpreender num

clarão de autoridade; pretende ser singularmente memorável, como um

poema. De fato, máximas ou apotegmas famosos oscilam frequentemente

entre a grande poesia ou drama e o anonimato do provérbio. Por um

instante, não conseguimos lembrar a fonte pessoal e exata. Quem nos

ensinou pela primeira vez que “a discrição é a melhor parte da coragem” ou

que “Deus dá o frio conforme o cobertor”? Em que texto encontramos o

dito, que ajudou a deflagrar uma revolução inteira na história da forma e da

percepção, de que “a natureza imita a arte”? Essas sintéticas revelações de

Shakespeare, Laurence Sterne e Oscar Wilde passaram para a glória da

linguagem comum.

Na literatura francesa, o aforismático e o epigramático têm um papel

excepcional. A composição de pensées, formuladas com a máxima

brevidade possível, é uma tradição tipicamente gaulesa. Em Pascal — e

isso é uma proeza rara em qualquer língua ou literatura — a estratégia

aforismática se estende aos campos mais complexos e sublimes da teologia

e da metafísica. Em Paul Valéry, ela permite uma elegância soberbamente concisa a uma longa meditação sobre a natureza da poesia e das artes. As

máximas de La Rochefoucauld, de Vauvenargues, de Chamfort são com

grande probabilidade as mais eloquentes da tradição ocidental. Um poeta

contemporâneo, René Char, anulou deliberadamente a distinção entre a

sententia (termo latino para o dito ou proposição de uma frase só) e o

poema curto. Em seus melhores momentos, Char, como Valéry, enuncia

um instante musical do pensamento.

Por que essa predileção francesa pelo aforismo? (Em alemão, o estilo

aforismático de Lichtenberg e de Nietzsche é claramente devedor do

precedente francês.) Uma das respostas reside numa orgulhosa latinidade

explícita. A literatura e o pensamento franceses se orgulham de suas

afinidades com a fonte romana. Os costumes romanos, tanto na esfera do

poder político quanto na do discurso, atribuíam valor eminente à concisão.

A brevidade era não só a alma do espírito, mas também uma convenção de

controle e autocontrole viril mesmo sob extrema pressão de perigos

pessoais ou cívicos. O costume francês das máximas e pensées parece em

boa parte remontar diretamente à concisão lapidar e à autoridade pétrea das

inscrições romanas. “Ci gît Gide”, “aqui jaz Gide”, foi a recomendação de

André Gide para seu epitáfio. É da herança latina que a língua francesa

extrai seu ideal de la litote. Em inglês, “understatement” é uma tradução

claudicante. A litotes, como vemos constantemente no maior escritor

francês, Racine, é a expressão densa, cerrada, de alguma enormidade

fundamental nas emoções e reconhecimentos humanos. Em seus traços

mais característicos, ela é aquela torrente de silêncio que dizem os pilotos

existir no olho de um furacão.

Como afirmei, a tradição francesa abarca no terreno aforismático áreas

tão diversas como religião e estética, psicologia e política. Mas o foco

predominante é o dos moralistes. Aqui também a tradução é falha. Um moraliste, especialmente na forma como floresceu nos séculos xvii e xviii,

aplica valores e princípios universais a problemas de conduta social. Ele

observa com agudeza, ele “disseca” as convenções mundanas à luz

implícita da eternidade. O verdadeiro moraliste moraliza apenas de

maneira indireta, isolando laconicamente, dando formulação monumental a

algum gesto, rito ou lugar-comum efêmero, mas sintomático, da sociedade

de sua época. O gênio de La Rochefoucauld ou de Vauvenargues consiste

na exata riqueza da conduta humana observada que sustenta a escassez, a

aparente generalidade de suas anotações. Por trás da serena observação de

La Rochefoucauld, radical como nenhuma outra nos anais da percepção,

de que há algo que não nos desagrada nos infortúnios de um bom amigo,

encontra-se não só o fulgor de um escrutínio individual, mas o

conhecimento prático dos modos da corte e do beau monde tão amplo

quanto o de Saint-Simon ou de Proust.

Tendo emigrado de Bucareste para Paris às vésperas da Segunda Guerra

Mundial, E. M. Cioran criou para si, nos últimos quarenta anos, uma fama

esotérica mas incontestada de ensaísta e aforista do desespero histórico-

cultural. Drawn and Quartered [Arrastados e esquartejados] (Seaver

Books, 1983) é a tradução de um texto publicado em francês como

Ecartèlement [Esquartejamento], em 1971. As máximas e reflexões que

constituem o principal de Drawn and Quartered são precedidas por um

prólogo apocalíptico. Olhando os imigrantes, os híbridos, os destroços

soltos de humanidade que agora flutuam por nossas cidades anônimas,

Cioran conclui que agora é de fato — como proclamou Cyril Connolly —

o “horário de fechamento nos jardins do Ocidente”. Somos Roma em seu

declínio febril e macabro: “Tendo governado dois hemisférios, o Ocidente

agora se torna seu alvo de risadas: espectros sutis, final da linha em sentido

literal, condenados à condição de párias, de escravos trôpegos e balofos, condição à qual talvez escapem os russos, estes últimos brancos”. Mas a

dinâmica da inevitável degradação vai muito além da situação específica

do hemisfério ocidental capitalista e tecnológico. É a própria história que

degringola:

 

Em todo caso, é evidente que o homem deu o melhor de si e que, mesmo se fôssemos presenciar o surgimento de outras civilizações, certamente não valeriam as antigas, nem mesmo as modernas, sem contar que não poderiam evitar o contágio do fim, que se tornou uma espécie de obrigação e programa para nós. Da pré-história até nós, e de nós à pós-história, esta é a rota para um fiasco gigantesco, preparado e anunciado em todos os períodos, inclusive as épocas de apogeu. Mesmo os utopistas veem o futuro como um fracasso, já que inventam um regime para escapar a qualquer espécie de devir: concebem outro tempo dentro do tempo […] algo como um inesgotável fracasso, não atravessado pela temporalidade e superior a ela. Mas a história, da qual Ahriman é o mestre, pisoteia tais divagações.

 

A espécie humana, entoa Cioran em sua ladainha, está começando a

ficar ultrapassada. O único interesse que um moraliste e profeta do fim

pode sentir pelo homem nasce do fato de ele ser “perseguido e acuado,

afundando-se cada vez mais”. Se prossegue em seu caminho sórdido e

fatídico, é porque lhe faltam as forças necessárias para capitular, para

cometer um suicídio racional. Existe apenas uma coisa absolutamente certa

em relação ao homem: “Está ferido no mais fundo de si […] está podre até

a raiz”. (Vem-nos irresistivelmente à lembrança a cançoneta plangente,

mas trocista, do “rotten to the core, Maude”.)

Então o que há pela frente? Cioran responde:

 

Avançamos en masse para um tumulto sem igual, vamos nos erguer uns contra os outros como aleijados em convulsões, como bonecos alucinados, porque, como tudo se tornou impossível e irrespirável para todos nós, ninguém se dignará a viver, exceto para liquidar e liquidar a si mesmo. O único frenesi de que ainda somos capazes é o frenesi do fim.

A soma da história é “uma vã odisseia” e é legítimo — na verdade,

necessário — “imaginar se a humanidade, tal como está, não faria melhor

eliminando a si mesma em vez de definhar e se afundar na expectativa,

expondo-se a uma era de agonia na qual corre o risco de perder todas as

ambições, até mesmo a ambição de desaparecer”. Depois de tal ruminação,

Cioran se inclina numa pequena pirueta de ironia caçoando de si mesmo:

“Renunciemos pois a todas as profecias, aquelas hipóteses frenéticas, não

nos deixemos mais enganar pela imagem de um futuro remoto e

improvável; conformemo-nos a nossas certezas, a nossos abismos

indubitáveis”.

O problema com esse tipo de escrita e de pseudopensamento não é a

comprovação. O século de Auschwitz e da corrida armamentista, da fome

em escala mundial e da loucura totalitária realmente pode estar se

precipitando para um final suicida. É concebível que a ganância humana,

as enigmáticas necessidades de ódio mútuo que alimentam a política

interna e externa, a tremenda complexidade dos problemas econômico-

políticos possam gerar conflitos internacionais catastróficos, guerras civis

calamitosas e o desmoronamento interno das sociedades, sejam as

imaturas, sejam as mais velhas. Todos nós sabemos disso. E esse

conhecimento é o que está sob o pensamento político sério, sob os debates

filosóficos sobre a história, desde 1914-18 e o modelo de Spengler da

decadência do Ocidente. E tampouco é possível negar uma sensação

intuitiva, uma sugestão persuasiva de que há uma espécie de esgotamento

nervoso, de entropia nas fontes interiores da cultura ocidental. Parece que

somos governados por anões e charlatães mais ou menos mentirosos.

Nossas respostas às crises mostram certo automatismo de sonâmbulos.

Nossas artes e letras são provavelmente epigônicas. Em si, o sermão

fúnebre de Cioran (que já foi proferido por muitos outros antes dele) pode se revelar correto. Na verdade, meu próprio instinto não aponta para

direções muito mais animadoras.

Não, as objeções a serem levantadas são de dupla ordem. As passagens

citadas demonstram um excesso de simplificação maciça e brutal. O teor

dos assuntos humanos é e sempre foi tragicômico. Daí a importância

central de Shakespeare, com sua recusa das trevas absolutas. Fortinbrás,

como ser, é menor do que Hamlet; muito provavelmente, governará

melhor. Birnam Wood reflorirá depois que avançar sobre Dunsinane. A

história e a vida das políticas e das sociedades são variegadas demais para

ser subsumidas a qualquer padrão único grandiloquente. As bestialidades

de nossos tempos, seu potencial de autodestruição, são evidentes por si

sós; mas igualmente evidente é o puro e simples fato de que nunca na

história deste planeta foi tão grande a quantidade de pessoas que começam

a ter moradia, alimentação e tratamento médico adequado. Nossas políticas

se regem pelo assassinato em massa, é verdade, mas é a primeira vez na

história social documentada que se começa a expressar e praticar a ideia de

que a espécie humana tem responsabilidades positivas concretas em

relação aos deficientes e aos doentes mentais, em relação aos animais e ao

meio ambiente. Tenho escrito bastante sobre o veneno que é o

nacionalismo atual, sobre o vírus da fúria étnica e regional que leva os

homens a massacrar seus vizinhos e a reduzir suas próprias comunidades a

cinzas (no Oriente Médio, na África, na América Central, na Índia). No

entanto, estão começando a surgir contracorrentes sutis, mas poderosas.

Empresas e organizações multinacionais, a comunidade de interesses das

ciências naturais e aplicadas, as culturas da juventude, a revolução na

disseminação da informação, as artes populares estão gerando

oportunidades e imperativos de coexistência totalmente novos. Estão

eliminando as fronteiras. As chances continuam pequenas; mas pode ser que, com o tempo, venham a reduzir o cenário do Armagedão. Seria

arrogância e presunção decretar de outra maneira. Colocando em termos

anedóticos, lembro um seminário dado por C. S. Lewis. Sabendo da

profunda nostalgia de Lewis pelo que chamava de “imagem unitária” do

cosmo durante a Idade Média e o início do Renascimento, sabendo do

desagrado de Lewis pelas vulgaridades e indistinções morais do espírito do

século xx, um estudante de pós-graduação se pôs a desfiar louvores aos

tempos de outrora. Lewis ouviu por alguns instantes, com a cabeçorra

enfiada entre as mãos. Então se virou ríspido para o expositor e exclamou:

“Pare com essa bobagem fácil! Feche os olhos e concentre sua alma

sensível no que seria exatamente sua vida antes do clorofórmio!”.

A palavra-chave aqui é “fácil”. Há em toda a lamentação de Cioran uma

facilidade sinistra. Não se requer nenhum pensamento analítico sólido,

nenhum conhecimento ou clareza argumentativa para pontificar sobre a

“podridão”, a “gangrena” do homem, o câncer terminal da história. As

páginas de onde extraí as citações não só são fáceis de escrever, como

deleitam o escritor com o tenebroso incenso do oracular. Basta ver a obra

de Tocqueville, de Henry Adams ou de Schopenhauer para sentir a drástica

diferença. Estes são mestres de uma tristeza clarividente não menos ampla

do que a de Cioran. Suas leituras da história não são mais róseas. Mas o

que apresentam é meticulosamente argumentado, não declamado; suas

posições são moldadas, em cada conexão e cada articulação do que é

proposto, por um justo senso da complexidade e ambiguidade dos fatos

históricos. As dúvidas que esses pensadores manifestam, as ressalvas que

fazem a suas próprias certezas, honram o leitor. Pedem não a anuência

indiferente ou o eco complacente, mas o reexame e a crítica. A pergunta

que se mantém é a seguinte: as convicções apocalípticas, a náusea e o

pessimismo mortal de Cioran são percepções originais e radicais? Os pensées, os aforismos e máximas que constituem seu título à fama

pertencem realmente à linhagem de Pascal, de La Rochefoucauld ou de seu

modelo mais próximo, Nietzsche?

Drawn and Quartered traz muitos aforismos sobre a morte. Esse é um

tema sempre caro aos aforistas pois, de fato, existe muito a se dizer sobre a

morte? “A morte é um estado de perfeição, o único ao alcance de um

mortal” (o ponto implícito é um trocadilho fraco e batido com o sentido de

“perfeição” em latim)*. “Não existe ninguém cuja morte não desejei em

algum momento” (ecoando La Rochefoucauld). “Morte, que desonra! De

repente virar um objeto” — a que se segue a asserção absolutamente

inconvincente de que “nada nos faz modestos, nem mesmo a visão de um

cadáver”. O tom se eleva a um macabro chique: “O que está isento do

funéreo é necessariamente vulgar”. E a portentosa asneira atinge o clímax

com “A morte é a coisa mais sólida que a vida inventou até agora”.

Experimentemos outro tópico, a atividade de escrever e pensar. “Um

livro deve abrir velhas chagas, e até infligir novas. Um livro deve ser um

perigo.” Isso mesmo — e Franz Kafka já o disse muito tempo atrás, quase

nos mesmos termos. “Escreve-se não porque se tem alguma coisa a dizer,

mas porque se quer dizer alguma coisa.” Correto. “Existir é plágio.” Pista

espirituosa e sugestiva. “Quando sabemos o que valem as palavras, o

surpreendente é que tentemos dizer alguma coisa, e consigamos. Isso

requer, de fato, uma coragem sobrenatural.” Verdade; e já professada com

muita frequência e autoridade irrefutável por Kafka, Karl Kraus,

Wittgenstein e Beckett. “Os únicos pensadores profundos são os que não

têm senso de ridículo.” Cf. Rousseau e Nietzsche, que chegaram à mesma

descoberta, mas com uma força circunstancial muito maior. (A essa

objeção Cioran poderia responder: “Não invento nada, sou apenas o

secretário de minhas sensações”.) “Um autor que diz escrever para a posteridade deve ser ruim. Nunca devemos saber para quem escrevemos.”

A advertência pode ser irrepreensível; mas basta pensar um instante em

Horácio, Ovídio, Dante, Shakespeare ou Stendhal e logo se revela sua

superficialidade.

Cioran é o autor de um ensaio interessante sobre De Maistre, o grande

pensador da contrarrevolução e do pessimismo antidemocrático. Vários

aforismos — e estão entre os mais substanciais — apontam para essa

propensão na política soturna do próprio Cioran: “Nunca esqueçam que as

plebes prantearam Nero”. “Todas essas pessoas na rua me fazem pensar

em gorilas exaustos, todas elas cansadas de imitar o homem!” “A base da

sociedade, de qualquer sociedade, é um certo orgulho na obediência.

Quando esse orgulho deixa de existir, a sociedade se desmorona.” “Quem

fala a linguagem da Utopia me é mais estranho do que um réptil de outra

era geológica.” “Torquemada era sincero, portanto inflexível, desumano.

Os papas corruptos eram caridosos, como todos os que podem ser

comprados.” Até acredito que o elitismo estoico de Cioran, seu repúdio do

progresso à l’américaine, traz mais verdade em si do que a maioria dos

modismos atuais do liberalismo ecumênico. Mas aqui não se acrescenta

nada de muito novo ou interessante à defesa do obscurantismo que temos

em De Maistre, em Nietzsche ou na política visionária de Dostoiévski. O

aforismo sobre Torquemada, por exemplo, com seu frisson de moda, sai

diretamente do poderoso tratado de De Maistre em favor do carrasco.

Os aforismos mais reveladores são aqueles nos quais Cioran atesta sua

própria esterilidade e cansaço: “Todas as minhas ideias se resumem a

desconfortos reduzidos a generalidades”; “Só me sinto ativo, competente,

capaz de fazer algo positivo quando me deito e me entrego a divagações

sem objeto nem finalidade”. Há um páthos de lucidez em Cioran quando

ele confessa que lhe seria mais fácil fundar um império do que formar uma família, e sente-se uma força persuasiva imediata em seu comentário de

que apenas quem não teve filhos duvidaria do pecado original.

Instintivamente acreditamos e refletimos na proposição: “Não luto contra o

mundo, luto contra uma força maior, contra meu cansaço do mundo”.

Como diz uma máxima britânica, um pouco de tédio faz bem. Só que 180

páginas, culminando na (ridícula) exclamação “O homem é inaceitável”,

nos deixam um tanto recalcitrantes.

O problema pode estar no dito de Cioran segundo o qual nos aforismos,

como nos poemas, o que reina é a palavra sozinha. Talvez isso seja

verdade em relação a alguns tipos de poesia, sobretudo a lírica. Não é

verdade em relação aos grandes aforistas, para os quais a sententia é

soberana, e soberana justamente porque traz à mente do leitor toda uma

riqueza interiorizada e recôndita de antecedentes históricos, sociais,

filosóficos. O mais belo texto aforismático das últimas décadas, Minima

moralia, de Theodor W. Adorno, transborda com a autoridade de uma

autêntica taquigrafia, de um roteiro cuja concisão se retraduz, obriga a se

retraduzir, numa psicologia e sociologia completa da consciência histórica

atenta. Qualquer comparação honesta com Drawn and Quartered é

demolidora. Sem dúvida existem exemplos melhores da obra de Cioran,

sobretudo antes que seus textos se reduzissem a meras repetições de si

mesmos. Porém uma coletânea dessa ordem, fielmente traduzida por

Richard Howard, de fato nos faz perguntar não se o rei está nu, mas se

afinal há algum rei.

 

16 de abril de 1984

 

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