Tigres no Espelho e Outros Textos da Revista The New Yorker

Uma Vida Sob Exame

 

Tenho uma grande dívida para com Robert Maynard Hutchins. Em 1947,

com um título de bacharelado francês, fui de Nova York a New Haven para

orientação como calouro, e Yale me pareceu tão sufocante e tão modorrenta

em termos sociais como os últimos dias de um verão. O que fazer? (Já era

setembro.) Por acaso, eu tinha visto uma matéria da Time sobre a vida

intelectual agitada e idealista na Universidade de Chicago. Escrevi ao

diretor, falando de meu desalento em Yale. Abriram mão da burocracia

usual de ingresso. Chamado ao Midway, fiz as baterias de exames que

determinavam quais as disciplinas e requisitos de que o aluno poderia ser

dispensado. Minha formação tinha sido clássica e ultraliterária, de forma

que tive de penar nos cursos de física, química e biologia dados por

excelentes professores, além do misericordioso acréscimo de uma dose de

matemática para remediar minhas carências. Recebi meu diploma no ano

seguinte, aos dezenove anos, e pude cuidar da questão séria da pós-

graduação. Com Allen Tate ensinando literatura e Richard McKeon

apresentando Aristóteles e Tomás de Aquino, a experiência foi estimulante.

Por alguma razão equivocada, debandei para Harvard. Em poucas

semanas eu me dei conta do erro. Naquela época, os cursos de pós-

graduação em humanidades em Harvard pareciam guildas apáticas,

acadêmicas no pior sentido do termo. Quase em desespero, escrevi para a

Universidade de Chicago candidatando-me a uma de suas indicações para

uma Bolsa Rhodes. (Tinha me naturalizado pouco tempo antes, mas não morava mais em Illinois.) De maneira bastante compreensível, o severo

encarregado dessa preciosa bolsa recusou o pedido e observou

acerbamente que eu deveria ter pensado duas vezes antes de ir para a

esclerótica Harvard. Como a impertinência é a mãe da invenção, recorri

diretamente a Hutchins. Escrevi assinalando que fazia algum tempo que

Chicago não recebia nenhuma Rhodes. O soberbo desprezo da instituição

pelo atletismo e pelas qualidades carismáticas de um campus, critérios

valorizados pela comissão de seleção da Rhodes, tinha impedido que seus

indicados fossem escolhidos. Minha própria falta de qualificação era mais

do que evidente. Mas achei que teria uma chance remota. Hutchins parece

ter achado graça nessa abordagem frontal. Indicou meu nome. Alguns

meses depois, uma fatigada comissão da Bolsa Rhodes, tendo de escolher

entre um capitão reluzente de estrelas de West Point e mim, e sabendo de

minha nulidade em termos de atletismo, pediu que eu mostrasse num

diagrama a diferença entre uma série de formações de defesa no futebol

universitário americano. Acontece que, em meus anos em Chicago, eu

tinha me tornado um espectador fervoroso, especialmente da Michigan e

da Notre Dame. Vi-me a caminho de Oxford.

Mas essas dívidas para com Hutchins são trivialidades pessoais. O que

muito provavelmente decidiu minha vida e minha obra foi o próprio clima

de alegria e liberdade intelectual, o apaixonado entusiasmo do espírito que

tinham feito da Universidade de Chicago durante a gestão de Hutchins a

melhor que havia. Quem não conheceu aquela vibração excepcional, quem

não viu de perto como a figura lendária de Hutchins, seus preceitos, sua

paixão pela excelência incendiavam todos os aspectos do dia de um

estudante de graduação, não pode entender a grandeza dele. Harry S.

Ashmore, em Unseasonable Truths [Verdades inoportunas] (Little, Brown,

1989), arrola muitos dos fatos, mas não capta o espírito.

Lembrando aquelas semanas exigentes, a tremenda pressão do clima e

da carga de trabalho, a competitividade e ambição intelectual desenfreadas

que todo o sistema alimentava, ainda consigo sentir uma empolgação

estimulante que nenhuma outra universidade jamais despertou em mim.

Atravessávamos noites inteiras discutindo Marx ou Dewey, analisando

palavra por palavra um parágrafo de Os dublinenses, de Joyce, ou da

lógica de Tarski. Enrico Fermi, que havia liberado a reação em cadeia

controlada que possibilitou a bomba atômica, e tinha feito isso num

laboratório embaixo do ginásio de futebol sem uso da universidade, estava

reformulando o ensino da física. Foi durante uma maratona de seminários,

com o vento açoitando num frio de rachar, que fui induzido a captar o

pouco que consigo sobre o verdadeiro significado de um salto quântico.

Foi algum monitor de matemática (possa ele, como lembrança, perdoar

minha obtusidade) que escreveu no quadro uma fila de números primos e,

embaixo dela, uma fila de números pares. Existem tantos numa linha

quantos na outra, disse ele. E, como uma rolha de champanha espoucando

dentro de mim, veio a percepção do que poderia ser o “infinito”. Até hoje,

passado tanto tempo, vibro ao relembrar oii — Observação, Informação e

Integração —, a matéria que coroava o curso. Aqui, uma equipe de

professores em sua maioria inspirados nos introduzia à tentativa, desde

Platão a Carnap, de descobrir um princípio geral do entendimento humano,

de encontrar lógica e significado no mundo e no pensamento em que

incorporamos o mundo. A concepção de Hutchins era radicalmente

histórica: um teorema matemático, uma forma literária, uma ideia

filosófica, a própria história tinham uma história. Nada poderia ser

apreendido de verdade fora de seu contexto genético. O trabalho em geral

era exaustivo, e sem dúvida ficávamos aquém. Mas a determinação

soberana de Hutchins de que estar numa seção da oii constituía o mais excelso privilégio — participar, mesmo como o mais despreparado dos

alunos, na reavaliação do conhecimento e da sociedade — soava

verdadeira. A Academia de Platão, os diálogos de Galileu, as aulas de

Hegel em Berlim — sentíamos isso na própria carne. E o melhor jazz, as

melhores saladas César ali ao lado do campus, na rua 63. E as siderúrgicas

em Gary e em White City flamejando suas luzes, avivando ainda mais os

fornos rubros ao chegar de Newark a notícia de que Tony Zale, com a mão

fraturada, derrotou Rocky Graziano (uma hosana, um absoluto desvario

que, na memória, não consigo dissociar de um trabalho imprestável que fiz

sobre as teorias sociais de Mill).

Em sua biografia, Ashmore dá destaque ao famoso programa dos

Grandes Livros, bibliografia central de textos clássicos que Hutchins e

Mortimer Adler montaram para os alunos jovens e também adultos.

Inquestionavelmente, essa lista e os grupos de leitura associados a ela eram

de importância vital para Hutchins. Ele declarou:

 

Este é mais do que um conjunto de grandes livros, é mais do que uma educação liberal. O programa dos Grandes Livros do Mundo Ocidental é um ato de devoção. Aqui estão as fontes de nosso ser. Aqui está o Ocidente. Aqui está seu significado para a humanidade. Aqui está a fé do Ocidente, pois aqui, a quem se disponha a ver, está aquele diálogo por meio do qual o homem ocidental acredita que pode se aproximar da verdade.

 

Na vida concreta da universidade, esse credo era mais tácito do que

explícito. Os cursos gravitavam em torno de obras canônicas e

consagradas. Os cientistas tinham de ler os documentos clássicos na

história de suas áreas. Mas o que Hutchins transmitia era o necessário

milagre do diálogo pessoal com os grandes mestres do pensamento do

passado e do presente. Ele transformou a universidade numa casa de

leitura ao vivo, onde as vozes se erguiam das páginas. Indiretamente, a crítica de Hutchins a Thomas Jefferson mostra o cerne da questão.

Hutchins dizia que Thomas Jefferson não era possuído por “aquilo que

costumava ser chamado de ‘amor intelectual a Deus’, e que agora

chamamos de ‘a busca da verdade como fim em si mesmo’”. Os objetivos

de Jefferson eram sociais e pragmáticos. Mas é a busca desinteressada,

jubilosamente obsessiva da verdade que constitui a única finalidade

autêntica do saber humano e a marca da dignidade própria, tantas vezes

censurada, do homem. Ler, reler apaixonadamente, ler “em diálogo” é

promover essa finalidade. Uma grande universidade é aquela onde a

necessária arte da leitura ocupa o lugar central. A Chicago de Hutchins era

exatamente isso. Desde então, não encontrei muitas outras parecidas.

Ashmore apresenta uma crônica calorosamente cordial e muito bem

documentada da ascensão vertiginosa de Robert Maynard Hutchins à

proeminência nacional. Ele fala da formação presbiteriana, dos dias de

escola quando o jovem Hutchins cultivou sua oratória, seu gosto pelo

trabalho intenso, sua pretensão quase inconsciente de autoridade. (Ajudava

o fato de ter 1,88 metro de altura e de ser muito bem-apessoado.) Hutchins

passou um período curto, mas muito difícil, na Europa, durante a Primeira

Guerra Mundial, o que o converteu numa espécie de pacifista militante.

Chegou a Yale em 1919, fez a graduação com típica rapidez, em três anos,

e começou a estudar direito antes do último ano. Aos 26 anos, Hutchins

dava aulas de direito como professor assistente, expondo sua convicção de

que o isolamento dos estudos jurídicos, afastados da psicologia social, da

teoria política e do debate filosófico fundamental, era indefensável.

Colegas e professores mais graduados recuavam a isso, mas o reitor James

Rowland Angell, de Yale, tinha um fraco por ele e, em 1927, com 28 anos,

Hutchins foi nomeado diretor da Faculdade de Direito de Yale. Já estava

em contato com homens que viriam a ser fundamentais em sua carreira intelectual e administrativa: Adler, William O. Douglas, Henry Luce (cuja

cobertura de Hutchins contribuiu para torná-lo uma figura nacional). E já

estava anunciando sua orgulhosa doutrina:

 

Afinal, a grande coisa numa universidade é que ela pode se permitir experimentar; e uso o verbo se permitir não em sua conotação financeira, mas para lembrarmos que uma universidade é livre para cultivar e mostrar a independência do pensamento, a vontade de se afastar da tradição, a disposição de se arriscar, se assim quiserem, que podem derivar de se ter uma vida que é praticamente imortal.

 

Platão poderia ter dito isso, ou Francis Bacon. Não era propriamente a

linguagem que se esperava de um diretor, que não tinha nem trinta anos,

discursando para um corpo recalcitrante de professores de direito.

Mas outros aguçaram os ouvidos. Em 1929, Robert Maynard Hutchins,

o “menino-prodígio” do ensino superior americano, foi convidado a ocupar

a reitoria (mais tarde a chancelaria) da Universidade de Chicago. Os 22

anos que passou lá foram memoráveis. Hutchins encontrou uma

universidade importante e a transformou num dos maiores centros de

pesquisa, estudo e docência do Ocidente. Medicina, antropologia,

pesquisas sociais e políticas, estudos orientais e bíblicos, física nuclear,

astrofísica, matemática floresceram sob a batuta apaixonada de Hutchins.

Mas no centro absoluto de seu múltiplo empreendimento estava a reforma

curricular da graduação, a transmutação do pragmatismo, do

profissionalismo e da capacitação funcional num modelo de percepção

fundamental. A partir daí, no Midway e naqueles quadrantes batidos pelo

vento que pareciam góticos (o gótico começava a se afigurar

insistentemente real), o axioma socrático de que nenhuma vida sem exame

era digna de ser vivida se tornou um imperativo.

Havia sérias dúvidas dos conservadores, e houve tentativas de

sabotagem. Dr. Ashmore descreve vividamente os sucessivos confrontos

com os titulares do corpo docente e a opinião pública, que Hutchins tinha

de vencer para alcançar sua meta. O papel de Adler era de atrito, mas, para

Hutchins, de certa forma foi orgânico. Criou-se uma estranha química

entre ambos. A promessa aristotélica e tomista de uma organização total,

de uma suma hierárquica e sistematizada do saber humano, sustentada, por

assim dizer, por uma disciplina incessante de definição, redefinição e

discurso, era o que animava os dois. Mortimer Adler sabia desafiar e

transgredir; Hutchins sabia converter o desafio e a transgressão em prática

administrativa e pedagógica. Além disso, ambos tinham a mesma paixão

pela jurisprudência, na acepção ampla do termo. Como ensinara Platão, a

lei é a fonte da cidade dos homens. Se essa cidade pretende ser esclarecida,

se pretende ser um lugar onde homens e mulheres são guardiães da

tradição viva e criadores do novo, a justiça deve prevalecer. Daí a posição

central ocupada pela Faculdade de Direito de Chicago, e sua proximidade

filosófica e formadora do clima da universidade. Daí o diálogo

estimulante, para qualquer aluno da graduação interessado em assistir às

aulas ou às sessões de pesquisa pertinentes (mesmo que só conseguisse

captar migalhas do que estava se passando), entre a filosofia política de

Leo Strauss, a natureza dos precedentes jurídicos segundo Edward Levi e o

mundo fechado da violência de Bruno Bettelheim. Aqui, por determinação

de Hutchins, não haveria nada daqueles “mimos, afagos e adulações aos

alunos” típicos da educação americana, mas “totalmente desconhecidos em

qualquer outro lugar”.

Hutchins dava palestras incessantes de norte a sul do país. Suas

máximas enchiam a imprensa. Estudiosos e pensadores de primeiro nível

ingressavam na equipe. Os estudantes de graduação formavam um conjunto variegado. Em meu dormitório alvoroçavam-se o brilhante

organizador da juventude do Partido Comunista americano, um dos dez

maiores jogadores de pôquer do país, um aluno que vinha transferido de

uma faculdade europeia (como eu) e que logo faria trabalhos importantes

em lógica matemática, um escritor de contos meio amalucado, um futuro

jurista penal com sensibilidade totalmente afinada com a de seus clientes

ladrões e assassinos, um grupo de físicos chineses disputando o Nobel

entre si, um ex-paraquedista cuja habilidade em se agachar e de um salto

alcançar a parte de cima do beliche me deixou uma imagem inesquecível

da mais pura graça e disciplina física.

Mas tudo isso tinha um preço. Ashmore aborda com muito tato a

infelicidade pública do primeiro casamento de Hutchins. Relata as várias

tentativas dos provocadores, tanto em Chicago quanto em Washington, de

acusar de comunismo, manchar o nome e depor do cargo um homem cujo

compromisso com a liberdade de pensamento e expressão era absoluto.

Comenta o grande erro político de Hutchins: sua participação nos

movimentos que lutavam para que os eua não entrassem na guerra contra

Hitler. Mas, mesmo nesse ponto penoso, os motivos de Hutchins eram

dignos de atenção. Ele sentia profeticamente que uma segunda guerra

mundial expandiria a autoridade, a abrangência predatória do governo e da

burocracia americana a um grau extremo, e ao mesmo tempo varreria para

baixo do tapete as desigualdades sociais e as tensões raciais que tanto

debilitavam aquela democracia. Mas, quando veio Pearl Harbor, Hutchins

não hesitou em dedicar os grandes recursos da universidade à pesquisa

voltada para a emergência nacional. As relações de Hutchins com

Roosevelt, que em certo momento parece ter pensado em seu nome como

possível vice-presidente, constituem um traço fascinante no retrato pintado

por Harry Ashmore.

Então o homem ficou esgotado. Em dezembro de 1950, Hutchins

aceitou o cargo de diretor, junto com Paul Hoffman, da Fundação Ford.

Aqui estamos na página 303 de uma biografia com 541 páginas. O restante

da carreira de Hutchins (ele morreu em maio de 1977) se resume, de modo

geral, ao tédio e ao fracasso. E assim fielmente segue o resto do livro. Os

últimos anos envolvem o dr. Ashmore, que se somou a Hutchins em suas

iniciativas de criar centros independentes de estudo. Isso explica, mas não

justifica, o tratamento elaborado que o autor dedica aos think tanks. Nomes

de celebridades jorram em cascatas. Pronunciamentos bombásticos sobre

as “Questões Básicas” do governo mundial, o destino americano, a

unificação de todo o conhecimento, a paz na terra e no mar rebrilham

nessas páginas de tom forçado como estrelas cadentes. Ingressamos

irremediavelmente nos delírios e pompas ilusórias daquilo que, certa vez,

Ezra Pound chamou de “afundações” americanas. O mandato de Hutchins

na Fundação Ford foi um fiasco. Então veio o Fundo para a República e os

projetos intermináveis de uma Academia Platônica, onde sábios de

posições liberais avaliariam e exporiam os programas políticos

americanos, os problemas de um parlamento mundial, o papel das ciências

numa democracia, as legislações marítimas e espaciais. No outono de

1959, Hutchins instalou a si e a seus mirmidões numa colina em Santa

Barbara.

Fiz uma rápida visita ao local nos anos 1970, para apresentar uma

comunicação. Ficaram-me duas impressões: um velho erudito inglês

excêntrico que me cochichou que, entre as jarras de água dispostas no

feltro verde da mesa do seminário, havia uma com gim, e uma aura de

irrealidade quase palpável. Hutchins, que movera montanhas, agora

habitava um território onde as pessoas acreditavam estar realizando

alguma coisa quando escreviam uma comunicação sobre um projeto, criavam uma comissão, compareciam a uma conferência, preenchiam

formulários pedindo verbas, publicavam uma brochura de capa reluzente

no final do ano. Esse irrealismo e a maledicência, os mexericos, as intrigas

palacianas que preenchiam os dias ociosos ao sol californiano conferem

uma tristeza enervante ao relato crepuscular de Ashmore. Houve alguns

surtos de energia prática. Hutchins teve um papel considerável na

concepção e preparação da nova Enciclopédia Britânica. Ele e seus colegas

opuseram resistência vigorosa ao filistinismo de direita e ao chauvinismo

insensato daquilo que rapidamente se tornava a Nixonlândia. Mas houve

no incêndio que se alastrou pelo Romero Canyon em 1964 e destruiu a

casa de Hutchins mais do que um elemento alegórico.

Qual é o legado de Robert Maynard Hutchins? A resposta não é fácil.

Em 1953, o colegiado da Universidade de Chicago tinha se “normalizado”,

e se seguiu um período de mediocridade ressentida. Hoje, o estilo Hutchins

está em ação, se tanto, no despotismo visionário de John Silber, na

Universidade de Boston. Mas Chicago se recuperou. Voltou a ser uma das

grandes universidades, e Hannah Gray, que ocupa a reitoria, é uma mulher

de autoridade incisiva e de profundo compromisso com a posição de

eminência. Prevaleceu, se não o projeto concreto de Hutchins, pelo menos

seu exigente orgulho pela instituição. Em termos mais gerais, é evidente

que o debate atual sobre a situação do intelecto americano, sobre o

escândalo do ensino secundário no país, sobre o dilema insolúvel, porém

essencial, das relações entre democracia e excelência, entre justiça

étnica/social e qualidade intelectual (Hutchins tinha um compromisso

absoluto com ambas) é um debate cujas origens e muitas de suas

formulações remontam aos dias inebriantes em que Hutchins dirigiu a

Faculdade de Direito de Yale. Para terminar com uma nota pessoal: graças

a Hutchins, aprendi, intelectualmente e nas fibras de meu corpo, o que uma universidade pode e deve ser. Essa é uma dádiva fenomenal. Como ela se

fez sentir, é uma história que ainda está para ser escrita.

 

23 de outubro de 1989

 

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