Total War Rome: Destruição de Cartago

David Gibbins · Capítulo 29 de 29

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Total War Rome: Destruição de Cartago

Nota do autor

Meu fascínio por Cipião Emiliano e o cerco de Cartago começou quando eu era estudante de graduação na Universidade de Bristol e tive a sorte de aprender a história da República romana com Brian Warmington, autor de um dos livros acadêmicos seminais sobre o tema (Carthage, Penguin, 1964); e fui grandemente estimulado quando era estudante de doutorado e pesquisador de pós-doutorado na Universidade Cambridge e participei do projeto “Salve Cartago” da Unesco, um esforço internacional para escavar e registrar o máximo possível da antiga Cartago em face do desenvolvimento moderno.

O principal foco da missão britânica eram os antigos portos, onde a descoberta mais impressionante foram os abrigos navais púnicos que cercavam o porto circular — abrigos que se provaram datar não do apogeu de Cartago, no século III a.C., mas dos anos que antecederam 146 a.C., mostrando que estavam reconstruindo sua marinha e prova de que Catão tinha razão o tempo todo ao alertar Roma sobre a ameaça. Equipes de arqueólogos submarinos, incluindo uma expedição sob minha direção, revelaram grande parte do porto externo, portanto minha descrição do embarcadouro onde Cipião e Fábio atracaram secretamente no Diana baseia-se no estudo extenso das fundações submersas. Uma das descobertas mais empolgantes feitas durante meu período em Cartago foi o canal que ligava ao mar os portos cercados por terra. Enquanto nossa escavadora descia muitos metros na camada preta e anóxica no fundo do antigo porto, mostrando que descobríramos o espaço entre o cais externo que marcava a entrada, coloquei-me no mesmo local onde imaginei Fábio vendo o lembos fazer sua fuga durante o cerco.

Mais perto dos portos, no “Tofete”, as escavações revelaram diversas sepulturas de cremação infantil, algumas, muito provavelmente, vítimas do sacrifício de crianças, conforme relatado pelas fontes romanas. O primeiro historiador do século I a.C., Diodoro Sículo (20.14), descreve um imenso deus esculpido em bronze, para dentro do qual as crianças eram jogadas ainda vivas, rumo a uma fornalha abaixo. Mais acima, no Monte Birsa, no “bairro púnico” que descrevo no romance, mergulhei o braço literalmente nos destroços do cerco, escavando material de construção calcinado, cerâmica quebrada, ossos humanos e projéteis romanos de balista datando de um daqueles dias catastróficos em 146 a.C. É raro na arqueologia fazer descobertas que possam ser relacionadas com tanta clareza a acontecimentos históricos, mesmo aqueles tão importantes como o cerco de 146 a.C., e minhas experiências em Cartago levaram-me a muitos anos de reflexão sobre a relação entre as evidências históricas e arqueológicas, além de me proporcionarem um pano de fundo pessoal vívido para servir de pano de fundo à história neste romance.

A natureza das evidências históricas romanas

Não existe nenhum relato em primeira mão de nenhum dos eventos históricos descritos neste romance. A Batalha de Pidna em 168 a.C. e o triunfo que se seguiu são conhecidos principalmente por um relato escrito cerca de 250 anos depois, a narrativa de Plutarco sobre a vida de Lúcio Emílio Paulo, pai de Cipião Emiliano; entretanto, aquelas poucas centenas de linhas fazem de Pidna uma das batalhas mais bem documentadas do século II a.C. (Aemilius Paullus, 16-23). Embora Plutarco tivesse escrito muito depois do evento, detalhes semelhantes, como o relato dos cavalos sem cavaleiro escapando por entre as linhas, são encontrados nas referências que sobreviveram à batalha do historiador do século I a.C., Lívio (44.40-2), que provavelmente teve acesso ao relato contemporâneo de Políbio.

O cerco de Intercacia na Espanha e o papel de Cipião Emiliano nele são conhecidos por algumas linhas de Apiano, que também é nossa fonte principal para o cerco de Cartago; ele escreveu quase trezentos anos depois dos acontecimentos descritos. Plutarco e Apiano se basearam em relatos contemporâneos que agora se perderam — notadamente os volumes das Histórias de Políbio desse período —, mas não pode haver certeza de o quanto essas fontes anteriores eram confiáveis ou imparciais, em uma época em que a erudição histórica como conhecemos ainda não existia. Além disso, as obras de Plutarco, Apiano e de outros historiadores da Antiguidade são conhecidas apenas por intermédio de cópias medievais, o que aumenta ainda mais a incerteza de seu uso como material fonte; os manuscritos em geral contêm erros de transcrição, bem como omissões, “interpretações” e ornamentos que refletem os interesses dos monges que realizaram a cópia.

No estudo da história militar antiga, no que diz respeito aos planos e às táticas de batalha, essas limitações de material fonte são críticas. O cerco e a destruição de Cartago, o ápice das Guerras Púnicas, foram um dos principais eventos da história, tão importante quanto as guerras napoleônicas e a Batalha de Waterloo em nossos tempos. Todavia, depender quase exclusivamente de Apiano é como se Waterloo fosse conhecida unicamente por um relato, com cerca de dez páginas, sem notas de rodapé, sem referências de fonte nem ilustrações, escrito por um historiador amador duzentos anos depois dos acontecimentos (na realidade, é claro, Apiano escreveu até mais tempo depois do cerco de Cartago!).

A comparação é ainda mais gritante no caso de nosso conhecimento dos comandantes militares romanos. Qualquer biografia de Napoleão ou de Wellington constitui a essência de uma pequena biblioteca de material fonte, incluindo escritos autobiográficos e correspondência pessoal, relatos de testemunhas oculares, registros militares, mapas e planos. Ainda assim, persistem incertezas sobre a natureza de seu caráter, sobre suas motivações e o pano de fundo de seu pensamento estratégico e tático. No caso de Cipião Emiliano, figura de importância histórica semelhante, a soma total dos “fatos” sobre ele encheria pouco mais de uma página, e uma biografia moderna é, portanto, não uma redução ao essencial, mas uma análise daqueles poucos fragmentos de informação, inclusive traduções peritas de textos gregos e latinos, uma avaliação da confiabilidade do material fonte e uma tentativa de inseri-lo em um contexto histórico mais amplo.

Tais limitações mostram quanto espaço existe para a ficção histórica e como a credibilidade de qualquer reconstituição — seja histórica ou fictícia — trata menos de reproduzir seus “fatos” aparentes do que de compreender as incertezas de tal informação, bem como a necessidade de abordá-la criticamente. O limite entre a especulação histórica e a ficção histórica pode ser atravessado facilmente, com a arqueologia permitindo cada vez mais uma avaliação renovada das fontes escritas, bem como uma base independente para novas imagens do passado.

As fontes históricas antigas

O grande historiador do século II a.C. foi Políbio, amigo e mentor de Cipião Emiliano e personagem importante neste romance. Sua obra nos fornece um relato único em primeira mão de muitos dos acontecimentos do período, e seu tratado sobre o exército foi o primeiro relato detalhado dos militares romanos em uma época em que ainda não eram profissionais. Infelizmente, apenas metade de suas Histórias sobreviveu, nenhum dos principais acontecimentos deste romance, e sempre em cópias medievais de textos antigos, embora alguns historiadores gregos e latinos posteriores citem passagens de Políbio ou escrevam relatos que provavelmente se fiaram fortemente em obras dele que agora se perderam. Assim como Lívio, que escreveu no século I a.C., a mais importante dessas fontes “secundárias” é o historiador grego do século II, Apiano, cuja Libyca contém uma descrição detalhada do cerco de Cartago que provavelmente é uma paráfrase confiável do relato original de Políbio. Sem Apiano, as pedras mudas de Cartago poderiam contar uma história muito diferente, e um relato do ataque final, tal como o que aparece neste romance, não se basearia mais em um arcabouço de prováveis eventos históricos.

A maioria dos historiadores da Antiguidade, se pressionados, provavelmente teriam apoiado o que era chamado de visão da história de “grande homem”, em que indivíduos poderosos, em vez da maré da história, eram essencialmente responsáveis por alterar o curso dos acontecimentos e do mundo que o historiador via a sua volta, para o bem ou para o mal. Indivíduos admirados como Cipião Emiliano não foram apenas louvados por seu lugar na história — no caso dele, pelo que realizou, mas de igual importância pelo que escolheu não fazer —, mas foram também apresentados como modelos morais, algumas vezes até mesmo na ficção. Um exemplo desse último é o panegírico do autor do século I a.C., Cícero, em seu diálogo fictício Do orador e também no Somnium Scipiones, o “Sonho de Cipião”, uma obra que pode ter sido de ficção moralista da parte de Cícero, mas também pode ter se baseado em um relato perdido de uma experiência real de sonho, talvez recontada por Políbio. Outro moralista, porém mais historiador do que Cícero, foi o grego Plutarco, do fim do século I até o início do século II, cuja vida de Emílio Paulo, pai de Cipião, fornece fragmentos de informação sobre o início da vida de Cipião e sua primeira experiência de batalha em Pidna, em 168 a.C., bem como um retrato nítido do triunfo celebrado em honra a Emílio Paulo quando ele voltou a Roma no ano seguinte.

Além dessas fontes, a pesquisa epigráfica — o estudo de inscrições em tumbas e outros monumentos — nos ajudou a reconstituir a genealogia das grandes famílias patrícias desse período, em geral significando que temos como saber seus nomes e algo sobre suas inter-relações, mas muito pouco além disso. A vida de soldados comuns, como o fictício Fábio, não é nada conhecida, exceto por raras inscrições em tumbas e menções ocasionais de autores da antiguidade quando aqueles realizavam determinadas proezas de coragem ou algum outro feito notável.

Onde há material suficiente para formar o esboço de uma biografia, precisamos ter o cuidado de nem sempre tomar o que está escrito pelo que aparenta. Para Cícero, um republicano inflamado, Cipião Emiliano era admirável por seu comedimento, por não liderar um golpe em Roma após sua vitória em Cartago e não tentar dominar o mundo; para Políbio, Cipião era um amigo e também um modelo das virtudes romanas que Políbio tanto admirava, levando-o talvez a dar destaque a alguns traços de caráter em detrimento de outros. Como acontece com os relatos vitorianos dos maiores generais da época, homens como Lord Kitchener, precisamos ter cautela com os louvores e a hagiografia. De longe, o melhor cotejo e análise crítica moderna do material fonte sobre Cipião Emiliano eram do falecido professor Alan Astin, da Queen’s University, de Belfast, que descreveu Cipião memoravelmente como “um quase autocrata que, apesar da relutância pessoal, poderia ter sido um Princeps um século antes de Augusto” (Scipio Aemilianus, Oxford University Press, 1967, p. vii).

Vale destacar o pouco que sabemos de evidências escritas desse período. Quase todos os “fatos” vêm de autores que viveram muitos séculos além dos acontecimentos que descrevem e grande parte disso está relatada em anedotas, dizeres e provérbios de algumas frases ou menos. Existem hiatos imensos em nosso conhecimento. Por exemplo, os anos entre o triunfo de Emílio Paulo em 167 a.C. e o início da segunda guerra celtibera em 154 a.C. mal são documentados, e há um branco quase completo sobre a vida de Cipião Emiliano. Isso não significa necessariamente que nada de grande interesse aconteceu naqueles anos, mas pode, em vez disso, representar os caprichos da sobrevivência de documentos. Mesmo um autor da importância de Políbio, que manteve uma reputação levada por toda a antiguidade e ainda era lido na corte bizantina de Constantinopla, sobreviveu apenas em manuscritos parciais que representam menos da metade de sua obra conhecida. Outros historiadores podem entrar e sair de moda e se perder na obscuridade, suas obras descartadas e conhecidas somente por intermédio de anedotas e citações de autores posteriores, às vezes de fidedignidade duvidosa. Uma vez que todo livro na antiguidade precisava ser aflitivamente copiado à mão, mesmo autores populares podiam ser representados apenas por algumas dezenas de cópias de seus livros, armazenados nas bibliotecas particulares de seus patronos ou em bibliotecas públicas nas grandes cidades; a maioria foi destruída pelo tempo, mais notadamente no incêndio da grande biblioteca de Alexandria no final da antiguidade.

Um dos grandes motivos de entusiasmo no futuro pode ser a descoberta dos escritos originais perdidos desse período, talvez em fragmentos de papiros reutilizados como envoltório de múmias no Egito, ou nos restos das próprias bibliotecas antigas. Uma das descobertas mais extraordinárias da arqueologia romana é a “Villa do Papyri” em Herculano, na Itália, contendo uma sala cheia de pergaminhos que foram carbonizados depois da erupção do Vesúvio, que soterrou a cidade em uma torrente piroclástica no ano 79. Os pergaminhos continham principalmente os escritos de um filósofo grego obscuro, mas sugeriam a presença de possível material desconhecido em uma das outras casas de patrícios abastados ainda enterrada sob a encosta do vulcão. Tal descoberta poderia revolucionar nosso conhecimento da história antiga e detalhar a realidade daqueles anos perdidos no século II a.C., mas, enquanto isso, temos material remanescente suficiente para permitir uma especulação fundamentada coerente com tudo o mais que sabemos desse período, inclusive o corpo crescente de provas arqueológicas.

Cipião Emiliano Africano

A soma total de conhecimento sobre Cipião, anterior à sua nomeação ao Senado em 152 a.C., provavelmente encheria apenas meia página, todavia ainda assim fornece mais detalhes sobre o início de sua vida do que a maioria dos outros romanos desse período. Sabemos algo da educação e do caráter de Cipião por referências em primeira mão, remanescentes de seu mestre e amigo Políbio, e de referências de autores posteriores que se utilizaram de relatos de Políbio e de outras narrativas contemporâneas agora perdidas. Plutarco, por exemplo, nos conta que Emílio Paulo procurou educar seus filhos “não somente na disciplina nativa e ancestral em que ele próprio foi treinado, mas também, e com maior ardor, na dos gregos. Pois não só gramáticos, filósofos e retóricos, mas também os modelistas e pintores, os tratadores de cavalos e cães, e os mestres da arte da caça, de quem os jovens se cercavam, eram gregos” (Aemilius Paullus, 6.8). Depois da Batalha de Pidna, Cipião e seu irmão tiveram permissão para pegar o que quisessem da Biblioteca Real Macedônia, e Cícero nos conta que Cipião “sempre tinha nas mãos” a Ciropédia de Xenofonte, um relato da vida de Ciro, o Grande, da Pérsia e sua ascensão ao poder. Cícero também nos conta que, quando jovem, Cipião estava ansioso para ouvir os discursos de diversos filósofos atenienses que seguiram para Roma (De Oratore, 2.154).

A absorção da cultura grega por Cipião sem dúvida nenhuma foi modelada e contida por Políbio, ele, é claro, um grego, mas de maneira alguma um helenista acrítico. A admiração de Políbio pelo caráter romano é revelada em seu relato da reputação de Cipião para a temperança, algo que o destacava em Roma naquela época, responsável por “...uma deterioração moral da maioria dos jovens. Pois alguns se abandonaram a aventuras amorosas com rapazes, outros com prostitutas, prazeres musicais e bebedeiras (...) Cipião, porém, determinou-se a buscar o curso de conduta contrário (...) estabeleceu uma reputação universal de autodisciplina e temperança” (Políbio, 31.25). A atitude de Políbio para com a história tinha um viés prático, vendo que podia ser usada para campanhas e estratégias futuras da época, e a paixão de Cipião pela Ciropédia sugere que seu interesse pela literatura grega foi motivado pelo mesmo imperativo. É possível, portanto, ver um jovem fortemente educado no mos maiorum, o costume romano dos ancestrais, e aberto a novas influências dos gregos, todavia tendo essas influências sido mediadas por Políbio de modo que reforçassem as virtudes romanas da honra e da lealdade que o próprio Políbio tanto admirava.

A imagem de um jovem sério e um tanto austero é compensada por sua paixão pela caça, algo que Cipião partilhava com Políbio, e por sua destreza excepcional como guerreiro. Logo depois da Batalha de Pidna, ele passou muito tempo caçando na Floresta Real Macedônia, dada a ele pelo pai como presente de vitória. Em Pidna ele se destacou na batalha, combatendo a falange macedônia, voltando depois para perseguir “...com dois ou três companheiros, coberto pelo sangue dos inimigos que abatera, tendo sido, como um jovem caçador de nobre estirpe, levado pelo prazer incontrolável da vitória” (Plutarco, Aemilius Paullus, 22.7-8). Quando se ouve falar dele novamente em batalha, cerca de 17 anos depois, na Espanha, sabemos que ele matou o chefe tribal inimigo que o desafiara a um combate homem a homem, e conquistou a corona muralis por ter sido o primeiro na muralha no ataque à fortaleza de Intercacia; cerca de dois anos depois, na África, quando ainda era apenas um tribuno militar, ele conquistou a ainda mais cobiçada corona obsidionalis por resgatar alguns soldados romanos da aniquilação quase certa por parte das forças cartaginesas (Políbio, Ibérica 53 e Lybica 102-104, Livy, Periocha 48-9).

É provável que Cipião e seus contemporâneos tivessem aprendido juntos habilidades básicas de combate quando ainda rapazes em Roma, sob orientação de veteranos incumbidos de seu treinamento nas armas. Se houve ou não uma “academia” que também proporcionava treinamento nas artes mais elevadas da guerra — a estratégia e a tática — não se sabe, mas essa possibilidade é sugerida pelas preocupações de alguns patrícios da geração mais velha com a preparação militar de futuros oficiais, bem como a disponibilidade de mestres gregos que podiam ensinar história militar — alguns, como Políbio, ex-soldados com perícia em combate. Políbio certamente teria sido bastante adequado para a função, não apenas por causa de sua experiência, mas devido à sua fascinação por tudo ligado ao ambiente militar, incluindo o “Quadrado de Políbio” e o telescópio para sinalização no campo de batalha (Polybius, 10.45-6). Outros no Senado, possivelmente a maioria, teriam se oposto a tal academia, temendo a profissionalização de um corpo de oficiais, de modo que imaginei que ela operasse discretamente no interior da Escola de Gladiadores, local onde eram conduzidos o treinamento e a prática com armas em vítimas vivas. Na Roma atual, as ruínas visíveis da Escola de Gladiadores ao lado do Coliseu são de um período posterior ao deste romance, mas as provas arqueológicas sugerem que pode ter existido um campo de treinamento anterior nesse local, ao sul do Fórum, no século II a.C.

A relação entre Cipião e Políbio foi uma das maiores amizades da antiguidade, complicada no entanto pelo fato de Políbio ter sido, estritamente falando, prisioneiro dos romanos, um nobre grego forçado pelas circunstâncias a aceitar o pedido de ser mentor de Cipião o Jovem em Roma. Cipião possuía um irmão mais velho, Fábio (um nome resultante de sua adoção pela gens Fabii), também pupilo de Políbio; utilizei seu praenomen e seu relacionamento com Políbio na criação de meu legionário fictício Fábio Petrônio Segundo, o guarda-costas e camarada de Cipião, cujo relacionamento com ele neste romance é, de certa forma, semelhante ao de irmãos.

Especulei que Políbio esteve em Roma por volta de 168 a.C., e que esteve presente ao lado dos romanos na Batalha de Pidna, tendo então se rendido como prisioneiro pouco antes da maioria de seus contemporâneos, condizente talvez com sua admiração por Roma. Ele certamente se tornou um grande defensor de Roma e encontrou em Cipião um jovem que fugia aos parâmetros habituais, sensibilizado pela desonra que pode ter sido lançada sobre ele por sua família adotiva na gens dos Cipiões, por ele não ter demonstrado interesse nos tribunais e nas amabilidades sociais de Roma. Como Políbio, ele era versado nos livros e intelectual, mas também um caçador e guerreiro apaixonado, que apreciava sobretudo a ideia da guerra e de um destino que o levaria em 146 a.C. a se postar sobre as muralhas de Cartago e contemplar as possibilidades grandiosas a sua frente, para ele e para o futuro de Roma.

Boa parte da narrativa das últimas horas da guerra púnica em Cartago neste romance se baseia em Apiano, particularmente a batalha e a matança no bairro velho da cidade, abaixo do Monte Birsa. Quanto ao destino de Asdrúbal, Apiano nos diz que ele se rendeu a Cipião, mas que sua esposa matou seus filhos e se atirou junto a eles no fogo do templo, “meio pelo qual Asdrúbal também deve ter morrido” (Apiano, Lybica, 131); tomei essa sugestão de Apiano como base para a apocalíptica cena final na obra.

Para uma discussão mais detalhada dos fatos por trás da ficção, bem como imagens e vídeos relacionados aos sítios e artefatos discutidos neste romance, inclusive meu próprio trabalho arqueológico em Cartago, visite meu website www.davidgibbins.com.

 

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