Trabalho (Imaterial), Valor e Classes Sociais
Posfácio
Giovanni Alves
Problemáticas do marxismo do século
XXI
O conjunto de entrevistas feitas por Henrique Amorim para compor este interessante livro baseado nos temas candentes trabalho imaterial, valor e classes sociais – além de muitos outros temas do marxismo do século XX – é um acervo precioso de percepções de autores importantes – sobretudo do Brasil e da França (a exceção é a presença do inglês John Weeks) – sobre a análise geral do capitalismo do ponto de vista do enfrentamento dos problemas sociais contemporâneos. É um interessante acervo de exposições sobre as problemáticas do marxismo no século XXI. As entrevistas inéditas se desenrolam entre 2009 e 2014, compondo, deste modo, o primeiro momento da conjuntura de crise do capitalismo neoliberal. A nova e profunda crise do capitalismo global em seu “núcleo orgânico” (União Europeia, EUA e Japão), a partir da crise financeira de 2008, explicitou a instabilidade estrutural do sistema mundial do capital imerso, há pelo menos trinta anos, em candentes contradições orgânicas. Eis, portanto, a importância do livro – salientar os alcances (e limites) das reflexões de importantes autores marxistas no cenário de crise do capitalismo global da década de 2010. Meu objetivo neste pequeno posfácio não é elaborar uma síntese das várias intervenções – o que seria quase impossível, tendo em vista a variedade de posicionamentos sobre um rol de temas que perpassam não apenas o eixo trabalho imaterial, classe e valor.
Existem importantes discussões sobre o método de trabalho de cada autor, suas influências teóricas, a centralidade do trabalho, a teoria do valor-trabalho, o conceito de fetichismo da mercadoria, o conceito de classe em Marx, consciência de classe, desenvolvimento das forças produtivas e relações de produção, trabalho produtivo e improdutivo, trabalho concreto e trabalho abstrato, as relações entre tempo livre e tempo liberado, dimensões das lutas sociais hoje etc. Outra temática explorada nas entrevistas com alguns autores é a relevância da obra de Karl Marx, a interpretação dos Grundrisse e O capital, a relação de Marx com Hegel e Feuerbach etc.
Enfim, como dissemos, o valor do livro é resgatar um panorama complexo e, portanto, rico e multifacetado das interpretações que importantes autores marxistas (e alguns não marxistas, como Dominique Méda e Robert Castel) têm sobre problemáticas do capitalismo do século XXI. É um livro que provoca a riqueza candente da reflexão marxista hoje. Não podemos deixar de reconhecer a força heurística das entrevistas, não apenas em dar respostas às problemáticas candentes salientadas acima, como em levantar novos questionamentos que o marxismo do século XXI deve ser obrigado a responder.
Neste posfácio autoral – e não meramente protocolar – eu não poderia deixar de salientar algumas questões fundamentais do capitalismo global em sua fase de crise estrutural que considero importantes. Podemos dizer que o marxismo do século XXI ainda se mantém arredio a dialogar com a problemática do estranhamento (ou alienação) e a subjetividade de classe (e não apenas da consciência de classe). O mundo social do trabalho no século XXI é um mundo social dilacerado pela deriva humana das personalidades de classe (o que eu denomino de desmonte das pessoas humanas de classe). Na verdade, a problemática oculta das várias reflexões que constam nestas entrevistas pode ser a problemática da precarização do trabalho como condição histórico-estrutural de desenvolvimento do próprio capitalismo global. O conceito de precarização estrutural do trabalho é o conceito crucial – ideia-chave – para explicar a natureza da degradação do trabalho vivo no século XXI. As ocorrências de precarização do trabalho não significam meras falhas contingentes da regulação social e política do trabalho, mas dizem respeito à necessidade estrutural do sistema mundial produtor de mercadoria em sua etapa de crise estrutural de valorização. Por outro lado, é importante salientar também que a crise estrutural do capital, além de ser crise de valorização de valor – e eis o ponto radical –, é crise de (de)formação do sujeito histórico de classe. Com a disseminação intensa e ampliada de formas derivadas de valor na sociedade burguesa hipertardia, o fetichismo da mercadoria e as múltiplas formas de fetichismo social tendem a impregnar as relações humano-sociais, colocando obstáculos efetivos à formação da consciência de classe necessária e, portanto, à formação da classe social do proletariado (distinguimos “formas constitutivas” e “formas derivadas” do valor. Por exemplo, as categorias trabalho abstrato e exploração são categorias pertinentes do trabalho produtor de valor, sendo, deste modo, “formas constitutivas” do valor. Elas constituem a forma-valor que impregna o trabalho produtivo no modo de produção capitalista).
Consideramos que, na medida em que se desenvolve de modo ampliado, intensa e extensivamente a forma-valor tende a se disseminar por instâncias não produtivas do modo de produção capitalista. Por isso, o trabalho abstrato e a exploração aparecem como “formas derivadas” do valor nas instâncias do trabalho “improdutivo” interior ou exterior à produção do capital. Enquanto formas derivadas do valor, trabalho abstrato e exploração são meramente “formas fictícias” que não contribuem objetivamente para a formação do valor e muito menos para a sua valorização. Entretanto, mesmo imbuídas de “ficticidade”, elas têm, no plano existencial, a mesma eficácia ontológica das formas constitutivas do valor, o que significa que a distinção “formas constitutivas”, vinculadas às instâncias produtivas e “formas derivadas”, que possuem uma dimensão meramente fictícia na ótica do processo efetivo de formação do valor, torna-se uma distinção relevante apenas para entendermos a dinâmica da acumulação do capital, sendo irrelevante para aferir a dinâmica da vida social e a efetividade da luta de classes (por exemplo, o trabalhador público, afetado pelo trabalho abstrato e exploração do capital, embora, a rigor, não produza valor, é tão capaz de desenvolver, cum grano salis, a consciência de classe necessária quanto o operário industrial explorado e subsumido à lógica efetiva do trabalho abstrato produtor de valor).
Deste modo, o capitalismo global, como capitalismo manipulatório nas condições da vigência plena do fetichismo da mercadoria, expõe uma contradição crucial entre, por um lado, a universalização da condição de proletariedade e, por outro lado, a obstaculização efetiva da consciência de classe necessária de homens e mulheres que vivem da venda de sua força de trabalho. Estas duas dimensões intrinsecamente contraditórias da crise estrutural do capital – por um lado, crise de valorização (produção/realização) do valor e, por outro lado, crise de (de)formação do sujeito de classe – tendem a alargar a temporalidade histórica da “crise de civilização” do mundo do capital.
O conceito de crise estrutural do capital é um conceito fundamental para apreendermos as mudanças qualitativamente novas das categorias da crítica da economia política. A crise estrutural do capital não significa a estagnação e colapso da economia capitalista mundial, mas sim incapacidade do sistema produtor de mercadorias realizar suas promessas civilizatórias. Tornou-se lugar comum identificar crise com estagnação, mas, sob a ótica do capital, “crise” significa tão somente riscos e oportunidades históricas para reestruturações sistêmicas do capital visando a expansão alucinada da forma-valor. De fato, o capitalismo expande-se e se renova, no plano fenomênico, através de suas crises. Em sua etapa de crise estrutural, ele tende a aparecer como um sistema mundial imerso em contradições sociais candentes. Marx observou que o capital é a própria “contradição viva”. Apesar de estar em crise estrutural, ele, ao mesmo tempo, se expande como sistema mundial produtor de mercadorias. Embora esteja em fase de decadência histórica, a ordem burguesa é capaz de iludir com promessas de liberdade e igualdade.
Na época do capitalismo global, caracterizada pelas múltiplas crises financeiras – pois esta é a forma de crise capitalista predominante sob a mundialização do capital –, o sistema mundial do capital amplia e intensifica a produção de fetichismos sociais, agudizando as alienações e estranhamentos de homens e mulheres que trabalham. O que percebemos é a ampliação, num patamar universal, daquilo que denominamos “condição de proletariedade” e a vigência plena do modo de produção de mercadorias num cenário planetário. Devido à intensificação dos fetichismos sociais, ativados pela aguda manipulação do capitalismo tardio, “condição de proletariedade” não se traduz efetivamente em consciência de classe necessária. A “classe” como sujeito histórico é mera virtualidade. Mesmo com a ampliação da condição existencial de proletariedade, não se constitui necessariamente, ou se constitui de modo limitado, o sujeito histórico de classe capaz de dar resposta efetiva à miséria da ordem burguesa.
Para além da ótica economicista, a crise do capital em sua fase de decadência histórica é, de fato, hoje, a “crise de civilização”, que se expressa com vigor na degradação do metabolismo social homem-natureza: seja a natureza humana, expressa no cataclismo social, com seus milhões de trabalhadores precários e a massa de desempregados sem perspectivas de futuro digno e vítimas do adoecimento físico e mental; seja a natureza natural, com o cataclismo climático marcado pelo aquecimento global e deriva climática.
Sob o capitalismo global ampliou-se, no plano histórico-universal, a condição existencial de proletariedade, isto é, a condição existencial de homens e mulheres subsumidos ao metabolismo social estranhado e fetichizado do capital. Eles compõem a classe dos trabalhadores assalariados empregados e desempregados subordinados às experiências vividas e percebidas de subalternidade, acaso e contingência, inseguranças e descontrole existencial, incomunicabilidade e corrosão do caráter, deriva pessoal e sofrimento, risco e periculosidade, invisibilidade social e migrabilidade, experimentação e manipulação, prosaísmo e desencantamento. Um contingente amplo e crescente da “classe” do proletariado compõe hoje o mundo social do “trabalho vivo” que não produz valor, embora uma parte dele seja imprescindível à produção de valor (é o caso, por exemplo, dos trabalhadores assalariados “improdutivos” interiores à produção do capital, isto é, empregados vinculados às atividades de circulação e distribuição das mercadorias; ou mesmo, os trabalhadores assalariados vinculados ao setor de comércio e finanças, importantes setores “improdutivos” do capitalismo global vinculados à realização do valor). Por outro lado, por conta das necessidades de reprodução social do sistema do capital, temos o crescimento dos trabalhadores assalariados “improdutivos” exteriores à produção do capital, os trabalhadores públicos, subsumidos ao Estado político do capital. Tanto trabalhadores assalariados empregados quanto desempregados, operários e empregados produtivos ou improdutivos, interiores ou exteriores à produção do capital (como os trabalhadores públicos), estão imersos na condição existencial de proletariedade por conta da sua inserção no metabolismo social total estranhado do mundo do capital.
O capitalismo global como sistema mundial produtor de mercadorias é o capitalismo da hiperindustrialização universal. Por conta das contratendências históricas à crise de valorização, exacerbou-se nas últimas décadas (1980-2010) a presença da grande indústria na vida social, aumentando, em termos absolutos, o contingente do trabalho vivo inserido na produção de valor. Os trabalhadores assalariados empregados que produzem mais-valia são os operários e empregados ligados a atividades industriais, sejam elas da indústria propriamente dita ou da indústria de serviços (incluindo, por exemplo, a educação e saúde privatizada). Independentemente da forma material da produção de mercadorias – valores de uso tangíveis ou intangíveis, como entretenimento, educação ou saúde –, o capital extrai mais-valia da força de trabalho da indústria ou serviços privados. Entretanto, apesar da expansão da grande indústria capitalista, presenciamos, hoje, a crise do trabalho abstrato, isto é, a crise do trabalho que produz valor, no sentido de que o crescimento em demasia do capital acumulado, graças à crescente extração de mais-valia, encontra, nas condições do capitalismo global, cada vez mais, menos possibilidade de rentabilidade adequada, tendo em vista as necessidades sistêmicas de acumulação de riqueza abstrata. É o que salientamos como sendo a crise da formação do valor, no sentido de produção e realização do valor nas condições da crise de superprodução/sobreacumulação e crise de subconsumo. Na verdade, a crise de valorização do capital nas condições da hiperindustrialização capitalista em escala global é um paradoxo crucial do nosso tempo histórico. Apesar do crescimento do capital acumulado por conta do crescimento da extração da mais-valia em escala global, presenciamos hoje, nos últimos trinta anos, uma crise crônica do capitalismo mundial, incapaz de garantir crescimento sustentável e preservação dos direitos sociais do mundo do trabalho.
A massa de capital-dinheiro acumulado por conta do crescimento da taxa de exploração, em virtude do processo recorrente de precarização estrutural do trabalho nos últimos “trinta anos perversos” do capitalismo global, não consegue se realizar de forma adequada e necessária no âmbito da produção de mercadorias. O que significa menos possibilidades de investimentos produtivos que conduzam a uma rentabilidade adequada. A vigência da financeirização da riqueza capitalista exprime a deriva íntima do trabalho produtor de valor – uma parcela significativa do capital-dinheiro tende a se reproduzir adotando formas fictícias de valorização. Constitui-se, assim, o “capitalismo fictício” onde não há lugar não apenas para o trabalho concreto (o que explica o crescimento do desemprego em massa), mas também para o trabalho abstrato, produtor de valor (o que explica a queda, em termos relativos, dos investimentos produtivos). Disseminam-se as “formas derivadas” de valor, com o trabalho abstrato assumindo uma feição fictícia, afetada de negação.
Mas a crise do trabalho abstrato e suas derivações reflexivas (a precarização estrutural do trabalho e a financeirização da riqueza capitalista) são, paradoxalmente, expressão candente da vigência plena da mais-valia relativa. O capitalismo hipertardio é um capitalismo afetado de negação categorial. O capitalismo da grande indústria é o capitalismo da mais-valia relativa, que contém, em si e para si, a determinação tendencial do aumento da composição orgânica do capital e o descenso da taxa média de lucro em escala global. Tanto na indústria propriamente dita quanto nos serviços capitalistas ocorreu nos últimos trinta anos a substituição paulatina de “trabalho vivo” por “trabalho morto”. É flagrante o aumento da produtividade do trabalho nos setores produtivos da economia capitalista, tanto nas indústrias quanto nos serviços, que incorporam, cada vez mais, a lógica da mais-valia relativa. Na medida em que se elimina “trabalho vivo” produtor de valor, corrói-se a base constitutiva do valor. Reduzem-se as formas constitutivas de valor, apesar de ampliarem-se as formas derivadas de valor (por exemplo, a lógica do trabalho abstrato tende a impregnar as atividades “improdutivas” do capital, inclusive a administração pública, além de permear a vida cotidiana). De modo obsessivo, o discurso do produtivismo capitalista visa a reduzir o contingente da força humana de trabalho, isto é, produzir mais com menos operários ou empregados, substituindo-se, assim, capital variável por capital fixo. Sob o capitalismo global, caracterizado pela instabilidade sistêmica das crises financeiras, a dinâmica cíclica das crises do capital impulsiona processos de reestruturação capitalista, em que cada capitalista individual tende a expelir mais “trabalho vivo” da produção de mercadorias, à título de redução de custos, e a incorporar, cada vez mais, “trabalho morto”. Cria-se, deste modo, não apenas um “exército industrial de reserva”, mas sim um imenso contingente de proletários sobrantes, incapazes de serem absorvidos pela indústria capitalista intensiva em capital. A dinâmica de acumulação do capitalismo global exacerba o caráter da produção redundante da força de trabalho como mercadoria que aparece como “superpopulação relativa” de homens e mulheres supérfluos que se incorporam em atividades “improdutivas” na ótica do valor (o que explica a difusão global das múltiplas atividades de comércio – formais ou informais, lícitos ou ilícitos).
A modernidade tardia do capital é irremediavelmente “improdutiva” na ótica do valor. É claro que uma parte das atividades “improdutivas” é interior à produção do valor, contribuindo, deste modo, para resolver o problema da realização (o que explica a transferência de uma crescente proporção do capital do processo produtivo às atividades de venda). Entretanto, cresce o contingente de trabalhadores proletários serviçais, formais ou informais, exteriores à produção do capital, que vivem à custa da massa de mais-valia social.
Podemos dizer que, nos últimos trinta anos de capitalismo global (1980-2010), cresceu indiscutivelmente o contingente de trabalhadores assalariados em escala global. É o que salientamos como sendo a presença da condição existencial de proletariedade universal e global. Entretanto, apesar do crescimento da “classe” do proletariado, ocorreu a redução relativa, embora não absoluta, do contingente de trabalhadores assalariados produtivos empregados na produção de valor; isto é, no conjunto da “classe” dos trabalhadores assalariados em escala global, reduziu-se, em termos relativos, a participação de operários e empregados inseridos na produção de valor, ou seja, trabalhadores assalariados produtivos. Isto pode ser explicado pela intensificação da concorrência capitalista no mercado mundial e, por conseguinte, pela aceleração das inovações tecnológico-organizacionais na produção de mercadorias com, o aumento exponencial da produtividade do trabalho, que contribuíram para a redução relativa da participação de trabalhadores assalariados produtivos no conjunto do proletariado global.
Nesse sentido, cresceu, em termos absolutos, a extração de mais-valia ou a taxa de exploração da força de trabalho na grande indústria capitalista. O desenvolvimento da precarização estrutural do trabalho com a vigência plena da mais-valia relativa no bojo do crescimento absoluto do contingente de trabalhadores assalariados produtivos (por exemplo, as novas fronteiras de expansão industrial na China e Índia) – mesmo que eles tenham se reduzido em termos proporcionais no conjunto da “classe” do proletariado global – levou ao crescimento da extração de mais-valia no interior do sistema produtor de mercadoria. O crescimento em demasia da extração da mais-valia é que explica o crescimento do capital acumulado ou massa de capital-dinheiro sedento de valorização. Entretanto, a crise de valorização ou crise de formação do valor, isto é, crise de produção e realização do valor, faz com que a massa de capital-dinheiro acumulada pelas corporações monopolistas encontre cada vez menos possibilidade de rentabilidade adequada nas condições do capitalismo global. Por isso, surgem contratendências históricas que permitem a constituição de uma nova dinâmica de desenvolvimento do capitalismo histórico.
Finalmente, mais do que nunca, é importante salientar as contradições candentes do capital social total no século XXI. O sistema produtor de mercadorias está objetivamente “afetado de negação”, não apenas por conta da redução do “trabalho vivo” na produção do capital e do problema de realização da mais-valia extraída, mas também devido à própria natureza do “trabalho morto” constituído no bojo das novas revoluções tecnológicas do capital, que incorpora, cada vez mais, em sua produção, um tipo de trabalho concreto que possui uma natureza recalcitrante à lógica do trabalho abstrato: o trabalho imaterial e o retorno do saber-fazer na produção. Noutros termos, mais precisos, temos o aumento no interior da materialidade da produção do capital, do trabalho dito imaterial, articulado sempre – e irremediavelmente – com o trabalho material. Na verdade, o que salientamos é a dialética intensificada e ampliada entre trabalho material-trabalho imaterial no processo de produção do capital. Ao incorporar, de modo intenso e extenso em sua materialidade, formas de trabalho imaterial – um tipo particular de trabalho concreto –, surge a “desmedida do capital”, que ocorre devido à absorção, pelo sistema de produção, de elementos compositivos recalcitrantes à lógica da escassez e a quantificação intrínseca à lei do valor (como o trabalho imaterial).
Nos últimos trinta anos, o sistema produtor de mercadorias foi atingido por candentes contradições intrínsecas à própria forma-mercadoria. Na célula mater da sociedade burguesa (a mercadoria) está contida a virtualidade das suas crises incisivas, sejam elas crises cíclicas, crise orgânica ou crise estrutural. Na medida em que atinge seu pleno desenvolvimento sócio-histórico, sob a terceira modernidade do capital, a forma-mercadoria explicita, ampla e intensamente, suas determinidades negativas. O sistema sociometabólico do capital tende a ser “afetado de negações” no interior do próprio capitalismo. A crise estrutural do capital como crise de valorização produtiva dele expõe, num sentido radical, os dilaceramentos intrínsecos à forma-mercadoria, ou seja, a aguda contradição entre valor de troca (valor econômico) e valor de uso (valor humano). A intensificação (e nova amplitude) da crise da forma-mercadoria, sob as condições históricas da crise estrutural do capital, ocorre em virtude da crise estrutural do trabalho abstrato, o trabalho produtor de valor, fundamento do valor de troca.
Alucinada pelo “desmanche” progressivo e paulatino de seu fundamento (o valor, em virtude da crise do trabalho abstrato), a forma-mercadoria se transfigura, perdendo tendencialmente o seu estatuto mediativo na fórmula geral do capital (D-M-D’). Em seu lugar se põe a fórmula espúria D-D’, explicitação da reprodução hermafrodita da riqueza abstrata, estigma da financeirização que representa, nesta nossa perspectiva crítica, sintoma da crise da forma-mercadoria e crise do trabalho abstrato.
Consideramos que a ampliação compositiva do trabalho imaterial no interior do processo de produção material do capital é a explicitação – ou é mais um elemento de manifestação contingente – da crise do trabalho abstrato, não apenas no sentido da crise do “trabalho vivo” (que é mercadoria-força de trabalho), mas também da crise do “trabalho morto”, no sentido da desmedida do capital, tendo em vista que o trabalho imaterial (em sua dialética com o trabalho material) “transtorna” a “medida” efetiva da produtividade do trabalho que promove a desvalorização do capital constante, uma das contratendências históricas ao aumento da composição orgânica do capital que pressiona a queda da taxa média da taxa de lucros.
A presença ampliada do trabalho imaterial no interior da materialidade produtiva do capital, como forma de trabalho concreto recalcitrante ao movimento de abstração do valor que permite a medida efetiva da valorização, é mais um traço crucial de “negação do capitalismo no interior do próprio capitalismo”. É um dos elementos de “negatividade” que tende a desmanchar a forma-mercadoria no sentido da sua desmedida. Destacaríamos como duas determinações cruciais da crise do trabalho abstrato: (1) a dinâmica estrutural intrínseca à produção do capital, que percorre a passagem da manufatura para a grande indústria e a própria temporalidade da grande indústria, isto é, a substituição progressiva de “trabalho vivo” por “trabalho morto”, a passagem da subsunção formal para a subsunção real do trabalho ao capital, que salientamos acima; e (2) a constituição de um “novo saber” do trabalho concreto nas instâncias dinâmicas de produção material do capital, resistente às determinações do trabalho abstrato. Esse novo saber, o trabalho imaterial – que não se descola obviamente do trabalho material, mas promove uma dialética intensa e extensa entre material e imaterial – decorre do próprio desenvolvimento da nova base técnica do sistema produtor de mercadorias e das novas máquinas complexas que constituem o arcabouço da produção social.
Por um lado, “trabalho vivo” reduzido a “trabalho morto”; por outro lado, “trabalho morto” inteligente (as novas máquinas informacionais complexas) tendencialmente recalcitrante à medida do valor. Embora tão necessário às novas condições de produção social, o “novo saber” tende a não agregar, na produção do capital, valor de troca (valor econômico). Apesar do trabalho imaterial estar subsumido, em si, à máquina como forma social do capital, ele, por suas qualidades intrínsecas articuladas com a nova forma material de produção do capital, não consegue produzir efetivamente trabalho abstrato, além de estar aquém (ou além) da lógica da produtividade do capital. A natureza deste “novo saber”, que impregna o processo de trabalho das novas máquinas capitalistas, tende a negar, em si, a ordem material do trabalho abstrato, pois é, em si, irredutível à quantificação pelo tempo de trabalho. A concepção clássica da teoria de valor-trabalho de Karl Marx é clara – o valor econômico de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho que, em média, é necessário para a produzir, incluindo aí todo o trabalho anterior (para produzir suas matérias-primas, máquinas etc.). Por essa teoria, o preço de uma mercadoria reproduz a quantidade de tempo de trabalho nela colocado, sendo o trabalho o único elemento que realmente gera valor.
Entretanto, o “novo saber”, que permeia de modo ampliado o trabalho imaterial em sua dialética com o trabalho material, não é passível de ser “precificado”; ou ainda, é incapaz de ser formalizado e, portanto, transformado em “máquina”, como ocorre, por exemplo, com o conhecimento que, formalizado, se interverte em máquina (o que coloca limites irremediáveis ao incremento da produtividade no setor I da economia capitalista, o setor de bens de produção). Foi André Gorz que expôs com perspicácia esta problemática contraditória do novo saber em seu livro O imaterial: conhecimento, valor e capital, de 2003. Na verdade, o trabalho imaterial como elemento compositivo crescente da materialidade da produção de mercadorias tende a ser um nexo “estranho”, sempre tensionado, na ordem produtiva do capital. O que não quer dizer que o “novo saber” não está integrado – ou não é parte compositiva – da produção do capital. Não existe separação efetiva entre trabalho imaterial e trabalho material. Não podemos conceber um sem o outro. Pelo contrário, o trabalho imaterial é sim parte do capital, regido pela sua lógica, sendo elemento compositivo da própria materialidade da produção capitalista. Mas diante da nova dialética intensa e extensa entre o imaterial no interior da materialidade da produção do capital, a lógica da produção de valor está diante de seu próprio limite intrínseco: a natureza do “trabalho vivo”, a sua dimensão anímica, indispensável para a produção de máquinas complexas.
Na medida em que o “novo saber” – o imaterial – assume um papel estratégico na produção do capital constante, constituído cada vez mais pelo “trabalho morto” inteligente – diga-se de passagem, “inteligência artificial” –, abre-se um campo de luta, de tensão pela formalização do “trabalho vivo” criador do “trabalho morto”, pela “captura” da subjetividade da força de trabalho como trabalho vivo, trabalho vivo reduzido, mas indispensável (e ineliminável) à produção do capital, com a tentativa perpétua de formalização do trabalho vivo ou do trabalho imaterial, adequando-o à materialidade do trabalho abstrato. O que explica, portanto, a busca recorrente de novas formas de gestão de pessoas nos locais de trabalho (um dos traços da nova forma de produção de capital: a maquinofatura).
O processo de produção do capital, que é o processo de produção do trabalho abstrato, fundamento da forma-mercadoria, percorre a transição da manufatura para a grande indústria. É o processo de substituição de “trabalho vivo” pelo “trabalho morto”. Ele contém em seu bojo a apropriação, pelo capital, do saber tácito do mundo do trabalho vivo e de sua transformação (ou formalização) em conhecimento, sendo, através da ciência, transformado em tecnologia, forma social da técnica. A máquina é expressão desta cristalização do saber em conhecimento fetichizado. O “trabalho vivo” se defronta com a máquina como uma coisa estranha a si próprio, quando ela é, na verdade, a cristalização de um conhecimento apropriado pelo capital, de um saber tácito formalizado e que se transfigura em capital fixo. Este movimento de abstração do “trabalho vivo” em “trabalho morto” é o desenvolvimento do sistema de máquinas. A máquina é a expressão suprema do trabalho abstrato (a máquina é, em si, um ente abstrato par excellence). Entretanto, ao negar o “trabalho vivo”, a máquina nega a própria fonte de valor, a força de trabalho. Deste modo, o trabalho abstrato, ao surgir em sua plenitude, é negado pelo seu próprio movimento. A lei do valor tende a ser abolida ao surgir. Como um organismo vivo, começa a morrer ao nascer. O surgimento da máquina expressa o ápice de desenvolvimento contraditório da produção de mercadorias.
Mas é importante acompanhar o próprio desenvolvimento do sistema de máquinas. As novas máquinas complexas, capital fixo “inteligente”, repõem, nas condições da crise estrutural (sendo elas o fator tecnológico desta própria crise estrutural), o “trabalho vivo” negado tendencialmente pelo próprio movimento da subsunção real do trabalho ao capital. Entretanto, o trabalho vivo que se põe em sua forma concreta como trabalho imaterial repõe um “novo saber”, não mais o saber artesanal, tendo em vista que o saber artesanal pertencia a um estágio menos desenvolvido das forças produtivas do trabalho social, mas o saber imaterial, produto de (inter)subjetividades complexas, tensionalmente integradas à lógica do capital (inclusive parte dele), irredutível às medidas abstratas e impassível à formalização, visando a produtividade do trabalho.
Sob a grande indústria, a formalização do saber em conhecimento compunha o mote da educação técnica, que adestrava homens e mulheres à linha de produção, ao seu posto de trabalho, quase como máquinas vivas, logo substituídas por capital fixo. O segundo momento de “crise da grande indústria”, que prenuncia, na acepção de Ruy Fausto, a “pós-grande indústria” (o que Francisco Soares Teixeira na entrevista denomina “cooperação complexa” e eu denomino “maquinofatura”), é o momento de emergência do novo saber das (inter)subjetividades complexas, que são obrigadas a lidar com as novas máquinas, inclusive máquinas que exigem afetos e envolvimento; um novo saber no interior da produção material do capital resistente à mera formalização abstrata (que tanto alimentou a lógica do trabalho abstrato em sua odisseia mecânico-industrial). Deste modo é que podemos dizer que temos hoje a crise da educação técnica como mero adestramento profissional.
Enfim, o que observamos não é um mero retorno do saber artesanal, até porque o “novo saber” inscrito no trabalho imaterial – não podemos esquecer – é parte compositiva do trabalhador coletivo do capital, isto é, da máquina capitalista. O “novo saber” não é exterior à implicação do trabalho abstrato, sendo ele próprio expressão da subsunção real do trabalho ao capital. Mas o que buscamos salientar é que ele é uma interioridade tensa, convulsionada pela sua própria natureza, que abre, hoje, nos locais de trabalho, dos eixos dinâmicos de acumulação de valor, um campo de luta de classes.
O trabalho imaterial em sua dialética com o trabalho material e como forma de trabalho concreto expressa, enquanto elemento compositivo do trabalhador coletivo do capital e, portanto, subsumido à lógica do valor, o pleno desenvolvimento da materialidade contraditória do trabalho abstrato. O trabalho imaterial e seu “novo saber” – sempre no interior da materialidade produtiva do capital – nasce da contradição intrínseca à forma-máquina, a contradição entre forma material como técnica e forma social como capital. Em seu momento mais desenvolvido, a contradição essencial da relação-capital se explicita, paradoxalmente, na reprodução do “trabalho vivo” como “novo saber”, trabalho imaterial que compõe, ao lado de outros elementos, a manifestação explícita da crise do trabalho abstrato.
Estas ponderações sobre o tema contribuem para problematizar um rol de interpretações diversas que compõem o interessante livro de entrevistas de Henrique Amorim. O marxismo do século XXI expõe, na medida em que absorve a lógica dialética de Hegel, uma vez que, sem ela, segundo Lênin, seria impossível entender O capital de Karl Marx, uma riqueza analítica capaz de dar conta das problemáticas sócio-históricas candentes do século XXI. O interessante livro de entrevistas de Amorim é uma contribuição valiosa para que o marxismo no Brasil possa abrir seu horizonte de problemáticas sobre temas candentes que exigem mais do que nunca, hoje, o resgate da dialética, lógica ontológica tão desconhecida (ou mal-entendida) no marxismo brasileiro que, como salientou Leandro Konder em seu livro A derrota da dialética, possui, historicamente, um travo positivista que o marxismo estruturalista hegemônico, entre nós, apenas sofisticou. Enfim, o autor do livro Trabalho (imaterial), valor e classes sociais: diálogos com pesquisadores contemporâneos contribui para elevar nossas reflexões teórico-críticas na medida em que nos põe em contato com discussões prementes e candentes que provocarão o marxismo no século XXI.
Giovanni Alves38
Marília, 22 de novembro de 2015.
Notas
Alfredo Saad Filho – Doutor em Economia e professor titular de Economia Política na Soas, Universidade de Londres. Economista Sênior da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), em Genebra (2011-2012). Professor visitante na Universidade de York, em Toronto, na Universidade de Ferrara, na Itália, e na Organização de Comércio Exterior do Japão, em Tóquio. Atua na área de economia política do desenvolvimento, especialmente política industrial, neoliberalismo, democracia, políticas econômicas alternativas, economia política da América Latina, inflação e estabilização e a teoria do valor-trabalho e suas aplicações. Suas publicações acadêmicas incluem 9 livros, 70 artigos, 50 capítulos de livros e 30 relatórios e outras contribuições para as Nações Unidas e outras agências internacionais, especialmente a UNCTAD, PNUD, UN-ESCWA e UN-DESA. Esses trabalhos foram publicados em duas dúzias de países e em 15 línguas, e apresentados em mais de 200 eventos acadêmicos em 30 países.
↩
1. MARX, K. O capital. São Paulo: Nova Cultural, 1998.
↩
2. ______. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858:
esboços da crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2011.
↩
3. GORZ, A. Adeus ao proletariado: para além do socialismo. Rio
de Janeiro: Forense, 1987.
↩
4. TOURIANE, A. La société post-industrille: naissance d’une
societé. Paris: Éditions Denoël, 1969.
↩
5. HABERMAS, J. Teoría de la acción comunicativa. Madri:
Taurus, 1987.
↩
6. BELL, D. O advento da sociedade pós-industrial: uma tentativa
de previsão social. São Paulo: Cultrix, 1977; OFFE, C. Trabalho e sociedade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
↩
7. MELUCCI, A. The new social movements: a theoretical
approach. Social Science Information, v. 19, n. 2, 1980.
↩
8. FRASER, N. Da redistribuição ao reconhecimento? Dilemas da
justiça na era pós-socialista. In: SOUZA, J. (Org.). Democracia hoje: novos desafios para a teoria democrática contemporânea. Brasília: Editora UnB, 2001. p. 245-282; Honneth, A. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. São Paulo: Editora 34, 2003; TAYLOR, C. El multiculturalismo y la política del reconocimiento: ensaio de Charles Taylor. Cidade do México: Fondo de Cultura Económica, 1993.
↩
9. GORZ, A. O imaterial: conhecimento, valor e capital. São Paulo:
Annablume, 2005; Lazzarato, M. Le cycle de la production immatériel. Futur Antérieur, [S.l.], n. 16, p. 111-120, 1993; Negri, A. Capitalisme cognitif et fin de l’économie politique. Multitudes, n. 13, p. 197-205, 2003.
↩
10. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra,
1999.
↩
11. INGLEHART, R. Modernization and postmodernization: cultural,
economic, and political change in 43 societies. Princeton: Princeton University Press, 1997.
↩
12. RIFKIN, J. O fim dos empregos: o declínio inevitável dos níveis
dos empregos e a redução da força global de trabalho. São Paulo: Makron Books, 1995.
↩
13. NEGRI, A. Império. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2001.
↩
14. DAHRENDORF, R. As classes e seus conflitos na sociedade
industrial. Brasília: Editora UnB, 1982; TOURAINE, A. Os novos conflitos sociais: para evitar mal-entendidos. Lua Nova, n. 17, p. 5-18, 1989.
↩
15. MOULIER-BOUTANG, Y. Le capitalisme cognitif: la nouvelle
grande transformation. Paris: Éditons Amsterdam, 2007.
↩
Entrevista realizada em 17 de abril de 2009 em sua casa em Estrasburgo, na França. Tradução de Santiane Arias.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico em junho de 2009. Tradução de Henrique Amorim.
↩
16. Cognitariat, no original, em francês. Neologismo que designa os
trabalhadores ocupados no chamado trabalho cognitivo, sobretudo em serviços realizados via internet, capazes de formar movimentos de resistência ao capital através da rede mundial de computadores.
↩
17. Précariat, no original, em francês. Neologismo que designa o
conjunto de trabalhadores ocupados em trabalhos precários.
↩
18. Délocalisations, no original, em francês, significa a transferência
de empresas para outras regiões.
↩
19. Publicada em francês. TOSEL, A. Un monde en abîme: essai
sur la mondialisation capitaliste. Paris: Kimé, 2008.
↩
Entrevista realizada no dia 14 de maio de 2009 em sua casa, na Rua d’Enghien, no Dixième, em Paris, França, e complementada, duas semanas depois, por correio eletrônico. Tradução de Henrique Amorim
↩
20. Intelecto geral.
↩
21. N.O.: No Brasil, A teoria marxista do valor. São Paulo:
Brasiliense, 1987.
↩
22. Ver: <www.contretemps.eu/sites/default/files/RoubineAVP.pdf>.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico em 15 de fevereiro de 2011.
↩
23. Informação como trabalho e como valor. Revista da Sociedade
Brasileira de Economia Política, n. 19, p. 67, 2006.
↩
Entrevista realizada no dia 5 de maio de 2009 na livraria La Brèche, Rua Taine, no Deuzième, em Paris, França. Tradução de Henrique Amorim.
↩
24. Employés: trabalhadores assalariados não operários,
provenientes em geral do setor de serviços.
↩
25. Cadres, em francês, se refere aos assalariados superiores
responsáveis, sobretudo, pela administração das empresas e aparelhos do Estado. O termo encadrement faz menção a funções específicas da divisão social do trabalho destinadas aos cadres, quais sejam: conceber, controlar, gerenciar e, portanto, legitimar e reproduzir as relações capitalistas de produção. Na falta de uma palavra apropriada, optei pelo termo original.
↩
Entrevista realizada em 5 de junho de 2009, em sua casa, na Rua Le Goff, no Cinquième, em Paris, França. Tradução de Santiane Arias.
↩
Entrevista realizada no dia 23 de novembro de 2010 em um Hotel de João Pessoa, na Paraíba.
↩
26. Refere-se ao livro de Francisco de Oliveira, Crítica à razão
dualista/O ornitorrinco. São Paulo: Boitempo, 2003.
↩
27. Lembramos que a entrevista foi realizada em novembro de
2010.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico em 6 de outubro de 2010.
↩
28. Marx, K. O capital: livro III. São Paulo: Nova Cultural, 1988. v. V,
p. 21-22.
↩
Entrevista realizada em 29 de abril de 2009, no Centro de Recherche Paris-Jourdan Sciences Économique. Tradução de Santiane Arias.
↩
29. Employés: trabalhadores assalariados não operários,
provenientes, em geral, do setor de serviços.
↩
Entrevista realizada no saguão do Hotel Glória-Caxambu, em 26 de outubro de 2016.
↩
Entrevista realizada no dia 9 de abril de 2009 em sua casa em Nanterre, na França. Tradução de Santiane Arias.
↩
30. Cadres, em francês, se refere aos assalariados superiores
responsáveis, sobretudo, pela administração das empresas e aparelhos do Estado. O termo encadrement faz menção a funções específicas da divisão social do trabalho destinadas aos cadres, quais sejam: conceber, controlar, gerenciar e, portanto, legitimar e reproduzir as relações capitalistas de produção. Na falta de uma palavra apropriada, optei pelo termo original.
↩
Entrevista realizada no dia 11 de maio de 2009, em sua sala, na École des Hautes Études en Sciences Sociales em Paris, França. Tradução de Henrique Amorim.
↩
31. Lojkine se refere ao economista russo Nikolai Kondratiev e sua
análise dos ciclos de “ondas longas” desenvolvida em seu livro As ondas longas da conjuntura, de 1926.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico no dia 6 de julho de 2011.
↩
32. MARX, K. Grundrisse der Kritik der politischen Ökonomie.
Berlim: Dietz Verlag, 1953. p. 592.
↩
33. Id. ibid., p. 593.
↩
34. Id. ibid., p. 594.
↩
Entrevista realizada por Carolina Cristina Alves e Sávio Cavalcante no dia 26 de junho de 2011 na casa de Weeks, na West Hill Court, em Londres, Inglaterra.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico no dia 20 de julho de 2011.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico em 13 de abril de 2011.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico em 3 de agosto de 2011.
↩
Entrevista realizada em 5 de junho de 2009 em sua casa, na Rua de La Glacière, no treizième, em Paris, França.
↩
Entrevista realizada em 12 de maio de 2009 em seu escritório no Institut de Recherches Économiques et Sociales (IRES), em Noisy-Le-Grande, França. Tradução de Santiane Arias.
↩
35. Conferir artigo de Michel Husson disponível em:
<http://hussonet.free.fr/comlibcc.pdf>.
↩
36. Entrevista realizada em 2 de dezembro de 2010 em sua casa
em Barão Geraldo, Campinas.
↩
Entrevista realizada em 3 de junho de 2009, em sua sala no antigo prédio da École de Hautes Études en Sciences Sociales no Boulevard Raspail, 54, em Paris, França. Tradução de Santiane Arias.
↩
Entrevista recebida por correio eletrônico em 23 de janeiro de 2013.
↩
Grupo intergovernamental de especialistas sobre a evolução do clima.
↩
37. Aaron Swartz cometeu suicídio no início de 2013. Intenso
ativista pela liberdade de informação, Swartz foi indiciado em 2012 por ter supostamente quebrado as proteções de download de artigos acadêmicos mantidos na plataforma JSTOR, que provê a disponibilização destes somente por meio de assinaturas e acessos pagos.
↩
38. Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP, livre-docente em
Sociologia e professor da Unesp, campus Marília. É pesquisador do CNPq, com bolsa-produtividade em pesquisa, e coordenador-geral da Rede de Estudos do Trabalho (RET), do
Projeto Tela Crítica (www.projetocinetrabalho.org) e do projeto
CineTrabalho (www.projetocinetrabalho.org). É um dos líderes do Grupo de Pesquisa CNPq “Estudos da Globalização”. É autor de vários livros e artigos sobre o tema trabalho e sociabilidade, entre os quais O novo (e precário) mundo do trabalho: reestruturação produtiva e crise do sindicalismo (Boitempo, 2000), Trabalho e subjetividade: o espírito do toyotismo na era do capitalismo manipulatório (Boitempo, 2011), Dimensões da precarização do trabalho (Praxis, 2013) e Trabalho e neodesenvolvimentismo (Praxis, 2014).
↩
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Henrique Amorim
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